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Passos da Paixão - Capítulo 20

Novela de Édy Dutra
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PASSOS DA PAIXÃO - CAPÍTULO 20

 
 
 
 
 
 
NO CAPÍTULO ANTERIOR:
 

JÚLIO: - Tereza? Pensei que a gente fosse se encontrar mais tarde.

TEREZA: - Eu sei, mas é que eu precisava vir antes para falar com você sem que a Sílvia estivesse presente.

JÚLIO: - Ok. O que você quer falar?

TEREZA: - Eu quero falar que estou apaixonada por você, Júlio.

Júlio encara Tereza.

...

ROSANA: - Minha querida, todo mundo lá fora quer fazer isso. É preciso respeitar a ordem, senão vira bagunça, meu amor.

MAURO: - Queira sair e aguardar a sua vez, ta certo?

MELISSA (firme): - Não!

Todos se surpreendem.

MELISSA: - Eu só quero uma oportunidade... Eu não sou estudante de moda, não sou formada na área, nem tenho experiência. O que eu tenho é apenas paixão e vontade de crescer. Essa é a minha grande oportunidade. Só quero que vocês vejam isso.

Melissa abre sua pasta e coloca os desenhos sobre a mesa.

MELISSA: - E então, o que me dizem? Eu posso ou não posso ser o novo nome da moda da Gonzales Fashion?

 

 

 

CENA 01. ESCRITÓRIO GF. EXT. DIA.

Continuação do capítulo anterior. Melissa apresenta os desenhos de Duda como se fossem seus.

GILSON: - Gente... Parece que estou voltando no tempo e vendo o talento novamente o talento da Rosana aqui nesta mesa.

MAURO: - Eu também estou tendo essa mesma sensação, Gilson. São desenhos lindos menina... Qual o seu nome?

MELISSA: - Melissa.

ROSANA: - Melissa?! Já ouvi esse nome antes.

VITINHO: - Claro que sim, madame. Melissa é um nome como outro qualquer...

ROSANA: - É claro... Mas seus desenhos são realmente incríveis, Melissa.

VITINHO: - São lindos, mas ela passou na frente de outras pessoas. Não podemos continuar com ela aqui dentro.

MAURO: - É verdade. A seleção precisa continuar.

MELISSA: - Mas se vocês gostaram tanto, por que querem continuar com a seleção?

Rosana fica a observar as atitudes de Melissa, ambiciosa, decidida.

GILSON: - Mas nós estamos com um processo em andamento. Não podemos pará-lo assim.

VITINHO: - Concordo com você, Gilson. Seus desenhos são lindos, Melissa, mas você vai ter que voltar para o final da fila e aguardar.

ROSANA (levanta-se): - Mas eu não concordo. Se estamos com uma preciosidade dessas aqui, duvido que haja outro talento igual do lado de fora dessa sala. (finge) Estou me vendo nessa moça... Há anos era eu quem estava aqui, no lugar dela. Vocês apostaram e tiveram resultado. Gente, não vamos deixar esse talento ir embora.

GILSON: - Mas e a seleção?

MAURO: - Cancelem a seleção. Já temos a nossa escolhida.

VITINHO: - Vocês tem certeza?

MAURO: - Absoluta. Se for isso que a Rosana acha, eu concordo com ela. Não podemos deixar esse talento ir embora. Melissa, você passou na seleção. É a nova contratada da GF.

Melissa vibra, se emociona.

GILSON: - Vitinho avise os demais concorrentes lá fora que a seleção está encerrada.

VITINHO: - Sobrou pra mim né?

Vitinho sai. Rosana se aproxima de Melissa.

ROSANA: - Parabéns querida. Você é realmente fantástica!

MELISSA: - É um sonho que se realiza para mim. De verdade.

ROSANA: - Você me parece muito determinada. Isso é importante para se chegar onde quer.

MELISSA: - E eu ainda quero chegar muito mais longe.

ROSANA: - Ambiciosa você, com atitude. Gosto de pessoas assim.

MELISSA: - É assim que o mundo funciona. Então, vamos correr atrás.

Mauro e Gilson se aproximam delas.

MAURO: - Estou vendo que as duas irão se dar muito bem na parceria.

ROSANA: - Eu não tenho dúvidas.

GILSON: - Melissa, antes do seu contrato ser assinado, você deve manter sigilo sobre sua entrada na empresa, ok? Para evitar especulações da imprensa.

MELISSA: - Claro, podem ficar tranquilos.

Melissa e Rosana trocam olhares.

CENA 02. APTO GEÓRGIA E RENATO. INT. DIA.

Geórgia abre a porta do apto para receber Ivan, que a abraça.

GEÓRGIA: - Falei que não era difícil chegar aqui!

IVAN: - Não mesmo, eu errei de rua umas duas vezes... O prédio laranja que você me deu de referência mudou de cor. Agora é azul.

Os dois riem. Geórgia acompanha Ivan até a sala. Renato está na sala, mexendo em seu notebook.

IVAN: - Renato! Como vai?

RENATO: - Tudo certo, Ivan.

Os dois se cumprimentam. Ao toque das mãos, trocam olhares.

GEÓRGIA: - Você não vem mesmo, amor? A gente vai escolher os lugares pra tirar as fotos do nosso book.

