Seas - 1x05


 


 

 

TEASER

FADE IN:


 

  1. INT. SALA - INDT.:

    O rosto de Orlando, incisivo.

    ORLANDO (V.O.)

    Quando eu tive a oportunidade de fugir do navio, acredite: foi a melhor saída que encontrei. Búlgaro estava atrás da minha cabeça e o Empire, certamente, não durará tanto tempo no mar. Há forças muito maiores querendo derrubar o capitão e todos os que estão ao seu lado. (pausa) Me uni àqueles que tem algo para me oferecer...

    PLANO GERAL.

    Trata-se de um escritório, com uma mesa longa, onde vários homens discutem entre si.


     

    Áudio do BURBURINHO constante vai tomando a cena, até que é aberta a

    PORTA

    Sapatos pretos, masculinos, apontam na entrada. Todos miram para ele.


     

    O homem senta-se na cadeira. Seus dedos batem contra a mesa de madeira. O SOM ecoa.

    Orlando está de pé. Todos o encaram. Orlando assina um papel.

    CLOSE em Orlando.


     

    ORLANDO (cont.) (V.O.)

    Quando menos se espera, o ataque chega... Mais veloz do que nunca; mais assustador do que qualquer barbárie.

    A imagem de fundo some. Resta Orlando, num FUNDO NEGRO. SONOPLASTIA: "Do I Wanna Know?", por Arctic Monkeys.


     

                       ORLANDO (cont.)

    É hora de jogarmos.

    FADE OUT:


     

  2. EXT. MAR - DIA:

    Tomada aérea, até encontrarmos o EMPIRE.


     

  3. INT. EMPIRE - DIA:

    Tudo passa bem pelas áreas interativas do EMPIRE. Passageiros divertem-se e a criançada pula nas piscinas.


     

  4. INT. EMPIRE - BANHEIRO - DIA:

    Regina encara-se num grande espelho: óculos escuros, roupas pretas, lenço e chapéu na cabeça. Mauro aparece ao seu lado; veste roupas largas e um boné branco.

    FIM DA SONOPLASTIA.


     

    MAURO

    E então, Regina?

    REGINA

    Tá tudo resolvido. Nós vamos desembarcar, Mauro. É a nossa única chance de sairmos vivos desse navio.

    FLASHBACK RÁPIDO - A fala de Lívia.

    LÍVIA

    Vai dar tudo certo, calma. Por favor. A gente não pode desistir. Não, agora.

    VOLTA À CENA.

    Troca de olhares.


     

  5. INT. EMPIRE - SALA DE BÚLGARO - DIA:

    Reunião já iniciada. Búlgaro à frente de vários tripulantes e seguranças, dando ordens. Dentre eles, está Flávio.


     

    BÚLGARO

    Não há motivos para não os pegar. Eu quero a tripulante Lívia Silveira/

    CÂMERA revela a foto de Lívia, posta sobre a mesa.

                       BÚLGARO (cont.)

    O casal Regina e Mauro dos Santos/


     

                       Idem.


     

                       Idem.


     

    BÚLGARO (cont.)

    E as tripulantes Kênia Duarte e Lianna Sanz na minha sala.


     

    BÚLGARO (cont.)

    Se isso não acontecer, ninguém desembarca em Santos. Eu fui claro?


     

    Todos concordam.

                       BÚLGARO (cont.)

    Ótimo. Mais um aviso: Orlando não está mais entre nós. Ele traiu esta corporação e abandonou o navio. Eu espero estar contando com pessoas de confiança; espero que os senhores estejam do meu lado, caso contrário, vão se arrepender, como essas mulheres, que se meteram em meu caminho. Eu quero todas comigo, antes de atracarmos no porto. Vocês têm meia hora. (pausa) E eu garanto um benefício muito grande para aqueles que colaborarem comigo, acreditem.

    Todos vão saindo, ligeiros, incluindo Flávio.

                       BÚLGARO (cont.)

          Flávio.

    Flávio vira-se pra ele.

                       FLÁVIO

    Sim, senhor?!

                       BÚLGARO

    Ontem... Por conta daquele traidor, tudo foi por água abaixo, mas,

                       (MAIS)


     

    BÚLGARO (cont.)

    hoje, eu tenho outros planos pra você.


     

                       FLÁVIO

    E do que se trata, senhor capitão? O senhor sabe que pode contar comigo, não sabe?

                       BÚLGARO

    Sei, rapaz... Pena não ter descoberto você antes... Enfim. Meus planos pra você têm a ver com algo que eu tenho planejado há um bom tempo.

    Búlgaro despeja um pouco de whisky num copo e bebe.

                       FLÁVIO

    É sobre os últimos acontecimentos?

                       BÚLGARO

    Você não vai atrás das tripulantes, nem do casal que está atrapalhando meus planos, rapaz.

                       (pausa)

    Você terá outra tarefa.

    De repente, uma SECRETÁRIA aponta na porta.

                       SECRETÁRIA

    Senhor Búlgaro, há uma pessoa insistindo muito para falar com o senhor.


     

                       BÚLGARO

    Diga que eu já recebo.

                       SECRETÁRIA

    Sim, senhor.

    Ela SAI. Búlgaro aproxima-se de Flávio e põe sua mão em um dos ombros dele.


     

    BÚLGARO

    Você, a partir de agora, é meu mais novo aliado.

    Troca de olhares.

    FADE OUT.


     

    FIM DO TEASER


 

 



1x05 - QUEM É QUEM 

 

ATO I

FADE IN:


 

  1. INT. EMPIRE - CORREDOR - DIA:

    Um HOMEM alto ajeita um ponto na orelha, enquanto caminha. Traja roupas despojadas. Vem uma MULHER, na direção contrária, e pisca para ele. Passam próximos e a mulher segue - ela leva uma das mãos à orelha.


     

  2. EXT. EMPIRE - PISCINA - DIA:

    Uma criança pula na piscina. CORTA para uma SENHORA, cabelos brancos, às margens, olhando para os lados, vigilante.


     

  3. INT. EMPIRE - PONTE DE COMANDO - DIA:

    Búlgaro observa, com um binóculo, as imediações do mar. Um homem aproxima-se.


