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Estações da Vida - Capítulo 1x31

Novela de Gabo Olsen e Diogo de Castro
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NO CAPÍTULO ANTERIOR DE "ESTAÇÕES DA VIDA":

NANDA: Mas, você se arrepende mesmo do que fez?

 

PATO: Me arrependo. Se tiver que provar de alguma maneira, eu topo.

 

Silêncio.

 

PATO: Algum dia você vai me desculpar?

 

NANDA: Só o tempo pode dizer.

 

PATO: Entendo. (T) Você é uma garota especial e eu deveria ter percebido isso antes.

 

Nanda abaixa a cabeça.

 

...
 

Kátia vai até o guarda roupas e retira de dentro uma caixa, abre e despeja na cama os pedaços das fotos que rasgou.

 

KÁTIA: Sabe o que é isso? As fotos que a biscate da Amanda me mandou de vocês dois!

 

LEONARDO (tenso): O que? Do que você ta falando?

 

KÁTIA: Para de bancar o desmemoriado, Leonardo. Eu já sei que você tem um caso com aquela vagabunda! Ela fez questão de esfregar na minha cara o sexo que vocês fizeram dentro da nossa casa, no quarto de hóspedes! E muito provavelmente na mesma noite em que esteve com o seu filhinho! Vai negar?

 

Em Leonardo, encurralado.


...
 

CAIO: Seus pais desconfiam de alguma coisa?

 

GREGO: Sobre a gente?

 

CAIO: Não, sobre você.

 

GREGO: Não tive coragem de contar. E você pretende contar quando?

 

CAIO: Nunca. Se meu pai souber ele me bota pra fora de casa.

 

GREGO: Olha que dramático.

 

CAIO: Esqueceu a pressão que era com a Paulinha?

 

GREGO: Claro que não. Foi um período tenso.

 

CAIO: Bota tenso nisso.

 

...
 

Nanda faz que vai falar mas Pato a beija no impulso. Tempo no beijo. Ela se deixando levar, curte o momento.

 

O beijo cessa.

 

PATO: Eu tava louco pra fazer isso. Mas é que não sei mais o que fazer pra você acreditar que eu te quero.

 

NANDA: Tudo bem. Eu gostei.

 

PATO: Isso quer dizer que me perdoou?

 

NANDA: Isso quer dizer que eu preciso te contar uma coisa.

 

PATO: Fala aí.

 

NANDA: É sobre o Ismael.

 

PATO: O que esse babaca aprontou dessa vez?

 

NANDA: O Ismael não é nenhum babaca. Quer dizer, talvez seja, não sei. Mas, babaca por babaca os dois foram muito esse ano né!

 

PATO: Tá. Desculpa. Ce tem razão.

 

NANDA: Mas o fato é que ele se declarou pra mim na escola. E sabe, eu acho que ele tá sendo sincero.

 

...

 

NANDA: Eu não sei o que to sentindo. To confusa.

 

PATO: E o que eu posso fazer agora pra acabar com essa confusão na sua cabeça?

 

Nanda balança a cabeça negativamente, emocionada. Pato segura seu rosto, limpa a lágrima que escorre e a beija novamente. Ismael entra.

 

ISMAEL: Nanda?

 

...
 

ISMAEL: O Diego surtou, diretora. Do nada ele jogou a bola e veio pra cima.

 

DIEGO (impaciente): Você teve o que mereceu.

 

ISMAEL: Eu nunca te fiz nada, moleque.

 

...
 

DIEGO (bravo): Quer saber do que mais? Fui eu, fui eu que roubei o celular. Fui eu que coloquei na mochila dele. Era pra esse idiota ter sido expulso, no fim deu tudo errado.

 

JULIANA (pensando): Roubou o celular... Minhas joias sumiram. Não restam dúvidas. O Diego está viciado.

 

DIEGO: E aí, diretora? O que vai fazer? Me expulsar como fez com o Pato?

 
     
     
     
     

CAPÍTULO 1x31
 
     
   
     
 

CENA 01. COLÉGIO FRAN VICENTINI. DIREÇÃO. INT. DIA.

 

Continuação imediata do capítulo anterior.

 

JULIANA: Então você admite que é o responsável pelo roubo do celular?

 

DIEGO (sorri): Sim.

 

EMÍLIO (indignado): E você fala isso numa boa?

 

ISMAEL: O Diego só se preocupa com ele mesmo.

 

DIEGO (impaciente): Se tu não calar a boca, eu vou terminar de quebrar sua cara, seu retardado.

 

Diego balança as pernas nervoso.

 

JULIANA (bate na mesa): Já basta. Eu não tô acreditando que você ocultou a história do roubo. Eu me recuso acreditar.

 

DIEGO: Então não acredite, ué.

 

JULIANA: Posso saber porque você não contou a verdade?

 

DIEGO: O Pato quis assim.

 

JULIANA: E você não sentiu culpa pelo seu amigo ter sido expulso injustamente?

 

DIEGO: Isso foi escolha dele.

 

JULIANA: É inacreditável. E para piorar, hoje teve briga na aula de Educação Física. Você percebe a gravidade dos seus atos, Diego? Percebe os transtornos causados por sua conduta irresponsável?

 

ISMAEL: Surtou completamente.

 

Diego vai pra cima de Ismael. Emílio o contém.

 

JULIANA: Emílio e Ismael, me deixem a sós com o Diego.

 

EMÍLIO: Tem certeza, Juliana? O garoto aí está muito alterado. Não quer que eu fique?

