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Passos da Paixão - Capítulo 28

Novela de Édy Dutra
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PASSOS DA PAIXÃO - CAPÍTULO 28

 
 
 
 
 
NO CAPÍTULO ANTERIOR:
 

ROSANA: - Mauro, eu não posso ficar longe de você, meu amor!... Nosso casamento, nossas conquistas...

MAURO: - Que conquistas? Como eu vou saber se você não mentiu também durante todos esses anos de casados?

LEOCÁDIA: - E você ainda tem dúvidas, Mauro?

MAURO: - Eu vou pro meu quarto. E quando eu voltar, não quero ver você nem suas coisas aqui, Rosana. Está ouvindo?

ROSANA: - Mas Mauro (pausa)

MAURO (interrompe/firme): - Eu não quero mais olhar para a sua cara! 

Rosana se cala. Mauro se retira. 

ROSANA (indo atrás dele): - Meu amor me escuta!

LEOCÁDIA (segura Rosana pelo braço): - Você não vai a lugar nenhum!

ROSANA (soltando-se): - Me solta, sua cobra velha! Você não vai me impedir de ficar com o Mauro, entendeu?

LEOCÁDIA: - Desiste, Rosana. Seu show acabou.

ROSANA: - Não vai ser você, uma velha suja, solitária, horripilante, que vai me deter.

LEOCÁDIA (encarando Rosana): - Veremos.

Leocádia acerta um tapa, forte, no rosto de Rosana, que cai no chão. Rosana olha com ódio para Leocádia.

LEOCÁDIA: - Agora o acerto de contas é entre eu e você. Vagabunda. 

As duas ficam a se encarar.




 

 

 

CENA 01. CASA MAURO. SALA. INT. DIA. 

Continuação do capítulo anterior. Leocádia acerta um tapa em Rosana, que cai no chão. As duas se enfrentam. 

LEOCÁDIA: - Pegue as suas coisas e vai embora da minha casa, Rosana. Ou será que eu mesma terei que te colocar pra fora?

ROSANA (levantando-se): - Como ousa a encostar suas patas no meu rosto, Leocádia? Que atrevimento...

LEOCÁDIA: - Anda logo, Rosana, porque não estou com tempo pra você. Saia logo!

ROSANA: - O Mauro ainda vai voltar pra mim, Leocádia. E aí quem vai ir embora dessa casa é você, bruxa!

LEOCÁDIA: - O Mauro não quer mais olhar pra sua cara suja! Você enganou ele, a todos nós e acha que vai ficar tudo bem? Só pode estar ficando louca!

ROSANA: - Eu estou mais sã do que você, que vive escondida nessa casa, mofando junto com os móveis. Não nega as rugas e manchas que tem no rosto... Louca é a sua filha, que vive tendo ataques por aí.

LEOCÁDIA: - Não fale da minha filha!

ROSANA: - Falo sim, aquela garota boboca. Vamos combinar, Leocádia. Você já era velha quando decidiu adotar a Celeste. Custava pelo menos prestar atenção para evitar que ela viesse com defeito?

LEOCÁDIA: - A minha filha não tem defeito nenhum, ao contrário de você, que é a essência pura do quão maligno um ser humano pode ser.

ROSANA: - Eu quero que você e a louquinha da sua filha vão para os quintos dos infernos! E agora me deixa passar porque eu vou lá falar com o Mauro. 

Rosana tenta passar por Leocádia novamente, mas esta não deixa. As duas ficam se empurrando. Rosana empurra Leocádia, que cai no sofá. 

ROSANA: - Velha porca! 

Rosana vai seguindo, quando Leocádia a agarra pelas costas, puxando seu cabelo. 

ROSANA: - Me solta!

LEOCÁDIA: - Eu disse para você ir embora daqui, sua desgraçada!

Leocádia vira Rosana e lhe acerta outro tapa. Rosana cai no sofá. Leocádia puxa novamente o seu cabelo, erguendo Rosana e vai levando ela em direção à porta. 

Do lado de fora, aos gritos, Rosana tenta se soltar, mas não consegue. As duas saem na calçada e Leocádia empurra Rosana, que cai no chão.

ROSANA (com ódio): - Você vai pagar caro por isso, Leocádia.

LEOCÁDIA: - Pode mandar a conta que eu te dou o troco novamente, biscate.

Leocádia fecha o portão da casa e sai. Rosana levanta-se com dificuldade. O motorista do táxi está parado próximo dela, com as compras todas do lado de fora do carro.

ROSANA: - Por que você tirou as minhas compras daí?

