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Antologia Nosso Amor: 4x03

Conto de Matheus Maritan
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Sinopse: Três amigos inseparáveis se tornam dois quando a namorada de um deles vai fazer um intercâmbio e, em um momento de intensidade emocional e efeito de festa, algo acontece que abala essa amizade.

4x03 - Eu, Ele e Ela
de Matheus Maritan

—  Eu volto! —  disse entre lágrimas, abraçando Mateo antes de embarcar para um intercâmbio de três meses.

—  Eu sei, e vou estar esperando! —  Ele segurou o rosto de Ana em suas mãos e beijou cada traço com devoção.

Eles nunca haviam ficado tanto tempo longe um do outro. Achavam que isso seria a parte mais difícil de um relacionamento. Junto deles, estavam os pais de Ana e Ezra, o melhor amigo do casal, que tinha ido se despedir da amiga.

—  Vem cá. —  disse Ana, chamando Ezra para o abraço. —  Cuida dele para mim, viu? —  disse dando um beijo no topo de sua cabeça.

Ezra engoliu o nó na garganta. Também nunca tinha ficado tão longe da melhor amiga. Tinham uma amizade de anos, inseparáveis em tudo, e quando Ana começou a namorar Mateo, o Ezra ficou meio sem rumo, mas agora eram os três contra o mundo.

—  Pode deixar que eu cuido dele —  disse Mateo, dando aquela piscadinha —  eu não vou deixar que ele faça nada que você não fosse aprovar.

Ana sorriu para Mateo e o beijou, e deixou os dois abraçados ali, enquanto ia se despedir dos pais.

A amizade de Mateo e Ezra floresceu após uma conversa franca. Ezra não tinha ido com a cara de Mateo de começo. Tentava de tudo para que Ana o deixasse, armando mil artimanhas. Mas chegou uma hora que Mateo cansou dos joguinhos, zoações e pirraças que um fazia com o outro, chamou Ezra para conversar e acabaram se acertando. Desde então, entendiam-se.

Abraçados, acenaram um último adeus para Ana, que estava indo em direção ao embarque.

—  E agora? —  disse Ezra, enxugando as lágrimas.

—  Daqui a pouco ela volta, você vai ver! — respondeu Mateo, tentando animá-lo.

Duas semanas depois, o tédio dominava. Perceberam que a Ana era quem animava eles para fazerem algo. No quarto de Mateo, conversavam com ela via videochamada.

—  Ah pelo amor de Deus, gente! —  Ana fingiu irritação. —  Vão fazer alguma coisa! Não aguento mais essas caras de derrotados que vocês estão.

—  Ah, mas não tem nada para fazer nessa cidade! É tudo fim de linha.

—  Eu, aqui em Orlando, soube de uma festa que vai ter hoje! Por que vocês não se arrumam e vão se divertir?

Mateo e Ezra trocaram um olhar. Festas? Nunca foram a praia deles. Mas Ana tinha razão: desde que ela havia ido para os Estados Unidos, eles só ficavam entre assistir Netflix e jogar videogame.

—  O que você acha? — perguntou Ezra.

—  Topo se você topar. —  Mateo encolheu os ombros.

—  Beleza, diz aí, Ana, onde que é essa festa?

Ana sorriu no vídeo, dando pulinhos de alegria.

A festa era em uma república bem ‘hétero top’, tudo que Ezra mais detestava: gente bêbada, música alta, cantadas sem graça. Mas abriu uma exceção a essa regra para fazer a vontade de Ana, e tentar animar Mateo que andava meio cabisbaixo.

—  Valeu por me acompanhar — disse Mateo, puxando-o pelo ombro.

Rindo, tentando disfarçar seu rosto vermelho, Ezra deu um cutucão nas costelas de Mateo como brincadeira. A festa estava caótica: pessoas suadas, gritando, garrafas vazias pelo chão e pessoas se pegando nos cantos escuros. Mateo e Ezra trocaram olhares quando entraram e caíram na risada.

—  Vamos achar um bofe para você hoje! — disse Mateo, brincando porque ele sabia que Ezra odiava esse tipo de brincadeira.

—  Para! Vim aqui pra curtir contigo —  disse Ezra, dando um sorriso de canto de boca.

Logo depois da conversa com Mateo sobre o relacionamento dele e de Ana, Ezra mudou sua visão sobre ele. E mantinha seus sentimentos sob controle. Por dois motivos óbvios: Ana era sua melhor amiga e, Mateo, hétero assumido. Nada aconteceria. NADA.