RENATO: - Não dá, Geórgia... Aquele escritório está fervilhando. Não posso me ausentar e ainda preciso terminar esses relatórios pra hoje ainda. Mas tenho certeza que vocês vão escolher ótimos lugares.

GEÓRGIA: - Bom, eu só vou lá dentro retocar a maquiagem e ajeitar o cabelo, já volto.

Geórgia sai. Ivan e Renato a sós na sala.

RENATO: - Você trabalha há bastante tempo com fotografia?

IVAN: - Praticamente minha vida inteira. Desde a juventude.

RENATO: - É uma área que eu gosto. Quase um hobby.

IVAN: - Tem máquina também?

RENATO: - Não tenho. Mas gosto de fotografias.

IVAN: - É mesmo? Vamos ver se você leva jeito pra coisa...

Ivan pega sua máquina e entrega para Renato.

RENATO: - Rapaz, que máquina maneira...

IVAN: - Minha preferida. Vamos lá.

RENATO: - Vamos lá o quê?

IVAN: - Me fotografa. Vamos ver se você é bom mesmo.

Ivan aproxima-se da parede, faz pose. Renato levanta-se da mesa, pega o close de Ivan na máquina, fica a observá-lo por um instante.

IVAN: - E então, estou bem?

Renato tira a foto de Ivan.

RENATO (sem jeito): - Eu não vou conseguir. (deixa a máquina na mesa) Não levo jeito não.

IVAN (se aproxima): - Ei, desiste fácil assim?

RENATO: - Eu gosto de fotografias, mas não sei tirar muito bem. É um hobby, como eu disse, mas mal praticado...

IVAN: - Vai lá pra parede então. Deixa que eu tiro uma foto sua.

RENATO: - Eu?! Mas não sou um bom modelo...

IVAN: - Já vai treinando para o book do casamento.

Renato vai até a parede, fica parado, encarando Ivan, que o observa pela câmera. Os dois ficam a se olhar por um instante. Ivan bate a foto de Renato.

IVAN: - Ficou lindo.

Renato não sorri, fica a olhar Ivan, que também não tira os olhos de Renato. Clima na sala. Neste instante, Geórgia chega. Os dois disfarçam.

GEÓRGIA: - Tirando fotos sem nem me convidar, é isso?!

IVAN: - Um teste para ver se o Renato é bom modelo. Ele até se saiu bem.

GEÓRGIA: - Eu também quero tirar fotos! Vem amor!

Geórgia abraça Renato. Os dois sorriem. Ivan tira mais uma foto.

IVAN: - Vou passar aqui para o seu computador, Renato.

RENATO: - Fique a vontade.

Ivan vai passando as fotos para o computador. Ao concluir, se aproxima do casal.

IVAN: - Pronta, Geórgia?

GEÓRGIA: - Sim sim! (beija Renato) Tchauzinho amor! Fica bem, ta?

RENATO: - Pode deixar que eu vou me comportar... (risos)

Geórgia e Ivan saem. Renato volta para o PC. Abre as fotos que Ivan colocou. Fica a observar a foto que tirou de Ivan.

RENATO (pensativo): - O que está acontecendo comigo?

Do lado de fora do prédio, Geórgia e Ivan vão indo pro carro dele.

IVAN: - Você e o Renato estão juntos há quanto tempo?

GEÓRGIA: - Quase dez anos.

IVAN: - Vocês se amam mesmo. Renato é um bom rapaz pra você.

GEÓRGIA: - Ele é tudo para mim! Eu o amo demais!

CENA 03. HOTEL BARATO. QUARTO JÚLIO. INT. DIA.

Tereza se declara para Júlio.

TEREZA: - Eu estou completamente apaixonada, envolvida... Eu não paro de pensar em você um minuto sequer.

JÚLIO: - Tereza, eu nem sei o que dizer...

TEREZA: - Eu sei que peguei você de surpresa. Já esperava essa sua reação.

JÚLIO: - Realmente eu estou surpreso. Mas, eu não fiz nada para despertar esse sentimento em você.

TEREZA: - Como não? Você foi atencioso, está se esforçando para me ajudar com a CarioLinda... Apenas esses gestos já me encantaram, Júlio. Por isso que eu quis falar com você longe da Sílvia. É um assunto que só diz respeito a nós dois.

JÚLIO: - Claro. E você tem toda razão. Mas, Tereza, a gente não pode se envolver.

TEREZA: - Por que não? Você está livre e eu também... E não venha negar que não gostou do meu beijo.

JÚLIO: - Eu gostei, claro que gostei. Mas as coisas não podem se misturar, Tereza.

TEREZA: - Isso tem a ver com a Sílvia, não tem?

JÚLIO: - Não! Não tem nada a ver com a Sílvia, Tereza. Eu só acho que, neste momento, a gente não pode se envolver dessa forma... Vamos dar tempo ao tempo. Nada de forçar a barra. E isso não significa fechar as portas.

TEREZA: - Tudo bem, Júlio. Acho que você também tem razão. Mas não fique esperando muito tempo não. A vida passa e a gente precisa aproveitar ao máximo cada momento...

JÚLIO: - Depois do que eu já vivi, o que eu mais quero é aproveitar a vida, Tereza. Pode ter certeza disso.

