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HOT 3!

Estações da Vida - 1x25

Novela de Gabo Olsen e Diogo de Castro
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NO CAPÍTULO ANTERIOR DE "ESTAÇÕES DA VIDA":

Diego pega o saquinho que caiu da mochila e guarda.

DIEGO (nervoso): Não é da sua conta.

AMANDA: Ah, é? O Pato sabe que você anda mexendo com droga?

DIEGO: É melhor você parar de fazer perguntas.

AMANDA: Vai me ameaçar, querido?

DIEGO: Entenda como quiser.

...
 

GREGO: Tudo bem a gente sentar junto?

CAIO: Melhor não forçar a barra, Grego.

GREGO: Mas eu pensei que/

CAIO (bravo): Pensou o que, cara?

Eles param, tensão.

CAIO: O que você quer de mim?

GREGO: Nada. Esquece.

...
 

JULIANA: Quer dizer que os alunos envolvidos nos episódios do acampamento estão suspensos. Espero que compreendam que essa é uma medida disciplinar necessária para que episódios como estes não voltem a acontecer. Contamos com o apoio de todos vocês.

MIRTES: Mas por quanto tempo essa suspensão?

JULIANA: Pelo resto da  semana.

...
 

CAIO: Oi.

Grego observa ao redor.

MUSIC ON: (FLASHLIGHT - JESSIE J)

GREGO: É comigo?

CAIO: Claro. Eu vim me desculpar por hoje de manhã.

GREGO: Não precisa. Eu te entendo.

CAIO: É que tá bem complicado pra mim, sabe.

O atendente serve o suco a Caio.

GREGO: Pra mim também.

CAIO: Você também tem um pai que fica de marcação cerrada?

GREGO: Como assim?

CAIO: Ele quis saber se eu transei com a Paulinha no acampamento.

GREGO: Sério, cara? Não converso essas coisas com meu pai.

CAIO: Nem eu! Mas ele insiste!

GREGO: Que invasivo.

...

 

ANDRÉIA: To preocupada com a Lua. Ela tá tão empolgada com esse encontro.

RICARDO: E por que a preocupação?

ANDRÉIA: Não sei direito. Algo me diz que isso é uma roubada.

RICARDO: Onde eles marcaram?

ANDRÉIA: No shopping. 

RICARDO: Se você quiser, a gente pode ir junto.

ANDRÉIA: A gente já se ofereceu. Ela não quer.

RICARDO: Ela não precisa saber.

...
 

LUA: Chegou a hora, meninas! To tão ansiosa!

LARISSA: Eu também. Até parece que sou eu que vai se encontrar com o crush.

ANDRÉIA: Onde vocês marcaram mesmo?

LUA: No shopping. Desejem-me sorte.

Ela faz sinal para o primeiro táxi que aparece. O táxi para, Lua manda beijo e entra. O carro vai. Ricardo repete a ação de Lua parando outro carro. Entram no veículo, apressados.

LARISSA: Ué, pra onde é que cês vão? Ei!

O táxi já saiu.

LARISSA: Que pressa é essa, gente!

Larissa fica sem entender.

...
 

LUA (digita): Cadê você?

IAGO (mensagem): Fui no banheiro, mas meu tio está sentado em frente ao subway.

LUA (digita): Como ele está vestido?

Andréia e Ricardo observam Lua de longe.

IAGO (mensagem): Jaqueta de couro, camiseta xadrez, tem barba e óculos de sol.

Lua procura por alguém com essas caracterísitcas. Ele está mexendo no celular.

...

 

LUA: Oi.

O homem se vira, revelando seu rosto (50 anos, cabelos grisalhos).

LUA: Você que é o tio do Iago? (ele sorri) Ele me pediu pra fazer companhia enquanto não volta do banheiro. Tudo bem com você? 

IAGO: Melhor agora, gatinha.

LUA (estranha): Do que você me chamou?

IAGO: Gatinha. Não era assim que eu te chamava, ou melhor, o Iago te chamava?

LUA: Quem é você?

IAGO: Você já vai descobrir.

O homem mostra de dentro da jaqueta, uma arma. Lua fica apavorada.

 
     
     
     
     

CAPÍTULO 1x25 - CAPÍTULO ESPECIAL
 
     
   
 

 

participação especial:
Paulo Gorgulho como Iago

 

CENA 01. SHOPPING. PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO. INT. DIA

 

Continuação do capítulo anterior. CAM foca na arma dentro da jaqueta de Iago. Em Lua apreensiva.

 

IAGO: Gostou da surpresa, princesa? Eu estava ansioso por esse momento.

 

LUA (surpresa): Quer dizer que você é o Iago?

 

IAGO (sorrindo): Sim, sou eu.

 

Lua olha ao redor.

 

IAGO (sério): Nem pense em gritar. Você vai ficar em silêncio e fazer TUDO O QUE EU MANDAR. Estamos entendidos?

 

Lua balança a cabeça concordando.

 

IAGO: Presta atenção: nós vamos sair do shopping e dar uma volta. Você vai na frente seguindo as minhas orientações. Nem pense em me enganar, porque eu não estou pra brincadeira. Ok?

 

Lua o observa, guarda o celular no bolso.

 

IAGO: Lua, estou esperando sua resposta.

 

LUA (nervosa): Ok. (T) Posso fazer uma pergunta antes?

 

IAGO: Claro, princesa.

 

LUA: Porque você está fazendo isso?

 

IAGO: No caminho conversamos sobre isso. Agora, vamos. Tenho uma surpresa pra você.


Iago se levanta.

 

IAGO: Pode seguir em frente até a porta de saída. Não tente correr, ou eu atiro.

 

LUA: Vou fazer tudo o que você pedir.

