Urban Legend - 1x04


 

 

 

TEASER

FADE IN:


 


 

CENA 1. FLORESTA. EXTERIOR. DIA.


 

O sol começa a nascer e seus raios iluminam a copa das árvores.


 

CENA 2. CABANA NA FLORESTA. INTERIOR. DIA.


 

Alana fecha a porta, ansiosa. Rosie e Lily estão sentadas em um sofá velho e rasgado.

ALANA

Vocês tem certeza que este lugar é seguro?


                      ROSIE

Acho que sim. Shelley nos disse que ninguém sabia que existia.

A psiquiatra vai até uma pequena janela e espia lá fora.

                    ALANA

Duvido.

Ela fecha a cortina e se aproxima das meninas.

ALANA (CONT’D)

Não há nada por aqui que pelo menos Letha não saiba.

ROSIE

Mas nós podemos confiar nela.

ALANA

(se abaixa) Não podemos confiar em ninguém. Eu agora enxergo tudo o que está acontecendo aqui.

LILY

O que vamos fazer?

ALANA

Eu vou dar um jeito nisso. Você e sua irmã não pertencem ao Chateau.

ROSIE

Por favor, não nos envie para uma prisão de segurança máxima.


 

                    ALANA

Eu jamais vou fazer isso. Escutem, preciso resolver alguns problemas fora daqui por algumas horas, ok? Enquanto isso, vocês precisam permanecer na cabana até eu voltar. Para quem se interessar em saber, vocês fugiram.

                    ROSIE

E o que acontece depois?

                    ALANA

Eu salvo vocês. Escrevo a recomendação de inocência pela morte do seu pai e me certifico que uma incrível família vá adotá-las.

                    ROSIE

Você consegue fazer isso?

                    ALANA

Eu vou fazer. Até lá, não saiam daqui, entenderam? Eu acredito que volto até a noite.

                     LILY

Se ela tentar fugir, eu a amarro!


 

Alana sorri, pega na mão das meninas e sai. Lily e Rosie se entreolham.


 


 

FIM DO TEASER ATO UM

FADE OUT.


 

 



1x04 - POR QUEM OS SINOS TOCAM?

 

FADE IN:


 


 

CENA 3. CHATEAU MARMONT. CAPELA. EXTERIOR. DIA.

PLANO GERAL da construção. Os SINOS badalam.

                  CRUELLA

(V.O.) O Reverendo Timothy Fain foi uma das pessoas mais puras que já conheci em toda minha vida.


 

CENA 4. CHATEAU MARMONT. CAPELA. INTERIOR. DIA.


 

Vestida de preto, Cruella discursa em um pequeno púlpito. O caixão aberto com o corpo do Reverendo está próximo ao altar. As crianças do orfanato, Alana, Dr. Hermann, Letha, Alexia e prof. Bowers, assistem a cerimônia.

                  CRUELLA

Um ser humano ímpar, de uma índole jamais vista e que nunca mediu esforços para propagar o bem onde estivesse. E foi através do poder do bem que Fain decidiu reescrever a triste história do Chateau Marmont e transformar a velha casa na esperança para crianças que terminavam largadas à própria sorte. (pausa) Eu tive o prazer de trabalhar os últimos 15 anos da minha vida como diretora desta instituição e construir esse sonho ao lado de Timothy. Os sonhos... Ah Timothy tinha sonhos para esse lugar. Sonhos que pareciam impossíveis entre os homens, mais divinos perante de Deus.


 

Cruella dá um sorriso melancólico e olha para o corpo no caixão.


 

CRUELLA (CONT’D)

Perdi mais do que um chefe. Perdi um grande amigo. Uma pessoa que definitivamente mudou a vida de todos nós. Vai ser muito difícil seguir em frente sem você, caro amigo, mas enquanto eu ainda viver, eu prometo que manterei seu sonho vivo. (ergue os olhos) Timothy, onde quer que esteja, saiba que eu vou continuar com o projeto da sua vida. Vou fazer você se orgulhar dele aí de cima.


 

A diretora finge emoção e coloca a mão na boca. Hermann revira os olhos, entediado.

CRUELLA (CONT’D)

Nós te amamos, Timothy. Vá com Deus. (pausa) Obrigada.


 

Cruella desce do púlpito e senta-se junto de Alexia. Padre Caleb surge do altar e toma seu lugar.


 

CALEB

Obrigado pelo lindo discurso, diretora. Agora, vamos todos nos dar as mãos para orar e pedir que o Senhor receba nosso inesquecível Reverendo Fain de braços abertos.

Cruella olha para Alexia e sorri pelo canto da boca.


 

CENA 5. CHATEAU MARMONT. EXTERIOR. DIA.


 

O caixão com o corpo do Reverendo está sendo colocado na cova. Cruella se aproxima e joga uma rosa vermelha lá dentro. Hermann se agarra na diretora.

HERMANN

(tom) Força, minha amiga! Nós vamos superar isso juntos!

Cruella concorda com a cabeça.

HERMANN (CONT’D)

(murmura) Chega de fingimento, Cruella.


 

CRUELLA

Não me faça te mandar para aquele lugar.


 

A diretora se afasta dele e vai até Alexia. Os coveiros começam a jogar terra na cova.


 

Cruella desvia seu olhar e vê um HOMEM (na faixa dos 55 anos, alto, robusto, cabelos grisalhos), ao longe, os observando.

CRUELLA (CONT’D)

(para Alexia) Você conhece aquele senhor?


 

                   ALEXIA

(olha) Oh... Claro. Peter Nichelson. Advogado do Reverendo.

                  CRUELLA

O que diabos ele está fazendo aqui justo agora?

                   ALEXIA

Parece que descobriremos em breve.

CLOSE em Cruella, intrigada.


 

CENA 6. CHATEAU MARMONT. CORREDOR. INTERIOR. DIA.

Letha caminha em passos firmes.


 

CENA 7. CHATEAU MARMONT. SALA. INTERIOR. DIA.


 

As portas se abrem e Letha entra. Algumas crianças estão espalhadas pelo local, fazendo quebra-cabeças no chão ou brincando de esconde-esconde. A governanta dá uma olhada em volta e suspira, nervosa. CLOSE em Letha.


 

CENA 8. CHATEAU MARMONT. SALA DE CRUELLA. INTERIOR. DIA.


 

A diretora anda de um lado para o outro. BATIDAS na porta. Alana entra.


 

ALANA

Preciso falar com você urgente.

CRUELLA

Não é um bom momento, senhorita Maxwell.


 

ALANA

Está ocupada?

CRUELLA

Não exatamente. (tom) Só não posso falar com você agora.

ALANA

(fecha a porta) Me desculpe, mas não tenho tempo para os seus momentos de tristeza.

CRUELLA

(franze a testa) Como ousa falar assim comigo? Eu sou a administradora desse orfanato.

Mostre algum respeito.

ALANA

(encara) Onde estão Rosie e Lily Tate?


 

Cruella não responde de imediato e dá alguns passos para trás, nervosa.


 

                  CRUELLA

Como eu posso saber disto?


 

ALANA

Você mesma disse que administra esse orfanato. É seu dever saber do paradeiro das crianças.

CRUELLA

Elas devem estar brincando lá fora.

ALANA

Já as procurei por todos os lugares. Tenho a péssima sensação que aquelas meninas desapareceram.

CRUELLA

(começa a rir) Não vai me dizer que acredita que alguma entidade sobrenatural as levou ontem a noite.


 

ALANA

Talvez alguém de carne e osso.

