Escolhas da Vida - Capítulo 14


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CAPÍTULO 14
 
     
 

CENA 01. RUA. EXT. NOITE

Continuação do capítulo anterior. Paula, na esquina da rua, caminha a procura de Fernanda. Ela está vindo na direção do carro de Diogo.

CORTA:

CENA O2. CARRO DIOGO. INT. NOITE.

Ele e Fernanda cada vez mais próximos. Diogo acaricia o rosto dela.

DIOGO: - Você foi a melhor coisa que me aconteceu até agora, Fernanda. Muito obrigado.

Eles se olham por um tempo até que Diogo tenta beijá-la. Fernanda hesita, se afasta, desconcertada. Olha fora da tela.

FERNANDA (percebe): - A Paula!

Diogo se afasta, procura por Paula. Fernanda indica.

FERNANDA: - Ali.

DIOGO: - O que a gente faz?

FERNANDA: - Não sei.

DIOGO: - Acho melhor eu ir, então.

FERNANDA (pensa rápido): - Não, espera. (T) Desce comigo.

DIOGO: - Tem certeza?

Ela fica na dúvida.

DIOGO: - Tudo bem, vamos juntos.

Diogo concorda.

CORTA:

CENA 03. RUA. EXT. NOITE.

Plano geral. Fernanda e Diogo saem do carro ao tempo em que Paula avista os dois. Ela apressa o passo.

PAULA: - Nanda! Que alívio! Eu estava preocupada! Liguei no seu telefone e só dava caixa-postal!

FERNANDA: - Eu acabei ficando sem bateria, não tive nem onde recarregar.

PAULA: - Imaginei.

FERNANDA: - Paula, este aqui é o Diogo.

DIOGO: - Prazer.

Diogo cumprimenta Paula, que retribui.

FERNANDA: - Diogo é um amigo, dono daquela casa noturna que abriu na zona sul, a Joquer.

PAULA: - Ah, claro, tô lembrada.

DIOGO: - Conhece a Joquer?

PAULA: - Não. No dia que a Nanda foi, eu fiquei em casa. (a Fernanda) Não sabia que vocês já se conheciam. Você nem me disse nada.

FERNANDA: - Na verdade eu reencontrei o Diogo hoje, acredita? Eu fui dar um passeio no Museu do Amanhã e acabei sentindo um mal estar. Por sorte o Diogo estava lá e me ajudou.

PAULA: - Nossa! Mas você também, Nanda, sair nesse calor do Rio de Janeiro Tem que se cuidar! Obrigada pela ajuda, Diogo! Valeu mesmo!

DIOGO: - Imagina. Foi tudo coincidência.

PAULA: - Eu deixei tudo pronto para a gente jantar. Vamos?

FERNANDA: - Claro. Diogo, você sobe com a gente?

DIOGO: - Melhor não. Vocês preferem ficar a sós.

FERNANDA: - Imagina. Vai ser bacana ter mais alguém. Você não se importa, não é, Paula?

PAULA: - Não, claro que não. Você gosta de cozido, Diogo?

DIOGO: - Gosto muito! O prato preferido do meu pai.

FERNANDA: - Viu só! Mais uma coincidência entre a gente. Meu pai adora cozido também.

PAULA: - Garanto que se o pai da Nanda provasse do meu cozido, viraria meu fã na hora. (risos) Venham, vamos subir.

Paula pega na mão de Fernanda, seguem caminhando. Diogo acompanha, um pouco mais atrás.

CENA 04. APTO OSVALDO. INT. NOITE

Regina tenta conter a reação diante Alex, que se mostra duplamente surpreso.

OSVALDO (cumprimenta): - Boa noite, Alex. Seja bem-vindo à nossa casa.

Alex cumprimenta Osvaldo, o encara firme. Regina permanece impassível.

ALEX: - Eu que fico feliz em estar aqui nesta noite, com todos vocês. Obrigado pelo convite. (a Regina) Tudo bem com a senhora?

MARIANA: - A senhora tá pálida, mãe. Está tudo bem?

REGINA: - Eu? Estou ótima! Deve ser a emoção de ver o primeiro namorado da minha filha aqui em casa. A gente percebe que está ficando velha e que o nosso bebê cresceu... (ri, disfarça)

MARIANA: - Ah, mãe! Não fala isso na frente do Alex. Parece que eu sou uma criança.

REGINA: - Quando você for mãe, vai agir da mesma forma.

OSVALDO: - Entre, Alex, fique à vontade.

Todos se sentam na sala. Alex ao lado de Mariana, em uma ponta. Regina numa poltrona, do outro lado. Osvaldo em outro sofá, mais próximo de Regina.

OSVALDO: - Então você é modelo também na agência, Alex?

ALEX: - Sim. Comecei praticamente junto com a Mari. Sou novato lá.

MARIANA: - Mas já está escalado para trabalhos incríveis que eu sei!

REGINA: - É mesmo? Interessante. A gente vê poucas pessoas como você por aí, em outdoors e revistas.

ALEX: - Pessoas como eu, a senhora quer dizer negros, é isso?

Regina assente.

ALEX: - Tem razão. Falta muito ainda para negros terem o mesmo espaço que os brancos têm. Mas o cenário está mudando aos poucos, o que já é uma grande vitória.

OSVALDO: - Em todos os sentidos. Eu tenho conversado cada vez mais com diretores, CEOs e grandes empreendedores negros.

ALEX: - O senhor trabalha no quê?

OSVALDO: - Consultorias administrativas.

MARIANA: - Meu pai é uma velha raposa dos negócios.

ALEX: - Não é a toa que vocês tem esse enorme patrimônio aqui.

OSVALDO: - Isso aqui não me foi dado de mão beijada não viu, rapaz. Tive que trabalhar muito. Aliás, tudo o que tenho hoje é fruto de muito trabalho. Inclusive para conquistar essa mulher aqui (segura a mão de Regina, beija) tive um trabalho daqueles! (risos)

ALEX: - Eu posso imaginar. Dona Regina é uma mulher muito bonita, elegante. De porte...

