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Passos da Paixão - Capítulo 07

Novela de Édy Dutra
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PASSOS DA PAIXÃO - CAPÍTULO 07

 
 
 
 
 
 
NO CAPÍTULO ANTERIOR:
 

ESTÉR: - Minha mãe não está em casa, saiu com a minha cunhada. Meu pai e meu irmão estão trabalhando. Teremos a tarde toda pra gente.

Estér abraça a mulher carinhosamente. Maria Helena fica perplexa ao ver a cena e se aproxima das duas, que nem percebem a chegada dela.

Maria Helena surpreende Estér, separando o abraço dela com a outra moça.

ESTÉR: - Mãe?!

Maria Helena, visivelmente furiosa, dá um tapa no rosto de Estér. A outra moça fica chocada. Estér leva a mão ao rosto, encara a mãe.

MARIA HELENA: - Que aberração foi essa que eu acabei de ver aqui?

As duas ficam a se encarar.

...

MAURO: - Prazer, Marília! Estamos aqui analisando a possibilidade de você ser a nossa garota-propaganda no próximo lançamento da marca.

MARÍLIA: - Nossa, que incrível. Se isso se confirmar, será uma honra para mim!

MAURO: - Você é realmente muito bonita, ainda mais pessoalmente... O que achou, Rosana, da moça para estampar as suas criações?

ROSANA: - Sinceramente?

MAURO: - Claro, dê sua opinião.

ROSANA: - Não sei se as minhas roupas combinam com ela.

Silêncio na sala. Marília se mostra surpresa, assim como os outros diretores, inclusive Mauro. Rosana fica a encarar Marília, com “ar” superior.

 

 

 

 

CENA 01. ESCRITÓRIO GF. SALA DE REUNIÕES. INT. DIA. 

Continuação do capítulo anterior. Rosana encara Marília.

ROSANA: - Eu não sei se ela combina com a nossa nova coleção.

MAURO: - Desculpa, Rosana, mas uma modelo do porte da Marília é tudo o que a Gonzales Fashion precisa!

GILSON: - Eu concordo com o Mauro. A Marília está fortalecendo o seu nome e consequentemente, o nome da GF.

ROSANA: - Eu sei gente, mas sei lá... Marília, querida, quero que saiba que não é nada pessoal não. Mas você me parece tão jovenzinha, sabe?

MARÍLIA: - É, eu tenho apenas vinte anos.

ROSANA: - Veja bem, vinte anos e já brilhando nas passarelas. Mas acontece que a coleção que eu estou elaborando para a GF é para mulheres um pouco mais maduras, você me entende?

MAURO: - É mesmo?

ROSANA (fingindo propriedade no assunto): - É, Mauro. Acredito que não ficaria, como eu posso dizer, adequado à propaganda da marca, uma menininha vestindo roupas de mulheres já formadas. E creio que nem essas mulheres vão se ver em roupas usadas por uma mocinha. É a minha opinião.

Mauro e Gilson trocam olhares. Marília se mostra um tanto chateada.

GILSON: - Pensando por esse lado, Rosana tem um pouco de razão.

ROSANA: - um pouco? Tenho certeza. Eu mesma não compraria roupas de menininhas.

MARÍLIA: - Bom, então quer dizer que a parceria não vai rolar...?

MAURO: - Eu agradeço muito a sua disposição, Marília, mas desta vez a gente não vai poder firmar a parceria.

MARÍLIA: - Tudo bem... Eu é que agradeço por vocês terem ao menos lembrado de mim.

Marília cumprimenta Mauro, Gilson. Se aproxima de Rosana e lhe estende a mão. Rosana a encara por um tempo, em seguida, estende a mão para Marília.

ROSANA: - Não fica triste, querida. A vida é assim mesmo.

MARÍLIA: - Eu sei. Não foi o primeiro e nem será o último não que eu recebo. Mas eu não desisto. Nunca.

Marília se despede dos outros e vai embora. Rosana fica a observá-la.

CENA 02. MANSÃO LINHARES. EXT / INT. DIA.

Maria Helena e Estér discutem.

ESTÉR: - Como a senhora ousa me bater assim?

MARIA HELENA: - E como você ousa cometer um absurdo desse?! Eu não esperava que você fosse capaz dessa... Dessa nojeira toda!

ESTÉR: - Não sabia que amar alguém era nojento, mamãe.

MARIA HELENA: - Amar não é nojento, Estér, desde que seja um amor decente e não uma promiscuidade como essa que eu acabei de ver aqui...

A outra moça observa assustada a discussão. Maria Helena a encara.

MARIA HELENA: - E você, vagabunda. Saia daqui antes que eu chame a polícia!