 

IAGO: Assim que eu gosto. Vamos?

 

Lua caminha pelo shopping. Iago logo atrás. CAM procura por Andréia e Ricardo.

 

RICARDO: Onde será que eles estão indo?

 

Andréia: Não sei. É melhor eu avisar a alguém. Isso tudo tá muito estranho.

 

Andréia pega o celular.

 

RICARDO: Precisamos segui-los.

 

Andréia (com o celular no ouvido): Vamos. (T) Atende, Pato.

 

Ricardo e Andréia vão atrás deles.

 

CENA 02. SEVEN NIGTH. INT. DIA.

 

Celo mexe no computador. Estela anotando alguns pedidos. Nanda sentada distraída no celular. Estela se aproxima da filha.

 

ESTELA: Nanda?

 

Nanda não responde.

 

ESTELA: Fernandaaaa.

 

Sem resposta, Estela retira o fone do ouvido da filha.

 

NANDA: Mãe?

 

ESTELA: Mãe, digo eu. Não está me ouvindo?

 

NANDA (rindo): Não, né, mãe. Eu estava com fone.

 

ESTELA: Não estou achando graça.

 

NANDA: Creeedo. Que estresse é esse? Você não é assim!

 

ESTELA: Não acha que temos motivo pra isso, Fernanda?

 

NANDA: Se é por causa do acampamento, você está sendo injusta. Eu não aprontei nada.

 

ESTELA: Então porque levou suspensão?

 

NANDA: Porque o Pato, o Diego, o Ismael são uns imbecis.

 

ESTELA (coloca a mão no rosto surpresa): Nossa, eu to passada. Nunca vi você falando assim dos seus amigos.

 

NANDA: Eles não são meus amigos.

 

ESTELA: Como não? Vocês estudam juntos desde o fundamental! Menos esse Ismael, eu conheço?

 

NANDA: Nem vai querer conhecer. Ele, assim como os outros dois são os culpados pela nossa suspensão.

 

ESTELA: É nesse assunto que eu quero chegar.

 

CELO: Verdade.

 

NANDA: O que estão querendo falar?

 

CELO: Você está de castigo.

 

NANDA: Tá de brinks, né?

 

ESTELA: Nem sonhando. A parada é sinistra, mocinha. Vai ter consequências.

 

NANDA: Eu não acredito.

 

CELO: Pois acredite. Se liga no que vem por aí.

 

ESTELA: Eu e seu pai decidimos que/

 

CELO: Já que você não terá aula, vai trabalhar em tempo integral na lanchonete.

 

NANDA: Ahhhh não.

 

CELO: ‘Anão’ é uma pessoa pequena! O serviço é barra pesada.

 

ESTELA: Exatamenteeee. Essa semana o circo vai pegar fogo.

 

Em Nanda insatisfeita.

 

CELO: O celular.

 

NANDA: O que tem?

 

CELO: Na hora do trabalho você me entrega ele. Quero concentração no trabalho.

 

Uma pessoa entra no local e se encaminha para uma mesa.

 

ESTELA: Olha lá, filha. Seu primeiro cliente!

 

NANDA: Exploração de menores é crime viu.

 

ESTELA (debocha): Tadinha dela, Celo. Está sendo explorada.

 

CELO: Oh, meu Deus! Denuncia a gente, querida!

 

Estela entrega um caderninho de anotação a ela. Celo entrega um avental. Nanda bufa.

 

CELO: Quero atendimento de excelência. Vamos.

 

Nanda vai em direção ao cliente.

 

CENA 03. CASA PAULINHA. QUARTO DELA. INT. DIA.

 

Paulinha deitada mexendo no celular. Mirtes bate na porta e abre em seguida.

 

MIRTES: Posso?

 

PAULINHA: Claro.

 

Mirtes entra, fecha a porta, senta a beira da cama da filha.

 

MIRTES: Acho que precisamos ter uma conversa né.

 

PAULINHA: Se for sobre a suspensão eu já aviso que achei ótimo. Precisava mesmo ficar longe daqueles traidores.

 

MIRTES: De quem você está falando?

 

PAULINHA: Nada não. Uma situação chata que aconteceu na escola, mas deixa pra lá.

 

MIRTES: Tem certeza? Se quiser desabafar eu to aqui.

 

PAULINHA: Eu sei que posso contar com você. Mas acho que dou conta disso sozinha.

 

MIRTES: Você que sabe. O que me traz aqui é outra pessoa. Já parou pra pensar, no que seu pai vai falar quando descobrir que você foi suspensa?

 

PAULINHA: Não me importo com o que ele vai pensar.

 

MIRTES: Não fale assim. Ele é seu pai.

 

PAULINHA: Ele pode ter sido o doador dos espermatozóides, mas pai ele nunca foi!

 

MIRTES (firme): Não fale assim, Paulinha. O Rubens tem o jeito dele, mas ele sempre nos deu o melhor.

 

PAULINHA: Menos o mais importante né?

 

Mirtes não sabe o que responder.

 

PAULINHA: No fundo você sabe que eu tenho razão, mãe. Ele sempre age de maneira fria e não é só comigo. Você também é vítima desse relacionamento abusivo.

 

MIRTES: Você está exagerando.

 

PAULINHA: Não to. Não é possível que você ache isso normal.

 

MIRTES: O Rubens passou por muita coisa na vida, filha.

 

PAULINHA: Sabe o que eu não entendo? Você não precisa passar por isso. A gente não precisa passar por isso, mãe. Você é uma mulher bem-sucedida, tem seu próprio negócio, não depende dele pra nada! Por que ainda não saímos dessa casa?

 

MIRTES: O que você está sugerindo?

 

PAULINHA: Que você se separe do papai!

