
Cena 1/Ext./Mansão Monteiro Diniz/Jardim/Dia.
Elisa está com raiva de Álvaro, o encarando.
ELISA
(firme) Eu
nunca mais quero te ver, Álvaro!
CLARA
Elisa/
Roberto segura Clara com delicadeza.
ROBERTO
Não se
mete.
ÁLVARO
(encara
Elisa) Não vou levar em consideração, porque estou vendo que você está fora de
si. Quando você se acalmar nós conversamos.
ELISA
(nervosa) É
para levar em consideração!
Elisa tira a aliança de noivado, joga em Álvaro.
ELISA
(tom alto)
Entendeu, agora? Acabou! Não tem mais casamento!
Elisa entra, Sérgio está com vontade de ir atrás
dela, se contém. Álvaro está sem jeito e com raiva.
CLARA
(em choque)
Eu vou tentar falar com ela.
ROBERTO
Não... Deixa
Elisa em paz e você, Álvaro, tire o dia de folga; depois nos falamos.
ÁLVARO
Roberto, eu
não fiz nada para magoar Elisa. Eu a amo muito.
ROBERTO
Eu sei...
Fique tranquilo.
Álvaro encara Sérgio.
ÁLVARO
Talvez,
possa ter alguém fazendo a cabeça de Elisa contra mim.
CLARA
Isso é
impossível, querido. Elisa jamais terminaria um noivado por influência de outra
pessoa.
ÁLVARO
Eu sei...
Eu volto mais tarde.
ROBERTO
Não.
(pausa) Elisa disse que não quer te ver e se você vier será como invadir o
espaço dela. Eu te falo quando puder vir.
ÁLVARO
(inconformado)
Mas, Roberto, isso só vai afastar Elisa de mim.
ROBERTO
E você
insistir em conversar quando ela não quer, também. Eu a conheço e sei o que
estou falando.
ÁLVARO
(raiva
contida) Está bem. Mas que fique claro que eu quero conversar com a minha noiva
o quanto antes.
Álvaro pega a aliança que Elisa jogou nele, guarda
no bolso, sai. Roberto encara Sérgio.
ROBERTO
Eu não sei
o que está acontecendo entre Elisa e Álvaro, mas quero saber... Vi que ela se
acalma quando você está perto. Pode ir falar com ela, Sérgio.
SÉRGIO
Sim,
senhor. Com licença.
Sérgio entra; Maya, com raiva, entra, também.
CLARA
(inconformada)
Roberto, por que você deixou Sérgio ir falar com a Elisa e eu não?
ROBERTO
(pensativo)
Porque ele não vai piorar as coisas, Clarinha; já, você, pode fazer isso.
Depois eu que vou falar com a nossa filha.
Corta Para:
Cena 2/Int./Mansão Monteiro Diniz/Cozinha/Dia.
Elisa está sentada, chorando, Berta se aproxima dela,
entrega um copo com água.
BERTA
Aqui,
querida, toma um pouco de água, que vai te fazer bem.
Elisa toma um pouco de água, coloca o copo com o
restante em cima da mesa.
BERTA
Foi
impossível não ouvir, daqui, o que aconteceu. Saiba que estou do seu lado e
fiquei muito feliz por você ter tido coragem de enfrentar o Álvaro.
ELISA
(enxuga as
lágrimas, cansada) Eu lavei minha alma, Berta. Álvaro sempre fez isso comigo. É
muita crueldade disfarçada de proteção... carinho... cuidado... Tudo mentira! Ele
faz para me ferir, e o pior... Consegue!
Sérgio entra.
SÉRGIO
Desculpe
interromper...
BERTA
Não
interrompeu, Sérgio... Agora, que você está aqui, fico mais tranquila para
fazer uma coisa... Com licença.
Berta sai, Sérgio se abaixa em frente a Elisa,
segura suas mãos, a olha nos olhos.
SÉRGIO
Elisa, não
imaginas o quanto me controlei para não partir para cima do Álvaro
ELISA
(sorri um
pouco) Eu também, Sérgio, mas o importante é que não sujamos nossas mãos com
ele.
SÉRGIO
(acaricia o
rosto de Elisa) Estás bem?
ELISA
(fecha os
olhos, sentindo o carinho) Sim... Muito melhor. (olha Sérgio) parece que eu
tirei uma tonelada de dentro de mim, estou me sentindo leve. (sorri).
SÉRGIO
(sorri) Fico
feliz por saber isso, meu amor.
ELISA
(gosta de
como Sérgio a chamou) E eu fico feliz por ter você ao meu lado.
Sérgio e Elisa se beijam.
ELISA
Agora estou
livre, Sérgio, podemos ficar juntos.
Sérgio se levanta, Elisa se levanta, também.
SÉRGIO
É o que
mais quero, mas se não se importa, gostaria que esperássemos até eu voltar de
Portugal. Acabaste de terminar um noivado, vais precisar lidar com a tua
família e eu não quero que enfrentes tudo isso sozinha. O que me dizes? Esperas
por mim?
ELISA
(sorri)
Claro que espero. (pausa) Meu amor!
