Garotas do Rio - Capítulo 04




CAPÍTULO 04
 
     
 
 
 

VOZ DE MARCELA – Anteriormente em Garotas do Rio... 

 


ANUNCIAÇÃO –
Eu me desloquei do Rio até aqui por sua causa. Eu acho que a gente precisa conversar... Muita coisa ficou estranha desde a última vez.

AFFONSO – Eu achei que tivesse ficado claro que eu não queria mais trair a Antônia. Foi por esse motivo que me afastei, Anunciação.

Anunciação acaricia o rosto de Affonso.

ANUNCIAÇÃO – Por que a gente não deu certo? Qual o meu problema?  

 


LAURA –
Eu não acho legal essa amizade de vocês duas. Isso faz mal a Fábia, entende?

LU – Eu não estou entendendo.

LAURA – Não se faça de idiota, garota. Estamos tendo uma conversa bem franca. Eu não estou disposta a ver a minha filha se afundar num antro de perdição.

 


PATRICK –
No fundo, eu sou só um idiota que romantiza tudo. Não precisa de jantar pro que eu vou dizer.

MARCELA – Calma! Vamos almoçar juntos, então?!

PATRICK – Marcela, ou você casa comigo ou então a gente vai terminar tudo.

 


ANUNCIAÇÃO – Sou uma boa atriz. Aliás, boa não, ótima! Excelente! Poderia facilmente roubar qualquer papel da Antônia.

MIMI – Não sei o que você tem tanto contra ela.

ANUNCIAÇÃO – No momento em que estou, se eu a encontrasse aqui, agora na minha frente, eu diria toda a verdade sobre o passado do marido dela. Destruiria esse casamento conto de fadas dela.

 


 

CENA 01. AP. FÁBIA. HALL. INT. DIA.

Imagem congelada dividindo a tela: metade do rosto de Antônia e metade do rosto de Anunciação.

A imagem descongela em Anunciação surpresa e, mais atrás, Mimi com um sorriso faceiro.

ANUNCIAÇÃO (sem graça) – Antônia, você por aqui?

Antônia sai do elevador e se aproxima de Anunciação.

ANTÔNIA – Obrigada pela doação de cem mil reais para a ONG, foi de grande valia. Já descontei o cheque e vamos estudar quais melhorias faremos.

CAM se afasta delas e busca Laura, que está com umas sacolas nas mãos e escondida atrás de um grande vaso de plantas espreitando a conversa.

LAURA (V.O) – Cem mil?

CAM volta em Antônia e Anunciação.

ANUNCIAÇÃO – Você veio ver a Fábia? Fiquei sabendo que se tornaram amigas. A máxima de que “muito ódio é amor encubado” pode ser aplicada aí, não é?

ANTÔNIA (irônica) – Não sei. Depende de quantos zeros você coloca num cheque, não acha?

Anunciação encara Antônia, que se afasta e toca a campainha do apartamento de Fábia.

MIMI (a Anunciação) – Melhor irmos embora. Suas malas estão no carro.

Anunciação e Mimi entram no elevador, que se fecha. Laura finge vir subindo as escadas e se aproxima de Antônia.

LAURA – Antônia Queirós, que honra tê-la aqui.

ANTÔNIA – Dona Laura, né?!

LAURA – De forma nenhuma. Só Laura mesmo. Esse dona envelhece a gente.

Antônia sorri. Laura passa a frente dela e destranca a porta.

CENA 02. AP. FÁBIA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Laura entra e deixa as bolsas na bancada que divide a sala da cozinha. Antônia entra em seguida e se senta no sofá.

LAURA – Aceita um cafezinho?

ANTÔNIA – Acho que preciso de um pra recuperar o fôlego.

LAURA – Vou passar pra gente. A Fábia deve estar no banho. Essa aí mora no chuveiro, sempre foi assim.

Laura coloca uma chaleira no fogo e se aproxima de Antônia.

LAURA – Tô te achando meio pálida. Acho que é o calor infernal dessa cidade, não é?

ANTÔNIA (disfarçando) – Ah... Deve ser sim. Esse calor mata a gente.

LAURA – Eu subi de escada. Acho que aquele elevador emperrou. Vou até falar pra Fábia ligar pra administração e ver isso. Levei uma vida pra conseguir subir. Sabe como é, né? Mais de cinquenta anos, desde muito nova trabalhando, dormia mal, comia mal. Deu no que deu: hipertensa.

ANTÔNIA – Você é bonita, Laura. Tem que se cuidar.

A chaleira apita.

LAURA (saindo em direção à cozinha) – Nosso café!

Em Antônia, pensativa.

CENA 03. AVENIDA VIEIRA SOUTO. EXT. DIA.

SONOPLASTIA: (“I go to Rio – Peter Allen”).

CAM aérea mostra a movimentação intensa de veículos, até focalizar numa HILLUX de cor prata.

Música cessa.

CORTA PARA INTERIOR DO VEÍCULO.

Mimi dirigindo e Anunciação com semblante triste, olhando para a movimentação da praia.

MIMI – Menina, eu jurava que você fosse agarrar no pescoço da Antônia.

Anunciação continua calada.

