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Passos da Paixão - Capítulo 22

Novela de Édy Dutra
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PASSOS DA PAIXÃO - CAPÍTULO 22

 
 
 
 
 
NO CAPÍTULO ANTERIOR:
 

VITINHO: - Mas esses desenhos são os desenhos da Rosana... Madame corre aqui!

Rosana não dá ouvidos, espalha gasolina pelo galpão.

VITINHO: - Madame!

ROSANA: - Cala a boca, Vitinho! Agora eu não posso...

VITINHO: - Você precisa ver isso, vem... (olha para Rosana, se assusta) Você já está espalhando isso?!

ROSANA: - É óbvio! Não quero ficar nem mais um minuto aqui dentro. Essa gente vai aprender que com Rosana Gonzales não se brinca!


Vitinho se afasta, se aproxima de Rosana, que limpa as mãos na roupa. Em seguida, acende um fósforo e joga no chão. Em pouco tempo, o fogo começa no galpão.

 

 

 

CENA 01. GALPÃO CARIOLINDA. INT. / EXT. NOITE 

Continuação do capítulo anterior. Rosana coloca fogo no galpão. Em pouco tempo, as chamas se espalham. 

VITINHO (apavorado): - Vem madame! Vem! 

Vitinho sai correndo. Rosana ainda observa, com olhar satisfeito. Quando vai sair do galpão, ela esbarra num dos manequins e cai no chão. Vitinho volta para ajudá-la. 

ROSANA: - Droga! Tira essa coisa daqui! 

Vitinho ajuda Rosana a levantar e os dois saem apressados do galpão. Do lado de fora, eles entram no carro. 

ROSANA: - Anda logo, Vitinho! Vamos embora!

VITINHO: - Tem certeza que não vão descobrir que foi a gente?

ROSANA: - Só vão descobrir se você ficar parado aí e não ligar logo esse carro! 

Vitinho liga o carro e arranca com o veículo. O incêndio já toma grandes proporções. 

CENA 02. CASA TEREZA. INT. NOITE. 

Tereza e Júlio conversam na sala. Tereza arruma o sofá para Júlio dormir. 

JÚLIO: - Muita gentileza sua, Tereza, me deixar ficar aqui.

TEREZA: - Era o mínimo que eu poderia fazer por você, Júlio. Ficar naquele hotel vagabundo não dá não...

JÚLIO: - É, lá é dureza mesmo.

TEREZA: - Aqui você fica perto do galpão, tem tudo em volta. E tem companhia. 

Os dois trocam olhares. De repente, a campainha toca. 

TEREZA: - Quem será à essa hora? 

Tereza atende. É Janice, que entra na casa afoita. 

TEREZA: - O que foi, Janice?

JANICE: - O galpão gente! Corre lá porque ta pegando fogo!

JÚLIO: - Fogo?!

JANICE: - É! 

Os três saem apressados. 

CENA 03. GALPÃO CARIOLINDA. EXT. NOITE. 

O corpo de bombeiros já está no local apagando o incêndio. Diversas pessoas estão em volta. Júlio, Tereza e Janice chegam. Sílvia, Laerte e Almir estão no local. 

TEREZA (entristecida): - A minha grife!

JÚLIO: - Mas como isso, meus Deus?!

ALMIR: -  Não se sabe o que pode ter causado o incêndio.

LAERTE: - Tinham seguro pelo menos?

JÚLIO: - Ainda não. Eu ia fazer nesses próximos dias.

SÍLVIA: - Estava tudo indo tão bem... Vamos ter que começar do zero, novamente.

TEREZA: - Mas eu não desisto nunca! Agora que eu provei do trabalho de erguer a marca, vou até o fim! Não há fogo que destrua os meus sonhos.

JANICE: - Isso mesmo, Tereza. Não pode desistir! E no que precisar, eu e o Almir estamos aqui pra ajudar, ta? 

Janice abraça Tereza, confortando-a. Sílvia e Júlio conversam próximos. 

JÚLIO: - Mais essa desgraça na minha vida. Será que nada de bom pode acontecer pra mim?

SÍLVIA: - Não fala assim, Júlio! As coisas vão se resolver.

JÚLIO: - Sempre que eu acho que vou vencer, levo uma rasteira.

SÍLVIA: - Olha só... Agora você não está mais sozinho. Tem a Janice, Almir, Tereza... E eu. 

Os dois trocam olhares. Laerte se aproxima de Sílvia. 

LAERTE: - Vem, Sílvia, vamos pra casa. Não há o que possamos fazer aqui.

SÍLVIA: - Vamos sim, Laerte. 

Sílvia se afasta. Júlio observa Sílvia partir, vai atrás dela. 

JÚLIO: - Sílvia!

SÍLVIA: - Sim?

JÚLIO: - Conversamos amanhã, na casa da Tereza?

SÍLVIA: - Claro... 

Laerte puxa Sílvia para continuar caminhando. Júlio os observa sair. 

CENA 04. CASA MAURO. SALA DE ESTAR. INT. NOITE. 

Rosana e Vitinho estão sentados no sofá, um tanto cansados. 

ROSANA: - Foi tanta correria que até perdi meu brinco... Vou ter que comprar uns seis pra compensar.

VITINHO: - E eu acho que vou comprar um remédio pra dormir. Não preciso de adrenalina por um bom tempo.