ESTÉR: - Não fala assim com ela.

A moça sai correndo, assustada.

MARIA HELENA (pega Estér pelo braço): - E você, sua desnaturada, entra logo pra dentro de casa.

Maria Helena vai puxando Estér pelo braço para dentro da mansão. As duas entram, seguem direto para a sala de estar, onde Maria Helena empurra Estér, que cai no sofá.

ESTÉR: - O que você vai fazer agora? Me bater de novo? Me dar uma surra de cinta, como você fazia quando eu era criança?

MARIA HELENA: - Vontade não me falta, Estér! Você não me provoque!

ESTÉR: - Que papel ridículo você fez hoje, mãe! Ridículo!

MARIA HELENA: - Eu vou falar com o seu pai sobre isso quando ele chegar da empresa. Alguma coisa terá que ser feita. Você não pode continuar com essa promiscuidade pelas ruas, jogando o nome da nossa família no lixo, na lama!

ESTÉR: - Ah, então é isso! Você está preocupada com o nome da família e não com a felicidade da sua filha... Aliás, mãe, a minha felicidade nunca esteve na sua lista de preocupações, não é?

MARIA HELENA: - Se você fosse mesmo a minha filha, sangue do meu sangue, talvez eu me preocupasse um pouco mais com você e não com os problemas que você me causa.

Maria Helena se retira, firme. Estér, começa a chorar no sofá, chocada com os dizeres de Maria Helena.

CENA 03. EMPRESA G&B ESPORTES. SALA BRUNO. INT. DIA.

Bruno trabalha em sua mesa, quando Gustavo entra na sala, trazendo uns papéis.

GUSTAVO: - Fala, Bruno, beleza?

BRUNO: - Tudo tranquilo...

GUSTAVO: - Aqui está o relatório da pesquisa sobre a nova linha de roupa pra ginástica. Acho que o pessoal gostou. Dá uma olhada pra mim, vê o que precisa ajustar e manda pro marketing. Ah, marca uma reunião com aqueles empresários argentinos. Acho que podemos expandir a marca pra lá.

BRUNO: - Tá certo... E aí, como foi o jantar com a Marília?

GUSTAVO: - Foi ótimo... Você poderia ter ficado ali com a gente.

BRUNO: - Segurando vela? Obrigado... (risos) Mas eu vi de longe, que você e a Marília estão se dando bem.

GUSTAVO: - É a mulher que eu escolhi pra casar!... Bom, vou indo nessa, tenho mais coisas pra resolver.

Gustavo sai. Bruno fica pensativo.

BRUNO: - Eu também tinha escolhido a Marília para casar, Gustavo... Eu também...

CENA 04. BAR DO NOEL. INT. DIA.

O bar está com bom movimento, as pessoas estão almoçando no local. Numa das mesas, Almir traz o almoço de Sílvia, que está sentada sozinha.

ALMIR: - Almoçando fora hoje então?

SILVIA: - Às vezes é bom, Almir. E outra, a comida aqui do bar é ótima!

ALMIR: - Que bom! Então, bom apetite! Qualquer coisa, só chamar!

Almir se retira. Sílvia começa a almoçar, quando alguém para em sua frente. Ela olha. É Laerte.

LAERTE: - Posso sentar?

SÍLVIA: - Claro, Laerte.

LAERTE (sentando-se): - Não atrapalho, não é?

SILVIA: - Nem um pouco. Vai comer também?

LAERTE: - Não. Na verdade, eu estava de passagem, vi você... Resolvi chegar pra saber como você está.

SÍLVIA: - Eu estou bem...

Silêncio entre os dois.

LAERTE: - Não vai me perguntar do Júlio?

SÍLVIA: - Por que eu perguntaria?

LAERTE: - Eu acho que eu não preciso responder essa pergunta.

Os dois trocam olhares cúmplices.

SÍLVIA: - Eu encontrei com ele hoje de manhã, quando voltava do mercado. Até que ele estava bem vestido.

LAERTE: - Ele me disse que ia batalhar por um emprego.

SÍLVIA: - É sério? Resolveu tomar jeito na vida?

LAERTE: - Saiu determinado.

SÍLVIA: - Espero que ele consiga. Me dói ver o Júlio vivendo sem rumo, sabe?

LAERTE: - E eu fico impressionado com o tamanho do seu coração, Silvinha. Se fosse outra pessoa já teria desistido dele faz tempo.

SÍLVIA: - Difícil desistir quando se gosta de alguém. Ou melhor, quando se ama.

Silêncio novamente.

LAERTE: - Eu vou deixar você comer em paz. Nos falamos.

SÍLVIA: - Até logo. E obrigada pela notícia.