     


     

    Senhor.

                             HOMEM


     

    Búlgaro vira-se para ele.

    HOMEM (cont.) Nós temos um problema com a tripulação.

    BÚLGARO

    O que houve?

    HOMEM

    Não temos nenhum resultado até então.


     

    BÚLGARO

    Como assim?

    HOMEM

    Não achamos nenhum dos quatro que estão sumidos.

                       BÚLGARO

    Quatro?

    Búlgaro vira o rosto, túrbido.


     

    HOMEM

    Lívia, Lianna, Kênia.

    BÚLGARO

    (alto) Que inferno!!!

    HOMEM

    E Caio Cardoso, de trinta anos. Aparentemente, nenhuma relação, senhor, mas ele também não foi encontrado nas dependências do navio.

    Búlgaro encara-o.


     

    BÚLGARO

    Mandem intensificar a busca por todo canto. Eu quero esses vagabundos na minha mão! (alto) Vai!


     

                       HOMEM

    Sim, senhor.

                       BÚLGARO

             Maldito Orlando! Maldito!


     

  4. INT. EMPIRE - TUBO SUBTERRÂNEO - DIA:

    Lívia, Kênia e Lianna apontam, munidas de lanternas, à entrada do tubo subterrâneo, vestidas em coletes

    salva-vidas.


     

    LÍVIA

    (sussurra)

    É exatamente aqui. Eu combinei com a Regina e com Mauro de nos encontrarmos aqui. A gente vai ter que esperar.

    KÊNIA

    (idem)

    Tá, mas eles vão dar falta da gente, Lívia. A gente não pode esperar por muito tempo!

    LÍVIA

    Eles não vão nos encontrar aqui. Esse lugar é seguro.


     

    LIANNA

    Yo no tengo tanta certeza así, Lívia. Búlgaro compreende todo esto navio! Todo!

    LÍVIA

    Não vai adiantar cogitar. Essa é a única saída pro mar.

    KÊNIA

    Isso nos leva pra onde? (pausa) Não vai dizer que/

    Lívia balança positivamente a cabeça.

    KÊNIA (cont.) Eu não vou entrar lá.

    LIANNA

    O quê? Donde?

    LÍVIA

    Calma! Calma! Não começa se apavorar, porque, se não, é pior. (pausa) Eu tenho um plano e vai dar certo.


     

    CLOSE em Lívia. Ela encara a parede do lugar e faz sinal para silêncio. Ela encosta a orelha na parede e fecha os olhos. CÂMERA VAZA pela parede e chega ao

    CASCO DO EMPIRE

    As hélices giram e o navio movimenta-se com velocidade constante. CÂMERA VAZA, de volta, pela parede e voltamos ao

    SUBTERRÂNEO

    Lívia retira o ouvido da parede e encara-as.

    LÍVIA (cont.) Será que todos sabem nadar?

    Entreolham-se.


     

  5. EXT. MANSÃO DA FACÇÃO - DIA:

    Em TRAVELLING, câmera acompanha um carro preto entrar pelo portão grande, automático, da mansão. O veículo segue todo o trajeto, cercado de vegetação, até parar em frente ao chafariz central do lugar.


     

    Um HOMEM NEGRO, alto, forte, em traje de motorista, sai do carro e abre a porta de trás, de onde Luciano SAI. Do outro lado, sai Orlando.


     

    O homem abre a porta malas e retira uma bagagem. Entrega para Orlando, que segue, junto de Luciano, até a escadaria. Aquele encara a fachada da mansão, belíssima, imponente, de paredes brancas e detalhes em pedras. Ele dá um sorriso.

    Ambos sobem os degraus.

    PLANO GERAL até as imediações, de muitas coníferas.


     

  6. INT. MANSÃO DA FACÇÃO - HALL DE ENTRADA - DIA:

    Piso branco, liso. Paredes altas; uma escadaria ao fundo. Tudo muito luxuoso.


     

    Eis que a porta se abre. Dois pares de sapatos ENTRAM e a porta é fechada. A bagagem é jogada no chão. Trata-se de Orlando e Luciano.


     

    CORTA para sapatos altos, vermelhos, vindo em direção a ambos. É uma MULHER alta, magra, 30 anos, cabelos pretos, cumpridos, saia preta e blusa também vermelha.

    MULHER

    Bom dia, senhores.

    LUCIANO

    (sorri) Débora!


     

    DÉBORA

    Como vai, Luciano? Doutor Clark está esperando por vocês. Vamos?

    ORLANDO

    Onde eu... (olha pra bagagem) Onde eu poderia deixar minha bagagem?

    DÉBORA

    Isso não é um problema seu, senhor. (sorri) Vamos, acompanhem-me.


     

    Orlando abandona a mala, meio encafifado, e segue-a, com Luciano.


     

    LUCIANO

    Isso mudou bastante, desde a última vez que estive por aqui...


     

  7. INT. MANSÃO DA FACÇÃO - ESCRITÓRIO - DIA:

    Orlando e Luciano ENTRAM assim que Débora abre a porta. Revela-se um escritório todo em madeira, com muitas prateleiras, lotadas de livros, e cadeiras confortáveis.

                       DÉBORA

    Ele foi ao banheiro. Já vem. (pausa) Se me dão licença...

                       LUCIANO

    Obrigado, querida.

    Débora fecha a porta e Luciano e Orlando sentam-se.

                       ORLANDO

    Eu espero que dê tudo certo, Luciano.


     

                       LUCIANO

    E eu espero não me arrepender de ter indicado você ao doutor Clark, Orlando.


     

    Orlando observa um grande certificado, preso à parede, com um título, grande: "HONRA AO MÉRITO - PRÊMIO CONDE DE LINHARES, ESCOLA NAVAL. 1997".


     

  8. INT. EMPIRE - CORREDOR - DIA:

    Câmera segue, em TRAVELLING, um casal, que anda apressado. Revela-se, então, Regina e Mauro, com os disfarces da cena

    4. Eles dobram o corredor.

                       MAURO

    (sussurra/olhando pra frente) Onde eles vão nos encontrar?