CRUELLA

Por favor, elas com certeza estão por aí. Você está exagerando.

ALANA

Não estou de brincadeira neste orfanato, diretora. O governo me mandou para avaliar essas meninas. Sabe o que pode acontecer se descobrirem que elas desapareceram?

CRUELLA

Não tenho culpa se isso acontecer.

ALANA

Ah, você tem. Acha que eu esqueci que Molly e Shelley sumiram de formas igualmente suspeitas e você não moveu um dedo sequer para procurá-las? A polícia adoraria saber sobre isso. Este orfanato deveria proteger as crianças, e não fazê-las fugir.

CRUELLA

Minha cara, muita calma. (sem graça) Vamos pensar com mais clareza!


 

ALANA

Eu preciso resolver alguns problemas em Londres durante a tarde, mas volto à noitinha. Espero encontrar Rosie e Lily assim que chegar.


 

CRUELLA

(sorri) Vou pedir que Letha descubra onde elas se esconderam.

                    ALANA

Que bom.


 

Alana dá um sorriso forçado e sai. Cruella engole a seco e sai em seguida.


 

CENA 9. CHATEAU MARMONT. SALA DE AULA. INTERIOR. DIA.

Bowers está apagando o quadro. Letha bate na porta.

                    LETHA

Com licença, professor.

                   BOWERS

Oh, Letha. Entre.

                    LETHA

(entra) Está muito ocupado?

                   BOWERS

Não. Alguma urgência?

                    LETHA

Não... Não necessariamente. Queria te perguntar uma coisa.

                   BOWERS

(senta-se em sua cadeira) Pode perguntar.


 

                    LETHA

Você por acaso viu Lizzie na aula de hoje de manhã, antes do cortejo do Reverendo?

                   BOWERS

(pensa) Lizzie? Bem, me recordo que ela não respondeu a chamada hoje e definitivamente não a vi na Igreja.

                    LETHA

Eu sabia...


 

BOWERS

Algo que precisamos nos preocupar?

LETHA

Algo que eu preciso resolver sozinha. Obrigada, Bowers.

BOWERS

Ah, acho que tem outra coisa que você deveria saber. Rosie Tate não estava na aula hoje. Ela está doente?

CLOSE em Letha, curiosa.


 

CENA 10. CHATEAU MARMONT. 1º ANDAR. INTERIOR. DIA.

Alexia está conversando com Peter Nichelson.

                   ALEXIA

Foi realmente muito triste. Pegou todos de surpresa. É até difícil de acreditar. Um homem tão forte!

NICHELSON

Pois é. A gente nunca sabe quando o coração decide nos passar a perna.

ALEXIA

Vocês dois eram amigos há muito tempo?


 

                NICHELSON

Quase meio século.

                   ALEXIA

Entendo.

                  CRUELLA

(O.S.) Doutor Peter Nichelson.


 

CORTA para Cruella descendo a escadaria na direção de Alexia e Nichelson.


 

                 NICHELSON

Cruella Blaylock. Meus sentimentos.

Cruella estende a mão e o advogado a beija.

                   CRUELLA

Obrigada. E me desculpe estar te recebendo em trajes tão informais.

                    (MORE)

 CRUELLA (CONT’D)

É que tem sido difícil desde que perdemos nosso amado Timothy.

 NICHELSON

Eu fiquei em completo choque quando me ligaram em Londres.

                   CRUELLA

Quem te avisou sobre a morte?

                 NICHELSON

O médico da instituição.

                  CRUELLA

(concorda com a cabeça) Doutor Hermann. Também muito amigo de Timothy. Enfim, acredito que não tenha vindo somente para se despedir do Reverendo.

NICHELSON

Não, claro. Vim pois precisamos resolver o problema do testamento.

CRUELLA

Testamento?

NICHELSON

Sim, Reverendo Fain deixou um testamento e exigiu que este fosse lido imediatamente após sua morte. É por isso que peguei o primeiro trem o mais rápido que pude.

CRUELLA

Bem, diante da situação emergente, podemos conversar no meu escritório.

Letha surge de um corredor lateral e é atacada por Cruella.

CRUELLA (CONT’D)

Letha, este é o advogado Peter Nichelson, ele veio para tratar de negócios comigo. Por favor, prepare o chá e leve para nós na minha sala.


 

             LETHA

             Sim. Com licença.


 

Letha sai.

CRUELLA

Me siga, Nichelson.


 

Cruella sobe a escadaria seguida de Nichelson. Alexia cruza os braços e os observa, curiosa.


 

CENA 11. CHATEAU MARMONT. SALA DE CRUELLA. INTERIOR. DIA.


 

Cruella sentada confortavelmente em sua poltrona. Nichelson no outro lado da mesa. Letha serve duas xícaras com chá.

                NICHELSON

(cheia) Parece delicioso. É o que?

                    LETHA

Algo para acalmar os nervos.

                NICHELSON

Bastante preciso.

                  CRUELLA

Pode ir Letha. Eu e o senhor Nichelson vamos precisar de privacidade.

                    LETHA

Ok.


 

Letha recolhe sua bandeja e sai. Cruella prova um pouco de seu chá.


 

CRUELLA

Me espanta o fato do testamento ser aberto no dia do falecimento. É um procedimento normal?

NICHELSON

Só em casos urgentes ou quando o falecido assim decide, que é este caso.


 

CRUELLA

Bem, o que vamos precisar fazer para começar?

NICHELSON

O Reverendo Fain fez questão de mais uma testemunha.

                  CRUELLA

E quem mais pode ser?


 

Hermann entra apressado. Nichelson levanta-se e o cumprimenta.


 

NICHELSON

Doutor Bernard Hermann.

HERMANN

(aperta a mão dele) É um prazer. (olha para Cruella) Estou atrasado?

CRUELLA

(se levanta) O que este homem está fazendo aqui?

Cruella o fuzila com o olhar. Hermann sorri sarcasticamente.

FADE OUT.


 

FIM DO ATO I 

ATO II

FADE IN:


 


 

CENA 12. CHATEAU MARMONT. SALA DE CRUELLA. INTERIOR. DIA.

Continuação imediata da cena 11. Cruella enfrenta Hermann.

CRUELLA

Você ainda não me respondeu, Peter. O que este homem faz aqui?

HERMANN

Minha presença é tão indesejável assim?


 

CRUELLA

Você não faz parte da diretoria, este é um assunto sério e urgente. Volte para seus pacientes.

NICHELSON

Muita calma, Cruella. O Reverendo Fain foi bem claro quando fez o testamento. Ele exigia duas testemunhas: você e o doutor Bernard Hermann.

Hermann sorri e senta-se em uma das cadeiras.

HERMANN

Não ganharei chá?


 

NICHELSON

Tudo bem para você, diretora?

CRUELLA

(respira fundo) Ok. Eu entendi. Estou com os nervos à flor da pele por causa da morte do Reverendo.

NICHELSON

Entendo. Todos estamos.

CRUELLA

Bem, já que as duas testemunhas estão aqui você pode começar a ler o testamento.

                NICHELSON

Vamos lá.

                  HERMANN

Estou tão ansioso. Será que vou ganhar alguma coisa?

E Cruella o encara, com raiva.


 

CENA 13. CABANA NA FLORESTA. INTERIOR. DIA.


 

Lily está montando um quebra-cabeças no chão. Rosie sai da janela e anda de um lado para o outro.

ROSIE

Eu odeio ficar aqui sem saber o que está acontecendo.

LILY

Monta comigo. Acalma.

ROSIE

Não consigo, Lily. Estou nervosa. Você acha que podemos confiar na Alana?