 

JULIANA (pensa): Ele tá sob efeito de alguma substância. Está ansioso, nervoso. Definitivamente não está em seu estado natural.

 

Juliana observa Diego balançando as pernas.

 

EMÍLIO: Juliana?

 

JULIANA: Tá tudo bem, professor. Podem se retirar, por favor.

 

Ismael sai de imediato. Emílio hesita, mas se retira também.

 

DIEGO: O que você ainda quer comigo?

 

JULIANA: Vamos ter uma conversa definitiva.

 

Em Diego, esperando.

 

CENA 02. COSMÉTICOS LAMBERTINI. ANTESSALA. INT. DIA.

 

Leonardo chega e faz sinal para Amanda.

 

LEONARDO: Na minha sala agora!

 

Ele entra na sala. Amanda estranha.

 

CENA 03. COLÉGIO FRAN VICENTINI. SALA DOS PROFESSORES. INT. DIA.

 

Emílio entra meio atordoado, deixa a porta entreaberta. Ramiro tomando um cafezinho, Vanice e Lúcia em planejamento.

 

CAM mostra Ismael encostado na porta.

 

LÚCIA: Tá tudo bem, Emílio?

 

RAMIRO: Parece que viu um fantasma, professor.

 

EMÍLIO: Nada bem. O Diego aprontou mais uma.

 

LÚCIA: O que foi dessa vez?

 

Emílio fala enquanto se serve de café.

 

EMÍLIO: Agrediu o Ismael sem motivação aparente e ofendeu o Caio. Mas, ele não tá em seu estado normal, sabe? Parece descontrolado. Certeza que tá sob efeito de alguma substância.

 

VANICE: Você está nos dizendo que tem um aluno sob efeito de entorpecentes nas dependências da escola?

 

EMÍLIO: Ao que tudo indica, infelizmente sim.

 

Vanice põe a mão na boca, chocada.

 

VANICE: Gente, que absurdo.

 

LÚCIA: Tem certeza, Emílio? Isso é muito sério.

 

EMÍLIO: Não precisa de muito pra saber quando alguém tá sob efeito de alguma substância né, galera. Mas, com todo o meu conhecimento na área, não tenho dúvidas.

 

VANICE: Mas esse menino precisa ser expulso desse colégio imediatamente!

 

EMÍLIO: Me surpreendeu o fato da Juliana não estar surpresa. Parece que sabe de algo. Mas ela me pediu pra sair da sala e foi o que eu fiz.

 

RAMIRO: É melhor eu averiguar.

 

EMÍLIO: Melhor não, Ramiro. Ela pediu pra ficar sozinha com ele.

 

VANICE: Me recuso a acreditar que a Juliana vai passar a mão na cabeça desse delinquente mais uma vez. O que mais falta acontecer? Incendiar a escola?

 

EMÍLIO: Acho que dessa vez, não tem o que discutir.

 

RAMIRO: Concordo com a professora, Vanice. Se o Diego estiver realmente usando essas porcarias no colégio, é provável que influencie os demais. 

 

LÚCIA: Vamos com calma. O Diego é um menino muito problemático. Antes de tomar qualquer atitude, é preciso investigar as razões que o levaram a recorrer às drogas. Ele tem um histórico familiar complicado.

 

VANICE: Lá vem você com seu papinho de madre Tereza de calcutá. Não cansa, não?

 

EMÍLIO: Não precisa ser grossa, Vanice.

 

LÚCIA: Eu só acho que devemos olhar com mais humanidade para os alunos. É uma situação extremamente delicada.

 

CAM procura por Ismael que ouve toda a conversa e, em seguida, se retira.

 

CENA 04. COLÉGIO FRAN VICENTINI. ENSINO MÉDIO. INT. DIA.

 

Arnaldo escrevendo no quadro. Alunos fazendo anotações no caderno.

 

GREGO (fala baixo): Leke, e o surto do Diego?

 

CAIO: Cara, foi sinistro. Sei que ele é díficil, mas hoje ele passou dos limites.

 

GREGO: Ele e o Ismael não se batem.

 

CAIO: O Diego tava com sangue nos olhos, nunca tinha visto ele daquele jeito.

 

GREGO: Fiquei P da vida na hora que ele te empurrou.

 

CAIO: Ce sabe que essa parada de homofobia vai rolar muito com a gente né? Isso é uma coisa me deixa assustado também.

 

GREGO: Fica tranquilo que eu vou tá sempre por perto pra te proteger.

 

Caio sorri envergonhado.

 

CAIO: Meu herói. (cochicha) Eu gelei na hora que ele falou que eu troquei a Paulinha por você.

 

GREGO: E ele não mentiu.

 

Caio sorri e copia a matéria da lousa.

 

CAM procura por Paulinha e Nanda.

 

Conversa já iniciada.

 

NANDA: Ai, miga, parece que foi combinado, sabe? Na hora que o Pato me beijou, o Ismael apareceu.

 

PAULINHA (grita): TO PAS-SA-DA.

 

Arnaldo interrompe a aula.

 

ARNALDO: Com o que, Paulinha? Posso saber?

 

PAULINHA: Hã?

 

ARNALDO: Compartilha com a turma. O que te deixou “passada”?

 

Paulinha pressiona o lápis contra o caderno.

 

PAULINHA (mostra): Meu lápis quebrou a ponta, fessor, vê se pode.

 

ARNALDO: E atrapalhou a aula por isso?