MOTORISTA: - Porque eu já estou indo embora, dona. Essa confusão toda ainda vai sobrar pra mim. Se a senhora quiser, chama outro taxista. Não precisa nem me pagar.

O motorista entra no carro e sai.

ROSANA: - Desgraçado!... (volta para o portão, bate e grita) Mauro! Meu amor! Abra o portão! A gente não pode terminar assim, meu querido! (a si mesma) Eu ainda não tenho toda grana que eu quero... (grita) Mauro!

Leocádia surge na porta da casa.

LEOCÁDIA: - Você ainda está aí? Será que vou ter que te mandar embora a tapas?

Rosana encara Leocádia e se afasta. Vai para próximo das compras.

ROSANA: - E agora, meu Deus... Pra onde eu vou?...

CENA 02. IGREJA DA CANDELÁRIA. INT. DIA.

Geórgia entra na igreja acompanhada por Durval. Renato, no altar, se encanta com a beleza de Geórgia. Todos estão a olhar a noiva. Ivan faz os registros.

Durval entrega Geórgia para Renato.

DURVAL: - Agora é com você, rapaz.

RENATO: - Pode deixar, Durval. Eu vou fazer a Geórgia muito feliz.

Durval se posiciona ao lado de Heloísa no altar. Do outro lado, Adônis e Raquel. Renato e Geórgia se colocam de frente para o padre.

PADRE: - Irmãos e irmãs... Estamos aqui hoje reunidos para celebrar a união de Renato e Geórgia...

Segue a sequência das juras.

RENATO: - Eu, Renato, prometo te ser fiel... Amar-te e respeitar-te...

Ivan, de longe, observa.

GEÓRGIA (emocionada): - Eu, Geórgia, prometo te ser fiel, amar-te e respeitar-te...

Corta para a bênção do padre.

PADRE: - Eu os declaro, marido e mulher. Pode beijar a noiva.

(fade in “Mania de Você” – Rita Lee) Renato e Geórgia se beijam apaixonados. Corta para a saída da igreja, onde a chuva de arroz cai sobre o casal.

CENA 03. CASA SÍLVIA. QUARTO. INT. DIA.

(fade out trilha anterior) Sílvia e Júlio estão deitados na cama, abraçados um ao outro.

SÍLVIA: - Você não sabe o quanto eu esperei por esse momento... Abraçada no teu peito, depois de fazer amor. Você não sabe o quanto.

JÚLIO: - E eu fui tolo em adiar esse momento, sem saber que ele seria tão especial.

SÍLVIA: - Não foi você, foi o destino. Talvez ele adiou justamente para que pudéssemos ver o quão especial essa hora seria. Eu e você, juntos.

JÚLIO: - Juntos, finalmente.

SÍLVIA: - Você sabe que não estamos juntos finalmente. A Tereza (pausa)

JÚLIO (interrompe): - A Tereza pode deixar que hoje mesmo eu vou falar com ela.

SÍLVIA: - Vai mesmo?!

JÚLIO: - Não é justo a gente ficar junto com essa situação a ser resolvida. A Tereza vai entender.

SÍLVIA: - Só de pensar no que ela vai sofrer. Não é fácil ser rejeitada, Júlio.

JÚLIO: - Eu sei, Sílvia... Esqueceu que eu só tinha olhos para a Rosana? Até me dar conta que ela realmente não tem sentimento nenhum por mim. 

De repente, ouve-se a voz de Melissa. 

MELISSA (OFF): - Mãe?! Cheguei! 

SÍLVIA (levanta-se): - É a Melissa! Você precisa se esconder, rápido! 

Júlio sai da cama, veste-se rapidamente. Sílvia também se recompõe. Júlio esconde-se atrás da cortina, enquanto Sílvia sai do quarto. 

Sílvia chega à sala, encontra Melissa, com várias sacolas de compras. Melissa está muito bem vestida, produzida. Sentindo-se poderosa. 

SÍLVIA: - Minha filha! Que saudade! (indo ao encontro de Melissa) Me dá um abraço!

MELISSA (desvia de Sílvia): - Não, mãe... Esse vestido aqui é Prada. Tem noção?! Pra-da! Não dá pra ficar se abraçando com ele.

SÍLVIA: - Nossa, Melissa... Eu estava com saudades, filha. Você foi viajar, ficou dias e dias fora e nem pra me dizer como estava.

MELISSA: - Eu estava bem, mãe. Ah, se eu pudesse, vivia nos Estados Unidos pra sempre! Lá sim é o paraíso. Eu a Rosana fizemos cada coisa, cada programa.

SÍLVIA: - Você e a Rosana? Juntas? E o que ela fez pra você? Ela te fez alguma coisa, Melissa?