ROSANA: - Ai Vitinho, isso nem foi nada. Você não sabe o que é passar por uma boa dose de adrenalina.

VITINHO: - Você já passou por coisa pior? 

Leocádia ia entrar na sala, mas para, para ouvir a conversa. 

ROSANA: - Ah... Digamos que já passei por poucas e boas. Mas graças a Deus, me safei de tudo.

VITINHO: - Então você já fez esse tipo de coisas mais vezes, madame? Nossa!

ROSANA: - Fala baixo e olha só, segredo hein! Ninguém pode saber disso. 

Leocádia entra na sala. 

LEOCÁDIA: - Chegando a essa hora em casa, segredinhos...

ROSANA: - E você de novo ouvindo as conversas, dona Leocádia? Vou colocar você na Polícia Federal, ou no serviço de inteligência, na ABIN. Só na escuta, só na escuta... Mauro já chegou?

LEOCÁDIA: - Ainda não.

ROSANA (levanta-se): - Bom, então eu vou subindo, tomar um banho de banheira bem relaxante pra esperar meu maridinho... Nos vemos amanhã, Vitinho?

VITINHO (levanta-se do sofá): - Claro, madame. Boa noite para vocês! 

Vitinho vai embora. 

ROSANA: - Ao invés de ficar cuidando da minha vida, deveria era dar um jeito de tratar à louca da sua filha.

LEOCÁDIA (segura Rosana pelo braço): - Dobre a língua pra falar da Celeste, está ouvindo?

ROSANA: - Por quê? Estou falando alguma mentira? Nem você sabe o problema que a sua filha tem. Ela está ficando louca, está todo mundo vendo. (soltando-se) Cuidado, Leocádia. Qualquer dia desses, ela vai querer te atacar! 

Rosana sai. Leocádia a encara, furiosa. 

CENA 05. CASA SELMA E GILSON. SALA DE ESTAR. INT. NOITE. 

Mauro e Gilson saem do escritório e chegam à sala de estar. Selma está sentada no sofá. 

SELMA: - Até que enfim acabou essa reunião!

GILSON: - Muitas coisas para tratar, Selma. O Rio Moda está chegando.

SELMA: - É verdade! Mauro, o que a Rosana está preparando para a GF? Adoro o trabalho dela. Mas o Gilson não me fala nada!

MAURO: - Não fique brava comigo, Selma, se eu te disser que também não sei o que vem por aí! (risos) Rosana é sempre uma surpresa, e graças a Deus, ótima surpresa. Aliás, Rosana tem se saído uma ótima visionária também.

GILSON: - Como?

MAURO: - Ela anda tendo umas ideias que, depois eu fiquei pensando, acho que podem dar certo.

GILSON: - Que ideias, Mauro? Isso você não me disse...

MAURO: - Nós conversamos sobre a seleção da GF, onde a Melissa foi escolhida, falamos sobre novos talentos... E aí a Rosana deu a sugestão da criação de um fundo para ajudar na formação de novos talentos para a moda. O Fundo Pró-Moda.

GILSON: - Nossa, que ideia fantástica!

MAURO: - Vamos abrir o fundo para quem quiser investir, tanto empresas quanto pessoas. Esse dinheiro vai para a realização de cursos profissionalizantes para formar profissionais da moda.

SELMA: - Eu sempre soube que a Rosana era muito mais do que uma grande estilista. É também uma mulher de negócios!

MAURO: - E eu me casei com ela sem saber disso, Selma! (risos)

GILSON: - Vamos pensar nessa proposta, estruturar. Já tem aqui o primeiro investidor.

MAURO: - Que maravilha! 

CENA 06. TRANSIÇÃO DO TEMPO. AMANHECER / CASA IVAN. INT. DIA. 

Imagens do Rio de Janeiro ao amanhecer. Corta para a casa de Ivan. Na sala, Ivan organiza seu material para seção de fotos. Cristóvão está no local, sentado num banco, consertando sapatos. 

CRISTÓVÃO: - E onde você vai tirar as fotos? É aqui no Rio mesmo?

IVAN: - É sim, pai. Na Lagoa.

CRISTÓVÃO: - E é o que? Serviço da agência?

IVAN: - Não, não. Mais um casamento. Da Geórgia, aquela minha amiga que eu falei.

CRISTÓVÃO: - Claro, sei sim. (levanta-se) Veja só meu filho, sapato novinho em folha.

IVAN: - Belo trabalho, pai!

CRISTÓVÃO: - Agora eu vou lá levar esse par pra Ilza. Ela deve estar ansiosa pra ver como ficou.

IVAN: - E o senhor ansioso para ver a dona Ilza.

CRISTÓVÃO (disfarçando): - Ih, nem sei do que você está falando, Ivan...

IVAN: - Mas eu sei, seu Cristóvão! (risos)

CRISTÓVÃO: - Eu e a Ilza somos apenas amigos. Tenho a Amália e a Marília como se fossem minhas filhas.

IVAN: - Então! As meninas suas filhas, e a dona Ilza sua companheira, que tal?

CRISTÓVÃO: - Você tem cada ideia, Ivan!... 

Cristovão vai saindo. Ivan ri. 

CENA 07. BAR DO NOEL. INT. DIA. 

Almir e Laerte conversam na mesa do bar.