 

PAULINHA (sem graça): Desculpa, pensei alto.

 

Arnaldo se vira e volta a fazer anotações no quadro.

 

PAULINHA: E aí, Nanda, o que aconteceu depois?

 

NANDA: Fui colocada contra a parede. O Ismael falou que eu teria que escolher entre ele e o Pato.

 

PAULINHA: E quem você escolheu? To curiosíssima.

 

NANDA: Nenhum, eu saí correndo feito uma louca.

 

PAULINHA (alto): Ah eu não acredito.

 

ARNALDO: Não acredita no que?

 

PAULINHA (sorri): Quebrou novamente.

 

ARNALDO: Precisa de ajuda?

 

PAULINHA: Não, prof. pode seguir com a aula.

 

ARNALDO: Ok, vamos de teste surpresa. Que tal?

 

Os alunos encaram Paulinha.

 

PAULINHA: Galera, não tenho culpa.

 

ARNALDO: Abram a apostila na página 63 e resolvam a questão em uma folha à parte. No final da aula eu recolho.

 

NANDA: Pode ser em dupla?

 

ARNALDO: Mas é claro...

 

ISMAEL: Boa, Nanda.

 

ARNALDO: ... que não.

 

GREGO: Ah, professor. Deixa, vai?

 

ARNALDO: Sem chance. Agora silêncio e concentração. (aponta para o relógio da parede) O tempo está correndo.

 

CENA 05. COSMÉTICOS LAMBERTINI. SALA LEONARDO. INT. DIA.

 

Leonardo vai pra cima de Amanda demonstrando irritação.

 

LEONARDO: O que você pretendia mandando aquelas fotos pra minha mulher? Hein?

 

AMANDA (finge): Ficaram ótimas né?!

 

Leonardo aperta o pescoço dela.

 

LEONARDO (sério): Eu vou acabar com a sua raça.

 

AMANDA (engasga): Me solta. Eu vou gritar!

 

Ele a solta. Ela respira, acuada.

 

AMANDA: Ficou maluco?!

 

LEONARDO: Eu só podia estar maluco mesmo quando fui pra cama com um ser desprezível feito você. Estava mais do que na cara o que você pretendia com tudo isso.(passa as mãos no cabelo) Primeiro o filho, depois o pai e agora esse jogo envolvendo nós dois e uma suposta gravidez. Mas se você pensa que vai tirar proveito dessa situação, você está muito enganada.

 

AMANDA: Tô, é?! Eu acho que não. Você não tem escolha, baby. Está nas minhas mãos.

 

LEONARDO: Quanto você quer pra sumir das nossas vidas?

 

Amanda ri da cara dele.

 

AMANDA: Ai, amor, como você pensa mal de mim, eu hein.

 

LEONARDO: Cem mil, duzentos, quinhentos? É só falar que eu assino cheque. Mas com a condição de você sumir de uma vez por todas da nossa vida.

 

AMANDA: Você acha mesmo que eu esperei esse tempo todo pra sair com uma mixaria qualquer, Leonardo? Eu não quero dinheiro. Eu quero me casar com você.

 

LEONARDO: Como é que é?

 

AMANDA: É isso mesmo que você ouviu. Eu quero me casar com você e usufruir de tudo o que tenho direito como sua esposa. E de sobra esfregar na cara da nojenta da Kátia que eu consegui o que queria. 

 

LEONARDO: Eu não vou me separar da minha mulher.

 

AMANDA: É isso ou o Pato vai ficar sabendo o que rolou entre a gente. E você sabe o que vai acontecer se ele descobrir, não sabe? E aí, o que vai ser?

 

Em Leonardo, encurralado.

 

CENA 06. COLÉGIO FRAN VICENTINI. DIREÇÃO. INT. DIA.

 

Diego está sentado na cadeira demonstrando inquietação.

 

DIEGO: O que você ainda quer comigo?

 

JULIANA: Quero te ajudar.

 

DIEGO (surpreso): Não vai me expulsar?

 

JULIANA: Sei que isso é que todo mundo espera que eu faça, até pelo seu histórico, mas não. Eu não vou te expulsar. Eu prefiro tratar toda essa situação da maneira correta.

 

DIEGO: Do que tá falando?

 

JULIANA: Do seu problema com as drogas.

 

Diego se levanta abruptamente da cadeira. TOCA o sinal do intervalo.

 

DIEGO: Endoidou de vez, diretora? Que história é essa?!

 

JULIANA: Talvez você não tenha percebido ainda, Diego. Mas você tem um problema sério. Você tá viciado.

 

DIEGO (descontrolado): Eu não sou um viciado.

 

JULIANA (tensa): Você vai precisar encarar essa situação de frente. E eu to aqui pra te apoiar, Diego.

 

DIEGO (grita): Eu não to viciado, droga! Me deixa em paz eu quero sair daqui.

 

Diego corre para a porta, Juliana também. Ela tranca antes que ele saia.

 

JULIANA: Me escuta. Eu conheço uma clínica especializada, você vai ficar bem.

 

DIEGO: Você não vai me trancar numa clínica pra viciado. Me deixa sair daqui!

 

Diego empurra Juliana que cai com o impacto. Ele pega a chave e ABRE a porta, sai. Ramiro ENTRA

 

RAMIRO (assustado): Diretora! O que aconteceu aqui? Esse garoto agrediu você?!

 

Ele se apressa em ajudá-la.

