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Boletim Virtual - 10x04: Entrevista com Marcelo Caronesi

Entrevista com Marcelo Caronesi
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NA EDIÇÃO DE HOJE DO BOLETIM VIRTUAL:

- Foi bastante triste ver vários colegas também tendo trabalhos vetados na Ancine, diz Marcelo Caronesi no Diário do Autor
- As últimas notícias no Giro Virtual com Ritinha
- Marcelo Delpkin visita "A Fazenda" Macabra em "Visão Crítica"
- Ocidente x Oriente na estrutura do Roteiro com Hans Kaupfmann no Entrelinhas.



  BOLETIM VIRTUAL - 10x04
 (SEXTA, 31 DE DEZEMBRO DE 2021)

   


FIQUE POR DENTRO DAS ÚLTIMAS NOTÍCIAS DO MV - por RITINHA

RITINHA:
 
Oieeeee, meninas e meninos. Turo bom? O BV tá de volta minha genteee. Depois de um pequeno hiatus tamo aqui de novo hihihihihi.


FOI UM SUCESSO

Gigi, cê acredita que a CCV voltou? Organizada pela WebTV, webtvplay e o blog da loira, o evento foi exibido entre os dias 2 e 5 de setembro. Com 30 produções em cartaz, a CCV reuniu entretenimento, jornalismo, podcast e dramaturgia em roteiro e literário. A Rajax, Widcyber, WebTV e webtvplay marcaram presença e o público foi ao delírio durante os 4 dias de evento.


CCV 2022 VEM AÍ

Ernestina, as inscrições da CCV 2022 já estão abertas, viu? O evento será exibido no segundo semestre de 2022 e vai contemplar produções com estreias agendadas entre o período de setembro de 2022 a fevereiro de 2023. O regulamento e link de inscrição podem ser acessados aqui. Já queroooooo.


+ ACESSADAS

Bete, a webtvplay liberou o ranking com as 15 obras mais acessadas em 2021. As produções "E Vamos à Luta!", "Cruel Summer" e "Estaca Zero" estão entre os 15 mais acessados. Quer conferir a lista completa? A titia ajuda. É só clicar aqui.


HIATUS

A OnTV e Megapro deram uma pausa nas atividades no último trimestre. A expectativa é que as atividades retornem em breve no MV.


DEU BOM

O reality show da Widcyber, Casa dos Autores, elaborado por Tales Dias reuniu autores novatos e veteranos. Sabe, Gigi, o elenco participou de várias provas e o público escolhia o eliminado da semana. O grande vencedor do programa foi o autor Douglas Aganetti.


GRANDES SUCESSOS

Bárbara, a faixa especial de séries da WebTV vai seguir. Escrita por André Esteves, "New Stages" vai substituir em janeiro a série "O Dom - Vidas do Árido" que chegou ao fim no dia 19 de dezembro. As chamadas já estão no ar.


CRONOGRAMA

Menina, a WebTV realizou algumas alterações nas estreias do cronograma divulgado na Comic Con Virtual. Confira as mudanças:

  • Estações da Vida - Programada para novembro, a nova temporada chega em fevereiro
  • Família Virtual - Programada para janeiro, a nova temporada chega em fevereiro
  • Podcast Antologia Lua Negra - Programada para janeiro, a nova temporada chega em fevereiro

PAUSA

Fifi, a webtvplay entrou em hiatus no dia 25 de dezembro e retorna em fevereiro de 2022. Ja WebTV terá um pequeno recesso entre os dias 1 a 13 de janeiro de 2022.


RITINHA: Por hoje é só. Voltamos na próxima edição com mais fofoca do nosso MV. Beijão e boa virada de ano suas gracinhas.