MELISSA: - Deixa de ser neurótica, mãe! A Rosana foi à melhor companhia que eu tive. Me encheu de presentes, me levou em festas, desfiles, tudo! Coisa que aqui no Brasil eu nunca iria.

SÍLVIA: - Mas agora, se você quiser, a gente pode fazer mais programas juntas. Não é porque eu não estou mais com o seu pai que eu também irei me afastar de você.

MELISSA: - Pra mim tanto faz, mãe. Desde que não me leve pra esses lugarzinhos chinfrins. Depois do que eu vi em Nova York, eu sei que eu mereço muito mais... Agora eu vou pro meu quarto, descansar. Tô morta! 

Melissa sai. Sílvia fica pensativa. Júlio entra na sala, com cuidado. 

JÚLIO: - Eu vou indo.

SÍLVIA: - Vai sim, antes que ela te veja. 

Júlio rouba um beijo de Sílvia. 

JÚLIO: - Amo você.

SÍLVIA: - Também te amo! 

Júlio sai da casa. Sílvia suspira, pensativa. 

CENA 04. APTO VITINHO. CORREDOR. EXT/ INT. DIA. 

Rosana aguarda no corredor de um prédio, em frente à porta de um dos aptos. De repente, Vitinho chega, com Aline. 

ROSANA: - Ai Vitinho, que bom que você veio. Eu deixei algumas sacolas de compras que eu fiz em Nova York lá na portaria. Você traz pra mim? E depois arruma o seu quarto para que eu possa descansar. Eu estou morta da viagem.

ALINE: - Como é que é?!

ROSANA: - O que foi querida? Eu falei com o Vitinho.

VITINHO: - Só pode estar de brincadeira, Rosana.

ROSANA: - Rosana? Vitinho, você sempre me chama de madame. Esqueceu?

VITINHO: - Não, eu não esqueci. Apenas mudei mesmo. Você está plantada aí na porta do meu apartamento pra quê afinal?

ROSANA: - Pra ver se nasce um pé de Rosanas, lindas... Ora, Vitinho! Eu vou ficar uns dias no seu apartamento.

VITINHO: - Quem disse?

ROSANA: - Eu estou dizendo.

ALINE: - Mas é muita cara de pau mesmo. Você acha que depois da bola fora que você deu nele, ele vai te ajudar?

ROSANA: - Queridinha, quando eu resolver falar com você, eu te aviso, ok? O meu assunto aqui é com o Vitinho.

VITINHO: - Não fala assim com a Aline, Rosana.

ROSANA: - É madame.

VITINHO (firme): - É Rosana!... Depois de tantos anos trabalhando pra você, você me tratou feito um ninguém no aeroporto. Resolveu levar a Melissa na viagem.

ROSANA: - Eu posso explicar. Acontece que (pausa)

VITINHO (interrompe): - E ainda me destratou! Se referiu a mim como um simples empregadinho. Você sabe muito bem que eu fui muito mais que um empregado pra você. Eu era seu amigo, seu confidente... Pelo menos eu pensei que fosse.

ROSANA: - Você era... quero dizer, é! Eu errei levando a Melissa na viagem, mas agora passou. Estou aqui para dizer que tudo voltou como era antes! Olha que legal! Agora, por favor, abre a porta, Vitinho.

ALINE: - Ele não vai abrir.

ROSANA: - Essa garota é surda, meu Deus? Débil mental é? Retardada?!

VITINHO: - A retardada aqui é você, Rosana! Você foi expulsa da empresa e com certeza, expulsa de casa pelo Mauro. Por isso está aqui pedindo abrigo para mim. Mas fique você sabendo que eu não vou te ajudar.

ROSANA: - Não?!

VITINHO: - Não!... Agora, por favor, saia daqui antes que eu chame o porteiro para tirar você e as suas comprinhas do prédio com uma vassoura!

ROSANA: - Você é um ingrato, Vitinho! Eu te dei tudo! Educação, instrução, abri as portas do mundo pra você e é assim que você me trata?

VITINHO: - Que portas? Eu suei e muito para entrar na GF e não foi por suas mãos não. Foi através de uma seleção, organizada pelo Gilson justamente para ajudar a estilista famosa a organizar sua agenda, suas atividades... Você nunca fez nada por mim, a não ser me usar como seu brinquedo. Mas eu cansei, Rosana. Cansei!

ROSANA: - O mundo dá voltas, Vitinho. E você ainda vai se arrepender... 

Rosana pega sua bolsa e sai. Aline abraça Vitinho. 