                       REGINA

                       (idem)

    Na sala de máquinas.

                       MAURO

    Sala de máquinas?

                       REGINA

                       É! (repentina) Agora, vem.

    E Regina puxa Mauro, repentina, dobrando um corredor.

    CORTA para uma MULHER alta, trajes despojados, passos firmes, que para à entrada do corredor.


     

                       (CONTINUA)


     

    Avista Regina e Mauro, mais à frente.

    Ela retira um rádio comunicador do bolso.

    MULHER

    (rádio) Achei eles!

    E prossegue, seguindo o casal.


     

  9. INT. EMPIRE - SALA DE BÚLGARO - DIA:

    Búlgaro deitado numa maca, sendo examinado por uma ENFERMEIRA. Ela termina o procedimento com o estetoscópio e retira-o dos ouvidos.

    ENFERMEIRA

    Capitão, clinicamente não há nada de errado com o senhor.

    BÚLGARO

    Essa noite foi um tanto complicada... Acordei agitado das madornas.


     

    ENFERMEIRA

    Eu vou receitar um relaxante. Procure comprar, assim que atracarmos em Santos.

    BÚLGARO

    Ótimo, Elisa, muito obrigado. Você, como sempre, muito eficiente.

    ELISA

    Que bom. Agora, se me dá licença, eu to um pouco atarefada.

    BÚLGARO

    Claro. (pausa) Antes, eu queria que você me ajudasse em uma coisa.

                       ELISA

    Se estiver ao meu alcance...

    Búlgaro encara-a e sorri para ela.


     

  10. INT. EMPIRE - CORREDOR - DIA:

    Mauro e Regina andam rápidos. Atrás deles, a mulher e um HOMEM (acima do peso, cabelos grisalhos, 50 e poucos anos). Mauro olha de relance pra trás. Aperta o passo; segura à mão de Regina.


     

                       MAURO

    Eles tão na nossa cola, Regina. Eu acho melhor a gente correr.


     

    Regina olha pra trás, ajeita a bolsa, no ombro, e sai correndo, junto de Mauro.

    CORTA pros perseguidores.

                       HOMEM

    (rádio comunicador)

    Eles tão correndo. Sentido norte da proa. Sentido norte!!!

                       MULHER

    Vamos! Atrás deles!

    E correm atrás de Mauro e Regina, que já estão em OUTRO CORREDOR,

    Onde olham para os lados e correm ainda mais.

                       MAURO

    Falta muito pra sala de máquinas, Regina?


     

                       REGINA

    É no subsolo, Mauro! A gente não vai conseguir chegar lá sem despistá-los!!!


     

    Regina, afoita, mete a mão na maçaneta da primeira porta que vê e ENTRA. Mauro segue-a. Batem à porta. Nisso, ENTRAM no corredor o homem e a mulher. Olham pros lados.

                       HOMEM

    Pra onde eles foram?

                       MULHER

    Não sei...

    Eles andam até a referida porta. Escutam-se barulhos fortes, vindos dela. A mulher atenta-se. Mete a mão na maçaneta; a porta não abre.


     

                       (CONTINUA)


     

    MULHER (cont.)

    Abre essa porta! Eles estão nas escadas!!!


     

    O homem começa a chutar a porta; a mulher cata o rádio comunicador do bolso.


     

    MULHER (cont.) (rádio)

    Descendo as escadas, em direção ao subsolo! Peguem eles!!!

    Os chutes do homem não ameaçam a porta. Ele olha pros lados

    -- vê um extintor, próximo, vai ao objeto, arranca-o de um suporte e vai em direção a porta. Bate uma; duas; a porta revela-se fraca. Enfim, bate a última e derradeira vez: a porta é aberta e eles rumam as

    ESCADAS.

    CORTA PARA Regina e Mauro, em lances abaixo, rápidos.

    MAURO

    (olha pra cima e os vê)

    Que droga! Que droga! Eles tão na nossa cola, Regina!

    REGINA

    Continua, Mauro! Não para!!!

    E seguem, ágeis. Chegam, por fim, a um corredor cumprido, com uma porta ao fim. Regina e Mauro correm, muito rápidos, até a porta. Mauro força, mas a porta está trancada. Olham pra trás e, então, veem a mulher e o homem. A primeira leva o rádio à boca.


     

                       MULHER

    Pegamos eles!

    Mauro respira fundo. Regina chora. CORTE DESCONTÍNUO.

    O homem segura Mauro, algemado; a mulher, Regina.

                       HOMEM

                       (rádio)

    E então, o que fazemos com eles?

                       VOZ MASCULINA

    Tragam até a mim.

    Regina e Mauro entreolham-se, sem saída.


     

  11. INT. EMPIRE - SUBTERRÂNEO - DIA:

    Lívia aponta a lanterna pra todos os lados.

                       KÊNIA

    Eles já tão atrasados, Lívia!

                       LÍVIA

    Será que aconteceu alguma coisa?

                       LIANNA

    Cómo sairemos daqui sem eles?

                       LÍVIA

    Eu não sei gente. Pode ter acontecido qualquer coisa. Mas... Não, a gente não vai sair daqui sem eles, Lia. A Regina tá do nosso lado.


     

                       KÊNIA

    Será mesmo, Lívia? E se eles forem pegos? Você não acha que, em troca de alguma coisa muito importante, eles dedariam a gente?

                       LÍVIA

    Não, Kênia. Eles não fariam isso.


     

  12. EXT. MANSÃO DA FACÇÃO - DIA:

                       Fachada.


     

  13. INT. MANSÃO DA FACÇÃO - ESCRITÓRIO - DIA:

    Mão masculina, idosa, despeja um chá irlandês em três xícaras: uma por uma, devagar. Na frente desse HOMEM, o qual não revelamos ainda, estão Orlando e Luciano.

    LUCIANO

    (pigarreia)

    Vamos ao que interessa, doutor?

    Eis que se revela um HOMEM alto, cabelos grisalhos, barba por fazer, 50 e poucos anos, num terno branco. Ele sorri.