TEREZA: - Te vejo lá em casa mais tarde então.

JÚLIO: - Estarei lá, conforme o combinado.

Tereza sorri e vai embora. Júlio fica pensativo. De repente, seu celular toca.

JÚLIO (ao telefone): - Alô? (pausa) Sim, ele mesmo. (pausa) Claro, estou interessado sim. (pausa) Ok, sei onde fica. Estou indo pra aí agora! (pega sua bolsa e vai saindo)

CENA 04. APTO VALQUÍRIA. INT. DIA.

Bruno termina de colocar seu terno no quarto. Valquíria entra no local, de roupão, com xícara de chá.

VALQUÍRIA: - Você ainda está chateado comigo?

BRUNO (em frente ao espelho): - Preciso ser sincero?

VALQUÍRIA: - Deve.

BRUNO: - Sim, estou.

VALQUÍRIA: - Eu já te pedi desculpas inúmeras vezes desde que eu cheguei aqui em casa. O que mais eu preciso fazer para você não ficar mais assim?

BRUNO (vira-se para Valquíria): - Assuma o seu erro.

VALQUÍRIA: - Meu erro?

BRUNO: - Sim. Aquele showzinho no restaurante. Você estava completamente desequilibrada.

VALQUÍRIA: - Mas você queria que eu fizesse o quê, Bruno? Eu perdi o controle vendo você olhar com tanto desejo para aquela mulher... Eu perdi a cabeça!

BRUNO: - Foi imatura. Deveria ter percebido que eu só olhei para aquela mulher porque eu estava procurando algo que eu não encontro em você, Valquíria.

Valquíria se chateia.

BRUNO: - Você não sabe me satisfazer ainda? Depois de tanto tempo...

VALQUÍRIA: - Você é o melhor homem que eu já tive, Bruno, mas às vezes você me deixa insegura de mim!... eu te amo tanto! Te dou tudo! Aqui na minha casa, meu dinheiro. Você sabe que eu nunca te nego nada. Agora, me dói em ver você olhando outra mulher na minha frente!

BRUNO: - Não precisa ficar jogando na minha cara do seu dinheiro.

VALQUÍRIA: - Não estou jogando na sua cara. Só falo o que é verdade. Você voltou da Europa com poucas economias. Agora está morando aqui em casa. Quem está te bancando sou eu.

BRUNO: - Viu como você age? Se acha superior a mim agora.

VALQUÍRIA: - Não, eu não disse isso, meu amor... (se agarra em Bruno) Você é o maior, você é tudo para mim, Bruno. Eu te amo!... Só não me deixa, por favor. Não me deixa, jamais!

BRUNO: - Tudo bem... (se afasta) Agora eu preciso sair.

VALQUÍRIA: - Vai aonde?

BRUNO: - Quer controlar os meus passos agora? Vou rever uns amigos, fazer contatos... Só isso. E você, por que não vai pintar seus quadrinhos, querida? Vai te deixar melhor.

Bruno sai. Valquíria fica pensativa.

CENA 05. FACULDADE ABC. INT. DIA.

Duda chora no pátio da faculdade. Pedro avista a moça e se aproxima.

PEDRO: - Duda, o que aconteceu?!

DUDA: - Nem eu sei explicar, Pedro... Só sei que meu sonho foi por água abaixo.

PEDRO: - Calma... Não fica assim. Me explica direito o que houve.

DUDA: - A Gonzales Fashion abriu uma seleção para escolher a nova estrela da marca. Eu fui até lá com a minha pasta de desenhos para mostrar as minhas ideias para eles. Só que chegando lá, quando eles abriram a pasta, meus desenhos não estavam lá!

PEDRO: - Como assim?

DUDA: - Só tinham folhas em branco!... Eu voltei pra casa, revirei tudo e não encontrei, Pedro... É triste, sabia? Eu estava tão confiante nesta oportunidade. Sabe-se lá quando vai surgir outra assim?

PEDRO: - Não fica assim, não Duda. Sinto muito pelos teus desenhos. Mas com certeza surgirão outras oportunidades para você... Você é inteligente, dedicada, esforçada, criativa... Bonita.

DUDA (encara Pedro): - Você acha?

PEDRO; - Eu acho. Você não é bonita não. É linda. E por isso não merece chorar. (acaricia o rosto de Duda) Se bem que, minha tia sempre me disse, que chorar alivia o peito. Mas você, uma pessoa tão especial, não merece chorar. Não mesmo.

DUDA: - Se todo mundo fosse atencioso como você, Pedro... Eu liguei para o Talles, mas ele disse que não poderia vir, porque estava na praia, pegando onda...

PEDRO (resmunga): - Vacilão.

DUDA: - Ai Pedro, tudo o que eu precisava agora era de um abraço.

PEDRO: - Não seja por isso...

Pedro abraça Duda, que se recosta sobre o peito dele.

DUDA: - Obrigada, viu? Suas palavras foram um alento pra mim.

PEDRO: - Sempre que precisar de mim, eu vou estar aqui para ajudar você. Seja o que for.

Os dois ficam abraçados, Pedro consolando Duda no pátio.

CENA 06. ESCRITÓRIO GF. SALA ROSANA. INT. DIA.

Rosana conversa com Melissa, a sós, em sua sala.