 

LILY

Ela está do nosso lado. Eu sei disso.


 

ROSIE

(senta no chão) Sempre fico com um pé atrás. Ela prometeu nos salvar, mas pode estar agora mesmo preparando nossa ida para a cadeira elétrica.


 

LILY

Ela não vai fazer isso. Ela me salvou, esqueceu? Aquela criatura ia me levar para sempre.

ROSIE

(alisa o rosto dela) Que bom que você está aqui. E o Griffin. Não acha que deveríamos procurar por ele?


 

                    LILY

Ele foi um grande amigo, mas não está mais entre nós. Eu disse que o Slenderman levaria alguém. Ele fez sua escolha.

                   ROSIE

Todo esse negócio de Slenderman me deixa de cabelos em pé. (pausa) Vamos fazer o seguinte. Se até o entardecer, Alana não retornar por nós, iremos fugir sozinhas.

                    LILY

Fugir para onde?

                    ROSIE

Um lugar melhor que aqui.

Rosie afaga o cabelo de Lily, que sorri.


 

CENA 14. CHATEAU MARMONT. EXTERIOR. DIA.


 

Alana desce a escadaria principal bem maquiada e usando um sobretudo marrom. Ela entra em seu carro, que estava estacionado ali na frente, dá a partida e sai pela estrada. PLANO GERAL do orfanato.


 

CENA 15. CARRO DE ALANA. INTERIOR. DIA.


 

A psiquiatra na direção. Ela olha pelo retrovisor e enxerga a imagem do Chateau se afastando. Alana suspira e põe o pé fundo no acelerador.


 

CENA 16. PLATAFORMA FERROVIÁRIA. EXTERIOR. DIA.


 

O trem está parado. Várias pessoas, carregando pequenas malas, fazem fila para entrar nele. O cobrador vai tomando as passagens.


 

Alana sai do prédio e apressadamente caminha até os passageiros do comboio. A fila anda. Alana olha para os lados, ansiosa. Ela entrega a passagem e entra.


 

CENA 17. CAMPO. EXTERIOR. DIA.


 

O trem passa pela linha ferroviária através de um belíssimo pedaço de terra esverdeado.


 

CENA 18. TREM. INTERIOR. DIA.


 

Alana sentada próxima à janela. Enquanto ela observa a paisagem, toma um pouco de chá. Há uma mulher em sua frente, lendo jornal. Ela olha para Alana, que retribui com um sorriso amarelo. A psiquiatra coloca a xícara em uma mesinha em sua frente e encosta sua cabeça na poltrona. Aos poucos, seus olhos vão se fechando até pegar no sono.

VOZ DE CRIANÇA

(V.O.) Eu te amo, mamãe.


 

FLASHBACK PARA:


 

CENA 19. PARQUE. EXTERIOR. NOITE.


 

Um HOMEM (alto, musculoso, de terno, cabelos ruivos encaracolados, barba por fazer) joga um boomerang na direção de DANNY (personagem já mostrado em episódios anteriores).

Danny pega o objeto e faz festa para o homem.

                    DANNY

(pula) Eu consegui papai!

                    HOMEM

(animado) Meu garoto!

                    ALANA

(O.S.) Rapazes, hora do lanche.


 

CORTA PARA Alana, Danny e o homem sentados em uma toalha verde, tendo um piquenique.

ALANA (CONT’D)

(para o homem) Não sei como você não se cansa de correr com esse menino de lá para cá, Dale.

                    DALE

(sorri) Eu adoro brincar com esse rapazote. Não é campeão?


 

DANNY

(com um sanduíche nas mãos) Uhum!

DALE

O que seria da minha vida se eu não pudesse dar um sorriso para meu filho?


 

                    ALANA

Nosso filho!

E Alana beija Dale apaixonadamente.

           ALANA (CONT’D)

Eu não gosto de me gabar, mas me sinto orgulhosa em ter essa família ao meu lado. Vocês dois são tudo para mim.


 

                     DALE

Eu é que tenho que te agradecer todos os dias, meu amor.

                    ALANA

É por isso que eu fico tão preocupada com esse negócio de guerra, Dale. Não quero você indo para aqueles campos de concentração.

                    DALE

Eu sei que você se preocupa, mas é a minha obrigação. Preciso lutar. É o que soldados fazem.

Alana pega na mão de Dale.

                    ALANA

Promete que não vai demorar?

                    DALE

Prometo.

                    ALANA

Promete que vai voltar?


 

Dale não responde e baixa a cabeça. Alana respira fundo e abraça o marido. Danny aproveita o momento e também se abraça nos dois.


 

FIM DO FLASHBACK.


 

CENA 20. TREM. INTERIOR. DIA.


 

BUZINA do trem. Alana abre os olhos. Vê que acaba de chegar na estação. Ainda meio zonza, ela percebe percebe que a mulher não está mais em sua frente. Rapidamente, levanta-se e sai do comboio.


 

CENA 21. CHATEAU MARMONT. SALA DE CRUELLA. INTERIOR. DIA.


 

Nichelson abre um envelope e retira de lá alguns papéis. Cruella e Hermann se encaram. O advogado põe seus óculos.

NICHELSON

Vamos começar. (lê) Eu, Timothy Fain; britânico, solteiro, Reverendo eclesiástico da Igreja Católica; estando em perfeito juízo e em pleno gozo de minhas faculdades intelectuais; sem nenhuma interdição; na presença de duas testemunhas: a senhora Cruella Blaylock, britânica, administradora; e o senhor Bernard Hermann, alemão, médico geral; livre de qualquer induzimento ou coação; resolvo lavrar o presente testamento particular no qual exaro minha última vontade; pela forma e maneira seguinte: dispondo de todo meu patrimônio por não possuir herdeiros, deixo uma casa de seis andares, situada na cidade de Winchester, bem como os 4 hectares de floresta ao seu redor, protegidos por lei, para o senhor Bernard Hermann, alemão, médico/...

                  CRUELLA

O quê?

Cruella arranca o testamento das mãos de Nichelson.

                NICHELSON

Eu preciso terminar a leitura.

                  CRUELLA

Não, eu preciso ler com meus próprios olhos o que você acaba de me dizer. (joga as folhas na mesa) Ele deixou o Chateau Marmont para o Bernard, é isso?


 

HERMANN

(sorri) É o que parece.

NICHELSON

Exatamente, Cruella. De acordo com a vontade do Reverendo Fain, o doutor Hermann é o mais novo proprietário do casarão.

CRUELLA

(se levanta) Não é verdade. Isso é forjado. É montado. Ele jamais faria isso.

NICHELSON

Você por acaso está duvidando da integridade do meu trabalho?

CRUELLA

É claro que eu estou.


 

Cruella vê o sorriso irônico de Hermann e parte para cima dele.


 

CRUELLA (CONT’D)

Quando eu desconfiei que você planejava alguma coisa, jamais imaginava que iria tão longe. Você me sabotou.

HERMANN

Eu não fiz absolutamente nada. Você não ouviu o testamento? Fain me deixou a propriedade com suas faculdades mentais em perfeito estado.


 

CRUELLA

(alto) Mentira! Você forjou esse testamento para tentar me destruir. Para me humilhar. (bate no peito) Este orfanato é meu, entendeu? Meu! Fain sempre disse que deixaria ele para mim.


 

                   HERMANN

Quem sabe ele percebeu quem você é e mudou de ideia.

                   CRUELLA

Que espécie de pessoa eu sou, Bernard? Pode falar.