Mariana acha graça. Regina ri, sem vontade. Tenta controlar seu desconforto com o olhar firme de Alex.

CENA 05. BOATE GLS. EXT. NOITE.

A ambulância socorre Matheus. Ele está desacordado, muito ferido. Roberta em choque.

POLICIAL: - Você é familiar?

ROBERTA: - Eu sou amiga dele, melhor amiga, irmã, tudo dele, moço. Eu quero ir com ele, posso?

POLICIAL: - Pode sim.

A maca com Matheus é colocada na ambulância, Roberta sobe também.

CENA 06. APTO FERNANDA E PAULA. INT. NOITE.

Fernanda, Paula e Diogo conversam, enquanto jantam.

DIOGO: - Paula, seu cozido está uma delícia!

PAULA: - Jura? Gostou mesmo?!

DIOGO: - Sim! Muito bom! Se não se importar, eu quero mais um pouco!

PAULA: - Me importar? Lógico que não! Dá aqui seu prato.

Ele obedece. Paula serve Diogo.

FERNANDA: - Aqui em casa quem manda na cozinha é a Paula.

PAULA: - Ah, Nanda, você também cozinha super bem.

FERNANDA: - Eu me esforço, mas não consigo esse tempero único que você tem.

PAULA: - Ela está escondendo o jogo, Diogo. A Nanda faz um risoto de dar água na boca só de pensar!

DIOGO: - É mesmo, dona Fernanda?

FERNANDA: - Modéstia à parte, no risoto eu mando bem. Quando eu fizer, te chamo para provar, Diogo.

DIOGO: - Olha que esses encontros culinários são o meu fraco, sabia?

PAULA: - Posso imaginar. Você tem todo o jeito de ser dessa nova geração fitness.

DIOGO: - Me esforço para manter uma dieta regrada. Mas aí eu acabo conhecendo pessoas que fazem cozidos, risotos, aí fica difícil!

Os três riem. O telefone de Paula toca, na bancada. Ela se aproxima.

PAULA: - É a Roberta.

FERNANDA: - Atende! Vê se ela não quer vir. (a Diogo) A Roberta é uma super amiga nossa.

PAULA (ao telefone): - Oi Roberta!

A expressão de Paula muda quase que imediato, fica aflita.

PAULA (telefone): - Como é que é?! Explica isso direito, Roberta!

FERNANDA: - O que foi, Paula?

DIOGO: - Parece que aconteceu alguma coisa séria.

FERNANDA: - Fala, Paula!

PAULA (telefone): - Claro, eu to indo pra aí agora! Me espera tá? (desliga)

FERNANDA: - Está indo pra onde, Paula? O que aconteceu?

PAULA: - O Matheus. Ele foi agredido por uns caras na frente de uma boate. A Roberta está com ele no hospital.

FERNANDA (chocada): - Minha nossa!

PAULA: - Eu vou pra lá agora.

Paula vai para o quarto.

FERNANDA: - Eu também vou!

DIOGO: - Eu levo vocês até lá!

FERNANDA: - O Matheus é nosso amigo, um cara super do bem. Que droga que tenha acontecido isso com ele!

DIOGO: - Vamos torcer para que ele fique bem.

Paula volta.

PAULA: - Nanda, você fica aqui.

FERNANDA: - Eu vou junto, já falei.

PAULA: - Nanda, você está grávida, precisa se poupar dessas coisas!

FERNANDA: - O Matheus é meu amigo e eu vou também!

PAULA: - Já vi que não adianta falar com você... Você pode nos levar, Diogo?

DIOGO: - Claro, vamos!

Os três saem apressados.

CENA 07. APTO OSVALDO. INT. NOITE.

Osvaldo na ponta da mesa. De um lado, Mariana e Alex. Do outro, Regina. Os quatro jantam. Regina quieta.

OSVALDO: - Eu sempre morei no Rio de Janeiro. Apesar da Regina insistir várias vezes para a gente sair do Brasil, eu gosto daqui. Gosto do Rio.

MARIANA: - Não sei o que a minha mãe tem contra o Brasil, contra o Rio de Janeiro.

REGINA: - Acho que o calor, talvez... E a desigualdade que me incomoda um pouco.

ALEX: - A senhora se incomoda com o fato das pessoas não conseguirem melhores condições ou porque tem muita gente chegando onde a senhora sempre esteve? Se igualando, no caso.

REGINA: - É, talvez. Tem tanta gente chegando onde não deveria.

MARIANA: - Só pra eu saber, vocês estão falando sobre o quê mesmo? Ficaram tão sérios nessas afirmações.

ALEX: - Acabamos divagando demais (ri, disfarça) esse jantar está uma delícia.

OSVALDO: - Especialidade da casa.

O telefone de Osvaldo toca. Alex fica atento. Osvaldo atende.

OSVALDO (ao telefone): - Oi, sou eu. (T) Hum, ótimo. Só um minuto. (levanta-se) Com licença, preciso resolver um assunto importante.

ALEX: - Fique à vontade.

REGINA: - Melhor sair da mesa mesmo, Osvaldo. Negócios são tratados no escritório e não na mesa, na hora do jantar.

Osvaldo se afasta.

MARIANA: - Eu gostaria de morar em Londres. Mas sou como o meu pai, tenho raízes muito fortes aqui no Rio.

ALEX: - Eu, que sempre morei em São João da Barra, não conhecia nem o Rio, já sou apaixonado. Pela cidade e pelas cariocas (beija Mariana, carinhoso)

Regina não gosta.

REGINA: - Eu vou ver a sobremesa.

Regina levanta e sai.

ALEX: - Meu amor, onde fica o banheiro?

MARIANA: - No corredor, à direita e depois à esquerda. Perto do escritório.

ALEX: - Volto logo.

Alex sai. Mariana continua a comer, satisfeita.

CORTA:

CENA 08. APTO OSVALDO. ESCRITÓRIO. INT. NOITE.

Osvaldo conversa no telefone, de frente para um grande janelão que dá para a Marina da Glória.