ROSANA: - Melissa, você realmente me surpreendeu. Gostei de você, sabia? (risos) Tem atitude, é determinada, bonita. Ouso dizer que se parece até um pouco comigo! (risos)

MELISSA: - É uma honra ouvir isso, dona Rosana.

ROSANA: - Por favor, querida. Apenas Rosana.

MELISSA: - Está certo, Rosana. É uma honra ouvir isso de você. Sempre te via nas capas de revistas, na TV. Agora estar aqui do seu lado, trabalhar com você... É um sonho realizado!

ROSANA: - Não existem sonhos, meu amor. Existem objetivos. Ou você alcança ou morre na praia. E você alcançou. Só vamos modificar um pouco o que você disse... Você não vai trabalhar comigo. Vai trabalhar para mim, ok?

MELISSA: - Ok!

ROSANA: - Os seus desenhos são lindos mesmo! De onde vem inspiração para fazer croquis tão lindos?

MELISSA: - Me inspiro em você.

ROSANA (surpresa): - Em mim?

MELISSA: - Sim. No seu talento, na sua elegância, no seu glamour.

ROSANA: - Queridinha, aprenda uma coisa. Não é me bajulando que você vai conseguir alguma coisa aqui dentro. Lógico, eu gosto porque faz bem para o ego. Mas você vai me conquistar é mostrando trabalho de fato. Para chegar aos pés de Rosana Gonzales, meu amor, você precisa ter muito, mas muito talento... Amanhã mesmo quero ver o seu dom mais de perto. Nos desenhos e na costura. Rio Moda está chegando e temos que arrasar!

MELISSA (apreensiva): - Amanhã?!

ROSANA: - Sim, o quanto antes. O que acha?

MELISSA: - Ótimo... (disfarça nervosismo) Amanhã então.

CENA 07. ESCRITÓRIO ADÔNIS. INT. DIA.

Diogo está trabalhando em sua mesa no escritório, quando Adônis se aproxima, deixando uns papéis sobre a mesa.

ADÔNIS: - Leva esses documentos no banco pra mim. E esses dois aqui, faz duas cópias de cada e manda pro e-mail do senhor Jair Medeiros.

DIOGO: - Ok.

Adônis vai saindo.

DIOGO: - Pai!

Adônis volta.

ADÔNIS: - Adônis. Aqui sou Adônis.

DIOGO: - Adônis... Agora eu preciso que você seja meu pai.

ADÔNIS: - O que você quer, Diogo?

DIOGO: - Tem como descolar uma grana pra mim? Eu to precisando de um tênis novo.

ADÔNIS: - Quanto?

DIOGO – Trezentos.

ADÔNIS (quase grita): - Trezentos reais? (ri, debochado) Você acha que eu tiro dinheiro abrindo a torneira, Diogo? Fala sério... Trabalhe mais e aí quando você receber, você gasta os trezentos reais do seu dinheiro, para comprar um tênis. Aliás, tem tênis muito mais baratos, sabia?

DIOGO: - Eu sei, mas não é o que eu queria.

ADÔNIS: - Então sinto muito. Agora faça o que eu te pedi. Vamos logo.

Adônis se afasta. Diogo suspira, desanimado.

DIOGO: - É hoje que eu dou um jeito na minha vida.

Diogo se levanta e sai. Cruza com Renato na porta, que vai chegando ao escritório. Os dois se cumprimentam. Renato chega a sua mesa, senta-se. Liga o computador. Adônis se aproxima.

ADÔNIS: - Demorou hein!

RENATO: - Desculpa... Já estou repassando os relatórios pra você.

ADÔNIS: - Vou aguardar na minha sala.

Adônis sai. Renato fica pensativo.

FLASHBACK. APTO GEÓRGIA E RENATO. INT. DIA.

RENATO: - Vamos lá o quê?

IVAN: - Me fotografa. Vamos ver se você é bom mesmo. 

Ivan aproxima-se da parede, faz pose. Renato levanta-se da mesa, pega o close de Ivan na máquina, fica a observá-lo por um instante. 

IVAN: - E então, estou bem? 

VOLTA à CENA ATUAL 

Renato balança a cabeça, afastando o pensamento, se volta para o trabalho.

CENA 08. AGÊNCIA CLASSIC MODELS. SALA MARÍLIA. INT. DIA.

Marília e Paula conversam na sala.

MARÍLIA: - Então vocês saíram depois da aula?! Me conta!

PAULA: - Ah, não foi uma saída... Foi apenas um suco.

MARÍLIA: - Mas já foi um grande avanço. Depois do que você me relatou das suas primeiras impressões sobre esse cara, pensei que não quisesse mais vê-lo nem pintado de ouro.

PAULA: - A gente conversou um pouco. O André não é o bicho de sete cabeças que eu falei não. Mas também não dá pra levar na boa. Se bobear, ele se aproveita.

MARÍLIA: - Ai, Paula, se joga!

PAULA: - Eu não! Se for pra me jogar, vai ser nos passos da dança. Fora isso, nada mais... Agora quem está com cara de que se jogou foi você! E aí, como foi o jantar com o bonitão do Fernando?

MARÍLIA: - Paula, o cara é um príncipe! E você não sabe da maior! Disse que está apaixonado por mim!

PAULA: - Mas já?!