ALMIR: - Coisa triste esse incêndio hein... Justo agora que o Júlio estava tomando jeito na vida.

LAERTE: - O Júlio deveria era tomar jeito bem longe daqui. Eu nunca quis saber da Sílvia metida nessa história.

ALMIR: - Ela pediu mesmo para que a gente guardasse segredo da participação dela na volta da grife.

LAERTE: - Na verdade, ela não quer que a (pausa), bom, deixa pra lá... É preciso ter um jeito da Sílvia se afastar do Júlio. Não é boa coisa essa proximidade.

ALMIR: - Ciúmes, Laerte?

LAERTE: - Instinto de proteção, Almir... Não existem milagres para uma pessoa mudar da água pro vinho, como o Júlio diz ter mudado.

ALMIR: - Sei lá... Ele me pareceu mesmo um novo homem, de verdade. Empolgado com a nova empreitada, junto com a Tereza e a Silvinha.

LAERTE: - É, mas a Silvinha não vai mais fazer parte desse grupo. Não mesmo.

Chegam alguns clientes no bar.

ALMIR: - Dá licença que eu vou atender os clientes, depois conversamos.

Almir sai da mesa. Laerte fica sozinho, bebericando um copo de café, quando Karina se aproxima. Ela fica parada na porta, mas próxima da mesa. Os dois trocam olhares, e conversam, discretamente.

LAERTE: - Tá sumida.

KARINA: - Trabalhando muito.

LAERTE: - Imagino o tipo de trabalho...

KARINA: - Coisa decente, ta legal? E to ganhando bem.

LAERTE: - Deve estar mesmo, pra esquecer de mim aqui... Vivia me dando mole, agora mal me olha.

KARINA: - Ai Laerte, a gente só não foi mais a fundo porque você não quis. Aquele velho papinho de, “ah, você tem idade para ser minha filha”... Passei da fase que só beijo na boca me satisfazia.

LAERTE: - Então você quer ir além? 

Karina abre um sorriso, malicioso. 

LAERTE: - Você tem meu telefone. Me manda uma mensagem. Pra você estou sempre pronto.

KARINA: - E depois grita aos quatro cantos que ama a Silvinha.

LAERTE: - Amor e sexo são coisas que é possível separar... Você aprende com o tempo... (levanta-se) Agora eu preciso resolver uns assuntos aí. Mas vou esperar o seu contato. 

Laerte sai. Karina o observa, pensativa.

CENA 08. GALPÃO CARIOLINDA. INT. DIA.

Júlio, Tereza, Sílvia e Janice estão no galpão, conferindo o que sobrou do incêndio.

JÚLIO: - Nossa, tudo às cinzas...

JANICE: - Pior que os tecidos quase todos foram atingidos. Dá pra aproveitar pouca coisa que estava guardada mais lá ao fundo, aonde o fogo não chegou.

TEREZA: - Ai que dó... Começar do zero novamente.

JÚLIO: - Nós vamos conseguir, Tereza.

TEREZA: - Com você do meu lado, eu acredito, Júlio.

Tereza acaricia o rosto de Júlio, sorri meiga pra ele, que corresponde. Júlio se afasta, se aproxima de Sílvia, que está próxima da porta de entrada.

JÚLIO: - Está aí tão quieta. Pensando no quê?

SÍLVIA: - Tentando achar uma resposta para tudo isso. Mas não há outra a não ser o trabalho.

JÚLIO: - Os bombeiros disseram que a estrutura do prédio não pode ser reaproveitada. Teremos que reformar tudo. Vai ser preciso muito dinheiro.

SÍLVIA: - Coisa que nós não temos... Mas temos um ao outro, o que já é grande valia para que o recomeço seja promissor.

JÚLIO: - Você sempre muito otimista, positiva.

SÍLVIA: - É preciso acreditar no bem, Júlio, nas coisas boas que a vida pode nos proporcionar. Deus escreve certo por linhas tortas... Vai ver está aí à resposta. A gente precisava desse baque para poder erguer a cabeça e começar novamente, vir mais forte.

JÚLIO: - Eu tenho certeza que faremos isso. Você do meu lado só me dá mais força. 

Júlio abraça Sílvia, que fica surpresa. Aos poucos, ela o abraça também. Tereza, de longe, observa, mas disfarça. Júlio se afasta. 

JÚLIO: - Obrigado, por tudo.

SÍLVIA: - Não precisa agradecer. Faço porque gosto. É com amor.

JÚLIO: - Eu preciso dar uma saída, mas logo eu volto aqui. 

Júlio sai. Sílvia se aproxima de um manequim caído no chão, junta a estrutura. De repente, ela observa um brinco caído. 

SÍLVIA (pensativa): - Esse brinco... 

CENA 09. CASA MARÍLIA. SALA. INT. DIA 

Cristóvão leva os sapatos para Ilza. Os dois estão na sala. Amália também está, sentada no sofá, lendo uma revista. Pedro está na mesa, próximo, estudando. 

ILZA: - Ficaram lindos, Cristóvão! Olha só Amália, que lindos!

AMÁLIA: - Ficaram bons pelo visto. Agora, bonitos eu já não posso dizer, mamãe. Esses sapatos são mais velhos que esta casa.