OSVALDO (ao telefone): - E o valor é todo o que eu pedi, não é? Você sabe que eu não faço por menos. (T) Claro que não. Nada de transferência bancária! A polícia pega isso fácil fácil.

Na porta do escritório, Alex surge próximo, espiando Osvaldo, que não percebe a movimentação.

OSVALDO (ao telefone): - Coloca numa mala e me entrega no local combinado. (T) Como assim, que local? O mesmo onde eu sempre pego a grana por fora. (T) No centro mesmo, perto da rua do Lavradio. Um prédio azul, tem um beco do lado... (T) Isso aí. (T) Às dez da manhã tá ótimo. Depois eu vou para a empresa, tenho reuniões lá.

Alex anota no celular o endereço e se afasta para não ser visto por Osvaldo.

CORTA:

CENA 09. APTO OSVALDO. COZINHA. INT. NOITE.

Regina angustiada, é surpreendida por Alex.

REGINA: - Por que você não me disse que estava namorando a minha filha, seu cafajeste?

ALEX: - Eu lá ia saber que você era a mãe da Mari?!

REGINA: - Pois trata de desfazer esse namoro hoje mesmo! Eu não quero você com a Mariana!

ALEX: - Sinto muito, dona Regina, mas eu tenho planos maiores com a sua filha.

Regina se surpreende.

ALEX: - Eu quero casar com a Mariana.

Regina deixa a travessa com a comida cair no chão, espalhando tudo.

REGINA: - Você é um animal. Um sugador, aproveitador. Bem que eu deveria saber desde o início que gente como você não presta! Eu só posso mesmo estar louca, me envolvendo com um pretinho oportunista!

ALEX (segura Regina, firme): - Eu tenho muito orgulho da minha cor e eu não aceito que você fale qualquer coisa a respeito dela.

Mariana chega na sala e vê a cena.

MARIANA (chocada): - O que está acontecendo aqui?!

Eles se afastam no susto.

CENA 10. JOQUER. INT. NOITE.

A danceteria está movimentada. Bia entra com Tito, que se impressiona.

TITO: - Que lugar maneiro!

BIA: - Eu sabia que você iria gostar. Eu curti muito da última vez que eu vim, com o idiota do Gabriel.

TITO: - Nem lembra desse cara. Vamos curtir a nossa noite?

BIA: - Vamos!

Bia pega Tito pela mão e o leva para a pista, onde os dois dançam.  Nesse instante, Carla passa por eles, em direção ao balcão. Encontra Rick.

RICK: - Olha só! Quem é vivo sempre aparece.

CARLA: - Sou praticamente dona disso aqui, Rick. Construí junto com o Diogo. Não vou deixar de frequentar.

RICK (ironiza): - Praticamente dona... Menos, Carla. Você sabe que não tem direito nenhum. E falando em Diogo, se veio atrás dele, perdeu a viagem.

CARLA: - Diogo não está ou ele mandou você me dizer que não está apenas para me evitar?

RICK: - O Diogo não está. Hoje ele não deu as caras por aqui e acredito que não apareça.

CARLA: - Deve estar com a vagabunda, claro! Ele tinha encontro com ela!

RICK: - Encontro com quem? Do que você está falando?

CARLA: - Da Fernanda, a vadia que está dando em cima do Diogo e quer tirar ele de mim.

RICK: - Já tirou então, até porque vocês não são mais noivos e/

CARLA: - Rick, você às vezes consegue ser muito irritante, sabia?

Carla se afasta, Rick acha graça. Ele volta-se para o caixa, conferindo as notas, quando percebe alguém se aproximando. É Bruno.

RICK: - Fala aí, Bruno, o que foi?

BRUNO: - Eu posso ser um simples garçom aqui dentro, Rick. Mas eu tenho um currículo muito bom.

RICK: - Desculpa, Bruno, mas esse lance de promoção, quem resolve é o Diogo.

BRUNO: - Eu não quero promoção nenhuma não. Eu só disse isso porque eu sei de rotinas administrativas. E também sei que o dinheiro do caixa jamais deve parar no bolso de quem o administra.

Rick fica sem reação.

CENA 11. APTO OSVALDO. COZINHA. INT. NOITE.

Mariana espera uma explicação de Regina e Alex.

MARIANA: - E então? Ninguém vai me explicar o que houve?

REGINA: - É que, eu/

ALEX (disfarça): - Eu segurei sua mãe. Acho que ela teve uma vertigem, sei lá. Deixou cair tudo no chão.

MARIANA: - Mãe, você tá bem? Senta aqui!

Regina senta-se na cadeira que Mariana lhe trás.

REGINA: - Estou bem. Devo ter tido uma leve queda de pressão.

ALEX: - S e não fosse eu passar por aqui bem na hora, a senhora poderia ter se machucado.

REGINA: - Mais do que eu já estou, impossível.

MARIANA: - Do que você está falando, mãe?

REGINA: - Nada não, filha. Eu estou na verdade é chateada, deixei todo o jantar no chão...

Osvaldo chega.

OSVALDO: - Nossa, que sujeirada...

MARIANA: - A mamãe teve uma vertigem. O Alex conseguiu ajudar e evitar algo pior.

OSVALDO: - Regina, meu amor, está tudo bem?

REGINA: - Está sim. Na verdade, a minha  cabeça dói um pouco. Acho melhor eu deitar.

MARIANA: - Mas, e o jantar?

ALEX: - Eu acredito que nós podemos deixar para um outro momento, Mari. Sua mãe realmente precisa descansar. Eu venho outro dia, quando ela estiver mais disposta. Assim fica melhor para todos.

OSVALDO: - O Alex tem razão. Eu vou levar sua mãe para o quarto. (a Alex) Desculpe meu rapaz. Mas foi um prazer conhece-lo.

ALEX: - Digo o mesmo, doutor Osvaldo.

Regina se levanta com a ajuda do marido, não se despede de Alex.

MARIANA: - Puxa vida, eu estava tão feliz com esse jantar... E agora, não tem mais nada.