ALINE: - Fiquei orgulhosa da sua atitude, meu amor. Essa mulher sugava você.

VITINHO: - Me sinto até mais leve em falar tudo isso pra ela... Agora, vamos voltar pro casamento? A festa estava tão boa. Não queria ter saído pra vir aqui.

ALINE: - Vamos sim, amor! Quero ver se eu consigo pegar o buquê! 

CENA 05. APTO VALQUÍRIA. INT. DIA.       

(fade in trilha “À Francesa” – Marina Lima) Valquíria termina de pintar o último quadro de sua exposição. A sala onde ela está encontra-se cheia de pinturas, molduras.       

VALQUÍRIA: - Finalmente, tudo pronto... Vou ligar pro Bruno. 

Pega o celular e disca. Ouve-se o sinal de caixa postal. 

VALQUÍRIA: - Já liguei pra ele vinte e quatro vezes hoje e nem um retorno? Que saco!... Agora ele vive cheio de compromissos... Vou tentar de novo. 

CENA 06. CASA MARÍLIA. JARDIM. EXT. DIA. 

Ilza, Marília e Bruno, estão sentados à mesa, à beira da piscina. CAM mostra o visor do celular de Bruno, “VALQUÍRIA”. Bruno recusa a chamada. 

MARÍLIA: - Por que você não atende logo, Bruno? Assim esse pessoal para de ligar.

BRUNO: - Telemarketing é praga, Marília. Atendeu o primeiro, atende o segundo, o terceiro... Deixa assim que uma hora eles cansam.

MARÍLIA (olha o céu): - Está um dia tão lindo... Coisa que só o Rio proporciona pra gente.

BRUNO: - Eu já presenciei dias lindos em Londres, Roma...

ILZA: - Que rapaz refinado.

MARÍLIA: - A Europa é linda, mas nada, nenhuma cidade ganha da beleza do Rio de Janeiro.

BRUNO: - Como todos os crimes, violência? Não, não, meu amor. Depois que a gente casar, vamos embora daqui.

ILZA: - Eu não ia aguentar viver longe da minha filha...

MARÍLIA: - Não se preocupa mamãe, porque nós não vamos embora do Rio.

BRUNO: - Marília, já falamos sobre isso.

MARÍLIA: - E você insiste em achar que eu vou ceder. (risos)

ILZA: - Eu vou lá dentro preparar o nosso lanche.

MARÍLIA: - Eu te ajudo, mamãe. Se importa, Bruno?

BRUNO: - Não, claro que não. 

Marília e Ilza saem. Amália se aproxima, pelo outro lado do jardim. 

AMÁLIA: - Tá pensando em ir embora do Rio é?

BRUNO: - Você sempre escondida, ouvindo as conversas.

AMÁLIA: - Sou prevenida, meu amor... Desiste dessa ideia. Primeiro porque a Marília não quer. Segundo porque eu não quero. Esqueceu que somos amantes? Temos um trato.

BRUNO: - Eu não esqueci. Só que o meu lugar não é aqui neste país de terceiro mundo. Ainda mais com a grana que a sua irmã tem.

AMÁLIA: - Não me interessa... Se você continuar com esse joguinho idiota, você não vai sair do Rio nunca. Nem morto. Porque eu abro a boca, está ouvindo? Conto tudo pra Marília.

BRUNO: - Você não se arriscaria.

AMÁLIA: - Tem razão, eu não me arriscaria. Mas a Marília pode descobrir, de uma hora para outra, que você tem outra mulher! Olha que legal!

BRUNO (pega Amália pelo braço): - Eu consegui enganar a Marília esse tempo todo. Você não vai estragar tudo agora!

AMÁLIA: - É Valquíria o nome dela, não é? Da loirinha... eu sei, já sei tudo sobre ela. Artista plástica. Ganha bem. Tem herança. Você sabe escolher como ninguém as suas vítimas.

BRUNO: - E a minha próxima vai ser você, Amália. Experimenta acabar com tudo.

AMÁLIA (soltando-se): - Experimenta ir embora do Rio e não continuar como meu amante. A decisão é sua, queridinho. (sorri, cínica) 

Marília e Ilza retornam, com sucos e sanduíches. 

ILZA: - Amália, você está aí!

AMÁLIA: - Resolvi fazer companhia para o meu futuro cunhado. Vocês o deixaram sozinho.

MARÍLIA: - E o Pedro?

AMÁLIA: - Foi a uma festa de casamento com a nova namoradinha. Uma branquinha.

ILZA: - Amália, por favor.

AMÁLIA: - Não disse nada demais, mamãe. Pelo menos a moça estuda na mesma faculdade que ele. E não é bolsista! 

