Perfume - Capítulo 06



 

     
     
     

CAPÍTULO 06 - CONFIDÊNCIAS
 
     
   
 

O dia amanhece frio, esse certamente será o clima dos próximos dias na cidade, segundo as previsões dos meteorologistas. Pamela já estava de pé, não tinha conseguido dormir direito na última noite, passou a madrugada toda assistindo televisão e pensando em Jonathan Sampaio, os seus olhos continuam escassos. Precisa fugir dessa bomba relógio, é assim que resume a sua vida. Deve tomar as primeiras providências. Lavou o rosto no banheiro e escovou os dentes perfeitamente alinhados em sua cavidade bocal.

Ela desce as longas escadarias, o vento estava forte naquela manhã, trazendo uma sensação estranha no estômago, um pavor entorpecedor. Pamela anda nos longos corredores em direção a cozinha. Ela coloca a água para ferver no fogão, ignorando o uso da cafeteira, odeia o sabor da bebida nessas maquinas, deixa um tanto artificial. Quando o liquido começa a borbulhar na leiteira, Pamela joga dentro do coador acima da garrafa térmica cromada de um litro e finalmente o café se encontra pronto.

Pamela se acomoda na cadeira inclinada, contemplando o nada e de repente uma mulher dona de cabelos loiros, usando uma roupa de frio, introduziu-se no ambiente, com um sorriso tímido matinal.

- Bom dia, você deve ser a Pamela, não é?
- Sim...
- Eu sou Barbara Novak, namorada de Levi.

A mulher levantou-se para cumprimentar a cunhada, elas se abraçaram rapidamente, o aroma de Barbara é deslumbrante assim como o seu caráter. Pamela normalmente sente-se solitária no palacete e agora, tem o irmão e a namorada dele, para conversar.

- Pode se acomodar, vou buscar uns biscoitos.
- Não precisa.
- Claro que necessita, deve se sentir em casa.

Pamela abre o armário e pega um pote de biscoitos de goiaba e colocou na mesa próxima da escritora, adjunto com a xicara de porcelana. As duas damas estavam sentadas frente a frente, a chuva permanece intermite no lado externo, elas dialogavam como se conhecessem há bastante tempo.

- Posso te fazer uma pergunta, Pamela?
- Sim.
- Você ainda vai se casar com aquele homem?
- É uma decisão que precisa ser tomada com cautela.
- Não ligue para a imagem ou pelo dinheiro.

Barbara e Pamela, ficam caladas por alguns segundos.

- Barbara, eu queria ter algum talento, para qualquer coisa, sabe?
- Cada um nasce com um dom.
- Verdade.
- Monte o seu próprio destino, não viva sob o brilho dos outros.
- Eu tenho orgulho do Levi por isso, se tornou um homem de negócios.

Barbara ingere o café e ergue os olhos, não pode contar nada a respeito do empreendimento do amado, isso é um segredo que deve ser trancado a sete chaves. Em seguida, as duas se levantam, limpam os respingos de sujeira no cômodo e seguem para o segundo andar.

Pamela não pode mais usar esse cabresto, é a hora de ser a chefe nesse momento. O Land Rover percorre a cidade inundada pela tempestade, chegando a casa do noivo.

Miguel Xavier abre a porta da mansão com um sorriso debochado no rosto, ao encarar a dama que entra rapidamente sem ao menos ser convidada. Os olhares são fúnebres, Pamela coloca a bolsa de couro no sofá de palete. O homem a dianteira se aproxima e tenta roubar um beijo, fracassando.

- O que está acontecendo?
- Ficou sabendo a respeito do acidente com o Jonathan?
- Sim, mas o que isso tem a ver conosco?
- Ele é um grande amigo meu.

Miguel finalmente rouba um selinho. Pamela faz uma cara de nojo, saindo de perto do empresário do ramo da hotelaria.

- Xavier...
- Me chame de Miguel, vamos casar em poucos dias.
- É sobre isso que desejo falar.
- Continue.
- Quero cancelar o nosso compromisso. – Ele fala colocando o anel na mesa de centro espelhada.
- Pamela! Pamela! Pamela!

O empresário avança para cima da mulher, que se assusta.

- Quer mesmo assinar o óbito do seu amado, Jonathan?

Aquelas palavras foram fortes o suficiente para deixar a dama sem reação.

- Não acredito nisso, tentei me convencer do contrário. Mas tentar tirar a vida de outra pessoa? Como isso pode acontecer Miguel? Você é um monstro, por isso não terá mais nada entre a gente.

Miguel encrava o punho esquerdo no rosto de Pamela, que desaba no estofado, sendo puxada pelas crinas para frente de um espelho.

- Olhe para você, Pamela. É só um pedaço de carne, que eu vou usar e abusar pelo resto da vida.

Xavier a cheira pelas costas feito um animal, sendo conduzido pelo perfume com a essência de floral branco até o pescoço da garota, que berra desconsolada, sem ao menos ser escutada.

- Espero que esteja preparada, pois o nosso casamento vai suceder, ou então, aquele Jonathan Sampaio, se transformará em pó.

Em lastima, apenas observa pelo espelho o reflexo do homem, literalmente fora de controle. Como nunca tinha visto. O vestido é estraçalhado pelas mãos grossas do empresário, que a puxa pelos cabelos, alguns fios caem no piso de madeira laminado, sendo levada a força para o quarto no segundo andar. Como uma besta em fúria, começa a bater diligentemente naquela bunda avantajada, acima da enorme cama. O sutiã cai no pavimento primeiro, seguindo pela calcinha. Pamela não pode fazer mais nada, a não ser se entregar a dor e sentir aquele homem a invadindo por completa, feito uma presa sendo devorada por um predador indomável. Aquela não era a primeira vez que transavam, mas a garota suplicava para ser a última. No final da cópula, ela é jogada para o lado, que nem um lixo e se enrola no lençol sujo de sangue.

- Seremos felizes para sempre. – Ele debocha.

Miguel Xavier ascende o charuto irlandês, tragando e soltando a fumaça.
Não existe nada mais do que humilhação para a mulher. As marcas podem sumir com o tempo, mas não tem como esquecer o ocorrido.

Duas semanas se passaram e Pamela, tinha tomado uma única decisão, se unir matrimonialmente com Miguel Xavier, para salvar a vida de Jonathan.

Ninguém poderia fazer mais nada, nem mesmo Levi.

 
     

 

     

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