Talismã - Capítulo 29



     
 

No capítulo anterior de Talismã:

 

MARILU (surpresa/estranha): - Lorena?!

LORENA: - O que foi, Maria Luísa? Surpresa em me ver?

MARILU: - Um pouco, mas o que a senhora/

LORENA: - Mas ainda bem que eu te encontrei aqui, agora, não é mesmo? Imagina se eu te encontro a mais ou menos uns 40 minutos, no hotel, com o meu marido?!

 

Marilu se surpreende, finge-se de desentendida.

...
 

LORENA: - Você nunca foi minha amiga. Se aproximou de mim por interesse, pela minha posição na empresa. Mas você perdeu a minha confiança... Aliás! Agora tudo está se encaixando... Certamente você está envolvida naquele caso da Tatiana! Tirou o lugar dela para pegar pra si!... Tudo faz sentido!... Você perdeu meu respeito, tudo o que eu te dei/

MARILU: - Você nunca me deu nada, Lorena!

LORENA: - Ah não? Você vai ter agora então um belo presente. Vou ligar agora para o Rafael e contar tudo sobre você, Maria Luísa. Tudo!

 

Lorena pega o celular, mas Marilu arranca o telefone da mão de Lorena e joga no chão, pisando em cima logo em seguida, quebrando o aparelho. Lorena empurra Marilu, que cai no chão.

 

LORENA: - Desgraçada... Eu vou pessoalmente falar com o Rafael. Você vai ter o que merece!

 

Lorena entra em seu carro e sai. Marilu faz o mesmo, entrando em seu carro e seguindo, em disparada, atrás de Lorena.

...
 

Perseguição entre Lorena e Marilu numa avenida, pouco movimentada.

 

MARILU: - Vamos quem aqui vai ter o que merece... Você não vai me atrapalhar, Lorena! Não vai!

 

CAM acompanha a aproximação do carro de Marilu com o carro de Lorena. Marilu, algumas vezes, bate no carro de Lorena.

 

LORENA: - Louca!

 

Marilu aproxima o carro ainda mais do carro de Lorena. Marilu então joga seu carro sobre o de Lorena, empurrando o outro veículo. Lorena perde o controle do carro, que capota em plena avenida.

 

Marilu acelera o carro, foge em disparada. CAM mostra o carro de Lorena, completamente destruído após as inúmeras capotagens na pista. Mostra o corpo de Lorena, caído para fora do carro. Lorena está morta.

...

JONAS
: - Posso sentar aqui com você?

ALEXANDRE: - Xi... Olha aqui rapaz, eu não/

JONAS (sentando): - Que bom que você deixou, porque querendo ou não, a gente precisa ter uma conversa. De homem pra homem.

ALEXANDRE: - Homem pra homem? O único homem que eu vejo aqui sou eu, moleque.

JONAS; - Nossa, que exemplo de homem você é, explorando mulheres no Rio de Janeiro e extorquindo dinheiro da mãe do seu filho. O que será que a justiça vai pensar desse homem quando souber o que ele faz por aí?

...

LÍVIA: - Obrigada, Rafael, pela carona.

RAFAEL: - Imagina, não precisa agradecer... Mas agora vai ser difícil entrar na empresa e não ter mais a Lorena.

LÍVIA; - Vai mesmo. Vamos ter que seguir nos apoiando.

RAFAEL: - Bom saber que eu posso contar com você.

 

Rafael se aproxima de Lívia.

 

LÍVIA: - Rafael, por favor... Não vamos misturar as coisas. Não está certo.

RAFAEL: - Eu não sei o que tem acontecido comigo. Eu sinto que eu mudei. Ficar do seu lado, perto de você, me faz me sentir melhor.

LÍVIA: - Você tem sua noiva!

RAFAEL: - Ontem eu fiz amor com ela, mas não tirei você da cabeça.

 

Lívia se surpreende.

 

LÍVIA: - Rafael, isso que você está dizendo é/

RAFAEL: - O que eu estou dizendo é que eu descobri que estou te amando. E eu não quero lutar contra isso.

 

Rafael se aproxima de Lívia, acaricia seu rosto. Lívia se deixa levar. Os dois se beijam. Nesse instante, Beatriz chega.

 

BEATRIZ: - Rafael!

 

Rafael e Lívia surpreendem-se. Conversam e se beijam. Beatriz vê tudo.

 

 
     
     
     
     

CAPÍTULO 29
 
     
 
 
 

CENA 01. EMPRESA AMARO. EXT. DIA.

Continuação do capítulo anterior. Beatriz flagra Rafael e Lívia aos beijos.

 

BEATRIZ: - E eu pensando que depois de tudo o que a gente passou, você tivesse consideração por mim!

RAFAEL: - Beatriz, calma!

BEATRIZ (grita): - Não me pede calma! Eu não quero ficar calma!

LÍVIA; - A gente não deveria, Rafael...

BEATRIZ: - Ah não deveria mesmo, sua oferecida. Você tem noção que desde que você chegou aqui, a vida de todo mundo ficou uma droga? Você conseguiu destruir a felicidade de uma família, de um casal apaixonado como eu e o Rafael!

LÍVIA: - Eu não tive culpa de nada, Beatriz!

BEATRIZ: - Você não tem vocação para santa, Lívia. Conheço bem o tipo de mulher que você é. Interesseira, dissimulada!

RAFAEL: - Para Beatriz! A gente não vai resolver as coisas dessa forma!

BEATRIZ: - Resolver o quê, Rafael? O que temos que resolver aqui? Você vai querer escolher agora com qual das duas quer ficar, é isso? Que bela palhaçada!

RAFAEL (firme): - Sim, é isso sim!

 

Beatriz se cala, surpresa.

