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O Lado Oculto da Lua: Capítulo 05

Novela de Luiz Gustavo
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O LADO OCULTO DA LUA - CAPÍTULO 05: “O PRANTO SEM FIM”

O CORAÇÃO DE LUNA PERMANECIA EM PÓLVORA. A labareda começava a queimar através de sua garganta e as lágrimas a lavaram até o chão, num pedido de socorro da consciência, sentindo a terra preta adentrar através de seus dedos. O penhasco parecia fazer um convite, uma queda única seria a maneira de dissipar aquela dor acumulada na alma, o pranto sem fim. Se ela se jogasse naquela escuridão, somente uma pessoa iria sair vitoriosa.

Luna sempre se transformava em uma garota indefesa quando estava próxima da mãe. Nunca conseguiu entender o motivo da matriarca tratá-la daquela maneira. Muitas vezes, imaginou que fosse fruto de um caso de Cássio e que Odete fora obrigada a assumir a maternidade. Uma vez, quando criança, desbravando os álbuns de fotografias antigos, ela encontrou uma foto desgastada, onde pôde ver a matriarca segurando-a no hospital. Sua teoria havia caído por terra. Na fotografia, Odete ainda tinha uma pequena chama nos olhos, uma chama que parecia ter se apagado no dia 8 de novembro de 1974, o nascimento da pequena Luna.

“Você não pensa em ter outro filho, Odete?”

“Se você tem uma Luna, nunca mais vai quer ter outro filho.”

A primeira vez que Luna foi ao ginecologista, ela se sentiu invadida ao estar na companhia da matriarca. Havia acabado de se tornar mocinha, e Odete ainda não comprava absorventes nem a ensinava a usá-los. Fazia questão de buscar a filha na secretaria da escola nos primeiros meses, com a calça ensanguentada, até ser chamada atenção por uma professora, que passou o contato de um excelente médico. No dia dos exames, Luna descobriu que tinha endometriose e que uma das consequências da doença era a impossibilidade gestacional. As palavras do médico foram mantidas em segredo, e Luna nunca entendeu por que Odete não jogou tudo na sua cara. Ela chegou a imaginar que as duas estavam começando a construir um elo de amizade. Isso nunca aconteceu.

As lágrimas de Luna que antes caíam feito grãos, haviam cessados momentaneamente. Ainda não tinha cabeça para retornar para casa e explicar tudo para o marido, preferia ficar parada até a madrugada, divisando a luz da lua crescente iluminar a mata do que estar próxima da mãe. Segurando o escapulário no pescoço, ela fez um pequeno juramento: “Nunca mais ninguém irá mexer com as minhas emoções. Nunca mais vou deixar Odete me ferir, ela não merece o meu sofrimento.”

Luna segurava o escapulário de ouro nas mãos, cujo brilho intenso se projetava na direção da floresta, alguns metros abaixo. Lá, divisou uma sombra mal iluminada pela pálida luz da lua. De repente, percebeu um par de olhos em chamas fixados na ponta do penhasco onde ela se encontrava. Com o coração acelerado, Luna se ergueu de um pulo, quebrando um graveto seco, tomada por um leve temor, e levou outro susto ao se virar e deparar-se com o rosto do marido.

— Eu fui muito injusto em não ter te escutado, Luna. Em não ter levado sua opinião a sério quando me falou sobre sua família, especialmente sua mãe. Eu poderia ter resolvido tudo com uma ligação, inventando alguma desculpa para não te colocar nessa posição. — disse Rafael, aproximando-se cada vez mais da esposa até que os dois ficaram frente a frente. — Meu maior sonho é ter um filho. Sempre deixei isso muito claro, e você nunca mencionou ter um problema. Isso não importa agora. O que importa, Luna, é que quero ser feliz ao seu lado. Podemos muito bem adotar uma criança, construir uma bela família ou procurar os melhores médicos do Brasil, para resolver essa questão. Quero que saiba que você está comigo e nunca mais se sentirá sozinha.

A temperatura começou a baixar ainda mais, levando Luna aos braços reconfortantes do marido, que a envolveu com segurança. Naquele abraço, ela encontrou um conforto instantâneo, quase esquecendo o motivo que a levou até a beira daquele penhasco maldito. De repente, todos os seus problemas, toda a sua vida e seus arrependimentos pareceram diminuir diante da presença de Rafael. Ele era o homem que havia escolhido para ser seu noivo. Alguém que a fez sair de casa e que, por um momento fugaz ao subir ao altar, ela temeu que as sombras da matriarca a forçassem a repetir os mesmos erros, um ciclo vicioso.

— Eu não quero mais a sua mãe dentro da nossa casa, nunca mais. A não ser que seja pela sua própria vontade, deixei isso bem claro em uma conversa que tive com o senhor Cássio antes deles partirem. Ela não te faz bem, Luna. A Odete não é uma pessoa saldável para você ter ao seu lado, não sei como conseguiu suportar. Deve ter sido muito doloroso.

Rafael segurou a esposa pela cintura, os dois caminhavam sem dizer muitas palavras, saindo da floresta e seguindo em direção de casa. Luna não deu muita atenção ao cachorro que a seguia até o banheiro da suíte, ficando na porta enquanto ela tomava um longo banho, sentindo a água quente penetrar através de seu corpo. O vestido sujo foi embrulhado para ser jogado dentro do cesto de roupas. Ela pegou a primeira vestimenta que encontrou no guarda-roupa e sentiu um aroma invadindo a casa; Rafael estava preparando um chá de erva-cidreira para ela, além de deixar pão de leite, manteiga, biscoitos e o macarrão postos na mesa.

— Você quer jantar? — ele perguntou com um sorriso.

— Não, mas vou tentar comer um pão com manteiga e tomar o chá.

Luna não esperava essa reação do marido; ele foi completamente fora do que ela tinha idealizado. Por um momento, pensou na ideia de adotar uma criança, um bebê ou uma criança mais velha. Havia tantas crianças precisando de um lar, e adotar seria um ato de amor. Ela se aconchegou nos lençóis, sentindo o corpo de Rafael se aproximar até ela adormecer aninhada em seu peito. A noite passou como num piscar de olhos, até que acordou às seis horas da manhã com um timbre masculino em seus ouvidos:

“VOCÊ SERÁ MINHA PARA SEMPRE.”

E aquela declaração não era de Rafael.

autor
Luiz Gustavo

elenco
Luna Azevedo
Rafael Duarte
Mathias Castro
Dona Mocinha
Odete Azevedo
Cássio Vitorino
Vicente
Dr. Luiz

Admilson
Padre Miguel
Chico
Nassy Castro

participações especiais
Lúcia da Silva Pinto
Rubens Pinto
Aline Medeiros
David
Henrique

Inspirada na lenda de A Caçada Selvagem e no Lobisomem

trilha sonora
Birth - 30 Seconds to Mars

direção
Carlos Mota
 
produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


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