ALEX: - Não fica triste, meu amor. A gente tem muito tempo ainda para curtir esses jantares de família. (olha o relógio) É melhor eu ir também, amanhã tenho agenda na agência. E eu sei que você também tem.

MARIANA: - É verdade. Mas eu queria você mais um pouquinho... Posso?

ALEX: - Pode sim.

Os dois se beijam, apaixonados.

CENA 12. JOQUER. INT. NOITE.

Rick desconversa.

RICK: - Não entendi o que você quis dizer.

BRUNO: - Eu vi você pegando dinheiro do caixa e colocando no seu bolso. E não foi a primeira vez, você sabe.

RICK: - O que eu sei é que você anda cuidando demais de coisas que não te dizem respeito, Bruno. Eu já falei que o que eu tiro daqui é para quitar as contas da casa.

BRUNO: - E o Diogo sabe que paga dessa forma?

RICK: - O Diogo não gosta de ser incomodado com isso. E não vai ser você a aborrecer ele com essa história. Tá legal? Olha só, Bruno. Eu acho melhor você cuidar do seu serviço de garçom, que você é contratado aqui para isso, ok? Pode ir. Tem muita gente hoje pra atender.

Bruno encara Rick por um instante e sai.

RICK: - Mais essa agora. (pensa alto) lho aberto com esse aí, Rick!

CENA 13. APTO OSVALDO. QUARTO REGINA. INT. NOITE.

Regina deitada na cama. Ela está visivelmente abatida.

OSVALDO: - Eu vou pegar um remédio para dor de cabeça. Vai lhe fazer bem.

Osvaldo sai. Regina enxuga lágrima que cai em seu rosto.

REGINA: - Que ódio. Negro infeliz! Isso não vai ficar assim. Se o Alex acha que pode fazer isso comigo, ele está muito enganado.

Osvaldo chega, com o comprimido e um copo com água.

OSVALDO (oferece a Regina): - Está aqui, meu amor.

REGINA (ríspida): - Não quero nada não, Osvaldo.

OSVALDO: - Mas meu amor/

REGINA (firme): - Já falei que não quero nada! Me deixa dormir, por favor!

OSVALDO: - Tudo bem.

Osvaldo sai. Close em Regina, expressão fechada.

CENA 14. HOSPITAL. SALA DE ESPERA. INT. NOITE.

Roberta conta o ocorrido para Diogo, Fernanda e Paula.

ROBERTA: - E os caras desceram do carro e pegaram ele... (chora)

Fernanda abraça Roberta, a consola.

PAULA: - Covardes de merda!

ROBERTA: - Foi horrível, gente.

DIOGO: - Incrível como tem gente intolerante hoje. Século vinte e um e as pessoas continuam agindo como homens das cavernas.

FERNANDA: - É gente que não tem um pingo de amor no coração.

PAULA: - Mas o Matheus vai sair dessa, gente. Vamos acreditar, vamos ter fé. Ele vai sair!

ROBERTA: - Vai sim!

Os três seguem consternados.

CORTA:

CENA 15. HOSPITAL. UTI. INT. NOITE.

Matheus está entubado, na cama, desacordado. Seu rosto  está machucado, com alguns curativos. Gustavo se aproxima de Matheus, observa o paciente. Uma enfermeira termina de checar o soro.

ENFERMEIRA: - Ele chegou muito machucado.

GUSTAVO: - A homofobia fazendo mais uma vítima. Até quando isso?

ENFERMEIRA: - Foram quatro que bateram nele.

GUSTAVO: - Selvageria. Eu gostaria, de um dia, nunca mais ter notícias de casos assim. E nem de ter o desprazer de atender alguém nessas circunstâncias. O mundo precisa mudar para melhor logo!

A enfermeira se afasta. Gustavo se aproxima de Matheus, observa com atenção.

GUSTAVO (a si): - Por que as pessoas não tem mais amor no coração?

Gustavo toca a mão de Matheus, que não reage. O médico se afasta. Matheus segue desacordado.

CORTA:

CENA 16. HOSPITAL. SALA DE ESPERA. INT. NOITE.

Fernanda e Roberta no sofá, abraçadas. Paula caminha de um lado a outro, um tanto angustiada. Diogo se aproxima, vindo do corredor.

DIOGO: - Meninas, eu preciso ir agora. Vocês vão ficar? Querem carona?

ROBERTA: - Eu vou ficar por aqui até ter notícias do Matheus.

PAULA: - Eu também vou ficar, Diogo. (a Fernanda) Você pode ir, meu amor. Precisa descansar. Não tem como você ficar aqui no hospital.

FERNANDA: - Mas eu posso ficar, sem problemas.

PAULA: - Nanda, por favor. Me escuta, pelo menos agora?

FERNANDA: - Tá bom. Eu vou. Mas por favor, não me deixem sem notícias!

ROBERTA: - Vai amiga. Qualquer coisa a gente te liga, pode ficar tranquila.

FERNANDA: - Ficar tranquila vai ser difícil, mas tudo bem.

DIOGO: - Vamos então. Meninas, se precisarem de qualquer coisa, me avisem também.

PAULA: - Obrigada, Diogo. Você foi um rapaz de ouro hoje. E por favor, deixa a Nanda na porta de casa.

DIOGO: - Farei isso sim, Paula.

Fernanda e Paula trocam um selinho. Diogo disfarça. Roberta percebe. Diogo e Fernanda saem. Paula senta-se ao lado de Roberta.

ROBERTA: - Não sabia que a Nanda era amiga desse cara.

PAULA: - Conhece ele?

ROBERTA: - Sim, é o dono da Joquer. A namorada dele é lindíssima.

PAULA: - Ele tem namorada é? Não sabia. A Nanda encontrou ele hoje, por sorte, no Museu do Amanhã. Acredita que ela saiu, nesse calor de hoje e passou mal. Ainda bem que o Diogo estava lá e ajudou.

ROBERTA: - Prestativo ele, né?

PAULA: - Ih, não entendi essa sua frase, Roberta.

ROBERTA: - Nada não... que bom que ele está aí para ajudar. Mas agora eu não consigo pensar em mais nada. Só no Matheus.