                       HOMEM

    Quando eu te conheci, a ansiedade não te tomava conta por completo, Luciano. (sorri) Mas digamos que essa é uma oportunidade bastante

                       (MAIS)


     

    HOMEM (cont.) apta para esses efeitos

    psicológicos. (ri) Desculpem, são os efeitos de Freud, lido pela manhã. (dá uma golada no chá) Ótimo. (sorri; fecha os olhos) Assim como esse Barry’s Tea!

    Orlando olha para Luciano, confuso.

    HOMEM (cont.) Oh, me desculpem!

    Ele entrega as xícaras para eles.

    HOMEM (cont.) Espero que apreciem.

    LUCIANO

                       (gole)

    Está ótimo! Mas precisamos conversar sobre o Empire.


     

    O homem sorri e põe a xícara sobre a mesa. Conforta-se na cadeira.


     

    HOMEM

    A brincadeira acabou, então.

    LUCIANO

    Esse é Orlando. Ex-braço direito de Búlgaro Damasceno. Aprovado por todo o nosso conselho. Estaria pronto para as atividades, se não tivesse que passar por você, antes, é claro, senhor Clark.

    CLARK

    (sorri)

    Então se ele é o motivo para a sua presença, deixe-me a sós com ele. Tudo bem?


     


     

                       LUCIANO

                       Claro.


     

    Luciano levanta-se e SAI. Clark observa Orlando, sério, por alguns segundos. Logo, pega a xícara e despeja um pouco do chá sobre um papel branco, sobre a mesa. Orlando, confuso, observa.

    CLARK

    Para iniciarmos qualquer negócio, Orlando, é preciso entender mais sobre o motivo de estarmos nele. Consegue perceber aonde você entra, olhando pra esse chá, no meio dessa folha branca?

    Orlando, interrogativo.

                  CLARK (cont.)

    (ri)

    É claro. Entendo. Você é novo. Acostumado com as regalias de um navio de luxo, com serviço extra de prostituição... Você era o chefe, confere?


     

                       ORLANDO

    Sim, senhor.

                       CLARK

                       (sorri)

    Por favor, retire o senhor. Doutor Clark está de ótimo emprego.

                       ORLANDO

    Perdão/

                       CLARK

    (sobrepõe)

    Não há de quê! Mas, já que não percebe, contarei mais sobre esse chá, despejado... (observa o líquido) Bem... Eu diria que a folha branca é SEAS, a companhia mais forte do mundo, com o maior navio do mundo! (alto) Empire! (ri) Tudo estaria bem, meu amigo, se não fosse pelas trapaças do jogo. SEAS ficou devendo a muitos, muitos empresários... Empresários que construíram cada andar daquele navio miserável... Empresários que se quer receberam um terço dos investimentos. (bate a xícara) Fomos roubados!!! E o que nós queremos fazer é manchar esse navio lindo, maravilhoso (sorri), perfeito! (sério) E nós sabemos que podemos contar com você, Orlando.

    Contar com você pra manchar essa folha branca, linda, com um digno chá irlandês.


     

    Ele pega a xícara e bebe o restante do chá.

    CLARK (cont.) (sorri)

    E então?

    Orlando encara-o.


     

  14. INT. EMPIRE - ESCRITÓRIO DE ORLANDO - DIA:

    A porta é aberta e o homem e a mulher vêm trazendo Mauro e Regina, respectivamente. Coloca-os de pé, no centro. Eles observam o derredor.


     

    MAURO

    Essa sala é do Orlando. O que, que a gente tá fazendo aqui?

    REGINA

    Cadê o Búlgaro? Fala com ele que já pode parar com o jogo. Nós estamos aqui!


     

    Nisso, a porta é aberta. Eles viram-se para trás e dão com Caio.


     

                     

                 REGINA (cont.)

                               Caio?
     

                       HOMEM

    Estão entregues, senhor.

    CLOSE geral.


     

    FADE OUT.


     


     

    FADE IN:

    FIM DO ATO I ATO II


     

  15. INT. EMPIRE - ESCRITÓRIO DE ORLANDO - DIA:

    CONTINUAÇÃO IMEDIATA DA CENA ANTERIOR. O homem e a mulher

    SAEM e fecham a porta.

                       REGINA

    Mas o que significa isso, Caio? Isso quer dizer que você/


     

                       MAURO

                       (enojado)

    Você está do lado do Búlgaro, cara?

    Nisso, a porta é aberta e Búlgaro ENTRA.

                       REGINA

    Meu Deus... (mãos à cabeça) Depois de tudo. De tudo! Como você foi capaz, Caio?

    CAIO

    O Búlgaro ofereceu o melhor retorno para quem entregasse vocês vivos.

    Eu quero ser o novo Orlando e essa é a minha oportunidade. Vocês podem não entender, mas eu lutei muito pra estar ao lado do capitão.

    Búlgaro bate nos ombros de Caio. Regina encara, abestada.

    BÚLGARO

    Você vai estar comigo para sempre. O meu braço direito, o substituto do Orlando e o que promete não me trair! (sorri) É ótimo rever você, também, Regina!

    Regina vai pra cima de Búlgaro, mas Mauro a contém.

                       REGINA

    É um desprazer, seu velho imundo! Eu odeio você e eu quero que você morra! Ouviu bem? Eu quero que você morra e encontre com Orlando no fundo do inferno, seu demônio!

                       MAURO

    Para, Regina! Para! Não vale a pena/


     

    REGINA

    Claro que vale, Mauro! Quem disse que não vale?! Não vale a pena olhar pra cara desses dois germes e dizer que eles são imundos, que eles têm que apodrecer num manicômio, feito loucos? Eu falo, sim. Não vou morrer? Então eu falo!!!


     

    CAIO

    Então aproveita pra dizer onde estão Lívia, Kênia e Lianna, Regina. Eu quero o lugar exato. Pra agora!


     

    REGINA

    E se eu não fizer? Vai me matar? Então não precisa fazer cerimonial. Me matem logo e acabem com esse circo, com essa palhaçada. (pausa) Porque o único doente, capaz de causar graça aqui, é você Caio.

    Você é louco. (berra) Louco, como todos eles!!

    CAIO

    Contém a sua mulher, Mauro! (alto) Faz alguma coisa!

