Talismã - Capítulo 37



     
 

No capítulo anterior de Talismã:

RAFAEL
: - Você é uma mulher linda, Marilu. Tem qualidades incríveis e, esteve do meu lado em momentos. difíceis.

MARILU: - Eu só fiz o que eu achava correto.

RAFAEL: - Você fez mais do que isso. Acabou mexendo comigo também.

 

Marilu procura conter-se.

 

MARILU: - Como assim?

RAFAEL: - Eu pensei que depois do que aconteceu comigo e com a Lívia, eu não iria mais me acertar com alguém.

...

 

RAFAEL: - Eu quero poder te ajudar a libertar esse sentimento preso em você.

MARILU: - É o que eu mais quero agora.

 

Marilu enlaça seus braços sobre o pescoço de Rafael, o olha, sedutora.

 

MARILU (sussurra): - Tudo o que eu mais quero...

 

Os dois se beijam, calorosamente. Alexandre, escondido, fica totalmente chateado em ter que ficar ali, “presenciando” toda situação.



...

 

ALEXANDRE (aproxima-se e agarra Marilu): - Mas comigo não vai ter essa não.

MARILU (tenta se soltar): - Mas o que é isso?! Me solta!

ALEXANDRE: - Não vem com essa de “me solta”, “me deixa”, que eu sei que tu ficou tentada pra ir pra cama com o Rafael. Já que tu mandou ele embora, eu to aqui pra te ajudar a apagar essa chama aí que tá te queimando toda por dentro.

MARILU: - Tá ficando louco?

ALEXANDRE: - Tô... To louco, doidinho pra te levar pra cama... Vadia.

MARILU: - Vadia é a sua/

 

Antes de Marilu terminar, Alexandre a beija com força.


...

 

MARILU: - Calma, Paulo!... Eu vou chamar um médico.

 

Paulo segura forte a mão de Marilu, que permanece ao seu lado, comovida.

 

PAULO: - Quero que você consiga ter o que eu não consegui. Que tenha a valorização que eu não tive, o poder que eu sempre desejei. (pausa, respira fundo) Que você controle toda aquela família e o dinheiro deles com as próprias mãos e que eles aprendam, definitivamente, a dar valor pra quem merece.

MARILU (emocionada): - Pare de falar essas coisas, Paulo!... a gente já conhece há tanto tempo! Você é um homem incrível! Vai sair dessa e conseguir conquistar tudo o que você sempre quis!

PAULO: - Faça por mim, Marilu... Faça por mim...

 

Os dois permanecem de mãos dadas. Marilu, chorando. Paulo, aos poucos, ficando fraco. A máquina que monitora os batimentos cardíacos marca a queda.

 

Silêncio na sala. Apenas o sinal de que o coração de Paulo parou de bater. A sua mão, recostada sobre a mão de Marilu. Ela, aperta firme a mão do amigo, entristecida.

 

CAM abre o plano, visão de cima. Marilu deitada próxima ao corpo de Paulo na cama. Ela chorando.


...

 

HENRI: - E é justamente sobre isso que eu vim falar com você, Conrado.

CONRADO: - Isso o que?

HENRI: - A gravidez da Sarah.

CONRADO: - O que tem? Ela passou mal?

HENRI: - Não, mas cuidado para você não passar mal.

CONRADO: - O que foi desta vez? Ela comprou um apartamento para o nosso filho morar quando fizer 18 anos?

HENRI: - Não... Na verdade, não tem “nosso filho”.

CONRADO: - Como assim?!

HENRI: - O filho que Sarah está esperando, não é seu.

 

Conrado encara Henri sem entender.

 

HENRI: - A Sarah está grávida, só que o filho, é meu.

 

Conrado fica em estado de choque.

 

CONRADO: - Seu?! Mas que palhaçada é essa?!

HENRI: - Eu e a Sarah tivemos uma noite lá na boate. A gente tinha bebido muito, enfim, aconteceu. Quando ela descobriu que estava grávida, a gente ficou sem saber o que fazer... A Sarah é louca por você, Conrado. E então, ameaçando ter a criança quase que no meio da rua, ela me obrigou a mentir, ajudando ela nessa farsa de que o filho é seu. Mas não é. Você não é o pai da criança.

CONRADO: - Que desgraçada!... Mas, por que isso agora?! Por quê?!

HENRI: - Eu já queria ter contado muito antes. Mas eu achei que a Sarah ia tomar jeito.


...

 

LOUISE: - E esse canalha, onde está?

CLAIR: - Sumiu no mundo... Solano. Nunca vou esquecer esse nome.

LOUISE: - E é impressionante como golpes assim acontecem cada vez mais. Mulheres que são enganadas por verdadeiros bandidos, que se aproveitam da fragilidade delas, não sei nem explicar.

CLAIR: - São psicopatas, Louise! sanguessugas!

LOUISE: - Esse tal Solano deveria estar preso!

CLAIR: - Mas eu dei parte na polícia de Nova York. Ele está sendo procurado por tudo...

LOUISE;-  Bem que você fez.

CLAIR: - Você me dá licença, amiga, eu vou até o banheiro.

LOUISE: - Claro, pode ir.

 

Clair se levanta, caminha entre as mesas em direção ao banheiro. De repente, ela para. Se mostra surpresa/chocada. Clair, decidida, caminha em direção à mesa de Eduardo e Elizabeth, que jantam animados.

 

CLAIR: - Até que enfim te encontrei. Seu bandido!

 

Elizabeth se mostra surpresa com a chegada hostil de Clair. Eduardo a olha, impassível.

 
     
     
     
     

CAPÍTULO 37
 
     
 
 
 

CENA 01. EUROPA-BRASIL. INT. NOITE.

 

Continuação do capítulo anterior. Clair encara Eduardo, que são esboça nenhuma reação.

 

CLAIR: - Então, seu canalha, ordinário! Não vai dizer nada?

ELIZABETH: - Eduardo, quem é essa mulher?

EDUARDO: - Pois eu não sei!

CLAIR: - Eduardo? O nome dele é Solano!

ELIZABETH: - Desculpa, mas você deve estar confundindo ele com alguém.

CLAIR: - Não, não estou não! Esse homem é um bandido! Roubou tudo o que eu tinha!

EDUARDO: - Desculpa moça, mas eu não a conheço! E você está sendo deselegante, atrapalhando o nosso jantar.

CLAIR: - Cínico! Então quer dizer que você não me conhece? Nem de Nova York? Manhattan? Não lembra da casa de verão em Miami, dos dólares, dos valores altíssimos que eu deixe para você depositar num fundo falso que você criou?! Da separação que você me fez pedir? Da minha vida, destruída!

 

Elizabeth olha confusa.

 

EDUARDO: - Vamos embora, Beth.

ELIZABETH: - Essa mulher está totalmente desequilibrada...

CLAIR: - E você está caindo num golpe tremendo! Fuja enquanto há tempo!

 

Elizabeth se levanta. Eduardo também. Clair dá uns tapas nele. Logo, garçons a seguram. a cena chama atenção dos clientes. Roberto se aproxima.

 

ROBERTO: - O que está acontecendo aqui?

EDUARDO: - Vocês precisam tomar cuidado com os clientes que frequentam esse local. O nível hoje foi baixíssimo.

CLAIR: - Precisam tomar cuidado com você, Solano! Mentiroso! Bandido!

ELIZABETH: - Vamos embora, Eduardo. Eu não quero ficar aqui. As pessoas não tiram os olhos da gente.

EDUARDO: - Vamos sim.

 

Eduardo e Elizabeth vão saindo. Clair tenta se livrar dos garçons.

 

ROBERTO: - Por favor, a senhora se acalme! Não quero escândalos aqui!

CLAIR: - Aquele homem é um bandido! (exausta, chora) Ele acabou com a minha vida...

 

Louise se aproxima, ajuda a amiga.

 

LOUISE: - Clair, o que aconteceu?

CLAIR: - Ele estava aqui, Louise... O Solano! Está saindo!

 

Louise olha na porta. Vê Eduardo e Elizabeth indo embora.

 

LOUISE (a si mesma): - Mas aquela lá...

CLAIR: - Eu quase consegui, Louise.

ROBERTO: - Por favor, ela precisa se acalmar.

LOUISE (a Roberto): - Nós já estamos de saída. Obrigada e desculpa pelo ocorrido. (a Clair) Venha, vamos pegar nossas coisas e ir embora.

 

Clair, enxuga as lágrimas. Louise a conforta.

 

CENA 02. FORTALEZA. HOTEL. INT. NOITE.

 

No hotel, Fausto se afasta para falar com alguns médicos, na saída do restaurante. Carla o aguarda. De longe, Alaíde observa.

 

OSCAR (bebendo cerveja): - De olho na Carla ainda?

ALAÍDE: - Aham...

OSCAR: - Deixa a moça, Alaíde. Tá se divertindo.

ALAÍDE: - Essa é a questão. Ela disse que vinha trabalhar, fazer treinamento. E não se divertir usando jóias que valem mais do que a sua aposentadoria.

OSCAR: - Qualquer coisa nesse hotel vale mais que a minha aposentadoria. Até esse copo, se duvidar! (bebe mais um gole)

ALAÍDE: - Isso tá me cheirando a coisa ruim. Você não viu, ela de beijos com aquele cara?

OSCAR: - E daí, Alaíde? Hoje as pessoas ficam! Não é assim que se diz? Beijam sem compromisso, normal.

ALAÍDE: - Não Oscar, não tem nada de normal. E eu vou descobrir o que é. (levanta-se e sai)

OSCAR: - Alaíde! Alaíde!

 

Alaíde não dá ouvidos a Oscar e segue em direção a Carla, que se mostra surpresa quando é abordada por Alaíde.

 

ALAÍDE: - O que tá fazendo perdida por aqui, menina?!

CARLA (surpresa): - Dona Alaíde?!

ALAÍDE: - O que foi, Carla? Parece que viu uma assombração!... Eu to tão mal vestida assim?

CARLA: - Não, não é isso não. Apenas fiquei um pouco surpresa em ver a senhora.

ALAÍDE: - Não deveria ficar surpresa porque sabia que eu ia estar aqui. E falando em vestir, você está linda hein! De onde esse vestido?

CARLA: - Presente.

ALAÍDE: - Joias... Você tá muito bem produzida. Isso faz parte do treinamento da sua empresa? Como se vestir em eventos sociais?

CARLA: - Desculpa, dona Alaíde, mas o que a senhora pretende com tudo isso?

 

Alaíde pega Carla pela mão, a leva para um espaço menos movimentado.

 

ALAÍDE: - Eu quero saber por que você mentiu dizendo que vinha trabalhar, quando eu vejo você aos beijos com aquele homem.

CARLA: - Acontece que/

ALAÍDE: - Eu não gosto de mentiras, Carla. Embora eu mesma já tenha mentido algumas vezes, mas sempre me fez mal. Eu tenho você dentro da minha casa, com um carinho enorme e me chateia muito que sou retribuída com mentiras... Eu nunca impliquei com você, mesmo com as suas saídas à noite, aliás, muito misteriosas por sinal, porque você nunca trouxe nenhuma amiga lá na pensão, a não ser a Lívia.

CARLA: - A senhora quer deixar eu falar, por favor?

ALAÍDE: - Desculpe...

CARLA: - Eu poderia sim, inventar outra mentira aqui para me livrar da senhora momentaneamente, mas depois, cedo ou tarde, tudo isso viria a tona novamente.

ALAÍDE: - Tudo isso o quê?

CARLA: - A minha vida.

ALAÍDE: - Eu não estou entendendo Carla.

CARLA: - Dona Alaíde, sabe como eu paguei em dia, todos os meses de aluguel do meu quarto na pensão?

 

Alaíde fica calada, aguardando resposta.

 

CARLA: - Com o dinheiro do meu programa.

 

Alaíde fica chocada.

 

ALAÍDE: - Carla! Você é/

CARLA: - Eu sou garota de programa, dona Alaíde. E hoje eu estou aqui, acompanhando um dos médicos mais bem-sucedidos de São Paulo.

ALAÍDE: - Eu não posso acreditar!

 

Alaíde caminha de um lado a outro.

 

CARLA: - Eu sei que deve ser um choque para você, mas eu não ia segurar isso por muito tempo.

ALAÍDE: - Então o emprego no setor de vendas, as saídas com as amigas... Tudo mentira.

CARLA: - Desculpa, dona Alaíde. Eu juro que nunca quis ferir, nem constranger ninguém. Sempre tratei todos e quero todos com muito carinho.

ALAÍDE: - E eu abriguei você dentro da minha casa, da minha pensão, achando que você fosse uma boa pessoa.

CARLA: - Mas eu sou uma boa pessoa.

ALAÍDE: - Gente que vende o corpo por sexo não é boa pessoa, nem aqui, nem na China!