MARÍLIA: - Eu também fiquei surpresa! Totalmente sem reação quando se declarou... Mas, eu vi nos olhos dele que era verdade. Ele me pareceu tão sincero.

PAULA: - Agora eu é que digo pra você... Se joga!

MARÍLIA: - Será que depois de tanto tempo eu vou me apaixonar de verdade então?

Nesse instante, Fábio entra na sala.

FÁBIO: - Como é que é? Eu ouvi a palavra paixão?

MARÍLIA: - Fábio! Entre...

PAULA: - Ouviu sim, Fábio. E saiu da boca dela!

FÁBIO: - Marília Pereira, apaixonada? Soltem os fogos de artifício! (risos)

MARÍLIA: - Deixa de ser bobo...

FÁBIO: - Estou brincando. Você sabe mais do que ninguém que eu quero que você seja muito feliz.

MARÍLIA: - Eu sei sim. Obrigada. (sorri, meiga)

FÁBIO: - Bom, acabo de vir do estúdio onde a modelo que vocês indicaram para a campanha da farmácia, estava gravando o comercial.

PAULA: - A Gaby!

MARÍLIA: - E aí, como ela se saiu?

FÁBIO: - Bem... A moça é bonita, leva jeito... Podemos pensar em algo maior pra ela.

PAULA: - Ela vai ficar muito contente.

FÁBIO: - Mas eu não vim até aqui para falar só sobre isso. O Rio Moda está chegando e precisamos preparar o nosso casting para as grifes.

MARÍLIA: - Ótimo! Podemos começar... Paula, traz os books novos que chegaram e também as fichas de todas as modelos.

PAULA: - Claro! (se afasta)

MARÍLIA: - Precisamos entrar com um time ótimo. Descobri que a agência Fênix está com modelos lindas também.

FÁBIO: - Não tão lindas quanto as nossas, pode ter certeza.

(sobe trilha “Pérola Negra” – Luiz Melodia)

CENA 09. ÁUREA CALÇADOS. SALA DE REUNIÕES. INT. DIA.

(fade out trilha anterior) Final de reunião na Áurea Calçados.

FERNANDO: - Pois bem, alguém tem mais alguma colocação?

Ninguém se manifesta.

FERNANDO: - Certo então, senhores. Ao trabalho.

Fernando, Orestes se reúnem com outros diretores, num canto da sala, conversam. Enquanto isso, Estér arruma uns papéis, quando Tarso se aproxima.

TARSO: - Como vai, Estér?

ESTÉR: - Eu? Vou bem. E você?

TARSO: - Bem, também... Olha só, Estér, sobre o que você viu na boate, eu quero que saiba que (pausa)

ESTÉR (interrompe): - Olha só, Tarso. Não precisa ficar me cercando, tentando se certificar que eu não vá falar nada para a sua mulher. Eu mesmo já disse que não vou falar nada, embora como amiga, eu devesse fazer isso.

De longe, Orestes observa os dois.

TARSO: - Obrigado. A Sandra não merece.

ESTÉR: - Você me dizendo isso soa de um mal gosto tremendo. Uma falta de lealdade enorme... Pena que a Sandra não abra os olhos... Talvez seja justamente isso que ela não quer. Abrir os olhos. Mas essa situação não vai se estender por muito tempo, Tarso.

TARSO: - Está agourando meu casamento, é isso?

ESTÉR: - Estou apenas te alertando. Você sabe o que pode acontecer.

Tarso se afasta. Orestes se aproxima de Estér.

ORESTES: - Algum problema, minha filha?

ESTÉR: - Problema? Não, papai.

ORESTES: - Perguntei porque vi você e o Tarso numa conversa, parecia um pouco tensa.

ESTÉR: - Nada não, impressão sua. (sorri)

ORESTES: - Ótimo. (sorri)

ESTÉR: - E dona Maria Helena?

ORESTES: - Foi se encontrar com a Sandra e a Selma. Marcinha foi junto.

ESTÉR: - A Marcinha junto nos encontros da Maria Helena? Não é a cara dela. Aposto que ela foi arrastada, só pra não contrariar a avó.

CENA 10. APTO SANDRA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Maria Helena, Sandra e Selma conversam na sala de estar, enquanto Marcinha e Aline estão sentadas à mesa, mexendo no notebook.

SANDRA: - Que bom que Marcinha veio junto, Maria Helena. Assim a Aline também tem companhia.

MARIA HELENA: - Eu quero que a Marcinha me acompanhe mais nas rodas da alta sociedade. Ela precisa saber onde é o seu lugar de fato.

SELMA: - Ela é uma menina muito bonita e educada. Tenho certeza que vai se acostumar logo logo com os nossos hábitos. Ah, se eu tivesse filha mulher para me acompanhar... O André só quer saber de futebol. Nem o polo ele quis.

MARIA HELENA: - Quero levar Marcinha para os concertos no Municipal.

SANDRA: - Será que ela aceita? Não vejo muito o perfil dela não.

MARIA HELENA: - Não é questão de perfil, Sandra. É questão de estirpe. Ela precisa frequentar lugares melhores. Faz bem para o intelecto.

Enquanto isso, na mesa, Marcinha e Aline conversam.

ALINE: - E aí o Vitinho vai para os Estados Unidos e vai me levar com ele!