 

Em Mirtes, impactada.

 

CENA 04. MANSÃO PATO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

 

Pato sentado no sofá com cara de poucos amigos. Leonardo anda de um lado para o outro, impaciente. Kátia mais contida observa a cena.

 

LEONARDO: Mais uma vez você me causa problemas. Você não se cansa, Patrício? Quando você vai crescer, rapaz?

 

PATO: A Vanice mereceu as brincadeiras.

 

LEONARDO: Mereceu? Onde você queria chegar? E a bebida alcoólica? Você é muito inconsequente.

 

PATO: Vai me dizer que você nunca bebeu escondido dos seus pais?

 

LEONARDO: Não estamos falando de mim. Estamos falando de você.

 

PATO: Claro que estamos. O errado é sempre o adolescente inconsequente aqui né? Você é o senhor perfeito. Nunca erra!

 

KÁTIA: A Lua nunca nos trouxe problemas.

 

PATO: Você não vai me envenenar contra minha irmã, sua bruxa!

 

LEONARDO: Respeite a minha mulher, seu moleque.

 

PATO: Vocês se merecem sabia?

 

LEONARDO: Eu juro que tentei de todas as formas me aproximar de você, Patrício, estabelecer uma relação saudável, mas você não colabora.

 

PATO: Tá, tá bom. Já acabou o sermão? E aí, qual vai ser sentença dessa vez?

 

LEONARDO: Não me faz perder a paciência contigo.

 

TOCA um celular. Patrício se apressa em atender.

 

PATO: Andréia? Calma, fala devagar. Que? No shopping? Tá bom, obrigado por avisar.

 

LEONARDO: Aconteceu alguma coisa?

 

PATO: Parece que a Lua se meteu numa roubada.

 

KÁTIA (nervosa): O que? 

 

LEONARDO: Quem era no telefone?

 

PATO: Era a melhor amiga da Lua. Hoje ela ia se encontrar com o tal paquera da internet, mas a Andréia disse que o cara que tava lá não era como se descrevia.

 

KÁTIA: Então era por isso que ela não largava daquele celular!

 

LEONARDO: Minha filha pode estar nas mãos de um pedófilo!

 

KÁTIA: Ai, meu Deus.

 

PATO: Vou atrás dela.

 

LEONARDO: Eu vou com você.

 

KÁTIA: Eu também vou.

 

LEONARDO: Não, Kátia. É melhor você ficar e chamar a polícia.

 

Kátia concorda. Eles se apressam em sair. Kátia corre para o telefone fixo, tensa.

 

CENA 05. CASA PAULINHA. QUARTO DELA. INT. DIA.

 

Continuação da cena 03. Mirtes passa a mão nos cabelos, preocupada.

 

MIRTES: Eu não acredito no que você acabou de dizer.

 

PAULINHA: É tão difícil se imaginar longe dele?

 

MIRTES: Eu não imaginava que a relação de vocês fosse tão ruim a ponto de você querer se distanciar de seu próprio pai.

 

PAULINHA: Não estamos mais falando de mim, mãe.

 

MIRTES: Essa conversa tomou outro rumo.

 

PAULINHA: Eu não me lembro de ter visto o Rubens fazendo uma demostração de carinho sequer com você.

 

MIRTES: Não faz o estilo dele. Mas ele não é de todo ruim, filha.

 

PAULINHA: Você merece ser feliz.

 

MIRTES: Eu sou feliz.

 

PAULINHA: Com um marido que não reconhece o quão maravilhosa você é? Duvido!

 

MIRTES: Eu tenho você.

 

PAULINHA: Tá vendo? Por que você insiste nesse casamento falido?

 

MIRTES: Escuta aqui, mocinha. A adulta responsável que dar conselhos aqui sou eu tá? Agora vamos parar com essa conversa que eu preciso ver com a Zuleica se o almoço já está pronto. Quanto a suspensão, espero que você reflita sobre suas atitudes.

 

PAULINHA: Sim senhora.

 

Mirtes levanta-se para sair. Paulinha volta a atenção ao celular.

 

CORTA PARA

 

CENA 06. QUARTO PAULINHA. EXT. DIA.

 

Mirtes fecha a porta e se encosta nela, respira fundo pensando nas palavras da filha.

 

CENA 07. CASA ISMAEL. SALA. INT. DIA.

 

Ambiente de classe média alta. Ismael e DJ entram e são recebidos pela empregada.

 

EMPREGADA: Olá, meninos. Como foi na escola hoje?

 

DJ: Normal.

 

ISMAEL: Tem comida na mesa, Judith? To verde de fome.

 

JUDITH: Tem uma surpresa pra vocês esperando na sala de jantar.

 

DJ e Ismael se olham curiosos.

 

CORTA PARA

 

CENA 08. SALA DE JANTAR. INT. DIA.

 

Ismael, DJ e Judith entram. Ao se depararem com um homem (55 anos?) alto, bem vestido, cabelo grisalho, os garotos correm para abraçá-lo.

 

DJ: Pai!

 

ISMAEL: Que surpresa é essa? Você não tava na Espanha?

 

HOMEM: Estava, mas consegui uma brecha na agenda para retornar. Não gostaram da surpresa?

 

DJ: Claro que a gente gostou.

 

HOMEM: Estão com fome?

 

ISMAEL: Sou capaz de comer um boi.

 

JUDITH: A mesa já está posta, senhor Abdias.

 

ABDIAS: Obrigada, Judith. Vamos lá?

 

Eles desfazem o abraço e vão se acomodando na mesa enquanto começam a se servir.

 

DJ: Nem acredito que você tá aqui, pai.

 

ABDIAS: Acredite. Não é ilusão de ótica.