 

RAFAEL: - Você tinha falado em consideração. Eu pensei muito nisso. Eu sempre fui muito correto nas minhas atitudes, nas minhas decisões.

BEATRIZ (temendo perder Rafael): - Calma, querido... Não precisa falar nada.

RAFAEL: - Não, Beatriz! Eu preciso é falar! Estou com muita coisa trancada na garganta. E a minha cabeça já não consegue processar tudo o que eu penso.

LÍVIA: - Rafael, calma.

RAFAEL: - Desde que você chegou, Lívia, eu percebi que algo mudou na minha vida... E foi para melhor.

 

Beatriz se surpreende.

 

RAFAEL (aproxima-se de Lívia): - Mas isso que eu senti, não sei explicar. É algo que não dá pra expressar com palavras. Eu nunca imaginei estar nessa situação, vivendo esse tipo de sensação com alguém que, em tão pouco tempo, tomou conta dos meus pensamentos.

LÍVIA: - Rafael, eu nem sei o que dizer... Você também mexeu comigo.

BEATRIZ: - Que palhaçada é essa?! Alguém pode me explicar?

 

Rafael vira-se para Beatriz, vai até ela.

 

RAFAEL: - Eu vivi bons momentos com você, Beatriz. Não vou negar que você me proporcionou inúmeras alegrias. Você é uma mulher especial, pode ter certeza disso.

BEATRIZ: - Mas então porquê/

RAFAEL: - Mas acho que amor... Amor mesmo, eu estou sentindo agora. Com a Lívia.

BEATRIZ (chocada): - Ah, então você acha que está amando?

RAFAEL: - Meu coração está dizendo que sim.

 

Beatriz fica sem reação. Lívia, atrás de Rafael, se surpreende com os dizeres dele. Está emocionada também. Rafael olha para Beatriz com uma certa pena por ter que terminar com ela.

 

BEATRIZ: - Então quer dizer que você está colocando um fim no nosso noivado, é isso? Está colocando um fim na nossa história de tantos anos?...

RAFAEL: - Não seria justo eu continuar com você e te enganando. Não sendo verdadeiro comigo também.

BEATRIZ: - A fruta não cai longe do pé, já dizia o ditado... Você está sendo igual ao seu pai. Trocando uma história concretizada por uma aventura.

RAFAEL: - Eu não queria que você ficasse assim/

BEATRIZ: - E queria que eu ficasse como, vendo você me trocar por uma qualquer?... (se aproxima de Rafael, fica cara a cara com ele) Você é meu, Rafael. A gente vai ficar ligado para sempre. Você vai ver.

 

Beatriz se afasta, encara Lívia, que os observa, e vai embora. Lívia se aproxima de Rafael. Os dois se abraçam fortemente. Ficam abraçados por um instante.

MUSIC ON: Amor, meu Grande amor – Frejat

 

RAFAEL: - Acho que eu nunca disse isso para alguém antes.

LÍVIA; - O que?

RAFAEL: - Eu te amo.

 

Lívia, com olhos reluzentes. Lívia e Rafael visivelmente atraídos um pelo outro. Os dois se beijam, apaixonados.

 

CENA 02. CASA ROSA. INT. DIA.

 

MUSIC OFF.

Rosa conversa com Louise.

 

ROSA: - Eu achei ele tão estranho...

LOUISE: - O Jorge? Estranho por que?

ROSA: - Não sei... Ele foi até lá em casa para dizer que a Lívia tinha se envolvido numa discussão com a Beatriz, a noiva do Rafael e/

LOUISE: - A Lívia?! Mas/ Ah, não me diga que...

ROSA: - Parece que sim. A Lívia pode estar se envolvendo com o Rafael. Era tudo o que ela não precisava.

LOUISE: - Ah Rosa, mas essas coisas de coração a gente não controla né?... Olha o meu caso! Acostumada com tudo do bom e do melhor na França e agora estou aqui, tendo um caso com um músico de barzinho!

ROSA: - Mas você não é parâmetro, Louise. Como você mesma disse, a sua carne é fraca! (risos)

LOUISE: - É, tem razão... Mas foca na fofoca. Você disse que o Jorge foi falar da Lívia pra você, e...?

ROSA: - E então que eu achei que ele foi até lá em casa não apenas para isso. Nem ao menos para me ver. Ele foi buscar alguma outra coisa que eu ainda não consegui descobrir o que é.

LOUISE: - Como assim? Você tá me deixando confusa, Rosa.

ROSA: - O Jorge foi lá em casa para saber algo sobre a Lívia. Mas eu não sei o quê!

LOUISE: - Ih, coisa estranha hein!

ROSA: - Muito... A Lívia precisa se cuidar... Não estou sentindo boas vibrações.

LOUISE: - Ai amiga, nem brinca com essas coisas! Xô nuvem ruim daqui!

ROSA; - E eu não consigo falar com a Lívia, conversar com ela sobre tudo isso... Queria que ela ficasse mais leve, com menos tensão sobre a vida dela, sobre tudo.

LOUISE: - Quer saber? A gente tá precisando é espairecer mesmo. E sabe que eu já tenho até uma ideia daquelas!

ROSA: - Já sei. É festa.

LOUISE: - Acertou na mosca! Você já percebeu que a Lívia tá morando na casa nova e não fez nem uma recepção pra ninguém? Tá na hora disso acontecer, não acha?

ROSA: - Você está sugerindo uma open house, é isso?

LOUISE: - Claro! Já estou com tudo planejadinho na minha cabeça! Tenho certeza que a Lívia vai gostar. Vai ser bom pra ela também, relaxar, curtir um pouco.

ROSA: - Assim espero... Mas então, o que você pensou?

LOUISE: - Pensei em algo chique, mas ao mesmo tempo, bem descontraído, sabe?...