MARCINHA: - Que legal!

ALINE: - Ele não disse levar assim, com essas palavras, “vou te levar”, mas disse que ia pensar. Eu já estou muito empolgada. Mas ainda nem falei com a mamãe.

MARCINHA: - Mesmo assim já é uma chance. Que bom que vocês se dão bem.

ALINE: - Mesmo não sendo nada oficial, pra família e tal, eu e o Vitinho, a gente se completa... Agora, você é que ainda não achou um par, hein, Marcinha... Tá na hora, né?

MARCINHA: - Ah, eu não tenho pressa não. Quando chegar a hora, vai ser.

ALINE: - Não pense que ele vai vir num cavalo branco não tá? A não ser que seja numa corrida de turfe, que você vai começar a frequentar.

MARCINHA: - Quem disse que eu vou?

ALINE: - Presta atenção na conversa delas lá atrás... Sua avó só quer você nessas chatices da alta sociedade. Chazinhos, reuniões em clubes... Ainda bem que minha mãe desencanou disso.

MARCINHA: - Eu não vejo graça nisso, mas não quero chatear a minha avó. Ela acredita tanto em mim...

ALINE: - Mas você não pode viver a vida que ela quer que você viva, não é? Uma hora você vai ter que falar isso pra ela.

Marcinha fica pensativa.

CENA 11. TRANSIÇÃO DO TEMPO. ANOITECER / CASA TEREZA. INT. NOITE

Imagens do Rio ao anoitecer. (sobe trilha “Feitiço da Vila” – Noel Rosa). Mostra imagens do bairro de Vila Isabel. Corta para a casa de Tereza. Sílvia, Júlio e Tereza conversam, empolgados. (fade out trilha)

TEREZA: - Júlio, eu não acredito! É verdade mesmo?!

JÚLIO: - É verdade. O galpão é nosso! Fechei negócio hoje mesmo!

SÍLVIA: - Gente, que maravilha!

TEREZA: - Champanhe pra comemorar! Quero dizer, por enquanto vai ter que ser suco, tá gente? Depois, quando a coisa melhorar, eu prometo que vamos ter champanhe!

Tereza vai para a cozinha.

SÍLVIA: - Ótima iniciativa, Júlio. Que bom que está dando tudo certo.

JÚLIO: - Bom saber que você está do meu lado contra aquela cobra.

SÍLVIA: - Fala baixo...

Tereza retorna, trazendo três copos de suco. Cada um pega um copo, eles brindam.

SÍLVIA: - Eu trouxe aqui alguns desenhos, que a gente já pode começar a fazer.

TEREZA: - Podemos começar usando umas máquinas de costuras que eu tenho guardadas ainda. Estão um pouco velhas, mas acho que funcionam.

JÚLIO: - Vamos precisar de mais umas duas costureiras, não acham? Pra gente poder agilizar na produção.

SÍLVIA: - Claro... Vamos ver quem se interessa aqui no bairro.

TEREZA: - Enquanto isso, eu vou entrando em contato com antigas clientes da CarioLinda. Tenho certeza que elas vão adorar saber da novidade!

JÚLIO: - Eu garanto que em pouco tempo, o galpão estará nos trinques. Amanhã mesmo já instalamos as máquinas de costura.

TEREZA: - Eu estou tão feliz! Muito obrigada por vocês estarem me ajudando. Obrigada mesmo.

SÍLVIA: - Se Deus quiser, vai dar tudo certo, Tereza.

JÚLIO: - Vai dar sim. A CarioLinda vai voltar com força total.

(sobe trilha “Feitiço da Vila” – Noel Rosa).

CENA 12. APTO RAQUEL E ADÔNIS. INT. NOITE.

Adônis, Raquel e Valquíria sentados à mesa, conversando. Diogo vai passando pela sala, de casaco, calça, bem vestido, indo em direção à porta.

ADÔNIS: - Ei, vai sair?

DIOGO: - Vou.

ADÔNIS: - E não diz nada... Vai aonde e com quem?

DIOGO: - Vou dar uma volta com o pessoal.

RAQUEL: - Marcinha vai junto, Diogo? Quero que leve um livro meu pra ela. Sobre a dança e os calçados, acho que ela vai gostar.

DIOGO: - Não sei se ela vai vir, Raquel. Não falei direito com eles.

ADÔNIS: - Essa história ta muito estranha, Diogo.

VALQUÍRIA: - Ai, Adônis, deixa de ser careta. Não ta vendo que o rapaz quer sair e manter sigilo para onde ele vai, com quem... (risos)

DIOGO: - Até que enfim alguém sacou... (saindo) Até depois!

Diogo sai.

ADÔNIS: - Não gosto quando ele fica assim, misterioso.

RAQUEL: - Diogo nunca foi misterioso, Adônis.

ADÔNIS: - Eu conheço meu filho, Raquel...

RAQUEL: - Você deveria era se aproximar mais dele.

VALQUÍRIA: - É, fazer algum programa juntos.

ADÔNIS: - Impossível. Diogo não suporta mais sair comigo. Agora ele prefere me pedir dinheiro do que ir comigo comprar alguma coisa que ele queira. Aliás, ele saiu sem pedir um tostão!

RAQUEL: - Vai ver ele está começando a mudar. Você deveria experimentar também.