 

ISMAEL: É que da última vez você disse que não tinha data para retornar.

 

ABDIAS: Felizmente consegui vir antes do previsto. Eu sei que tenho faltando com vocês, mas quero que saibam que faço tudo isso pra dar a melhor vida que vocês possam ter. É o meu trabalho.

 

DJ: A gente entende.

 

ISMAEL: É. Além do mais é dahora essa sensação de independência.

 

ABDIAS: Mas não se esqueçam que em minha ausência, a Judith é a responsável pela casa e por vocês.

DJ: Não tem como esquecer. Desde que a nossa mãe faleceu, por causa do câncer, a Judith sempre cuidou da gente como se fosse filho dela.

ISMAEL: A Judith é um anjo em nossas vidas.

JUDITH: Eu cuido de vocês desde pequenos e não faço mais do que minha obrigação.

ABDIAS: Obrigado, Judith por sempre cuidar dos meus filhos.

Judith sorri feliz com o elogio.

ABDIAS: E como estão na escola nova?

ISMAEL: O Dj tá a fim de uma menina da sala dele.
 

 

ABDIAS: Ah é, e essa garota, como ela é, Djalma?

 

DJ: É, DJ, pai! Por favor, DJ!

 

ABDIAS: Ok. Não está mais aqui quem falou. Vai me contar ou não como é essa garota?

 

DJ: Mó gata, pai. Parece uma princesa.

 

ISMAEL: Limpa aí essa baba, moleque.

 

DJ: Pena que não me dá bola.

 

ABDIAS: Não é por isso que você vai desistir, é? Um guerreiro nunca foge à luta. Ainda mais os guerreiros da família Montalvanne que não estão costumam perder uma batalha.

 

DJ: Eu não vou desistir.

 

ABDIAS: Assim que se fala. E você, Ismael? Alguma gatinha no pedaço?

 

ISMAEL: É. Tem uma mina sim, mas o caso é o mesmo do Dj. Não me dá moral, pelo contrário, tá com raiva de mim.

 

DJ: O Ismael foi um vacilão com a garota e agora tá chupando dedo. Até suspensa da escola a garota foi!

 

ISMAEL: Mas isso não foi culpa minha.

 

ABDIAS: Não entendi nada.

 

ISMAEL: Teve um acampamento na escola e aconteceram umas paradas aí envolvendo uma galera. Acabou que todo mundo que tava envolvido foi punido.

 

DJ: Menos você.

 

ISMAEL: Mas eu não tava envolvido.

 

DJ: Não diretamente né.

 

ISMAEL: Eu posso ter vacilado, mas não mais que aquele otário do Pato.

 

ABDIAS: E Pato deve ser o carinha que ela gosta.

 

ISMAEL: É. Mas não por muito tempo. Eu vou virar esse jogo.

 

ABDIAS: Esses são os meus garotos! Proponho um brinde a determinação de vocês.

 

DJ: E ao retorno do capitão Abdias!

 

ISMAEL: Issae.

 

Eles erguem as taças com suco e brindam, felizes.

 

CENA 09. CARRO IAGO. INT. DIA.

 

Iago dirige com Lua (nervosa) no banco do carona.

 

LUA: Pra onde ce tá me levando?

 

IAGO: Um lugar bem legal, ce vai gostar.

 

LUA: O que vai fazer comigo?

 

Iago ri de maneira maliciosa. Ele tira uma das mãos do volante e passa na perna de Lua tentando enfiar nas partes íntimas dela. No impulso Lua tira a mão dele, começa a chorar.

 

LUA: Eu quero descer!!! Para o carro!!!

 

IAGO: Agora que a brincadeira tá ficando boa?

 

SIRES DE POLÍCIA começam a ecoar para a surpresa do pedófilo.

 

IAGO: Você chamou a polícia, garota? Sua desgraçada!

 

Ele esbofeteia ela.

 

CORTA PARA

 

CENA 10. TRÂNSITO. EXT. DIA.

 

IMAGEM PANORÂMICA do carro do pedófilo e as viaturas da polícia passando por entre outros veículos se aproximando do fugitivo. Iago acelera iniciando uma perseguição pelas ruas da cidade. O carro de Leonardo também persegue o carro de Iago.

 

CENA 11. CASA CAIO. INT. DIA.

 

Reunidos à mesa Caio, Selma e Heitor almoçam.

 

SELMA: Tá boa a comida?

 

CAIO: Tá ótima, mãe.

 

HEITOR: Concordo com o garoto, hoje você se superou.

 

SELMA: Obrigada.

 

Um tempo de silêncio até que...

 

HEITOR: Você deveria trazer sua namorada mais vezes aqui pra casa, filho.

 

CAIO: Pra você ficar enchendo a menina de perguntas inconvenientes? Não, obrigado.

 

HEITOR: Minhas perguntas não são inconvenientes.

 

SELMA: Não comecem.

 

HEITOR: Oxe, eu só acho que esse namoro desses dois tá meio lento.

 

CAIO: O que você quer dizer com lento?

 

HEITOR: Na minha época, eu já/

 

CAIO: A sua época FOI a sua época, pai! A minha geração é outra, quando você vai entender isso?

 

HEITOR: A geração pode ser outra, mas os hábitos são os mesmos. Pelo menos com a maioria da molecada normal que vejo por aí.

 

SELMA: Eu não acredito que vocês dois vão estragar o clima que estava tão bom até agora.

 

CAIO: O clima nessa casa não tá bom há muito tempo.

 

Caio encara Heitor.

 

CAIO: Perdi a fome.

 

Levanta-se da mesa e sai. Heitor dá de ombros e continua comendo.