MIMI – Ela também te olhou séria. Naquele momento, achei que o prédio inteiro fosse pegar fogo.

Anunciação permanece imóvel.

MIMI – Mas o que você tinha de tão importante pra falar com ela? O que destruiria o casamento dela assim? É coisa do passado? Ah, divina, quero saber.

Anunciação olha séria para Mimi.

ANUNCIAÇÃO – Cala a sua boca e dirige. Acho que uma maré de azar pairou sobre a minha cabeça, só pode.

Em Anunciação, muito séria.

CENA 04. AP. PATRICK. SALA. INT. DIA.

Patrick está de frente para Marcela, que está visivelmente surpresa.

MARCELA – Você está me colocando numa situação muito difícil, Patrick.

PATRICK – Ah, é mesmo? Por qual motivo? Você não quer casar, mas também não quer largar o idiota que é só jogar uma desculpinha que cai feito tonto, é isso?

Marcela fecha os olhos, passa as mãos pelos cabelos.

MARCELA – Eu gosto de você, mas acho que não é o momento pra casar, entende? Eu tô bem assim.

PATRICK – Acontece que eu não estou bem assim, sabia? Tô cansado de ser a sua segunda opção. De aceitar, porque te amo, ser preterido. Tem uma hora que chega, Marcela.

MARCELA – E acha que casamento resolve tudo?

PATRICK – É a única saída que eu vejo. Não que vá resolver, mas como forma alternativa de te ter mais por perto, de estar mais com você. De te sentir como companheira.

MARCELA – Você está querendo tomar posse de mim, é isso?

PATRICK – Você entende tudo distorcido. Tá fugindo do assunto principal.

MARCELA – Não tô fugindo não. Tô querendo saber as suas intenções com esse casamento.

PATRICK – E quais intenções um homem apaixonado teria?

Marcela e Patrick se olham. Ela indecisa, ele cabisbaixo.

MARCELA – Eu preciso pensar, ok?

PATRICK – Ou você sai daqui com data marcada pra subir ao altar, ou você sai daqui solteira e sem chance de reconciliação. A decisão tá com você.

Em Marcela, olhar assustado.

 
     

 

     
   
 
SEQUESTRO MATRIMONIAL
     
 

CENA 05. STOCK-SHOT. EXT. DIA.

SONOPLASTIA: DISTÚRBIA (RIHANNA).

Takes rápidos e pontuados da zona sul carioca: as praias, avenidas movimentadas, pessoas passeando.

CAM aérea dos prédios, do céu azul, Pão-de-açúcar.

MÚSICA CESSA.

CENA 06. COPABAR. SALÃO. INT. DIA.

Mesas e cadeiras imprensadas num canto. Laura está por ali varrendo, quando Tony e Felipe entram, tom de discussão.

TONY – Você anda desconfiado até da própria sombra, Felipe.

FELIPE – Eu só quero saber o motivo de você ter chegado tão tarde ontem. Eu estive aqui no CopaBar e ele estava fechado. Fui pra casa e você me apareceu uma hora e meia depois. Onde você estava?

Tony e Felipe avistam Laura e ficam mudos.

TONY (indo em direção à Laura) – O que faz aqui tão cedo, criatura?

LAURA – Vim arrumar o almoxarifado. O Diego vai ser o responsável por lá agora. Eu anexei etiquetas lá e dobrei algumas toalhas, guardanapos e tal.

Felipe se aproxima deles.

FELIPE – Vamos terminar de conversar na sua sala, Tony. E rápido porque tenho um cliente pra visitar.

TONY – Quer saber? Vou falar. Tô cansado dessas suas desconfianças, Felipe.

FELIPE – Então fala.

LAURA – Com licença.

TONY – Fica aí, Laura. Fica aí e fala pro Felipe o que eu fui fazer ontem.

LAURA (assustada) – Eu?

Closes alternados em Tony, Felipe e, por último, em Laura assustada.

CENA 07. PATRICK. SALA. INT. DIA.

Marcela olha assustada para Patrick, que se mantém irredutível.

MARCELA – Você age por impulso, Patrick. Vamos com calma, dando um passo de cada vez.

PATRICK – Acontece, Marcela, que estamos dando um passo pra frente e três pra trás. Eu te amo muito, mas se continuar da forma que está eu vou sair de campo. Penduro minhas chuteiras, ou melhor, troco o time.

Marcela se senta no sofá, coloca as mãos sobre o rosto.

PATRICK – Chega, Marcela! Vai embora. Não quero te forçar a nada não. Chega desse suplício.

Patrick fica de costas para Marcela, que se levanta.

MARCELA (recitando)- De alguma maneira hoje/ Quero sempre me casar com você/ Para mim este amor é diferente, não é de papel passado/ É amor de papel presente.

Patrick vira-se para Marcela. Os dois sorriem.

PATRICK – Isso é um sim?

Marcela faz que sim com a cabeça.

SONOPLASTIA: (YOUR SOUNG – ELTON JOHN).

Os dois se beijam

Cortes descontínuos das carícias e beijos entre os dois, seminus no sofá.

Música cessa.

CORTA PARA: O casal no sofá, em trajes íntimos, Marcela sobre o peito de Patrick.