ADÔNIS: - É, pode ser...

VALQUÍRIA: - Mude para você ir com o Diogo na minha exposição! (risos) Os quadros estão ficando lindos.

RAQUEL: - E quando vai ser? Já tem data?

VALQUÍRIA: - Ainda não. Eu quero terminar todos primeiro... Preciso de inspiração para pintar.

ADÔNIS: - Mas o seu namorado não te inspira? (ri, debochado)

VALQUÍRIA: - Sim, e muito! Mas ultimamente ele tem estado um pouco estranho, sei lá. E ontem, quando jantamos fora, eu (pausa)

RAQUEL: - Você...?

VALQUÍRIA: - Eu o vi olhando outra mulher.

ADÔNIS: - Ih, danou-se...

RAQUEL: - E o que você fez, amiga?

VALQUÍRIA: - Chamei atenção dele, mas depois eu percebi que a errada era eu. Eu preciso aprender a valorizar o homem que eu tenho do lado para que ele não procure em outra o que tem em casa.

RAQUEL: - Valquíria, não acredito que você fez isso!

VALQUÍRIA: - Eu fiz, Raquel! Eu amo o Bruno! Não suportaria ver ele ao lado de outra pessoa.

ADÔNIS: - A mulher que ele viu pelo menos era bonita?

VALQUÍRIA: - Linda!... Marília Pereira, a ex-modelo.

RAQUEL: - Essa mulher é uma exuberância! Lindíssima!

VALQUÍRIA: - Pois então. E sabe quem estava com ela no restaurante? Na mesma mesa, trocando carinhos? Fernando!

RAQUEL (surpresa): - Como é que é?! O Fernando?!

ADÔNIS: - Por que o espanto, Raquel?

RAQUEL: - Nada não, só fiquei surpresa... Fernando há um bom tempo não sai com alguém. Só isso, fiquei surpresa...

ADÔNIS: - Hummm

CENA 13. CASA MARÍLIA. SALA / QUARTO AMÁLIA. INT. NOITE.

Amália e Ilza estão na sala de estar, assistindo TV.

ILZA: - Essa novela é muito boa. Adoro ver a atriz principal.

AMÁLIA: - Eu já não vejo muita graça nessa mulher não, mãe. Preferia a novela anterior...

A campainha toca.

AMÁLIA (vai atender a porta): - Está na hora da Marília deixar de frescura e contratar uma empregada. Detesto ficar abrindo porta toda hora.

ILZA: - Assim você se exercita um pouco. Só sabe ficar sentada no sofá, lendo revista, assistindo TV...

Amália abre a porta. É Bruno quem chega.

AMÁLIA (surpresa/feliz): - Bruno!

BRUNO: - Como vai Amália?

AMÁLIA: - Muito bem! Entra!

BRUNO (entrando): - Como vai, dona Ilza?

ILZA: - Muito bem, Bruno. Veio falar com a Marília? Ela ainda não chegou.

BRUNO: - Não, hoje não. Eu queria mesmo era trocar uma palavra com a Amália.

AMÁLIA (empolgada): - Comigo?

BRUNO: - Sim, Amália. Podemos?

Corta para o quarto de Amália. Ela, sentada na cama, enquanto Bruno, de pé, conversa com ela.

AMÁLIA: - Então você viu a Marília e o Fernando juntos no restaurante?

BRUNO: - Um clima de romance nojento... Sua irmã não poderia ter feito isso comigo.

AMÁLIA: - E não poderia por quê? Vocês não tem nada, Bruno.

BRUNO: - Ela sabe que eu gosto dela.

AMÁLIA: - Gosta, mas não ama. Taí a diferença. Pelo visto, o Fernando a ama, de verdade.

BRUNO (firme): - Não me interessa!... A Marília precisa ficar comigo!

AMÁLIA: - E o que você está pensando em fazer?

BRUNO: - Separar a Marília e o Fernando. E você vai me ajudar.

AMÁLIA: - Eu?!

BRUNO: - Não precisa se fazer de santa, Amália. Eu sei que você inveja sua irmã mais do que tudo nesse mundo. Não suporta ver a Marília feliz.

AMÁLIA: - Não suportar é algo muito forte, Bruno. Mas concordo com você que ver a Marília se dando bem o tempo todo me incomoda.

BRUNO: - Então... A gente precisa separar a Marília do Fernando. Ela não pode ser feliz ao lado dele. Ela vai ficar triste, muito triste. E aí eu entro no jogo, sendo o ombro amigo que vai consolar a sua irmãzinha.

AMÁLIA: - E aí ela vai se dar bem de novo, ficando com você. Não vejo vantagem nisso. A Marília não vai sofrer!... (pensa) A não ser que...

BRUNO: - A não ser quê...?

AMÁLIA: - Ela seja traída.

BRUNO: - Do que você está falando? Quer arrumar uma amante pro Fernando?

AMÁLIA: - Não, queridinho... Uma amante pra você.

Bruno olha surpreso para Amália.

BRUNO: - Eu estou entendo bem?

AMÁLIA: - Eu sempre fiquei de olho em você, Bruno... Seu jeito determinado, forte... Esse seu faro para o que é bom. (se aproxima de Bruno, pelas costas, o abraça) Sempre fiquei imaginando como seria estar nos seus braços.