    Mauro segura Regina com força.

                       REGINA

    Eu odeio vocês!!! (alto) Odeio!!!

                       BÚLGARO

    (berra) Chega!!!

    Búlgaro empurra Regina e ela cai no chão. Mauro, assustado.

    BÚLGARO (cont.)

    Eu quero o lugar agora, porque, se não, sua mãezinha, amada, que te iludiu com esse passeio lindo, no maior navio do mundo, vai morrer. E eu vou ter o prazer de te deixar viva, só pra velar o corpo dela.


     

    Mauro vai reagir, mas paralisa quando SE OUVE o engatilhar de uma arma. Ele olha para o lado e vê Caio, mirando uma pistola.


     

    CAIO

    Você não vai fazer nada, sua banana. Fica aí. Põe a mão pra cima.

    Mauro respeita.


     

    REGINA

    Eu não vou falar nada!!! Não vou, mesmo!


     

    Búlgaro cata seu telefone e disca um número. Ele amostra a tela do objeto pra Regina.

                       BÚLGARO

    Você decide, Regina, porque, como você mesma disse, ontem, com aquela arma apontada para mim: você não tem outra escolha, a não ser jogar.

    CLOSE em Regina.


     

  16. INT. MANSÃO DA FACÇÃO - ESCRITÓRIO - DIA:

    ORLANDO

    Eu aceito a proposta.

    Clark sorri.


     


     

                       CLARK

                       Ótimo.


     

    Ele aperta em algum botão do telefone.

    CLARK (cont.) Débora, mande Luciano entrar.

    Clark solta o botão. Luciano ENTRA.

                       LUCIANO

    E então?

                       CLARK

    Parece que temos alguém muito influente incluído à nossa facção.

                       LUCIANO

    Ótimo.

                       ORLANDO

    Eu estarei sempre disposto a destruir Búlgaro.

    Clark aproxima-se da mesa, desconfiado.

    CLARK

    Eu poderia saber o motivo de tanto ódio? Por que aceitar nosso convite, pular da proa e fugir do navio?

    ORLANDO

    Búlgaro queria a minha cabeça, depois de anos de serviços. Ele queria fugir e me largar, sem nada, livre pra receber a culpa de tudo o que pudesse dar errado, por causa das sujeiras do Empire... Eu não permitiria, jamais!

    CLARK

    Eu tenho certeza que você fez uma ótima escolha. Sobre todas as regras e recomendações, você será assessorado pelo Luciano. (pausa) Bem-vindo, Orlando.


     

  17. INT. CARRO - DIA:

    Luciano e Orlando, sentados no banco de trás. Veículo em movimento.

    Luciano entrega um CELULAR, uma CHAVE e um CORDÃO para ele.

    LUCIANO

    Esses artefatos te tornam exclusivos da facção. Em todos eles há rastreamento, portanto, deixo claro desde já: não tente jogar dos dois lados. O celular é para uso exclusivo da facção e deve, somente, ser utilizado para contatar quem já está cadastrado na agenda. Não ligue para um número externo a ela. Essa chave é do seu apartamento. Lá, você vai encontrar um laptop, roupas e comida.

    Abrigue-se num fundo falso, atrás da estante de livros em qualquer situação de ameaça. E eu já tenho seu primeiro serviço. Tá na sua caixa de mensagens no computador. Acesse, leia e ponha em prática. Eu entro em contato em breve.

    O carro para.


     

    LUCIANO (cont.)

    Você desce aqui.

    Orlando guarda tudo nos bolsos da calça, abre a porta e SAI. O carro dá a partida.

    RUA


     

    Orlando encara o prédio, alto e luxuoso, da calçada à cobertura. ENTRA.


     

  18. INT. EMPIRE - SUBTERRÂNEO - DIA:

    Lívia, Lianna e Kênia sentadas. Coletes jogados no chão. Um rato passa próximo a elas, despercebido.

    LÍVIA

    Será que eles foram pegos?

    KÊNIA

    Eu já falei, Lívia: é melhor a gente ir embora. Ficar aqui só vai atrair mais esses capangas do Búlgaro. E, diferente de você, eu acredito, sim, na possibilidade da Regina e o marido dela dedarem a gente. Se isso acontecer/

    LÍVIA

    Chega, Kênia, eu já disse que não! Isso não vai acontecer.

    LIANNA

    Nos no vomos conseguir escondermos por muito tempo aque. No mesmo!

    KÊNIA

    A Lianna tem razão. Vamos embora, Lívia. Não é possível eles demorarem tanto assim.

    LÍVIA

    Eu não posso dar as costas! Regina acreditou em mim e esteve do meu lado desde o começo! Eu vou subir e ver o que está acontecendo!

    LIANNO

    NO! Estás louca?!

    KÊNIA

    Você não pode ir. Se você é descoberta, acabou o plano, porque só você sabe sair desse lugar, Lívia.

    CLOSE em Lívia.

    LÍVIA

    É arriscado, Kênia. Eu não sei, ao certo, sair daqui. É uma pista.

    Pistas que eu fui coletando durante todo esse tempo. Me parece que, às seis e quarenta e cinco, o ducto da fossa é aberto. Tudo é liberado no mar. Esse ducto é do tamanho exato de um sapato.

    LIANNA

    Sapato?

    LÍVIA

    Sim. Mas a quantidade de esgoto que estava sendo lançada estava causando entupimentos. A equipe técnica ainda está em conserto e, por isso, o tamanho do ducto

    tornou-se, exatamente, o tamanho de uma pessoa.

    KÊNIA

    E como você sabe de tudo isso?

    LÍVIA

    Isso não importa agora. O que eu quero dizer é que, se vocês não souberem nadar, a gente vai nadar, nadar, nadar... Mas vamos morrer na praia, porque esse ducto é a única maneira de nos colocar pra fora desse inferno.

    LIANNA

    E nos vamos pra donde? Morrer, largadas, no meio deste mar?

    LÍVIA

    Aí é que tá, Lianna. Nós precisamos sair do navio daqui a, (olha pro relógio) exatamente, uma hora e dois minutos. Será o momento exato que a comporta abrirá e o navio passará bem próximo de uma vila.