 

SELMA: Essas brigas de vocês estão ficando cada vez mais frequentes e sem razão de ser.

 

HEITOR: Eu to começando a desconfiar do comportamento desse garoto.

 

SELMA: Como assim?

 

HEITOR: Nada. Deixa pra lá.

 

Selma ignora. Os dois continuam comendo.

 

CORTA PARA

 

CENA 12. QUARTO CAIO. INT. DIA.

 

Caio entra batendo a porta com força. Pega um travesseiro, enfia na cara e grita, esbravejando a raiva. Joga o travesseiro no chão e senta na cama com as mãos no rosto, ansioso.

 

MUSIC ON: (FLASHLIGHT - JESSIE J)

 

CAIO: Eu não aguento mais conviver com isso. Preciso fazer alguma coisa.

 

Ele para por um instante, parece ter uma ideia.

 

Levanta-se da cama indo em direção a uma cômoda, abre uma gaveta e retira de dentro um estilete, encara o objeto. Ele abre a lâmina e lentamente encosta a parte cortante do objeto no punho esquerdo, fazendo movimentos leves, tentando criar coragem.

 

Caio fecha o olho decidido a se cortar quando seu celular VIBRA. Ele joga o estilete para longe no impulso. Vai até o celular, mensagem de Grego:

 

“Quer conversar?”

 

Caio respira aliviado e começa a digitar. A tela fica dividida entre eles enquanto conversam por sms.

 

CAIO: Você me salvou.

 

GREGO: Um super herói que sofre bullying. Gostei.

 

CAIO: É sério.

 

GREGO: Problemas com teu pai?

 

CAIO: Sempre.

 

GREGO: Desabafa.

 

CAIO: Eu te amo.

 

Grego está digitando...

 

CAIO: Ficou mudo?

 

Grego está digitando...

 

CAIO: Esquece o que eu disse.

 

Grego está digitando...

 

CAIO: Morreu?

 

GREGO: É você mesmo que tá do outro lado?

 

CAIO: Por que?

 

GREGO: Eu não sei bem o que dizer em relação ao que você disse.

 

CAIO: KKKKK

 

GREGO: Desculpa. Fui pego de surpresa.

 

CAIO: Obrigado.

 

GREGO: Pelo que?

 

CAIO: Por ser tão compreensivo comigo.

 

GREGO: Eu que agradeço.

 

CAIO: Pelo que?

 

GREGO: Pela declaração inesperada.

 

CAIO: Não tá sendo fácil pra mim.

 

GREGO: Quer conversar?

 

CAIO: Não é o que estamos fazendo?

 

GREGO: Falo pessoalmente.

 

CAIO: Boa. Preciso sair daqui.

 

GREGO: Na lanchonete dos pais da Nanda?

 

CAIO: Acho melhor em outro lugar.

 

GREGO: Acha que ela desconfia de alguma coisa?

 

CAIO: Acho que não. A Nanda é legal, mas é meio lentinha.

 

GREGO: Então, qual o problema?

 

CAIO: Ok.

 

MUSIC OFF.

 

CENA 13. TRÂNSITO. EXT. DIA.

 

CAM PANORÂMICA mostra a perseguição da polícia atrás do pedófilo. Em uma rua mais estreita, as viaturas cercam o carro de Iago obrigando-o a parar. CAM se aproxima. Iago SAI do carro fazendo Lua de refém.

 

IAGO: Se alguém chegar perto a garota morre.

 

LUA (nervosa): Socorro!!!

 

Pessoas começam a se aproximar formando uma aglomerado de gente. Leonardo e Pato surgem entre as pessoas se aproximando de um dos carros da polícia, de onde um oficial está apontando a arma para Iago e com a outra mão fala no megafone.

 

POLICIAL: Você está cercado. Entregue-se e será melhor pra todo mundo.

 

O pedófilo ri do policial.

 

IAGO (grita): Se alguém chegar perto eu mato a garota.

 

POLICIAL: Libera a garota e podemos negociar.

 

LEONARDO (ao policial): Eu tenho dinheiro, se ele quiser eu pago o resgate, eu posso trocar de lugar com ela.

 

Pato observa a atitude do pai. 

 

POLICIAL: O pai da vítima está disposto a trocar de lugar para negociação.

 

IAGO: Não me leva a mal, coroa, mas ce não faz meu tipo. (ele ri da situação)

 

PATO (grita): Desgraçado! Larga minha irmã!

 

POLICIAL: Calma, garoto. Não piore a situação.

 

PATO: Eu não vou ficar aqui parado esperando ele matar ‘ela’.

 

LEONARDO: Pato aonde você vai?!

 

Pato some por entre as pessoas.

 

POLICIAL (a Iago): Você terá mais chances se colaborar conosco. Solte a garota, larga a arma e podemos negociar.

 

IAGO: Aqui não tem acordo. É tudo ou nada!

 

CLOSES alternados entre o pedófilo, Lua, o policial e Leonardo.

 

CENA 14. MANSÃO PATO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

 

Kátia anda de um lado para o outro, preocupada.

 

KÁTIA: Cadê o Leonardo que não dá notícias, meu Deus!

 

TOCA a campainha.

 

KÁTIA: Graças a Deus!

 

Ela se apressa para atender. Abre, Amanda invade a casa.

 

KÁTIA: O que você tá fazendo aqui?

 

AMANDA: Vim saber do Leonardo. Ele não voltou depois do almoço e tá cheio de gente atrás dele no escritório.

 

KÁTIA: E desde quando patrão precisa dar satisfação pra empregado? Se toca, garota.

 

AMANDA (insiste): Cadê o Leonardo?

 

KÁTIA: Qual é o seu problema? Tem dificuldade pra entender as coisas? Agora não é uma boa hora.

