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Relações Perigosas - Capítulo 40

Novela de Felipe Porto
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VALE A PENA LER DE NOVO: RELAÇÕES PERIGOSAS
 
     
 
 
     
  NO CAPÍTULO ANTERIOR DE "RELAÇÕES PERIGOSAS":

Gregório — Vocês?!

Bianca também se assusta e rapidamente se levanta da cama.

Bianca — Milena?! Marcelo?!

Milena — A gente atrapalha a diversão de vocês?

Gregório — Não é nada disso que vocês tão pensando!

Milena — Ah me poupe com essa conversa! (Tom) Como vocês tiveram coragem de fazer isso?

Marcelo — Há quanto tempo vocês enganam todo mundo?

Gregório e Bianca se entreolham.

...

Heloísa caminha de um lado para o outro.

Heloísa — Agora o Marcelo deve tá lá, curtindo a vida juntinho daquela vagabunda. (Ri) Mas eles tão muito enganados se pensam que eu vou deixar por isso mesmo. O que é deles tá guardado. Eles vão me pagar caro por tudo isso.

Em Heloísa furiosa.

...

Milena — (Corta) Fazendo uma reunião de negócios? Inventa outra desculpa!

Gregório — Não, é que...

Milena — É que vocês são uns cretinos! Uns traidores! Não valem o chão que pisam!

Bianca — (Grita) Chega!

Silêncio de todos.

Bianca — Chega com isso. Vocês querem a verdade, vocês vão ter ela.

Gregório — Bianca...

Bianca — Sim! Nós temos um caso sim!

Gregório — Vê lá o que você vai falar.

Bianca — Eu vou falar o que eles querem ouvir: a verdade! (Pra Marcelo) Você, Marcelo, não passou os últimos meses tentando descobrir porque o seu pai sumiu com você?

Marcelo — (Surpreso) Você sabe.

Bianca — Sei. Vocês ficam acusando a gente, mas não sabem o que realmente aconteceu.

Marcelo — Então me fala. O que aconteceu?

Gregório — Bianca...

Bianca — Me deixa. (Para Milena e Marcelo) Tá na hora de vocês saberem quem foram os verdadeiros traidores dessa história: Se eu e o Gregório... Ou o Coimbra e a Ana Carolina.

Na tensão entre todos.

 
     
 
     
     
     

CAPÍTULO 40 (CAPÍTULO ESPECIAL)
 
     
 

CENA 01. hotel. quarto. Interior. Dia.

Continuação da última cena do capítulo anterior.

Música: Instrumental Suspense.

Tensão. Marcelo, Milena, Bianca e Gregório.

Marcelo — (Para Bianca) O que você tá querendo dizer com isso?

Bianca — Eu quero dizer que às vezes as coisas não são como parecem.

Milena — Então fala pra gente como as coisas são. (Pausa) Se vocês sabiam de tudo, porque sempre evitaram falar?

Bianca — Pra poupar vocês dois.

Marcelo — Eu não quero ser poupado. Eu quero a verdade.

Bianca — Tudo bem. Se é a verdade que vocês querem, é a verdade que eu vou contar.

Gregório — Vê lá o que você vai falar, Bianca.

Bianca — (Para Gregório) Não tem mais porque a gente esconder isso. (Para Milena e Marcelo) Vocês estão preparados pra escutar tudo?

Marcelo e Milena se olham, tensos.

Marcelo — (Para Bianca) Sim. Pode começar.

Bianca — Como vocês já devem saber, a Ana Carolina e eu éramos amigas. Foi graças a amizade que o Coimbra tinha com o Alcides que a Exportadora conseguiu fechar um contrato de exclusividade com a Barão do Alambique. (Pausa) Essa história que eu contava que eu tinha brigado com a Ana por causa de um contrato que causou prejuízo pra nossa empresa, era mentira.

Milena — Sempre desconfiei.

Bianca — (Continua) Mas a história é mais comprida.

Fecha em Bianca. [Instrumental off].

Fusão para: 
 

_________________ INÍCIO DOS FLASHBACKS _________________

 

CENA 02. casa de ana carolina. sala. Interior. Noite.

Abre em Bianca, mais jovem, com 33 anos, sorridente. Ela está ao lado de Coimbra 35 anos. Eles são recebidos por Alcides 37 anos e Ana Carolina 35 anos. Ambos sorridentes trocam cumprimentos entre si.

Algumas modificações de móveis de decoração nos cenários indicam outra época.

Coimbra — Desculpa a demora, mas a Bianca demorou séculos pra se arrumar.

Alcides — (Ri) Sei bem com é mulher.

Bianca — Como se a culpa fosse só minha.

Ana Carolina — O que importa é que vocês estão aqui. E nós estamos muito contentes que vocês tenham aceitado esse convite pra jantar conosco.

Alcides — Depois de várias tentativas, né Coimbra?

Coimbra — Divergência de horários. Mas agora a gente tá aqui.

Ana Carolina — Eu vou falar com os empregados pra servirem o jantar. (Para Alcides) Amor, vai abrindo o vinho.