OCIDENTE X ORIENTE NA ESTRUTURA DO ROTEIRO - por HANS KAUPFMANN

A impressão que temos é que só temos “A Jornada do Herói” de Campbell ou os manuais de roteiro de Syd Field para nos guiar , mas no mundo temos muitas forma s de contar uma história

Para quem é aficcionado por uma estrutura de roteiros, conhece o mapa ocidental de divisão de uma obra em 3 atos. Mas com a ponte moderna entre as culturas, começamos a conhecer de perto os esquemas comuns a obras vindo do oriente no que diz respeito ao roteiro.

Uma forma que esta na moda discutir (até mesmo por quem nunca ouviu falar em roteiro) é a japonesa chamada “kishotenketsu”.

Diferenciando das formulas Hollywoodianas do: Situação, conflito, clímax , o “kishotenketsu” procura trabalhar  a Situação, Expansão, Contraste e Resultante. Tendo ou não um conflito, dependendo do gênero ou propósito do roteiro.

É uma diferença marcante que por vezes causou por muito tempo estranhismo aos nossos olhos ocidentais que fizeram demorar para mangás e filmes orientais tornarem populares com hoje. Mas com a internet e os milhões de consumidores da cultura japonesa, coreana e chinesa, temos muito bem inserido e até mesmo mimetizada tal estrutura.

Se fosse transformarmos tal estrutura em 4 imagens poderíamos imaginar um micro exemplo

1) Menino entra numa feira com uma moeda
2) Menino compra uma maçã
3) Moça bonita num banco de praça lendo um livro
4) Menino chega apaixonadamente e oferece a maçã pra moça.

Sem qualquer conflito contamos uma historieta, onde há um elemento surpresa no 3 ato e um desfecho no 4.

Podemos contar essa história de outra forma

1) Menino numa feira troca uma moeda por uma maça
2) Menino apaixonadamente parece estar levando a maça para alguém
3) Menino se frustra ao ver um casal se beijando na  praça a distancia
4) Menino da meia volta e come a maça.

Apesar de 4 cenas, as primeiras 2 estabelecem a situação, para a terceira termos uma revelação em forma de conflito e em seguida um clímax de decisão por parte do menino.

O primeiro exemplo “kishotenketsu”. Entendemos no final os objetivos dos atos iniciais sem necessariamente colocar obstáculos e forçando ao protagonista tomar decisões.  Enquanto o roteiro tradicional ocidental temos um herói, um conflito e sua resignação compensatória (perdeu a namorada, ganhou uma maçã)

Por incontáveis séculos, escritores chineses e japoneses têm usado uma estrutura que não se baseia em construção de conflito, por assim dizer. Ao invés disso, apoia-se em exposição e contraste para gerar interesse.

Da próxima ver um anime ou um filme de horror japonês, procure perceber essa divisão estrutural.

E você já imaginou, CRIAR sua própria estrutura?

 

MARCELO DELPKIN VISITA "FAZENDA" MACABRA EM "VISÃO CRÍTICA"

Olá, pessoal! Tudo bom com vocês?

O Boletim Virtual deu uma pausa, mas agora voltou recheado de entretenimento como é de costume. No último programa, prometi uma resenha de um famoso conto com nome de reality show, e aqui está.

 

 

Há alguns meses, Melqui Rodrigues “deu à luz” seu mais novo conto de terror, A Fazenda. Rolou até um diário de produção posterior à obra, também exibido aqui na Widcyber. O autor diz ter se baseado em histórias que o povo conta sobre uma fazenda pra lá de mal-assombrada. Além disso, é óbvio, colocou requintes de crueldade que são características de outros títulos de sua autoria, como em Estéfany e Vale Dicere. Vamos acompanhar os principais acontecimentos da história.