 

CORTA PARA

 

CENA 07. COLÉGIO FRAN VICENTINI. CORREDOR DAS SALAS. INT. DIA.

 

Diego acabou de sair da sala de Juliana. De seu ponto de vista (CAM embaçada), os alunos no corredor o encaram de maneira hostil.

 

DIEGO: Tão olhando o que? Nunca me viram?

 

Empurra um aluno que cruza seu caminho enquanto caminha.

 

DIEGO: Cuidem das suas vidas seus playboys de merda!

 

De longe Caio, Grego, Nanda e Paulinha observam o comportamento de Diego.

 

NANDA: Olha lá, o Diego procurando encrenca de novo.

 

CAIO: Ele tá muito estranho hoje.

 

NANDA: Deve tá chapado.

 

CAIO: Na escola?

 

GREGO: Do Diego eu não duvido nada.

 

NANDA: Tá mais esquisito que o normal.

 

PAULINHA: Real.

 

Ismael se aproxima.

 

ISMAEL: O amigo de vocês surtou. Ele assumiu que foi o responsável pelo roubo do celular.

 

PAULINHA: É sério isso, Ismael?

 

NANDA: Como a gente imaginava né, amiga.

 

ISMAEL: Sim, pow. E o pior é que ele falou tranquilamente, sem ressentimentos de culpa, mas na boa, ele tá agitado. O que tá pegando?

 

CAIO: Também queremos saber.

 

NANDA: Deve tá querendo chamar a atenção. Ele não é mais problema nosso gente, vamos.

 

Diego passa por eles enquanto fala.

 

DIEGO: Seus traidores! É isso que vocês são! Se voltaram contra mim e o Pato pra ficar do lado desse otário.

 

Paulinha disfarça o incômodo enquanto Diego se afasta.

 

ISMAEL: Eu ouvi os professores comentando que ele tá usando droga.

 

GREGO: Isso explicaria o comportamento.

 

NANDA: Caramba, será?

 

PAULINHA (andando): Pessoal, encontro vocês daqui a pouco. Tô indo ao banheiro.

 

NANDA: Amiga, eu vou cont/

 

PAULINHA: Não, Nanda. Eu preciso ficar só.

 

Paulinha sai meio desnorteada.

 

NANDA: Tá. Desculpa.

 

CAIO: Não deve ser fácil pra ela né.

 

Nanda concorda.

 

CENA 08. COSMÉTICOS LAMBERTINI. SALA LEONARDO. INT. DIA.

 

Continuação da cena 05.

 

LEONARDO: Eu não vou ceder a essa sua chantagem barata.

 

AMANDA: Eu, se fosse você, pensaria melhor. Se eu conto a verdade pro Pato, suas chances de ter uma boa relação com ele vão por água abaixo. Quem é mais importante pra você, baby? Seu filho ou a Kátia?

 

LEONARDO: Você não vale nada.

 

AMANDA: Ah Léo, não é tão difícil assim fazer essa escolha vai. Sua mulher já passou do prazo de validade. E eu sei que você me deseja, (aproxima-se) a gente se dar super bem na cama. Isso você não pode negar.

 

LEONARDO: Você só se esqueceu de um detalhe importante. Casar com você significa o Patrício me rejeitar da mesma forma. Ou você acha que ele encararia isso de maneira positiva? Ele vai me odiar mais ainda.

 

AMANDA: Você não conhece seu filho mesmo né?

 

LEONARDO: Do que tá falando?

 

AMANDA: O Patrício não tem interesse em mim. Tá apaixonadinho por aquela colega do colégio, a tal da Nanda. Vê se pode, preferir aquela colegial sem sal à esse monumento aqui (se exibe). Mas é como dizem por aí: o amor é cego. Ele pode até ter demorado pra perceber, mas agora tá se dando conta. O Pato não me quer. Comigo ele só queria sexo, o que é natural da idade né. E foi por isso que eu tratei de engravidar do pai e não do filho.

 

LEONARDO: Você tá blefando.

 

AMANDA (convicta): Eu sabia o que queria desde o começo, Léo. E eu consegui. Agora, se é blefe ou não, você nunca vai saber. A menos que queira pagar pra ver.

 

LEONARDO: Eu vou acabar com você.

 

AMANDA: Se for de surra na cama, eu a-do-ro.

 

LEONARDO: Sai da minha sala.

 

AMANDA: Ok. Vou dar o tempo que você precisa pra decidir, mas tenho pressa tá?!

 

Amanda sai. Leonardo joga uma cadeira longe expressando toda a raiva que sente.

 

LEONARDO: Preciso pensar num jeito de tirar essa vagabunda do meu caminho.

 

CENA 09. COLÉGIO FRAN VICENTINI. FACHADA. RUA. EXT. DIA.

 

Diego anda perambulando. Paulinha o alcança.

 

PAULINHA (chama): Diego!

 

Ele segue andando.

 

PAULINHA: Ei, to falando contigo.

 

DIEGO: O que foi?

 

PAULINHA: Tá tudo bem?

 

DIEGO: Você tá cega garota? Que pergunta idiota.

 

PAULINHA: Credo, Diego. Eu toda preocupada contigo e você me trata assim?

 

DIEGO: Não sei o que você tá fazendo aqui. Dá pra me deixar em paz?

 

Ele ameaça sair, mas ela segura no braço dele.

 

PAULINHA: Me conta, o que tá acontecendo? Eu quero te ajudar.