PATRICK – Você é surpreendente, sabia? Amei o poema que recitou pra aceitar meu pedido de casamento.

MARCELA – O poema se chama Aliança e é da Elisa Lucinda. Propício para o momento, não é?!

PATRICK – Eu tô numa felicidade que só. Espera o pessoal do Flamengo ficar sabendo. Já tô vendo até a farra.

Marcela se levanta e fica de pé olhando para Patrick, que se senta no sofá.

MARCELA – Três condições pra esse casamento acontecer.

PATRICK – Quais?

MARCELA – Primeiramente, eu escolho o local onde será realizada a cerimônia e já adianto que não quero igreja.

PATRICK – Onde você decidir tá decidido.

MARCELA – Segunda condição: eu não quero despedida de solteiro sua que envolva mulher. Esses jogadores são muito promíscuos. Não tô a fim de levar uma galhada.

Patrick ri.

MARCELA – É sério, Patrick. E a última condição é que a Das Dores não more com a gente, que ache o canto dela. Não sei como você vai conversar isso com ela, mas eu não quero que ela esteja entre a gente.

PATRICK – Mas essa possibilidade dela morar com a gente nunca foi cogitada. Ao menos por mim.

MARCELA – Então estamos acertados, amor.

Patrick se levanta e dá um beijo avassalador em Marcela.

CENA 08. COPABAR. SALÃO. INT. DIA.

Laura olha para Felipe, em seguida, olha para Tony.

LAURA (sem jeito) – Então, seu Felipe. É que... É que... O seu Tony tava...

TONY (por cima) – O Diego. Eu o levei em casa, Felipe!

Laura olha assustada pra Tony.

FELIPE – Algum motivo especial?

TONY – Ele passou mal, muito mal. Teve febre e quase desmaiou. Aí eu o levei no hospital e, em seguida, o levei pra casa. Mas é longe. Cruzei a cidade.

FELIPE – Mas você não vê que isso é perigoso?

TONY – E queria que eu fizesse o quê? Deixasse o menino morrer aqui, Felipe?

Laura continua a varrer e se afasta.

FELIPE – Ambulâncias existem pra isso.

TONY – Você é um insensível.

FELIPE – Eu só fico preocupado com a sua vida. Não se arrisque assim.

TONY – Às vezes, você me trata como se tivesse oito anos. Mas no fundo eu gosto.

Tony sorri e abraça Felipe.

CAM gira pelo salão e busca Laura em outro ponto, varrendo e cantarolando.

LAURA (pra si) – Esse daí tá ganhando galhada e não sabe.

CENA 09. STOCK SHOTS. EXT. DIA.

SONOPLASTIA: ELA É CARIOCA – ADRIANA CALCANHOTO.

Takes de pessoas correndo pela orla. Take final na fachada do Prédio onde Fábia reside.

Música cessa.

CENA 10. AP. FÁBIA. QUARTO DE FÁBIA. INT. DIA.

Fábia está sentada na cama e Antônia sentada em uma poltrona.

FÁBIA – E é isso. Ela é a minha mãe.

ANTÔNIA – E por qual motivo você omitiu isso? Ela me parece ser uma pessoa tão boa.

Fábia fica cabisbaixa.

FÁBIA – É uma história longa, antiga e dolorosa. Eu vejo que hoje, Laura e eu temos uma relação de mãe e filha, mas que nem sempre foi assim.

ANTÔNIA – O bom é que se acertaram. Que ela tá aqui com você.

FÁBIA – A minha vida é uma gangorra. Quando algo tá no alto, mais perto de Deus. Sempre tem algo no chão, na lama.

ANTÔNIA – Por quê? A Anunciação te despediu do emprego?

FÁBIA – Não. Veio ver como eu estava. Coisas de praxe. Provavelmente com medo deu colocar o jornal na justiça e exigir mundos e fundos.

ANTÔNIA – Se não é seu trabalho, se não é com sua família. O que poderia ser, então?

Fábia se levanta da cama e vai até a janela e olha lá pra fora. Antônia se levanta e se aproxima dela.

ANTÔNIA – Tô sendo invasiva, não é? Mas eu quero tentar te ajudar.

FÁBIA – Eu sou bi. Tenho um caso com a Lu.

ANTÔNIA – Que Lu é essa?

Fábia vira-se para Antônia.

FÁBIA – A Lu do CopaBar.

Antônia fica chocada.

FÁBIA – Ficou chocada? Nós temos uns dois anos de rolo. Não é namoro. É algo mais solto. Você não tem preconceito, né?

ANTÔNIA – Claro que não, mulher. Imagina! Só fiquei surpresa com essa sua discrição quanto ao relacionamento.

FÁBIA – Não gosto de me expor. Nada contra que o faça, mas eu prefiro viver minha vida em off. Nem rede social eu tenho.

ANTÔNIA – Mas venha cá, qual o motivo de vocês duas estarem estremecidas.

FÁBIA – Desde o incêndio, ela sequer me ligou ou visitou. Não fez nada.

CLOSE em Fábia com os olhos húmidos. Antônia a abraça.

CENA 11. COPABAR. SALÃO. INT. DIA.