 

 

Parque da Barragem, divisa do Distrito Federal com Goiás, 1991. Bianca e Jeferson, recém-casados, acabam de se mudar para uma enorme fazenda. Enquanto ele procura um emprego na região, a esposa recebe a visita de Estêvão, um cavaleiro, que lhe diz sobre os mistérios que pairam sobre o local, como a presença de espíritos malignos e a prática de magia negra no terreno. A princípio, ela não dá atenção, mas as coisas começam a mudar quando ela encontra uma galinha morta à sua porta. É o bastante para Jeferson mudar completamente e se tornar alcoólatra e violento. Chega a agredi-la diariamente e rejeita a gravidez da moça. Até que, um dia, uma velhinha adverte sobre uma “morte no banheiro”. Dito e feito: não suportando os maus-tratos e sabendo que não consegue ajuda naquele lugar esmo, Bianca decide acabar com a vida do marido com golpes de machado, após fingir seduzi-lo com carinhos e cuidados. De fato, os espíritos manipulam a vida de todos que se mudem para a fazenda a fim de destruí-los e de manter o ambiente macabro. 

Anos depois. Luís se muda com a família para a mesma casa. Nenhum deles conhece a história do passado. Nada acontece de estranho, até que Sandra, a esposa, também tem um encontro com Estêvão, a quem também não dá ouvidos. Até que a menina Júlia tem sensações e ouve chamados, como na cena em que é atraída para um armário enquanto procura a boneca favorita, Sofia. Abre o móvel… e se assusta com a “amiga” enforcada e com um sinal de cruz invertida. A culpa recai nos irmãos mais velhos, Alex e Gustavo. Estes passam a sofrer na escola pelo fato de morarem na casa mal-assombrada. Os colegas praticam bullying contra o mais novo, e assim Alex se envolve em brigas para defender o outro. Mais tarde, Gustavo também fica horrorizado com uma musiquinha à la Poltergeist — sim, aquele clássico dos anos 80 tão macabro que matou o elenco na vida real.

 

 

Um, dois... Não olhe pra trás.
Três, quatro... Correr não adianta mais…

 

Aí me lembro daquele outro “chiclete”, do conto Os Estranhos Sussurros do Internato Santa Helena:

 

Um, dois, três… Bate na parede!

 

Voltando à Fazenda, os seres do mal começam a assustar as crianças em plena noite. Luís e Sandra tentam afastá-los, sem sucesso. Sabe ela que precisa da ajuda do pastor Alfredo, da igreja que eles frequentam — são mais religiosos que Bianca e Jeferson e, portanto, mais resistentes que estes. Após mais um episódio em que Gustavo tem uma convulsão na escola durante uma aula de números — a professora ensina de um jeito que o faz lembrar a maldita canção —, a família tem mais uma visita dos fantasmas. Desta vez, eles mantém Luís afastado da casa, trabalhando até bem depois do expediente.

 

 

Com isso, ameaçam matar Júlia com pedaço de garrafa quebrada e estuprar Sandra. Alex e Gustavo fogem, mas acabam se perdendo um do outro. É quando o mais velho fica possuído pelo mal. Ao voltar para casa, praticamente ao mesmo tempo que Luís, jura destruir os familiares e o pastor, levado até lá por Gustavo. Como Luís está blindado espiritualmente, o maldito não pôde usá-lo contra Sandra como fez com Jeferson e Bianca, então se apropriou do filho revoltado. O confronto entre Alex, Luís e Alfredo leva a uma nova tragédia, que só é resolvida, já muitos anos depois, por Júlia. E a fazenda é demolida. 

A Fazenda está escrita em formato narrativo, dividido em três atos. O primeiro tem Bianca como protagonista; a família de Luís se destaca nos outros dois. A descrição dos personagens é feita de forma mais direta nos dois personagens centrais do início e no pastor da fase de 2001; outros são mostrados de forma mais diluída, portanto mais fluida e interessante do ponto de vista literário, pelo menos a meu ver. Destaco as construções de Bianca e Sandra, além de Júlia, a quem considero a grande heroína do conto, o que é sinalizado mais ao final. 