Ilza faz cara de reprovação para os comentários de Amália. Bruno e Marília de mãos dadas trocam olhares. 

CENA 07. RESTAURANTE PRATO CHEIO. INT. DIA. 

Festa do casamento de Geórgia e Renato no salão do restaurante Prato Cheio. O local está ricamente decorado, muitas flores e cristais. A música é animada. Algumas pessoas dançam numa pista de dança improvisada no centro do restaurante. 

Maria Helena, em sua mesa, troca olhares com Diogo, sentado à mesa com Adônis, Raquel e Marcinha. 

RAQUEL: - Vocês sabem que, esse é o primeiro casamento em que eu sou madrinha?

MARCINHA: - É sério, mãe?

RAQUEL: - Sério... As minhas outras amigas casaram, mas nunca me chamaram para madrinha.

ADÔNIS: - Talvez a Valquíria te chame.

RAQUEL: - É talvez... Aí vai ser uma inversão, porque ela e você foram meus padrinhos no casamento com o Fernando.

DIOGO: - Chega a ser engraçado, Raquel. Você agora praticamente casada com o seu padrinho. (risos)

MARCINHA: - É verdade! (risos)

ADÔNIS: - Eu gostei de ser padrinho do seu casamento. Assim nos aproximamos ainda mais.

RAQUEL: - Que bom, meu amor! Bom que gostou. 

Na outra mesa, Maria Helena, Orestes, Fernando e Estér. 

MARIA HELENA: - A Raquel está sempre linda. É uma mulher que tem porte.

ESTÉR: - Engraçado que quando ela era casada com o Fernando, quase não se ouvia elogios a ela vindos de você, Maria Helena. Sentiu saudades da ex-nora?(risos)

ORESTES: - Estér, não provoque...

MARIA HELENA: - Nada disso, Estér. Não estou elogiando a Raquel. Estou apenas fazendo uma constatação. Ela é uma mulher de porte. Você deveria aprender a se portar com ela.

FERNANDO: - A Raquel sempre foi assim, desde a juventude. É bacana ver como as pessoas conservam os bons hábitos e costumes.

ORESTES: - E a Marcinha está indo para o mesmo caminho. Quase todos os trejeitos da mãe.

MARIA HELENA: - A Marcinha herdou a beleza dos pais, mas o brilho para a vida veio da nossa família, com certeza.

Estér observa, de longe, os olhares de Tarso, em sua mesa com Sandra, Talles, Aline e Vitinho, para Karina, em outra mesa, com Janice, Alceu e Tereza. 

SANDRA: - Não acredito que a Rosana fez isso!

ALINE: - Totalmente sem noção, mãe.

VITINHO: - Foi expulsa da empresa, expulsa de casa... Decadência total.

TARSO: - E a GF agora, como fica?

VITINHO: - O doutor Mauro está buscando uma solução. A última coleção não rendeu pra empresa. Estamos lucrando ainda com a releitura de coleções antigas. É um jeito de tapar buraco até encontrarmos um novo ou nova estilista pra marca. 

Enquanto isso, Guilherme se afasta de Celeste e segue para a adega. Ele escolhe os vinhos e espumantes, quando uma mão, feminina, aperta seu bumbum. Guilherme se assusta. 

GUILHERME: - O que é isso?!... Heloísa!

HELOÍSA: - Finalmente a sós, Gui. Não aguentava mais te ver colado naquela moça.

GUILHERME: - Aquela moça é minha namorada.

HELOÍSA: - Eu sei, mas ela poderia deixar você mais soltinho, não acha? Aliás, você poderia ficar mais soltinho também...

GUILHERME: - Conversa mais estranha, Heloísa.

HELOÍSA: - Deixa de bobagem, Guilherme. Você sabe muito bem do que eu estou falando. (aproxima-se dele, sensual, ajusta o decote) Eu esperei por tanto tempo para esse momento...

GUILHERME (desvia o olhar do decote): - Que momento?

HELOÍSA: - O momento em que eu e você, a sós, nos abraçamos na adega! Que loucura! Vem, Gui! Vem! 

Heloísa tenta agarrar Guilherme, mas ele se esquiva. Ela quase derruba as garrafas da adega. 

HELOÍSA: - Ai garoto! Não foge!

GUILHERME: - Heloísa, você está louca?

HELOÍSA: - É você que me deixa assim... Pão! Você é um pão! E nesse terninho... Eu pego fogo só de pensar!

GUILHERME: - Então pode tomar um balde d’água e apagar esse fogo aí. Se toca, Heloísa! Você é minha madrasta e eu estou namorando!...