Laerte sorri, carinhoso e vai embora. Sílvia fica pensativa.

CENA 05. SINE. EXT / INT. DIA.

(fade in “Codinome Beija-Flor” – Luiz Melodia) Júlio caminha pela rua até chegar ao prédio do SINE (Sistema Nacional de Emprego). Ele para em frente ao prédio, observa, toma coragem e entra. / Mostra Júlio sentado na cadeira, com uma fichinha na mão, aguardando ser chamado pela atendente. (fade out “Codinome Beija-Flor” – Luiz Melodia)

CENA 06. APTO MAURO. INT. DIA.

Mauro e Rosana entram num grande apartamento, com decoração que mistura modernidade (mesas e poltronas com detalhes em metal) com antiguidades (sofá em estilo barroco e pequenas esculturas clássicas).

ROSANA: - Eu pensei que você morasse com a sua mãe...

MAURO: - Mas eu moro com ela. Tenho esse apartamento já faz um tempinho. É pra eu ter o meu momento de privacidade, de pensamento... (vai até a cozinha)

ROSANA: - Pensamento sei... E no que você fica pensando? (senta-se no sofá)

Mauro volta da cozinha trazendo duas taças de vinho. Entrega uma para Rosana e senta-se ao lado dela no sofá.

MAURO: - Eu penso... Em tudo! Na minha vida, no trabalho, na família...

ROSANA: - Em amor? Você não pensa no amor? (bebe um gole do vinho)

(sobe trilha “Cuidando de Você” – Luiz Melodia)

MAURO: - Penso sim... (bebe um gole) Mas, melhor do que simplesmente pensar nele, é estar com ele. Como eu estou agora.

ROSANA: - Nossa! Essa foi profunda... (ri, deixa a taça na mesa de centro) Eu adorei a sua companhia, desde a reunião, passando pelo almoço e agora aqui, no seu cantinho. Obrigada.

MAURO: - Eu é que agradeço por você estar comigo...

Rosana pega a taça de Mauro, coloca na mesa também. Ela o encara, sedutora e o beija. Mauro se deixa levar. Os beijos são quentes, calorosos. Rosana abre a camisa de Mauro, enquanto ele alisa o corpo dela. Os dois, aos abraços, se deitam no sofá.

(fade out trilha “Cuidando de Você” - Luiz Melodia)

CENA 07. CASA MAURO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Leocádia está sentada no sofá, lendo um livro, enquanto Celeste brinca com algumas bonecas no chão da sala. Celeste tem em mãos um pente e se penteia por diversas vezes. Leocádia para de ler o livro e acha graça.

LEOCÁDIA: - Está brincando de salão de beleza, filha?

CELESTE: - Não, mamãe.

LEOCÁDIA: - E porque então você se penteia tanto?

CELESTE: - É para que a minha boneca tenha sorte na escola. Ela tem provinha...

Leocádia ri, enquanto Celeste penteia os cabelos sem parar.

CENA 08. PETRÓPOLIS / CASA LINHARES. EXT. DIA

Imagens das paisagens naturais da cidade de Petrópolis, serra fluminense. Corta para uma mansão com um vasto jardim. (sobe trilha “Love You I Do” – Jennifer Hudson) Sandra e Raquel caminham pelo local. Sandra com uma agenda em mãos, fazendo anotações.

SANDRA: - Então nós vamos ficar com as rosas champanhe na decoração?

RAQUEL: - Não, Sandra. Eu quero tulipas amarelas.

SANDRA: - Mas, a Maria Helena tinha escolhido as rosas e...

RAQUEL (interrompe): - Mas o casamento é meu e não da Maria Helena. E eu quero tulipas amarelas e não rosas champanhe. Ok?

SANDRA: - Raquel, vai mesmo fazer essa afronta?

RAQUEL: - Não é afronta, é apenas uma escolha. E já que Maria Helena não está aqui para decidir, a palavra final é minha.

(fade in trilha “Love You I Do” – Jennifer Hudson)

CENA 09. TRANSIÇÃO DO TEMPO. ANOITECER / APTO MAURO. INT. NOITE.

Imagens do Rio de Janeiro ao anoitecer. Corta para a sala do apto de Mauro. (fade out trilha cena anterior) Rosana e Mauro, seminus, deitados no chão da sala. Ela recostada sobre o peito dele.

ROSANA: - Fazer amor com você é a melhor coisa que eu já fiz em toda minha vida!... (cai em si) Mauro, desculpa! Não quero que pense que sou uma vadia, ou...

MAURO: - Calma, Rosana! Eu não pensei nada! (risos) E não tem mal nenhum em dizer que gostou. Eu também gostei. Você é ótima, linda... Estou gostando desse nosso momento.

