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Boletim Virtual - Edição 92: Entrevista com Letícia Mariana

Boletim Virtual - Edição 92
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NA EDIÇÃO DE HOJE DO BOLETIM VIRTUAL:

- Giro Virtual trás as últimas notícias. Você vai descobrir quem é o veterano que está de volta no Mundo Virtual
- Por onde começa a Obra Virtual? ou Argumento: um ótimo começo! É a estreia do "Entrelinhas" com Hans Kaupfmann
- Na volta do Estante Literária Davi Busquet fala sobre o livro 1984, de George Orwell
- Num dia qualquer, tive um sonho. Sonhei com uma menina. Desesperada, presa num cativeiro e pintando belos quadros. Resolvi transformar este sonho numa personagem, diz Letícia Mariana no Diário do Autor.



  BOLETIM VIRTUAL - EDIÇÃO 92
 (DOMINGO, 02 DE AGOSTO DE 2020)

   

POR ONDE COMEÇA A OBRA VIRTUAL? OU ARGUMENTO: UM ÓTIMO COMEÇO! - por HANS KAUPFMANN

HANS KAUPFMANN: Salve  companheiros do MV. Faz muuuuito tempo que não escrevo nada para esse saudoso mundo de pessoas apaixonadas e criativas. O queridaço Gabo Olsen me provocando a um desafio, permitiu que eu colaborasse com um pouquinho do conhecimento que adquiri aqui mesmo, escrevendo há anos, algumas séries, minisséries e filmes, para antiga TVAN e adjacentes de um passado longínquo.

Posso garantir que enquanto tentava fazer que uma obra fosse um pouquinho melhor que a anterior, nessa época aprendi bastante no que diz-se respeito de ROTEIRIZAR. Tive a grata oportunidade de ver algumas obras minhas terem procura por produtores de Curtas, Clipes e peças teatrais. Mas com o tempo decidi focar no que amo que é a composição musical, mas sempre guardo no coração essa experiencia linda em que escrevia para quem sabe um dia ver na acontecer tela.

Por isso decidimos eu e o Olsen a estrear uma coluna, batendo um papo de como profissionais trabalham quando querem roteirizar suas histórias.

Apesar de debates sobre o método, acho que tudo começa com o ARGUMENTO. (que nada mais é do que uma sinopse bem elaborada).

Imagine que você queira fazer um filme, e tenha que em uma hora de almoço, frente a frente de um possível patrocinador, e tenha que contar o filme inteiro (com as sacadas geniais e tudo) naquele momento.

Ou você tenha que apresentar na sala de aula o resumo , com os melhores momentos do filme que assistiu.

Pois bem. O argumento é isso: a história que amamos ter criado contada de uma forma que pareça irresistível de querer saber mais. 





Ela é importante por vários motivos. Ao mostrá-la a alguém de confiança, nos dá parâmetros se ela é interessante a alguém mais que você...e claro será um mostruário de venda. Conheço pessoas que vendem argumentos para outros roteiristas torna-las filme.

O ideal é que ele não tenha diálogos (a não ser que seja fundamental para o entendimento básico) e nem detalhes de direção como movimentos de câmera pois não são relevantes nesse momento. Deve ser objetivo e não obscuro, como um pequeno conto, sem esconder partes da trama e nem o final. 

No caso de uma novela é claro que o argumento passa ser aberto e focado nos dramas e plots divididos entre os protagonistas e os plots adjacentes (histórias paralelas de personagens secundários)  mas não deve ser menos sedutora.

Lembre-se que uma boa obra, virtual ou não, se não pode ser contada em poucas linhas...não serão 200 capítulos  que a salvarão de ser duvidosa.

Mesmo que você não tenha interesse em mostrar para ninguém, o ARGUMENTO te servirá de guia para o próximo passo: A ESCALETA. Mas esse papo fica pro próximo ENTRELINHAS.