 

Louise vai falando seu projeto para a festa de Lívia.

 

CENA 03. BAR. INT. DIA.

 

Jonas e Alexandre discutem. Alexandre a encarar Jonas.

 

JONAS: - Então Alexandre? O que você me diz da polícia saber o que você já aprontou e quer aprontar por aí?

ALEXANDRE: - Você é um moleque mesmo. Um moleque muito idiota por sinal.

JONAS: - Você duvida do que eu posso fazer?

ALEXANDRE: - Meu querido, vai encher o saco de outro e me deixa tomar minha cerveja em paz!

JONAS: - Você não vai mais atrapalhar a vida da Lívia!

ALEXANDRE: - O que há entre eu e a Lívia só diz respeito a nós dois... Não se meta no que você não sabe.

JONAS: - Eu sei muito bem da relação de humilhação que você fez ela passar.

ALEXANDRE: - Então você só sabe uma parte da história. Garanto que ela não te contou o principal, a cereja do bolo!

JONAS: - Do que você está falando?

ALEXANDRE: - Ah, você não sabe... Pergunta pra sua amada então! Ela sabe muito bem porque eu estou aqui, e que tão cedo eu não vou me afastar dela.

JONAS: - É dinheiro que você quer, não é? Fala cara, eu pago!

 

Alexandre ri de Jonas, debochado.

 

ALEXANDRE: - Morando numa pensão de quinta, você acha que vai conseguir me pagar?! Se enxerga cara!... E eu não quero só dinheiro não. Quero dignidade!... Você não pode me dar nada disso. Só a Lívia.

JONAS: - Eu não vou deixar você fazer nenhum mal pra ela nem para o Pedro.

ALEXANDRE: - O Pedro é meu filho e eu tenho direito de ver ele. Você está sendo um verdadeiro estorvo, tentando se meter em assuntos familiares. (ao garçom) ei cara, esse moço aqui ta me importunando! Não posso nem beber minha cerveja em paz! Vocês precisam controlar melhor quem entra aqui, quem freqüenta! Assim não dá!

 

O garçom se aproxima de Jonas.

 

JONAS (ao garçom): - Não precisa dizer nada, eu já estou de saída. (encara Alexandre) Nossa conversa não acabou aqui.

ALEXANDRE: - Ah não? Que pena... Não vejo a hora de te encontrar novamente... (firme) Some do meu caminho.

 

Jonas vai embora. Alexandre pega o telefone, disca.

 

ALEXANDRE (ao telefone): - Alô? (T) Eu gostaria de falar com Nestor Madeira. (T) Fala Nestor! Sou eu, Alexandre! Como vai? (T) Estou bem, tirando alguns probleminhas. E foi por isso que eu te liguei, meu querido amigo advogado. Lembra daqueles favores que eu te fiz? Pois então, agora eu quero a sua retribuição.

 

CENA 04. MANSÃO TARCÍSIO.  COZINHA. INT. DIA.

 

Nice organiza a cozinha, um tanto desatenta. Moisés percebe.

 

MOISÉS: - Ei, ei, Nice. O que foi?

NICE: - Nada não, Moisés.

MOISÉS: - Como nada não? Ta aí, toda nervosa. Mal consegue arrumar a cozinha! Pode me falar, mulher, te conheço. Tá preocupada com o quê?

NICE: - Ai, nada não...

 

Moisés pega Nice pela mão, sentam-se à mesa.

 

MOISÉS: - Pode me falar.

NICE: - Ai querido, eu não quero causar nenhum mal aqui dentro, nem me meter em confusão.

MOISÉS: - Mas do que você ta falando?

NICE: - Não conte pra ninguém, pelo amor de Deus!... Ontem à noite, eu estava passando no corredor, próxima ao escritório, quando vi o doutor Eduardo mexendo no cofre da mansão.

MOISÉS: - Mas o que tem de mais nisso? Ele é o novo namorado da dona Beth, certamente ela autorizou ele a mexer no cofre.

NICE: - Aí é que está. Eu entrei pra saber se ele estava precisando de alguma coisa, quando ouvi ele esbravejar que não sabia a senha. E quando ele me viu, só faltou comer meu rim!

MOISÉS: - Ele fez alguma coisa com você?!

NICE: - Me repreendeu, me disse cada coisa horrível, Moisés!... E ainda me ameaçou, dizendo que eu falasse alguma coisa para a dona Beth, ele faria de tudo para me colocar pra fora daqui!... Eu fiquei com muito medo, querido!

MOISÉS: - Calma, meu amor!...

NICE: - Esse homem é uma pessoa má. Ele vai prejudicar todos aqui, eu senti isso... A gente não pode deixar que aconteça algo ruim com a dona Beth e com essa família que sempre nos acolheu...

MOISÉS: - Calma, Nice!... A gente vai conseguir dar um jeito nessa história. Mas por enquanto, deixa como está. Você não falou nada para a dona Beth ou pra alguém aqui?

NICE: - Não. Só pra você.

MOISÉS: - Então ta, continuamos assim. Só entre você e eu.

 

CENA 05. MANSÃO TARCÍSIO. QUARTO. INT. DIA.

 

Elizabeth organiza umas roupas no closet, enquanto Eduardo, deitado na cama, conversa com ela.

 

EDUARDO: - Meu amor, desde quando você trabalha com esses empregados?

ELIZABETH: - Com a Nice e o Moisés? Nossa, há tantos anos... Por que?

EDUARDO: - Por nada não...

ELIZABETH: - O que foi Eduardo? Conheço esse seu jeitinho. Pode falar...

EDUARDO: - Não, vai ver é só impressão minha.

ELIZABETH: - Impressão do quê? Eles fizeram alguma coisa que você não gostou? Te destrataram?