Lu vem da rua com uma pequena mochila nas costas e se aproxima de Diego, que está limpando uma mesa.

LU – Fala, Diego. Beleza?

DIEGO – Tudo na paz.

LU – Tony tá aí?

DIEGO – Tá na sala dele falando com a Laura.

Lu joga a mochila com força na mesa e se senta na cadeira. Diego se assusta e para de limpar.

DIEGO – Queria falar com Tony?

LU – Vou aproveitar que os dois estão longe e vou mandar a real pra tu, cara. Sai dessa enquanto é tempo.

DIEGO – Do que tu tá falando?

LU – Das investidas do Tony. Se esquiva, cara. Ele é casado e você pode se dar mal por isso.

Lu se levanta e vai saindo, quando Diego a intercepta.

DIEGO – Por que tá me dizendo isso?

LU – Porque você é uma boa pessoa. Porque eu já vi o jeito frenético do Tony pro seu lado e porque tem gente ruim que tá percebendo também. Agora, com licença, vou vestir meu uniforme.

Lu se afasta e Diego fica pensativo.

CENA 12. COPABAR. SALA DE TONY. INT. DIA.

Tony está sentado de frente para Laura, que está de pé.

TONY – Te chamei aqui pra pedir desculpas pelo ocorrido hoje.

LAURA – Sem problemas, Tony. Só me avisa antes. Fiquei numa sinuca de bico, sem saber o que dizer para o seu esposo.

TONY – Felipe é muito chato. Sempre acha que o estou traindo. Aí eu tenho que... Que... Digamos que eu tenha que ilustrar um pouco os fatos, incrementar alguns elementos pra ver se amanso a fera, entende?

Laura bate continência com dois dedos, sorri e sai da sala.

CENA 13. AP. FÁBIA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Antônia e Fábia estão lanchando sentadas na bancada que divide a sala e a cozinha.

FÁBIA – A Marcela ligou tão eufórica, dizendo que tem uma mega novidade pra contar pra gente.

ANTÔNIA – Até desmarquei com a Donna de ir para a ONG hoje. Não vou mentir, tô muito curiosa.

FÁBIA – Só quero saber o que a professora da UERJ tem a nos contar.

ANTÔNIA – Mas ela tá vindo de onde? Do Jalapão? Não chega nunca.

FÁBIA – E olha que mora aqui na Zona Sul.

Nesse instante a campainha toca. Fábia se levanta e vai atender.

Marcela abraça Fábia e entra, toda sorridente.

ANTÔNIA – Olha ela, toda felizinha.

Antônia se levanta e abraça Marcela. Fábia fecha a porta e se aproxima das duas.

MARCELA – Vamos nos sentar pra eu poder contar a novidade pra vocês.

As três se sentam.

MARCELA – Eu vou casar!

Fábia e Antônia olham surpresas pra Marcela e, em seguida, a abraçam.

FÁBIA – Não tô acreditando.

ANTÔNIA – Como assim? Explica isso melhor pra gente, mulher.

MARCELA – Digamos que eu fui obrigada a enxergar o homem maravilhoso e que me ama.

ANTÔNIA – Tô passada. E pra quando será esse casamento?

MARCELA – Daqui a dois meses. Patrick não quer esperar mais que isso.

FÁBIA – Vou buscar um champanha pra gente comemorar.

Fábia se afasta.

MARCELA – Eu vim pensando uma coisa no carro, Antônia. Não sei se você vai topar.

ANTÔNIA – Mas fala, mulher!

MARCELA – Eu queria fazer minha festa de casamento na ONG, pode ser?

Antônia coloca as duas mãos sobre colo em reação, em seguida sorri.

ANTÔNIA – Mas que notícia boa. Claro que pode ser lá, aliás, deve.

Antônia se levanta e retira o celular da bolsa.

ANTÔNIA – Vou ligar agora e pedir a Donna pra ensaiar músicas de casamento com os adolescentes. Vai ser uma festa inesquecível.

Antônia disca no celular e se afasta. Fábia volta com três taças e uma garrafa de champanhe.

FÁBIA – Eu ouvi bem? Você vai fazer a festa na ONG?

MARCELA – Não só a festa, como a cerimônia. Aquele lugar inspira poesia. Aquele gramado lindo.

Marcela se levanta e pega uma taça. Antônia volta guardando o celular e pega outra taça.

ANTÔNIA – Pronto! Falei com Donna e ela vai selecionar as músicas hoje. Vai ficar divino.

FÁBIA – O que acham da gente comemorar com uma noite no CopaBar?

MARCELA – Noite das garotas.

SONOPLASTIA: Empire State of Mind (Part II) Broken Down Alicia Keys.

Fábia estoura a champanhe e serve as taças.

MARCELA (erguendo a taça) – Um brinde ao casamento!

ANTÔNIA (erguendo a taça) – Um brinde a festa na ONG!

FÁBIA (erguendo a taça) – Um brinde às garotas... Garotas do Rio!

As três brindam, felizes!

CENA 14. STOCK SHOTS. EXT. DIA.

Sonoplastia da cena anterior continua. Passagem de horas. Takes rápidos da zona sul, último close na fachada do prédio da Gazeta Carioca.