ROSANA (levanta-se, começa a se vestir): - É, mas daí eu me perco nas horas e agora já é tarde!

MAURO (veste-se também): - Não se preocupa que eu levo você pra casa... Rosana, uma pergunta.

ROSANA: - Diga.

MAURO: - A justificativa que você deu para não escolher a Marília como nossa garota-propaganda foi verdadeira? Era só pelo fato dela ser nova, é isso?

ROSANA (apreensiva): - Mas é claro, Mauro! Não há outra justificativa...

MAURO: - Mas eu queria tanto que ela estampasse a nossa marca... E eu estive pensando e acho que você pode fazer uma coleção nova.

ROSANA (surpresa): - Eu?! Outra coleção?!

MAURO: - É! Algo que misture juventude com maturidade, que sirva para mulheres jovens e mais velhas... A GF precisa ser plural!

ROSANA: - Olha Mauro, eu (pausa)

MAURO: - Pra amanhã! Topa?

ROSANA: - Amanhã?!

MAURO: - Claro. Amanhã mesmo. Na reunião da tarde. Quero você lá com os novos desenhos... Vamos dar uma nova cara pra GF. Eu sei que você consegue.

Rosana se mostra um tanto aflita.

CENA 10. CASA LAERTE. INT. NOITE.

Júlio chega em casa. Laerte está assistindo TV. Júlio senta-se no sofá, cansado.

LAERTE: - E então?

JÚLIO: - Nada. Cada vez mais difícil arrumar emprego nesse país. Passei o dia inteiro correndo e nada.

LAERTE: - Calma, cara. Amanhã tenta de novo. Não pode é desistir.

JÚLIO: - É, eu sei...

LAERTE: - Quem ficou contente com o seu esforço foi a Silvinha.

JÚLIO: - Você falou pra ela? A Rosana tava junto?

LAERTE: - Esquece a Rosana, Júlio... A Silvinha, você precisava ver... Os olhos dela brilharam quando eu falei de você. Júlio, você precisa dar valor pra quem te ama de verdade.

JÚLIO: - A Silvinha é minha amiga apenas. Não dá pra sentir amor por uma amiga...

LAERTE: - Já por alguém que te despreza é mais fácil? Sinceramente, não entendo mais nada...

Júlio se levanta, vai saindo.

LAERTE: - Ei, aonde vai? A recém chegou!

JÚLIO: - Vou dar uma volta de moto. Preciso pensar...

CENA 11. MANSÃO LINHARES. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Fernando e Orestes chegam em casa.

ORESTES: - Dia cheio, hein, meu filho?

FERNANDO: - Bem produtivo, pai. Acredito que logo logo vamos expandir nossos negócios. A filial da empresa no Sul tem tudo para crescer ainda mais.

ORESTES: - Quero os nossos calçados em todo esse país!

Estér desce as escadas, com roupa de festa, mas sua expressão é entristecida. Fernando e Orestes se surpreendem.

ORESTES: - Minha filha, que carinha é essa?

ESTÉR: - Nada não, pai.

FERNANDO: - Como nada, Estér? Você está abatida...

ESTÉR: - Já disse que não foi nada... Eu vou sair, não precisa me esperar pro jantar.

Estér sai. Fernando e Orestes ficam sem entender. Maria Helena vem da cozinha para a sala.

ORESTES: - Maria Helena, o que aconteceu com a Estér? Vocês brigaram de novo?

MARIA HELENA: - Boa noite pra você também, Orestes. Como vai, Fernando?

FERNANDO: - Boa noite, mãe. Já chegaram de Petrópolis?

MARIA HELENA: - Não, eu não fui. Mas acredito que a Raquel e a Sandra devam estar chegando logo.

ORESTES: - Não vai me responder sobre a Estér, Maria Helena?

MARIA HELENA: - Fernando, eu e o seu pai precisamos ter uma conversa, portanto...

FERNANDO: - Claro, eu vou pro meu quarto.

Fernando sobe as escadas para o segundo andar. Maria Helena e Orestes sozinhos na sala.

ORESTES: - E então, o que houve?

MARIA HELENA: - Eu senti uma dor de cabeça terrível no apartamento da Sandra e decidi não ir para Petrópolis com elas. Eis que chegando de volta na nossa casa, a Estér de mãos dadas com uma vagabunda!

ORESTES: - Como?!

MARIA HELENA: - Isso mesmo que você ouviu. A sua filha andando com outra mulher! Você tem noção de quanto isso pode manchar a imagem da nossa família? Nossos negócios, Orestes!

ORESTES: - Calma!... Você conversou com ela sobre isso?