BRUNO (vira-se para Amália): - Amália, você está ficando louca?

AMÁLIA: - Não! Eu estou muito sã... A Marília precisa sofrer. E nada melhor do que um belo par de chifres eternos... A gente separa ela do Fernando, a Marília fica com você e eu, como uma irmã muito querida, fico com o marido dela.

BRUNO: - Amália, você quer ser minha amante, é isso?

AMÁLIA: - É isso mesmo. É a minha condição. Ou você aceita me possuir, ou eu não te ajudo com nada. E o pior, ainda faço sua caveira para a minha irmã.

BRUNO: - Você é uma vagabunda mesmo.

AMÁLIA: - Você falando assim me deixa até excitada... (ri, maliciosa) Então, Bruno. É me pegar, ou largar.

Amália encara Bruno.

CENA 14. RUA. EXT. NOITE.

(sobe trilha “Garotos” – Leoni) Diogo caminha pela rua. Há alguns garotos de programa no local, mulheres também. Ele faz ponto. Um carro para em frente à Diogo, baixa o vidro. Um homem, meia idade, cabelos grisalhos.

DIOGO: - Só mulheres, parceiro.

HOMEM: - Mesmo eu pagando em dólar?

DIOGO: - Dólar?

HOMEM: - Sim...

DIOGO: - Não, não. Homem não é minha praia...

HOMEM: - Pena, bonitão...

O homem vai embora. Diogo caminha, abre um pouco o casaco. Está sem camisa. Outro carro para, modelo importado, preto, vidros escuros. Diogo se aproxima. É uma mulher, loura, por volta dos 50 anos, “ar” de perua.

MULHER: - Tudo certo, bonitão?

DIOGO: - Melhor agora...

MULHER: - Vem, entra.

Diogo entra no carro.

DIOGO: - Eu cobro (pausa)

MULHER (interrompe): - Ih... Já vi que você é novo no ramo. Já veio falando de preço sem nem fazer nada... Eu sou cliente antiga daqui. Não pergunto preço. Quero saber é da qualidade (alisa a perna de Diogo) Eu é que dou o valor do programa por aqui.

DIOGO: - Mas (pausa)

MULHER (interrompe): - Não se preocupa, querido. Eu pago. E muito bem.

CENA 15. CASA SÍLVIA. INT. NOITE.

Sílvia chega a sua casa e encontra Laerte e Melissa na sala. Melissa revela que passou numa seleção para estilista. Sílvia comemora e deixa escapar que está ajudando Júlio.

SÍLVIA: - Que ótimo, Melissa! Nem eu sabia que você gostava de desenhar croquis, minha filha! Agora somos nós duas trabalhando com moda!

LAERTE: - Como assim, vocês duas?

SÍLVIA: - O que foi Laerte? Eu falei agora é você quem trabalha com moda.

LAERTE: - Eu não sou bobo, Sílvia.

MELISSA: - É mamãe, você disse nós duas... Está trabalhando para alguma grife também, mãe?

LAERTE: - Essa eu também quero saber, minha filha. Diga, Sílvia.

SÍLVIA (toma coragem): - Sim, eu estou. Serei a estilista da CarioLinda.

Laerte se surpreende.

MELISSA (abraça Sílvia): - Que legal, mãe! Nós duas trabalhando!

SÍLVIA: - Bom mesmo, minha filha.

MELISSA: - E onde fica essa sua grife?

SÍLVIA: - Estamos começando, aos poucos, num galpão na rua atrás da quadra da Vila Isabel.

MELISSA: - Que ótimo que é perto daqui... Bom, agora eu vou pro quarto arrumar minhas coisas porque amanhã o dia será cheio!

Melissa sai. Laerte e Sílvia se encaram.

LAERTE: - Mais uma vez você mentindo pra mim. Virou rotina esse seu comportamento falho.

SÍLVIA: - Por favor, Laerte. Não pense na vingança do Júlio. Pense na oportunidade que eu estou tendo de mostrar a minha cara!

LAERTE: - Mas você não pode fazer isso! É arriscado, proibido, você sabe! É um erro tremendo!

SÍLVIA: - Só será um erro se outras pessoas descobrirem. E elas só descobrirão se você disser, Laerte.

LAERTE: - Não peça para encobrir as suas armações, Sílvia. Você está se enrolando cada vez mais. Está ajudando dois inimigos mortais: o Júlio e a Rosana!

SÍLVIA: - Peço a sua ajuda sim, Laerte. Agora é sua vez de dar uma prova de confiança, mesmo diante de todos os motivos que você tem para me condenar. Por favor, Laerte. Não diga para ninguém, principalmente para a Rosana que eu estou trabalhando com o Júlio.

LAERTE: - O que ele vai dizer quando descobrir que você ainda continua ajudando a Rosana? Ele deve saber da famosa coleção do amor que parou nas mãos dela. Mas foi só isso.

SÍLVIA: - Eu sei muito bem o que eu estou fazendo, Laerte. E sei que nada vai dar errado. Mas agora eu estou precisando da sua palavra. Não fale nada, para ninguém. Nem o Júlio nem a Rosana precisam saber disso, ok?


Sílvia encara Laerte, esperando uma resposta dele.
 

 


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