ILZA: - Mas são de grande estima pra mim... Obrigada, Cristóvão! Nem sei como agradecer!

CRISTÓVÃO: - Mas eu sei. Aceita um sorvete no shopping?

ILZA: - Está me convidando para sair?

CRISTÓVÃO: - Sim, vamos dar uma volta, Ilza, ver pessoas.

PEDRO: - Aceita logo, vovó... A senhora fica o tempo todo só cuidando desse jardim. Precisa cuidar um pouco de você.

AMÁLIA: - Pedro, não se meta!

PEDRO: - Só acho que ela deve aceitar.

ILZA: - Tudo bem, eu aceito! 

Ilza vai até a estante, pega sua bolsa. 

ILZA: - Estou pronta!

CRISTÓVÃO: - Então vamos!... Até logo pessoal! 

Cristóvão oferece o braço para Ilza, que aceita. Os dois saem, alegres. 

AMÁLIA: - Você não tem que ficar dando corda para a sua avó, Pedro. Onde já se viu, a mamãe com o Cristóvão!

PEDRO: - Eu gosto do Cristóvão. E acho que ele gosta da vovó também. Tomara que eles fiquem juntos.

AMÁLIA: - Se o Cristóvão tivesse pelo menos uma condição melhor.

PEDRO (saindo): - Lá vem você com essas suas teorias de que dinheiro é a solução pra tudo.

AMÁLIA: - E não é? 

Pedro sai da sala. Amália aproveita que está sozinha e pega o telefone. Disca um número. 

AMÁLIA (ao telefone): - Alô? (pausa) Sou eu querido... (pausa) Então, estou te ligando porque quero que você venha até aqui. (pausa) Lógico que é hoje, Bruno! Eu tenho um plano ótimo pra separar a Marília do Fernando. (pausa) Vem que eu te espero então. Beijo (desliga) Eu também tenho um ótimo plano pra nós dois... (risos) 

CENA 10. AGÊNCIA CLASSIC MODELS. INT. DIA 

Fernando conversa com Marília na agência. 

MARÍLIA: - Jantar?

FERNANDO: - Isso mesmo. Um jantar, hoje, lá em casa. Quero te apresentar para a minha família.

MARÍLIA: - Ai meu Deus! Há tanto tempo que eu não sei o que é isso. Já to até nervosa!

FERNANDO: - Não precisa ficar nervosa não. O pessoal lá não morde, fica tranquila. E nem vai ser nada de grandioso. Apenas pro pessoal saber quem é a mulher que anda dominando meus pensamentos e o meu coração. 

Marília beija Fernando. 

FERNANDO: - Esse beijo foi um sim?

MARÍLIA: - Foi (risos) Pode confirmar minha presença no jantar.

FERNANDO: - Ótimo. Agora eu preciso voltar para a empresa. Nos veremos à noite então. 

Os dois se beijam apaixonados. Fernando vai embora. Marília fica com sorriso nos lábios. Paula se aproxima. 

PAULA: - Gente, esse beijo que eu vi foi digno de cinema!

MARÍLIA: - Fernando quer que eu jante na casa dela hoje. Vai me apresentar para a família.

PAULA: - Nossa! A coisa tá ficando séria mesmo!

MARÍLIA: - Ai amiga, to nervosa!

PAULA: - Calma, Marília. Vai dar tudo certo, você vai ver.

MARÍLIA: - Assim espero!

PAULA: - Trouxe o material que você tinha me pedido sobre o casting pra seleção do Rio Moda.

MARÍLIA: - Ótimo! Vou ligar pro Fábio, ver se ele dá um pulo aqui pra gente continuar a escolha. 

CENA 11. LAGOA RODRIGO DE FREITAS. EXT. DIA. 

Imagens da Lagoa Rodrigo de Freitas. Dia bonito, sol brilhando. As pessoas caminham pela orla, fazem exercícios, andam de bicicleta. 

Neste cenário, Ivan faz fotos de Renato e Geórgia, que posam diversas vezes. 

RENATO: - A gente pode fazer uma pausa? Tô cansado de ficar sorrindo já.

GEÓRGIA: - Ai amor, só mais um pouco!

RENATO (senta no gramado): - Não dá amor! Daqui a pouco vou ficar sem mandíbula!

IVAN: - Tá certo, vamos fazer uma pausa sim... Mas não vamos demorar muito. Vamos aproveitar o sol, a paisagem está divina. As fotos vão ficar incríveis.

GEÓRGIA: - Falou o mestre fotógrafo! (abraça Ivan) Te adoro! 

Ivan ri. 

GEÓRGIA: - Então enquanto você descansa, Renato, eu vou ali pegar uma água. Volto logo. 

Geórgia se afasta. Ivan senta-se ao lado de Renato. Renato, vai um pouco mais pro lado. 

IVAN: - Eu não mordo não, Renato... (risos)

RENATO: - Eu sei.

IVAN: - Quer ver como ficaram as fotos?

RENATO: - Quero sim. 

Ivan se aproxima de Renato. Os dois ficam lado a lado. Ivan mostra as fotos na máquina, passando uma a uma. Os dois olham as fotos. Os corpos estão colados um no outro. Aos poucos, eles vão desviando os olhos da máquina até cruzarem um com o outro. Ficam cara a cara, olhos nos olhos. 

RENATO: - Por que isso?