MARIA HELENA: - Conversei, claro. Coloquei ela no seu devido lugar e disse umas boas verdades... Eu juro que não sei como eu suportei tudo o que essa garota me fez. Não sei! A sua filha, Orestes, só me traz problemas!

ORESTES: - Nossa filha, Maria Helena!

MARIA HELENA (grita/firme): - Sua filha!

Orestes se cala. (sobe trilha “Marcas do Passado” – Alcione e Homero Ferreira)

MARIA HELENA: - Não sei onde eu estava com a cabeça em aceitar essa sua traição com a empregada.

ORESTES: - Estava com a cabeça no meu dinheiro e na fama que você conquistou se casando comigo. Ora, Maria Helena, se é para colocar os podres para fora, façamos isso agora!

MARIA HELENA: - Me chamando de interesseira?

ORESTES: - Não... Jamais! Apenas falei a verdade. Confesso meu erro, traí sim. E nada mais justo do que ficar com a criança depois que a mãe faleceu. Mas você poderia muito bem não aceitar e ir embora. Mas não, quis ficar. Por quê? Se compadeceu com a pobre criança ou ficou com pena de perder as viagens, as joias, as festas da alta sociedade?

MARIA HELENA: - Em resumo, a culpa de tudo isso, da sua filha ser uma pessoa vulgar, promiscua, é minha?! Ah, me poupe, Orestes!

ORESTES: - Eu só quero que você assuma uma postura de mãe, pelo menos uma vez na vida, com a Estér. Vai ver ela só precisa de orientação.

MARIA HELENA: - Ela precisa é de um choque de realidade. Essa vida que ela leva não vai dar em nada. E vai acabar nos prejudicando ainda... Você vai ver.

(fade out trilha “Marcas do Passado” – Alcione e Homero Ferreira)

Maria Helena se retira. Orestes fica pensativo.

CENA 12. CASA MARÍLIA. INT. NOITE.

Marília, Amália e Ilza na sala, conversando.

ILZA: - Então a moça não escolheu você só por causa da idade, minha filha?

AMÁLIA: - Mas é óbvio que não foi só por isso, né?

ILZA: - E seria por causa de quê então?

AMÁLIA: - Ai mamãe, como a senhora é ingênua! A GF é uma marca para brancos. Já viu alguma negra usando GF? Não. Os negros usam CarioLinda, daquela tal de Tereza... Que por sinal é brega.

MARÍLIA: - Eu não acredito que seja por eu ser negra, Amália. Os demais diretores todos gostaram de mim, admiram o meu trabalho.

AMÁLIA: - Não admiram o suficiente para você ser a escolhida.

De repente, Amália sente uma fisgada na barriga.

AMÁLIA: - Ai!

ILZA: - O que foi filha?

AMÁLIA: - Mãe, a bolsa estourou!... Meu filho vai nascer!

MARÍLIA: - Gente, vamos pro hospital!

AMÁLIA: - Eu não posso ir a pé!

ILZA: - A gente pega um táxi na rua, vamos!

CENA 13. BOATE GLAMOURIO. INT. NOITE.

A boate já está com bom movimento. As pessoas dançando na pista, se divertindo.(sobe trilha “World hold on” – Bob Sinclair) Estér está sentada em uma mesa, sozinha, tomando um coquetel. Um homem magro, cabelos cacheados, escuros, trajando calça e blazer, se aproxima dela. (fade out trilha “World hold on” – Bob Sinclair)

HOMEM: - Posso sentar?

ESTÉR: - Claro, Walter.

WALTER (sentando-se): - Que cara é essa, Estér?! Não gosto de ver você assim, menina!

ESTÉR: - Tive uma briga séria com a Maria Helena.

WALTER: - Ih, já vi tudo... Não precisa nem continuar. É melhor beber mesmo pra esquecer.

ESTÉR: - E você, não vai colocar a Waleska pra sacudir no palco?

WALTER: - Não, hoje dei um descanso... Cansa ficar de salto alto a noite inteira, sabia?

Os dois riem. Enquanto isso, na porta da boate, Ivan vai entrando no local, um tanto acanhado. Ele observa o ambiente, as pessoas. Vê casais héteros, homo, as mais diversas tribos.

IVAN: - Então assim é a GlamouRio...

Da mesa, Walter vê Ivan.

WALTER: - Estér tem gente nova no pedaço...

ESTÉR: - É mesmo?

WALTER: - Volto logo amiga.

Walter caminha por entre as pessoas e chega até Ivan.

WALTER: - Não precisa se assustar, aqui é todo mundo da paz.

IVAN: - Não estou assustado não.

WALTER: - Geralmente quem é novo aqui, tem a mesma reação que você está tendo agora. (estende a mão) Prazer, Walter.

IVAN (retribui o cumprimento): - Ivan.