CARLA: - Dona Alaíde!

ALAÍDE: - Não se preocupe, Carla. Eu não vou fazer escândalo aqui.

CARLA (aproxima-se): - Dona Alaíde, por favor/

ALAÍDE: - Não chegue perto de mim! Quando você voltar do seu "trabalho", arrume suas coisas. Não quero que você fique lá na minha pensão. Não é lugar de gente como você.

 

Carla se entristece.

 

ALAÍDE: - E por favor, evite falar comigo quando me ver aqui no hotel ou em qualquer lugar. Eu quero que saiba, Carla, que eu sinto muita pena por você seguir nesse caminho.

 

Alaíde se afasta, Carla fica pensativa, chateada. Fausto se aproxima.

 

FAUSTO: - O que está fazendo aqui? (percebe a chateação de Carla) O que foi, Carla?

CARLA: - Nada não... Vamos pro quarto, eu estou um pouco cansada, só isso.

FAUSTO: - Tem certeza que é só isso?

CARLA: - Tenho sim. (beija Fausto)

 

Os dois saem.

 

CENA 03. APTO MARILU. SALA. INT. NOITE.

 

Alexandre deitado no sofá, assistindo TV, quando Marilu sai do quarto. Ela vai passando pela sala, Alexandre se levanta do sofá e a segura pelo braço.

 

ALEXANDRE: - Tá mais calminha?

MARILU (soltando-se): - Acho que sim.

ALEXANDRE: - Então será que a gente pode repetir o nosso lance de ontem? Foi maneiro, não foi?

MARILU: - Que repetir o quê!... Você vai é pegar suas coisas e ir embora do meu apartamento. Agora! Estou cansada de olhar pra sua cara.

ALEXANDRE (abraça Marilu): - Então a gente faz gostoso e você fica de olho fechado.

MARILU (empurra Alexandre): - Não brinca comigo, Alexandre!... Aliás, antes de você ir embora, eu quero saber o tal segredo da vagabunda loira, que você falou que ia me contar e acabou só me enrolando. Anda, fala logo!

ALEXANDRE: - Antes um beijinho. (faz biquinho)

 

Marilu se irrita com a palhaçada de Alexandre e lhe dá um tapa no rosto. Alexandre muda expressão, fica sério e revida o tapa. Marilu se mostra apreensiva.

 

MARILU: - Canalha!

 

Marilu parte para cima de Alexandre, dando tapas nele. Ele, por sua vez, consegue detê-la. Lhe dá mais um tapa no rosto, que a deixa caída no chão.

 

MARILU: - Desgraçado!

ALEXANDRE: - Olha lá como você fala e age comigo, tá ouvindo? Vadia, ordinária!

 

Marilu leva a mão no rosto, percebe que está sangrando no canto da boca.

 

MARILU (grita): - Você me machucou! Seu merda!

 

Alexandre se abaixa até Marilu, a pega pelos cabelos, puxa. Ela sente dor.

 

ALEXANDRE: - Isso é pra você saber com quem está lidando. Eu não sou qualquer um não, sacou? Por tanto, vai baixando a tua bola quando for falar comigo, vagabunda. Senão eu posso fazer coisa muito pior com você.

MARILU: - Você é louco! Não presta! (geme de dor)

ALEXANDRE: - Somos dois, minha querida.

 

Alexandre levanta Marilu pelos cabelos. Segura forte em seu braço e a vira para ele. Eles ficam frente a frente. Alexandre se aproxima um pouco mais dela, ficam cara a cara. Ele lambe o resquício de sangue no canto da boca de Marilu.

 

ALEXANDRE: - Sangue de vagabunda de primeira!... Bem como eu gosto.

 

Alexandre puxa Marilu para perto de si, a prende em seu corpo.

 

ALEXANDRE: - Agora a gente vai lá pro quarto. Você vai aprender direitinho a me respeitar.

MARILU: - Não ouse fazer isso comigo, porque senão eu/

ALEXANDRE: - Você o quê? Vai ir correndo contar para o seu queridinho? Você acha que eu tenho medo do Rafael, Marilu? Ah, me poupe!... O negócio é o seguinte. Eu e você não vamos nos separar. Nunca mais. Unha e carne a partir de agora.

MARILU: - Do que você está falando?

ALEXANDRE: - Pra onde um for, leva o outro. Neste caso, pra onde você for, vai me levar. Eu sei que você é esperta, tá armando um bom golpe pra cima do riquinho. E eu quero aproveitar isso contigo.

MARILU: - Muito justo, não? Eu me ralo trabalhando e você leva na vida boa?

ALEXANDRE: - A vida é assim, minha querida. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. E você, depois desse showzinho, perdeu todo o juízo que tinha... Eu sei do seu plano, sei que é capaz de tudo pra ferrar a Lívia. Quer que eu vá embora, eu vou. Mas vou direto pra casa do Rafael dizer pra ele que depois que ele foi embora, você se deitou foi comigo. E bem à vontade, sem nenhum pudor.

 

Marilu consegue se soltar de Alexandre, o empurra.

 

MARILU: - Tá me chantageando, seu canalha?

ALEXANDRE (irônico): - Não, imagina! Estou apenas te dando a opção de escolher. (sério/firme) Ou fica comigo e consegue realizar seus planos pra gente... Ou me manda embora, mas reza pro Rafael não mandar prender você depois do que eu tenho pra falar pra ele.

MARILU: - Tá bom! Tá bom!... Você fica, traste. Mas não toca mais um dedo em mim, está ouvindo? Um dedo! Cachorro! Desgraçado!

 

Marilu volta para o quarto, bate a porta. Alexandre ri, sacana, se joga no sofá, satisfeito.

 

CENA 04. APTO RAFAEL. INT. NOITE.

 

Rafael e Jorge conversam.

 

JORGE: - Eu sei que deve ser estranho pra você ouvir o que eu tenho pra falar. Ainda mais se tratando de uma pessoa que era amiga da sua família.

RAFAEL: - Confesso que me soou estranhamente o fato de você e os outros policiais estarem lá no hospital e os comentários sobre o envolvimento de Paulo com algum crime. Mas então, o que você tem a me dizer sobre o Paulo?

JORGE: - Pois bem, Rafael. Eu vou ser direto ao assunto.

RAFAEL: - Melhor assim.

JORGE: - O Paulo não era a pessoa tão boa e honesta como todos imaginávamos ser.

 

Rafael está calado. Apenas ouvindo. Se mostra um tanto surpreso com a afirmação de Jorge, que continua.

 

JORGE: - Nós tínhamos conseguido capturar o suspeito de ter atirado no seu pai.

RAFAEL: - Como é que é?!

JORGE: - Pela forma de como toda ação aconteceu, ele foi mandado por alguém.

RAFAEL (levanta-se): - Tá querendo dizer que o Paulo mandou matar o meu pai, é isso?!

JORGE: - Calma, Rafael!

RAFAEL: - Como calma?! Isso que você está dizendo é... É muito forte!

JORGE: - Deixa eu falar, por favor!

 

Rafael se senta, procura se acalmar.

 

JORGE: - As investigações não mostram que o Paulo foi o mandante do crime. Mas provam que ele teve alguma ligação com o suspeito, Romão. Isso porque o Romão foi morto na cadeia, pouco tempo depois de ingerir uma bebida envenenada. Justamente pelo próprio Paulo.

RAFAEL: - Isso significa que/

JORGE: - Queima de arquivo, Rafael. Paulo estava evitando que Romão entregasse alguma coisa. Após eliminar Romão da jogada, ele planejou fugir. Foi quando a gente conseguiu capturá-lo.

RAFAEL: - E o acidente?

JORGE: - Ele tentou escapar da viatura. De fato conseguiu. Saiu correndo por entre os carros na rodovia. Acabou sendo atropelado.

 

Rafael se levanta, caminha de um lado a outro, pensativo.

 

JORGE: - E foi no acidente que eu descobri também que ele estava com o colar da Lívia.

RAFAEL: - Mas, por que estaria?

JORGE: - Infelizmente nunca iremos descobrir. Acredito que seja pela peça rara que é. Deve ter um valor incalculável. Ele estava fugindo com o colar. Certamente, sua ideia era vender a peça e ficar com a grana.

RAFAEL: - Cara, eu não posso acreditar. Isso que você está me falando, é tudo mentira.

JORGE: - Eu sei que é difícil desconstruir uma imagem, Rafael. Mas é a verdade, sim. Só que tem mais coisas por aí. O Paulo não era o único a ter contato com  Romão.

RAFAEL: - Quem mais, Jorge? Me fala!

 

De repente, o telefone de Rafael toca. Ele atende. É Conrado. Conrado está no carro, dirigindo. Cena alternada entre eles.

 

CONRADO: - Alô? Rafael? Desculpa ligar à essa hora.

RAFAEL: - Tudo bem, Conrado, pode falar...

CONRADO: - Só pra dizer que eu recebi a confirmação de algumas celebridades no evento da Amaro. Estou dirigindo agora, acabei de receber o e-mail no meu telefone.

RAFAEL: - Ótimo, Conrado. Mas cuidado cara, falar no telefone ao volante!

CONRADO: - Tranquilo. Tenho traquejo. Então, tenho aqui alguns nomes da minha lista.

 

Jorge pega sua pasta, acena para Rafael, despedindo-se. Rafael retribui. Jorge vai embora.

 

RAFAEL: - E quando você acha que tem resposta desses outros?

 

Rafael continua falando ao telefone.

 

CENA 05. MANSÃO TARCÍSIO. QUARTO ELIZABETH. INT. NOITE.

 

Elizabeth e Eduardo entram no quarto. Ele com "ar" despreocupado. Elizabeth ainda tensa pela situação no restaurante. Ele vai para o banheiro. Beth senta-se na cama, pensativa.

 

ELIZABETH: - Aquela mulher... Não consigo tirá-la da cabeça.

EDUARDO (OFF): - Mas trate de esquecê-la, Beth. Gente louca desse jeito não merece nem nossos pensamentos. (volta ao quarto, já sem camisa) É um desperdício.

ELIZABETH: - Mas ela estava falando com convencida de que conhecia você, de que você era culpado pelos problemas dela.

EDUARDO: - Mas eu nunca vi essa mulher na minha vida!... E você viu o nome que ela me chamou? Solano! Só pode ser louca mesmo. Ela precisa de tratamento psicológico.

ELIZABETH: - Eu fiquei mexida. Nunca vi alguém reagir daquela forma. Aquela mulher/

EDUARDO (se altera): - Aquela mulher é uma descompensada, louca, psicótica! Ela não é nada, não representa nada! Pare de ficar falando nisso! Chega!

 

Elizabeth se mostra surpresa.

 

ELIZABETH: - Essas suas atitudes me deixam com medo, Eduardo!

EDUARDO (calmo): - Desculpa, meu amor. Eu não quero que você sinta medo. Acontece que eu tinha planejado uma noite tão linda pra gente, que acabou sendo atrapalhada por uma pessoa que eu nunca vi na vida!... É frustrante!... Desculpa (beija Elizabeth)

ELIZABETH: - Tudo bem, eu entendo... (levanta-se) Eu vou pra banheira, tentar relaxar um pouco.

 

Elizabeth sai. Eduardo, senta-se na cama, expressão fechada. De repente, dá um soco no colchão, com fúria.

 

EDUARDO (para si): - Droga... Essa mulher me paga.

 

CENAS 06. APTRO ISABELA. INT. NOITE.

 

Isabela e Diogo conversam, enquanto jantam.

 

DIOGO: - E então, como ficou?

ISABELA: - Nada mal... Acho que já posso até pensar no próximo tema da minha reportagem. "Homens na Cozinha".

DIOGO: - Eu quero ser o entrevistado, hein!

ISABELA: - Se auto promovendo é?

DIOGO: - Preciso fazer a minha parte, não é? Vai que eu encontre alguma donzela que precise de bons cuidados. Ou que queira cuidar de mim! Já tenho um bom atrativo.

ISABELA: - Você não tem cara de que está carente, precisando de cuidados. E mesmo se estivesse, não teria dificuldades para achar alguém. Pensa que eu não vejo que as pouquíssimas mulheres da redação quase perdem o ar quando você passa?

DIOGO: - É mesmo? (ri)

ISABELA: - Ah, Diogo! Não precisa se fazer de santo.

DIOGO: - Eu sei, eu sei... Sei que mexo um pouco com as mulheres de lá. Quero dizer, não são todas... Tem uma em especial que é ao contrário. Ela mexe comigo.

 

Diogo fica a encarar Isabela, que se mostra surpresa, um tanto envergonhada. De repente, a campainha toca. Isabela atende.

 

ISABELA: - Conrado?!

CONRADO (entrando): - Boa noite, Isabela, desculpa chegar sem avisar/ (vê Diogo) Diogo?