EDUARDO: - Não, imagina! Sempre me trataram muito bem... Eu só acho que eles me parecem um tanto distantes daqui da casa, sabe?

ELIZABETH: - Como assim?

EDUARDO: - Sei lá... Talvez pelo fato de estarem aqui há muito tempo, eles se desinteressaram pelo serviço. Notei uma certa má vontade na Nice ontem, quando esteve no escritório... Parecia que ela não queria estar ali.

ELIZABETH: - Você acha?

EDUARDO: - Conheço pessoas que tinham empregados há muito tempo e que, de uma hora para outra, se viram vítimas deles.

ELIZABETH: - Ai Eduardo, que conversa mais sem pé nem cabeça é essa!

EDUARDO: - Beth, Estados Unidos, primeiro mundo! Pode acontecer aqui também... Esses patrões, que eram ricos também, tiveram seus segredos de família usados como armas pelos empregados, que há anos trabalhavam com eles. Usavam como chantagem.

ELIZABETH: - Mas aqui em casa não há segredos. Não corro esse risco. E outra, a Nice e o Moisés foram sempre tão queridos. Não há porquê temer que façam alguma coisa. Eles seriam incapazes de algo desse tipo que você falou.

EDUARDO: - Nunca se sabe, Beth... Às vezes a gente pode estar acobertando um lobo em pele de cordeiro sem se dar conta.

 

Elizabeth fica um tanto intrigada, volta a organizar suas coisas. Eduardo abre um sorriso de canto de boca, cínico.

 

CENA 06. CARRO. AVENIDA. EXT. DIA.

 

Beatriz dirige em alta velocidade. Ela liga para Marilu enquanto dirige.

 

BEATRIZ (ao telefone): - Marilu, eu preciso falar com você! (t) O que aconteceu? O Rafael terminou tudo comigo por causa daquela sem vergonha da Lívia! (T) Eu estou calma! Calmíssima! Minha vontade é de voltar lá e unhar toda cara dela! (T) Você sabe onde eu moro, não sabe? Higienópolis... (T) Isso, isso mesmo. Se puder ir pra lá o quanto antes. (T) Obrigada! (desliga o telefone)

 

Beatriz segue dirigindo rapidamente. Não consegue conter as lágrimas e chora.

 

CENA 07. MOTEL. INT. DIA.

 

Marilu desliga o telefone. Está no quarto de um motel, com Fausto. Ele, sentado numa cadeira, enquanto Marilu senta-se na cama.

 

FAUSTO (aproxima de Marilu): - Por que você me evitou lá em casa?

MARILU: - E você ainda pergunta?! Você enterrou sua mulher hoje!

FAUSTO: - Por isso mesmo! Eu preciso de carinho, atenção... (coloca a mão na perna de Marilu) Você é a única que pode me dar o que eu quero.

MARILU (tira a mão de fausto, levanta-se): - Você é um cachorro, Fausto!... a Lorena era minha amiga!

FAUSTO: - Que amiga o que?! E você era uma falsa então, indo pra cama comigo, marido dela!... Não venha me culpar, Marilu. E tem mais, você não ficava comigo de graça! Eu pagava e pagava bem!... Até carro eu te dei!

MARILU: - Mas agora não vai ser mais assim.

FAUSTO: - E vai ser como então?

MARILU: - Não vai ser, Fausto. Não vai ter mais nada entre a gente.

FAUSTO: - Como é que é? Você está falando sério?

MARILU: - Eu não vou conseguir deitar com você sem lembrar dessa história toda da Lorena, dessa tragédia. Eu vou me sentir um lixo.

FAUSTO: - Deixa de frescura, Marilu! (agarra Marilu) Você gosta disso tudo que eu sei!

MARILU (empurra Fausto): - Não! Eu falei que não!

 

Fausto cai deitado na cama. Marilu muda expressão. Olhos firmes em Fausto.

 

MARILU: - Você não vai tocar mais nem um dedo em mim está ouvindo? Acabou.

FAUSTO: - Você não pode terminar comigo assim!

MARILU: - Não só posso, como vou. E ai de você que venha atrás de mim ou abra a boca sobre o nosso caso. Nesse tempo em que a gente esteve junto, eu colhi boas informações sobre você.

FAUSTO: - Do que você está falando?

MARILU: - Das garotas de programa que você contratava para viajar com você, dos desvios de dinheiro da clínica, impostos não pagos...

FAUSTO: - Mas como você/

MARILU: - A reunião no escritório na sua casa serviu para alguma coisa, Fausto. E a Lorena, coitadinha, tão bobinha... Deixava computador aberto, documentos espalhados... Não foi difícil descobrir que ela acobertava suas fraudes. Isso sim era uma mulher companheira.

FAUSTO: - Sua vaca!

MARILU: - Sim insultos, querido!... Você vai viver sua vida e eu vou viver a minha e assim, ninguém se prejudica. (pega a bolsa) Até nunca mais, Fausto.

 

Marilu sai do quarto, fecha a porta. Fausto fica sem reação, estarrecido.

 

CENA 08. EMPRESA AMARO. SALA RAFAEL. INT. DIA.

 

Rafael e Lívia ficam juntos. Estão dos dois abraçados no sofá da sala da presidência.

 

RAFAEL: - Se isso tudo é sonho, eu não quero acordar... Essa sensação de paz que eu to sentindo é inexplicável.

LÍVIA; - E eu me sinto protegida.

RAFAEL: - Acho que eu posso ter já uma noção do sentimento que meu pai teve por você.

LÍVIA: - Rafael, eu preferiria não/

RAFAEL: - Você traz paz, Lívia... Tem algo em você que é magnetismo puro. Não sei se é seu perfume, sua pele, seu olhar...

 

A pedra do colar de Lívia brilha.