HELOÍSA: - Você está namorando aquela moça por pena, não ta? Fiquei sabendo que ela é meio louca...

GUILHERME: - Louca é você! Sem vergonha!

HELOÍSA: - Guilherme!

GUILHERME: - A Celeste está enfrentando um momento difícil. E eu não estou com ela por causa disso não. Estou com ela porque eu a amo de verdade... É amor o que eu sinto. Era isso que você deveria sentir pelo meu pai também, Heloísa. Poxa vida, ele não merece isso. Não merece mesmo.

HELOÍSA (apreensiva): - E o que você vai fazer, Guilherme? Vai me entregar pra ele, é isso?

GUILHERME: - Deveria. Mas não vou não. Eu só quero que você prometa esquecer essa história, esquecer de correr atrás de mim. Não vai ser bom pra mim nem pra você. Vamos continuar amigos. É o melhor que a gente tem a fazer agora.

HELOÍSA (suspira, chateada): - Tudo bem... (fecha o decote) Já que é assim... 

Neste instante, Celeste chega à adega. 

CELESTE: - Amor! Que demora! Seu pai está louco atrás de você.

GUILHERME: - Eu e a Heloísa estávamos em dúvida sobre qual espumante levar.

CELESTE: - Já escolheram?

HELOÍSA (pega uma garrafa): - Esse aqui.

CELESTE: - Ótimo! Agora venham porque a noiva vai jogar o buquê e eu quero estar lá pra pegar! 

No salão, Ivan faz fotos dos noivos. 

GEÓRGIA: - Ivan, só um segundo pra eu falar com uma amiga?

IVAN: - Claro. 

Geórgia se afasta. 

IVAN: - Você está lindo de noivo.

RENATO: - Muito obrigado.

IVAN: - O nó na gravata foi você mesmo quem deu? (risos)

RENATO: - Vai rindo, vai... Mas não vou me zangar. Se não fosse você, eu estaria perdido. Você me ajudou bastante. E põe ajuda nisso.

IVAN: - Disfarça, ela vem vindo. 

Geórgia se aproxima. 

GEÓRGIA: - O que os dois estavam cochichando aí?

IVAN: - Estávamos falando de como você está linda, Geórgia. Renato é um homem de sorte casando com você. E sorte mesmo, porque se eu gostasse da fruta, seria uma disputa e tanto. 

Geórgia ri. Renato e Ivan trocam olhares. 

Num outro ponto, Karina está no bufê dos doces, quando Tarso se aproxima dela. Os dois conversam discretamente. 

TARSO: - Agora vamos nos encontrar em todos os eventos, é isso?

KARINA: - Ironias do destino.

TARSO: - E agora a Sandra virou amiga de infância dos seus pais. Era só o que me faltava.

KARINA: - Eu também não gostei muito, mas fazer o quê? A gente vai ter que ir levando. Independente disso, nossos encontros na GlamouRio continuam firmes e fortes.

TARSO: - Depois de lá, motelzinho... 

Karina sorri, maliciosa e sai. Tarso a observa, discretamente.

Geórgia vai para o centro do salão para jogar o buquê.

DURVAL: - É agora que a mulherada vai à loucura!

Em uma das mesas, Janice, Alceu, Tereza e Karina.

JANICE: - Vai lá, Karina! Vai que você consegue pegar o buquê!

KARINA: - Não, mãe, obrigada. Estou muito bem solteira...

TEREZA: - Eu já peguei tantos buquês na minha vida e não tive um casamento sequer.

ALCEU: - Essa história de buquê é mais uma tradição do que uma constatação.

JANICE: - Mas que é um dos pontos altos da festa, isso é... Olha lá as mulheres... 

Mulheres se aglomeram no salão, prontas para pegar o buquê. Geórgia, de costas, se prepara. 

GEÓRGIA: - Vou jogar, hein!... É um... É dois... É três! 

Geórgia joga o buquê que cai diretamente nas mãos de Duda. Ela sorri, feliz, enquanto seus olhos procuram Pedro. Os dois trocam olhares graciosos. Talles, de sua mesa, faz cara de poucos amigos. 

GABY: - Bah guria! Que sorte tu tens, hein!

DUDA: - Agora é só esperar o pedido do pretendente.

GABY: - E tu acha que o Pedro vai se michar pra casamento? Claro que não, né?

DUDA: - Eu sei... Tudo na sua hora.

GABY: - Falando em hora, ta na hora de mexer o esqueleto! Vamos dançar!                                   