UMA APATIA INSTITUCIONALIZADA. RESENHA DE "1984", DE GEORGE ORWELL - por DAVI BUSQUET


"Quem controla o passado, controla o futuro; Quem controla o presente, controla o passado." (Slogan do Partido)




Como falar de distopias sem mencionar 1984? Não que o assunto tenha nascido com George Orwell, ou mesmo que ele tenha sido extremamente inovador e revolucionário na sua abordagem ao tema, mas todo bom fã de ficções distópicas concorda que a trajetória através do cotidiano de Winston — e seu consequente acesso às esferas superiores do Partido, nas quais tomou conhecimento da inevitabilidade daquele regime —, demonstra com clareza a essência que toda distopia deve incorporar em si para ser memorável e digna de respeito: opressão, fanatismo e segredos.

Nos idos de 1949, quando a primeira edição fora publicada, a televisão era apenas um bebê de colo, o qual nem mesmo engatinhava ou dava sinais do que poderia se tornar para o mundo nas décadas por vir. Contudo, sob a impressionante visão de Orwell, esse aparelho, na trama de 1984, ganhou fabulosa (e cruel) importância, ao ser apresentado não apenas como um instrumento de transmissão de ideais e doutrinas — tal qual o mundo real, décadas antes, vira ser feito pelo Nazismo e outros regimes totalitários —, mas também como uma câmera espiã, que capta as imagens e sons de cada moradia onde é obrigatória e permanentemente ligado, aniquilando a privacidade do lar dos indivíduos desse mundo já tão vigiado e dominado.



Filme baseado na obra de George Orwell e tem John Hurt, Richard Burton e Suzanna Hamilton no elenco


Afora o incremento fictício na TV, Orwell não precisou aliar à história nenhum outro elemento extremamente avançado, ou da ordem do fantástico, para recriar as piores ditaduras em uma forma superior de dominação. Ao contrário de Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, publicado 17 anos antes — no qual foram antecipados avanços como a manipulação genética, condicionamento psicológico e reprodução assistida —, em 1984 apenas necessitou-se de uma fórmula básica para o medo, a qual reunia em si a invasão da privacidade, o controle da língua, a modificação da história e das notícias e a permissividade para com as classes menos favorecidas.

Não era apenas a noção de que, a qualquer momento, um governo ou alguém a seu serviço pudesse presenciar um ato de insurreição — como comprar um pedaço de papel e um lápis para escrever seus pensamentos (a exemplo do que o próprio Winston fizera) — ou uma aparente apatia durante exercícios obrigatórios em seu lar, ou ainda, ser denunciado por ter pensamentos criminosos, mas sim um ciclo de ações, um percurso de vida que inevitavelmente terminará, em algum momento, com o súbito desaparecimento do cidadão e seu apagamento completo de qualquer registro existente (inclusive a lembrança de todos com quem ele tenha vivido). A noção passada pelo protagonista Winston é a de que todo cidadão de Oceania — o bloco político e geográfico que, em 1984, engloba o que hoje seria a Grã-Bretanha, Américas, Austrália e parte da África — tem consciência de que seu clico de vida terminará nas mãos do Partido, torturado e quebrado em alguma sala sem janelas do Ministério do Amor.

Um dos pontos mais intrigantes do controle governamental proposto em 1984 é aquele executado através da língua. Na narrativa — diga-se de passagem, muito acessível e inteligente, explicando a complexidade política de tal mundo fictício com a fluidez de um eloquente professor de história — Winston é um funcionário do Ministério da Verdade, um órgão que, apesar do nome controverso, zela pela alteração de qualquer registro histórico (notícias, dados oficiais, informes, etc.) em prol de evitar contradições propagadas pelo próprio regime. Afinal, que governo total e absoluto (e eterno) seria frágil como notícias e fatos dos quais tivesse que se retratar? Os fatos que se adequem ao Partido, não o contrário! E é nesse processo que a Novafala entra.

Imagine que para cometer um ato de transgressão contra a Ordem o cidadão deve primeiramente pensar na transgressão e, entre esses dois pontos (o pensamento e a ação), encontra-se a língua — o articular do pensamento, a sedução de cúmplices e a incitação ao crime. E se a língua oficial fosse de tal maneira construída, de modo que a expressão da vontade de transgredir fosse impossível? Assim é a Novafala, um conjunto semântico e sintático cujo único propósito é suprimir completamente a individualidade humana, imiscuindo sua forma dúbia e artificial ao intelecto do falante.