Walter e Ivan trocam olhares.

CENA 14. CASA SÍLVIA. INT. NOITE.

Sílvia termina mais um desenho da coleção sobre o amor. Alguém bate à porta, Sílvia atende. Rosana entra apressada.

ROSANA: - Eu preciso dos desenhos.

SÍLVIA: - De novo, Rosana?

ROSANA: - Sim, de novo! Caso de vida ou morte. Eu quero aqueles da sua coleção nova.

SÍLVIA: - Não, Rosana, aqueles não... E eu nem tenho mais desenhos pra te mostrar.

ROSANA (grita): - Você precisa ter!

Sílvia se mostra surpresa com a atitude de Rosana, que percebe que se alterou e procura se acalmar.

ROSANA: - O Mauro mudou de ideia com relação ao novo estilo da marca e eu preciso mostrar os desenhos pra ele amanhã, Silvinha! E só aquela sua coleção pode me salvar! Ela é perfeita!

SÍLVIA: - Eu sei, Rosana, mas eu ainda nem terminei a coleção do amor. E tem mais, esses croquis eu não pretendo dar eles para ninguém.

ROSANA (finge-se polida): - Nem para mim, sua melhor amiga?

SÍLVIA: - Desculpa Rosana... Os desenhos são meus. Eu vou começar a investir nisso também.

ROSANA (ri, debochada): Vai investir é? Se enxerga, Silvinha... Você nem entende desse negócio de moda. É um mundo muito além do seu, querida. Sabe quanto custa um croqui deste?

SÍLVIA: - Não sei, mas posso me informar. Eu posso ir atrás!

ROSANA: - Enquanto você vai atrás, outros já estão lá com outros desenhos e faturando aquilo que você deixou de ganhar por lerdeza, falta de faro... Ou simplesmente, orgulho.

SÍLVIA: - Orgulho?

ROSANA: - Sim, orgulho. Você é orgulhosa, egoísta. Quer tudo pra si... Negando uma mão amiga.

Silêncio na sala. Sílvia vai até o quarto, retorna trazendo alguns desenhos e entrega para Rosana.

ROSANA (esperançosa): São os desenhos da coleção?!

SÍLVIA: - Não, mas são os melhores que eu tenho agora, prontos. Pode pegar. Mas por favor, saiba que é a última vez.

Rosana pega os desenhos, a contragosto. Seus olhos não saem da mesa, onde alguns croquis da coleção sobre o amor estão na mesa.

SÍLVIA: - Eu já te ajudei e bastante, Rosana, pra quem é tão egoísta como você está dizendo. E o que eu recebi em troca? Nada! Apenas uma traição! Você me roubando e me extorquindo.

ROSANA: - Roubando?!

SILVIA: - Mas agora chega! Vai embora daqui.

ROSANA: - Está me expulsando?

SÍLVIA: - Eu não quero ficar ainda mais chateada com você, Rosana. A dor que eu estou sentindo é muito forte. Nunca esperava isso de você... Vai embora! Agora!

Rosana, visivelmente irritada, pega sua bolsa e vai saindo. De repente, se vira.

ROSANA: - Eu falei com o Júlio. Hoje mesmo.

Sílvia se mostra surpresa.

SÍLVIA (surpresa): - Falou?!

ROSANA: - Ele quer um encontro com você, amanhã à noite, na rua do galpão abandonado.

SÍLVIA: - Mas lá é tão deserto! Por que naquele lugar?

ROSANA: - Sei lá... Vai ver ele quer um encontro a sós, sem ninguém pra atrapalhar.

Sílvia se mostra esperançosa.

ROSANA: - Pra você ver como eu não sou tão egoísta.

Rosana sai. Sílvia fica pensativa. Do lado de fora, Rosana olha os desenhos com desdém.

ROSANA: - Porcaria... eu preciso daquela coleção!...  (ri, debochada) Encontro na rua do galpão. Vai lá, Silvinha. Vai lá pra ver o que te acontece. Fica me dando migalhas, mas vai ter coisa pior. Não sou mulher de migalhas... (firme) Não sou!

CENA 15. HOSPITAL. SALA DE ESPERA / SALA CIRURGIA. INT. NOITE.

Marília e Ilza estão sentadas num sofá na sala de espera do hospital. O ambiente é bem movimentado, tanto de pacientes quanto de funcionários. Marília e Ilza de mãos dadas, esperançosas. De repente, Gustavo chega ao local. Marília o abraça.

GUSTAVO: - E então?

MARÍLIA: - Ela está lá na sala de cirurgia. Ela tava sentindo muitas dores no meio do caminho.

ILZA: - Coitadinha, chorava muito.