    Nós vamos ter que nadar até lá.

    LIANNA

    Mas yo... Yo no sei nadar!

    KÊNIA

    Vai dar tudo certo. Você tem a minha ajuda.


     

    LÍVIA

    É por isso que Regina e Mauro já deviam ter chego, porque precisamos acessar o ducto e estarmos prontos para pular exatamente na hora.

    KÊNIA

    E se eles não chegarem?

    Lívia pensa por uns instantes e suspira alto.

    LÍVIA

    Se eles não chegarem, nós vamos embora.

    CORTE entre elas, apreensivas.


     

  19. INT. APARTAMENTO DE ORLANDO - DIA:

    Lugar amplo, moderno. Cozinha adjunta à sala, com sofá, televisão e mesa de jantar. O quarto também é adjunto: cama, armário. A grande prateleira de livros está num canto da sala.


     

    Orlando mexe no computador, sentado na poltrona, com um prato com torradas ao lado.


     

    INSERT NA TELA DO COMPUTADOR - Vemos um e-mail aberto. Há uma mensagem escrito "Boas vindas". Orlando pressiona e abre uma tela, com uma mensagem grande, onde está escrito: "Você tem uma nova tarefa".

    VOLTA À CENA.

    CLOSE em Orlando. Ele pega uma torrada e põe na boca. De repente, o telefone toca. Orlando atende.

    ORLANDO

    Sim? (pausa) Claro.

    Orlando desliga o aparelho, põe no bolso e vai até a instante de livros. Observa-a por alguns instantes, até perceber um livro de plástico. Orlando puxa-o e, nesse instante, a estante abre. Orlando entra no

    ESCONDERIJO

    Lugar claro, com uma mesa no centro, poltronas, televisão, computador, celulares, roupas pretas. Ele observa o ambiente quadrado e sofisticado.


     

    Sobre a mesa, estão várias fotos do SEAS, de Lianna, Kênia, Lívia, Regina, Mauro e Caio. Orlando observa-as. O telefone toca. Ele põe no ouvido.

    ORLANDO (cont.)

    Você. Achei que demoraria a ligar. (pausa) Sim, eu to aqui. (pausa) Certo...


     

    Ele vai até um armário e abre-o. Retira um mapa lá de dentro.


     

    ORLANDO (cont.)

    Tem um mapa. (pausa) Como? (tempo) OK. Eu estou indo pra lá.

    CLOSE em Orlando.


     

  20. EXT. EMPIRE - TARDE:

    O tempo fechado, gaivotas pelo céu.


     

  21. INT. EMPIRE - ESCRITÓRIO DE ORLANDO - TARDE:

    Mauro amarrado numa cadeira, supervisionado por Caio. Regina ao lado, vista por Búlgaro, ajoelhada e com as mãos atrás da cabeça.


     

    REGINA

    Você pode fazer o que quiser, que eu não abro o bico!

    BÚLGARO

    Eu vou matar a sua mãe, Regina, e eu não to brincando.

    REGINA

    Você é cruel/

    BÚLGARO

    Eu sou o que você quiser que eu seja. Mas, acima de tudo, eu cumpro com a minha palavra. E eu estou afirmando que, se você não me disse onde encontrar aquelas vadias, eu vou pegar esse celular, apertar um botão e autorizar meu atirador a triturar os miolos da sua mãe. Tão linda... Uma formosa senhora...

    Pena que morto não tem beleza.


     

    Regina dá um berro e parte pra cima de Búlgaro, que a joga no chão e saca o celular.

                       BÚLGARO (cont.)

                       (berra)

    Fala!!! Eu to mandando você falar!

    Ele ameaça com o telefone. Regina chora muito; Mauro também.

                       MAURO

    No subterrâneo! Elas estão lá!

                       REGINA

                       (berra)

    Não!!!! Mauro, não!!!!

    Búlgaro retira um rádio de dentro do bolso.

                       BÚLGARO

    Mobilize toda a equipe. Nós vamos pro subterrâneo!

    Regina chora muito.


     

    MAURO

    Desculpa, meu amor... Mas eu precisava... Eu precisava fazer alguma coisa.

    Regina só chora.


     

                       BÚLGARO

    (aproxima-se de Regina) Você deveria aprender mais com o seu marido, Regina, e colaborar.

    Você já se saiu melhor antes, muito melhor!

    Regina ergue a cabeça e cospe na cara de Búlgaro.

                       REGINA

                       (berra)

    Sai daqui!!!! Seu monstro!

    Búlgaro limpa o cuspe com os dedos e esfrega na farda.

                       BÚLGARO

    Eu vou buscar as suas amigas. Vamos sair desse navio juntos. (pausa) Cuide deles, Caio.

    Búlgaro SAI. Close em Caio, que observa Regina e Mauro.

    REGINA

                       (sussurra)

    Vocês vão pagar muito caro. Muito! Muito caro!

    CAIO

    Fica calma, Regina.

    REGINA

    Calma? Você é completamente louco, Caio. Completamente...

                       MAURO

    Regina/

                       REGINA

    (alto; por cima)

    Você não podia ter feito isso, Mauro! Não podia!

    CLOSE em Mauro, arrependido.

    CAIO

    Em breve, tudo voltará ao normal, Regina, e você vai poder sair desse navio... Renovada, acredite.


     

  22. INT. EMPIRE - CORREDOR - TARDE:

    SONOPLASTIA: Ação.

    Búlgaro e todas as pessoas da cena 5 ao seu lado, apressados.


     

    BÚLGARO

    (alto)

    Uma equipe fica na porta. Eu quero todos espalhados pelos andares superiores e inferiores. Dois homens me acompanham. Vamos até o ducto. Elas só podem ter ido até lá. (pausa) E, acima de tudo, todos saem com vida.


     

  23. INT. EMPIRE - SUBTERRÂNEO - TARDE:

    Lianna, Kênia e Lívia vestem coletes salva-vidas.

    KÊNIA

    A gente não pode mais esperar, Lívia. Vamos embora.


     

                       LÍVIA

    É. É capaz da gente não ter outra oportunidade como essa. Eu... (pausa) Eu sinto muito pela Regina e pelo Mauro...

