“ONDE
ESTÁ LUNA?”
LUNA SENTIU A AUSÊNCIA DO CORPO DO MARIDO
AQUECENDO O SEU E DESPERTOU NO MEIO DA MADRUGADA.
Faltavam menos de quinze minutos para as três da manhã. Ela olhou no relógio na
mesa de cabeceira e, ao procurar Rafael entre os lençóis, encontrou apenas seu
cheiro, impregnado no ar. Respirou profundamente, tentando captar algum ruído
incomum. Foi então que ouviu um som sutil, como algo se arrastando no chão. O
coração de Luna acelerou quando ela se deparou com a visão estranha: Rafael
estava deitado no chão gelado, tremendo de frio, como uma criança assustada com
um pesadelo. A cena era inacreditável e profundamente estrambólica.
— Amor! — Luna chamou, batendo levemente
no corpo do marido, numa tentativa desesperada de despertá-lo do
entorpecimento. — Rafael! Por favor! Acorde!
Seu tom de voz mudou drasticamente para um
timbre mais grave e urgente quando percebeu que não havia nenhum tipo de
reação. Rafael permanecia deitado, como se estivesse em um estado de transe ou
coma. Desesperada, Luna pegou um copo de água que estava em cima da mesa de
cabeceira e salpicou no rosto do marido, respirando fundo enquanto o fazia.
Rafael acordou aturdido, com a pulsação acelerada, segurando nas mãos da
mulher. Seus olhos castanhos refletiam um medo profundo e indescritível.
— EU O VI! — exclamou Rafael.
— O que aconteceu? — perguntou Luna.
— O Homem De Olhos Vermelhos, estava
perambulado no lado de fora da nossa casa, Luna. Ele estava nos vigiando,
através da fresta da janela e eu pude o enxergar, eu consegui enxergar a
maldade daquele homem. Ele não é nenhuma mentira, ele não é nenhuma lenda, ele
é real e está com sede de sangue, com sede de retaliação. — Rafael tomou um
pouco da água que estava no copo, com milhares de questões invadindo a sua
mente. — Ou será que estou ficando louco? Será que estou descompensado?
Três batidas na porta cortaram o diálogo
entre Luna e Rafael, mergulhando-os em um silêncio tenso. Ninguém esperava uma
visita às três horas da manhã. Com o coração acelerado, eles decidiram não
responder de imediato, temendo o que poderia estar à espreita. Rafael
levantou-se do chão, pegando a arma escondida em uma das gavetas e colocando-a
na cintura.
As batidas continuaram, mais fortes e
insistentes, até que uma voz masculina ecoou do lado de fora, aliviando um
pouco a tensão de Rafael.
— Delegado, aqui é o Henrique Macedo da
Polícia Rodoviária! O senhor consegue me atender?
Rafael trocou um olhar com Luna,
percebendo a preocupação ainda visível nos olhos dela. Aproximou-se da porta,
mantendo a mão firme na arma, mas tentando manter a calma na voz.
— Um momento, por favor! — Rafael
respondeu, tentando manter a compostura enquanto se preparava para abrir a
porta.
Um pequeno sorriso tomou conta dos rostos
do casal. Rafael deixou a esposa no quarto, sozinha, e seguiu em direção à
porta de entrada. Ao abri-la, ele encontrou Henrique Macedo, segurando seu
distintivo, acompanhado de um colega de trabalho e do Sr. Chico, que logo
revelou ser o único corajoso o suficiente para sair na noite de lua cheia.
— O HOMEM DE OLHOS VERMELHOS! — brandou
Chico para o delegado.
Henrique tomou a dianteira na conversa.
— Rafael, esse homem está falando sobre o
Homem de Olhos Vermelhos — explicou Henrique. — Eu e meu colega estávamos indo
para Porto Seguro e, na pista, logo em frente à delegacia, encontramos um
caminhoneiro, morto! A cena é digna de um filme de terror. Estamos tentando
ligar para o IML, mas, nesse fim de mundo, não há sinal de telefone. Queríamos
usar o da delegacia. Por isso, vim te incomodar nesse horário. Aquele homem
pode ter uma família, filhos. Não acho certo manter um corpo exposto até o
amanhecer, por causa de um folclore do interior.