 

DIEGO: Por que? Por que quer me ajudar? Todo mundo me virou as costas, por que você me ajudaria? Ninguém pode me ajudar, beleza? Vai embora, volta lá pros teus amiguinhos! Me deixa em paz!

 

PAULINHA: Então é verdade?

 

DIEGO: O que?

 

PAULINHA: Você tá usando drogas?!

 

No desespero, Diego senta no chão com as mãos na cabeça.

 

DIEGO (chora): Eu to ferrado.

 

PAULINHA: Você precisa de ajuda, Diego.

 

Diego levanta e segue andando. Paulinha vai atrás.

 

DIEGO: A Juliana que te mando? Eu não preciso de ninguém. Sempre me virei sozinho.

 

PAULINHA: Me deixa te ajudar.

 

Diego vê a bolsa de Paulinha.

 

DIEGO: Quer me ajudar?

 

PAULINHA: Muito.

 

Diego hesita, mas arranca a bolsa das mãos de Paulinha e sai correndo.

 

PAULINHA: Diego, volta aqui!!! Dieeego!!!

 

Ele some na esquina.

 

PAULINHA: Você não tá sozinho...

 

Paulinha senta na calçada, chora.

 

CENA 10. CASA CAIO. QUARTO. INT. DIA.

 

Selma limpa o quarto. Ela passa o pano na mesa, encosta no mouse e o monitor do notebook é ligado.

 

SELMA: Já falei pra esse menino desligar o computador.

 

Selma olha para o monitor e vê uma foto do Grego.

 

SELMA: Quem é esse menino? Será que...?

 

Aparece a notificação, uma nova mensagem de Grego. Selma clica. Heitor ENTRA.

 

HEITOR: O que você tá fazendo mexendo no computador do Caio?

 

SELMA: Não tava mexendo. To limpando.

 

HEITOR: Pareceu que estava mexendo.

 

SELMA: Estava desligando. O Caio insiste em deixar isso ligado mesmo quando não está usando.

 

HEITOR: Já sei! Vamos aproveitar pra ver se descobrirmos o que ele esconde.

 

Heitor se aproxima e Selma desliga o estabilizador.

 

HEITOR: Por que você fez isso?

 

SELMA: Não vamos invadir a privacidade do nosso filho.

 

HEITOR: Anda, mulher, isso não é nada demais.

 

SELMA: Não, Heitor! Eu não vou permitir. Se o Caio esconde alguma coisa, não é bisbilhotando o quarto dele que temos que descobrir e sim tendo uma conversa honesta.

 

HEITOR: Você sabe que com ele isso não é possível.

 

SELMA: Quando chegar a hora, ele vai falar.

 

HEITOR: Como assim quando chegar a hora? Você sabe de alguma coisa que eu não sei? Está me escondendo algo, Selma?

 

SELMA (tensa): Não. É claro que não. Só quis dizer que quando ele se sentir pronto, ele vai contar. Mas pra isso você precisa parar de pressionar.

 

HEITOR: Ih já vai começar. O almoço tá pronto? Tenho que voltar pra academia daqui a pouco.

 

SELMA: Sim. Só vou terminar aqui e ponho a mesa.

 

HEITOR: Enquanto isso, vou tomar um banho.

 

Heitor beija Selma e sai. Selma respira aliviada.

 

CENA 11. COLÉGIO FRAN VICENTINI. BANHEIRO FEMININO. INT. DIA.

 

Nanda entra.

 

NANDA: Miga? Taí?

 

Ela vai abrindo os reservados pra ver se encontra Paulinha. Chega ao último. Ninguém.

 

NANDA: Não responde minhas chamadas. Não tá onde diz que estaria. Será que ela foi atrás dele? Vou ter que conferir.

 

Nanda se encaminha para a saída e CAM a segue por trás.

 

Ela passa por um corredor que dá acesso ao pátio onde estão vários alunos espalhados pelo ambiente. Segue caminhando até passar por Lua (com caderno e caneta nas mãos), Larissa, Andréia e Ricardo, sentados na grama.

 

LUA: Nanda! Que bom que eu te encontrei. Ce vai na minha festa de aniversário né?!

 

NANDA: Claro, não perco por nada. Quando vai ser?

 

LUA: Em algumas semanas. Mando o convite!

 

NANDA: Pode contar com a minha presença

 

LUA: O Pato vai adorar!

 

NANDA: Diz que preciso falar com ele urgente! (saindo) Tenho que ir... Beijo!

 

Nanda sai apressada.

 

LARISSA: Ai que metida, nem falou com a gente.

 

LUA: Não pira, Lari. A Nanda é gente boa. Bem diferente da nojenta da namorada do meu irmão.

 

ANDRÉIA: É impressão ou você tá tentando juntá-los?

 

LUA: Digamos que estou tentando dar uma forcinha.

 

LARISSA: Operação cupido!

 

Elas riem.

 

LARISSA: Mas vamos voltar ao que interessa? A lista de convidados!

 

ANDREIA: Você vai chamar mais alguém do ensino médio, Lua?

 

LARISSA: Claro que vai, quanto mais gente do ensino médio, melhor.

 

LUA: Por que?

 

LARISSA: Porque ninguém merece só os pirralhos da nossa sala né, gente. São 15 anos!!!

 

ANDRÉIA: Falou a maior de idade.

 

LARISSA: Querida, isso não tem a ver com idade, e sim maturidade tá?

 

RICARDO (debocha): Você é super madura né.