As descrições vêm numa linguagem simples e direta, sem “enrolações”, e o autor também prefere, neste conto, não mastigar muito os estados de alma e os pensamentos dos personagens. É o estilo do Melqui, e funciona na maior parte da obra. Porém, houve trechos em que ele acelerou tanto a narração que me deixou um tanto confuso, como em passagens de tempo. Nada que um novo parágrafo ou uma ou duas frases a mais não resolvam. Inadequações gramaticais também estão presentes, como na grafia do nome da boneca com inicial minúscula (“sofia”) e na falta ou excesso de algumas vírgulas em meio aos diálogos, por exemplo. No mais, um texto bem escrito e formulado. As ideias se encaixam do início ao fim. Se há pontas soltas, elas são poucas e não comprometem no enredo nem no suspense. As sequências em que as personagens encontram cuias com velas ou bichos mortos arrepiam até os leitores mais frios. Isso sem falar nos banhos de sangue e nas partes em que Sandra e Bianca tentam lavar o sangue do banheiro. De dar calafrios.

 

 

Se gostou da apresentação que fiz do conto, dê uma corridinha na Widcyber e na Webtvplay e leia a obra completa. A Fazenda promete levar muitos prêmios, mas, principalmente, conquistar você, leitor(a/e). Aproveitem e leiam também o especial Além da Fazenda, com os bastidores da escrita. O autor conta ali a história real por trás da ficção. 

Antes da despedida… Vocês que fizeram o Enem no último domingo (22), o que acharam do tema da redação sobre a certidão de nascimento e a exclusão como cidadão de quem não a tem? Foi tenso produzir o texto, não? Tema fácil de pensar e difícil de argumentar. Um passarinho me contou que os textos das questões objetivas também estavam enooooooormes, maiores que os episódios das séries da Maureen Prescott. Será?

 

 

Bem, é isso. Em janeiro, nos vemos com a primeira resenha de 2022. O alvo já está escolhido, mas só vou contar no próximo programa. Deixo vocês ansiosos (risos). 

Até a próxima! Fiquem com a continuação do Boletim Virtual e apreciem sem moderação.

 


FOI BASTANTE TRISTE VER VÁRIOS COLEGAS TAMBÉM TENDO TRABALHOS VETADOS NA ANCINE, diz MARCELO CARONESI

Ele nasceu em Jacareí. Em 1994 o novo destino foi a capital da Paraíba, João Pessoa. Formou-se em Licenciatura em História. Da área de formação, Marcelo Caronesi, escreveu apenas o TCC, iniciando logo a escrita de ficção; primeiro em formato de roteiros de audiovisual e, posteriormente, contos e romances. O longa-metragem "Amor(es)", baseado numa situação real, esteve perto de ser produzido, porém, foi inviabilizado em 2019 junto à Ancine. Além disso, Caronesi escreveu quatro roteiros de longa-metragem, sete de curta-metragem, três e-books de contos e atualmente trabalha em outros projetos de contos, romances, roteiros para audiovisual e teatro.




MARCELO CARONESI: Opa. Boa noite. Obrigado pelo convite, Gabo.

GABO: Marcelo, como surgiu a oportunidade de escrever seu primeiro projeto? No início sempre encontramos algumas dificuldades que no futuro vão servir como aprendizado. O que você pode destacar que marcou no início?

MARCELO: O primeiro trabalho que escrevi foi baseado num evento real que aconteceu com uma tia-avó na década de 1930. Ela casou, não teve filhos e quando faleceu, em 1984, em Santos, o marido dela foi morar perto da gente em Jacareí. Depois do falecimento dele, as coisas dela ficaram com a minha mãe. E desde 2010 tudo que era da minha mãe, do meu avô e da minha tia-avó ficaram comigo. Eram coleções de livros, enciclopédias, cadernos de anotações. Dentre essas coisas, tinha um caderno de poemas datado de 1937. Pesquisei na internet o nome da autora, pois não era ninguém da família, e descobri uma historiadora em Santos que me falou mais sobre a poetisa e o contexto daquele caderno de poemas que contava uma história de amor. De lembranças de infância e do conteúdo do caderno de poemas escrevi o roteiro de "Amor(es)", que teve um contrato com uma produtora de São Paulo. Chegou na fase de desenvolvimento, mas terminou vetado na Ancine, em julho de 2019, por causa da temática LGBT.