Winston, como membro do Partido (todavia um membro externo, ou seja, praticamente um funcionário sem grande ascensão) e na condição de responsável pela adulteração das informações registradas — algo que remete muito à situação atual e às fake news —, é um conhecedor da Novafala, pelo menos o suficiente para aplicá-la em seu ofício, e, portanto, tem pleno consciência da verdade que passa por suas mãos e em como, com o apertar de algumas teclas e o sublinhar de certas inconsistências, ela se transforma em algo mais.

Citar que há uma divisão no próprio Partido — um externo, composto de membros de menor importância, cuja imagem é a de seguidores de ordens, e um interno, que desempenha as funções de liderança e está diretamente ligado ao Grande Irmão — é desenhar com mais precisão ainda as relações sociais presentes em 1984. Além dos membros do Partido, Orwell deixa bem claro a existência de uma população numerosa, menos favorecida e de baixa escolaridade. Ao contrário de muitos modelos de governos opressores, onde as massas devem ser mantidas sob rígido controle e repressão, em 1984 elas são desassociadas completamente dos membros externos do Partido.

Ou seja, para Orwell, o verdadeiro perigo, o risco real para o opressor, não é o oprimido, mas sim o contato do oprimido com as massas, as quais podem ser usadas em manobras para desestabilizar um governo e subverter a ordem vigente. Tal como numa Roma de outros tempos, as classes desfavorecidas são mantidas entretidas, em relativa liberdade (e libertinagem) e afastadas dos que detém conhecimento suficiente para motivá-las à rebelião — analogamente a classe média hoje em dia e, na narrativa, os membros externos do Partido.

Acredito que o ponto alto do livro seja quando Winston é confrontado com um dos membros internos do Partido e com ele inicia uma discussão sobre as intenções do governo, suas práticas e métodos. Por um momento, bem breve até, é possível para o leitor se colocar ao lado de Winston, depois — por mais terrível que possa ser, o que revela no próprio leitor o fanatismo subentendido nos desejos de controle de cada ser humano — torna-se muito difícil não concordar com o Partido e seus fundamentos, e em como, segundo as palavras desse membro interno, o vislumbre mais sincero do futuro não é nada além de “uma bota prensando um rosto humano para sempre”.

Por Davi Moreira Busquet
Autor de contos, livros e resenhas; participante da antologia Lua
Negra, pela WebTV, com o conto Rokitansky; vídeo-resenhista
do canal Um Livro em Mente, no YouTube; ávido leitor e agora
com material exclusivo para o quadro Estante Literária, também da WebTV.



DESCUBRA QUEM É O VETERANO QUE ESTÁ DE VOLTA NO MV, WEBTV PREPARA ESPECIAL PARA COMEMORAR OS "15 ANOS", VEM AÍ O INFINITY AWARDS  - por MARCOS VINICIUS

Boa noite galera, tudo bem com vocês? Acompanhando as novidades do nosso MV? Sempre temos coisas boas para serem prestigiadas. Premiações finalizando as cotações, obras de sucesso do passado disponíveis para você, novos sucessos chegando...tudo isso e muito mais, agora no Giro Virtual.

Novidades no BV

O Boletim Virtual não para com suas novidades. Você acompanhou agora pouco a estreia de uma nova coluna sob o comando do veterano Hans Kaupfmann. Ele apresentou o Entrelinhas, passando dicas sobre roteiro. Imperdível, não é mesmo?


Eu disse que o BV vem com tudo!

Além do Entrelinhas com Hans, outro grande nome apresentará a nova temporada do quadro Estante Literária, trazendo ótimas dicas aos leitores. Trata-se de Davi Busquet, que logo logo também estreia na Antologia Lua Negra.



Infinity Awards, quem vai levar para casa?

A votação popular do aguardado prêmio da Infinity Awards chegou ao fim neste dia 28/07/2020. Agora é esperar a apuração dos votos e a data de divulgação dos vencedores. Os candidatos já estão com os dedinhos cruzados à espera do resultado!