PAULA: - Eu também. Aqui no hospital tem uma capela. Vamos lá rezar um pouco?

ROBERTA: - Vamos sim! Talvez assim eu me acalme um pouco.

As duas saem pelo corredor.

CENA 17. CASA BIA. QUARTO. INT. NOITE.

Tito entra com Bia nos braços e a deita na cama. Um abajur aceso ao lado da cama ilumina o quarto, todo em tons de rosa.

TITO: - Está entregue, princesa! (risos)

BIA: - Ah, meu príncipe! Faltou meu beijo!

Tito se aproxima, os dois se beijam. Trocam olhares. Bia puxa o rosto de Tito, o beija com fervor. Tito corresponde. Ele se afasta.

BIA (sussurra): - Fica. Fica comigo.

MUSIC ON: (O amor é ilusão – Rouge)

TITO: - Você quer?

BIA: - Eu quero. E eu sei que com você, vai ser especial.

Tito desvia o olhar, um tanto envergonhado. Bia toca seu queixo, vira o rosto dele em direção ao seu. Os dois se encaram.

BIA: - O que foi?

TITO: - Eu... Eu...

BIA: - Você nunca...

Tito assente com a cabeça. Bia segura a mão dele, carinhosa.

BIA: - Não se preocupa, meu amor. Teremos uma noite muito especial. O importante aqui é o amor que a gente sente um pelo outro.

Bia levanta-se da cama, fecha a porta do quarto. Tito a observa. Em SLOW MOTION Bia abre o zíper do vestido, deixando a roupa cair aos seus pés, estando apenas de calcinha. Tito não para de olhar para ela, encantado. Bia se aproxima dele, que fica de pé. Ela o beija, brevemente e, em seguida, tira sua camisa. Tito sorri.

BIA: - Eu amo você.

TITO: - Você é a mulher da minha vida.

Tito abraça Bia, os dois se beijam, apaixonados. Caem sobre a cama. Tito desfaz-se das calças, fica sobre Bia. O beijo é demorado, com desejo e afeto. Bia abre a gaveta do criado mudo ao lado da cama, pega um preservativo. Em seguida, apaga a luz do abajur que ilumina o quarto.

MUSIC OFF.

CENA 18. CASA CARLA. EXT. NOITE.

Carla chega com o carro quando vê o carro de Gabriel estacionado em frente à casa. Ela desce do seu carro e se aproxima do outro.

CARLA: - Gabriel?! O que você está fazendo aqui?!

GABRIEL (desce do carro): - Esperando uma resposta sua. Aguardar até amanhã seria um martírio. Aliás, onde a senhorita estava para chegar a essa hora em casa?

CARLA: - O que eu faço ou deixo de fazer, não é da sua conta! Era só o que me faltava.

GABRIEL: - Não precisa nem me dizer porque eu já sei. Foi atrás do Diogo na danceteria, mas ele não estava lá.

CARLA: - Como é que você sabe?

GABRIEL: - É a tática de qualquer garota desesperada.

CARLA: - Eu só estou lutando pelo o que é meu.

GABRIEL: - Se o Diogo fosse seu, ele estaria do seu lado, Carla. Deixa de ser turrona e vem nessa comigo. Nós dois juntos conseguiremos resultados muito mais satisfatórios do que sozinhos.

Carla pensativa.

GABRIEL: - Está tarde e eu não pretendo ficar por aqui por muito tempo ainda, meu bem.

CARLA: - Tudo bem, eu aceito.

GABRIEL: - Isso! É assim que se fala! Eu vou pra casa, porque preciso descansar e você também. Almoçamos juntos, amanhã?

CARLA: - Certo.

GABRIEL: - Ótimo. Assim falamos mais sobre o que eu penso da nossa situação e como a gente pode se ajudar. E você, descansa, boneca. Te quero ainda mais linda.

Gabriel entra no carro e sai. Carla fica pensativa.

CENA 19. APTO FERNANDA.INT. NOITE.

Diogo deixa Fernanda na porta.

FERNANDA: - Nem precisava ter subido até aqui, Diogo.

DIOGO: - Eu disse para a Paula que deixaria você na porta de casa. E aqui está você.

FERNANDA: - Muito obrigada, pela carona.

DIOGO: - Fernanda, o dia de hoje foi tão especial, apesar desse acontecimento triste com o amigo de vocês. Mas, eu descobri hoje que ao seu lado, eu me sinto um pouco mais feliz. Ainda mais com essa história da paternidade.

FERNANDA: - Diogo, eu percebi também que você é um cara muito especial. Eu fico ainda mais feliz em saber que o meu filho tem o gene de um cara tão bacana como você.

DIOGO: - Você acredita em destino?

FERNANDA: - Acredito que o destino é fruto de nossas escolhas.

DIOGO: - Então eu posso estar moldando meu destino a partir de agora, porque eu escolho ter você comigo pra sempre.

Fernanda fica sem reação. Diogo se aproxima e a beija. Fernanda se afasta.

DIOGO: - Desculpa, mas foi mais forte que eu.

FERNANDA: - Eu acho que a gente precisa ir com calma, para ninguém se machucar, Diogo.

DIOGO: - Claro, você tem toda razão. Desculpa, mais uma vez. Bem, eu vou indo. Fica bem. Qualquer coisa que precisar me avisa.

FERNANDA: - Pode deixar. Mais uma vez, obrigada.

Fernanda fecha a porta do apto. Esboça um sorriso, um tanto em dúvida do que fazer.

CENA 20. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA

MUSIC ON: (Vida real – Engenheiros do Hawaii)

Imagens da cidade ao amanhecer. Mostra o Cristo Redentor, Corcovado e a Guanabara. Dia de sol na Cidade Maravilhosa.

MUSIC OFF.

CENA 21. HOSPITAL. UTI. INT. DIA.

Gustavo se aproxima para ver Matheus, que está dormindo. Gustavo o observa novamente, olhar tenro. De repente, a mão de Matheus toca a de Gustavo, que se surpreende. Matheus abre os olhos lentamente, troca olhares com Gustavo. Gustavo sorri, feliz.