                    (MORE)

CRUELLA (CONT’D)

(bate palmas) Fala, que vou ter o prazer de falar aqui, na frente do advogado, o tipo de médico que você é e o que faz com os pacientes. (para Nichelson) Ele adora crianças.


 

HERMANN

(cínico) Não mais que você.

NICHELSON

Por favor! Vamos nos acalmar! Não vou admitir que desconfiem do meu trabalho!

Cruella se recompõe e senta novamente.

CRUELLA

(respira fundo) Eu estou perfeitamente calma.

NICHELSON

Talvez vocês não esperavam por isso, mas é verdade. O orfanato Chateau Marmont agora tem um novo dono. E de acordo com a vontade do falecido Timothy Fain, este dono é o doutor Bernard Hermann.

HERMANN

Mal posso esperar para tomar posse do meu cargo.

Cruella o fuzila com os olhos, furiosa.


 

CENA 22. LONDRES. EXTERIOR. DIA.


 

STOCK-SHOT através dos principais pontos da cidade. As ruas cheias de carros. As pessoas circulando pelas calçadas.

Movimentação.


 

CENA 23. BRITISH COFFEE. EXTERIOR. DIA.


 

PLANO GERAL da fachada da cafeteria. O nome está em neon pendurado na porta.


 

CENA 24. BRITISH COFFEE. INTERIOR. DIA.

A porta se abre. Alana entra. O local é pequeno, há cerca de

10 mesas redondas espalhadas pelo piso xadrez.


 

Os garçons servem os clientes. A psiquiatra se direciona até o balcão de madeira e senta-se num banco estufado.

GARÇONETE

(se aproxima) Boa tarde. O que deseja?


 

                    ALANA

Um cappuccino, por favor.

                GARÇONETE

Já trago.


 

A menina sai. Alana fica alguns instantes sozinha, analisando a estrutura, até que a garçonete retorna com o pedido.

          GARÇONETE (CONT’D)

(coloca no balcão) Está aqui.

                    ALANA

Obrigada.


 

Enquanto a garçonete vai recolhendo outras coisas que estavam ali, Alana dá um bom gole em sua bebida.

ALANA (CONT’D)

Você mora em Londres muito tempo?

GARÇONETE

Minha vida toda. (pausa) Qual o interesse?


 

ALANA

Desculpe o incomodo, gostaria de saber se você sabe onde fica um determinado hotel.

E as duas se encaram.


 

CENA 25. PRÉDIO. EXTERIOR. DIA. 

PLANO GERAL.


 

CENA 26. PRÉDIO. INTERIOR. DIA.


 

Alana cruza um corredor pouco iluminado até chegar em uma porta de número 64. Ela olha para os lados, cautelosa, e bate duas vezes. Alguns segundos depois, Kenny Gallagher abre. Os dois se encaram.


 

                    KENNY

Você deve ser Alana Maxwell.


 

ALANA

Obrigado por concordar em conversar comigo.


 

Kenny concorda com a cabeça e afasta-se, permitindo que ela entre. A porta se fecha.


 

CENA 27. CHATEAU MARMONT. CONSULTÓRIO DO DR. HERMANN. INTERIOR. DIA.


 

Hermann sentado atrás de sua mesa, carimbando alguns papéis. BATIDAS na porta. Cruella entra, com os braços para trás.

HERMANN

Se veio me acusar de falsificar de testamentos novamente, pode dar meia volta. Não vou mais suportar ouvir suas acusações.

CRUELLA

Não estou aqui para isso.

HERMANN

(larga o carimbo) Veio por que então?


 

CRUELLA

Vim para dizer que você venceu, Hermann.


 

HERMANN

(surpreso) Como?

CRUELLA

Você venceu. O Chateau Marmont agora é seu. Eu estava descontrolada lá em cima, perplexa por ter pedido o controle desse lugar, mas sei que você não forjou nada. Eu me rendo, Bernard.

HERMANN

(se levanta) Cruella... (caminha até ela) Me surpreende ouvir isso da sua boca.

CRUELLA

Eu sou uma mulher esclarecida. E sei aceitar muito bem quando percebo que perdi o controle.


 

                  HERMANN

(sorri) Você é sempre cheia de surpresas. Sempre soube que um dia viria para o meu lado.

                  CRUELLA

Eu estou aqui pelas crianças e quero o bem delas. Se para isso, precisar trabalhar para você, não tem problema. O orfanato está em primeiro lugar.

                  HERMANN

Fala sério?

E Cruella muda sua expressão calma para uma de extrema raiva.

                  CRUELLA

Não!


 

Ela tira as mãos das costas e avança no médico com uma tesoura. Hermann se afasta e Cruella acerta na mesa.

HERMANN

(alto) Você enlouqueceu?

CRUELLA

(aponta a tesoura) Você realmente acha que eu vou baixar a cabeça para você, seu verme? Bandido dos infernos. Eu vou te matar!


 

Ela grita e vai para cima dele novamente. Hermann pula para trás e segura as mãos da diretora. Os dois ficam tentando ter a posse da tesoura.


 

                  HERMANN

Larga isso, Cruella! Você vai fazer uma besteira!

                  CRUELLA

(grita) Vou te matar, desgraçado! Você vai se arrepender de ter entrado no meu caminho!

                  HERMANN

Você é louca!

                  CRUELLA

E você não imagina o quanto!


 

Cruella morde o dedão de Hermann e dá um chute nas partes íntimas dele. Hermann se joga no chão, com muita dor. A diretora dá uma tesourada em uma das coxas dele.


 

           CRUELLA (CONT’D)

(furiosa) Morre, maldito!

                   HERMANN

(grita) Socorro!

Ela aproxima a tesoura do peito dele e ergue com a mão.

                   CRUELLA

Vai pro inferno!


 

Antes que ela possa fazer qualquer coisa, Caleb surge por trás e a imobiliza. A tesoura cai no chão e o Padre chuta para debaixo da mesa do médico. Hermann se arrasta, ensanguentado. Cruella se debate, tentando se soltar de Caleb.


 

CALEB

Acabou, Cruella!

CRUELLA

(grita) Me solta! Me larga! Me deixa acabar com esse cretino!

HERMANN

(berra) E acabou mesmo! Você está na rua! Está demitida! Pegue suas tralhas e suma do meu orfanato!

CLOSE em Cruella, surpresa.


 

FIM DO ATO II 

ATO III


 

FADE OUT.


 

FADE IN:


 


 

CENA 28. PRÉDIO. QUARTO. INTERIOR. NOITE.


 

Alana observa um painel preso na parede com vários recortes de jornais e fotografia de crianças. O ambiente é simples: uma cama de solteiro, armário ao fundo, uma penteadeira cheia de livros e a porta que dá acesso ao banheiro.

ALANA

Você possui um material e tanto aqui.

Kenny sai do banheiro enxugando as mãos.


 

                    KENNY

Documentos de uma vida inteira, praticamente. Sente-se, por favor.


 

Alana concorda e senta no pé da cama. Kenny puxa uma cadeira e senta na frente dela.

                    ALANA

Eu sei que você é um homem extremamente ocupado. Obrigado por ter conseguido um tempo para mim na sua agenda.

                    KENNY

Quando você me contou um pouco de sua história pelo telefone, soube imediatamente que precisava vê-la pessoalmente.

                    ALANA

A verdade é que eu estou apavorada, senhor Gallagher.

                    KENNY

Pode me chamar de Kenny.

                    ALANA

(concorda) Kenny. Que seja.