GABO: Como você reagiu e qual a sua opinião sobre o veto da Ancine pela temática da história?

MARCELO: Continuamos trabalhando nos tratamentos do roteiro até outubro de 2019, porque a produtora-executiva ainda achava que tinha como colocar no edital do PROAC, mas paralisamos os trabalhos neste mês. A minha reação foi de frustração, não só porque era meu primeiro roteiro, tinha uma trama muito interessante, mas foi bastante triste ver vários colegas também tendo trabalhos vetados na Ancine por motivações ideológicas do atual governo. No meu caso, logo após o resultado da eleição de 2018, eu já fui me preparando para algum tipo de censura. Infelizmente é triste ver a situação atual, não só do audiovisual, como da Cultura como um todo, que teve um Ministério transformado em Secretaria. Um exemplo do descaso, foi o incêndio da Cinemateca.

GABO: Marcelo, como você analisa o preconceito na literatura brasileira na temática lgbt em relação a outros países? Você acredita em uma mudança no Brasil?

MARCELO: Alguns países tratam a temática LGBT com mais naturalidade. No caso, tanto do Brasil como outros países da América Latina, essa temática é combatida por grupos conservadores, extremistas, reacionários, devido aos avanços que vários movimentos sociais conseguiram desde o final dos anos 1990 e início dos 2000. Em 1995, houve a IV Conferência Mundial sobre a Mulher: Igualdade, Desenvolvimento e Paz. Nessa conferência foi estabelecida a luta pela igualdade de gênero, principalmente pelos movimentos feministas. Houve fortes reações da Igreja Católica e neopentecostais. Devido aos avanços dos movimentos LGBT, criaram os grupos reacionários criaram a "ideologia de gênero" como forma de criar pânico moral e alguns grupos poderem capitalizar politicamente em cima. Então os atritos que há hoje no Brasil de grupos conservadores/reacionários contra os movimentos feministas e LGBT, são parte de projeto político, tendo o medo como plataforma eleitoreira. Infelizmente, eu não vejo uma mudança positiva a curto prazo, nem pros movimentos LGBT, nem pros movimentos feministas, nem pros praticantes das religiões de matriz afro. O impacto da extrema-direita no Brasil vai deixar algumas feridas que vão demorar bastante tempo para cicatrizar.

GABO: Como e quando você descobriu o mundo das emissoras virtuais? O que mudou desde a sua chegada?

DIEGO SILVA: Eu descobri mesmo em 2018, quando comentava novelas, aí comecei a fazer amizades com outros escritores, que me incentivaram a escrever .

Acho que desde a minha chegada, mudou a minha forma de ver as obras, já que até mesmo me tornei mais exigente com outros autores.

GABO: Atualmente você publica a novela literária Funerária Dois Irmãos, aqui na WebTV. Qual foi a sua primeira impressão ao encontrar uma emissora virtual que publica histórias em roteiro e literário para o público apreciar?

MARCELO: Eu fiquei bastante feliz quando Funerária Dois Irmãos foi escolhida para ser apresentada na WebTV. O trabalho da WebTV é muito valioso, pois dá a chance de autores desconhecidos como eu, terem os seus trabalhos lidos por outras pessoas. O meio literário é muito difícil, porque a procura maior é por autores conhecidos. E eu fico chateado em ver que Funerária Dois Irmãos nunca teve nenhum exemplar de e-book vendido. E nem é pela questão de dinheiro; hoje em dia, são pouquíssimas pessoas que conseguem viver somente de literatura e de roteiros. A maioria trabalha em outra coisa e escreve mais como hobby. A questão é que o autor quer que seu trabalho seja lido. Ninguém quer escrever e ficar com o trabalho esquecido. A WebTV está de parabéns por dar oportunidade de leitores conhecerem trabalho de autores anônimos.