À meia-noite tudo pode se transformar

O terror continua à solta no MV. A Sessão Fantasma da DNAtv já publicou três contos sensacionais neste mês de junho. Mesmo ainda sofrendo com os bloqueios das redes sociais, os contos obtiveram grande audiência. Dentre os contos publicados está "A boneca da maldição", de Marcelo Delpkin, retornando ao MV após já ter sido apresentado na CyberTV no passado.


Obras antigas? Que nada! Obras de sucesso de um passado recente

Mais quatro grandes obras de sucesso do MV entram para o catálogo da webtvplay. São elas: As Mulheres da minha vida, Garotas do Rio, Raíza (2ª Temporada) e Anti-Herói (1ª Temporada). Vale a pena conferir. Obras magníficas de grandes autores para quem aprecia uma leitura agradável.


Chegando ao fim, mas já com o futuro garantido

O grande sucesso Estações da Vida, dos talentosos Gabo Olsen e Diogo de Castro chega ao fim no final de agosto após 34 capítulos, com uma reta final prometendo grandes reviravoltas. Para delírio dos fãs, a trama já tem uma segunda temporada garantida e renovada pela emissora. É para glorificar de pé, senhores! Uhuuuu!


Debutando no MV

E a nossa querida casa WebTV está completando seus 15 anos de ascensão. O especial que vai ir ao ar com apresentação da Ritinha, promete grandes momentos da emissora e curiosidades dos bastidores. Este não dá pra perder por nada!


A violência urbana não tem fim...nem no mundo real e nem no MV!

As inscrições da segunda temporada da Antologia "Contos Contemporâneos de Violência Urbana" está chegando ao fim e sendo um sucesso no número de inscritos, superando a Lua Negra no número de inscrições. Sucesso garantido à vista.


Zucolotti - O retorno

E um veterano está de volta ao MV. Ele que teve sua primeira passagem no MV entre os anos de 2003 e 2004 na antiga TV Antena e uma segunda passagem em 2009 através do Canal 1, retorna em 2020 assinando a série Dom - Vidas do Árido. Ele é Vitorrr Zucolotti, o qual desejamos todo o sucesso do mundo nesta sua volta, aqui na tela da WebTV!


Era isso por hoje, meu povo. Espero que tenham curtindo nosso Giro Virtual, sempre trazendo para vocês o que há de novo no MV. Um abraço a todos e até a edição do nosso Jornal Online!



NUM DIA QUALQUER, TIVE UM SONHO. SONHEI COM UMA MENINA. DESESPERADA, PRESA NUM CATIVEIRO E PINTANDO BELOS QUADROS. RESOLVI TRANSFORMAR ESTE SONHO NUMA PERSONAGEM, diz LETÍCIA MARIANA



Ela é apaixonada pela arte de ler e escrever. Aos 8 anos de idade já publicava poemas no extinto jornal “O Globinho”, também declamava na internet e produzia livros artesanais para conhecidos. Aos 15 anos, Letícia Mariana começou a escrever "Entre Barbantes", um romance do gênero suspense entremeado de poemas, todos os versos do enredo são conectados com capítulos e personagens. Em 2018 lançou a obra "Entre Barbantes" no Rio de Janeiro, Bistrô Multifoco, Lapa. No ano seguinte ingressou na Academia de Artes, Ciências e Letras do Brasil. Já em 2020 tornou-se assistente do Comendador Maestro Caaraura, Presidente da ACILBRAS. Fundou o canal Intelectodrama no YouTube, também faz podcasts e ministra o "Curso de Escrita Criativa". Atualmente tem 2 livros em produção, no Wattpad publicou "O Mísero Diário da Escritora". Letícia Mariana, seja bem-vinda ao Diário do Autor.


Letícia Mariana escreveu o livro "Entre Barbantes"


LETÍCIA MARIANA: Olá, Gabo! Gratidão pelo convite. Eu me sinto honrada!

GABO: Letícia, a leitura ajuda no desenvolvimento do autor. Qual foi o melhor livro que você leu e como ele te ajudou na escrita?