                    KENNY

Sua reação não é nenhum pouco diferente das pessoas que eu recebo aqui todos os dias.

                    ALANA

Eu trabalho como psiquiatra em Los Angeles e fui enviada pelo governo para avaliar duas meninas que foram mandadas até um orfanato alguns quilômetros daqui. Deve ter lido sobre elas. Rosie e Lily Tate.

                    KENNY

As meninas acusadas de terem assassinado o pai? Claro que ouvi. Uma história bastante sangrenta.

                    ALANA

Pois bem, eu cheguei até o orfanato há algumas noites e desde então coisas extremamente perturbadoras estão acontecendo. Só você pode me ajudar a entender.


 

KENNY

Posso te fazer uma pergunta pessoal?


 

                    ALANA

É claro.
 

                    KENNY

Você perdeu algo muito precioso, não é? Posso ver através dos seus olhos. Sentir pela sua respiração.

ALANA

(baixa os olhos) Não quero falar sobre isso.

KENNY

Tudo bem. É direito seu não querer responder. (pausa) Voltemos ao orfanato.


 

ALANA

Claro! (pensa) O orfanato. Eu, de imediato achei aquele lugar muito assustador, principalmente quanto aos métodos de tratamento com as crianças, mas estava ali para avaliar as meninas, não para opinar. Só que não tenho como passar uma borracha quando se trata do desaparecimento de crianças.

KENNY

(curioso) Me fale mais.

ALANA

Tinha essa menina, Molly. Pelo pouco que vi sobre ela, era definitivamente perturbada. Na noite que eu cheguei eles... (sussurra) Eles praticaram exorcismo nela. Acreditavam que seus problemas mentais eram culpa de um tipo de possessão demoníaca. Um absurdo. O problema é que, no outro dia, Molly simplesmente desapareceu durante a noite. Nenhum vestígio. Apenas a janela aberta e a cama desarrumada. E além dela, outra menina, chamada Shelley, também desapareceu naquela noite.


 

KENNY

Exorcismo é uma prática condenável para nossos tempos.

Alana pausa por alguns segundos e encara Kenny.

ALANA

Eu tive uma visão na noite em que Molly desapareceu. Eu a vi ser levada por um homem alto, magro e de cabeça cinzenta. Inicialmente, achei que se tratasse de um homem de carne e osso.

KENNY

Algo fez você mudar de ideia.

ALANA

Eu sempre fui uma mulher cética, Kenny. Nunca acreditei nessa besteira de assombrações. Bem, pelo menos eu era, até a noite passada. Eu o vi com os meus próprios olhos. Vi do que ele é capaz.

Kenny se levanta e anda pelo quarto, inquieto.

ALANA (CONT’D)

Ele estava prestes levar uma das irmãs. Lily Tate. Eu o impedi. (trêmula) Olhei diretamente para ele. Se não fosse pela menina, acredito que ele teria me matado. (pausa) É por isso que eu estou desesperada. Ele está entre as paredes daquele orfanato há muitos anos. Não sei como lidar com essa situação.


 

                    KENNY

Bem, sei que é difícil de acreditar, mas agora você o conhece. A lenda é real, Alana. O Slenderman é real.

Alana se levanta e vai na direção do homem.

                    ALANA

O que você sabe sobre ele?

                    KENNY

Eu acho que você primeiro deve ouvir uma pequena história.


 

Alana e Kenny se entreolham.

FLASHBACK PARA:


 


 

CENA 29. LOCALIDADE. INTERIOR. DIA.


 

Casa de campo de madeira, com dois andares, bem rústica, terra batida em volta, cercada por uma bela floresta.


 

Da pequena estrada de chão, surge um garoto de 19 anos (pele clara, cabelos escuros, vestes simples, pés descalços) numa bicicleta branca, com uma pequena gaiola na frente, onde estão algumas garrafas cheias de leite.


 

O menino estaciona a bicicleta na frente da casa, retira duas garrafas de leite e vai até a porta. Bate duas vezes.

MENINO

(alto) Senhor Gallagher. É Rodger. Vim trazer seu leite. (bate novamente) Senhor Gallagher?


 

Rodger olha para o chão e vê duas garrafas cheias próximas à porta.


 


 

Surge o letreiro: Inglaterra - 1903.

FADE OUT.


 

FADE IN:


 


 

CENA 30. CASA DOS GALLAGHER. SALA. INTERIOR. DIA.


 

Rodger entra cautelosamente, ainda com as garrafas de leite nas mãos. O ambiente é bem simples e há bastante poeira nos móveis.


 

RODGER

(alto) Senhor Gallagher?


 

Um SOM muito alto assusta Rodger, fazendo-o derrubar as garrafas. Ele se vira no susto e vê o relógio na parede.


 

CENA 31. CASA DOS GALLAGHER. SEGUNDO ANDAR. INTERIOR. DIA.


 

Rodger caminha por um curto corredor com um martelo em punhos. Ao final, há as duas portas de um armário. O garoto se aproxima e coloca a mão na maçaneta. Espera alguns segundos e abre rapidamente. Quando vai erguer o martelo, vê um menino (10 anos, loiro, de pijamas, olhos inchados) sentado no chão.


 

MENINO

(desesperado) Por favor não me mate!


 

                    RODGER

Kenny?


 

E os dois rapazes se olham em silêncio.

KENNY

(V.O.) Eu vivia em uma bela casa de campo com meu pai e minha irmã quando tudo aconteceu.


 

CENA 32. CASA DOS GALLAGHER. QUARTO DE KENNY. INTERIOR. NOITE.


 

O jovem Kenny está deitado em sua cama, pensativo. O pequeno ambiente está na mais completa escuridão.

KENNY

(V.O.) Minha mãe havia morrido de tuberculose há alguns dias. Foi um momento muito triste. Todos nós sofremos, mas meu pai sofreu muito mais.


 

Em OFF, PANELAS batendo. GRITOS masculinos. Kenny fecha os olhos e começa a chorar.

KENNY (CONT’D)

(V.O.) Ele se entregou à bebida e perdeu o controle. Decididamente perdeu o controle.


 

CENA 33. CASA DOS GALLAGHER. QUARTO. INTERIOR. NOITE.


 

A porta entreaberta vai se abrindo devagar até que a imagem de Kenny surge das sombras.

KENNY

(V.O.) Não pude acreditar no que meus olhos estavam vendo.


 

Ele vê seu pai (na faixa dos 50, cabelos grisalhos, barbudo, parrudo) nu, penetrando em uma menina (na idade de Kenny, magra, pálida) em cima da cama. A garota chora em desespero e o homem é cada vez mais agressivo.


 

KENNY (CONT’D)

(V.O.) Ele estava bêbado e abusando sexualmente da minha irmã. Da sua própria filha.

Kenny deixa uma lágrima escorrer e sai correndo dali.


 

CENA 34. CASA DOS GALLAGHER. QUARTO DE KENNY. INTERIOR. NOITE.


 

Continuação da cena 32. Em OFF, JANELA batendo. Kenny arregala os olhos.


 

KENNY

(murmura) Samantha?


 

GRITO feminino. Kenny instintivamente levanta-se da cama, abre a porta e sai do quarto correndo.


 

CENA 35. CASA DOS GALLAGHER. QUARTO DE SAMANTHA. INTERIOR. NOITE.


 

Kenny abre a porta. A cama da menina está desarrumada. A janela escancarada.


 

KENNY

(grita) Samantha!


 

Ele corre até a janela. P.V. de Kenny: A menina Samantha cruza o quintal de mãos dadas com um homem muito alto, de figura irreconhecível.