(sobe trilha “My Life” – Robin Thicke) As pessoas dançam na pista de dança. Renato e Geórgia, Marcinha e Diogo, Estér, Fernando, Adônis e Raquel. Durval e Heloísa trocam selinhos, enquanto Karina dança se insinuando para Tarso, que disfarça dançando com Sandra. 

CENA 08. CASA MAURO. QUARTO MAURO. INT. DIA. 

(fade out trilha “My Life” – Robin Thicke) Mauro entristecido, deitado em sua cama. Leocádia entra no quarto, senta-se aos pés da cama. Afaga Mauro. 

LEOCÁDIA: - Não fica assim, meu filho. Você não merece.

MAURO: - Eu sei, mãe... Mas é difícil. Ser enganado dessa forma como eu fui. A Rosana praticamente me usou durante esses anos todos e eu não percebia nada!

LEOCÁDIA: - Mas agora ela vai pagar por tudo o que ela fez. A vida cobra caro, Mauro. A Rosana não tem noção disso.

MAURO: - Mamãe, o amor não deveria doer, não é? 

Leocádia senta-se ao lado de Mauro na cama, abraça o filho. 

LEOCÁDIA: - O amor não deveria era fazer sofrer... Não há felicidade sem um pouco de dor. Mas pode haver amor sem sofrimento sim.

MAURO: - Eu fiz tudo o que podia para dar o melhor para a Rosana e em troca eu recebo o quê? Nada!

LEOCÁDIA: - A Rosana é ingrata por natureza, meu filho. Ela fez isso com você, com a amiga dela, a Sílvia. O que você precisa agora é esfriar a cabeça e pensar no amanhã, no futuro da Gonzales Fashion. Nós tivemos prejuízos com essa última coleção.

MAURO: - Esses planos emergenciais logo vão se encerrar e aí vamos atrás de novos nomes para a criação. Não podemos mais perder dinheiro. Nem tempo.

LEOCÁDIA: - Nem um pingo de preocupação com aquela golpista também. Você vai superar tudo isso, vai encontrar um novo amor. Alguém que realmente te ame de verdade... Vida nova, meu filho. Vida nova... 

Os dois ficam abraçados, um ao outro. (fade in “Cuidando de Você” – Luiz Melodia) 

CENA 09. TRANSIÇÃO DO TEMPO. ANOITECER / CASA TEREZA. INT. NOITE. 

Imagens do Rio ao anoitecer. Mostra a cidade iluminada, os prédios, os Arcos da Lapa. Corta para o bairro de Vila Isabel, para a casa de Tereza. (fade in “Cuidando de Você” – Luiz Melodia) Júlio conversa com Tereza, tentando achar as palavras certas, tomando coragem. 

TEREZA: - Desde que eu cheguei do casamento você está estranho, Júlio...

JÚLIO: - Eu?

TEREZA: - É, você. Parece que ta com uma coisa entalada na garganta... Pode falar.

JÚLIO: - Bem... Tereza, eu e a Sílvia... (pausa) A Sílvia e eu...

TEREZA: - Fala, Júlio! O que tem você e a Silvinha?

JÚLIO: - Nós estamos... 

Neste instante, a campainha toca. 

TEREZA: - Só um pouquinho, Júlio. 

Tereza abre a porta. Janice e Alceu chegam a casa, cumprimentam Júlio. 

JANICE: - Tereza, por que não avisou a gente que vinha pra casa?

ALCEU: - Te dávamos uma carona! Não precisava gastar com táxi.

TEREZA: - Imagina, não queria atrapalhar vocês. Vi que estavam curtindo a festa com aquela amiga da Karina.

JANICE: - Ah sim, a Sandra. Menina, a mulher é um poço de simpatia, elegância.

ALCEU: - E disse que vai vir nos visitar no Bar do Noel!

TEREZA: - Ai que ótimo!

JANICE: - Mas a gente só passou pra te entregar uns docinhos.

TEREZA: - Mas eu peguei as lembrancinhas.

JANICE: - Não, mas esses não são os doces das lembrancinhas. Esses aqui são especiais. O dono lá do restaurante que pediu pra te entregar.

TEREZA: - O Durval! Querido... 

Tereza abre a caixa e se encanta com os doces. 

TEREZA: - Adoro esses doces que ele faz!

ALCEU: - São só pra você. Viemos aqui entregar especialmente.

TEREZA: - Durval é um amigo e tanto! E vocês também! Pode pegar, quantos quiserem!

JANICE: - Imagina, os doces são seus! Viemos só entregar.

ALCEU: - Ah, mas ela ta oferecendo, não custa nada (pega um doce)

JANICE: - Alceu, por favor!