IVAN: - Eu não sei... 

Renato se levanta rapidamente. 

RENATO: - Eu sou homem, poxa! Não posso nem pensar nisso!

IVAN (levanta-se): - Calma, Renato.

RENATO: - Que calma o que?!... Eu nunca senti isso antes. Estou prestes a me casar com uma mulher, que por sinal, eu amo demais! Só que...

IVAN: - Só quê...?

RENATO: - Desde que vocês começaram a ficar mais próximos, as coisas mudaram um pouco.

IVAN: - Como assim?

RENATO: - Não se faça de desentendido, Ivan. Você sabe muito bem do que eu estou falando.

IVAN: - Olha só, Renato. Eu nunca forcei nada, tá legal? Mas eu também não vou negar que a nossa afinidade está falando alto.

RENATO: - Mas a gente precisa é calar essa afinidade. Pra sempre. Eu não posso fazer... Que loucura! O que os outros vão pensar? O que eu vou sentir quando me olhar no espelho?

IVAN: - Eu só acho que você precisa viver o que sente. Reprimir o sentimento não resolve em nada. 

Os dois trocam olhares, ficam em silêncio. Geórgia se aproxima. 

GEÓRGIA: - Alguém quer água?

RENATO: - Não, amor, obrigado.

GEÓRGIA: - Ivan?

IVAN: - Não, valeu.

GEÓRGIA: - Estou pronta pessoal. Vamos retomar? Estou tão empolgada com esse book que não quero parar!

IVAN: - Vamos, vamos sim!... Renato, segura a mão dela, delicado. Olhando nos olhos dela... 

Renato e Geórgia voltam a posar para Ivan. 

CENA 12. CASA TEREZA. EXT / SALA. INT. DIA. 

Júlio vai saindo da casa de Tereza, quando Laerte o encontra. 

LAERTE: - Júlio! 

Júlio para, encara Laerte. 

LAERTE: - Tem um tempinho pra mim?

JÚLIO: - Veio me oferecer dinheiro pra ir embora novamente?

LAERTE: - Não... Mas tenho uma informação importante. Você precisa saber. 

Os dois ficam a se encarar. Corta para o interior da casa de Tereza, na sala. Júlio e Laerte conversam. 

JÚLIO: - E então, que informação é essa que você tem para me dar?

LAERTE: - Eu vou ir direto ao assunto, porque não gosto de fazer rodeios.

JÚLIO: - Melhor assim.

LAERTE: - A Sílvia está te enganando.

JÚLIO (surpreso): - Como é que é?

LAERTE: - Isso mesmo. A Silvinha está te enganando.

JÚLIO: - Do que você está falando, Laerte? Como assim, a Sílvia me enganando? Por que está inventando isso tudo?

LAERTE: - Não é invenção, Júlio. A Sílvia está te enganando. E sabe como? Ela está trabalhando com você na CarioLinda, mas também com a Rosana, na Gonzales Fashion. 

Júlio se choca. 

JÚLIO: - Não posso acreditar.

LAERTE: - É a mais pura verdade. A Sílvia entrega desenhos e mais desenhos, dicas e mais dicas para a Rosana. Não é à toa que a GF faz o maior sucesso... E com isso, a gente ganha um bom dinheiro.

JÚLIO: - Mas a Silvia nunca me disse nada!

LAERTE: - Óbvio que ela não diria... (finge) Eu até acho errado essa atitude da Sílvia de esconder de você que ela ajuda a sua grande inimiga, mas ela disse que tanto faz. O importante é manter as contas da casa em dia. E como eu não posso mais trabalhar.

JÚLIO: - Já chega. Eu já ouvi demais.

LAERTE: - Desculpe se eu estraguei o seu dia, mas acho que você precisava mesmo saber disso. A Sílvia não serve para os planos da CarioLinda. Sinto muito em dizer, mas o inimigo está dentro do seu grupo, Júlio.

JÚLIO: - Laerte, por favor.

LAERTE: - Tá certo... Eu já vou indo... Passar bem. 

Laerte sai. Júlio fica pensativo. 

JÚLIO: - A Silvinha ajudando a Rosana?... Mentirosa! 

CENA 13. SHOPPING. PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO. DIA. 

Ilza e Cristóvão estão sentados em uma mesa, na praça de alimentação, tomando sorvete. 

ILZA: - Fazia tempo que eu não vinha ao shopping!

CRISTÓVÃO: - Nem para tomar um sorvete, como agora?

ILZA: - Nem para comprar uma mísera borrachinha para o cabelo (risos)

CRISTÓVÃO: - Então eu fiz bem em tirar você um pouco de casa.

ILZA: - Fez mesmo, Cristóvão. Estava precisando sair um pouco. Eu adoro cuidar do jardim, das flores, mas confesso que fazer isso todos os dias já estava me cansando.

CRISTÓVÃO: - Mas você não costuma sair nem com as meninas?

ILZA: - A Amália se acha a mulher mais rica do Rio de Janeiro. Só quer saber de esbanjar e esbanjar... E a Marília está quase sempre envolvida com o trabalho, com a agência. Se bem que agora, acho que está surgindo um novo amor na vida dela.

CRISTÓVÃO: - Nossa, que notícia boa! Ela precisa mesmo de alguém pra amar e ser amada. A Amália também, para tirar um pouco da amargura. 