—  Bora beber e começar essa loucura! —  disse Mateo abraçando Ezra.

Ezra hesitou por um momento, mas concordando com a cabeça, pegou uma cerveja. Beberam, dançaram, curtiram, até fumaram um, coisa que Ezra nunca havia feito antes! ‘Mas já que estou na chuva —  pensou Ezra —  por que não molhar um pouco’.

Quase amanhecendo, já no fim da festa, Mateo o puxou num abraço repentino.

—  O que foi isso? — perguntou Ezra.

—  Nada, não posso abraçar meu amigo? —  respondeu Mateo.

Segurou ele de novo em um abraço. Dessa vez levantou ele do chão e o rodou. Ezra fechou os olhos, mas mesmo assim a sensação de estar voando foi imensa, parecia que ele estava fora de si vendo uma cena de filme, aqueles bem piegas de dois caras se apaixonando.

Quando Mateo o botou no chão, Ezra segurou nas mãos dele. Levantou o seu rosto até seus olhos se encontrarem. Os olhos de Mateo naquele momento pareciam duas piscinas de água azul brilhante, como se tivesse acabado de ser criada. Era um azul tão lindo, como que Ezra nunca havia percebido isso.

Mas ele também notou algo a mais! Viu que Mateo o estava olhando da mesma maneira que ele. Olhando fixamente para seus olhos e descendo para sua boca e de novo para seus olhos.

—  Tudo certo? — perguntou Ezra, tentando disfarçar. 

Mateo piscando algumas vezes, como se tivesse acabado de acordar de um sonho. Concordou com a cabeça.

—  Tu.. Tudo… —  respondeu. —  Vamos embora?

—  Se você quiser… —  disse Ezra. —  Vamos só tirar uma última foto para mandar para Ana e mostrar que nos divertimos e que agora estamos acabados. Mateo sorriu se aproximando de Ezra.

—  Sorriso — disse Ezra, apontando a câmera frontal do celular para eles.

Mateo forçou um sorriso, e assim que ele viu que a foto havia sido tirada, ele se afastou como se tivesse sido queimado por algo.

A caminho de casa (a de Ezra era mais perto), Mateo sentou na calçada, a cabeça entre as mãos.

—  Tudo certo, Mateo? — perguntou Ezra preocupado. —  Tá passando mal?

Ele sabia que não teria força de levar o Mateo de volta para casa sozinho, caso ele estivesse.

—  Tudo, só queria sentar um pouco! — respondeu, com a voz meio rouca.

Mateo levantou o rosto. Seus olhos vermelhos de cansaço, e como ímãs se fixaram nos de Ezra.

Ezra retribuiu o olhar, e ele notou a mesma coisa acontecendo. Os olhos de Mateo subindo na direção dos seus olhos para sua boca, e de volta para seus olhos.

—  Que foi? —  perguntou Ezra —  Tem alguma coisa na minha boca? —  passando a mão.

—  Não. —  Mateo levantou. Fechando a distância entre eles, respirou fundo.

—  O que está acontecendo? —  perguntou de novo Ezra.

Antes que pudesse se arrepender, Mateo olhou fixo nos olhos de Ezra, e sem nenhuma explicação, suas mãos o puxaram pela nuca em direção a sua boca. Os lábios se encontraram, a cabeça de Ezra girava — êxtase, culpa, medo, desejo. A língua de Mateo foi de encontro com a de Ezra. Mateo tinha gosto inesperado de menta (quando pegou o chiclete?) Cinco minutos depois, Mateo se afastou, como se ele estivesse acabado de acordar de um pesadelo.

—  Desculpa. Desculpa. Desculpa. Desculpa.

Ezra ficou paralisado. Não sabia o que falar, não sabia o que tinha acabado de acontecer. Só sabia que tinha acontecido. Ele tentou chegar perto de Mateo, mas ele estendeu a mão para mantê-lo afastado.

—  Não, fica aí. Não posso. Desculpa.

Ele deu as costas para Ezra e foi embora.

Ezra ficou ali, no meio da rua sozinho! Sem saber o que fazer, sem saber o que sentir. Um ping no celular trouxe ele de volta:

Ana: Parabéns por finalmente saírem de casa! <3


Conto escrito por
Matheus Maritan

CAL - Comissão de Autores Literários
Agnes Izumi Nagashima
Gisela Peçanha
Paulo Mendes Guerreiro Filho
Pedro Panhoca da Silva
Rossidê Rodrigues Machado
Telma Marya

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


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