 

RAFAEL: - Essa pedra... De onde ela é? Nunca vi algo tão fantástico.

LÍVIA: - Não sei... É joia de família, herança que passou da minha avó para minha mãe e dela pra mim. Mas eu acredito que ela seja um amuleto, sabe?

RAFAEL: - Um talismã.

LÍVIA (segura a pedra, firme): - Espero que ele nunca me abandone.

RAFAEL: - Nem ele, e nem eu.

 

Rafael segura levemente o rosto de Lívia, a beija, carinhosamente. Lívia se entrega.

MUSIC ON: Amor, meu grande Amor - Frejat

 

CENA 09. TRANSIÇÃO DO TEMPO. ANOITECER

 

 

Imagens de São Paulo ao anoitecer. Mostra os prédios da cidade, iluminados.

 

CENA 10. CASA LÍVIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

 

MUSIC OFF.

Louise explica para Lívia, Rosa e Carla como será a open house.

 

LOUISE: - A decoração será com flores. Rosas, orquídeas...

ROSA: - Gérberas. Eu acho lindas...

LOUISE: - É, uma ótima opção. Vou colocar na lista.

LÍVIA: - Louise, eu adorei tudo! Por mim já podemos fazer tudo isso que você pensou agora!

CARLA: - Eu quero comprar um vestido lindíssimo que eu vi no shopping. Não posso fazer feio nessa festança!

ROSA: - Nem eu! (risos)

LÍVIA: - Eu mal posso esperar... Essa festa veio bem a calhar, sabiam? Tenho novidades...

 

Carla e Louise se olham surpresas, Rosa se contém, um tanto apreensiva. Lívia não percebe, sorri, feliz. De repente, o telefone de Carla toca. Ela vê a chamada. É Almir.

 

CARLA: - Com licença, preciso atender.

 

Carla se afasta.

 

LOUISE: - Ai não, Lívia, eu não vou me aguentar até o dia da festa... Pode falar! Qual é a novidade?

LÍVIA: - Não, Louise! É surpresa!... (percebe Rosa) O que foi, Rosa? Está quieta.

ROSA: - Apenas pensando...

 

Num outro ponto, Carla conversa com Almir.

 

CARLA (ao telefone): - Estou na casa da minha amiga agora. (T) Eu sei, ma... (T) Tudo bem, se você diz que é importante, eu vou. Me espera que daqui a um tempo eu estou aí no seu apartamento. (T) Tá bom. Beijo. (desliga)

 

Carla fica pensativa, quando se surpreende com a presença de Alexandre.

 

CARLA (surpresa): - O que você está fazendo aqui?!

ALEXANDRE: - Aqui é a casa do meu filho, posso entrar e sair sem problemas.

CARLA: - Não, não pode! Essa é a casa da Lívia!

ALEXANDRE: - Carla, Carla... Cuida da sua vida, dos seus programas... Você se dá muito bem no papel de vadia que te compete ao invés de ficar se metendo nos assuntos dos outros. A Lívia está aí?

 

Alexandre vai entrando na sala, Carla vai atrás dele. Louise, Rosa e Lívia se surpreendem ao vê-lo entrar.

 

ALEXANDRE: - Mas é o clube da Luluzinha!

LOUISE: - Gente, quem é esse homem?!

CARLA: - Vai embora Alexandre!

ALEXANDRE: - Lívia, não vai me apresentar as suas amigas?

LÍVIA (seca): - Vai embora daqui, Alexandre! Sai!

ALEXANDRE: - Calma, calma... Não precisa ficar nervosa... Eu vim falar com você, mas pelo visto, você está ocupada com suas amiguinhas... eu só vou então deixar um recadinho: eu já falei com meu advogado, sobre aquele nosso assunto.

ROSA: - Advogado?

LÍVIA; - O que você está aprontando, Alexandre?!

ALEXANDRE: - Eu? Nada... Apenas correndo atrás dos meus direitos... Bom, outra hora a gente conversa... Ou melhor, na sua festinha. Ouvi vocês comentando. Promete ser animada! (saindo, mas volta) ah, já ia me esquecendo. Pede para aquele seu namoradinho, Jonas, me deixar em paz. Da próxima vez que ele vier me importunar, você sabe o que faço quando não gosto da pessoa... Avisa para ele.

 

Alexandre se retira. Todas ficam apreensivas.

 

LOUISE: - Gente, quem é esse homem?! Na festa ele não entra de jeito nenhum!... A gente precisa reforçar a sua segurança, Lívia! E também dar uma bronca nesse condomínio! Qualquer um entra!

CARLA: - Eu tomei um susto quando vi ele entrar aqui!

ROSA: - Você não pode deixar ele entrar aqui, Lívia! Não pode!

LÍVIA: - Eu sei... Eu vou tomar as providências necessárias... o Alexandre não pode me deixar assim, com medo, insegura. Ele não vai conseguir.

LOUISE: - Esse Alexandre é o pai do Pedrinho?

CARLA: - É sim. Um safado, pilantra... (abraça Lívia) ai amiga, eu preciso ir, resolver uns assuntos.

LÍVIA: - Tudo bem, eu te entendo. (olha compreensiva0 se cuida, tá? Qualquer coisa, eu estou aqui.

CARLA: - Você também.

 

Carla se despede de Rosa e Louise e sai.

 

LOUISE: - Eu vou buscar uma água pra você, Lívia. (saindo)

ROSA: - Ele disse que falou com o advogado. O que será que ele quer?

LÍVIA: - Dinheiro, Rosa. O que mais seria?

 

Lívia fica pensativa, um tanto apreensiva.

 

CENA 11. CLÍNICA DR. FAUSTO.     CANTINA. INT. NOITE.

 

Adriana e Gisa conversam na cantina.