CORTA:

CENA 22. HOSPITAL. SALA DE ESPERA. INT. DIA.

Gustavo encontra Paula e Roberta, que se abraçam felizes.

ROBERTA: - Que notícia maravilhosa!

PAULA: - Então ele está fora de perigo?

GUSTAVO: - Contrariando nossas análises, o Matheus se mostrou forte mesmo. Acredito que hoje mesmo ele vá para o quarto. Mas ainda não terá alta.

ROBERTA: - O importante é que ele vai sair da UTI, doutor. Vai poder receber visita!

GUSTAVO: - Que bom que vocês estão ao lado dele. E que os responsáveis por esse ataque sejam punidos.

PAULA: - A justiça dos homens pode até falhar, doutor Gustavo. Mas a divina não. Cedo ou tarde esses caras vão ter o que merecem e pagar pelo o que fizeram com o nosso amigo.

ROBERTA: - Doutor Gustavo, eu nem sei como agradecer a você por tudo o que fez pelo Matheus.

GUSTAVO: - Não precisa agradecer não. É o meu ofício. E casos assim, mexem comigo. É impossível não tomar alguma atitude. Bem, eu preciso atender outro paciente, mais tarde nos encontramos novamente.

ROBERTA: - Claro!

Gustavo se afasta.

PAULA: - Que médico bacana hein!

ROBERTA: - E gato né? Gente, que homão!

PAULA (risos): - Você não se controla não, mulher?

ROBERTA: - Olhar não custa nada. Ah, avisa a Nanda! Ela deve estar louca pra saber notícias!

PAULA: - Sim! Vou avisar!

Paula pega o telefone, liga.

PAULA (ao telefone): - Oi, Nanda! Meu amor, Matheus está fora de perigo! (T) Graças a Deus! (T) Aí em casa? Tá legal! Estamos indo! (desliga)

ROBERTA: - E então?

PAULA: - A Nanda preparou um café pra gente. Vamos lá pra casa, depois a gente volta. Assim você também já toma um banho, descansa um pouco. Que tal?

ROBERTA: - Ótimo, vamos sim!

As duas saem abraçadas, felizes.

Corta.

CENA 23. CASA BIA. QUARTO BIA. INT. DIA.

Bia acorda nos braços de Tito. Ela sorri, feliz, se aninha nele. Tito se acorda.

BIA: - Desculpa se acordei você.

TITO: - Nossa, dormi feito uma pedra.

BIA: - E eu dormi no paraíso.

Ele ri.

TITO: - Você está feliz?

Bia senta-se na cama, de frente para Tito.

BIA: - Eu sou a mulher mais feliz deste mundo. Você foi incrível, especial. Como eu sempre sonhei que um homem fosse.

TITO: - Eu adorei tudo. Eu amo você.

BIA: - Também te amo.

TITO: - Que horas são?

Bia pega o celular na bancada.

BIA: - Já passa das nove.

Tito dá um salto da cama, apressado.

BIA: - Calma, garoto! (risos)

TITO (vestindo-se apressado): - Eu perdi a hora! Tenho compromisso com o meu pai!

Tito termina de se vestir e vai saindo às pressas, sem antes dar um beijo apaixonado em Bia, que fica na cama, encantada.

CENA 24. CASA ELIANE. SALA. INT. DIA.

Tito entra vindo da rua, encontra João.

JOÃO: - Passando a noite fora... Que bonito, hein, Tito? Mas trata de lavar a cara, comer alguma coisa que a gente já tá saindo. Tem um jardim enorme pra eu cortar grama e você vai me ajudar.

Tito vai para o corredor, passa por Eliane.

ELIANE: - Tito! Chegando agora?

TITO: - Sim, mãe!

Ele dá um beijo em Eliane, que fica surpresa e sorri.

ELIANE: - Mas o que deu nesse menino, pra chegar assim, tão feliz?!

JOÃO: - Certo que passou a noite por aí com alguma biscate.

ELIANE: - Não, esse sorriso não é de quem passou a noite com qualquer uma não. Foi com alguém especial. Ele está realmente feliz... Nosso filho está crescendo, João.

JOÃO: - Mais que na hora né? (grita) Não demora, Tito!

ELIANE: - Eu vou fazer um almoço bem gostoso pra gente. Espero vocês chegarem do serviço para comermos todos juntos.

JOÃO: - Almoço especial é? Por que?

ELIANE: - Precisamos comemorar essa aura de paz que se instalou aqui em casa. Que ela fique por muito mais tempo!

Eliane vai pra cozinha, feliz. João não liga muito.

CENA 25. CASA DIOGO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Diogo encontra Tereza lendo um livro. Ele chega alegre, beija Tereza, que se encanta com o filho.

TEREZA: - Nossa! Há quanto tempo que eu não te via assim, tão...

DIOGO: - Vivo?! Há muito tempo, mãe. Hoje eu acordei com vontade de viver ainda mais!

TEREZA: - Isso é maravilhoso, Diogo! Mas, será que eu posso saber o motivo dessa felicidade toda?

DIOGO: - Deixa eu pensar... Ainda não. A única coisa que a senhora pode saber é que está me fazendo muito bem.

TEREZA: - Eu consigo ver pelo brilho dos seus olhos que está sim, te fazendo muito bem.

Tereza acaricia o rosto de Diogo, carinhosa.

DIOGO: - E meu pai?

TEREZA: - Saiu cedo para a empresa. E eu estou aqui, finalizando os detalhes para o lançamento do livro.

DIOGO: - Mas já? Nossa, que rápido, mãe!

TEREZA: - O tempo voa, meu filho.

DIOGO: - E qual o título?

TEREZA: - Escolhas da Vida. Fala sobre os rumos que tomamos a partir daquilo que escolhemos. O livre arbítrio e as consequências das nossas escolhas.

DIOGO: - Profundo hein!

TEREZA: - É para fazer pensar mesmo. Precisamos pensar e muito antes de dar qualquer passo a frente, ou para um lado ou outro. O importante é que razão e emoção caminhem juntas.