VOLTA À CENA.

Kenny dá um grito e começa a chorar desesperadamente.

KENNY (CONT’D)

(V.O.) Minha irmã simplesmente desapareceu. Eu não sabia naquele momento, mas ela tinha sido levada pelo Slenderman. Depois disso, meu pai surtou e foi atrás dela. Me deixou sozinho naquela casa. Ele nunca mais voltou. Até o dia que o menino veio trazer o leite. Eu estava apavorado.


 

FIM DO FLASHBACK.


 

CENA 36. PRÉDIO. QUARTO. INTERIOR. NOITE.

Continuação da cena 28. Kenny e Alana conversando.

                    ALANA

É uma história muito triste. Não queria te fazer relembrar esses momentos dolorosos.

                    KENNY

Eu sei, mas é importante ouvi-la para entender tudo isso.

                    ALANA

Você nunca viu sua irmã novamente?

                    KENNY

Não. Nunca mais. Até tentei

procurá-la anos mais tarde, mas sem sucesso.


 

ALANA

Você teve uma vida complicada.

KENNY

Passei por tudo isso, mas nada se compara no que eu vi em 1940, quando servi em Auschwitz, na Polônia. Um dos piores locais da história da humanidade.

CLOSE em Alana, curiosa.


 

FLASHBACK PARA:


 

CENA 37. CAMPO DE CONCENTRAÇÃO. EXTERIOR. DIA.


 

CÂMERA AÉREA revela os enormes pavilhões de aparência suja e assustadora. Os tanques guerra circulam pelo local. Soldados armados em diversos pontos do perímetro.


 

CENA 38. CAMPO DE CONCENTRAÇÃO. BANHEIRO. INTERIOR. DIA.


 

Kenny (bem mais velho, com os cabelos raspados, vestimenta de soldado) vê seu reflexo em um espelho. Ele ergue a manga da camisa.

INSERT - BRAÇO DE KENNY:

Há uma tatuagem de suástica. VOLTA À CENA.


 

CLOSE no olhar sério e misterioso do soldado.

FADE OUT.


 

Surge o letreiro: Auschwitz, Polônia - 1940.

FADE IN:


 


 

CENA 39. PAVILHÃO. INTERIOR. NOITE.


 

Dois soldados carregam um menino (cerca de 7 anos, cabelos raspados) pelos braços e o jogam contra um paredão, junto de outras 10 crianças (meninos e meninas, todos da mesma faixa de idade). CÂMERA revela que um dos soldados é Kenny.


 

Um militar superior (alto, forte, barba por fazer) está na frente das crianças, com uma metralhadora.

MILITAR

(alto) De pé! Em ordem! (grita)

Schnell!


 

As crianças, em completo choro e desespero, amedrontam-se e fazem fila contra a parede.

MILITAR (CONT’D)

(seco) Parem de chorar. Não vai mudar nada. Vocês sabem o que vai acontecer. Serão sacrificados para mostrar ao seu povo de merda que ninguém pode competir contra nós. (empunha a arma) Nós vamos vencer.

                    MENINO

(soluçando) Por favor...

                    MILITAR

Eu disse para calar a boca.


 

E o militar dispara descontroladamente contra as crianças. Em SLOW-MOTION, elas são atingidas pelos tiros e vão despencando no chão. O sangue espirra por todo o local. O militar com uma expressão de felicidade. VOLTA À CENA.


 

O militar baixa a arma. Vê as crianças mortas no chão. Entrega a arma para Kenny.

MILITAR (CONT’D)

Limpe a bagunça e prepare o próximo grupo.

E vai embora. CLOSE na expressão apática de Kenny.


 

CENA 40. CAMPO DE CONCENTRAÇÕES. EXTERIOR. NOITE.


 

Armado, Kenny aproxima-se das portas de um alçapão, destranca o cadeado e abre.


 

CENA 41. CAMPO DE CONCENTRAÇÕES. ALÇAPÃO. INTERIOR. NOITE.


 

Kenny caminha entre os beliches, onde várias crianças estão deitadas, acuadas, com medo dele. Ele vistoria todos os lugares, sem mencionar uma palavra.

MENINA

(O.S.) Não nos deixe morrer.


 

Kenny se vira. Vê uma bela menina de olhos azuis deitada em seu colchão, chorando.

MENINA (CONT’D)

Eu já perdi a minha família, não posso perder minha vida.

KENNY

(ignora) Estejam prontos para a execução amanhã cedo. Durmam com Deus.


 

Kenny sobe uma escada de ferro e desaparece. As portas de entrada de batem com força.


 

CENA 42. CAMPO DE CONCENTRAÇÕES. QUARTO DE KENNY. INTERIOR. NOITE.


 

Kenny deitado, nu, sobre a cama, enquanto uma mulher (loira, corpulenta), também nua, cavalga em cima dele, gemendo alto.

CORTA para o casal deitado, em êxtase. Kenny fuma um cigarro.

KENNY

(traga) Oh baby... (olha para ela) Você é uma máquina.

MULHER LOIRA

(sorri) É apenas meu trabalho aqui. (beija o pescoço dele) Distrair os meninos de Auschwitz.

KENNY

E você faz isso muito bem.


 

Kenny dá um beijo ardente na boca dela. Em OFF, RISADAS infantis. Kenny arregala os olhos.


 

           KENNY (CONT’D)

O que é isso? Merda.

Rapidamente, ele salta da cama e começa a vestir a roupa.


 

CENA 43. CAMPO DE CONCENTRAÇÕES. EXTERIOR. NOITE.


 

Kenny vem correndo, com sua arma nas mãos, e vê o alçapão aberto.


 

KENNY

(murmura) O que está acontecendo aqui?


 

Ele desvia seu olhar para as árvores da floresta e vê uma menina (de camisola cinza, alta, cabelos escuros) esgueirando-se para dentro do local.

KENNY (CONT’D)

(grita) Ei, você! Volte aqui!


 

CENA 44. FLORESTA. EXTERIOR. NOITE.


 

Kenny corre através das árvores e dos arbustos até encontrar, ao longe, a menina caminhando de mãos dadas com o Slenderman.

                    KENNY

(V.O.) Foi quando eu o vi.

O soldado engatilha e aponta a arma para a criatura.

            KENNY (CONT’D)

(alto) Pare onde está.

Slenderman e a menina param.

            KENNY (CONT’D)

(alto) Essa terra é nossa. Essa menina é nossa. Você não tem permissão para estar aqui. Renda-se ou vou precisar atirar.


 

O Slenderman contorce seu corpo para trás lentamente, surpreendendo o soldado.

KENNY (CONT’D)

(V.O.) Era o mesmo homem que eu havia visto há anos atrás, no dia em que minha irmã desapareceu. Eu logo percebi do que tudo aquilo se tratava.


 

A garotinha solta-se da criatura sai correndo. Kenny dá dois passos para trás, ainda apavorado, e quando se vira, vê o Slenderman em pé, ao seu lado. A entidade avança na direção do homem, que dá um berro de horror.


 

FIM DO FLASHBACK.

            KENNY (CONT’D)

(V.O.) Não me lembro muito após isso.

FADE IN:


 


 

CENA 45. PRÉDIO. QUARTO. INTERIOR. NOITE.

Continuação da cena 36. Alana e Kenny seguem conversando.

                    KENNY

Quando a guerra terminou, eu passei a dedicar minha vida à investigar sobre a criatura. Eu tinha esperanças de poder reencontrar minha irmã. (suspira) Besteira.

Nunca a vi novamente. Nunca verei.