 

GISA: - E desde aquela noite, a gente não se viu mais! Eu não consigo nem ligar pro Kléber!... Também né, essa clínica tá bombando mais que festa rave!

ADRIANA: - Calma, amiga. Quando você tiver uma folguinha, vai atrás dele. Você não disse que ele toca num restaurante, na Paulista?

GISA: - Toca, no Europa-Brasil.

ADRIANA; - Ótimo restaurante por sinal. Já fui lá algumas vezes... Com o Marcos...

GISA: - Você já falou com ele depois que aquela naja saiu daqui?

ADRIANA: - Não mais. E acho que até seja melhor assim. Não sei se resisto ao vê-lo de novo.

 

Nesse instante, Marcos chega na clínica. Adriana, de costas não o vê, mas Gisa sim.

 

GISA: - Amiga, se eu te contar que ele está ali atrás, você não vai acreditar!

ADRIANA: - Não vou mesmo.

GISA: - Mas então acredita, porque é verdade.

ADRIANA: - O quê?

 

Marcos se aproxima das duas.

 

MARCOS: - Boa noite.

 

Adriana se surpreende.

 

ADRIANA: - Marcos!

GISA: - Boa noite!

MARCOS: - Que bom que eu te encontrei aqui, Adriana. Será que a gente pode conversar?

ADRIANA: - Sabe o que é, Marcos, eu/

GISA (levantando-se): - Claro que pode! Eu já estou de saída, Marcos, preciso entregar uns prontuários, organizar algumas coisas. Pode ficar aqui no meu lugar.

 

Marcos sorri, senta-se à mesa. Gisa pisca para Adriana e sai. Marcos e Adriana se olham.

 

MARCOS: - Como você está?

ADRIANA: - Bem. E você?

MARCOS: - Quase morrendo de saudades suas.

 

MUSIC ON: Joia Rara – Walmir Borges

Adriana não consegue esconder o sorriso.

 

MARCOS: - Eu precisava vir aqui, ver como você estava, olhar pra você, ouvir sua voz... E também pedir mil desculpas pelo o que minha mãe disse. Ela estava/

ADRIANA: - Marcos, por favor. Não precisa se desculpar por nada. Quem deveria fazer isso é sua mãe, se as atitudes e pensamentos dela mudassem, o que eu acho bem difícil de acontecer. Sinto muito, mas sua mãe tem passado de todos os limites de respeito, bom senso...

MARCOS: - Eu sei e te dou toda razão!... Eu sinto uma vergonha enorme por causa disso. Sinto que as pessoas me julgam ser assim como ela. No fundo tenho medo disso.

ADRIANA: - Você nem de longe é igual à sua mãe. Ainda bem!... (risos) Você é especial. Carinhoso, amável, respeitador, encantador...

MARCOS: - E porque eu, com tantas qualidades como mencionou, não tenho mais você do meu lado?

 

Adriana fica sem reação. Marcos segura sua mão.

 

MARCOS: - Vamos recomeçar, Adriana. Eu não consigo mais pensar em outra coisa se não em ter você do meu lado, junto comigo, numa vida linda pela frente.

ADRIANA: - Ai Marcos, eu nem sei o que dizer...

MARCOS: - Diga que sim, só isso... Eu te amo, Adriana! Te amo!

 

Os dois se olham profundamente. Levantam-se, ficam frente a frente. Se beijam, apaixonados. A cena chama atenção das outras pessoas presentes na cantina, que aplaudem o casal. Os dois riem, felizes, diante dos aplausos.

MUSIC OFF.

 

CENA 12. CASA CHARLOTE. SALA. INT. NOITE.

 

Charlote conversa com Breno, que parece estar distante.

 

CHARLOTE: - E então eu fui até o cofre pegar o colar e pra minha surpresa, ele não estava lá! O colar de esmeraldas não estava lá! Não sei onde foi parar!

 

Charlote percebe que Breno está distante.

 

CHARLOTE: - Breno? Meu filho, está me ouvindo?

BRENO (volta): - Estou sim, mamãe. Você usou o colar então?

CHARLOTE: - Que usei o colar, Breno! Acabei de dizer que o colar sumiu do cofre e/ Breno, onde você estava com a cabeça, meu bebê? Desde que chegou em casa, está quieto... aconteceu alguma coisa?

BRENO: - Nada não mãe... Acho que deve ser excesso de trabalho. O escritório tá cheio de serviço, muita coisa pra gerenciar.

CHARLOTE: - Imagino!... Isso é o peso da responsabilidade.

BRENO: - É, pode ser...

 

Breno fica pensativo.

 

CENA 13. APTO ALMIR. QUARTO. INT. NOITE.

 

Almir abraça e beija Carla, ávido por ela. Carla não parece estar confortável.

 

ALMIR; - Vem cá, vem pra cama...

CARLA: - Almir, calma.

ALMIR (puxando a blusa de Carla): - Deixa de papo, vamos aproveitar! Eu quero você pra mim agora!

CARLA (empurra Almir): - Mas eu não quero!

 

Almir se afasta, sem entender.

 

CARLA: - Não quero...

ALMIR: - O que deu me você? Por que isso agora? Quando eu te liguei, você concordou! Agora que eu estou aqui empolgado, você vai pular fora?

CARLA: - Desculpa, Almir. Mas não vai dar pra continuar. Eu não quero mais. Perdi a vontade, perdi o desejo... Não dá.

ALMIR: - Você não quer mais agora ou não quer mais daqui em diante?...

CARLA: - Sinto muito se a segunda opção não era a que você queria ouvir. Você é um cara especial, mas a nossa relação não está me fazendo bem. Do romantismo passou apenas ao sexo.

ALMIR: - Pela primeira vez vejo uma prostituta reclamar da falta de romance numa relação!