 

ANDREIA: Aí, não comecem vocês dois. Assim a gente não termina essa lista nunca.

 

LUA: É, gente. Colabora. Pensei em chamar os amigos do Pato.

 

RICARDO: E os meus amigos, entram nessa lista?

 

LARISSA: Nem vem com essa que eu sei onde você quer chegar, Ricardo. Os seus amiguinhos estão oficialmente barrados nesta festa.

 

RICARDO: Não é você quem decide.

 

Larissa faz careta pra ele.

 

LUA: Claro que eu vou colocar o Beto e o DJ, Ricardo. Pode ficar tranquilo.

 

RICARDO: Obrigado.

 

ANDRÉIA: Então vamos, lá. Já temos quem nessa lista?!

 

Eles continuam conversando fora do áudio.

 

CENA 12. AP DE JULIANA. SALA. INT. DIA.

 

Naná cochila no sofá. O telefone toca, ela se assusta.

 

NANÁ: Senhor, que telefone alto.

 

Ela atende a ligação.

 

NANÁ: Alô.

 

JULIANA (off): Naná, é a Juliana. O Diego foi embora mais cedo do colégio. Ele já chegou aí?

 

NANÁ: Ainda não.

 

JULIANA (off): Se ele chegar, liga no meu celular, ok?

 

NANÁ: Está tudo bem com meu menino?

 

JULIANA (off): Fique tranquila, amiga. Quando chegar conversamos.

 

Naná desliga o telefone.

 

NANÁ: Diego, o que você aprontou desta vez?

 

Em Naná preocupada.

 

CENA 13. RUA. EXT. DIA.

 

Nanda se aproxima, apressada.

 

NANDA: Paulinha, o que aconteceu? Por que tá chorando?

 

PAULINHA: O Diego.

 

NANDA: O que aquele cretino te fez?

 

PAULINHA: Ele precisa de ajuda, Nanda.

 

NANDA: Então é verdade o lance das drogas?

 

PAULINHA: Ele levou minha mochila... O Diego me assaltou!

 

Nanda se choca e dá um abraço apertado em Paulinha.

 

NANDA: Não fica assim, amiga. Você é a vítima aqui.

 

PAULINHA: Será, Nanda? Será que não temos culpa nisso tudo que ta acontecendo? A gente virou as costas pra ele.

 

NANDA: Não entra nessa pilha, Paulinha. Ninguém tem culpa numa situação como essas. O que for possível a gente vai fazer pra ajudar o Diego, viu? Mas não se culpa. Não é culpa sua.

 

Paulinha não para de chorar.

 

NANDA: Vou ligar pros meus pais. Acho melhor a gente não voltar pra escola.

 

CENA 14. RESTAURANTE MIRTES. INT. DIA.

 

Ambiente bem movimentado. Lulu dá instruções a um garçom e volta ao seu posto de trabalho. Mirtes entra e se aproxima.

 

MIRTES: Bom dia, Lulu.

 

LULU: Bom dia. Tudo bem?

 

MIRTES: Por incrível que pareça, sim.

 

LULU: Isso é bom né?

 

MIRTES: Não sei o que pensar. Ontem foi tranquilo, sabe? O Rubens parecia um homem normal. Não parecia nem de longe aquele monstro que... Você sabe.

 

LULU: Isso quer dizer que você desistiu de denunciá-lo?

 

MIRTES: Não sei.

 

LULU: Fico preocupada, amiga. Se cuida.

 

MIRTES: Obrigada pela preocupação.

 

LULU: Precisando, pode contar comigo. (T) Ah, já ia me esquecendo, os fornecedores entregaram tudo certo desta vez.

 

MIRTES: Ufa. Da última vez quase tive um infarto quando eles esqueceram de entregar o alface.

 

O  celular de Mirtes apita.

 

MIRTES (lendo): É o Rubens. Disse que vem almoçar aqui no restaurante.

 

Em Mirtes.

 

CENA 15. COLÉGIO FRAN VICENTINI. CANTINA. INT. DIA.

 

Beto e DJ fazem um lanche quando Ricardo senta com eles na mesa.

 

RICARDO: Atenção, notícia boa pra vocês.

 

DJ: Não fala, a gente vai tentar adivinhar.

 

BETO: A aula vai acabar mais cedo.

 

RICARDO: No.

 

DJ: A Larissa resolveu dá uma chance pro Beto.

 

RICARDO: Também não e vocês são péssimos nisso.

 

BETO: Tá, fala logo o que é.

 

RICARDO: Consegui que a Lua incluísse vocês na lista de convidados da festa de aniversário dela. Sabem o que isso significa né?

 

BETO: Que ela vai fazer aniversário?

 

DJ: Que gênio você hein.

 

RICARDO: Que vocês terão as chances das suas vidas pra conquistarem as ‘minas’ que gostam. Sei que estão emocionados agora, mas podem me agradecer depois, não tem problema.

 

DJ: Boa, moleque!

 

BETO: A Larissa me deu fora o ano inteiro, o que te faz pensar que no dia do niver da melhor amiga ela vai me dá bola? Ela nem vai lembrar que eu existo.

 

DJ: A menos que a gente se faça notar.

 

RICARDO: Esse é o ponto, garoto.

 

BETO: O que vocês estão pensando?

 

DJ: Acho que tive uma ideia!

 

BETO: Fala aí.

 

Eles continuam conversando fora do áudio.

 

CENA 16. COSMÉTICOS LAMBERTINI. ANTESSALA. INT. DIA.