Música cessa.

CENA 15. GAZETA CARIOCA. REDAÇÃO. INT. DIA.

Local bastante danificado pelo fogo, ainda nota-se um pouco de fumaça. Anunciação olha tudo horrorizada e se aproxima de um policial. Em segundo plano está Mimi, que também olha tudo.

ANUNCIAÇÃO – Mas eu nunca iria imaginar que essa fiação era tão antiga, seu policial.

POLICIAL – Ainda estamos investigando, mas tudo indica que foi sabotagem. Alguém cortou os fios e depois fez dar curto-circuito.

Anunciação paralisa, chocada.

POLICIAL – Iremos concluir a investigação do prédio em no máximo uma semana e, depois entregamos para que a senhora faça as reformas.

ANUNCIAÇÃO – Mas e o sistema de câmeras de monitoramento? Não deu pra ver quem era?

POLICIAL – Alguém desligou. Por isso nós estamos concluindo que esse acidente é criminoso.

Anunciação anda por ali, pensativa. Close em Mimi, fazendo uma ligação.

MIMI (cel.) – A minha chefa voltou e tá me enlouquecendo. Me culpando de problemas elétricos do prédio, acredita?(T) Eu preciso relaxar um pouco, tomar um bom vinho do Porto. Você me acompanha hoje?(T) Só um pouquinho. Diz que sim, vai?(T) Oba! Maravilha. As nove, pode ser?!(T) Perfeito!

Mimi desliga o celular e se aproxima de Anunciação.

MIMI – E o que o policial concluiu? Foi incêndio mesmo, né?!

ANUNCIAÇÃO – Imagina, querida! Foi dilúvio.

Anunciação se afasta, com raiva. Em Mimi.

CENA 16. COPABAR. RUA. EXT. NOITE.

SONOPLASTIA: How Deep Is your Love – Calvin Harris & Disciples.

Vai-e-vem de pessoas entrando e saindo do estabelecimento. Muita animação, grupos de jovens dançando. Um carro luxuoso para em frente a porta do local e descem: Antônia, Fábia e Marcela. As três se olham, riem e entram no local.

CENA 17. COPABAR. SALÃO. INT. NOITE.

A música da cena anterior continua em som ambiente.

As três amigas entram, olham a movimentação e vão andando, até Tony aparecer.

TONY – Amigas! Que bom tê-las aqui.

Tony Abraça Marcela com euforia.

TONY – Parabéns e bem vinda ao time das casadas, meu amor!

MARCELA – Agora só falta a Fábia, né?!

Fábia sorri sem vontade e olha todo o ambiente. Tony percebe.

TONY – Tem uma mesa pertinho do palco pra vocês. Hoje tem show de uma banda mara de Juiz de Fora!

Diego passa por ali, Tony o segura pelo braço.

TONY – Diego, mostra a mesa das meninas e leva a carta de bebidas também.

DIEGO (a Tony) – É pra já! (as garotas) Me sigam, meninas!

Antônia e Marcela seguem Diego. Fábia faz menção em ir, quando Tony a segura.

TONY – Sobe pra minha sala. Vou falar pra sua garota ir até lá. Vejo que estão distantes.

Tony se afasta. Em Fábia, pensativa.

CORTA PARA: Outro espaço do salão.

Antônia e Marcela estão sentadas numa mesa próxima ao palco.

MARCELA – Estranho a Fábia ter ficado pra trás, não acha?

ANTÔNIA – Deve ter ido ao banheiro ou conversado com a mãe dela.

MARCELA – Aquela moça é mãe dela, né?! Alguém me comentou isso no hospital.

ANTÔNIA – É sim! Mas tem algo no passado das duas. Alguma rixa ou coisa do tipo.

Marcela pega a carta de bebidas e começa a folhear.

MARCELA – Vai beber o quê?

ANTÔNIA – Acho que um Martini e você?

MARCELA – Te acompanho no mesmo.

Marcela faz sinal pra Diego, que se aproxima.

MARCELA – Dois martinis, por favor!

Diego anota e se afasta.

ANTÔNIA – Vou ao banheiro ajeitar minha maquiagem e não me demoro, ok?

Marcela faz que sim com a cabeça. Antônia se levanta e se afasta.

CENA 18. AP. PATRICK. SALA. INT. NOITE.

Das Dores está de frente para Patrick, muito chocada.

DAS DORES – Eu acho que você tá se precipitando com esse casamento, Patrick!

PATRICK – Eu tô com a Marcela, é ela que eu amo. Não vejo impedimento. Você vê?!

DAS DORES – Acho que ela tem dúvidas sobre vocês. Sei lá, não teve a mínima consideração com o jantar de vocês, homem de Deus.

PATRICK – Eu só te avisei pra você ir vendo um apê pra você. Desculpa, Das Dores, mas não quero conselhos amorosos.

DAS DORES – Tô te falando como amiga, pra você não quebrar a cara depois.

PATRICK – Talvez eu quebre a cara, mas talvez não. E eu preciso correr estes riscos, entende? Preciso de verdade. E se acontecer algo ruim, serve como aprendizado. Eu amo a Marcela e é isso que importa no momento.