CARLA: - A nossa relação deixou de ser um simples programa, Almir. Você sabe disso. E caso você não saiba, prostituta é ser humano também, tem sentimentos, anseios... E toma decisões. E eu já tomei a minha.

 

Carla pega a bolsa.

 

CARLA: - Espero que você seja muito feliz daqui pra frente.

ALMIR: - Você tem certeza do que está fazendo?

CARLA: - Absoluta.

ALMIR: - O anel. Deixa ele aí.

 

Carla retira do dedo o anel que havia ganho de presente de Almir e deixa ele sobre a cômoda ao lado da cama.

 

CARLA: - Até outro dia, Almir.

ALMIR: - Espero que você pense muito bem no que está fazendo e não se arrependa.

CARLA; - Pode ter certeza que isso não acontecerá.

 

Carla sai do quarto de Almir. Ele pega o anel, segura firme. Parece incrédulo diante da atitude de Carla.

 

CENA 14. APTO RAFAEL. SALA. INT. NOITE.

 

Rafael conversa com Vitória, enquanto comem uma pizza na sala do apto dele.

 

VITÓRIA (surpresa): - Como é que é?! Você terminou o noivado com a Beatriz?! Rafa, eu não acredito!

RAFAEL: - Eu não poderia continuar com ela e a enganando. Enganando a mim também. Fiz o melhor, pra nós dois.

VITÓRIA: - Nossa, a Beatriz deve estar arrasada...

RAFAEL: - Ah sim, eu te conto que terminei o noivado para viver uma nova vida e você se preocupa mais com a Beatriz do que me incentiva? Legal... 9risos)

VITÓRIA: - Ah Rafa, para!... Deixa de ser bobo... A Beatriz é minha amiga.

RAFAEL: - Sei disso. Estou só brincando.

VITÓRIA: - Mas mais surpresa ainda eu fiquei foi por saber com quem você deseja ter essa nova vida. Com a Lívia?!

RAFAEL: - Ela é uma ótima pessoa, Vitória. Tem um coração enorme.

VITÓRIA; - Eu nunca parei para conversar com ela. Mas sei lá, não tenho nada contra, nem a favor. Só acho estranha essa coincidência dela ficar com o papai e agora com você.

RAFAEL: - Coisas do destino. Nem eu pensava que isso aconteceria... Mas o fato é que a gente está junto e feliz.

VITÓRIA: - Se você está mesmo feliz, eu também ficarei... Mas, você já contou isso para a mamãe e pra vovó?

RAFAEL: - Ainda não. Estou me preparando para encarar a reação delas.

VITÓRIA: - Com certeza você já sabe qual é.

RAFAEL: - Sei sim, e muito bem.

 

Os dois riem.

 

CENA 15. APTO BEATRIZ. INT. NOITE.

 

Beatriz e Marilu conversam. Beatriz nervosa, agitada.

 

BEATRIZ: - Você não sabe o nojo que eu senti vendo o Rafael beijar aquela oferecida!

MARILU: - A Lívia só pensa em se dar bem.

BEATRIZ; - E o Rafael caiu feito um patinho na armadilha dessa pilantra! Tá na cara que ela quer o dinheiro dele!... Fez isso com o pai e agora quer o filho!

MARILU: - Calma, Beatriz... as coisas vão se resolver. O Rafael cedo ou tarde vai perceber que foi um erro o que ele fez, terminando o noivado com você.

BEATRIZ: - Me senti um lixo... Ele terminando o noivado, um relacionamento de anos... E a Lívia lá, vitoriosa.

MARILU: - Ela vai cair do cavalo, Beatriz.

BEATRIZ; - Ai Maria Luisa, se não fosse você me ligar, me avisar. Eu nunca ia saber desse encontro deles, dessa relação... obrigada por me apoiar.

MARILU: - Eu só estou fazendo o que uma amiga faria pela outra... Eu vou fazer um café pra você. Posso?

BEATRIZ: - Claro, tem tudo aí na cozinha.

 

Marilu vai para a cozinha. É do lado da sala.

 

BEATRIZ: - Eu só preciso agora é me acalmar e pensar num jeito de afastar o Rafael da Lívia e mostrar pra ele que eu sou a mulher ideal pra ele. Sempre fui!

MARILU: - Claro! Ninguém duvida disso. (revira os olhos, de saco cheio da história)

BEATRIZ; - Mas eu tenho certeza que a família dele vai ser contra esse namoro dele. Ninguém lá gosta dela.

MARILU: - Ninguém?

BEATRIZ: - Ninguém! A Lívia é vista como uma oportunista naquela família, uma intrusa.

 

Marilu volta para a sala, trazendo o café para Beatriz. Beatriz pega a xícara, mas antes de beber, sente um mal estar. Deixa a xícara na mesa.

 

MARILU; - O que foi?

BEATRIZ: - Não sei, Maria Luísa... Só o cheiro do café me deixou enjoada...

MARILU: - Beatriz! Será que você/ Eu na farmácia comprar um teste!

 

Beatriz vai apressada para o banheiro, com a mão na boca. Marilu pensativa.

 

MARILU: - Isso pode ser um bom sinal.

 

CENA 16. CASA CHARLOTE. INT. NOITE.

 

Demétrio vai saindo de casa, cuidando para não ser visto. Ele sai, discretamente, sem perceber porém que Charlote está observando todos os seus movimentos.

 

CHARLOTE: - Onde será que ele vai a essa hora?

 

Charlote espera Demétrio sair e resolve segui-lo.

 

CENA 17. CASA LÍVIA. SALA. INT. NOITE.

 

Rosa e Lívia conversam.

 

LÍVIA; - Depois dessa visita baixo astral do Alexandre, acho que agora estou começando a me recuperar...