DIOGO: - Vendo você falar, eu sinto um orgulho e tanto de ser seu filho.

TEREZA: - E eu me derreto toda assim! Eu tenho uma honra e gratidão enormes por ser sua mãe. Te amo.

DIOGO: - Também te amo.

TEREZA: - Eu preciso ir agora, porque tenho que encomendar as flores para a decoração e também correr pro salão para acertar os detalhes. O pior é que vai levar tempo esse trajeto todo.

DIOGO: - Se a senhora quiser, eu posso passar na floricultura e ver esses detalhes aí. Assim sobra tempo para ir ao salão.

TEREZA: - Ótimo, meu filho!

Tereza anota o endereço, entrega para Diogo.

TEREZA: - A floricultura é esta daqui.

DIOGO: - Sei onde fica.

TEREZA: - Não vai te atrapalhar? Não quero interferir nos teus compromissos, Diogo.

DIOGO: - Atrapalhada em nada, mãe. E é caminho para a Joquer. Eu vou pra lá depois. Fica tranquila, que eu resolvo isso tudo.

CENA 26. APTO FERNANDA E PAULA. SALA. INT. DIA.

Paula e Roberta tomam café. Fernanda na porta da cozinha, conversa com elas.

ROBERTA: - Quando o gostosão do doutor Gustavo falou que o Matheus estava fora de perigo, eu queria era dar um beijo na boca dele em agradecimento.

Fernanda ri.

PAULA (comenta): - Roberta louca pelos médicos, enfermeiros...

ROBERTA: - Matheus não é bobo. Escolheu aquele hospital para ter convênio porque sabia que a safra de lá é bem boa!

FERNANDA: - Eu fiquei muito feliz que ele esteja fora de perigo. Matheus é tão bom, coração enorme. Não merecia isso não.

PAULA: - Ninguém merece isso, pra falar a verdade. Mas eu juro que se encontro algum desses imbecis que bateram nele, eu voo no pescoço desse cara e faço um estrago!

FERNANDA: - Ei, calma aí, valentona! (risos)

PAULA: - Desculpa, me empolguei (risos) Mas a gente fica à mercê da impunidade sempre. Isso tinha que acabar. Homofobia é crime. Ontem foi com o Matheus. Hoje vai ser com outra pessoa. Amanhã pode ser com a gente, Nanda. Já pensou? E se ninguém fizer nada, as coisas vão acontecendo e a gente fica à deriva.

FERNANDA: - Quanto mais pressão a gente fizer, mais justiça vamos conseguir. Eu acredito que vamos virar esse jogo.

ROBERTA: - E eu vou virar uma bola de tanto comer! Esse café está uma delícia!

FERNANDA: - Pode comer à vontade, Roberta. Eu vou aproveitar que vocês estão aí e vou comprar umas flores pra gente levar para o Matheus, no quarto.

PAULA: - Isso, Nanda! Ele vai amar!

FERNANDA (saindo): - Eu não demoro.

Fernanda sai. Paula e Roberta continuam à mesa com o café.

Corta.

CENA 27. APTO OSVALDO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Mariana vai passando pela sala quando encontra Regina sentada na poltrona, expressão séria.

MARIANA: - Estou indo para a agência, mãe. Talvez eu demore um pouco hoje e chegue mais tarde.

REGINA; - Mari, espera. Eu quero falar com você um instante.

MARIANA: - Não pode ser depois, mãe? Eu não posso perder a hora.

REGINA (firme): - Não! Tem que ser agora.

MARIANA: - Aconteceu alguma coisa?

REGINA: - Aconteceu. E eu quero que você me escute e siga o que eu vou te dizer.

MARIANA: - Fala então.

REGINA: - Você precisa se afastar do Alex.

Mariana se surpreende.

MARIANA: - Como é que é?!

REGINA: - O Alex não é homem pra você. Desiste desse namoro absurdo, Mariana. Desiste agora!

Regina fala firme. Mariana encara a mãe, perplexa.

CENA 28. RIO DE JANEIRO. CENTRO. EXT. DIA.

Alex segue Osvaldo, a pé, por uma rua do Rio, até chegar em um beco sem saída. Alex para um pouco antes, de longe, para não ser visto.

Osvaldo encontra dois homens, cumprimentam-se discretamente. Um deles está com uma maleta, que é entregue a Osvaldo. Alex, de longe, faz fotos do encontro com seu celular.

Osvaldo abre a maleta, conferindo os maços de dinheiro. Alex registra cada momento. Osvaldo retira dois maços e entrega um para cada um dos homens que está com ele. Em seguida, os três se separam, seguindo cada um para um lado.

Alex dá um tempo e se apressa para alcançar Osvaldo, que dobra em uma outra rua. Quando Alex dobra na mesma saída, vê Osvaldo entrando em um táxi e partindo pela avenida movimentada.

ALEX: - O jogo agora está começando, Osvaldo.

CENA 29. FLORICULTURA. INT. DIA.

O local é grande, com diversas prateleiras, contendo flores de vários tipos, tamanhos. Fernanda caminha pelos corredores, observando cada flor, cheirando algumas, encantada. Distraída, ela esbarra em alguém que carrega um pequeno buquê. É Diogo.

FERNANDA (surpresa): - Diogo! Me seguindo? (risos)

DIOGO: - Juro que foi mera coincidência! (risos)

Os dois trocam olhares.

FERNANDA: - Lindas as flores.

DIOGO: - Gostou? Eu vim para encomendar algumas para minha mãe. Ela vai lançar um livro em breve e quer fazer uma decoração bacana para receber o público, amigos. Estou levando esse aqui pra ela também, como presente.

FERNANDA: - Ela vai amar!

DIOGO: - E você? Comprando flores para casa?

FERNANDA: - Não. Se bem que não é uma má ideia, mas eu vim na verdade escolher umas flores para levar para o Matheus. Ele está fora de perigo e vai para o quarto talvez hoje mesmo.

DIOGO: - Que legal! Nossa, fico feliz por ele. E por vocês também, que são amigos.