Patrick sai. Das Dores se senta emburrada no sofá.

CENA 19. COPABAR. BANHEIRO. INT. NOITE.

MÚSICA AMBIENTE: HEADLINES – SPICE GIRLS

Antônia está retocando a maquiagem de frente para o espelho, quando Mimi entra e também começa a retocar sua maquiagem.

MIMI – Esse calor danado do Rio não deixa nenhuma maquiagem intacta.

ANTÔNIA – Pode ser a melhor marca, pode ter ar condicionado. Nada adianta.

Antônia termina de se ajeitar, guarda sua maquiagem e sai.

CENA 20. COPABAR. SALÃO. INT. NOITE.

Antônia vai saindo do banheiro, quando dá de cara com Pietro. Os dois se olham por um tempo.

PIETRO – Tudo bem, Antônia?

ANTÔNIA (fingindo não se importar) – Tudo maravilhosamente bem. Aliás, tudo muito melhor de uns tempos pra cá.

PIETRO – Nisso eu tenho que concordar. A vida anda sem algumas pedras no caminho, né?!

Antônia engole em seco. Ambos ficam a se olhar, sérios. Mimi vem saindo do banheiro e percebe o clima.

MIMI (se aproximando) – Aconteceu alguma coisa?

Closes alternados em Antônia e Pietro, ambos surpresos.

CENA 21. COPABAR. SALA DE TONY. INT. NOITE.

Fábia está de costas, quando Lu entra e fecha a porta, fazendo barulho. Fábia vira-se e sorri, mas Lu permanece séria.

LU – O Tony disse que você queria falar comigo. Só quero que seja breve, preciso trabalhar.

FÁBIA – Você ficou sabendo que quase morri queimada?

LU – Sua mãe comentou.

Silêncio paira. Uma olha para a outra.

FÁBIA – Eu esperava uma visita sua, uma ligação.

LU – Não deu tempo, muita coisa pra fazer. Peguei um bico num buffet também. Não tenho tempo pra mim.

FÁBIA – Isso implica em não ter tempo pra nós, não é?!

LU – Aquele nós que nunca foi nós, que nunca foi assumido, que nunca teve rótulo. Aquele nós que só te convém, que só te completa. É desse “nós” que você tá falando?

Fábia se aproxima de Lu.

FÁBIA – Eu achei que você estivesse feliz com o nosso relacionamento.

LU – Eu estava feliz em te ter, aliás, eu estava com medo de te perder. Por isso eu segurava qualquer migalha sua. Por isso eu estava lá de pronta entrega pra entrar no seu quarto na calada da noite e sair na manhã bem cedinho.

Fábia deixa escorrer uma lágrima.

FÁBIA – Eu nunca pensei isso de você.

LU – Não pensou, mas reafirmou em atitudes. Quem sabe que depois de amanhã a gente faz dois anos juntas? Nem você. Quem sabe da gente? O Tony. Agora a sua mãe, porque flagrou a gente, de surpresa. Qual a sua, Fábia?

FÁBIA – Eu tô tentando entender o que você quer.

LU – Um relacionamento normal. Foi isso que eu sempre quis, caramba! Mas pra você tanto faz, como tanto fez. Aí me tira do serviço pra cobrar uma solidariedade que você não tem? Cresce, garota.

Lu vai saindo. Fábia a segura pelo braço.

LU – Me solta.

FÁBIA – A gente precisa conversar com calma. Acertar o que queremos pra nossa vida.

LU – De você eu quero distância.

Fábia solta Lu, que sai. Fábia começa a chorar, pega o celular e começa a digitar.

CENA 22. COPABAR. SALÃO. INT. NOITE.

Continuação imediata da cena 20. Pietro e Antônia se olham assustados, Mimi entre eles.

MIMI – Vão ficar se olhando e não vão me dizer nada?

Antônia olha fixamente para Mimi.

ANTÔNIA – Retoca esse lápis de olho seu. Tá muito borrado.

Antônia sai. Pietro abraça Mimi.

MIMI – Qual foi a de vocês dois?

PIETRO – Sei lá! Ela que tava toda estranha pro meu lado.

MIMI – Ela já foi sua cliente?

PIETRO – Foi nada!

Mimi dá um selinho em Pietro, os dois saem.

CORTA PARA: MESA DE MARCELA E ANTÔNIA.

As duas sentadas tomando martini.

MARCELA – Voltou do banheiro tão séria. O que houve?

ANTÔNIA – Nada. Tô preocupada com a demora da Fábia.

MARCELA – Ela me mandou uma mensagem se desculpando, mas disse que precisava ir pra casa.

ANTÔNIA – Será que aconteceu algo?

MARCELA – Não sei. Amanhã eu ligo pra ela.

ANTÔNIA – Também ligarei. Tô com fome, vamos comer algo?

MARCELA – É claro!

Em Antônia, muito séria.

CENA 23. PRAIA DE COPACABANA. CALÇADÃO. EXT. NOITE.

SONOPLASTIA: FAZ TEMPO – HENRIQUE E JULIANO.

Fábia caminha descalça por ali, sandálias na mão. Olha o mar. Vento sopra seus cabelos ruivos. Ela chora.