LETÍCIA MARIANA: Ótima colocação, Gabo! É difícil escolher somente um, pois praticamente "devoro livros" e leio todos os gêneros imagináveis. Contudo, como preciso escolher, digo que foi "A Hora da Estrela", de Clarice Lispector. Ele consegue nos propor uma reflexão intimista, quase que nos colocando "cara a cara" com todos os questionamentos emocionais de nossa essência. Sou apaixonada pelo personagem masculino desta obra, Rodrigo S.M., e consigo enxergar Clarice nele. A narração intensa de Lispector me ajudou muito, pois formei a minha intensidade na escrita, descobri como impactar meus leitores de acordo com meus sentimentos obscuros, eufóricos, alegres e melancólicos. E sou não só uma escritora intensa, sensível e dramática, mas também um ser humano à flor da pele, sonhador e sofredor num equilíbrio que me proporciona viver. E vivendo, escrevo. "A Hora da Estrela" foi, de fato, minha maior inspiração.

GABO: Aos 8 anos você teve a primeira experiência com a escrita, através da criação de poemas. Quais eram as inspirações para escrevê-los? 

LETÍCIA MARIANA: Eu tive uma alfabetização muito difícil, e acho importante dizer isso. Aprendi a escrever aos 7 anos, quase 8. E quando aprendi, não parei mais! Minha inspiração era viver. Eu vivia em meu mundo, pois sou autista leve (também denominado Asperger), e era muito feliz, muito interessada na Literatura, era meu famoso "hiperfoco". Minha família e meus professores me deram a base necessária, mas a inspiração veio da existência. Respirar, ser criança, brincar e lutar por um mundo melhor. Em um de meus poemas infantis, digo que "Meu sonho é esse/Um mundo melhor./No futuro espero que seja assim/Um mundo melhor para você e para mim". É triste, de certa forma, afirmar que hoje meus poemas são mais melancólicos que antes, pois carrego mágoas, dores e superações que mudaram meu estilo, além do meu amadurecimento. Contudo, amo existir até hoje, e me inspiro nesta dádiva.

GABO: O apoio é a base para o autor. Na escrita, o autor consegue expressar seus sentimentos, criar histórias, personagens. E já que estamos falando em criação, como surgiu a história do livro “Entre Barbantes”?




LETÍCIA MARIANA: Ótima pergunta! Esse relato é interessante. A minha ideia inicial era que fosse um livro somente de poemas, mas eu sentia que não era o ideal. Escrevia os versos e pensava, pensava, nada diferente fluía. Até que, num dia qualquer, tive um sonho. Sonhei com uma menina. Desesperada, presa num cativeiro e pintando belos quadros. Resolvi transformar este sonho numa personagem, e já acordei rascunhando minhas ideias, muito animada, apesar de assustada. Foi o melhor sonho que já tive! E novamente agradeço. Sabendo uma parte do enredo, resolvi transformar a história da menina-mulher em um romance entremeado de poemas. Enquanto escrevia, percebi que era repleto de suspense, mistério e reflexão, isso me ajudou a continuar meu trabalho.

GABO: Letícia, que incrível o sonho virando livro. A mente do autor é assim, qualquer momento, situação pode render uma grande história. Você sempre gostou do gênero suspense?

LETÍCIA MARIANA: Eu comecei a ler suspense em 2014. O primeiro livro que li foi "Dias Perfeitos", do autor Raphael Montes. É meu autor favorito do gênero! E comecei a rascunhar Entre Barbantes no mesmo ano, já bem puxado para o suspense. Acredita? Escrevia um gênero que praticamente não conhecia! (risos). Mas tenho uma resposta para isso: sou noveleira! Amo a teledramaturgia brasileira! E como tinha somente quatorze aninhos, desconhecia muitas obras, e nem seria pertinente ler assuntos pesados. "Dias Perfeitos" me auxiliou bastante na criação do personagem Max, suposto pai de Vitória e psicopata da história.

GABO: Você se identifica com a Vitória, a protagonista de “Entre Barbantes”? Quais elementos que vocês têm em comum?

LETÍCIA MARIANA: Sim! Ela é uma espécie de "alter ego da Letícia Mariana", assim como muitos dos meus  personagens são. A Vitória não é compreendida por muitos, mas admirada por toda uma sociedade que se encanta com sua suposta "insanidade". E o que seria a "insanidade"? O que seria o "dramático"? Vitória existe, e por existir, deixou sua marca, assim como procuro diariamente fazer.  Creio que eu e Vitória buscamos compreensão de alheios, aceitação. Também temos uma ambição em comum: deixar nossa fala, arte, escrita e voz para todo um mundo. Por vezes, pareço insana, dramática, assim como Vitória Vieira, insanamente existente.