                       LIANNA

    Regina vá entender.

                       LÍVIA

    (olha pro relógio)

    Vai dar tudo certo, meninas. Vai dar tudo certo. Vamos! Vamos em frente.

    E elas adentram o corredor.


     

  24. INT. EMPIRE - SUBTERRÂNEO - DUCTO - TARDE:

    Lianna sobe a escada. Ao chegar numa estrutura superior, ajuda Lívia a subir. Esta, ajuda Kênia. Elas chegam, então, a uma grande estrutura. Vê-se uma comporta fechada, ao fim de um buraco, onde vários tubos desembocam.

                       LÍVIA

    É aqui. Quando a comporta abrir, a gente pula no buraco. (pausa) O único problema são os tubos. Vai vir muita coisa em cima da gente. Então, acima de tudo, fechem os olhos e respirem fundo, porque a gente só vai abrir quando estivermos dentro do mar.


     

    Lianna e Kênia concordam. Lívia prossegue, lentamente, e observa a comporta. As outras também se aproximam. Lívia encara o relógio.


     

                       LÍVIA (cont.)

    Faltam cinco minutos. Preparem-se.


     

  25. INT. EMPIRE - ESCADAS - TARDE:

    Homens e mulheres, seguranças de Búlgaro, descem, rapidamente, os degraus. Por último, vem Búlgaro, rápido.


     

  26. INT. EMPIRE - SUBTERRÂNEO - DUCTO - TARDE:

    ABRE no Relógio de Lívia. Faltam 3 minutos. Elas respiram fundo e olham-se.


     

  27. INT. EMPIRE - SUBTERRÂNEO - TARDE:

    A porta é aberta com força e todos os seguranças começam a entrar, munidos de lanterna, apontando pra todos os lados e vasculhando.


     

                       BÚLGARO

    Vamos!!! Achem essas meninas!


     

  28. INT. EMPIRE - SUBTERRÂNEO - DUCTO - TARDE:

    Lívia olha, tensa, pro relógio.

                       LÍVIA

    Respirem fundo. Faltam dois minutos.


     

  29. INT. EMPIRE - ESCRITÓRIO DE ORLANDO - TARDE:

    Caio observa Regina e Mauro, sérios.


     

  30. INT. EMPIRE - SUBTERRÂNEO - TARDE:

    Os seguranças vasculham; abrem portas. Ratos andam por ali. Búlgaro encara tudo, enquanto caminha atrás de seus seguranças.

    Nisso. Búlgaro percebe um cordão no chão. Ele abaixa e pega. FLASHBACK - Regina entrega seu cordão a Lívia.

    Regina aproxima-se, cara a cara com Lívia. O mar ao fundo. Ela retira o colar.


     

    REGINA

    É a prova de que você pode confiar em mim. (pausa) Eu to aqui. Eu vim me juntar a você, Lívia. E oferece o colar para Lívia.

    VOLTA À CENA.

    Búlgaro observa o objeto.


     

    BÚLGARO

    Prossigam!!! Elas têm que estar por aqui.

    CLOSE nele.


     

  31. INT. EMPIRE - SUBTERRÂNEO - DUCTO - TARDE:

    Lívia olha pra trás.


     

                       LÍVIA

    Tão ouvindo isso?

    Vozes distantes fazem eco ali.

                       KÊNIA

    Eu sabia!!! (desesperada) Eles nos acharam, Lívia. Eles nos acharam!


     

    CLOSE em Lívia. Corta pra Lianna, tensa. A primeira encara o relógio.


     

    LÍVIA

    Faltam vinte segundos. A gente vai pular. Quem quer que seja, será tarde demais pra nos encontrar aqui.


     

  32. INT. EMPIRE - SUBTERRÂNEO - DUCTO - TARDE:

    Um homem aproxima-se de Búlgaro.

    HOMEM

    Só há um lugar para encontrarmos elas/


     

    BÚLGARO

    (revolto; por cima)

    O que estão esperando? Eu quero essas meninas pra ontem!

    O homem SAI. CLOSE em Búlgaro.


     

  33. INT. EMPIRE - SUBTERRÂNEO - DUCTO - TARDE:

    LÍVIA

    É agora! (encara o relógio) Três. Dois. Um.

    Dão-se as mãos.


     


     

    FADE IN:


     

    FIM DO ATO II ATO III

    FADE OUT.


     

  34. INT. EMPIRE - SUBTERRÂNEO - DUCTO - TARDE:

    CONTINUAÇÃO IMEDIATA DA CENA ANTERIOR.

    LÍVIA

    (encara o relógio) Três. Dois. Um. Vai!!!


     

    A comporta abre-se, junto dos tubos. Lianna olha pros lados, fecha os olhos e pula no buraco, junto dos dejetos. Em seguida, vai Kênia. Lívia, enfim, olha pros lados...

                       LÍVIA (cont.)

              Adeus.

    E ela pula no buraco.


     

  35. EXT. MAR - TARDE:

    Sonoplastia: "Stole the Show" - Parson James.

    Lianna cai no mar, seguida de Kênia e, por fim, Lívia. Elas nadam, fortes, em direção à superfície.


     

    Eis, então, que Lianna ergue na água. Ao seu lado, vem Kênia. Em seguida, Lívia. Respiram fundo. Veem o Empire afastar-se.


     

    KÊNIA

    Nós conseguimos!!! Nós estamos livres!!!


     

                       LIANNA

    Gracias a Dios! Gracias! Gracias!

                       LÍVIA

    Nós conseguimos! Agora, vamos, a gente precisa nadar.

                       KÊNIA

    Apoia em mim, Lia.

    Ao longe, vemos terra e uma Igreja.

    CÂMERA ABAIXO DA ÁGUA mostra-nos Lianna, abraçada à Kênia, nadando; ao lado, vai Lívia.


     

    CÂMERA ACIMA DA ÁGUA revela a imensidão do mar e mostra as três, nadando.

    O EMPIRE distancia-se; estão livres.