Ana Carolina vai para a cozinha. Alcides vai até um canto e logo em seguida volta com uma garrafa de vinho aberta e quatro taças. Ele distribui as taças e serve o vinho. Ana Carolina volta da cozinha.

Ana Carolina — Quase pronto.

Alcides entrega uma taça para Ana Carolina e serve.

Bianca — À que vamos brindar?

Alcides — (Levanta a taça) À parceria entre a Barão e a Giacomelli Exportações. Que renda bons frutos dentro e fora dos negócios.

Ana Carolina — (Completa) À nós.

Todos levantam a taça e brindam.

CENA 03. casa de ana carolina. sala de jantar. Interior. Noite.

Alcides, Ana Carolina, Bianca e Coimbra num jantar elegante e intimista. Conversa já iniciada.

Alcides — Espero que vocês estejam gostando do cardápio.

Bianca — Tá fantástico, Alcides. (Para Coimbra) Não tá?

Coimbra — Uhum.

Bianca — E o Marcelo?

Ana Carolina — Comeu antes e foi pro quarto. Esse jantar não é pra criança.

Bianca — Você tem razão.

Ana Carolina — Qualquer dia desses vocês podem trazer a filha de você aqui pra brincar com ele. São dá mesma idade, não são?

Bianca — Sim, são. Claro, qualquer dia eu trago a Milena.

Alcides — E você Coimbra? Tá quieto? Aconteceu alguma coisa?

Coimbra — Aconteceu nada não. É que ultimamente eu tenho gostado de observar as pessoas. Assim a gente conhece melhor que tá à nossa volta.

Os quatro continuam jantando e conversando.

CENA 04. rio de janeiro. ambiente. Exterior. Dia/noite.

Stock-shot do Rio de Janeiro no início dos anos 90. Intercalar entre dia e noite, indicando passagem de alguns dias.

CENA 05. clube. quiosque. Interior. Dia.

Coimbra e Ana Carolina sentados à mesa, bebendo um suco.

Coimbra — Você gosta daqui?

Ana Carolina — Não conhecia, mas tenho gostado sim. Só não entendo porque a gente não vai no Monte Líbano. Você também é sócio lá.

Coimbra — Sou e por isso mesmo não vou. É muita gente conhecida. Eu quero paz e lá volta e meia aparece algum conhecido pra encher a paciência.

Ana Carolina — (Ri) Isso é verdade.

Ana Carolina beberica o suco.

Ana Carolina — Engraçado isso. A gente se conhece há um tempão, mas eu lembro da gente ter saído só nós dois com tanta frequência como nas últimas semanas.

Coimbra — Não tem gostado?

Ana Carolina — Pelo contrário! Tenho achado muito agradável.

Coimbra — Que bom! Essa era a intenção: tornar esses encontros os mais agraváveis possíveis. Mas eles seriam de qualquer forma, sabe por quê?

Ana Carolina — Por quê?

Coimbra coloca sua mão sobre a mão de Ana Carolina.

Coimbra — Porque qualquer coisa se torna agradável com você.

Ana Carolina olha para a mão de Coimbra sobre a dela, sem saber o que fazer. Tensão dela.

CENA 06. barão do alambique. sala de alcides. Interior. Dia.

Alcides trabalhando. Entra Gregório mais jovem, com 30 anos.

Alcides — Já tá na hora da reunião, Gregório?

Gregório — Quase, mas o Dr. Giancarlo já tá na sala de reuniões.

Alcides — E o Coimbra não chegou ainda?

Gregório — Dr. Giancarlo disse que só ele vai participar da reunião. Coimbra não vem.

Alcides — Não? Que estranho.

Gregório — Você já vai pra sala?

Alcides — Dois minutinhos. É só o tempo de eu ajeitar alguns papéis. Segura as pontas lá.

Gregório — (Saindo) Não demora.

Alcides fica ali mexendo em alguns papéis.

CENA 07. clube. quiosque. Exterior. Dia.

Ana Carolina tira sua mão sob a mão de Coimbra.

Ana Carolina — (Sem jeito) Obrigada. (Se levantando) Mas acho que já tá na hora da gente ir, né?

Ana Carolina sai. Coimbra sorri, se levanta e vai a segue.

CENA 08. clube. estacionamento. Exterior. Dia.

Ana Carolina caminha rapidamente. Coimbra atrás, tenta alcançá-la.

Coimbra — Tá Correndo por quê, Ana?

Ana Carolina chega ao carro de Coimbra.

Ana Carolina — Não to correndo.

Coimbra encurrala Ana Carolina perto do carro.

Coimbra — Até parece que tá querendo fugir de mim.

Ana Carolina — Eu não quero fugir de ninguém eu só acho que...

Coimbra — (Por cima/Sutil) Eu nunca tinha reparado o quanto você é linda.

Ana Carolina desvia o olhar.

Ana Carolina — Acho melhor eu pegar um táxi.

Coimbra faz com que ela o olhe.

Coimbra — Não precisa. Eu te levo pra casa.