GABO: Durante o processo de criação da história “Entre Barbantes”, qual foi a maior dificuldade encontrada?

LETÍCIA MARIANA: A maior dificuldade foi lidar com meu perfeccionismo. Sempre tive muita autoconfiança. Tenho consciência de que escrevo muito bem, e creio que todos os escritores devem acreditar em seu talento. Contudo, sou extremamente rígida comigo. Demorei 3 anos para finalizá-lo, e poderia demorar menos, mas preciso lidar com tal dificuldade. Outra questão que muito me atormentou foi a falta de crença que recebia dos amigos, colegas de escola, alguns parentes e até professores. Ouvia constantemente que seria impossível, ou que eu jamais conseguiria. Outros diziam que eu até conseguiria, mas somente aos 60 anos de idade. Era complicado, sempre recebi deboche, ironia e maldade, mas nada disso me impediu.

GABO: Letícia, diante dos pontos negativos, você seguiu em frente em busca do seu sonho. Grande parte dos autores tem o sonho de escrever um livro. Como foi o contato com a editora? Pontos positivos e negativos? Qual dica você daria para o autor que tem planos em lançar um livro?

LETÍCIA MARIANA: Belas palavras, Gabo! Eu pesquisei muito e confesso que tive contato com várias Editoras, só assim pude decidir a melhor. Hoje faria diferente, mas tenho muito mais maturidade do que antes. Entrei em contato com a Editora Multifoco através do seu site. Preenchi um formulário, e foi bem simples. Eles costumam analisar em mais ou menos 30 dias, e pelo que lembro, recebi a resposta um pouco antes. Eu tive vários pontos positivos! Fui bem atendida, e eles investiram bem em mim. Não cobraram para publicar, então só paguei poucos serviços e o registro, mas acredito que dependa muito do contrato. Multifoco fica no Rio de Janeiro, aqui em minha cidade. Decidi marcar o evento de lançamento lá no Bistrô deles, e foi a melhor coisa que eu fiz! Foi fácil de marcar, e escolhi a data que queria, bem no dia e horário que desejava, tive tal abertura. A equipe arrumou tudo para mim, só precisei chegar e aguardar meus convidados. Vendi 50 livros e recebi meus direitos autorais deles, assim como creio que deve ser, e também não precisei pagar pelos exemplares. O único ponto negativo foi a questão da impressão inicial. Ela não saiu como eu desejava, e alguns leitores reclamaram. Contudo, este assunto já foi resolvido, e os exemplares estão cada vez mais bonitos e chamativos! Deixo aqui meus sinceros e afetuosos agradecimentos à Multifoco. A dica que eu daria é: pesquise! Não siga o que uma pessoa disse, caso não seja sua vontade. Há diversos formatos de publicação hoje em dia, diversas Editoras que investem, e há muitas oportunidades! Basta se informar e realizar seu sonho.

GABO: Letícia, com o sonho realizado, qual a sensação de acessar os principais sites e encontrar o livro disponível para venda?






LETÍCIA MARIANA: Nossa! Mas é a melhor sensação que existe! E demorou um pouquinho, viu? Foi "de grão em grão". Eu sou eternamente grata! É sublime. A palavra é essa: sublime!

GABO: O feedback é muito importante para o autor. Com as sugestões dos leitores, se o livro estivesse em produção, você mudaria algo?

LETÍCIA MARIANA: Não! Até o momento, digo com propriedade que não mudaria nada do livro, absolutamente. Só recebi ótimos feedbacks sobre seu enredo, sua linguagem, seus poemas e diálogos, e isso me deixa muito emocionada!

GABO: Quais são os próximos passos no ramo da escrita? O que o futuro reserva a Letícia Mariana?