 

AMANDA: Não saio daqui enquanto não tiver uma resposta.

 

KÁTIA (respira fundo): Não torra minha paciência.

 

AMANDA: Deixa eu advinhar. Você também não sabe dele né? E tá ‘se roendo’ porque provavelmente ele tá com outra e você aqui fazendo papel de palhaça.

 

KÁTIA: Repete o que você disse se tem coragem sua biscate!

 

AMANDA: Ai, Kátia. Todo mundo sabe que homens do porte do Leonardo não são fiéis. Tá no gene. Rico, bem-sucedido, gostoso, um leão na cama...

 

KÁTIA: Cala essa boca!

 

Irada, Kátia dá um tapa na cara de Amanda.

 

AMANDA: Sua desgraçada!

 

As duas se atracam e caem no chão. Kátia em cima de Amanda, desfere mais alguns tapas até que Amanda consegue se safar.

 

KÁTIA: Eu sempre soube qual era o seu plano. Namorar o fedelho do Patrício pra chegar no pai.

 

AMANDA: Até que você é inteligente.

 

KÁTIA: Você nem faz ideia do quanto. E vou te dar um último aviso: fica longe do meu marido, ou você vai se arrepender.

 

AMANDA: Eu vou tirar tudo que é seu.

 

KÁTIA (ódio): SAI DAQUI! SAAAAI! SAI DA MINHA CASA.

 

Enquanto grita, Kátia vai pegando objetos pela sala e arremessando contra Amanda que se defende até chegar a porta; Kátia lança um último objeto no tempo em que Amanda fecha a porta e o objeto se espatifa nela.

 

CLOSE em Kátia se recuperando do embate.

 

KÁTIA: Você não perde por esperar, sua cachorra.

 

CENA 15. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

 

MUSIC ON: (DEPOIS DA MEIA-NOITE - CAPITAL INICIAL)

 

Take rápido da cidade na transição do dia para noite.

 

CENA 16. SEVEN NIGTH. INT. NOITE.

 

Movimento mais intenso na lanchonete. Nanda esboça cansaço no atendimento aos clientes. No balcão, Celo e Estela comentam.

 

MUSIC OFF.

 

CELO: Já chega né, bem? Olha a carinha dela de cansaço.

 

ESTELA: Não sei não. Tava pensando em estender esse castigo.

 

CELO: Como?

 

ESTELA: Depois que ela fechar a lanchonete, limpar nossa casa enquanto assistimos um filminho.

 

CELO: Até que a ideia é boa, mas depois disso vamos conseguir dormir tranquilos?

 

ESTELA: Eu, sim. Pleníssima!

 

CELO: Não conhecia esse seu lado perversa!

 

Eles riem.

 

ESTELA: Acho que ela já aprendeu a lição né.

 

CELO: Com toda certeza.

 

Nanda se aproxima, exausta.

 

NANDA: Pelo amor de Deus!!! Eu juro que nunca mais faço nada pra ser suspensa na escola, mas me libera desse castigo.

 

CELO: Essa juventude não é de nada mesmo né, bem?

 

ESTELA: Geração nem-nem né, me bem. Nem quer estudar, nem quer trabalhar.

 

NANDA: Não é bem assim porque pelo menos eu estudo.

 

ESTELA: No momento você está suspensa, amorzinho.

 

NANDA: Vão passar isso na minha cara até a próxima encarnação pelo visto.

 

CELO: Não. Eu e sua mãe conversamos e decidimos te liberar do castigo.

 

Ela vibra.

 

NANDA: Vocês são os melhores pais do mundo!

 

CELO: A gente tenta né, filha.

 

NANDA: É toda sua. (entrega a bandeja e tira o avental)

 

ESTELA: Tá dispensada.

 

NANDA: Agora deixa eu ir ali falar com os meninos.

 

Nanda se afasta dos pais e CAM a segue por trás até que ela senta à mesa junto com Caio e Grego.

 

CAIO: Eles te liberaram?

 

NANDA: Sim. Acabou meu momento Isaura.

 

GREGO: Aceita um suco?

 

NANDA: Não quero nada não, gente. Só vim dar um Oi. Não quero atrapalhar.

 

CAIO (constrangido): Atrapalhar o que, Nanda? Não tem nada pra atrapalhar aqui não.

 

GREGO: É. Atrapalhar o que!

 

NANDA (sem entender): Tá, gente. Não precisa se justificar não. To morta.

 

GREGO: Imagino.

 

NANDA: Mas quer saber? Não me arrependo de nada que fiz no acampamento contra aqueles traidores.

 

CAIO: Falando nisso, como é que estão as coisas entre vocês?

 

NANDA: Como você já sabe, cortamos relações.

 

CAIO: Nosso grupo já era né.

 

NANDA: Só sobrou eu, você e a Paulinha. E agora o Grego.

 

GREGO: Fico lisonjeado.

 

NANDA: Olha só... Quê que é lisonjeado?

 

Eles riem.

 

GREGO: Deixa pra lá.

 

NANDA: E pensar que estávamos juntos desde o fundamental.

 

CAIO: Lembra aquela vez que combinamos de matar aula pra ir ver um filme no cinema?

 

NANDA: Fala baixo, meus pais não sabem disso até hoje.

 

CAIO: Foi mal.

 

NANDA: E aquela vez que a Paulinha tomou um porre na festa na casa do Pato?

 

CAIO: Nossa aquilo foi sério. Fiquei preocupado.

 

NANDA: Tudo por conta do idiota do Diego. Como a gente foi boba! O Pato e o Diego não merecem nossa consideração.

 

CAIO: Não fica assim.

 

NANDA: Assim como? Eu to ótima. Não to nem aí pr’aqueles dois.