Ilza baixa o olhar, Cristóvão percebe. 

CRISTÓVÃO: - Desculpa, Ilza, não quis falar isso da sua filha.

ILZA: - Tudo bem, Cristóvão. Você não deixou de dizer a verdade. A Amália é amarga, fechada. Talvez um amor faça ela ficar mais doce, digamos assim.

CRISTÓVÃO: - E você, Ilza... Não sente falta de um amor na sua vida?

ILZA: - Quem não sente, não é? Mas eu já estou velha. Já passei do tempo.

CRISTÓVÃO: - Não diga isso, Ilza. Não há tempo limite para amar. O importante é acreditar que sempre é possível.

ILZA: - É, acho que você tem razão... Agora, acho que impossível vai ser tomar esse sorvete antes dele derreter! (risos) 

Os dois riem. Enquanto isso, do outro lado da praça, em outra mesa, Guilherme e Celeste conversam. 

CELESTE: - Bom que você me esperou... Eu demorei um pouco. (ri, sem graça)

GUILHERME: - Tudo bem... Eu entendo que vocês mulheres demoram para se arrumar. (sorri, simpático) Mas eu sei também que, talvez esse não tenha sido o principal motivo da sua demora. 

Celeste encara Guilherme, com expressão um tanto aflita. 

GUILHERME: - Você já ouviu falar sobre TOC? 

Celeste baixa o olhar, não responde. 

GUILHERME: - É quando uma pessoa começa a fazer repetições, manias, coisas de forma impulsiva, e essas coisas fogem do controle, atrapalhando a vida delas.

CELESTE: - Minha vida está ótima. Nada me atrapalha, Guilherme. 

Guilherme coloca a mão sobre a mão de Celeste. Os dois trocam olhares. 

GUILHERME: - Desculpa, eu não quis dizer isso... Quero dizer, não dessa forma.

CELESTE: - Tudo bem...

GUILHERME: - Eu antes pensei que você não quisesse sair comigo.

CELESTE: - E por que eu não sairia? Você é tão legal. E me ajudou quando... Enfim. Eu nem sei como agradecer direito.

GUILHERME: - Se você me permite, eu sei... 

(sobe trilha “Minha Rainha” – Luiz Melodia) Guilherme se aproxima de Celeste e lhe beija. Celeste corresponde. Os dois se afastam, trocam sorrisos. 

CELESTE: - Obrigada por ser carinhoso comigo.

GUILHERME: - Eu gosto de estar perto de você.

CELESTE: - Geralmente as pessoas estranham estar perto de mim... Como se eu tivesse alguma coisa.

GUILHERME: - Celeste, eu sei que deve ser difícil admitir...  Como eu falei pra você ontem, eu tive um amigo, que tinha TOC e conseguiu superar, controlar a doença.

CELESTE (levanta-se): - Eu não tenho nada, Guilherme? Até você acha que eu estou doente?! Chega, eu cansei! 

Celeste vai embora apressada, Guilherme tenta ir atrás dela, mas a deixa partir. (fade in trilha “Minha Rainha” – Luiz Melodia)

CENA 14. ESCRITÓRIO GF. SALA DE REUNIÕES. INT. DIA.

Reunião na sala de reuniões da GF. Mauro na ponta da mesa, gerenciando. Rosana, Melissa, Vitinho, Gilson e outros diretores estão presentes, além da imprensa.

MAURO: - Então, meus senhores, declaro aqui, oficialmente lançado o Fundo Pró-Moda da Gonzales Fashion, que irá financiar cursos e formar novos profissionais para área da moda.

Mauro é aplaudido. Atrás dele, numa projeção, imagens de gráficos mostram o estudo do projeto.

VITINHO: - Que ideia fantástica.

GILSON: - Partiu da Rosana. Sensacional.

VITINHO: - Ah, a madame sempre com boas intenções. 

Mauro se aproxima de Rosana, a beija, delicadamente. 

MAURO: - Tenho certeza que essa sua ideia será um sucesso.

ROSANA: - Obrigada, querido. Fico feliz por você acreditar em mim.

MAURO: - Acredito em você, amo você... Você só me faz feliz. 

Os dois se abraçam. Gilson se aproxima. 

GILSON: - Pronto para as entrevistas com a imprensa?

MAURO: - Claro! Vamos lá! 

Mauro e Gilson se afastam. 

ROSANA (a si mesma): - É a chance de eu fazer um bom pé de meia... 

Melissa se aproxima de Rosana. 

MELISSA: - Eu não entendo muito de negócios, mas achei tudo lindo.

ROSANA: - Com o tempo você aprende, querida, já que pra moda você não teve chance.

MELISSA: - Somos duas no mesmo barco... Mas deixa pra lá. O Rio Moda está chegando e não temos nada para mostrar ao público.

ROSANA: - Eu sempre dou um show no Rio Moda. Não será diferente dessa vez. 

Vitinho se aproxima. 

VITINHO: - Madame, TV Rio quer falar com você.

ROSANA (a Melissa): - Dá licença, queridinha, porque a estrela aqui precisa brilhar. 

Rosana sai. Melissa a observa. 

CENA 15. GALPÃO CARIOLINDA. INT. DIA. 

Janice e Tereza terminam de organizar algumas caixas. 