GABO: Falando em construção de história e inspirações, quais são as suas referências? Como surgem as suas histórias em roteiro e literário?

MARCELO: Eu procuro ler de tudo. Gosto muito dos contos e também das adaptações para audiovisual das obras do Nelson Rodrigues. Funerária Dois Irmãos eu escrevi mais como nostalgia da minha infância no Vale do Paraíba e por gostar da mescla de Comédia, Suspense, Humor Negro. Em outros contos eu procuro usar alguns conceitos que criticam coisas como hipocrisia, falsidade, enganação, falso moralismo, etc. Um amigo está revisando, e logo que ele terminar, eu vou publicar como e-book uma coletânea de contos, que vai ter essa pegada. Um outro amigo que me ajuda a arredondar as estórias disse que realmente o meu estilo é inspirado no Nelson Rodrigues. Eu não vou mentir; eu uso como referências até Hermes e Renato e Family Guy. E nesta coletânea têm contos que são baseados em histórias reais. Mas eu também estou escrevendo um romance baseado numa mitologia Tupi. Eu gosto de escrever coisas como humor ácido, mas também gosto de tratar de assuntos sobre questões existenciais e filosóficas.

GABO: Entre o roteiro e literário com qual estilo e formato você se sai melhor. Quais pontos positivos e negativos você pode destacar entre os dois?

MARCELO: O maior problema dos roteiros é a limitação orçamentária. O roteiro, quase sempre precisa ser escrito pensando em não deixar o projeto muito caro. Até o "Amor(es)" teve vários cortes durante os tratamentos para poder baratear a produção. No caso de contos, novelas ou romances, não se tem esse problema. O ponto positivo da escrita literária é poder escrever sem ficar pensando em limitação orçamentária. E hoje em dia, temos a vantagem de poder publicar em plataformas digitais como e-books. O meu conselho é que um autor escreva as duas coisas ao mesmo tempo. Da coletânea de contos que vou lançar em breve, alguns eu já estou preparando para escrever no formato de roteiros para curtas-metragens. Não custa tentar. E lógico: sempre pensando em limitação orçamentária.

GABO: Como surgiu a obra "Funerária Dois Irmãos" e qual nostalgia a obra remete a sua infância? 


MARCELO: "Funerária Dois Irmãos" surgiu primeiro como roteiro logo depois de "Amor(es)". Eu pensei em como seria a vida de dois bandidos perigosos escondidos numa cidade pequena, numa época em que as cidades pequenas ainda eram tranquilas. Eu pesquisei sobre o primeiro grande assalto a banco no Brasil, lá pelos anos 1950, e achei uma boa ideia colocar os dois, se passando por irmãos, numa cidade pequena. Eu já tinha decidido o início e o final. Sabia que nessa época muitos lugares eram atingidos por epidemias de sarampo, varíola, tétano, tifo. Então, juntando o assalto, a criação da casa funerária e o final, faltou só criar as situações. E tudo fluiu muito bem. Tanto que revisei o roteiro, não precisei fazer muitas alterações e pra transformar em conto foi bem legal. Por ter nascido em Jacareí e passear por várias cidades tanto do Vale quanto da Serra da Mantiqueira. Eu fui colocando alguns personagens e situações que me trazem boas lembranças: o bar (onde meu pai e os amigos paravam em Santa Branca quando iam comprar pinga), os violeiros, os caipiras. Acho que só faltou colocar um carro de boi na estória.

GABO: Você se identifica com os irmãos Odílio e Odilon? Vocês possuem alguma características em comum?

MARCELO: Odilon era o irmão mais velho da minha avó materna. Eu coloquei o nome como homenagem a ele. Odílio foi porque eu queria um nome parecido com Odilon. Eu não chego a ter alguma característica com os protagonistas, mas simpatizo com o jeito do Odilon. Talvez a semelhança mais evidente que tenha entre eu e ele seja preferir viver a vida de uma maneira mais simples. "Funerária Dois Irmãos" foi uma estória que eu gostei tanto, que tenho feito até alguns esboços de personagens, pensando numa continuação, porque fiquei com saudades de São Pedro da Cachoeira, das pessoas, das situações.