DIOGO: - O que você está fazendo aqui?!

CONRADO: - Eu é que te pergunto!

ISABELA: - Ótimo ver essa amizade de vocês.

DIOGO: - Eu estou num jantar muito bacana com a Isabela, só que você/

CONRADO: - Jantar? Opa, que legal! Adoro jantar com vocês! (senta-se à mesa) Isabela, pode trazer mais um prato... Macarrão é? Você cozinhou, Diogo?! (ri, debochado)

DIOGO: - Isabela aprovou.

CONRADO: - Ela deve ter ficado constrangida de dizer que você é péssimo na cozinha... Mesmo assim, eu vou comer. A fome está me matando!...

 

Diogo se mostra irritado com Conrado, que serve-se do vinho, satisfeito por atrapalhar o encontro de Diogo e Isabela.

 

CENA 07. PENSÃO BEM QUERER. INT. NOITE.

 

Sarah e Jonas conversam, sentados à mesa de jantar. Ela toma um chá, preparado por ele.

 

SARAH: - Obrigada por me deixar ficar.

JONAS: - Eu não vejo outra coisa a fazer. Não poderia deixar você, grávida, sem ter pra onde ir.

SARAH: - A pensão é sua?

JONAS: - Na verdade, dos meus pais, mas eu moro aqui também. Eles estão viajando, então eu estou tomando conta, por enquanto...

SARAH: - Mas você trabalha em outra coisa então?

JONAS: - Sou publicitário.

SARAH: - Hum... Que legal!

JONAS: - E você, trabalha? Estuda?

SARAH: - Eu? Bem... Eu/

 

Nesse instante, Tatiana e Kléber chegam na pensão, falando alto, conversando, interrompendo a conversa de Jonas e Sarah.

 

KLÉBER: - E eu pensei que aquele casal não ia parar, mas eles continuaram cantando a música. Aí, o que era pra ser uma palhinha, virou quase um show!

TATIANA: - Falando em show, você viu o burburinho que deu lá também, com a amiga da Louise?

KLÉBER: - Percebi sim, mas eu não consegui falar com ela. O que será que foi?

TATIANA: - Pois é, também não sei...

 

Eles chegam na sala.

 

TATIANA: - Olha só, nova colega de pensão?

JONAS: - Pessoal, essa é a Sarah. Sarah, esse é o Kléber e ela é a Tati.

SARAH: - Prazer.

JONAS: - A Sarah vai ficar aqui por um tempo.

TATIANA: - Ela vai dividir o quarto com a Carla? Porque não há mais quartos aqui.

JONAS: - Ela fica no quarto que era da Wanda.

KLÉBER: - Do lado do meu. Se quiser, posso ajudar com as malas.

SARAH: - Eu aceito sim. Muito obrigada a todos vocês, pela atenção. (a Jonas) se não se importa, eu já vou indo então.

JONAS: - Claro, pode ir. Amanhã a gente conversa sobre como a gente funciona aqui, valores, etc. Mas fica tranquila, pode ir, descansar.

SARAH: - Então tá. Boa noite pra vocês!

 

Kléber pega as malas de Sarah e vai saindo. Ela o segue.

 

JONAS: - Coitada.

TATIANA: - Por quê?

JONAS: - Grávida, sem ter pra onde ir.

TATIANA: - Nossa, que barra!... Ela é daqui mesmo de São Paulo?

JONAS: - É sim. A gente conversou um pouco... Eu deixei ela ficar, não tinha como dizer não nessa situação. Depois aviso meus pais.

TATIANA: - Fez bem sim, Jonas...

JONAS: - E você, chegando sozinha, com o Kléber. Pensei que o Plínio vinha com vocês.

TATIANA: - Eu também pensei. Mas sabe como é seu amigo. Tinha encontro com os amigos do hip-hop, break, a turma dele de Itaquera. Fiquei em segundo plano hoje.

 

Os dois riem.

 

CENA 08. APTO ISABELA. SALA. INT. NOITE.

 

Diogo, Isabela e Conrado jantam, em silêncio. Diogo totalmente desconfortável em ter Conrado junto no jantar. Conrado come, fazendo graça. Isabela, sentada entre os dois, os observa constantemente.

 

CONRADO: - Sua gororoba é boa mesmo, Diogo. Quem foi que te ensinou? Natasha? Olívia? Não, não, Renatinha, claro! Ah, aquele inverno em Campos do Jordão, você e Renatinha, hein!

DIOGO: - Quer parar de ficar expondo a minha vida assim?

ISABELA: - A Renatinha é sua ex, Diogo?

DIOGO: - Um casinho, ficamos só uma vez, nada importante.

CONRADO: - Quase noivaram!

ISABELA: - Sério?!

DIOGO: - Mentira... Conrado!

CONRADO: - É verdade sim, ficaram a um pé do altar.

ISABELA: - Pra quem disse que não tinha nada importante, quase casar é um pequeno detalhe. Aliás, não se casaram por quê?

DIOGO: - Descobrimos, afinal, que não tínhamos tantas afinidades assim.

CONRADO: - Conta a história direito, Diogo! Ele só não casou porque foi flagrado pela noiva aos beijos na sacristia com a madrinha do casamento.

ISABELA: - Diogo! Você fez isso?!

DIOGO: - Foi ela que me agarrou!

CONRADO: - E você não resistiu.

DIOGO: - Mas quem é que iria resistir à Luciana?

CONRADO: - Rapaz, Luciana era maior gata mesmo.

DIOGO: - Lembra daquele final de semana em Santos, quando ela perdeu a parte de cima do biquíni no mar?

CONRADO: - Todos os rapazes queriam ajudar a Luciana a se cobrir... Claro que lembro!

ISABELA (irônica): - Pobre Luciana, né?... Homens! E você então, Diogo, um perfeito safado!

DIOGO: - Eu?!

ISABELA: - Não sossegou nem no dia do casamento.

CONRADO: - Esse aí não sossega nunca.

ISABELA: - Olha quem falando.

CONRADO: - Ei, eu sou um cara sério!

DIOGO: - Nem aqui, nem na China!... Gosta de falar de mim, mas não conta que passou a noite com duas, numa mansão em Alphaville.

ISABELA: - Com duas? Meu Deus, vocês dois são uns pervertidos!

CONRADO: - Não posso negar que tenho charme.

DIOGO: - Pena que não compareceu com nenhuma...

 

Silêncio na sala. Diogo com sorriso sacana no rosto, encara Conrado, que se mostra sério, impassível. Isabela, um tanto surpresa, fica a olhar para dois, alternando entre um e outro.

 

CONRADO: - Como você soube disso?

DIOGO: - As notícias voam, meu amigo. Você como jornalista deveria saber.

CONRADO: - Não foi culpa minha.

DIOGO: - Uma das suas "amigas" disse que você se trancou no banheiro e chorou feito uma mocinha.

ISABELA: - Calma, Diogo, vamos devagar.

CONRADO: - Não foi bem assim.

DIOGO (ri, debochado): - Você broxou com duas gostosas, Conrado! E vem cantar de galo pra cima de mim? (ri mais alto)

ISABELA: - Diogo, por favor!

 

Conrado não sabe o que faz, um tanto chateado, um pouco com vergonha. Isabela o encara terna, tentando não ter pena, embora Conrado pareça diminuído diante da zombação de Diogo.

 

CONRADO (fala baixinho): - Pelo menos eu não precisei dormir com o pai da Laurinha para garantir o meu futuro.

 

Diogo, que ria alto, começa a baixar o tom e ficar sério. Isabela contém o choque da surpresa.

 

DIOGO: - Como é que é? O que foi que você disse?

CONRADO: - O pai da Laurinha, lembra? Doutor Nilton, mais conhecido como Nilzete.

ISABELA: - Nilzete?!

DIOGO: - Cala a boca!

CONRADO: - O doutor Nilton, que era amicíssimo do pai da Renatinha, topou safar a cara do Diogo, que estava jurado de morte pela família da dela, principalmente pelo pai, o general Moreira. Poucas pessoas sabiam que o doutor Nilton era Nilzete quando a mulher e a filha não estavam em casa. A sua amizade com Moreira era antiga, as filhas eram unha e carne... E como Nilton tinha um carinho pra lá de especial com o genro do amigo, propôs essa ajudinha.

ISABELA (a si mesma): - Eu estou ficando até com náuseas...

CONRADO (debochado): - Confessa Diogo, que de todas as gatas que você já pegou, a Nilzete foi a que mais marcou você.

DIOGO: - Como você sabe de tudo isso?! Quem te falou?

CONRADO: - Um jornalista nunca revela suas fontes, Diogo. Você deveria saber disso.

DIOGO: - Canalha!

 

Diogo acerta um soco em Conrado, que cai no chão. Isabela se mete na briga, empurrando Diogo.

 

DIOGO: - Essa história é segredo de Estado!

CONRADO: - Era, porque agora eu já falei. Ai! (geme, de dor)

ISABELA: - Já chega, Diogo!... Não quero saber de brigas aqui dentro.

DIOGO: - Isso aí, Isabela, desculpa.

ISABELA: - Vai embora daqui. Agora.

DIOGO: - Mas foi ele quem começou/

ISABELA: - Não interessa!... Eu estou cansada. Sai agora, Diogo!...

DIOGO (a Conrado): - Viu o que você fez?!

 

Conrado com a mão no rosto, sentindo a dor do soco que levou.

 

DIOGO (a Isabela): - A gente se fala amanhã, na redação.

ISABELA: - Pode ser...

 

Diogo tenta beijar Isabela, mas ela se esquiva.

 

DIOGO: - O que foi? Pensei que depois desse jantar, a gente estivesse num caminho mais livre.

ISABELA: - Não existe caminho pra gente, Diogo.

DIOGO: - Mas eu/

ISABELA: - A gente se fala amanhã, na redação.

 

Diogo sai, um tanto sem jeito pelo fora que levou. Isabela se aproxima de Conrado.

 

ISABELA: - Eu vou pegar gelo.

 

Ela vai para a cozinha. Conrado senta-se no sofá, dolorido.

 

CENA 09. CASA ADRIANA. INT. NOITE.

 

Marcos e Adriana conversam.

 

ADRIANA: - Eu admiro a sua coragem, em enfrentar sua mãe por mim. Mas ao mesmo tempo, fico triste... Imagino como foi difícil pra você isso.

MARCOS: - Foi difícil mesmo. Mas por você, por seu amor, eu faria tudo novamente.

 

Os dois se beijam.

 

ADRIANA: - Estou tão feliz! Nem caibo em mim de tanta alegria com o nosso casamento!

MARCOS: - Eu também não! Aliás, você já entrou em contato com o bufê?

ADRIANA: - Já sim, tudo direitinho. Amanhã, antes de ir pra clínica, eu passo lá e assino contrato.

MARCOS: - Ótimo. Tio Roberto além de fechar o restaurante, vai bancar o jantar da festa, acredita?

ADRIANA: - Nossa, que presentão!

MARCOS: - O bufê vai ser apenas para os doces e entradas mesmo.

ADRIANA: - Falando em entrada, mas nada a ver com comida (risos), minha mãe e meu padrasto vão conseguir vir!

MARCOS: - Que maravilha! Finalmente eu vou conhecer dona Cidália, é isso?

ADRIANA: - Isso mesmo!... Dona Cidália, seu Tenório. Ele ficou tão feliz quando eu disse pelo telefone que queria entrar com ele na igreja. Quase chorou. E eu chorei do outro lado da linha.

MARCOS: - Ele é especial pra você.

ADRIANA: - Praticamente o pai que eu não tive. Pena que eles não vão poder ficar por muito tempo. Minha mãe não conseguiu folga. A ONG onde ela é diretora está cheia de projetos e atividades. Ela não pode ficar muito tempo longe.

MARCOS: - Pena... Mas eu sei bem como é isso. Também não posso ficar muito tempo longe de você.

 

Marcos agarra Adriana pela cintura, a puxa para perto de si.

 

ADRIANA: - Uau!

MARCOS: - Viu só? A partir de agora vai ser assim... Você e eu, sempre.

ADRIANA: - Não vejo a hora.

MARCOS: - Nem eu!

 

Marcos pega Adriana no colo e, aos beijos, seguem para o quarto, felizes.

 

CENA 10. CASA LÍVIA. INT. NOITE.

 

Lívia conversa com Rosa pelo telefone. Cena alternadas entre elas.

 

LÍVIA: - A minha vontade, Rosa, era de arranhar toda a cara daquela ordinária, oportunista!

ROSA: - Lívia, por favor! Você precisa se controlar!

LÍVIA: - Eu sei... Mas eu não vejo a hora dessa mulher ser desmascarada por tudo o que ela fez.

ROSA: - O destino dela já está traçado, Lívia.