GUSTAVO: - Calma, não há de ser nada. Vai ficar tudo bem.

Enquanto isso, na sala de cirurgia, Amália está deitada na cama, enquanto os médicos realizam o parto por cesariana. CAM foca no rosto de Amália, sempre sério, os olhos inchados por causa do choro. Silêncio na sala. Ouve-se o choro de um bebê. CAM continua focada no rosto de Amália, que se mostra impassível. Abre plano.

O médico, alto, de luvas, touca e máscara, coloca o bebê recém nascido, que chora, sobre o colo de Amália, que o observa sem demonstrar nenhuma reação.

MÉDICO: - Parabéns, mãe! É um belo menino e aparentemente saudável. Já tem nome?

Amália observa o bebê, que aos poucos para de chorar. Amália vira o rosto para o outro lado, não vendo a criança.

AMÁLIA: - Pedro.

MÉDICO: - Bonito nome.

O médico pega o bebê, enquanto os outros seguem finalizando o parto. Amália em nenhum momento esboça emoção.

Enquanto isso, em frente ao berçário da maternidade, Ilza, Marília e Gustavo observam emocionados, o pequeno Pedro no berço.

CENA 16. MANSÃO LINHARES. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Raquel, Fernando, Valquíria e Maria Helena sentados na sala de estar, conversando.

VALQUÍRIA: - Fala Raquel, como foi lá em Petrópolis? Já definiu todos os detalhes deste casório do século? (ri)

RAQUEL: - Já sim, Val. Agora só falta as provas do vestido.

MARIA HELENA: - E as flores da decoração, Raquel? Ficaram boas as rosas champanhe?

RAQUEL: - Ficaram sim, Maria Helena, mas eu optei por tulipas amarelas. Combinam mais comigo.

MARIA HELENA: - Mas eu havia escolhido as rosas... A Sandra não deveria ter alterado assim o projeto.

FERNANDO: - Mamãe, a Sandra só fez o que a Raquel pediu. Afinal, ela é a noiva, não é?

RAQUEL: - Exatamente. Não estou fazendo isso para contrariar o seu bom gosto, Maria Helena, mas eu queria mais a minha cara no meu casamento, entende?

MARIA HELENA (levanta-se do sofá): - entendi... Bem, faça como quiser.

Maria Helena sobe as escadas.

VALQUÍRIA: - Acho que ela não gostou...

FERNANDO: - Mamãe ta estranha desde que a gente chegou em casa. Alguma coisa aconteceu.

RAQUEL: - Ela já não estava bem desde manhã. Tanto é que nem foi para Petrópolis...

VALQUÍRIA: - Ai amiga, quando você for provar o vestido, eu quero ir junto!

FERNANDO: - Vai escolher um pra você também, Val?

VALQUÍRIA: - Ainda não, Fernando, mas o pretendente eu já tenho!

RAQUEL: - Pretendente? Como assim? (risos)

VALQUÍRIA: - O nome dele é Wesley e ele é um, digamos, artista das ruas! Gente, vocês precisam conhecer ele. E se der, eu gostaria de levá-lo ao casamento, como meu acompanhante.

FERNANDO: - Por mim, tudo ok.

RAQUEL: - se você está feliz com ele, pode levar sim.

VALQUÍRIA: - Vocês vão adorar!

Valquíria segue conversando animada com Fernando e Raquel.

CENA 17. RUA. EXT. NOITE.

Rosana caminha apressada pela rua, quase deserta. Há prédios e casas abandonados. Longe, atrás dela, Júlio para de moto.

JÚLIO: - Aquela lá é a Rosana... O que ela ta fazendo por aqui? É perigosa demais essa região...

CENA 18. RESTAURANTE PRATO CHEIO. INT. NOITE.

Durval conversa com alguns clientes em uma das mesas do restaurante, quando vê Tereza chegar ao local. Ele pede licença aos clientes e vai ao encontro da amiga.

DURVAL: - Tereza! Como vai?

TEREZA: - Tudo bem, Durval, e você?

DURVAL: - Ótimo! Feliz em ver você aqui novamente.

TEREZA: - Obrigada, querido! Eu é que não posso deixar de frequentar lugares bons assim como o seu restaurante.

Tereza tenta forçar uma alegria, mas Durval percebe.

DURVAL: - O que aconteceu, Tereza? Pode se abrir comigo...

TEREZA (cochicha): - Acontece que eu não tenho grana aqui... Posso comer fiado?

Durval acha graça.

TEREZA: - Durval, não ria!... Minha situação ta crítica! Não sei mais o que faço! Mas eu não posso deixar de ser vista pela alta sociedade! Senão minha queda vai ser cada vez mais rápida!