LETÍCIA MARIANA: Estou escrevendo 2 livros! Um é outro suspense entremeado de poemas, e prometo que será incrível. Mas estou muito focada num novo projeto: um livro de memórias sobre o meu autismo! Como disse, sou autista leve, e quero contar minhas vivências.  Meu nascimento, infância, pré-adolescência, adolescência até a vida adulta. Será muito cuidadoso e delicado, sem citar nomes, claro. E pretendo ter apoio de especialistas, mas como essa obra está muito no início, esses detalhes essenciais ficam para o final. O meu futuro é esse: ajudar pais, professores e também autistas, pois é necessário falar sobre a temática, e que possam nos enxergar como ser humano além da síndrome, mas sem esquecer da síndrome. Sei que posso expor minha vida pessoal fazendo isso, mas é por uma boa causa.

GABO: Recentemente você participou online do "1º Festival Universal de Livros e Letras", organizado pelo Congresso Universal de Escritores, com sede em Lima, Perú. Como foi essa experiência. Qual o grande aprendizado?

LETÍCIA MARIANA: Nossa! Foi uma das maiores experiências da minha vida, apesar dessa época complicada de pandemia. Tive ajuda do meu noivo e de amigos para traduzir, e deixo aqui meu agradecimento carinhoso aos que me auxiliaram. O grande aprendizado foi conviver com outras culturas, conhecer pessoas diversas, e aprender com tudo isso de forma afetuosa e poética! E claro: precisei estudar e treinar meu espanhol, nada bom, por sinal. (risos).

GABO: Quem é Letícia Mariana fora do Mundo Virtual?

LETÍCIA MARIANA: É uma mulher que luta, luta muito, incansavelmente contra si mesma, e também contra a influência dos outros em sua mente. É uma menina que procura estudar, aprender, se dedicar, e às vezes passa por dificuldades que ninguém virtualmente imagina. É sim meiga e delicada como aparenta na internet, mas também tem seus momentos de raiva, explosão, comete erros, e se culpa um pouco por tais deslizes, mas busca melhorar, evoluir. É uma mulher que ama loucamente seu noivo, romântica em seu relacionamento, faz loucuras por amor, venera o homem amado! Mas também se põe como mulher, mostra sua força, busca sua independência a cada dia, e deixa claro que não é fraca, muito menos submissa. A Letícia Mariana ama sua família, mesmo que às vezes seja difícil demonstrar tal amor. Infelizmente, Letícia Mariana é péssima cozinheira, péssima dona de casa, nem tenta mais, mas se vira como pode nesta quarentena. Só fica longe do fogão! (risos). Estudiosa, romântica, amorosa, verdadeira, guerreira. É apenas um ser humano.

GABO: Letícia, chegou a hora do nosso bate-bola. O famoso jogo rápido. Preparada?

LETÍCIA MARIANA: Sim! Preparada!

BATE-BOLA:

LEITURA: Paixão!
ESCREVER: Existir!
POEMA: Resistir.
INSPIRAÇÃO: Treino!
PODCAST: Amor!
ENTRE BARBANTES: Realização.
VITÓRIA: Resiliência.
LETÍCIA POR LETÍCIA: Lutar.
FRASE: "Os grandes escritores têm a sua língua, os medíocres, a sua gramática." José Lins do Rego.

GABO: Letícia, fica o espaço para as considerações finais. Deixe uma mensagem para o público. 

LETÍCIA MARIANA: Eu me sinto viva escrevendo, e sinto que existo quando alguém verdadeiramente me lê. Deixo aqui meu agradecimento especial aos meus leitores, pois recebo um carinho tamanho todos os dias! Gratidão ao Programa Diário do Autor, vocês me proporcionaram um espaço significativo. Gostaria também de deixar um agradecimento especial ao meu noivo Eduardo Gouvea, por sempre me apoiar como profissional e como mulher, ele é meu leitor número 1, e espero poder chamá-lo de marido em breve.

GABO: Letícia, parabéns pelo lançamento do livro "Entre Barbantes". Sucesso nos novos projetos e obrigado pela participação aqui no Diário do Autor. O Boletim Virtual fica por aqui. Voltamos na próximo edição. Uma ótima semana a todos. Boa noite, Mundo Virtual.




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Hans Kaupfmann
Marcos Vinicius

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Leticia Mariana

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