LÍVIA: - Você consegue ver alguma coisa, Rosa?

ROSA: - Não, minha amiga, eu não consigo. Mas o que eu disse é um fato. A Marilu está plantando pra colher mais tarde.

LÍVIA: - Se fizesse isso para o bem...

ROSA: - É verdade.

LÍVIA: - Amanhã eu vou falar com o Jorge, ele vai estar na empresa.

ROSA: - É mesmo? Que bom. Eu também preciso falar com ele.

LÍVIA: - O que foi? Senti sua voz baixinha... Aconteceu alguma coisa entre vocês dois?

ROSA: - Eu flagrei o Jorge com a Beth no apartamento dele.

LÍVIA: - Como assim?!

ROSA: - Eu fui fazer uma surpresa pra ele e acabei eu levando a surpresa. Saí de lá sem nem ouvir que ele tinha pra me dizer... Acho que ele merece me falar, e eu também mereço ouvir alguma coisa a respeito disso.

LÍVIA: - Claro, você tem razão... Agora, a Beth? O que ela estava fazendo lá?

ROSA: - Na hora eu fiquei com tanta raiva! Que eu nem lembro se perguntei ou não...

LÍVIA: - Mas, raiva por quê, Rosa? A Beth já te fez alguma coisa?

 

Rosa fica sem saber o que responder, ficando em silêncio.

 

LÍVIA: - Rosa?! Você está aí?

ROSA: - Estou sim. Mas acho que acabei dormindo acordada!

LÍVIA: - Como isso?! (risos)

ROSA: - Hoje me senti um pouco cansada... Acho que já vou me deitar, Lívia.

LÍVIA: - Vá mesmo... Obrigada pelo carinho de sempre tá?

ROSA: - Imagina, não precisa agradecer. Nos falamos amanhã, na Amaro?

LÍVIA: - Claro! Beijo! (desliga)

 

Lívia fica pensativa.

 

LÍVIA: - Marilu, teu castelo de areia vai ruir.

 

CENA 11. APTO ISABELA. SALA. INT. NOITE.

 

Conrado no sofá, alisando o rosto, dolorido. Isabela na cozinha.

 

CONRADO: - Desculpa pela confusão.

ISABELA (OFF): - Vocês homens são uns brutos! (volta pra sala) Você e o Diogo foram patéticos hoje. (entrega o gelo para Conrado)

CONRADO: - Ele quem começou. (passa gelo onde levou o soco)

ISABELA: - Não importa. Ambos foram infantis, brigarem por causa de histórias passadas! Aliás, histórias vergonhosas, chegaram a me dar náuseas!

CONRADO (preocupado): - Você está bem?!

ISABELA: - Já, já estou melhor... Deixa que eu passo esse gelo aí.

 

Isabela passa gelo no machucado de Conrado. Ficam em silêncio enquanto ela cuida dele. Aos poucos, Conrado começa a rir.

 

ISABELA: - Tá rindo de quê?

CONRADO: - Estou imaginando o Diogo com a Nilzete.

ISABELA: - Deixa de ser bobo, Conrado!... Nossa, fiquei chocada. Essa história é verdade mesmo?

CONRADO: - Sim sim... Viu? Por pouco você não cai nas garras dele!

ISABELA: - Eu vou cair nas garras de ninguém!

 

Num ato rápido, Conrado agarra Isabela, imobilizando-a em seus braços. Ficam cara a cara.

 

CONRADO: - Só nas minhas...

ISABELA: - Me solta!

CONRADO: - Não, não!... Eu amo você, sempre amei! Não é justo eu vir aqui e você mandar embora.

ISABELA: - Não é justo eu ficar deitada nos seus braços à mercê dos seus delírios!... E outra, veio aqui porque quis, sem garantia nenhuma.

CONRADO: - Eu vim aqui pra te dizer que o filho que a Sarah está esperando, não é meu!

ISABELA: - Como?

CONRADO: - Tudo armação. Golpe da barriga em pleno século vinte e um!

ISABELA: - Bem que eu desconfiava... Você pode me colocar sentada no sofá?

CONRADO: - Ah, claro.

 

Isabela senta-se ao lado dele.

 

ISABELA: - Então ela te enganou.

CONRADO: - Vocês mulheres também são brutas.

ISABELA: - Eu sinto muito.

CONRADO: - Tudo bem. Eu vim aqui só pra te avisar. Agora só você importa pra mim. Você e o meu bebê.

ISABELA: - Nosso bebê.

CONRADO: - Eu te amo muito.

ISABELA: - Conrado, eu nem sei o que dizer.

CONRADO: - Eu só quero que você fique comigo, Isabela. Quantas vezes eu vou precisar te dizer isso? Eu te amo!

 

Os dois ficam em silêncio por um instante, a se olharem. De repente, eles se agarram, calorosamente, aos beijos, vão indo para o quarto. CAM acompanha os dois. Isabela deita-se na cama. Conrado, de pé a encará-la, um tanto confuso.

 

ISABELA: - O que foi?

CONRADO: - Eu nunca transei com uma mulher grávida.

ISABELA: - Não é nada diferente das outras.

CONRADO: - Como não? Você tem uma criança aí dentro. Lógico, é uma sementinha ainda, mas é uma criança!... Eu não sei como fazer e/

ISABELA (pega Conrado pela mão, o puxa para a cama): - Deixa que eu te ensino então.

 

Os dois se beijam, apaixonados, deitados na cama.

 

 

CENA 12. TRANSIÇÃO DO TEMPO. AMANHECER. FORTALEZA. EXT. DIA.

 

Imagens da cidade de Fortaleza ao amanhecer. Sol, calor, pessoas na praia.

 

CENA 13.FORTALEZA. HOTEL. INT. DIA.

 

No amplo salão, está sendo servido o farto café da manhã. Alaíde passa pelo bufê, servindo-se. Oscar aguarda na mesa, já tomando seu café.

 

Carla também está se servindo no bufê, quando encontra Alaíde.

 

CARLA (simpática): - Bom dia, dona Alaíde!

ALAÍDE (séria, seca): - Bom dia.

CARLA: - Nossa, dona Alaíde, o que aconteceu?

ALAÍDE: - Por favor, se você puder evitar me dirigir a palavra, eu agradeceria.

CARLA: - Mas/

ALAÍDE: - Tenha um bom dia.

 

Alaíde se afasta. Carla fica sem reação. Fausto se aproxima dela.

 

FAUSTO: - E então, maravilhada com esse banquete já pela manhã?

CARLA (disfarça): - Nossa, muito!...

 

Fausto a beija no rosto e segue servindo-se. Na mesa, Oscar aguarda Alaíde que chega de cara fechada.

 

OSCAR: - Desde ontem com essa cara, Alaíde?

ALAÍDE: - É a única que eu tenho, oras...

OSCAR: - Não, pelo menos no café da manhã você pode melhorar um pouco, dar um sorriso, se animar!... Desde que você falou com a Carla, está assim. O que aconteceu com vocês?

ALAÍDE: - Nada.

OSCAR: - Olha que se você não me falar, eu mesmo vou lá perguntar pra ela.

ALAÍDE: - Já falei que não teve nada, Oscar... Oh, tá vendo aqui? (sorri pra ele) O sorriso que você tanto quer.

OSCAR: - Ah, agora melhorou um pouco.

ALAÍDE: - Vamos nos alimentar bem, porque depois eu quero é me banhar nesse mar lindo, com meu micro biquíni.

OSCAR: - Micro o quê? Não vai usar.

ALAÍDE: - Você é que pensa! (risos)

 

CENA 14. CASA ROSA. INT. DIA.

 

Louise conversa com Rosa, na mesa do café.

 

ROSA: - Como é que é?! O Eduardo?

LOUISE: - Menina, eu fiquei bege, lilás, azul, sem cor!... O Eduardo é o tal Solano, o homem que fez a Clair quase ficar sem um tostão no bolso.

ROSA: - Mas homem é um bandido!

LOUISE: - A Clair ficou arrasada. Eu levei ela pro hotel, mas prometi que ia com ela até a Amaro hoje. Ela quer, por todas as forças, ficar cara a cara com  Eduardo novamente. E depois disso, vai denunciá-lo pra polícia.

ROSA: - Bem que eu suspeitava desse homem... Um verdadeiro golpista. Será que a Beth sabe disso?

LOUISE: - Não sei, amiga. Acredito que não, senão teria mandado ele pastar há muito tempo!

ROSA: - Bom que você vai para a Amaro agora de manhã. Eu vou querer uma carona pra lá também. Preciso conversar com o Jorge.

LOUISE: - Eu só vou lá em cima pegar minha bolsa e a gente sai, tá? Tá quase na hora de eu buscar a Clair no hotel mesmo.

ROSA: - Amaro hoje será palco de grandes acontecimentos...

LOUISE: - Está vendo alguma coisa?

ROSA: - Vendo não. Estou sentindo. É bom estarmos todos preparados.

LOUISE: - Ai Rosa! Assim você me deixa até com certo medo...

 

Louise sai da sala. Rosa fica pensativa.

 

CENA 15. MANSÃO TARCÍSIO. INT. DIA.

 

Elizabeth toma café sozinha à mesa. Agda chega na sala, senta-se à mesa.

 

AGDA: - Bom dia, minha filha.

ELIZABETH: - Bom dia, mamãe.

AGDA: - Só nós duas hoje?

ELIZABETH: - Vitória ainda não desceu. Eduard saiu cedo.

AGDA: - Cedo é?... Fiquei surpresa. Não é habitual dele não.

ELIZABETH: - É, eu também fiquei surpresa. Não só com isso.

AGDA:- Tem alguma coisa que você queira me contar, Beth?

ELIZABETH: - Tem mamãe. Ontem, eu fui pedida em casamento.

 

Agda não esboça nenhuma reação.

 

ELIZABETH: - Foi lindo, mamãe. Eu fiquei muito feliz, mesmo num dia triste, com a morte do Paulo.

AGDA: - O Eduardo estava tão alegre, parecia mesmo alheio ao que aconteceu.

ELIZABETH: - Ele disse que tinha planejado aquela noite especial pra gente e que não seria justo deixar passar... É estranho, mas eu compreendo... Trocamos alianças. (mostra a joia para Agda, que faz pouco caso) Mas, de repente, aquele clima de alegria, amor, carinho foi embora.

AGDA: - Por quê? Brigaram?

ELIZABETH: - Não... Uma moça, mulher já. Muito bem vestida, de porte mesmo. Se aproximou da gente, fazendo um escândalo! Chamando o Eduardo de Solano, dizendo que ele a roubou, arruinou a vida dela.

AGDA: - E você fez o quê?!

ELIZABETH: - Nada!... Eu fiquei totalmente em choque vendo aquela mulher descontrolada, acusando o Eduardo de inúmeras coisas, coitado.

AGDA: - Coitado? Você não acha isso muito estranho, não? Uma mulher, vir do nada, acusando o Eduardo de roubar o dinheiro dela, de dar golpes... Não é a mesma história que a Inês lhe disse quando vocês brigaram da outra vez?

ELIZABETH: - Coincidência, mamãe!

AGDA: - Por favor, Beth! Não subestime a minha inteligência, a minha paciência, e principalmente, a sua consciência e reputação. Está na cara que tem coisa aí!...

ELIZABETH: - Eu nem consegui dormir direito pensando nisso.

AGDA: - Então, minha filha! Está na hora de agir!

ELIZABETH: - E você quer que eu faça o quê, mamãe? Invada a Amaro, a sala do Eduardo e o coloque contra a parede?

AGDA: - A ideia não é ruim. Alguma explicação ele vai ter que dar. Não podemos negar o fato da história dessa mulher e da Inês serem muito parecidas.

 

Elizabeth fica pensativa.

 

AGDA: - Não perca tempo, Beth.

 

Elizabeth levanta-se da mesa, firme e sai da sala, decidida.

 

AGDA: - Finalmente uma luz!... Agora é só aguardar.

 

CENA 16. EMPRESA AMARO. SALA RAFAEL. INT. DIA.

 

Rafael em sua sala, pensativo. Lívia entra.

 

LÍVIA: - Com licença, Rafael.

RAFAEL: - Oi, Lívia.

LÍVIA: - Trouxe esses documentos para você analisar. É um relatório da equipe de responsabilidade social. Um novo projeto. (deixa o documento sobre a mesa)

RAFAEL: - Ótimo! Vai ser bom eu me entreter um pouco, com coisas boas.

LÍVIA: - Como você está?

RAFAEL: - Tocando... Hoje cedo fui ao cemitério.

LÍVIA: - Foi hoje a cremação do Paulo?

RAFAEL: - Foi... Apenas eu estava lá... Melhor assim. Acredito que todos nós da família estamos um pouco exaustos desse clima fúnebre. Muitos acontecimentos tristes, em tão pouco tempo. Abala.