TEREZA: - Acho que está tudo aqui, Janice. Vamos indo levar isso lá pra minha casa.

JANICE: - Não sobrou muita coisa, mas o pouco que sobrou, você vai poder aproveitar, não vai?

TEREZA: - Claro que sim... 

Sílvia está do outro lado do galpão, remexendo em outros objetos. 

TEREZA: - Silvinha, Janice e eu estamos indo lá pra casa, levar essas caixas.

SÍLVIA: - Pode ir, Tereza. Vou terminar aqui e já estou saindo também. 

Tereza e Janice saem. Sílvia continua remexendo nos objetos por um tempo. De repente, Júlio entra apressado no galpão, expressão furiosa. 

SÍLVIA: - Oi Júlio! Resolveu o que precisava?

JÚLIO: - Como você foi capaz de me esconder que está ajudando a Rosana? 

Sílvia fica sem reação. 

JÚLIO (grita): - Responde!

SÍLVIA: - Júlio, eu (pausa)

JÚLIO (interrompe): - A Rosana, Sílvia? A Rosana! Aquela desgraçada que acabou com a minha vida! Você está ajudando ela na GF?

SÍLVIA: - Quem falou isso pra você, Júlio? Quem?

JÚLIO: - Não interessa quem falou. Eu só quero saber se é verdade ou não. 

Sílvia e Júlio ficam a se encarar. Sílvia baixa o olhar. 

JÚLIO: - Traidora, mentirosa!

SÍLVIA: - Eu ia contar, Júlio, eu juro!

JÚLIO: - Ia quando, Sílvia? Quando a GF e a CarioLinda disputassem a premiação de melhores do ano? Aí quando a GF ganhar, você vai dizer que era fruto do seu trabalho, é isso?

SÍLVIA: - Para, Júlio!... Eu posso explicar tudo!

JÚLIO: - Estou a todo ouvidos.

SÍLVIA: - Eu estava passando muitas dificuldades em casa. O Laerte sem poder trabalhar e eu tinha uma filha para criar. Eu ajudei a Rosana no início, quando ela entrou na GF...

JÚLIO: - Sim, eu me lembro da coleção na sua mesa. Me causou estranheza quando vi notícias da Rosana como autora da coleção.

SÍLVIA: - Então... Eu precisava pagar as contas, comer... Por isso eu decidi por ajudar a Rosana para que ela me ajudasse também.

JÚLIO: - E essa ajuda continuou até agora. E você aceitou participar da minha parceria e não disse nada. Mesmo sabendo que o que eu mais quero é ver a Rosana no fundo do inferno!

SÍLVIA: - Mas eu vou me dedicar somente à CarioLinda, Júlio! Já planejei tanta coisa linda, que realmente vai ser sucesso nas passarelas, nas lojas! E nós vamos lucrar muito!

JÚLIO: - Bem que o Laerte disse... Pra você tanto faz quem você está ajudando. O importante é ganhar dinheiro.

SÍLVIA: - Foi o Laerte quem te contou?

JÚLIO: - Foi. Pelo menos ele teve a coragem que você não teve... Eu estou muito decepcionado com você, Sílvia. 

Júlio vira as costas para Sílvia e vai embora. Sílvia nem o chama, o deixa partir. 

SÍLVIA: - Chega de decepcionar as pessoas, Sílvia. Já chega. 

CENA 16. TRANSIÇÃO DO TEMPO. ANOITECER / CASA MARÍLIA. SALA DE ESTAR / QUARTO AMÁLIA. INT. NOITE. 

Imagens do Rio ao anoitecer. Corta para a casa de Marília. Amália abre a porta da casa para Bruno, que vai entrando. 

BRUNO: - Demorei?

AMÁLIA: - Chegou bem no horário. Até pensei que iria demorar mais. Sua mulher não complicou?

BRUNO: - Eu não tenho mulher. Ainda. A Valquíria é apenas uma companheira pra quando não se tem nada melhor... A Marília está? E sua mãe e o Pedro?

AMÁLIA: - Pedro foi ao cinema e a mamãe já deitou. Ela dorme cedo... E quanto a minha querida irmã, foi jantar na casa do namorado. Vai ser apresentada para a família.

BRUNO: - Droga!

AMÁLIA: - Calma, Bruno... Vem, vamos para o meu quarto. Temos assuntos para tratar.  

Corta para o quarto de Amália. Ela, sentada na cama. Bruno de pé, próximo dela. 

BRUNO: - Gravação?! Mas como nós vamos conseguir uma coisa dessas? Se o Fernando está dando um jantar para a Marília, nunca que ele vai falar mal dela!

AMÁLIA: - Por isso mesmo que a gravação precisa ser feita por alguém conhecido dele, para que a gente faça a montagem depois... Uma gravação mostrando o Fernando falando horrores da Marília é o que precisamos para que você entre em cena e roube o coração da idiota.

BRUNO: - Pensando bem, o plano não é ruim não. Mas quem vai fazer essa gravação?

AMÁLIA: - Meu amor, a sua querida namorada... A Valquíria não conhece o Fernando?

BRUNO: - Claro, conhece sim! E ele nem iria desconfiar.

AMÁLIA: - Você só precisa convencer a Valquíria de fazer tudo como a gente planejou.