                    ALANA

De onde ele vem? Quem ele é? Qual sua história?

                    KENNY

Existem muitas teorias sobre as origens do Slenderman. Muitas pessoas afirmam que ele é uma entidade demoníaca. Outros dizem se tratar do espírito de um homem com uma história macabra. Tem gente que afirma se tratar de um alienígena. Nunca teremos essa resposta. O que eu sei é que ele pode ser muito perigoso. Eu vi o perigo com meus próprios olhos.

                    ALANA

Eu acredito agora.

                    KENNY

A entidade, ou o que quer que ele seja, é conjurado pelas crianças através do medo. As crianças levadas pelo Slenderman geralmente estão em situações de extremo desespero e sofrimento, como em Auschwitz, por exemplo.

                    (MORE)

KENNY (CONT’D)

A criatura então surge, em sua forma assustadora, e as liberta de seu martírio. Mesmo que isso signifique a morte.

ALANA

E leva elas para qual lugar?

KENNY

Se eu tivesse essa resposta, minha irmã estaria viva.

ALANA

Então não há nada que eu possa fazer? Isso tem que acabar, Kenny.

KENNY

É impossível matá-lo. Porém, se você aceita minha sugestão, volte para o orfanato. Ele é o verdadeiro opressor. Salve as crianças. Use sua influência para fechar aquele lugar. (pausa) Aí você terá colocado um fim na sanha do Slenderman.

CLOSE em Alana, impactada.


 

FIM DO ATO III ATO FINAL


 

FADE OUT.


 

FADE IN:


 


 

CENA 46. CHATEAU MARMONT. EXTERIOR. NOITE.

PLANO GERAL do orfanato.


 

CENA 47. CHATEAU MARMONT. CORREDOR. INTERIOR. NOITE.


 

Cruella caminha carregando uma caixa com seus pertences. Letha surge de uma porta atrás.

                    LETHA

Diretora?

A diretora respira fundo e encara Letha.

                    CRUELLA

Sim?


 

LETHA

Podemos conversar?

CRUELLA

Brevemente, Letha. Estou no meio de uma situação.

LETHA

É realmente muito importante. É sobre Lizzie.

CRUELLA

Aquela garotinha infernal mais uma vez. O que tem ela?

LETHA

Eu tenho a péssima impressão que algo aconteceu com ela.

Cruella franze a testa.

                    CRUELLA

Oh, é mesmo?

                    LETHA

Eu tenho procurado por ela por toda a propriedade desde o funeral do Reverendo Fain, mas não a encontrei. Ela desapareceu.

CRUELLA

Bem, você sabe as regras do Chateau. Quando algum dos internos foge, é por sua própria conta. Não procuramos por crianças fugitivas.

LETHA

Não, ela não fugiu. Alguém fez com que ela desaparecesse.

                    CRUELLA

O que está na sua mente, Letha?

                    LETHA

Dr. Hermann.

                    CRUELLA

(pensa) Interessante.

                    LETHA

Você sabe o que ele fez com Molly. Ele pode ter feito a mesma coisa com Lizzie. É a explicação mais plausível.


 

CRUELLA

E o que você quer que eu faça?

LETHA

Tome uma atitude. Você administra esse orfanato.

CRUELLA

Não posso fazer absolutamente nada. Está livre para agir como quiser.

Não estou mais no comando.

E Cruella sai dali.


 

LETHA

(surpresa) Como?


 

CENA 48. CHATEAU MARMONT. SUÍTE DE CRUELLA. INTERIOR. NOITE.


 

Cruella guardando suas roupas dentro de duas malas abertas em cima da cama. Há várias velas acesas pelo ambiente. Alexia entra.


 

ALEXIA

(estranha) Cruella? O que você está fazendo?


 

                    CRUELLA

Fazendo as malas. Não é óbvio?

                    ALEXIA

Vai viajar?

                    CRUELLA

(suspira) Estou indo embora Alexia. (olha para ela) Para sempre.

                    ALEXIA

Como assim?

Alexia vai até a diretora e a pega pelo braço.

           ALEXIA (CONT’D)

O que aconteceu com você? Você está péssima.


 

CRUELLA

Eu perdi, meu amor.

ALEXIA

Isso não está fazendo sentido, Cruella. Você bebeu?


 

CRUELLA

(empurra) Eu fui enganada. Enganada por Timothy. (fecha uma das malas) Velho miserável. Nós abrimos o testamento hoje. Ele deixou o Chateau Marmont para o Bernard.

                    ALEXIA

É impossível.

CRUELLA

Gostaria eu que fosse impossível, mas não é. Timothy me enganou. Ele sempre disse que, quando morresse, eu ficaria no controle de tudo, mas não. Ele mentiu! E eu perdi a cabeça, entende? Atentei contra a vida de Hermann.

                    ALEXIA

Oh meu Deus, você o matou?

CRUELLA

Infelizmente não. Como vingança, ele me demitiu. É por isso que estou indo embora.

                    ALEXIA

Ele não tem o direito de fazer isso! Este orfanato só é o que é pela sua competência!

CRUELLA

(alto) O nome dele está na escritura! Ele pode fazer o que quiser!


 

ALEXIA

E você vai embora assim? Vai abandonar o projeto dos seus sonhos? Nós tínhamos planos para esse lugar, você sabe.

CRUELLA

Esqueça os planos, esqueça os sonhos. Tudo acabou. E se você ainda quiser algo comigo, sugiro que comece a fazer as malas imediatamente.

ALEXIA

Não posso acreditar que você não vai fazer nada para impedir esse médico mal caráter.


 

CRUELLA

Eu sou uma mulher de pé no chão. Sei quando perco. Eu perdi, Alexia. Vou fazer o que o Hermann quer. Vou sumir daqui, mas não sem antes destruir o Chateau Marmont.

Cruella encara Alexia, com ódio.


 

CENA 49. CHATEAU MARMONT. SALA DE CRUELLA. INTERIOR. NOITE.


 

Hermann, vestindo um elegante smoking, senta-se na poltrona da diretora, imponente. BATIDAS na porta.

                  HERMANN

Pode entrar.

Letha entra, carregando uma bandeja tampada.

                    LETHA

Com licença, doutor.

                   HERMANN

Coloque aqui na minha frente.


 

A governanta o obedece. Hermann abre a bandeja e vê um prato de camarões e outros frutos do mar.

HERMANN (CONT’D)

Como eu queria.

                    LETHA

Às suas ordens.

                  HERMANN

E de agora em diante, Letha, me chame de senhor Hermann. Não atuo mais como médico no Chateau. Agora sou o administrador deste orfanato.

LETHA

Como quiser. E quanto a enfermaria?

HERMANN

Vou estar contratando um novo médico em breve. Vamos abrir processo seletivo.

Hermann dá uma garfada na comida. Letha observa de canto.


 

HERMANN (CONT’D)

Sabe Letha, eu estou tão entusiasmado com o que estou planejando para o Chateau. Serão novos tempos.

LETHA

Espero poder continuar aqui e ajudá-lo nessas mudanças.

HERMANN

De fato, eu teria razões suficientes para colocá-la no olho na rua, fazendo companhia com a ex- diretora. Você me ameaçou, Letha.

Fez acusações gravíssimas sobre meu caráter.


 

LETHA

Peço que me perdoe.

HERMANN

Só vou perdoar pois sei que estava sob efeito do comando de Cruella. Aquela mulher é capaz de fazer todos agirem da forma que ela quer. Ela é tóxica.

LETHA

Agradeço sua piedade.