LÍVIA: - Posso imaginar...

RAFAEL: - Eu não consegui tirar da cabeça umas coisas que o Jorge me disse sobre o Paulo. Estou incrédulo.

LÍVIA: - E o que foi que ele falou?

 

Do lado de fora, Marilu ia entrar na sala, mas ouve as vozes de Rafael e Lívia. Decide ficar do lado de fora, ouvindo pela porta.

 

RAFAEL: - Que Paulo nunca foi um homem bom. Assassino, corrupto, que até desviou dinheiro da empresa.

LÍVIA: - É sério isso?!

RAFAEL: - Segundo o Jorge, o Paulo tinha ligação com o cara que matou o meu pai.

LÍVIA (chocada): - Ai meu Deus! Então quer dizer que/

RAFAEL: - O Paulo sabia quem tinha matado o meu pai. Ele estava envolvido nessa história. E quando o Jorge conseguiu prender o assassino, o Paulo acabou matando o cara, pra não ser entregue.

LÍVIA: - Eu não posso acreditar, Rafael. E ele se fez de amigo esse tempo todo! Mas por que o Paulo queria tirar a vida do seu pai?

RAFAEL: - Eu não sei! E foi nisso que eu fiquei pensando a noite inteira. Também não só nisso...

LÍVIA: - Tem mais?!

RAFAEL: - Por favor, Lívia, essa conversa não pode sair daqui.

LÍVIA: - Tudo bem...

RAFAEL: - O Jorge disse que tem mais gente ligada ao tal assassino do meu pai.

 

Marilu, um tanto aflita, decide entrar na sala, interrompendo a conversa de Rafael e Lívia.

 

MARILU: - Rafael! Eu queria/ (encara Lívia) Como vai, Lívia?

LÍVIA: - Bem, até então.

MARILU: - Você nunca vai deixar de me atacar?

LÍVIA: - Eu tenho coisa mais importante pra fazer (saindo)

MARILU: - Você não aceita perder o Rafael pra mim, não é?

 

Lívia para, volta-se para Marilu. As duas se encaram.

 

RAFAEL: - Ei, ei! Marilu! Aqui não é hora nem lugar pra esse tipo de conversa. E não quero discussão aqui dentro.

LÍVIA: - Desejo do fundo do meu coração que vocês sejam felizes. Embora eu acredite que não serão. Pelo menos se depender de você.

MARILU: - Agourando a felicidade alheia... Quem diria, Lívia invejosa.

LÍVIA: - Eu não invejo você não, Marilu. Eu sinto é pena do Rafael. Merecia coisa melhor. (olha Marilu de cima a baixo, com desdém) Bem melhor.

 

Lívia sai.

 

MARILU (irritada): - E você é melhor que eu por acaso?! Se enxerga!

RAFAEL: - Marilu, por favor! Para com isso!

MARILU: - Você viu o que ela disse?

RAFAEL: - Você fica provocando... (senta-se na cadeira, fecha os olhos, tentando se acalmar)

MARILU (aproxima-se): - Desculpa, Rafael. Não queria aborrecer você. (massageia as costas dele)

RAFAEL: - Eu só quero o dia corra bem.

MARILU: - Claro... E vai ser assim...

 

Marilu massageia Rafael, expressão cínica.

 

CENA 17. REDAÇÃO FLASH PAULISTA. INT. DIA.

 

Mayra trabalha na redação, mas estranha que Conrado ainda não tenha chego.

 

MAYRA: - Alguém viu o Conrado hoje?

ANINHA: - Ainda não chegou. (aproxima-se, deixa uns papéis na mesa de Mayra)

MAYRA: - Mas ele é sempre o primeiro!... Será que aconteceu alguma coisa?

ANINHA: - Eu recebi uma mensagem dele ontem, já passava das duas da manhã, dizendo que iria chegar mais tarde. (se afasta)

MAYRA: - Gente! Será que ele foi pra gandaia?!... E nem me avisou?!

 

CENA 18. APTO ISABELA. QUARTO. INT. DIA.

 

CAM entra no quarto de Isabela, mostrando as roupas jogadas no chão. CAM sobe um pouco, abre plano. Conrado e Isabela dormindo juntos, de conchinha, ele sobre ela. Isabela se mexe. Conrado se acorda. Ela gosta desse aconchego dele. Conrado a abraça para mais perto dele.

 

ISABELA: - Dormiu bem?

CONRADO: - Feito um anjo.

ISABELA: - Não sabia que anjos roncavam.

CONRADO: - Sou um anjo que ronca. Pronto.

 

Isabela ri, vira-se de frente para Conrado. Os dois ficam a se olhar.

 

CONRADO: - Assustada com a cara do anjo quando acorda?

ISABELA: - Estou é surpresa de ver esse anjo na minha cama. Assim, dormindo de conchinha comigo. Eu nunca imaginei que/

CONRADO: - Eu já imaginei. Várias vezes. (ri, sacana, abraçando Isabela)

ISABELA: - Safado! (risos) Me deixa sair agora, tomar um banho e fazer um café gostoso pra gente.

CONRADO: - A senhorita por um acaso não está atrasada para o serviço?

ISABELA: - Hoje eu não quero ouvir falar em Gold Man, ok?

CONRADO: - Você é quem manda.

 

Os dois se beijam, carinhosos.

 

CENA 19. RESTAURANTE EUROPA-BRAISL. INT. DIA.

 

Marcos conversa com Roberto.

 

ROBERTO: - Pode ficar tranqüilo porque já está tudo confirmado.

MARCOS: - Que bom, tio. Essa correria de organizar festa, cerimônia, lista de convidados, de serviços, o meu trabalho... Dá uma canseira e deixa a gente com a cabeça a mil!

ROBERTO: - É a dor e a delícia de se casar, Marcos. (risos) E sua mãe, falou com ela?

MARCOS: - Discutimos novamente.

ROBERTO: - Poxa vida... Já posso até imaginar porque.

MARCOS: - Eu saí de casa, tio. Não tinha mais como ficar lá. Peguei minhas coisas e fui pra casa da Adriana. Fico triste que a minha mãe não queria aceitar a minha felicidade.

ROBERTO: - A sua mãe tem se mostrado muito egoísta.

MARCOS: - E preconceituosa!... Outro dia eu estava pensando se não é o caso da gente procurar alguma ajuda, sei lá.

ROBERTO: - Como a Onira, existem milhares de pessoas espalhadas por essa cidade, por esse país, no mundo!... Infelizmente, o preconceito está longe de acabar. Mas a sua mãe vai aprender. E pelo jeito, vai ser pelo lado ruim da vida.

MARCOS: - Queria que ela estivesse presente no casamento.

ROBERTO; - Eu também. Mas algo me diz que ela vai vir sim.

MARCOS: - Você acha?

ROBERTO: - Ela te ama, Marcos, apesar dos pesares. Ela não vai abandonar o filho num momento tão importante pra ele.

 

Marcos fica pensativo. Roberto abraça o sobrinho.

 

ROBERTO: - E eu também estarei aqui, torcendo e orando pela sua felicidade. Sua e da Adriana.

MARCOS: - Valeu tio. Valeu por tudo.

 

Se afastam, sorridentes.

 

CENA 20. EMPRESA AMARO. CORREDOR

 

Louise leva Clair até a sala de Eduardo.

 

LOUISE: - É aqui. É esse o nome dele.

CLAIR: - É agora que eu pego esse canalha.

LOUISE: - Vai com calma, Clair!... Não acha melhor chamar a polícia?

CLAIR: - Eu vou chamar a polícia sim, Louise. Esse cara não pode ficar longe da cadeia. Mas antes, eu quero ter uma conversa bem séria com ele. E vai ser agora.

LOUISE: - Eu vou com você/

CLAIR: - Não!

LOUISE: - Esse cara pode ser perigoso, Clair!

CLAIR: - Não, Louise!... Eu preciso resolver isso sozinha. Se eu demorar muito, você entra. Eu dou sinal.

 

Louise consente. Clair entra na sala de Eduardo.

 

CENA 21. EMPRESA AMARO. SALA EDUARDO. INT. DIA.

 

Clair surpreende Eduardo ao entrar na sala.

 

EDUARDO: - Pois não?

CLAIR: - Agora estamos só nós dois. Não precisa ficar fingindo que não me conhece, Solano. Ou Eduardo? Ou João? Renato? Gilson? Ou tantos outros nomes que você tem!

EDUARDO (levanta-se da cadeira): - Me diga o nome do segurança que deixou você entrar... Eu não posso dar atenção pra você agora, então, me procure numa outra hora... Eu não costumo falar com desconhecidos/

 

Clair se aproxima de Eduardo e lhe dá um tapa na cara.

 

CLAIR: - Agora que nós já tivemos um contato de pele, não sou mais desconhecida.

EDUARDO: - Você é muito petulante.

CLAIR: - E você é um bandido!... Eu quero saber onde está o meu dinheiro! Onde está tudo que você roubou de mim durante todos esses anos em que estivemos juntos! Ou melhor, durante todo o tempo em que eu fui iludida, enganada por você!

EDUARDO (senta-se, frio): - Eu não sei do que está falando.

CLAIR: - Para de agir como se não me conhecesse! Você um doente! Um psicopata, sem coração!... Fi até os Estados Unidos, acabou com o meu casamento, com a minha vida!

EDUARDO: - Desculpe, mas, eu realmente não sei do que você está falando. Eu sou diretor aqui nessa empresa, saí do Brasil sim, algumas vezes a passeio apenas.

CLAIR: - Canalha! Desgraçado!

EDUARDO (levanta-se, firme): - Modere as suas palavras! Isso aqui é o meu local de trabalho.

CLAIR: - Isso aqui é o seu próximo golpe, seu louco! Pobre daquela mulher no restaurante ontem!... Com certeza essa empresa é dela/

EDUARDO: - É minha!

CLAIR: - É dela sim que eu sei!... Você não tem capacidade para ter nada, ser nada!

 

Eduardo se aproxima de Clair, a empurra. Clair cai sobre o sofá.

 

CLAIR: - Monstro!

 

Eduardo fica sobre ela, com as mãos no pescoço de Clair, tentando estrangulamento. Clair tenta se livrar, mas tem dificuldade.

 

EDUARDO: - Eu pensei ter me livrado de você, em Nova York. Mas já que você insiste em me procurar, eu vou dizer onde está o seu dinheiro. Está no inferno. E é pra lá que você vai agora. Maldita!

 

CENA 22. EMPRESA AMARO. CORREDOR. INT. DIA.

 

Louise aguarda ansiosa. De repente, Elizabeth se aproxima. Não gosta de ver Louise por ali.

 

ELIZABETH: - O que faz aqui? A Lívia está aqui dentro?

LOUISE: - Não. É uma outra amiga que está aí, conversando com o traste do seu namorado, noivo, sei lá.

ELIZABETH: - O que foi que você disse? Não admito que fale assim do Eduardo!

LOUISE: - Estou pouco ligando. Ele é um bandido e a minha amiga vai colocar ele na cadeia... O problema é que estão demorando muito nessa conversa. Eu vou entrar.

 

Louise entra na sala, seguida de Elizabeth.

 

CENA 23. EMPRESA AMARO. SALA EDUARDO. INT. DIA.

 

Louise e Elizabeth entram e se chocam ao ver Eduardo estrangulando Clair. Louise parte pra cima dele. Eduardo se afasta, surpreso com o flagra.

 

ELIZABETH (chocada/aflita): - O que está acontecendo aqui?!

LOUISE: - Clair! Fala comigo!

CLAIR (c/ dificuldade): - Ele tentou me matar!

ELIZABETH: - Essa mulher... Eduardo!

EDUARDO: - Eu não fiz nada! Nada!

 

Eduardo sai da sala apressado. Elizabeth aproxima de Clair.

 

ELIZABETH: - O que aconteceu? Fala pra mim, por favor!

CLAIR: - Esse homem... É um bandido!

ELIZABETH: - Tudo o que você disse ontem, no restaurante/

CLAIR: - É verdade... Denuncie esse bandido enquanto a tempo. Não deixe ele escapar, por favor!

LOUISE: - Calma amiga! Respira...

 

Elizabeth se afasta, um pouco transtornada.

 

CENA 24. EMPRESA AMARO. SALA JORGE. INT. DIA.

 

Jorge, Rosa e Lívia conversam. Jorge se mostra surpreso com o que escuta de Lívia.

 

JORGE: - Como é?

LÍVIA: - A Isabela tem a gravação de uma conversa com a Beatriz, antes dela falecer. E a Beatriz afirma que estava com a Marilu no apartamento. Mas em momento algum, a Marilu mencionou ter estado com a Beatriz lá.

JORGE: - Então você acha que...