BRUNO: - Isso não vai ser difícil. A Valquíria faz tudo o que eu peço... Amália, você está se saindo uma ótima parceira.

AMÁLIA (levanta-se, se aproxima de Bruno): - Isso porque você ainda não me viu... na cama! 

Amália beija Bruno e o puxa para cama. Os dois caem, um sobre o outro e se beijam, calorosamente. 

CENA 17. RESTAURANTE PRATO CHEIO. INT. NOITE. 

Sandra janta com Talles e Aline no restaurante. 

SANDRA: - Pena que seu pai não pode vir.

ALINE: - Papai sempre com essas reuniões do serviço.

SANDRA: - Também pudera, né, filha? Vários eventos chegando... Rio Moda, lançamento da nova coleção de calçados. É muita coisa pra resolver. Mas pelo menos nós três estamos aqui, juntos, em família.

TALLES (mexendo no celular): - Ih, André mandou uma mensagem. Tá rolando um som maneiro num pub lá na Barra.

ALINE: - Ai deve ser naquele novo que abriu! Dizem que é tudo de bom! Vou avisar o Vitinho.

TALLES (levanta-se): - Eu já vou indo.

SANDRA: - Talles termina seu jantar, filho.

TALLES: - Não dá, mãe! Não posso perder esse bonde não!

ALINE (levanta-se): - Espera que eu vou com você, Talles! Valeu pelo jantar, mãe! Beijo! 

Aline e Talles saem apressados. Sandra fica chateada, sozinha na mesa. De longe, Karina observa e se aproxima. 

KARINA: - A senhora precisa de alguma coisa?

SANDRA: - Só de um pouco de companhia, atenção... Mas isso acho que você não pode me dar não.

KARINA: - E quem disse? Um bom atendimento também pode ter boas doses de compreensão, amizade... Eu vi que seus filhos saíram e deixaram a senhora sozinha.

SANDRA: - Senhora não, por favor. Isso me deixa mais velha ainda... Pode me chamar de você.

KARINA: - Então, eles deixaram você sozinha... Da outra vez, você estava aqui com o seu marido.

SANDRA: - É, mas ele ultimamente tem se dedicado mais ao trabalho do que para a família.

KARINA: - Não fica assim. Talvez seja apenas uma fase.

SANDRA: - Como você se chama, moça?

KARINA: - Karina.

SANDRA: - Obrigada pela companhia, Karina. Eu já tinha simpatizado com você antes. Agora então, mais ainda... Quem sabe não sejamos amigas?

KARINA (surpresa): - Amigas?

SANDRA: - Sim, porque não? (risos) 

Sandra se levanta. 

SANDRA: - Vou pagar a conta... Obrigada mais uma vez.

KARINA: - De nada. E fique a vontade para voltar ao restaurante.

SANDRA: - Voltarei com certeza. E vamos marcar alguma coisa. Um chá à tarde, quem sabe? 

Sandra se afasta. 

KARINA: - Eu, tomando chá com a esposa do meu amante? (risos) Esse mundo dá voltas... 

CENA 18. MANSÃO LINHARES. INT. NOITE. 

Fernando está ansioso para a chegada de Marília ao jantar. Orestes, Maria Helena, Estér e Marcinha estão presentes na sala. 

ESTÉR: - Calma, meu irmão. Daqui a pouco ela está aí.

MARCINHA: - Acho que eu nunca vi meu pai tão ansioso.

ORESTES: - Nem no dia que ele casou com a sua mãe ele estava assim... (risos)

MARIA HELENA: - Se ele está nervoso assim é porque essa moça é realmente importante pra ele. Está valendo a pena. 

A campainha toca. 

FERNANDO: - É ela. Ela chegou!

ESTÉR: - Vai recebê-la então! 

Fernando vai até a porta, abre. Marília está linda, num vestido amarelo, estampado com flores. Cabelos soltos, cacheados, lindamente maquiada. Fernando se mostra encantado. 

FERNANDO: - Meu amor, você está magnífica.

MARÍLIA: - Gostou?

FERNANDO: - Nunca vi mulher mais linda como você. 

Fernando pega Marília pela mão e a leva para a sala. Estér, Orestes e Marcinha se põem de pé. Maria Helena levanta-se devagar, observando atentamente a presença de Marília. 

FERNANDO: - Pessoal. Essa aqui é a Marília, a minha namorada.

MARÍLIA (simpática): - Boa noite!

MARIA HELENA (a si mesma): - Uma negra?             

Maria Helena, com certo ar de reprovação, encara Marília discretamente. Marília sorri para todos, simpática. 

CENA 19. ATELIER GF. INT. NOITE. 

O espaço está escuro, há pouca luz. Rosana organiza suas coisas para ir embora. 

ROSANA: - Amanhã eu volto e vejo esses papéis. 

De repente, ela escuta passos no salão. 

ROSANA: - Vitinho, é você? Eu deixei uns papéis aqui, mas eu só vou ver amanhã. Então você pega pra mim e leva lá na minha casa... 

Rosana se surpreende ao ver Sílvia no atelier. 

ROSANA: - Sílvia?!

SÍLVIA: - Surpresa em me ver?

ROSANA: - Como você entrou aqui? Ou melhor... O que você está fazendo aqui?

SÍLVIA: - Nós precisamos conversar, Rosana. E agora é pra valer.

 


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