**INSERÇÃO DO FLASHBACK CENA 21. COPABAR. SALA DE TONY. INT. NOITE.**

LU – Eu estava feliz em te ter, aliás, eu estava com medo de te perder. Por isso eu segurava qualquer migalha sua. Por isso eu estava lá de pronta entrega pra entrar no seu quarto na calada da noite e sair na manhã bem cedinho.

Fábia deixa escorrer uma lágrima.

FÁBIA – Eu nunca pensei isso de você.

LU – Não pensou, mas reafirmou em atitudes. Quem sabe que depois de amanhã a gente faz dois anos juntas? Nem você. Quem sabe da gente? O Tony. Agora a sua mãe, porque flagrou a gente, de surpresa. Qual a sua, Fábia?

FÁBIA – Eu tô tentando entender o que você quer.

LU – Um relacionamento normal. Foi isso que eu sempre quis, caramba! Mas pra você tanto faz, como tanto fez. Aí me tira do serviço pra cobrar uma solidariedade que você não tem? Cresce, garota.

**FIM DO FLASHBACK**

Fábia se senta num banco próximo e começa a chorar enquanto olha pro mar. Do P.V dela vemos um mar agitado, com bastante onda.

CENA 24. COPABAR. SALÃO. INT. NOITE.

Local vazio. Mesas e cadeiras num canto. Laura e Lu se aproximam da porta de saída.

LAURA – Que noite puxada. Merecíamos aumento.

LU – É!

Tony se aproxima delas.

TONY – Podem ir, meninas. Vocês moram por aqui mesmo.

LU – Eu espero o Diego. Sempre faço companhia pra ele no ponto do Leme.

TONY – Eu vou levá-lo em casa. Pode ir.

LU – Tem certeza, Tony?

Laura sai puxando Lu.

LAURA – Deixa os dois, garota. É melhor ir de carro do que de busão.

Mesmo contrariada, Lu sai com Laura. Tony tranca a porta e sorri.

CORTA PARA O ALMOXARIFADO.

CAM abre em uma pequena câmera escondida entre algumas toalhas, filmando o local.

Pela imagem da pequena câmera, vemos Diego dobrando algumas toalhas, até que Tony aparece. Close neles.

DIEGO – Tô terminando de dobrar essas toalhas e já vou. A Lu deve estar lá fora me esperando.

TONY – A Lu já foi. Hoje eu vou te levar em casa.

DIEGO – Não precisa.

TONY – Não discuta comigo, garoto. Tô querendo fazer o melhor pra você.

Tony se aproxima de Diego. Os dois se olham, respiração ofegante, clima de tensão.

TONY – Você fica tão tenso na minha presença.

DIEGO – É porque eu sei a sua intenção.

TONY – E isso é ruim?

DIEGO – Só se sabe provando.

SONOPLASTIA: NA PAZ – ORLANDO MORAIS.

Tony se aproxima de Diego e os dois se beijam. Um beijo com forte pegada, rústico, cheio de tesão.

Diego tira sua camisa e tira a camisa de Tony. Ambos se olham com tesão.

Close final na pequena câmera registrando tudo.

Música cessa.

CENA 25. STOCK-SHOTS. MORRO DO VIDIGAL. EXT. DIA.

SONOPLASTIA: A CULTURA – SABOTAGE.

Imagens da linda vista do Morro do Vidigal.

LETREIRO NA TELA: DOIS MESES DEPOIS.

Último take na fachada da ONG.

Música cessa.

CENA 26. ONG FILHOS DA ARTE. JARDIM. EXT. DIA.

SONOPLASTIA: HALO – BEYONCÉ.

Local todo enfeitado com flores do campo. Acabamento fino e elegante. Pessoas circulam por ali, algumas sentadas. Ao fundo, um juiz e, próximo a ele, está Patrick, que recebe os cumprimentos de várias pessoas.

CAM mostra que Das Dores está sentada na última fileira de cadeiras e com cara emburrada.

Mais a frente, Mimi e Pietro chegam de mãos dadas e se sentam por ali. Anunciação chega e vê Affonso. Eles se cumprimentam com um leve balançar de cabeça. Lu e Diego estão por ali servindo champanhe aos convidados. Tony está ao lado de Felipe e observando Diego. Num momento, os dois se olham e sorriem, disfarçadamente.

Laura vem saindo do interior da ONG, atendendo uma ligação. Close nela.

LAURA – É isso mesmo! Ok, querido. Beijos.

Laura desliga o celular. E se senta próxima de Das Dores.

CENA 27. VIDIGAL. VIELA. INT. DIA.

MÚSICA CESSA. Sonoplastia de suspense. Um senhor moreno (60 anos, baixo, cabelos grisalhos, gordo, roupas despojadas) está no meio de um circulo de rapazes jovens. Ele gesticula muito.

HOMEM – Tá rolando agora o casório lá na ONG. E nós vamos chegar já, já. Vamos pegar três pessoas: A noiva, um convidado e um daqueles adolescentes lá. Já sabem pra onde levar, né?

RAPAZ – O casebre de Villar dos Teles, não é?

HOMEM – Isso mermo. Eu vô tá lá. Não posso aparecer nesse casamento. Mas vê se fazem direito, hein, porra.