LÍVIA: - É muita coincidência junta, Jorge... Todas as pessoas das quais essa mulher se aproximou, acabaram sendo prejudicadas, morrendo. Tarcísio, Lorena, Beatriz... O próprio Paulo.

ROSA: - Essa mulher é perigosa!

LÍVIA: - Você precisa fazer alguma coisa, Jorge! O Rafael também corre perigo!

JORGE: - Eu prometo que vou analisar tudo isso que você me disse. Quando eu poderei ter acesso à gravação?

LÍVIA: - Posso pedir para a Isabela enviar pra você hoje mesmo.

JORGE: - Faça isso, por favor.

LÍVIA: - Ótimo!... Bom, eu vou voltar para a minha sala, porque não quero que desconfiem da nossa conversa.

ROSA: - Faz bem, Lívia. discrição é a palavra-chave agora.

 

Lívia se despede de Jorge e Rosa e sai.

 

JORGE: - Gostei da sua visita.

ROSA: - Eu precisava mesmo vir aqui, ver você, falar com você.

JORGE: - Olha Rosa, sobre o que aconteceu aquele dia lá no meu apartamento, eu/

ROSA: - Eu só quero, Jorge, que você me responda uma coisa. Só uma.

JORGE: - O quê?

ROSA: - O que você sente por mim é verdadeiro? É mesmo sincero? Porque eu não quero ser iludida por uma coisa que eu acredito ser a melhor que me aconteceu até agora. Não quero cair na desgraça de perder alguém que eu adoro tanto.

 

MUSIC ON: Amor, meu Grande Amor - Frejat

Jorge se aproxima de Rosa, a beija, apaixonado.

 

JORGE: - Eu nunca iria brincar com os seus sentimentos, Rosa. Nunca.

 

Rosa se abraça a Jorge, aliviada.

 

ROSA: - Você tem sido importante pra mim.

JORGE: - Você também tem sido uma pessoa ótima na minha vida. E quero que seja assim por muito tempo.

 

Os dois se beijam novamente.

 

ROSA: - Bom, eu vou deixar você trabalhar. Nos falamos outra hora?

JORGE: - Claro.

 

Rosa sai, mas deixa a bolsa no sofá da sala de Jorge. Nem ele, nem ela notam.

MUSIC OFF.

 

CENA 25. EMPRESA AMARO. CORREDORES. INT. DIA.

 

Rafael caminha no corredor, quando encontra Elizabeth andando totalmente transtornada.

 

RAFAEL (preocupado): - Mãe? O que aconteceu?!

ELIZABETH (abraça Rafael): - Ai, Rafael! (chora) Eu não quero nem lembrar!

RAFAEL: - Meu Deus, fala pra mim, o que aconteceu?

ELIZABETH: - O Eduardo...

RAFAEL: - O que tem ele?

ELIZABETH: - O Eduardo é uma farsa!

 

Elizabeth sai apressada pelo corredor. Rafael a chama, mas ela não escuta.

 

RAFAEL: - Eduardo...

 

Rafael segue para a caminho da sala de Eduardo. Enquanto isso, Elizabeth segue caminhando, um tanto desnorteada.

 

CENA 26. EMPRESA AMARO. SALA JORGE. INT. DIA.

 

Elizabeth entra na sala de Jorge, o surpreendendo.

 

JORGE: - Beth?

ELIZABETH: - Desculpa, Jorge, não era aqui que eu viria... (transtornada) Eu quero sair daqui!

JORGE: - Calma!

 

Jorge se aproxima de Elizabeth, que o abraça e chora em seu peito.

 

ELIZABETH: - Eu não mereço isso, Jorge... Não mereço!

JORGE: - Por favor, fique calma, Elizabeth. O que foi que aconteceu?

ELIZABETH: - O Eduardo. Ele é um farsante, um golpista! Me enganou, enganou outras pessoas... Acabou. Acabou tudo, Jorge!

 

Elizabeth se abraça mais em Jorge. De repente, Rosa vai chegando na sala para pegar a bolsa que esqueceu e vê novamente Jorge e Elizabeth abraçados. Rosa se entristece ao vê-los. Eles não a notam. Rosa pega a bolsa e sai.

 

CENA 27. AVENIDA. CARRO EDUARDO. INT. DIA.

 

Eduardo dirige tenso, em alta velocidade pela avenida.

 

EDUARDO (para si): - Eu não fiz nada... Mas aquela vadia me provocou!... Foi ela!

 

Ele segue dirigindo, expressão séria.

 

CENA 28. EMPRESA AMARO. SALA EDUARDO. INT. DIA.

 

Clair, Louise e Rafael conversam.

 

RAFAEL: - Não posso acreditar.

LOUISE: - Tudo o que a Clair diz é a mais pura verdade, Rafael.

RAFAEL: - Então esse cara é um bandido!

CLAIR: - Até a polícia norte-americana está atrás dele. A gente não pode deixar ele escapar.

LOUISE: - Pena que ele saiu daqui!

RAFAEL: - Ele saiu da empresa?

LOUISE: - Saiu correndo.

 

Rafael pega o telefone, disca.

 

RAFAEL (ao telefone): - Alô? Vovó, é o Rafael. (T) Escuta bem o que eu vou dizer. Se o Eduardo aparecer aí na mansão, não deixa ele sair sob hipótese alguma, está ouvindo? (T) Agora não dá pra falar vovó! E chama a polícia, o Alfredo, todos! Não deixa esse cara ir embora. (T) Tudo bem. (desliga)

CLAIR: - Com certeza ele vai tentar fugir.

RAFAEL: - Mas ele não vai conseguir. A gente vai fazer de tudo pra ver esse cara preso...

 

Jorge e Elizabeth chegam na sala. Louise repara nos dois juntos. Elizabeth aproxima-se de Clair.

 

ELIZABETH: - Desculpa não ter acreditado em você no restaurante. Eu estava tão envolvida... Havia sido pedida em casamento.

CLAIR: - Você não tem culpa de nada. Estava sendo enganada assim como eu fui. Mas quis a vida que o seu destino fosse diferente. Ainda bem.

RAFAEL: - Eu já avisei a vovó para que caso o Eduardo apareça na mansão, para ela evitar que ele saia. Pedi para que avisasse a polícia, o Alfredo também.

JORGE: - Fez bem. Pelo o que a sua mãe me falou, esse homem é um estelionatário.

CLAIR: - Dos mais cruéis.

LOUISE: - Se Deus quiser amiga, e ele há de querer, esse cara vai em cana.

 

CENA 29. FORTALEZA. PRAIA. EXT. DIA.

 

Alaíde e Oscar, curtindo a praia. Ele sentado sob um guarda-sol, ela deitada ao seu lado, se bronzeando.

 

OSCAR: - Você não vai mesmo me contar o que aconteceu entre você e a Carla?

ALAÍDE: - Não, Oscar. Concentre-se no mar, por favor, enquanto eu me concentro no meu bronzeado.

OSCAR: - Acontece que eu não consigo me concentrar sabendo que alguma coisa, que pelo visto é grave, está acontecendo entre vocês. E eu também não quero se deselegante de ir até a Carla perguntar o que houve.

ALAÍDE: - Você quer tirar a minha paciência agora, Oscar? No meio desse paraíso, é isso?

OSCAR: - Eu só quero saber, poxa!

ALAÍDE (senta-se): - Está bem. Eu vou te dizer.

OSCAR: - Fale. Sou só ouvidos.

ALAÍDE: - Curta e grossa, ok? Lá vai. A Carla, aquela moça bonita, que trabalhava na área de vendas de uma empresa, que sempre pagou a pensão em dia, sempre simpática... Sabe?

OSCAR: - Sei. O que tem?

ALAÍDE: - Essa mulher não existe. Nunca existiu. O que existe mesmo é a Carla, garota de programa.

OSCAR (surpreso/chocado): - Como é que é?! Garota de programa?! A Carla!

ALAÍDE: - Prostituta. Ela está aqui em Fortaleza como acompanhante daquele homem que você disse já ter visto, lembra?

OSCAR: - Claro que lembro... Ainda não consigo acreditar.

ALAÍDE: - É isso aí, meu querido. Durante todo esse tempo, abrigamos uma sem vergonha, que vendia o corpo, uma mulher sem pudor nenhum... Mas Deus é pai, sabe bem o que reserva pra ela... (encara Oscar) Mais alguma que você queria saber, querido? Posso voltar pro meu bronzeado em paz e encerrar essa conversa de vez?

OSCAR: - Claro, pode sim.

 

Alaíde deita-se novamente. Oscar mantém expressão de surpresa.

 

CENA 30. FORTALEZA. RESORT. INT/EXT. DIA.

 

Fausto e Carla eles caminham pelo espaço da piscina do hotel. Carla usando um lindo maiô, com saída de banho. Fausto de bermuda e camiseta. Sentam-se em uma mesa, à beira da piscina. O garçom traz uma bebida para eles.

 

CARLA: - Você falou muito bem lá no seminário. Parabéns.

FAUSTO: - Estava mesmo prestando atenção ou fala isso só para me agradar?

CARLA: - Eu prestei mesmo atenção, tá? (risos) Lógico, teve momentos em que eu me distraía. Mas quando você falou, meus olhos não desgrudaram de você.

FAUSTO: - Foi difícil me concentrar sabendo que você estava ali na plateia. Minha vontade era de descer do palco e te levar pro quarto. (ri)

CARLA: - Sossega um pouco... Temos a noite toda ainda, e amanhã e/

FAUSTO: - Na verdade, só mais essa noite. Amanhã mesmo já voltaremos para São Paulo.

CARLA: - É mesmo?!

FAUSTO: - Queria ficar mais um pouquinho?

CARLA: - Vontade não me falta...

FAUSTO: - Eu também... Mas preciso voltar pra clínica. E a minha participação aqui encerra amanhã pela manhã. À tarde embarcaremos. Aliás, vou ligar para Mayra pra dizer que voltaremos amanhã. Ela vai ficar contente.

CARLA: - Claro.

FAUSTO: - Depois poderemos fazer um passeio, algumas compras, o que acha?

CARLA: - Acho ótimo!

 

Carla sorri para Fausto, que retribui.

 

CENA 31. CASA CHARLOTE. ESCRITÓRIO. INT. DIA.

 

Demétrio conversa com Breno.

 

BRENO: - O que foi pai? Tô achando o senhor preocupado.

DEMÉTRIO: - De fato, eu estou.

BRENO: - O que foi que aconteceu? Você/ Você voltou a jogar?!

DEMÉTIRO: - Não, não é isso... Mas tem a ver com jogo sim.

BRENO: - Então fala!

DEMÉTRIO: - Hoje à noite, eu preciso que você me leve nesse endereço aqui e nessa hora.

 

Demétrio entrega um papel para Breno.

 

BRENO: - E o que tem lá?

DEMÉTRIO: - Lá, é o inferno, Breno.

BRENO (surpreso): - Eu não te entendo, pai. Por que você quer ir lá nesse lugar?

DEMÉTRIO: - Você vai poder me levar ou não?

BRENO: - Tudo bem, eu levo.

DEMÉTRIO: - Quando a gente chegar lá, eu te explico melhor. Mas por favor, não fala pra ninguém. A gente se encontra no mercado aqui perto, sabe?

BRENO: - Pra quê tanto mistério, pai?!

DEMÉTRIO: - Não quero que sua mãe saiba, nem desconfie de alguma coisa.

BRENO: - Se o senhor tá pensando que eu vou acobertar as suas jogatinas, apostas e/

DEMÉTRIO (firme): - Dá pra confiar em mim pelo menos uma vez?!

 

Breno encara Demétrio por um instante.

 

BRENO: - Tudo bem, pai. Tudo bem.

 

Charlote bate à porta.

 

CHARLOTE: - Os meus homens amados já terminaram esse papo misterioso?

BRENO: - Já sim, mãe.

CHARLOTE (entrando): - Eu daria meus brincos de pérola negra pra saber o que se passou aqui.

DEMÉTRIO: - Pérola negra? Sei não. Nossa conversa vale bem mais. (risos)

BRENO: - Nada demais, mãe. Papo de pai pra filho. Só isso.

CHARLOTE: - Então tá, já que não querem me falar... Agora vem cá, meu bebê (abraça Breno), como anda a minha norinha querida?

BRENO: - A Mayra está bem. Falei com ela logo pela manhã. Ela tem trabalhado bastante na revista.

CHARLOTE: - Ela é um amor de pessoa. Traga novamente aqui em casa!

BRENO: - Assim que der, mamãe.

DEMÉTRIO: - Você mimando o Breno desse jeito, acho até que ela não vai querer vir. Muita melação pra menina, ela não tem cara de que gosta disso.

CHARLOTE: - Ah, Demétrio, deixa de bobagem! Amor de mãe, só isso.

 

Charlote beija Breno, que acha graça.