 

Amanda digita no computador. Leonardo aparece.

 

LEONARDO: Você venceu.

 

AMANDA: Eu sabia que você faria a coisa certa.

 

LEONARDO: Mas eu preciso de um tempo. Não posso me separar da Kátia da noite pro dia. Além do mais, o aniversário da Lua tá se aproximando e não seria saudável pra ela enfrentar a separação dos pais neste momento.

 

AMANDA: Tudo bem. Eu espero. (brinca) Tudo pelo bem da saúde mental da minha enteadinha. Mas vê se não me enrola.

 

LEONARDO: Você sabe que eu sou um homem de palavra.

 

AMANDA: Ok. Agora eu preciso ir, marquei de almoçar com o Pato.

 

LEONARDO: Pensa bem no que você vai dizer pra ele.

 

AMANDA: Relaxa, gato. Pra todos os efeitos, esse filho é do Patinho. Mas não por muito tempo tá?!

 

Amanda sai detrás da sua mesa e dá uma bitoca em Leonado. Rubens sai de sua sala e presencia a cena. Amanda sai.

 

LEONARDO: Rubens, você ainda estava aí? Não é nada disso que/

 

RUBENS: Fique tranquilo, Leonardo. Você não tem que me dar satisfações, meu amigo. Imagino que com uma nora dessas seja difícil se controlar. Tá tudo bem. Te entendo perfeitamente.

 

Rubens dá tapinhas no ombro de Leonardo e sai.

 

LEONARDO: Que dia de cão!

 

Leonardo volta para sua sala.

 

CORTA PARA

 

CENA 17. COSMÉTICOS LAMBERTINI. ESTACIONAMENTO. INT. DIA.

 

Amanda caminha em direção ao carro. Rubens aparece por trás dela agarrando-a. Ela grita.

 

AMANDA: Meu Deus, você ficou maluco?!

 

Ele a ‘prensa’ contra um dos carros.

 

RUBENS: Gosta de provocar o patrão né, vadia?! Quem brinca com fogo acaba se queimando, garota.

 

Rubens a aperta contra seu corpo e tenta beijá-la.

 

AMANDA: Me solta, seu escroto!

 

RUBENS: Para de charminho. Conheço bem o seu tipo!

 

Rubens enfia a mão na saia dela.

 

AMANDA: Me solta!

 

Amanda dá uma joelhada entre as pernas de Rubens, que geme de dor.

 

RUBENS: Desgraçada!

 

AMANDA: Nojento!

 

RUBENS: Você me paga.

 

Amanda corre enquanto Rubens se recupera da dor.

 

CENA 18. COLÉGIO FRAN VICENTINI. EXT. DIA.

 

Caio e Grego conversam na grama. Ramiro circula entre os alunos fazendo sua inspeção diária.

 

CAIO: Primeiro a Paulinha, agora a Nanda.

 

GREGO: Ela não voltou do banheiro?

 

CAIO: Não.

 

GREGO: Será que aconteceu alguma coisa?

 

Um celular faz BIP. Caio retira o aparelho do bolso e lê.

 

GREGO: Quem é?

 

CAIO: A Nanda. Ce não vai acreditar.

 

GREGO: Que! Fala logo!

 

CAIO: O Diego assaltou a Paulinha na frente da escola.

 

GREGO: Caramba.

 

Atrás deles, Ramiro demonstra surpresa ao ouvir a conversa.

 

CAIO: Elas foram pra casa da Nanda.

 

Ramiro sai apressado.

 

CENA 19. COLÉGIO FRAN VICENTINI. DIREÇÃO. INT. DIA.

 

Juliana digita no computador. Ramiro entra, afobado.

 

RAMIRO: Diretora! Diretora!

 

JULIANA: O que houve, Ramiro? Por que essa pressa toda?

 

RAMIRO: Você não sabe o que eu ouvi.

 

JULIANA: Para de enrolar e diz logo.

 

RAMIRO: Eu estava fazendo a ronda e ouvi os alunos Caio e Grego comentando sobre o aluno Diego e as alunas Nanda e Paulinha.

 

JULIANA: O que eles disseram?

 

RAMIRO: Bom depois que o Diego saiu daqui a menina Paulinha deve ter ido atrá dele.

 

JULIANA (impaciente): Tá e o que mais, homem? Desembucha!

 

RAMIRO: O Diego assaltou a Paulinha na frente do colégio!

 

Juliana põe a mão na boca, surpresa.

 

RAMIRO: Você deve imaginar o que ele vai fazer com os pertences da garota. Ao que parece o garoto está cada vez mais dependente do vício.

 

JULIANA: Não vai ter jeito. Vamos ter que internar o Diego contra a vontade ele.

 

Em Ramiro.

 

CENA 20. MANSÃO LAMBERTINI. PISCINA. EXT. DIA.

 

Amanda e Pato almoçam juntos.

 

AMANDA: Quer dizer então que seu pai e você entraram em um acordo? Isso é novo pra mim.

 

PATO: É. Eu disse que me comportaria melhor se ele me liberasse do trampo e pedisse a Juliana pra me aceitar novamente no colégio.

 

AMANDA: Você gosta mesmo daquele colégio né?

 

PATO: Acho que sim. Foi um ano difícil. Acho que to aprendendo a ser uma pessoa melhor.

 

AMANDA: Que bom, porque eu tenho uma notícia pra dar.

 

PATO: Espera, eu ainda não terminei, Amanda.