Sérgio e Elisa se beijam. Malu entra, não sabe se
vai ou se fica, mas acha linda a cena.
MALU
(feliz)
Desculpa, gente, mas vocês me pegaram de jeito, agora. Coisa linda, vocês.
Sérgio e Elisa acham graça.
ELISA
(sorri)
Malu, você não pode contar para ninguém o que viu, me promete?
MALU
(sorri)
Claro que prometo, Elisa. E aproveitem aí, porque o povo fala que o proibido é
mais gostoso.
Sérgio e Elisa acham graça, se abraçam.
Corta Para:
Cena 3/Int./Mansão Monteiro Diniz/ Quarto de
Sérgio/Dia.
Maya entra, está nervosa, começa a procurar alguma
coisa, está ansiosa, vê o baú preto, tenta abrir, percebe que a fechadura é
eletrônica.
MAYA
(nervosa)
Droga! Eu preciso saber quem é essa Manuela. (pausa, pensativa) Tenho certeza
que ela não é uma pessoa qualquer. (fria) E se eu estiver certa...? pode ser
exatamente o que preciso para tirar o Sérgio da vida da Elisa.
Corta Para:
Cena 4/Int./Padaria Camões/Dia.
Benício está colocando cardápios nas mesas, com má
vontade. Lívia se aproxima, está tomando café.
LÍVIA
(tom de
brincadeira) Ânimo, Beny, desse jeito vai espantar os fregueses do seu Manuel.
BENÍCIO
(sério,
aponta para o próprio rosto) Está vendo? Não tem graça, palhaça.
LÍVIA
(acha
graça) Tem sim.
BENÍCIO
(joga o
último cardápio na mesa) Não sei até quando vou ter que ficar aqui.
LÍVIA
Você
começou ontem.
BENÍCIO
Não era
para ter começado nunca! Este não é o meu lugar, Lívia. Eu não preciso
trabalhar.
LÍVIA
Esse é o
ponto que seu pai quer que você veja, Beny... Você precisa trabalhar, sim. Você
é um homem! Não pode ser um vagabundo só porque é rico.
BENÍCIO
(pensativo)
Eu sei, Lívia... O problema é que não me vejo enfiado em um escritório, usando
terno e gravata. Não gosto dessas coisas.
LÍVIA
E do que
você gosta, Beny?
BENÍCIO
(sorri
pensativo) Correr... Adoro correr, Lívia! Quando eu estou atrás do volante, a
sensação é incrível.
LÍVIA
Já pensou
em ser um profissional? Seu pai iria gostar por dois motivos: primeiro porque
ele veria que você tem salvação e não vai ficar na cola dele o resto da vida e,
segundo que, sendo um piloto, o risco de você matar alguém é muito baixo. (ri
debochada).
BENÍCIO
(joga um
pano de prato em Lívia, sorri) Tá muito engraçadinha hoje.
LÍVIA
(sorri)
Tudo bem, chega de papo. Agora você tem que lavar a louça.
BENÍCIO
(desanimado)
Não acredito nisso.
Benício vai saindo, Lívia acha graça.
Corta Para:
Cena 5/Int./Apartamento de Álvaro/Sala/Dia.
Álvaro entra, está sério, olhar frio. Se encara no
espelho, num acesso de fúria e descontrole, grita, pega um objeto, joga no
espelho, que quebra, começa a quebrar e chutar toda a sala, enquanto grita,
extravasando tudo o que está sentindo. Em determinado momento, se cansa, se
senta no sofá, coloca as mãos na cabeça, chora de forma breve, tira as mãos da
cabeça, fica sério, olhar sombrio.
ÁLVARO
(frio, para
si mesmo) Você pode ter ganhado a batalha, (ódio) maldito português, (calma
sombria) mas eu... eu vou ganhar a guerra, e meu espólio... vai ser Elisa.
(olhar fixo).
Corta Para:
Cena 6/Int./Mais Tarde - Mansão Monteiro
Diniz/Ateliê/Dia.
Elisa está olhando pela janela, Roberto bate na
porta, entra.
ROBERTO
(sorri)
Você está ocupada, querida?
ELISA
(sorri) Não.
ROBERTO
Podemos
conversar?
Elisa pega uma cadeira, coloca perto de Roberto.
ELISA
Claro que
sim, papai.
Roberto e Elisa se sentam.
ROBERTO
Filha, faz
tempo que venho observando o seu comportamento... Estava esperando você vir até
mim e conversar, mas como isso não aconteceu... Estou aqui. Eu quero saber o
que está acontecendo.
ELISA
(respira
fundo) Acho que, realmente, agora é a hora de falar... Papai, quando Bruno
morreu... Foi como se meu chão se abrisse e eu caísse no mais profundo abismo.