 

CENA 32. MANSÃO TARCÍSIO. INT. DIA.

 

Eduardo chega na mansão atordoado, apressado. Ao chegar na sala, se depara com Agda, Alfredo e Inês presentes no local, juntamente com a polícia.

 

EDUARDO: - O que está acontecendo aqui? Uma espécie de convenção?

ALFREDO: - Sem brincadeiras, Eduardo. Acabou pra você.

EDUARDO: - Acabou o quê? Não acabou nada!

INÊS: - Não tem mais pra onde fugir, Eduardo.

AGDA: - O único lugar para onde você vai é a cadeia.

ALFREDO (aos policiais): - Podem levá-lo.

 

Eduardo tenta fugir, mas é pego pelos policiais. Ela tenta se soltar.

 

EDUARDO: - Isso é um absurdo! Vocês não podem fazer isso comigo!

INÊS (aproxima-se de Eduardo): - Você é que não pode mais ficar enganando, roubando, iludindo as pessoas, Eduardo. Já chega dessa sua farsa!

EDUARDO: - Você é uma idiota, Inês! Casou com um homem idiota, medíocre feito você! Merece mesmo essa vida de merda!

 

Inês dá um tapa no rosto de Eduardo. Alfredo a afasta dele. Eduardo ri, cínico, enquanto é levado pelos policiais para fora da casa. Inês chora.

 

AGDA: - Não se abale por ele, Inês. Está tendo o que mereceu.

ALFREDO: - Finalmente justiça será feita.

 

Alfredo abraça Inês, confortando-a.

MUSIC ON: The Lady Is A Tramp - Tony Bennett e Lady Gaga

 

CENA 33. TRANSIÇÃO DO TEMPO. ANOITECER

 

MUSICA CONTINUA.

Imagens de São Paulo ao anoitecer. Mostra a Avenida Paulista, o Monumentos aos Bandeirantes, a Estação da Luz.

 

CENA 34. MANSÃO TARCÍSIO. INT. NOITE.

 

MUSICA OFF.

Rafael, Vitória, Elizabeth, Agda, Inês, Fabrício e Alfredo, conversam.

 

VITÓRIA (abraça em Elizabeth): - O que mais me conforta é que você está bem, mamãe.

ELIZABETH: - Bem em termos, minha filha. Por fora apenas. Por dentro, estou sangrando.

INÊS: - Não diga isso, Beth.

ELIZABETH: - Eu me sinto uma pessoa sem alma, sem chão.

RAFAEL: - Sem alma era esse salafrário do Eduardo. Mas ele vai ter o que merece.

FABRÍCIO: - Ele conseguiu levar todo mundo na conversa. Fico surpreso com isso. Não dava pra desconfiar dele. Nem um pouco.

ALFREDO: - Mas esse era o jeito dele de agir. Ser a pessoa mais crível possível, para que você nunca pudesse apontá-lo como culpado de alguma coisa. Mas ele acabou se ferrando.

AGDA: - É preciso que todos saibam que foi ele o responsável por aquela situação constrangedora envolvendo a Nice e o Moisés aqui em casa.

VITÓRIA: - Não acredito!

INÊS: - A Nice falou para mim e para o Alfredo que ele estava sempre a coagindo, ameaçando. Como ela o viu mexendo no cofre da mansão, ele a teve como ameaça.

ELIZABETH: - Mexendo no cofre da mansão?

AGDA: - Ele estava o tempo todo rondando o nosso dinheiro, Beth!

RAFAEL: - Ele queria o cargo do Paulo na empresa a todo custo.

ALFREDO: - Esse cara merece mofar na cadeia por um bom tempo.

AGDA: - Mas aqui é Brasil. É capaz de em poucos dias, a gente encontrar ele na rua.

ALFREDO: - Eu estou um pouco mais esperançoso, Agda. Ele também está sendo procurado pela polícia dos Estados Unidos. Há chances dele ser julgado e condenado lá. E aí, a história é outra.

ELIZABETH: - Seja aqui ou lá fora, só quero que ele pague pelo o que fez comigo, com aquela moça, a Clair... E com tantas outras pessoas que ele enganou esse tempo todo.

 

CENA 35. DELEGACIA. INT. NOITE.

 

Na delegacia, Clair depõe.

 

CLAIR: - Eu o conheci aqui no Brasil, entre 2003 e 2004. Eu já era casada com meu ex-marido, Jason. Foi numa festa, no Rio, Copacabana Palace. E lá, ele já tinha me cantado. Era um homem muito sedutor, bonito... Nós acabamos indo pra cama num dos quartos do hotel... Trocamos telefone. (T) Eu me mudei para os Estados Unidos com o Jason. E pouco tempo depois, eu reencontrei o Solano lá, trabalhando para um fundo de investimentos. (T) Nós acabamos ficando novamente. E outras vezes, outras vezes... Viramos amantes.

DELEGADO: - Ele forçou você a alguma coisa nesse período?

CLAIR: - Não, nunca!... Ele sempre me deixou livre para fazer minhas escolhas. Mas ele insistiu para que eu investisse nesse fundo que ele trabalhava. Falava que ia render muito!... Eu acabei me envolvendo com ele de uma forma muito intensa. Me separei do Jason e acabei investindo quase tudo o que eu ganhei na separação, nesse fundo que o Solano trabalhava... Solano... Nome falso. Tudo era falso. O fundo nunca existiu. Dias depois de eu ter feito a transição, ele sumiu. Me abandonou, não deu mais notícias. Foi quando eu me dei conta que caí num golpe. (chora) Eu fiquei perdida, sem chão. Só pensava em justiça, em encontrar ele, pegar o que é meu!...

 

CENA 36. PENSÃO BEM QUERER. QUARTO SARAH. INT. NOITE.

 

Sarah organiza suas roupas quando sente fortes dores. Ela senta-se na cama e percebe sangramento. Se apavora.

 

SARAH (aflita): - Ai meu Deus, não pode ser!

 

Sarah se contorce, tentando suportar a dor. Ela pega o telefone, disca.

 

CENA 37. APTO ISABELA. INT. NOITE.

 

Conrado e Isabela conversam felizes.

 

ISABELA: - Você havia dito que iria chegar mais tarde na redação e acabou que não pôs nem os pés pra fora daqui.

CONRADO: - Acontece que eu desejei tanto por esse momento, aqui com você, que nada mais me dá vontade do que estar do seu lado.

 

O telefone de Conrado toca.

 

CONRADO: - Olha aí! Estava demorando pra me incomodarem.

ISABELA: - Atende, pode ser importante.

 

Conrado pega o celular. Vê a chamada de Sarah.

 

CONRADO: - É a Sarah.

 

Conrado cancela a chamada.

 

CONRADO: - Pronto. Voltamos a falar de nós dois! (ri)

 

O telefone toca novamente.

 

ISABELA: - Acho que ela quer mesmo falar com você.

CONRADO: - Mas eu não tenho nada pra falar com ela. O que eu tinha pra dizer, já disse.

ISABELA: - Mas atende então e diz pra ela não ligar mais. Pronto.

CONRADO: - É isso mesmo que eu vou fazer. (atende o telefone) Escuta aqui, Sarah! Você pode parar de/ (T) Como? (muda expressão) Mas você quer que eu faça o quê?

 

Alterna cena entre Conrado e Sarah.

 

SARAH (na cama, chorando): - Me ajuda, Conrado! Pelo amor de Deus! Eu estou perdendo o meu filho!

 

Isabela percebe a expressão de Conrado.

 

ISABELA: - O que foi?

CONRADO: - A Sarah. Acho que ela tá tendo um aborto. Tá pedindo ajuda.

ISABELA: - Minha nossa! Vai logo!

CONRADO: - Mas eu não sou o pai da criança!

ISABELA: - Conrado, pelo amor de Deus! Deixa de ser egoísta! Ela tá correndo risco de vida, vai logo ajudar essa moça! Rápido!

CONRADO (ao telefone): - Me fala onde você tá, Sarah. (T) Sei sim, fica perto da onde essa pensão? (T) Ok, estou indo pra aí. Fica calma. (desliga)

ISABELA: - Eu vou com você.

CONRADO (vai para o quarto): - Mas não vai mesmo! (off) Pode ficar aqui e me esperar.

ISABELA: - Mas Conrado, eu/

CONRADO (volta do quarto, coloca os sapatos): - Não adianta reclamar, Isabela. Não dá pra você ir e pronto. Me espera que eu volto.

ISABELA: - Manda notícias, pelo menos!

 

Conrado pega as chaves do carro, dá um beijo rápido em Isabela e sai.

 

ISABELA: - Pobre moça... Espero que fique tudo bem.

 

CENA 38. CASA ROSA. QUARTO. INT. NOITE.

 

Rosa, deitada na cama, chora.

 

FLASHBACK. CENA 21. CAP 37.

 

Elizabeth se abraça mais em Jorge. De repente, Rosa vai chegando na sala para pegar a bolsa que esqueceu e vê novamente Jorge e Elizabeth abraçados. Rosa se entristece ao vê-los. Eles não a notam. Rosa pega a bolsa e sai.

 

CENA 39. CASA ROSA. QUARTO. INT. NOITE.

 

Rosa senta-se na cama, decidida.

 

ROSA: - Isso não ficar assim.

 

Rosa se levanta, vai para o close, escolha uma peça de roupa.

 

ROSA (a si mesma): - Essa história precisa ser posta em pratos limpos.

 

CENA 40. CASA LÍVIA. QUARTO LÍVIA. INT. NOITE.

 

Lívia e Jonas conversam.

 

LÍVIA: - O Jorge prometeu que vai investigar mais a fundo essas suspeitas sobre a Marilu... Tomara mesmo que tudo o que a gente tá fazendo dê certo e que aquela oportunista seja presa!

JONAS: - Vai dar tudo certo sim, meu amor.

LÍVIA: - Eu não vou sossegar enquanto não ver ela se dar mal, Jonas. (firme) Não vou.

JONAS: - Nossa, Lívia. Você está com um senso de justiça, ou seria de vingança, bem forte. Às vezes não te reconheço.

LÍVIA: - Nem eu mesma estou me reconhecendo, Jonas. O que eu mais quero é que ninguém mais seja vítima das armações da Marilu. Só isso.

JONAS: - Ninguém de um modo geral? Ou apenas o Rafael?

 

Lívia surpreende-se com a pergunta de Jonas.

 

LÍVIA: - Ah, Jonas!... Todas as pessoas. O Rafael é o alvo dela agora. Mas depois, pode ser outro homem ou outra mulher. A gente nunca sabe o que ela é capaz de fazer, aonde pode chegar.

JONAS: - Tá certo. Desculpa a pergunta. Acontece que eu só queria entender um pouco/

LÍVIA: - Jonas, eu não tenho mais nada com o Rafael, se é isso que você quer saber.

JONAS: - Não mais nada justamente por causa da Marilu. Se não fosse ela, vocês estariam juntos agora.

LÍVIA: - Não, não é verdade. Talvez não.

JONAS: - Talvez!...

LÍVIA: - Jonas, eu estou com você agora e é isso que importa!

JONAS: - Mas acontece que eu me sinto inseguro, vivendo na incerteza de que você está comigo, mas, até quando? O que me garante que depois que você conseguir tirar a Marilu da jogada, você e o Rafael não possam se reaproximar e...

 

Jonas caminha para o outro lado da sala, pensativo. Lívia o observa.

 

JONAS: - Eu não quero perder você de novo, Lívia.

LÍVIA: - Não pensa nisso, Jonas. (vai até ele) Meu amor...

JONAS: - Você é a coisa mais importante que aconteceu pra mim, na minha vida.

LÍVIA: - Eu sei, meu querido. Não se preocupa. A gente vai ser feliz, Jonas.

 

Lívia o beija. Os dois ficam abraçados.

 

CENA 41. RUA AUGUSTA. EXT. NOITE.

 

Demétrio e Breno aguardam dentro do carro. Demétrio um tanto apreensivo. Breno, ao volante, observa atento a expressão do pai.

 

BRENO: - O que está acontecendo, pai? Por que a gente tá aqui, no meio da Augusta?

DEMÉTRIO: - Calma, Breno!... Daqui a pouco você vai saber...

BRENO: - Daqui a pouco? Sei...

DEMÉTRIO: - Olha lá! (aponta para a rua)

 

Breno e Demétrio observam a chegada de viaturas da polícia, num estabelecimento do outro lado da rua. Os policiais descem e entram no pequeno prédio (2 andares), onde na frente, funciona um pequeno bar.

 

Pouco tempo depois, os policiais saem do prédio, levando homens algemados, caixas, computadores.

 

BRENO: - Pai! O que é isso?!

DEMÉTRIO: - É o fim, meu filho. É o fim de tudo.