Rafael sentiu um calafrio percorrer sua
espinha enquanto as palavras de Henrique ecoavam em sua mente.
— Certo, vamos até a delegacia — disse
Rafael, tentando manter a calma. — Luna, vou sair um instante. Não abra a porta
para ninguém, ok?
Luna assentiu, ainda preocupada, e Rafael
seguiu os homens até a delegacia. O que ele viu o deixou estático: o corpo de
um senhor, com seus quase sessenta anos, contorcido sob a luz pálida da lua. O
sangue não escorria mais pelos ferimentos, como se tivesse sumido de suas
veias. Os homens se aproximaram um pouco mais, observando as marcas de dentes
que pareciam ser de um ser humano ou de um animal selvagem, devido à
profundidade das mordidas que haviam atingido as artérias do pescoço. A fumaça
do veículo ainda invadia o ar.
Rafael entregou as chaves da delegacia nas
mãos de Henrique, que foi fazer a ligação, deixando-o sozinho ao lado de Chico.
— Ele está correndo atrás do hospedeiro! —
Chico exclamou, a voz tremendo de pavor. — Ele não vai parar tão cedo, está com
muita sede. Será capaz de matar qualquer pessoa, qualquer animal para se
saciar. A escuridão vai dominar o nosso vilarejo novamente, como aconteceu em
1979. Esse filho da puta não vai parar!
Rafael sentiu um arrepio percorrer sua
espinha. As palavras de Chico eram carregadas de desespero, mas também de uma
certeza aterradora.
— Que tipo de animal acham que pegou esse
pobre coitado? — indagou Henrique. — E não me venham falar que é uma espécie de
lobisomem ou de qualquer ser parecido, que isso não existe. Pode ter sido um
lobo, mas nunca soube de relatos de lobos aqui na costa do descobrimento.
Rafael não aguardou pelo IML, deixando os
colegas de trabalho conversando com Chico, enquanto ligava a picape para ver a
esposa. Não se sentia seguro em deixá-la sozinha. Sua mente foi invadida por
lembranças do casamento: Luna, radiante, com um vestido branco dominando a
capela, cercada de amigos e familiares. Sua beleza irradiava incerteza; ela não
estava preparada para o matrimônio, mas prometeu a Rafael no altar que o amaria
na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separasse. O
sentimento de Luna crescia a cada dia.
Ele estacionou apressadamente a picape e
saltou do veículo ao ver a casa aberta, sem nenhum sinal de arrombamento. Seus
passos ecoavam pelo silêncio dos cômodos enquanto gritava pelo nome de Luna,
sem obter resposta. O que ouviu, no entanto, gelou seu estômago: o rosnado de
Bob, como se estivesse encarando o próprio demônio, vindo do quintal. Rafael
não pensou duas vezes e sacou a arma da cintura, seguindo em direção aos
fundos, onde avistou O Homem de Olhos Vermelhos, uma figura assombrosa tentando
atacar seu animal.
O delegado nunca havia atirado em ninguém,
porém tinha uma excelente mira. Uma das balas acertou aquele ser empalidecido,
que sumiu velozmente na escuridão, deixando Bob tranquilo. A respiração de
Rafael estava entrecortada, seu corpo tenso e os sentidos aguçados diante da
ameaça inexplicável que agora assombrava seu lar. UMA PERGUNTA INVADIA SEU
PENSAMENTO: ONDE ESTÁ LUNA?
elenco
Luna Azevedo
Rafael Duarte
Mathias Castro
Dona Mocinha
Odete Azevedo
Cássio Vitorino
Vicente
Dr. Luiz
Admilson
Padre Miguel
Chico
Nassy Castro
participações especiais
Lúcia da Silva Pinto
Rubens Pinto
Aline Medeiros
David
Henrique
Inspirada na lenda de A Caçada Selvagem e no Lobisomem
direção
Carlos Mota

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