 

GREGO: E o Ismael?

 

NANDA: Outro babaca.

 

GREGO: Sei.

 

NANDA: Ai, gente, to na bad. Vamo beber?

 

GREGO:Que?

 

NANDA: É, beber. Tomar uns gorós.

 

CAIO: Mas amanhã tem aula!

 

NANDA: Ah é! Esqueci que os nerds não foram suspensos.

 

GREGO: Mas a gente pode te fazer companhia, se quiser.

 

NANDA: Quero. Vamo lá pra casa, a gente se tranca no quarto pros meus pais não incomodarem.

 

CAIO: Mas eles não vão achar estranho você e dois caras no seu quarto?

 

NANDA: Eu chamo a Paulinha. E aí, bora?

 

Caio e Grego ficam na dúvida.

 

CENA 17. TRÂNSITO. EXT. NOITE.

 

PANORÂMICA do engarrafamento quilométrico ocasionado pela negociação da polícia com o pedófilo. Muitas pessoas ao redor deles. CAM se aproxima rapidamente da viatura policial.

 

LEONARDO: Será que vocês não podem ser mais eficientes com isso? Minha filha tá em perigo!

 

POLICIAL: E é exatamente por isso que precisamos agir com cautela.

 

Leonardo toma o megafone das mão do policial e fala.

 

LEONARDO: Solta a garota. Eu tenho dinheiro, posso te dar o quanto quiser, é só você me dizer quanto.

 

IAGO: Agora isso aqui começou a ficar interessante.

 

LEONARDO: É só dizer a quantia, eu pago.

 

IAGO: Um milhão. Eu quero um milhão pela vida da garota!

 

As pessoas reagem.

 

IAGO: E aí, vai pagar?

 

Em Leonardo, tenso.

 

CENA 18. MANSÃO PAULINHA. QUARTO RUBENS E MIRTES. INT. NOITE.

 

Mirtes arruma a roupa de cama enquanto Rubens tira a roupa, se preparando para deitar.

 

RUBENS: Não tem um só dia que eu chegue em casa e você me dê uma boa notícia sobre a Paulinha.

 

MIRTES: Você deveria dar um voto de confiança a nossa filha.

 

RUBENS: Você acaba de me dizer que ela foi suspensa do colégio pela conduta inadequada e me pede pra confiar nela?

 

MIRTES: Já parou pra pensar que esse comportamento rebelde da Paulinha pode ter relação com a sua ausência, Rubens? Ela quer chamar a atenção do pai.

 

RUBENS: Nossa filha é uma mimada. E você ficando sempre do lado dela não colabora em nada para que ela se torne uma pessoa mais madura.

 

MIRTES: Agora a culpa é minha.

 

RUBENS: É claro que é. A Paula nunca soube o que é limite de fato, pois enquanto eu tentava impor as regras você a ajudava a quebrar.

 

MIRTES: Você está sendo injusto.

 

RUBENS: Chega dessa conversa, tá? Você sabe que ando tendo problemas com a empresa, não preciso de mais um.

 

MIRTES: Nossa filha é um problema pra você?

 

RUBENS: Eu não vou mais discutir. Vou dormir no quarto de hóspedes.

 

MIRTES: Eu não to acreditando nisso.

 

RUBENS: O que?

 

Mirtes abre os braços, chocada.

 

MIRTES: Você sequer percebeu que eu comprei uma camisola nova!

 

Ele fica desconcertado.

 

MIRTES: Você não repara mais em mim, Rubens.

 

RUBENS: Não é bem assim.

 

MIRTES: Eu sinto falta do meu marido. Assim como a Paulinha sente falta do pai.

 

RUBENS: Eu trabalho muito pra dar o melhor pra vocês.

 

MIRTES: Isso não tem a ver com dinheiro. Tem a ver com presença. Coisa que você não tem estado. Você não me procura mais, Rubens. O que é que tá acontecendo, afinal? Não me quer mais? Você não me deseja mais, é isso?

 

Mirtes tira a camisola ficando nua. Rubens a encara, encurralado com a pergunta. Ele se aproxima dela e a beija.

 

MUSIC ON: (BOMBA RELÓGIO - LUISA SONZA FEAT. VITÃO)

 

O clima vai esquentando entre eles. O casal cai na cama trocando carícias.

 

CORTA PARA os dois, cobertos pelo edredom da cintura para baixo no ato sexual, que dura por um curto período de tempo até que Rubens goza.

 

CLOSE na expressão insatisfeita de Mirtes. Ele sai de cima dela, dá um selinho.

 

MUSIC OFF.

 

RUBENS: Boa noite.

 

Vira-se de lado e em pouco tempo começa a roncar. Ela se vira para o outro lado, frustrada.

 

CENA 19. TRÂNSITO. EXT. NOITE.

 

Continuação da cena 17. O policial comenta com Leonardo.

 

POLICIAL: O senhor não deveria ter feito isso.

 

IAGO: E aí, ricaço, vai pagar a grana ou não? (a Lua) Parece que o papai ficou na dúvida de quanto vale a filhinha.

 

O policial pega o megafone de volta.

 

POLICIAL: Nós podemos resolver isso de outra forma. É só você soltar a garota e vai ficar tudo bem.

 

Leonardo pega o megafone de volta.

 

LEONARDO: Eu pago. Eu pago o que você quer, mas solta ela agora.

 

Lua implora a Iago.

 

LUA: Eu to com sede, fome. Me deixa ir.

 

IAGO: Cala a boca.

 

LUA: Por que está fazendo isso?

 

IAGO: Não era pra terminar desse jeito.