 

De repente, Olavo sai de dentro do prédio, algemado e entra dentro de uma das viaturas da polícia, que vai embora, enquanto a apreensão de material continua.

 

DEMÉTRIO: - Eu finalmente tive coragem e denunciei o Olavo.

BRENO: - Quem é esse Olavo?

DEMÉTIRO: - Ele era o dono desse cassino clandestino que a polícia acabou de desmanchar. Era ele o dono da banca de turfe onde eu apostei e perdi parte do nosso dinheiro. Era ele, meu filho, que muitas vezes me tentava a apostar até o que eu não tinha. E eu ficando sempre mal, enquanto ele, cada vez mais rico.

BRENO: - Pai... Eu nem sei o que dizer. O senhor foi muito corajoso com essa atitude!... Sinto orgulho de você.

DEMÉTRIO: - Até que enfim eu consegui por um fim nessa história. Agora vamos embora, Breno. Vamos pra casa...

 

Breno liga o carro e sai. A polícia continua a fazer a investigação no local, apreendendo material.

 

CENA 42. MANSÃO TARCÍSIO. INT. NOITE.

 

Rosa chega na mansão. É recebida com surpresa por Elizabeth.

 

ELIZABETH: - Rosa?

ROSA (entrando): - Eu quero falar com você.

ELIZABETH: - Mas/

ROSA (firme): - Agora.

 

As duas ficam na sala, a sós.

 

ELIZABETH: - E então?

ROSA: - Eu vi, novamente, você se jogando nos braços do Jorge.

ELIZABETH: - Como é que é?

ROSA: - Não precisa fingir agora, Beth. Estamos só nós duas aqui e a gente precisa resolver essa história de uma vez por todas.

ELIZABETH: - Não há história nenhuma para resolver.

ROSA: - Tem sim!...

ELIZABETH: - Você pode até tentar, Rosa, mas não vai mudar o passado.

ROSA: - Eu agora não falo do passado, embora ele esteja sempre presente entre nós. Eu falo de hoje, agora. Para de ficar forçando a barra com o Jorge, como se fosse uma garotinha, uma ninfeta!

ELIZABETH: - Agora quem está agindo assim, feito uma adolescente desesperada é você, Rosa!... Olha só, eu tive um dia muito difícil hoje, uma decepção terrível. Não tenho tempo para essas baboseiras.

ROSA: - Pra mim não é baboseira. Eu estou aqui para tentar evitar a repetição dessa nossa história, Beth. E você sabe que isso não vai ser bom pra ninguém.

ELIZABETH: - Eu tive uma história ótima/

ROSA: - Você teve uma ilusão!

ELIZABETH: - O que é que você sabe da minha vida, Rosa?

ROSA; - Eu sei que você viveu num mundo de fantasia, fora da realidade de um casamento em crise, sem carinho, sem amor.

ELIZABETH: - Cala a boca!

ROSA: - No fundo, eu fiquei com pena de você, Beth. Do seu casamento com o Tarcísio, que mesmo com os filhos, era evidente que não andava bem.

ELIZABETH: - Eu não preciso e nunca precisei da sua pena!

ROSA: - Dói enfrentar a realidade, não dói?

ELIZABETH: - E você, não respeita a minha dor? Nunca?

ROSA: - Você é que nunca soube me respeitar, Beth!... Não basta ter me tirado o Tarcísio no passado. Agora que o Jorge?! (grita) Você quer tudo o que eu tive de bom na vida, Beth?!

ELIZABETH: - Eu não tenho culpa se o destino me aproximou do Jorge, justamente agora, quando eu mais precisei, Rosa. E para o seu governo, eu nunca forcei nada com ele! Nada! Se ele está ficando mais próximo de mim, é porque ele quer.

ROSA: - Eu quero ver você dizer na minha cara que não quer nada com o Jorge.

 

Elizabeth se cala.

 

ROSA: - Vamos! Diga logo!

ELIZABETH: - Você é uma recalcada, Rosa.

ROSA: - E você é invejosa, mentirosa!... Você me inveja porque sabe que o Tarcísio nunca te amou de verdade! E agora tá de olho no Jorge pra tentar me ferir!

ELIZABETH: - Não! É mentira! O Tarcísio sempre me/

ROSA: - Ele sempre suportou você, Beth. Essa é a verdade. Ele suportava essa conveniência do casamento... Nunca houve amor... Nunca.

 

Agda chega no local.

 

AGDA: - Acho que já chega. Essa discussão não vai levar a nada!

ROSA: - Tal mãe, tal filha... Vocês duas tem o mesmo espírito. Arrogância, e inveja.

AGDA: - Meça suas palavras, Rosa. Você está dentro da minha casa e eu exijo respeito, se é que você ainda tem pelo menos um resto disso.

ROSA: - E vocês entram na minha vida, atrapalham a minha felicidade e ninguém toca na palavra respeito!... Desde lá de trás, Agda. Você botando o dedo na vida dos outros. Conduzindo a vida da sua filha ao seu bel prazer.

ELIZABETH: - A minha vida quem conduz sou eu!

ROSA: - Isso é você que pensa, não é? Quem você acha que colocou o Tarcísio na sua vida? Quem você acha que arquitetou o seu casamento maravilhoso? Sua mãe nunca foi com a cara do Tarcísio!

AGDA: - Fique quieta, Rosa!

ROSA: - Tarcísio veio para salvar essa família da falência!

AGDA (grita): - Chega Rosa!

 

Elizabeth chora.

 

AGDA: - Você quer o quê? Nos enlouquecer? Não está vendo que a Beth está sofrendo?

ROSA: - Eu estou cansada de ter a minha vida atrapalhada por vocês!... Eu seria feliz, Agda!

AGDA: - O Tarcísio teve a oportunidade de escolher, Rosa. E ele escolheu a gente. Você precisa saber perder.

ROSA: - Mas agora eu não admito perder. Não mesmo. (encara Elizabeth) Por isso mesmo eu quero que você se afaste de vez do Jorge. Eu não vou deixar você me roubar a chance de ser feliz novamente. Não vou.

AGDA: - Saia daqui, Rosa. Saia da aqui!

 

Rosa encara as duas. Elizabeth ainda chora, contida. Agda séria.

 

ROSA: - Tenham uma boa noite.

 

Rosa vai embora. Agda se aproxima de Elizabeth, abraça a filha.

 

ELIZABETH: - Ai, mamãe...

AGDA: - Não fica assim, minha filha.

ELIZABETH: - E o pior é que o que ela disse era verdade. O Tarcísio nunca sentiu amor por mim.

AGDA: - Não ligue para a Rosa, Beth...

 

Elizabeth se levanta, vai subindo as escadas.

 

ELIZABETH: - Tudo errado na minha vida. tudo errado.

 

Elizabeth sai.

 

AGDA: - A Rosa não deveria ter feito isso... Agora ela vai ter o que merece.

 

CENA 43. APTO RAFAEL. INT. NOITE.

 

Marilu e Rafael chegam no apto dele.

 

MARILU: - Nossa, eu tive que dar uma saída da empresa. E nesse meio tempo acontece tudo isso?! Que horror!

RAFAEL: - Minha mãe ficou arrasada. Eu já não me sentia muito a vontade com a relação deles. O Eduardo se mostrou uma pessoa muito prepotente.

MARILU: - As pessoas nos decepcionam de uma tal maneira... Tem gente que tem o dom pra fazer maldade, pra ferir.

RAFAEL: - Mas a polícia conseguiu prender o sem vergonha. Agora ele vai se entender é com a lei. (senta-se no sofá)

 

Marilu senta ao lado de Rafael.

 

MARILU: - E você precisa relaxar, Rafa... O seu dia foi tenso hoje.

RAFAEL: - Tudo o que eu não queria.

MARILU (acaricia Rafael): - Se você quiser, eu posso fazer você relaxar um pouco.

 

Marilu sobe em Rafael.

 

RAFAEL: - Será que isso vai me relaxar mesmo? Meu coração tá batendo mais forte agora.

MARILU: - Faz parte do processo. Mas eu tenho certeza que no final, você vai ficar ótimo.

 

Os dois se beijam.

 

MARILU: - Eu quero me entregar pra você, Rafael. Eu realmente não consigo lutar contra isso. É você quem eu amo. E é pra você que eu quero entregar o meu amor, o meu carinho... (sussurra) O meu corpo. Todo seu.

 

Rafael beija Marilu de forma calorosa. Ele a deita no sofá. Os dois se beijam com tesão, vontade. Aos poucos, começam a se despir. Rafael beija o corpo de Marilu, que se entrega à ele.

 

CENA 43. DELEGACIA. INT. NOITE.

 

Pereira e Hugo chegam na sala de Jorge, que está analisando uns papéis em sua mesa.

 

PEREIRA: - Você vai ficar Jorge?

JORGE: - Vou sim.

HUGO: - Bom, a gente já vai indo. Hoje é minha noite de folga. Patroa quer ir num pagode na Vila Matilde.

JORGE: - Vai curtir, Hugo. Faz bem.

PEREIRA: - Jorge, qualquer coisa, só ligar.

JORGE: - Valeu pessoal.

 

Hugo e Pereira saem. Jorge se levanta, vai até o arquivo e retira de lá um pacote. Ele abre. Há discos (DVDs). Ele pega um, coloca no PC. Abre o vídeo.

 

CAM mostra detalhes: são imagens de uma câmera de segurança de prédios situados na avenida onde ocorreu o acidente de Lorena. As imagens mostram o carro de Marilu empurrando o veículo de Lorena, que perde o controle.

 

Jorge se impressiona. Ele pega outro DVD, coloca no PC. Abre novo vídeo. Mostra imagens mais próximas. Ele pausa. Dá zoom. CAM foca: dá pra perceber que quem dirige o carro que empurrou Lorena é Marilu.

 

JORGE: - A Marilu!...

 

FLASHBACK. CAP. 32. CENA 19. CASA LÍVIA. EXT. DIA.

 

Marilu se aproxima do seu carro, olha a lataria, um pouco amassada.


MARILU
: - Não posso continuar com esse carro assim. Lorena morreu, mas me deixou um prejuízo! Vaca.

 

Marilu entra no carro e sai. Logo em seguida, um outro carro sai atrás dela (CAM foca Jorge dirigindo).

 

CENA 44. DELEGACIA. INT. NOITE.

 

Volta à cena atual. Jorge salta da cadeira, atônito.


JORGE
: - Preciso ir até a mecânica... Mas já tenho o que eu precisava... Marilu, você deve explicações para a polícia.

 

Em Jorge, confiante.
 

Encerra com Pra Rua Me Levar – Ana Carolina.

 
     
     


autor
Édy Dutra

elenco
Christine Fernandes como Lívia
Taís Araújo como Marilu
Zé Carlos Machado como Tarcísio
Fábio Assunção como Rafael
Bruno Ferrari como Jonas
Marcos Caruso como Paulo
Renata Domingues como Carla
Júlio Rocha como Breno
Bianca Castanho como Beatriz
Júlia Feldens como Vitória
André Bankoff como Fabrício
Danton Mello como Marcos
Lavínia Vlasak como Isabela
Caco Ciocler como Conrado
Janaína Lince como Sarah
César Mello como Alfredo
Aída Leiner como Inês
Luíza Curvo como Tatiana
Jonathan Haagensen como Plínio
Marco Ricca como Fausto
Sílvia Pfeifer como Lorena
Thaís Vaz como Mayra
Gisele Policarpo como Gisa
Guilherme Leme como Almir
Mônica Martelli como Louise
Sérgio Menezes como Kléber
Cyria Coentro como Nice
Ernesto Piccolo como Moisés
Natália Guimarães como Rita

Atrizes convidadas
Sônia Braga como Elizabeth
Regina Duarte como Rosa
Valquíria Ribeiro como Adriana
Ângela Leal como Agda
Mila Moreira como Charlote
Denise Del Vecchio como Onira
Beatriz Segall como Wanda
Arlete Salles como Alaíde

Atores convidados
Gracindo Júnior como Demétrio
Rodrigo Santoro como Henri
Juan Alba como Alexandre
Nill Marcondes como Eduardo
Roberto Bonfim como Roberto
Floriano Peixoto como Jorge

Participações especiais
Dudu Azevedo como Romão
Elisa Lucinda como Cidália
Antonio Pitanga como Tenório
Vanessa Lóes como Clair
Alexandre Slaviero como Hugo
Lui Mendes como Pereira
Mônica Martelli como Louise
Dudu Azevedo como Romão

Trilha Sonora
Pra Rua Me Levar – Ana Carolina (abertura)
Amor, meu Grande Amor – Frejat
The Lady Is A Tramp - Tony Bennett e Lady Gaga

Produção

Bruno Olsen
Cristina Ravela
Diogo de Castro


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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Proibida a cópia ou a reprodução

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