Perfume - Capítulo 12



 

     
     
     

CAPÍTULO 12 - FOI UM SONHO?
 
     
   
 

Música: Was It A Dream - 30 Seconds To Mars

Os últimos momentos da vida da irmã mais nova surgem como flashes enervantes na mente de Levi, que toma um uísque escocês sozinho na sala de estar, próximo à lareira. A psique começa a brigar com o corpo cansado, mas o homem permanece inquieto acomodado na poltrona. Ele estabiliza um porta-retratos nos punhos, com uma fotografia ao lado de Pamela: quando eram apenas duas crianças, fazendo careta para câmera, a diferença de idade entre os dois é de poucos anos. 

Sua vida permanece embaralhada, retornar para São Paulo sem uma resposta para todas essas perguntas, é um mero erro, deixar a matriarca sozinha mais uma vez, pode gerar muita dor e sofrimento. Por volta das três horas da madrugada, acolheu-se ao lado da namorada. 

Ele acorda assustado.

- Pamela. 

Levi escuta o som de um piano, desce o conjunto de degraus, chegando ao primeiro andar. O sol forte ilumina a casa pela janela, tudo permanece esbranquiçado. 

- Você está viva?

 

Observa a garota sentada adiante do instrumento, dos olhos castanhos saem lagrimas, mas não transparentes e sim da cor do sangue, que desaparecem gradualmente. Ela permanece intacta ao chamado, segurando as teclas com as airosas mãos tênues. Levanta-se lentamente, ficando de frente com Levi.

- Terá que vingar a minha morte.
- Sim...
- Não se esqueça disso.
- Nunca!
- Continue aqui em Arraial, faça com que todos se lembrem de mim.

Pamela abraça o irmão, confortando todas as suas feridas.

- Sempre te amei Levi.
- Sempre vou te amar Pamela. 

Ele começa a lamuriar. 

- Prometa que irá encontrar este homem e matá-lo.
- Vou fazer o impossível para vingar seu definhamento.
- Toma cuidado nessa jornada. – Ela aproxima-se da janela, o vento assopra os longos trajes com malhas de viscose e elastano. – Se coloque em primeiro lugar, muitas coisas podem dar errado até encontrar a verdade, antes de proteger a própria vida, cuide do que tem de mais precioso.

Levi desperta assustado com o sonho, as linhas estavam se encaixando perfeitamente em sua consciência. Senta-se na cama e sente o gosto e o cheiro do próprio suor, que escorre para a boca. É quase uma hora da tarde. Ele levanta apático e toma banho por longos minutos, deixando a água cair pelas extensas costas. Com a toalha azul entre a cintura, observa-se no espelho e pega uma gilete e um creme de barbear da gaveta do armário, eliminando os pelos remanescentes em contexto do rosto. Troca de vestimenta, nota que a casa está completamente vazia, ao deslocar-se para a cozinha repara que na geladeira, tem um bilhete da matriarca avisando que tinha de saído com Barbara, para ir ao supermercado comprar alguns mantimentos.

Ele coloca um pouco de café da garrafa térmica na xicara de porcelana e ingeriu um pouco da bebida, sentiu um pouco de falta do amigo, mas lembrou do espirito aventureiro de Tony Federline. 

O luto pode ser descrito como uma perda para si próprio e um recomeço, liberta-se de uma pessoa e desfazer todos os laços e deixá-los apenas nas lembranças, essas não podem continuar na memória, devem ser apagadas literalmente, principalmente os momentos difíceis e os últimos contatos. No começo é apenas uma viagem, depois uma ferida para finalizar a cicatriz. Parar no tempo é uma opção inviável, nunca vai trazer aquele ser humano de volta, ao seu lado, ele estará para sempre em outro território, percorrendo um novo destino para que finalmente conquiste todas as suas batalhas. 

As duas retornaram do supermercado e com a ajuda de Levi e do motorista, colocaram tudo na cozinha. Barbara e Levi subiram para o quarto, deixando Amália organizar tudo no cômodo. 

- Você viu o Tony hoje? 
- Não. 
- Será que aconteceu alguma coisa? 
- Você faz essa pergunta para mim? Ele é o seu amigo. 
- Tudo bem, não precisa se irritar com isso. 
- Desculpa.

Barbara se aproximou para um abraço, mas ele recuou.

- Está chateado com alguma coisa? 
- Sonhei com a Pamela nessa última noite. 
- Sério? 
- Ela conversou comigo. Disse para procurar o assassino. 
- Talvez seja o certo ou o errado, amor. 
- Porquê? 
- Eu te disse para colocar todos os personagens no tabuleiro, mas e a polícia? Eles com certeza estão trabalhando, investigando cada detalhe do assassinato, a cidade toda está parada, as pessoas se preocupam, estão mobilizadas, mais cedo ou mais tarde essa facínora vai pagar. 
- O que devo fazer? 
- Agora? 
- É. 
- Ficar do lado da sua mãe, ela pode cometer alguma loucura. 
- Como ela está? 
- Ainda fala bastante da Pamela, como eram amigas e conversavam sobre tudo, qualquer coisa. 

Ele não conseguia guardar um pouco de rancor no peito, Pamela sempre foi a filha favorita. 

- A mamãe gostava mais dela, do que de mim. 
- Isso não é verdade. 
- É sim. 
- Ela me falou que você era muito apegado com o pai.
- O meu pai foi o meu herói, ás vezes penso que ela me adotou. 
- Não pense nisso.
- Devo pensar no quê? 
- A família ás vezes é isso, é dor, é união, é luto e alegria, tudo junto na mesma metáfase, se não existir a ruína e o equilíbrio, não é uma família de verdade. Vocês brigaram, mas é uma coisa que deve ser compreendida, uma mãe e um filho nem sempre se dão bem, graças a um grato ser, vocês voltaram a conversar normalmente. 

A campainha toca, causando irritação na cabeça de Levi que desce para atender, não fica surpreso ao receber os oficiais da polícia e sim quando contaram as razões.

- Seu amigo, Tony Federline está preso.
- Por qual motivo? – Levi articula tranquilamente. No entanto, sente um pouco de medo, de terem descoberto algo a respeito do negócio. Levi mantém a autoconfiança estampada, Tony não é um alvo tão fácil.
- Invasão de domicílio. Mas como tem a ficha limpa, tudo será resolvido se algum amigo ou familiar pagar a fiança.
 
     

 

     

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