GABO: Você passou por algum bloqueio criativo durante a história? Conta pra gente alguma curiosidade sobre os bastidores de Funerária Dois Irmãos.

MARCELO: "Funerária Dois Irmãos" me deixou muito à vontade pra escrever, praticamente com as situações "brotando" na minha cabeça. Eu criei os personagens e sabia o que queria fazer. Mas parecia que os personagens iam me mostrando novas situações, que eu não tinha pensado e vieram à cabeça na hora em que estava escrevendo. Se eu não fosse agnóstico, poderia dizer que alguns trechos até foram psicografados. A mesma coisa aconteceu com "Amor(es)". Na época em que escrevi esses dois trabalhos eu trabalhava num condomínio em Campina Grande, no período noturno, das 18 até as 6 do dia seguinte, numa escala de 12x36. Então eu tinha dois dias livres pra ler, assistir filmes, pensar, refletir, sobre o que estava escrevendo. Talvez o que mais atrapalhe e cause bloqueios criativos sejam problemas externos, estresse, problemas financeiros, pessoais, um esgotamento mental. Hoje eu tenho mais dificuldades em me concentrar para escrever justamente porque trabalho como freelancer e presto alguns trabalhos administrativos pro meu cunhado. Então, a falta de uma renda fixa causa alguns bloqueios, porque a questão financeira é o que mais me incomoda. Eu tenho pavor de ficar devendo.

GABO: Quais são seus planos para o futuro no ramo da escrita?

MARCELO: Eu estou com a coletânea de contos para publicar em breve. Estou retomando o trabalho com um romance baseado numa lenda mitológica Tupi, e penso em uma continuação para "Funerária Dois Irmãos".

GABO: Quem é Marcelo Caronesi fora do Mundo Virtual?

MARCELO: Marcelo Caronesi fora do mundo virtual é uma pessoa simples, que sempre quer estar com a família, com os amigos. Que pensa sempre em progredir. Eu terminei o curso de História há 10 anos e decidi fazer uma pós-graduação em Antropologia Brasileira. Espero que o meu TCC vire livro, porque queria muito escrever alguma coisa científica também.

GABO: Chegou a hora do nosso bate-bola jogo rápido. Preparado?

MARCELO: Vamos lá.

BATE-BOLA:

ROTEIRO: Conhecimento
LITERÁRIO: Criação
ESCREVER: Viagem
ODILON: Esperto
ODÍLIO: Inocente
FUNERÁRIA DOIS IRMÃOS: Satisfação
FRASE: Faça você mesmo
MARCELO POR MARCELO: Historiador, antropólogo, escritor, roteirista, anarquista, libertário, antifascista e santista

GABO: Marcelo, deixe uma mensagem para o público.

MARCELO: Eu quero desejar um ótimo 2022 para todos. A gente está num momento difícil, mas vai passar; tudo passa. Até lá, vamos seguir usando máscara, álcool em gel, e evitar aglomerações. Logo, tudo vai melhorar. Quem se interessar pelo meu trabalho, pode me procurar no Facebook, no Instagram; é só pesquisar por Marcelo Caronesi. É lá que eu publico novos trabalhos e também matérias do meu blog, onde falo sobre literatura, cinema, curtas-metragens nacionais, curiosidades históricas, cultura pop. Pra quem quiser se inscrever, o endereço é marcelocaronesi.blogspot.com

GABO: Valeu, Marcelo. Parabéns pela estreia da novela literária "Funerária Dois Irmãos". O Boletim Virtual fica por aqui. Galera, que 2022 venha com muita saúde e prosperidade à todos. Voltamos em janeiro, aqui na WebTV. Boa noite.


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