 

LUA: Me solta/

 

Lua desmaia nos braços de Iago. Pato surge da multidão, por trás de Iago e se joga em cima dele imobilizando-o. Reação das pessoas com a atitude do garoto. Os policiais se apressam em ajudar, um deles pisa na mão do pedófilo e pega a arma, outro o algema imediatamente. Leonardo corre para socorrer Lua.

 

LEONARDO: Alguém chama uma ambulância!!!

 

PATO: Ela tá bem?

 

LEONARDO: Tá respirando.

 

PATO: Lua, acorda!

 

CORTA PARA

 

Os paramédicos chegam com uma maca e afastam Leonardo e Pato no momento em que dão de cara com Iago, algemado e sendo carregado pelos policiais.

 

LEONARDO: Vou cuidar pra que você apodreça na cadeia.

 

PATO: Pedófilo maldito.

 

Iago não esboça arrependimento.

 

POLICIAL: Você foi muito corajoso, garoto. Já pensou em seguir carreira na polícia?

 

Os policiais se afastam conduzindo Iago até a viatura. Leonardo dá tapinhas no ombro de Pato, orgulhoso. Pato pensa no que o policial falou.

 

CENA 20. RUA. EXT. NOITE.

 

CAM mostra o movimento dos carros, motos e ônibus pelas ruas.

 

Enquanto Pato fala, é mostrado a sequência de cenas:

 

MUSIC ON: (SOMETHING JUST LIKE THIS - THE CHAINSMOKERS & COLDPLAY)

 

PATO (off): Os traumas deixam cicatrizes que podem durar muito tempo e o medo passa a ser nosso principal companheiro nessa jornada maluca que é a vida. Não é fácil superar uma barra pesada, seja ela qual for. Cada pessoa enfrenta seu medo de uma maneira diferente. Só o tempo é capaz de transmitir forças para superar o trauma e deletar o medo de uma vez por todas.

 

1. Leonardo dirigindo, Pato no carona, pensativo.

 

2. Diego entra no banheiro, desconfiado. Fecha a tampa do vaso, retira um saquinho do bolso e despeja no local.

 

3. Do lado de fora, Naná se aproxima da porta e faz que vai bater, mas desiste. Ela se retira dali.

4. Kátia abraça Lua.

 

5. Mirtes deitada na cama. Rubens roncando ao seu lado.

 

MIRTES: É difícil admitir, mas a Paulinha tem razão. Meu casamento vai de mal a pior. Será que ele tem outra?

 

Ela encara Rubens, tentando encontrar a resposta.

 

6. Lua segura o celular e lê mensagens enviadas pelo Iago.

 

LUA: Não dá pra acreditar que aquele cara legal nunca existiu. Por que meu Deus?! Por que?!

 

Lua joga o celular no chão. Deita na cama chorando.

 

7. Na prisão, um homem alto, forte e mal encarado se aproxima de Iago.

 

IAGO: Tá querendo o que aqui?

 

HOMEM: Fiquei sabendo que o coroa é aliciador de menor.

 

IAGO: E daí?

 

HOMEM: E daí que hoje tu vai sentir na pele o que é abusar de uma pessoa.

 

IAGO: Se afasta de mim.

 

O homem ri com malícia.

 

HOMEM: Impossível eu me afastar. Eu vou ficar bem perto de você. Hoje você será a minha diversão.

 

Iago começa a chamar desesperadamente pelos carcereiros enquanto o homem o puxa para a parte mais escura da cela. Ninguém aparece.

 

MUSIC OFF.

 

CENA 21. CASA NANDA. QUARTO DELA. INT. NOITE.

 

Nanda, Paulinha, Caio e Grego estão em clima de descontração, ouvem música e bebem, sentados em círculo. Há uma mesinha com garrafas de bebida e uma fileira de copos descartáveis coloridos contendo bebida dentro organizados na mesma mesinha. Nanda gira a garrafa até que ela para entre ela e Grego.

 

GREGO: Acho que eu faço a pergunta né?

 

NANDA: Sim.

 

PAULINHA: Lembrando que se não quiser responder tem que beber. Não que pra você isso seja um problema né, miga.

 

NANDA: Pra nóóós!!!

 

Eles riem.

 

CAIO: Acho que já tem gente levemente alterada por aqui.

 

PAULINHA (fala encarando Grego): Imagina, amor, estamos ótimas.

 

Caio e Grego trocam um rápido olhar.

 

NANDA: Manda vê, Greguinho. Qual é a pergunta.

 

GREGO: Hã... Não sei o que perguntar.

 

NANDA: Nossa não tem nada que você queria saber sobre mim? Que chato.

 

GREGO: Não, é que/

 

NANDA: Nesse caso eu vou beber!

 

Nanda pega o copo e bebe. Eles riem.

 

NANDA: Se não tem pergunta vamo prosseguir.

 

Ela gira a garrafa até que para entre Paulinha e Caio. Paulinha comemora.

 

PAULINHA: Agora é minha vez de perguntar.

 

CAIO: Lá vem.

 

PAULINHA (faz mistério): Caio...

 

CAIO: Que enrolação.

 

PAULINHA: Você ainda é virgem?

 

CAIO (sem graça):  Sou/

 

NANDA: Para tudo quer dizer que vocês dois ainda não...?

 

PAULINHA: Óbvio que não, menina. Eu teria te contado né.

 

NANDA: Tô pasma.

 

PAULINHA: Mas para de se meter que a conversa aqui ainda não acabou.

 

CAIO: Mas eu já respondi a pergunta ué. Além disso, não entendi o porquê dela, sendo que você já sabe que eu sou virgem.

 

PAULINHA: Só queria me certificar que você não ficou com ninguém além de mim durante o nosso namoro.

 

Caio e Grego sem graça. Clima tenso no ar.