 

AMANDA: Como assim?

 

PATO: Amanda, eu preciso ser sincero com você. Eu tenho pensado muito em tudo que rolou esse ano, inclusive no lance entre a gente.

 

AMANDA: Também penso muito em você, boy.

 

PATO: Escuta. Depois que a gente voltou do acampamento, eu senti que o nosso namoro esfriou. Estamos distantes. Não é mais a mesma coisa, entende? (T) Acho que deveríamos dar um tempo.

 

AMANDA (dramática): Você está terminando comigo, Pato?

 

PATO: Eu não queria que fosse assim, mas eu não posso continuar com isso. To tentando ser honesto com a gente. To gostando de outra pessoa.

 

AMANDA (chora): Eu não to acreditando nisso.

 

PATO: Eu to apaixonado pela Nanda.

 

AMANDA: Você não pode terminar comigo justo agora.

 

PATO: Como assim?

 

AMANDA: Eu to grávida.

 

PATO (surpreso): O que?

 

CENA 21. CASA NANDA. SALA. INT. DIA.

 

Nanda e Paulinha chegam com Celo e Estela, vão se acomodando no sofá.

 

ESTELA: Vocês enrolaram o caminho todo e não nos contaram o que aconteceu.

 

NANDA: É uma situação delicada, gente.

 

CELO: Mas precisamos saber. O que estavam fazendo fora da escola?

 

ESTELA: A diretora sabia?

 

CELO: Estavam matando aula, Fernanda?

 

NANDA: Ai, gente, quanta pergunta. Olhem o estado da Paulinha.

 

PAULINHA: Tudo bem, amiga. Não tem porque esconder.

 

CELO: Estamos preocupados. Você quer que ligue pros seus pais, Paulinha?

 

PAULINHA: Não. Por favor, não!

 

ESTELA: Então a hora é agora de nos contarem o que aconteceu.

 

NANDA: A Paulinha foi assaltada.

 

ESTELA (alarde): Jesus então a gente precisa comunicar a polícia. Esses marginais não devem ter ido muito longe. Pega o telefone agora, Celo. Rápido! Rápido!

 

NANDA (convicta): Ninguém vai ligar pra polícia, ok?!

 

CELO: Como não, filha? Você acabou de dizer que/

 

NANDA: A Paulinha foi assaltada pelo Diego, um de nossos amigos.

 

ESTELA (chocada): QUEEEE?

 

NANDA: Ele tá com problemas e ao que tudo indica roubou a Paulinha pra comprar droga. Eu acho que já é problema demais pra ele resolver sozinho, não precisamos criar mais um chamando a polícia né?!

 

ESTELA: Esse garoto precisa de ajuda.

 

PAULINHA: Foi horrível! Ainda não acredito que ele foi capaz de fazer isso comigo.

 

ESTELA: Fica calma, querida. Se esse garoto fez isso sendo amigo de vocês é porque não consegue mais controlar o vício.

 

NANDA: Assim você não tá ajudando, mãe.

 

CELO: Leva a Paulinha lá pra cima, Nanda. Ela precisa de um banho pra relaxar, depois vocês descem pra almoçar.

 

NANDA: Vamo, amiga.

 

Nanda e Paulinha sobem para o quarto dela. Celo e Estela continuam na sala.

 

CELO: Que situação difícil desses garotos.

 

ESTELA: Essa geração está cada vez mais destrambelhada.

 

CELO: Temos que fazer alguma coisa pra ajudar.

 

Estela concorda com a cabeça.

 

CENA 22. MANSÃO LAMBERTINI. PISCINA. EXT. DIA.

 

Continuação da cena 20. Pato levanta da cadeira.

 

PATO: O que você disse?

 

AMANDA: Eu to grávida, Pato. To esperando um filho seu!

 

Pato demora a cair em si.

 

PATO: Como isso foi acontecer, Amanda?

 

AMANDA (chora): Eu não sei, Pato. Aconteceu, me desculpa. Eu não queria. Aconteceu.

 

Amanda agarra Pato, fingida.

 

PATO: Não pode ser verdade.

 

AMANDA: Você acha que eu to mentindo, é isso?

 

PATO: Não. Não é isso. Mas é que eu... Eu não to preparado pra isso, Amanda. Meu Deus... Eu vou ser pai?!

 

AMANDA: Eu já entendi tudo. Você não vai querer assumir. Tudo bem, eu vou dar um jeito de resolver esse problema.

 

PATO: O que você tá dizendo?

 

AMANDA: Eu vou tirar essa criança.

 

PATO: Você ficou maluca? Eu não vou deixar você fazer isso. Essa responsabilidade também é minha.

 

AMANDA: Eu to desesperada, Pato.

 

PATO: Fica calma, vai dá tudo certo. A gente tá nessa junto.

 

AMANDA: Mas, e a Nanda?

 

PATO: Depois eu vejo isso. Eu não posso te abandonar nessa situação.

 

AMANDA: Eu não quero que fique comigo por obrigação.

 

PATO: Esquece o que eu disse. Esquece. A gente vai ter um filho juntos. Isso muda tudo.

 

AMANDA: Quer dizer então que...?

 

PATO: Eu não vou te deixar na mão.

 

Amanda beija Pato repetidas vezes.

 

AMANDA: Obrigada! Obrigada! Obrigada!

 

CAM em Pato, visivelmente frustrado.

 

CENA 23. APARTAMENTO AMANDA. SALA. INT. DIA.