Você sabe o quanto nós nos amávamos. Ele era tudo para mim e, de repente, o que
era tudo virou nada, em frações de segundos. (triste) Perdi tudo naquele
acidente... Meu amigo, meu namorado, meu companheiro, meu futuro marido, o
homem que eu queria para ser pai dos meus filhos, o amor da minha vida! (as
lágrimas escorrem) Ele se foi para sempre... (enxuga as lágrimas, se recompõe)
Você e a mamãe viram todo o meu sofrimento e aí acharam que, colocando outro no
lugar de Bruno, as coisas seriam resolvidas. Daí, vocês escolheram Álvaro para
isso, como se a missão fosse substituir o irmão dele na minha vida, talvez,
achando que eles eram iguais. (pausa) Mas não são... Bruno e Álvaro são com
água e vinho. (se lembrando e imitando alguém) “Álvaro vai ser um excelente homem
de negócios. Álvaro é o homem ideal para ocupar a presidência do grupo.” (olha
Roberto nos olhos) Mas e marido?... Companheiro?... Vocês se perguntaram isso?
Eu respondo, papai. Não, vocês não pensaram! Álvaro não é bom para se casar
comigo e tenho pena da coitada que, um dia, disser sim para ele. Em todos esses
anos, papai, ele me atormentou e me culpou pela morte do Bruno... E foi um
acidente, eu não tive culpa de nada... Mas ele fazia questão de me culpar; ele
sabia que isso iria me atingir e fazia de propósito. Por algum motivo que
desconheço, Álvaro gostava de me ver mal e vulnerável. Mas isso acabou... Não
dá mais, meu limite chegou ao fim, assim como esse noivado absurdo. Acabou,
papai.
Elisa abaixa a cabeça, Roberto se levanta, se
aproxima de Elisa, a levanta delicadamente, a abraça.
ROBERTO
(triste) Eu
sinto muito, mesmo, minha filha. Desculpa por não ter visto seu sofrimento, por
ter me metido na sua vida. A intenção era te fazer bem, meu amor.
ELISA
(emocionada)
Eu sei, papai.
ROBERTO
(olha Elisa
nos olhos) Por mais que eu goste de Álvaro, você é minha filha e, se a sua
decisão é, realmente, terminar esse noivado, tem toda a minha aprovação.
ELISA
(feliz,
abraça Roberto) Obrigada, papai. Te amo!
ROBERTO
Também te
amo, minha filha!
ELISA
(olha
Roberto) Papai, eu quero te pedir uma coisa... Uma coisa que estou precisando
muito.
ROBERTO
Pode falar,
filha.
ELISA
Faz muitos
anos que não vou até a fazenda e eu estou precisando sair daqui, um pouco. Quero
passar o final de semana lá.
ROBERTO
Nem precisa
pedir, meu amor, a fazenda é sua, também. Pode ir a hora que quiser.
ELISA
(sorri)
Obrigada... Mas eu não quero ir sozinha. Sabe que eu mal dirijo e, quem dirá,
pegar a estrada sozinha.
ROBERTO
(pensativo)
Verdade... Eu não vou poder ir, porque a inauguração do novo supermercado é neste
fim de semana e sua mãe já se comprometeu em ir comigo. Acredito que não vou
precisar de Sérgio este fim de semana, então, se você quiser, peço para ele te
levar.
ELISA
(sorri um
pouco, disfarça) Eu ia pedir para você ir comigo, mas se não pode, aceito que
Sérgio me leve.
ROBERTO
(sorri)
Então, tudo certo, meu amor. A única coisa que eu quero é te ver feliz.
Roberto e Elisa se abraçam.
Corta Para:
Cena 7/Int./Padaria Camões/Dia.
Benício está varrendo, Estela entra.
BENÍCIO
(estranha)
Tia? O que você está fazendo aqui?
ESTELA
(altiva) Eu
vim falar com a portuguesinha, ela está?
BENÍCIO
Depende,
porque aqui tem duas... a mãe e a filha.
ESTELA
(impaciente)
É claro que estou falando da mocinha.
BENÍCIO
O que você
quer com a Sol?
ESTELA
É assunto
meu, menino, vá logo chamar ela.
Sol entra, Estela a mede com o olhar de cima a
baixo.
ESTELA
Menina, eu
vim falar com você.
SOL
A senhora
começou errado... Meu nome é Sol e eu quero ser chamada assim.
ESTELA
(altiva)
Não vou demorar, garota. Eu vim até aqui, neste... fim de mundo..., falar para
você sumir da vida do meu filho.
SOL
(incrédula)
Como é?
ESTELA
É surda?
Fui clara, mas repito... Eu quero que você suma da vida do meu filho! Ou, então,
você terá muitos problemas.
Benício olha Estela como se não aprovasse a atitude dela. Sol encara Estela.
Novela escrita por
Débora Costa
Releitura da Novela
Antônio Maria de Geraldo Vietri
Revisão de Texto
Eduardo Gouvêa
Elenco
Elisa
António Sérgio
Álvaro
Maya
Roberto
Clara
Manuela
Gonçalo
Benício
Lívia
Dante
Sol
Manuel
Leonor
Berta
Gustavo
Malu
Diana
Bruno (in memoriam)
Núcleo
Entretenimento em Foco
Trilha Sonora
Canção do Mar - Dulce Pontes
Produção
Bruno Olsen
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
REALIZAÇÃO
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