HERMANN

Quero você do meu lado. Como uma amiga. Sem rusgas do passado.

LETHA

(sorri) Estou pronta para o novo futuro do Chateau.

                 HERMANN

Com certeza eu/...

Hermann franze a testa, arregala os olhos e olha para Letha.

                    LETHA

Algum problema?

                  HERMANN

Eu só... (balança a cabeça)


 

P.V. de Hermann: ele ergue as mãos, sua visão embaça. Olha para todos os lados, vê Letha se aproximar dele. VOLTA À CENA.


 

LETHA

Você está passando mal doutor Hermann?


 

HERMANN

(assustado) Eu preciso de ajuda!


 

Letha se enfurece e joga o prato da frente dele contra a parede.


 

LETHA

(grita) Isso não é o que você precisa, seu porco!

HERMANN

(murmura) Letha...

LETHA

(grita) Prefiro morrer do que trabalhar para você.


 

E o médico desmaia em cima da mesa. Letha se recompõe, vai até ele e murmura no seu ouvido.

           LETHA (CONT’D)

Isso é por todas elas.

CLOSE no rosto adormecido do médico.


 

CENA 50. CHATEAU MARMONT. SUÍTE DE CRUELLA. INTERIOR. NOITE.


 

Várias velas vermelhas acesas por todo o ambiente. As cortinas abertas revelam a lua sangrenta lá fora.


 

Cruella faz um círculo com giz branco no assoalho. Em seguida, desenha uma estrela de seis pontas dentro dele. A diretora coloca algumas velas pretas em torno do círculo.


 

Ela vai até seu guarda-roupa, no fundo ambiente, abre e retira de lá um livro de capa grossa. Retorna ao centro, entra no círculo desenhado e senta-se cruzando as pernas. Cruella abre o livro e procura até achar uma página em específico.


 

VICTOR

(O.S.) Você não precisa fazer essa porcaria toda para falar comigo.


 

Cruella olha para trás, surpresa, e vê a imagem de Victor Montgomery se formar nas sombras.

           VICTOR (CONT’D)

É só falar meu nome que eu venho.


 

                  CRUELLA

Victor.


 

Ela se levanta e o abraça. Victor cheira o pescoço dela e alisa seu cabelo.


 

VICTOR

Eu achei que você tinha esquecido de mim.


 

CRUELLA

(olha para ele) Nunca esqueceria de você.


 

VICTOR

Você fica mais bonita a cada dia que passa. Queria estar vivo para poder casar com você.

CRUELLA

(sorri) E quem disse que você não pode?


 

                   VICTOR

Você está tentando me seduzir. Quer alguma coisa de mim, por isso a tentativa de contato.

                  CRUELLA

Você está certo.

Cruella se afasta e anda pelo local.

          CRUELLA (CONT’D)

Eu preciso de algo seu. Um grande favor para uma amiga.

                   VICTOR

O que você quiser.

                  CRUELLA

É bom ouvir isso.


 

CÂMERA aproxima-se lentamente da expressão de satisfação da mulher.


 

CENA 51. TREM. INTERIOR. NOITE.


 

A locomotiva está em movimento. Ambiente está a meia luz. Alana sentada em uma poltrona, coberta com seu casaco, olhando através do vidro. CLOSE em Alana.


 

CENA 52. LOCAL DESCONHECIDO. INTERIOR. NOITE.


 

CÂMERA no rosto desacordado de Hermann, em meio à escuridão. Pequenos pedaços de terra vão caindo em seu rosto, fazendo-o despertar. Ainda zonzo, ele olha para os lados e não sabe identificar onde está.

HERMANN

(murmura) O que está acontecendo...


 

Ele tenta se levantar, mas bate contra a madeira. Subitamente, percebe onde está e começa a se debater em total descontrole, na medida em que a terra segue caindo em seu corpo.


 

HERMANN (CONT’D)

(grita) Me tira daqui! Sua psicopata! Socorro! Alguém me ajuda!


 

CENA 53. FLORESTA. EXTERIOR. NOITE.


 

Letha em frente a um buraco no chão, jogando terra lá para dentro com uma pá. Em OFF, ouve-se os GRITOS de Hermann.

                    LETHA

(ofegante) Essa é por Molly.

Ela joga mais uma pá de terra na cova.

           LETHA (CONT’D)

Essa é por Lizzie. E por Charlotte.

Outra pá de terra.


 

LETHA (CONT’D)

Me satisfaz saber que você terá uma morte lenta e dolorosa.


 

Letha termina de fechar o buraco, crava a pá no chão sai dali triunfante. CÂMERA fica alguns segundos no buraco recém- fechado.


 

CENA 54. CHATEAU MARMONT. EXTERIOR. NOITE.


 

CÂMERA aproxima-se lentamente da sacada da suíte de Cruella, no último andar, onde está Victor Montgomery. Ele empunha sua flauta, fecha os olhos e começa a tocar.


 

CENA 55. CHATEAU MARMONT. 1º ANDAR. INTERIOR. NOITE.


 

CÂMERA entra pela porta principal. A melodia da flauta de Victor soa em todo o ambiente.


 

CENA 56. CHATEAU MARMONT. QUARTO. INTERIOR. NOITE.


 

Em uma penteadeira, vê-se um porta-retratos com uma foto de Lachlan e Shelley abraçados.


 

O menino Lachlan dorme placidamente em sua cama, vestindo um delicado pijamas verde claro. A melodia da flauta ecoa pelo local.


 

CLOSE no rosto de Lachlan: ele abre seus olhos e estes estão vermelhos feito fogo.


 

CENA 57. CHATEAU MARMONT. EXTERIOR. NOITE.


 

PLANO GERAL. Todas as janelas do orfanato abrem-se ao mesmo tempo. O som da melodia de Victor ultrapassa os limites do casarão.


 

CENA 58. CABANA NA FLORESTA. EXTERIOR. NOITE.


 

PLANO GERAL. O som da flauta também é ouvido por ali. A porta de madeira se abre. Rosie e Lily saem juntas, ambas com os olhos vermelhos. Elas se dão as mãos e embrenham-se na mata.


 

CENA 59. CHATEAU MARMONT. CORREDOR. INTERIOR. NOITE.


 

A música da flauta de Victor em OFF. Todas as portas são abertas ao mesmo tempo. As luzes das luminárias começam a piscar. As crianças aparecem de dentro de seus quartos, com os olhos avermelhados, e seguem juntas em passos lentos através do ambiente.


 

FADE OUT.

 

     

 

SÉRIE DE: JOTA PÊ
ELENCO:

SARAH PAULSON...................................Alana Maxwell
MACKENZIE FOY......................................Rosie Tate
KENNEDI CLEMENTS....................................Lily Tate
CATHERINE DENEUVE.......................................Letha


STEVEN WEBER..............................Dr. Bernard Hermann
SHANE WEST.............................Padre Caleb Strickland
REBECCA HALL....................................Alexia Greene
JOHN CARROLL LYNCH.............................Phillip Bowers
JACOB TREMBLAY..................................Danny Maxwell
LINCOLN MELCHER.......................................Lachlan
DANNY HUSTON................................Victor Montgomery
JERRY LEGGIO..................................Kenny Gallagher
BARRY SLOANE.....................................Dale Maxwell
JAMES TUPPER..................................Peter Nichelson
CHARLIE HEATON.........................................Rodger

e

MICHELLE FORBES..............................Cruella Blaylock


PRODUÇÃO
Bruno Olsen
Cristina Ravela


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.

 
REALIZAÇÃO
 

 
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