Ciclo 69 - dia 15 – Hoje - 11:00 p.m.
A sensação hoje é
diferente. Mag foi desativada, mas Tat não assumiu. A programação falhou. De
alguma forma Mag bloqueou os algoritmos de instalação, como seu último ato
antes da inativação.
Estou condenado, mas
impedi que a entidade assimilasse minha tripulação. Sei que agora estão em paz.
Restam-me apenas 27 minutos de oxigênio. Os gases tóxicos se acumulam.
Temperatura interna da nave caindo vertiginosamente. Minha visão turva. Minhas
mãos tremem e eclodem abalos musculares involuntários. Não sou mais capaz de
digitar. Volto a sussurrar. Espero que o gravador de voz possa captar minha
debilidade.
A missão acabou. A
presença alienígena porém, é mais forte. Viemos à procura de vida como a
concebemos. Quanta estupidez! A entidade me perscruta e me envolve. Tenta me
sufocar, ou talvez me entender. É curiosa. Me identifico com isso. Somos todos
curiosos, ou não teríamos chegado até aqui.
Consigo discernir agora
seus contornos. Vagueiam sensuais, como centenas de mãos voláteis a me tocar.
Matéria e energia, mancomunadas, cúmplices. Quase tenho prazer. Obrigado Deus, por
me permitir esta evolução. Choro, entretanto, pela incapacidade em me comunicar
da maneira habitual. Mas, sinto uma interação inexplicável.
Sou muito pequeno, minúsculo, e a CANOPUS irrelevante, nesta imensidão existencial. Perplexo, me perco em devaneios finais. Retorno à minha infância, aos cursos de astrofísica, à academia; à lembrança de meu pai e seus comprimidos; ao androide Roy e seus últimos momentos em meio à chuva, no download "Blade Runner"; à Dra. Kalo ... sua voz rouca... suas pernas longas e perfeitas... seu olhar lânguido era tudo que eu desejava... será que me daria alguma chance?
Ciclo 69 - dia 15 - 11:26 p.m.
Oxigênio zerando. Luto
pelo ar que já não possuo. Suo intensamente um fluido frio e pegajoso. Minhas pupilas
se dilatam em desespero, à procura da centelha de vida que me escapa.
Iluminação de emergência inoperante. Temperatura interna 39 graus negativos, e
caindo. Suporte de vida desativado. Eficiência térmica de meu traje declinando
a passos rápidos.
Imploro à forma
energética de vida — não me deixe sofrer — ela me entende, e me proporciona o
aperfeiçoamento. Meus tecidos se dissolvem. Sinto meu corpo etéreo, e minhas
moléculas se desprenderem. Meus átomos colidirem entre si. Meus radicais sendo
liberados. Sou inapelavelmente minguado, atraído, sugado. Flutuo, e atravesso
as múltiplas camadas da espaçonave. O zero absoluto. A escuridão absoluta. O
silêncio absoluto. Sou pura energia.
A CANOPUS se desintegra.
Nosso colosso espacial, nosso orgulho, nossa tecnologia de ponta... em
verdade... um nada! Não tenho mais olhos, mas, vislumbro afinal... o anel luminoso...
o horizonte de eventos!
Não há retorno. Cumpri
minha missão. Finalmente compreendo... o vazio ... o espaço... a criação...
elenco
Asa Butterfield como Major Pontes
George Clooney como Dr. Pontes
Livia Brito como Dra. Kalo
Mag
direção
Carlos Mota

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