     

  36. INT. EMPIRE - SUBTERRÂNEO - DUCTO - TARDE:

    Búlgaro encara a comporta, aberta, jorrando muitos dejetos pelo buraco. Um homem e uma mulher ao seu lado.

    HOMEM

    Não é possível que elas tenham saído por aí.../

    BÚLGARO

    Eu não sei, seus idiotas! (furioso) Eu quero elas aqui! Agora!!! Não é possível!


     

                       HOMEM

    Senhor, eu sinto muito.

    Búlgaro soca a parede, raivoso.


     

  37. INT. EMPIRE - ESCRITÓRIO DE ORLANDO - TARDE:

    Búlgaro ENTRA no escritório. CLOSE nele. CÂMERA GIRA e revela o lugar vazio.

    BÚLGARO

    Droga! Droga! Você me traiu, Caio!!!


     

    Búlgaro joga tudo que está sobre a mesa no chão, raivoso, e pega o rádio.


     

    BÚLGARO (cont.)

    (berra)

    Matem Caio! Eu quero esse desgraçado morto! Vasculhem tudo e achem esse desgraçado! Agora!

    CLOSE em Búlgaro ele eleva as mãos à cabeça.

    BÚLGARO (cont.)

    Eu não vou sair perdendo! Não vou! Não vou, mesmo!

    Búlgaro pega, trêmulo, o celular, e disca um número.


     

    BÚLGARO (cont.)

    Mata essa velha imbecil. Eu quero ela morta! (pausa) Agora!


     

  38. EXT. TELHADO DE UM PRÉDIO - NOITE:

    Tonica com seus afazeres, dentro da cozinha de casa.

    Eis que surge na tela um HOMEM, todo de preto, apontando uma arma grande.

    POV DA MIRA - A cabeça de Tonica está na mira. VOLTA À CENA.

    FADE OUT.

    Um disparo.

    FADE IN:


     

  39. EXT. EMPIRE - DECK DO COMANDO - NOITE:

    POV DE UM BINÓCULO - Só águas à vista. Nada, nem ninguém. VOLTA À CENA.

    Búlgaro, estarrecido, joga o binóculo no mar.

    BÚLGARO

    Desgraçados! Eu vou me vingar de todos vocês.

    Um homem aproxima-se.

    HOMEM

    Senhor.

    Búlgaro vira-se para ele.

    HOMEM (cont.)

    Nós fizemos inúmeras varreduras. Todos eles sumiram.

    SUPER CLOSE em Búlgaro.

    CAIO (V.O.)

    O maior erro do capitão foi ter acreditado num grande teatro. Eu nunca ficaria do lado desses

    (MAIS)

    CAIO (cont.)

    bandidos. Eles merecem a prisão. E eu quero estar bem longe de Búlgaro, Orlando, quando toda a onda se virar contra eles.

    CÂMERA, então, dá um SUPER ZOOM no MAR, vazando e entrando água à dentro.

    Movimentos rápidos levam-nos até Mauro, Caio e Regina, imersos. Com respiradores na boca, todos nadam ágeis.


     

    CAIO (cont.) (V.O.)

    O pior foi fazer Regina acreditar na minha história. Foi tudo para conseguir sair seguro. Levar todos os seguranças e Búlgaro até Lianna, Kênia e Lívia pareceu a melhor saída para retirar Regina e Mauro do navio, sã e salvos. Talvez fosse arriscado, mas certifiquei de que elas haviam, realmente, escapado para fugir com eles. Agora, nós vamos em busca de um lugar mais seguro, bem longe daquele inferno.


     

    Param, então, e emergem. O EMPIRE está longe. Retiram os respiradores e respiram fundo, ofegantes.

    REGINA

    Graças a Deus! Graças a Deus, a gente conseguiu!

    CAIO

    Deu tudo certo.

    MAURO

    Vamos. A gente ainda tem que nadar bastante.

    E avistam a Igreja, iluminada, ao fundo.


     

  40. INT. EMPIRE - HOUSE PINK - NOITE

    Prostíbulo funcionando a todo vapor. Música alta. As mulheres dançam e os homens fascinam, ao jogo das luzes.


     

    Uma porta abre-se e Búlgaro entra, com uma garrafa de champanhe em mãos, completamente bêbado. Ele canta alto. Algumas pessoas reconhecem-no, mas ele ignora, dançando e bebendo. CLOSE nele.


     

    FADE OUT.

    FADE IN:


     

  41. EXT. CIDADE PEQUENA - DIA

    AMANHECE. Movimento na Igreja.


     

  42. INT. IGREJA - DIA

    Regina e Mauro estão ajoelhados num dos bancos, rezando. POV DE ALGUÉM - De longe, encara-os.

    VOLTA À CENA.

    Regina e Mauro levantam-se e olham para trás. Eis, então, que veem Lívia à porta, ao lado de Kênia e Lianna. Troca de olhares.


     

    É quando, de repente, DOIS HOMENS, encapuzados, surgem atrás delas.


     

    Eles colocam capuzes em Kênia e Lívia e arrastam-as para fora da Igreja.


     

    Lianna paralisa, assustada. Regina e Mauro também não reagem.

    CORTA PARA O EXT. DA IGREJA.

    Um carro preto estacionado. A porta é aberta e Lívia e Kênia, aos berros, são jogadas lá dentro. Os homens entram no carro, que arranca.


     

  43. INT. LUGAR MISTERIOSO - INDT.

Abre em Lívia e Kênia, sentadas em cadeiras, encapuzadas. Apenas uma luz ilumina-as. O lugar é totalmente negro, em seu entorno.


 

Eis-que um HOMEM aproxima-se e retira os capuzes de Lívia e Kênia, que revelam-se dopadas, com um rosto extremamente mau.


 

LÍVIA

Quem... Quem são voc/... Quem são vocês?

Barulho de porta sendo aberta.


 

Uma sombra preta surge, então, no canto da tela, encarando Lívia e Kênia, mais à frente.


 

Aos poucos, elas vão abrindo os olhos. Fazem-o cada vez mais, até mostrarem-se assustadas com a figura da pessoa.

CLOSE delas.


 

FADE TO BLACK.

 



 Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
 
 
 REALIZAÇÃO
 
 
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