FERNANDA: - Obrigada! Mas eu fico na dúvida pra escolher que flores levar. Aqui todas são lindas!

DIOGO: - Se quiser uma dica, eu posso ajudar.

FERNANDA: - Ah você entende de flores também é?!

DIOGO: - Modéstia à parte!

Eles riem.

FERNANDA: - Aceito a ajuda.

DIOGO: - Tem essas aqui, que são lindas.

Diogo mostra algumas flores para Fernanda. Os dois seguem conversando fora do áudio.

CENA 30. CARRO CARLA. INT. DIA.

Gabriel no carona, enquanto Carla dirige.

CARLA: - Então quer dizer que a sua ex te deixou para ficar com outra mulher! Nossa, que nojo. Desculpa, Gabriel, mas eu não consigo lidar com isso normalmente.

GABRIEL: - E você acha que eu consigo? Mas nada me tira da cabeça que a Nanda fez isso só para fazer birra, entende? Como uma rebeldia.

CARLA: - Jeito meio estranho de se rebelar.

GABRIEL: - Eu sei que essa loucura toda vai passar e aí eu preciso estar ali, pronto para recebe-la novamente.

CARLA: - Comigo do lado, fingindo ser sua namorada? Que plano estranho.

GABRIEL: - Ela vai correr atrás quando perceber que estou em outra e ela viveu uma aventura furada. Quando ela correr atrás de mim, eu te largo e fico com ela. A mesma coisa você e o seu ex.

CARLA: - Eu espero que esse seu plano dê muito certo, Gabriel. Eu já estou ficando louca só de pensar que o Diogo possa estar com outra mulher agora. Que coincidentemente se chama Fernanda também.

GABRIEL: - O Rio é recheado de Fernandas, né?

CARLA: - Poderiam todas explodir da face da Terra! Esse nome já ferve o sangue.

CORTA:

CENA 31. FLORICULTURA. EXT. DIA.

Fernanda e Diogo vão saindo da floricultura para atravessar a rua, cada um com um buquê de rosas em mãos. Conversam, distraídos.

FERNANDA: - Eu nem sei como agradecer, Diogo! Essas flores são lindas! O Matheus vai amar!

DIOGO: - Não esqueça também de vir pegar aquelas que você deixou reservadas. Ficarão lindas na sua sala.

FERNANDA: - Ficarão mesmo!

CORTA:

CENA 32. CARRO CARLA. INT. DIA.

Gabriel avista Fernanda.

GABRIEL: - A Nanda! Olha ali!

Carla segue o olhar de Gabriel e reconhece Fernanda.

FLASHBACK,

CENA 38. CAP 02. JOCKER. INT. NOITE.

Fernanda sorri, graciosa. Diogo também sorri. De repente, Carla se aproxima de Diogo, encarando Fernanda.

CARLA: - Algum problema, meu amor?

Diogo disfarça, solta o braço de Fernanda, enquanto Carla encara a moça.

FIM DO FLASHBACK,

Carla se altera.

CARLA: - A vagabunda!

GABRIEL: - Ei, Carla! A Fernanda não é isso não.

CARLA: - Ela é a vabagunda que está com o Diogo! Ali estão os dois juntos!

Gabriel se surpreende.

CENA 33. RUA DA FLORICULTURA. EXT. DIA.

Diogo e Fernanda conversam na calçada.

FERNANDA: - Sua mãe vai gostar das flores. E eu quero um livro dela também!

DIOGO: - Você poderia ir no lançamento comigo. O que acha?

FERNANDA: - Eu acho um máximo!

DIOGO: - Então está combinado!

FERNANDA: Bem, eu preciso atravessar.

DIOGO: - Eu também, deixei meu carro do outro lado.

Os dois seguem para a rua. PLANO GERAL. O carro de Carla acelera a ponto de cantar pneu. CORTA PARA seu interior.

GABRIEL (apreensivo): - Carla, o que você ta fazendo?

CARLA: - Essa vagabunda vai ver o que é bom pra tosse!

GABRIEL: - Carla, não!
 

PLANO GERAL de Fernanda está atravessando a rua, um pouco a frente de Diogo, enquanto o carro de Carla se aproxima rapidamente em sua direção.
 
     
     
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autor
Édy Dutra

colaboração
Diogo de Castro

elenco
Rafaela Mandelli como Fernanda
Andrea Horta como Paula
Henri Castelli como Diogo
Francisca Queiroz como Carla
Caetano O’Maihlan como Rick
Gabriela Durlo como Roberta
Sidney Sampaio como Matheus
Marcello Melo Jr como Bruno
Aisha Jambo como Lisa
Paulo Gorgulho como Arthur
Sônia Braga como Norma
Maria Ceiça como Isaura
Milton Gonçalves como Solano
Maurício Gonçalves como Lauro
Eliete Cigarini como Eliane
Léo Rosa como Gabriel
Bernardo Mesquita como Tito
Juliana Lohmamm como Bia
Roberto Bomtempo como João
Giuseppe Oristânio como Walter
Cinara Leal como Laisla
Felipe Folgosi como Danilo
Fernanda Nobre como Ivete
Eduardo Lago como Dr. Túlio
Aline Borges como Olívia
Cissa Guimarães como Verônica
Jonas Bloch como Milton
Gisele Fróes como Selma
Odilon Wagner como Humberto
Totia Meirelles como Tereza
Zecarlos Machado como Cristóvão
Zezé Motta como Helena
João Gabriel Vasconcellos como Pedro
Daniel Erthal como Vini
Maria Maya como Illana
José de Abreu como Osvaldo
Malu Galli como Regina
Luma Costa como Mariana
Jonathan Haagensen como Alex
Antônio Pitanga como Dionísio
Guilherme Winter como Gustavo
Pierre Baitelli como Tomás

trilha sonora
Amanhã ou Depois - Nenhum de Nós (Abertura)
O amor é ilusão – Rouge
Vida real – Engenheiros do Hawaii

produção
Bruno Olsen
Cristina Ravela


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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Proibida a cópia ou a reprodução

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