ALCEU (comendo o doce): - É uma delícia mesmo!

JANICE: - Vamos embora... Tchauzinho pessoal! 

Janice e Alceu saem. 

TEREZA: - Quer doces, Júlio?

JÚLIO: - Não, obrigado...

TEREZA (comendo): - E então, o que você queria me falar antes? Você e a Silvinha...?

JÚLIO: - Nada não, Tereza. Deixa pra lá. Assuntos de negócios, ideias pra CarioLinda. A gente conversa outra hora.

TEREZA: - Ótimo, porque agora o que eu mais quero é devorar esses doces todos! Durval é um santo! Um santo! 

CENA 10. MANSÃO LINHARES. INT. NOITE. 

Maria Helena sugere uma saída com o pessoal. 

ORESTES: - Maria Helena chegamos a pouco de um casamento...

FERNANDO: - Eu estou cansado.

MARIA HELENA: - Quando eu não saio com vocês, dizem que eu sou chata. Quando proponho sairmos juntos, recusam...

MARCINHA: - Mas é que você quer sair num momento não muito bom, vovó... (risos) A festa foi cansativa. Dançamos, rimos...

MARIA HELENA: - Mas a noite está maravilhosa!... Que tal um teatro? Ou uma comida japonesa?

ESTÉR: - E você gosta de comida japonesa, Maria Helena?

MARIA HELENA: - Nunca comi, mas me deu vontade de provar... Vamos pessoal, façam isso por mim!

ORESTES: - Tudo bem, eu aceito.

MARCINHA: - Se for japonês, eu topo!

FERNANDO: - Eu vou ficar pessoal.

MARIA HELENA: - Nada disso, Fernando. Se a Estér não quiser ir, tudo bem. Eu também não faço muita questão. Agora, você, meu filho amado, precisa estar junto neste programa família!

MARCINHA: - A tia Estér faz parte da família, vovó.

MARIA HELENA: - É mesmo? Às vezes esqueço... Fernando venha!

ORESTES: - Vamos Fernando. Faz tempo mesmo que não fazemos programas juntos.

FERNANDO: - Tá certo me convenceram.

ORESTES: - Você vem, Estér?

ESTÉR: - Não, papai, podem ir... Vou ficar bem. 

Os quatro saem. Estér pega o celular e liga para alguém.

ESTÉR (ao telefone): - Alô? (pausa) Oi Bia, sou eu. (pausa) Quer vir aqui em casa? (pausa) sim, estou sozinha... (pausa) Vem, vamos curtir um pouco... (pausa) Te espero então. Beijo! Amo você! (desliga o telefone)

Neste instante, Maria Helena retorna na sala.

MARIA HELENA: - De segredinhos no telefone?

ESTÉR: - Quem não tem seus segredos, não é, Maria Helena?

MARIA HELENA: - Sou uma mulher de postura e alma transparentes, Estér... Voltei só pra pegar minha bolsa que esqueci. Vou levar. Não sei o que pode acontecer deixando a bolsa com você em casa.

ESTÉR: - Olha a minha cara de interesse na sua bolsa, Maria Helena? Poupe-me... 

Maria Helena sai. 

ESTÉR: - Preconceituosa... Não gosta de mim, fica me dizendo coisas. Vá se danar. Agora é me preparar pra Bia... E não é que a Maria Helena me deu uma ideia boa? (risos) 

CENA 11. CASA SÍLVIA. SALA. INT. NOITE. 

Sílvia está assistindo TV, quando a campainha toca. Ela vai até a porta. Abre e surpreende. 

SÍLVIA (surpresa): - Rosana?!

ROSANA (ri, cínica): - Silvinha, grande amiga! Feliz em me ver?

SÍLVIA: - Nova York talvez não tenha feito tão bem pra você. Continua a mesma cínica de sempre.

ROSANA: - Isso é jeito de falar com sua melhor amiga? 

Rosana vai entrando na casa, coloca sua bolsa no sofá. 

SÍLVIA: - O que você está fazendo aqui?

ROSANA: - Vim cobrar os favores que eu te fiz.

SÍLVIA: - Favores?

ROSANA: - Sim, os favores. Mas nada caro não. Primeiro, só quero saber onde vai ser o meu quarto. Vou passar uns dias aqui.

SÍLVIA (incrédula): - Como é que é?! Mas é claro que não vai!

ROSANA: - Se eu fosse você, eu deixava... Senão...

SÍLVIA (segura Rosana): - Senão o quê, sua falsa?! 
 

As duas ficam a se encarar. Rosana com um sorriso cínico no rosto.


 

 


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