ROSA: - Espero sinceramente que você fique bem recuperada, Lívia.

LÍVIA; - Por que você está me dizendo isso, Rosa?

ROSA; - Fiquei sabendo que você está se envolvendo com o Rafael. É verdade?

 

Lívia fica surpresa com a pergunta de Rosa.

 

LÍVIA; - Estou sim. Quem falou pra você?

ROSA; - Não vem ao caso quem falou.

LÍVIA; - Vem sim1

ROSA: - Não, não vem... Lívia, você não sabe o que está fazendo!

 

Jonas vai chegando na sala, mas para ao ouvir a conversa de Rosa e Lívia.

 

LÍVIA; - Sei sim, Rosa. Estou amando novamente!

ROSA: - Você está entrando novamente na linha de fogo... Não vai ser fácil lidar com isso, você sabe!

LÍVIA; - Mas eu estou disposta a enfrentar o que vier para ficar com o Rafael. Eu acredito que a gente pode sim ser feliz juntos.E o Rafael também acredita nisso. Ele disse que ama. E esse sentimento entre a gente, é recíproco.

 

Nesse instante, Jonas entra na sala. Ouviu as últimas frases de Lívia. Rosa disfarça, cumprimenta Jonas. Lívia também. Jonas finge que não ouviu a conversa.

 

LÍVIA: - Bom ver você novamente, Jonas.

JONAS: - Passei aqui só pra dar um oi, ver o Pedro...

LÍVIA: - Ele vai adorar ver você!

 

Louise chega na sala.

 

LOUISE: - Oi Jonas! Bom ver você!

JONAS: - Como vai, Louise? Tudo bem?

LOUISE: - Tudo ótimo! Ah, você já está convidado/ Convidado não, convocado! Para a open house da Lívia. Vai ser um arraso!

JONAS: - Vai dar uma festa então?

LÍVIA: - Vai ser bom, trazer novas energias.

ROSA: - Estamos precisando mesmo de boas vibrações.

 

Lívia e Rosa se olham.

 

JONAS: - Que bom. Pode deixar que eu venho sim.

LÍVIA; - E por favor, quero dona Alaíde e seu Oscar juntos aqui! Vocês são minha família.

JONAS; - Obrigado.

LOUISE: - To louca pra ver essa festa pegando fogo!

ROSA: - Eu te garanto que vai pegar...

 

Lívia olha novamente para Rosa, que a encara.

 

CENA 18. APTO BEATRIZ. INT. NOITE.

 

Marilu parada em frente a porta do banheiro. Aguarda um tanto ansiosa. Beatriz abre a porta.

 

MARILU: - E então?

BEATRIZ; - Positivo!

MARILU: - Beatriz, você está grávida! Grávida do Rafael!

BEATRIZ: - Meu Deus! Eu nunca pensei nisso antes! Quero dizer, não nessa situação, da gente separado...

MARILU: - Mas não tem situação melhor para isso acontecer. Agora você pode muito bem voltar para ele!

BEATRIZ; - Está dizendo para eu usar a gravidez para atrair o Rafael?

MARILU: - Claro! Dizem que um filho não segura casamento, não sustenta uma relação. Isso porque não sabem como fazer direito. Mas eu garanto que essa gravidez veio na hora certa.

BEATRIZ: - Será?

MARILU: - Confia em mim. Você vai conseguir voltar com o Rafael e a Lívia vai sumir de vez do seu caminho.

BEATRIZ; - Se você diz... Estou disposta a qualquer coisa.

 

Marilu olha confiante para Beatriz, que fica na expectativa por ter Rafael de volta.

 
     
     


autor
Édy Dutra

elenco
Christine Fernandes como Lívia
Taís Araújo como Marilu
Zé Carlos Machado como Tarcísio
Fábio Assunção como Rafael
Bruno Ferrari como Jonas
Marcos Caruso como Paulo
Renata Domingues como Carla
Júlio Rocha como Breno
Bianca Castanho como Beatriz
Júlia Feldens como Vitória
André Bankoff como Fabrício
Danton Mello como Marcos
Lavínia Vlasak como Isabela
Caco Ciocler como Conrado
Janaína Lince como Sarah
César Mello como Alfredo
Aída Leiner como Inês
Luíza Curvo como Tatiana
Jonathan Haagensen como Plínio
Marco Ricca como Fausto
Sílvia Pfeifer como Lorena
Thaís Vaz como Mayra
Gisele Policarpo como Gisa
Guilherme Leme como Almir
Mônica Martelli como Louise
Sérgio Menezes como Kléber
Cyria Coentro como Nice
Ernesto Piccolo como Moisés
Natália Guimarães como Rita

Atrizes convidadas
Sônia Braga como Elizabeth
Regina Duarte como Rosa
Valquíria Ribeiro como Adriana
Ângela Leal como Agda
Mila Moreira como Charlote
Denise Del Vecchio como Onira
Beatriz Segall como Wanda
Arlete Salles como Alaíde

Atores convidados
Gracindo Júnior como Demétrio
Rodrigo Santoro como Henri
Juan Alba como Alexandre
Nill Marcondes como Eduardo
Roberto Bonfim como Roberto
Floriano Peixoto como Jorge

Participações especiais
Dudu Azevedo como Romão
Elisa Lucinda como Cidália
Antonio Pitanga como Tenório
Vanessa Lóes como Clair
Alexandre Slaviero como Hugo
Lui Mendes como Pereira
Mônica Martelli como Louise
Dudu Azevedo como Romão

Trilha Sonora
Pra Rua Me Levar – Ana Carolina (abertura)
Amor, meu grande Amor – Frejat
Joia Rara – Walmir Borges

Produção

Bruno Olsen
Cristina Ravela
Diogo de Castro


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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