CENA 28. ONG FILHOS DA ARTE. JARDIM. EXT. DIA.

A marcha nupcial é tocada pelos adolescentes da ONG que estão com violino, violoncelo, flauta doce e saxofone. Donna está como maestrina.

Marcela vem do interior da ONG com um lindo vestido azul claro e um ramalhete de flores do campo nas mãos, seguida por Antônia e Fábia. Ela se encaminha até o altar, sorridente. Para próxima de Patrick, que sorri e lhe dá a mão.

CORTE DESCONTÍNUOS: Os dois se beijando sob fortes aplausos/ Das Dores sai sem ser notada/ As mulheres se aglomeram num canto, Marcela joga o buquê e Mimi pega.

Antônia vai saindo com Fábia para outro canto.

ANTÔNIA – Não sei o que essa garota veio fazer aqui. Sinceramente...

Nesse instante, ouve-se um barulho de tiro. Todos olham assustados para o portão, de onde vem inúmeros rapazes mascarados e com fuzis nas mãos. Muita gritaria, muita zorra.

Alguns homens pegam Marcela, Donna e Um adolescente com um violino. Todos se assustam.

Patrick tenta ir atrás, mas Affonso o segura.

PATRICK – Me larga. Levaram a Marcela.

AFFONSO – Calma, vamos atrás deles de carro.

Affonso e Patrick saem correndo. Antônia fica muito nervosa e acaba desmaiando.

CENA 29. LINHA AMARELA. CARRO DOS BANDIDOS. INT. DIA.

Marcela, Donna e o adolescente estão muito amedrontados no banco de trás, enquanto no banco da frente há dois homens.

MARCELA – Solta a gente, por favor!

HOMEM 1 – Se a princesinha e seus amigos colaborarem, vão sair vivos.

Donna pula no homem do volante e o carro começa a fazer zigue-e-zague.

CENA 30. LINHA VERMELHA. CARRO DE AFFONSO. INT. DIA.

Patrick está muito nervoso. Affonso dirige.

PATRICK – Acelera esse carro aí, moço.

AFFONSO – Tô indo ao máximo que posso.

PATRICK – Tem certeza que estamos indo na direção certa?

AFFONSO – Aquele carro ali saiu de lá do Vidigal. Eram eles. Tenho certeza.

CENA 31. STOCK SHOTS. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

SONOPLASTIA DE TENSÃO. Passar de horas com takes do Rio de Janeiro.

Música Cessa.

CENA 32. VIDIGAL. POSTO DE SAÚDE. SALA DE OBSERVAÇÃO. INT. DIA.

Antônia está deitada numa cama. Fábia a seu lado.

ANTÔNIA – Quanto tempo mais eu vou ter que ficar aqui?

FÁBIA – O médico fez alguns exames. Disse que sua pressão tá normal e que quer se certificar que foi só abalo por causa do ocorrido.

ANTÔNIA (se levantando) – Mas claro que foi. Onde já se viu. Eu preciso ajudar a achar a minha amiga.

Fábia deita Antônia na cama.

FÁBIA – Não vai sair daqui não. Você desmaiou três vezes, mulher. Tá louca?

Em Antônia, impaciente.

CENA 33. ESTRADA DE CHÃO. EXT. DIA.

SONOPLASTIA DE SUSPENSE. Um carro corta a estrada e vai fazendo uma densa cortina de poeira. Até que para em frente uma pequena casa.

Descem os dois homens com fuzis na mão. Eles vão empurrando Marcela, Donna e o rapaz para o interior do local.

CENA 34. CASA. SALA. INT. DIA.

O homem da cena 27 está lá sentado num sofá fumando um cigarro, quando os rapazes entram com os três e os jogam num canto.

HOMEM 1 – Tão aí, mestre.

HOMEM – Perfeito! Pode chamar lá na cozinha a pessoa que vai cuidar desses três.

Os homens saem em direção à cozinha.

CENA 35. VIDIGAL. POSTO DE SAÚDE. SALA DE OBSERVAÇÃO. INT. NOITE.

 Antônia se senta na cama. O médico aparece. Logo atrás, vem Fábia com dois copos de água nas mãos.

ANTÔNIA (ao médico) – Era só um estresse, não era? Tô liberada?

MÉDICO – A coisa é bem pior do que você imagina.

ANTÔNIA – Então fala de uma vez.

MÉDICO – A senhora quase perdeu o bebê que espera.

ANTÔNIA (assustada) – Bebê? Como assim?

MÉDICO – A senhora está grávida.

Fábia deixa os copos de água caírem no chão. Em Antônia, assustada.

CENA 36. CASA. SALA. INT. DIA.

Marcela, Donna e o rapaz estão sentados no chão, sendo observados pelo homem.

De repente, ouve-se passos que vão ficando cada vez mais próximos. Até que a pessoa chega ao local.

MARCELA (assustada) – Você?

SONOPLASTIA DE SUSPENSE.

Close no sapato feminino e vai subindo lentamente, mostrando o vestido, a bolsa...quando está próximo de mostrar o rosto, corta para:

Imagem congela em Marcela, surpresa.
 
     

 

     

Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


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