DURVAL: - Tá certo, Tereza, pode pedir o que quiser. Será por minha conta.

TEREZA: - Obrigada, amigo! Obrigada mesmo! Ah, eu vou querer lula ao molho especial, uma porção de camarão grelhados, arroz à grega, salada verde e champanhe. O melhor que você tiver.

DURVAL: - Pra quem está na pindaíba, até que você sabe escolher bem...

TEREZA: - O bom gosto será uma coisa que eu nunca perderei, Durval.

Os dois riem.

CENA 19. BECO. EXT. NOITE.

Rosana entra num beco e encontra dois homens, aparência rude. Um alto, forte, moreno, com tatuagens. Outro mais magro, loiro, cabelos compridos e uma cicatriz no rosto.

ROSANA: - Ela vai vir aqui amanhã, à noite. Essa mulher aqui.

Rosana entrega uma foto de Sílvia para um dos rapazes.

RAPAZ LOIRO: - E o que a gente faz com ela?

ROSANA: - Nada demais não... Só um susto. Mas eu quero que o serviço seja bem, feito, ok?

RAPAZ MORENO: - E o pagamento?

Rosana tira umas notas da bolsa e entrega para os rapazes.

ROSANA: - Depois vem mais, não se preocupem. Ah, você não me viram aqui, ok?

RAPAZ MORENO: - Tá certo.

ROSANA: - E só mais um recado... Pode dizer pra vítima, que quem armou tudo isso foi o Júlio... Ela sabe quem é.

RAPAZ MORENO: - A senhora ta com gana dessa moça hein?

ROSANA: - Isso é pra ela aprender que eu não vivo de migalhas. O meu valor é alto e ela vai aprender a me tratar como mereço.

Rosana sorri, maléfica e vai embora. Na saída do beco, é abordada por Júlio.

ROSANA (surpresa): - Júlio?!

JÚLIO: - O que você está fazendo aqui, Rosana? Quem eram aqueles caras?


Rosana se mostra um tanto apreensiva diante da pressão de Júlio.

 



autor:
Édy Dutra

elenco:
Malu Galli como Sílvia
Eduardo Lago como Júlio
Bruna Lombardi como Rosana
Domingos Montagner como Mauro
Marcello Antony como Fernando
Isabel Fillardis como Marília
Maria Fernanda Cândido como Raquel
Nill Marcondes como Bruno
Maria Luísa Mendonça como Valquíria
Adriana Garambone como Estér
Ana Lúcia Torre como Leocádia
Rafaela Mandelli como Celeste
Jonathan Haagensen como Vitinho
Maria Padilha como Sandra
Eduardo Galvão como Tarso
Erika Mader como Aline
Rafael Almeida como Talles
Paulo Figueiredo como Gilson
Denise Del Vecchio como Sophia
Iran Malfitano como André
Gabriela Durlo como Paula
Mário Gomes como Durval
Paulo Nigro como Guilherme
Luiza Tomé como Heloísa
Marcello Airoldi como Adônis
Gustavo Leão como Diogo
Lázaro Ramos como Ivan
Leonardo Vieira como Renato
Francisca Queiroz como Geórgia
Paulo Gorgulho como Laerte
Maria Ceiça como Tereza
Amanda Ritcher como Melissa
Bianca Comparato como Duda
Letícia Colin como Gaby
Luma Costa como Marcinha
Léa Garcia como Ilza
Valquíria Ribeiro como Amália
Antonio Pitanga como Cristóvão
Rocco Pitanga como Gustavo
Joana Foom como Janice
Roberto Bonfim como Alceu
Amandha Lee como Karina
Marcello Melo Jr. como Pedro
Gabriel Braga Nunes como Walter/Waleska
Guilherme Winter como Fábio
Lavínia Vlasak como Bia
Eva Wilma como Maria Helena
Othon Bastos como Orestes

participações especiais - 1ª fase
Maria Flor como Sílvia
Caio Blat como Júlio
Regiane Alves como Rosana
Rafael Cardoso como Laerte
Cauã Reymond como Fernando

Ana Sophia Folch como Raquel
Sophia Abrahão como Valquíria
Tainá Müller como Estér
Vergniaud Mendes como Adônis

Alex Gomes como Bruno
Caio Castro como Fábio
Élida Muniz como Marília
Quelynah como Amália
Darlan Cunha como Ivan
Armando Babaioff como Mauro

trilha sonora:
This Love - Marron Five (abertura)
Codinome Beija-Flor – Luiz Melodia
Love You I Do – Jennifer Hudson
Marcas do Passado – Alcione e Homero Ferreira
World hold on – Bob Sinclair

produção:
Bruno Olsen
Diogo de Castro
Joey Anderson



Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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