Ana Carolina consegue sair do brete formado por Coimbra e o carro.

Ana Carolina — (Se afastando) Obrigada, mas eu pego um táxi.

Coimbra pega no braço de Ana Carolina a puxa para perto de si e a beija. Surpresa, Ana Carolina fica sem ação por um tempo, até que empurra Coimbra.

Ana Carolina e Coimbra se encaram por um breve tempo, até que ela dá as costas e vai embora sem falar nada. Coimbra sorri, satisfeito.

CENA 09. casa de ana carolina. frente. Exterior. Noite.

Take da fachada da mansão. Pequenas alterações no jardim e na decoração indicam época diferente.

CENA 10. casa de ana carolina. quarto do casal. Interior. Noite.

Ana Carolina deitada na cama, pensativa, em silêncio. Alcides termina de colocar seu pijama. Ele olha para a esposa.

Alcides — Tava salgada a comida hoje, você não achou?

Ana Carolina — Uhum.

Breve silêncio.

Alcides — O Marcelo já foi dormir?

Ana Carolina — Uhum.

Alcides — (Sorri) E essas respostas monossilábicas? É TPM ou aconteceu alguma coisa?

Ana Carolina se ajeita na cama, tenta disfarçar o incomodo com a pergunta.

Ana Carolina — Que coisa poderia ter acontecido?

Alcides — Não sei. Você que tem que me dizer. Tá aí, toda estranha, igual um bicho do mato acuado.

Ana Carolina — (Irritada) Não vem com paranoia, Alcides. Não aconteceu nada.

Alcides senta ao lado de Ana Carolina e a encara.

Alcides — Se não aconteceu nada, por que você tá assim tão irritada?

Ana Carolina — Eu não ia falar, mas aconteceu sim.

Ana Carolina e Alcides se encaram. Ela hesitante.

Alcides — Fala, Ana!

Ana Carolina — Aconteceu que você tá me deixando irritada com essas perguntas idiotas!

Alcides — Sério que é só por isso?

Ana Carolina — É! Agora me deixa dormir! Boa noite!

Alcides se levanta da cama. Ana Carolina se deita ainda mais e se tapa com o lençol.

Alcides — Boa noite.

Alcides dá a volta na cama, senta nela e olha desconfiado para Ana Carolina, que está de costas para ele.

Gregório — (Off) Estranha como, Alcides?

CENA 11. barão do alambique. sala de alcides. Interior. Dia.

Alcides e Gregório conversando. Ligar áudio com a cena anterior.

Alcides — Não sei, Gregório. Não sei. Ela tava diferente, parecia que tava me escondendo alguma coisa.

Gregório — Escondendo o quê? Você não confia na sua mulher?

Alcides — É claro que confio! Mas a Ana Carolina tá diferente e não é de hoje! Faz um tempo que eu tenho reparado nisso!

Alcides suspira fundo.

Alcides — Nem sei por que eu to te falando isso. Deve ser bobagem da minha cabeça.

Gregório — Também acho, mas se você tá tão desconfiado assim, por que você não....?/ (Pausa) Esquece.

Alcides — Esquece nada. Começou, agora fala o que você ia sugerir.

Gregório  — Deixa. É loucura e você nunca ia fazer uma coisa dessas.

Alcides — (Impaciente) Fala, Gregório!

Gregório — Segue a Ana Carolina.

Alcides — Quê?!

Gregório — É! Segue ela! Assim você vai saber se ela ta realmente tá te escondendo algo ou se é só invenção da sua cabeça.

Alcides — (Reticente) Seguir a Ana?... Será?

Na indecisão de Alcides.

CENA 12. prédio de luísa. frente. Exterior. Dia.

Carro de Alcides parado na esquina do prédio de Luísa. Este é o mesmo prédio dos dias atuais.

Corta para o interior do carro de Alcides:

Alcides e Gregório observam a saída do prédio.

Alcides — To me sentindo ridículo fazendo isso. Igual um adolescente desconfiado que fica seguindo a namorada por bobagem. Ela tá mais de uma hora no apartamento da Luísa.

Gregório — Você quer ir embora?

Alcides — Quero. A Ana tá com a Luísa, não sei o que deu na minha cabeça pra desconfiar dela.

Alcides faz gesto de que vai ligar o carro, mas Gregório o impede.

Gregório — Espera.

Alcides — Que foi?

Gregório — Eu vou ficar.

Alcides — Meu irmão! Eu já disse que não quero saber dessa história. Foi bobagem minha ter desconfiado da Ana Carolina.

Gregório — Não tem nada a ver com a sua mulher. Eu deixei um terno italiano caríssimo em uma tinturaria aqui perto. Vou aproveitar que to aqui e pego ele.

Alcides — Tudo bem, a gente passa lá.

Gregório — (Abrindo a porta) Não precisa. Eu volto de táxi.

Gregório sai do carro. Alcides dá de ombros, liga e arranca o carro.

Corta para a rua:

Gregório olha para o prédio de Luísa.

CENA 13. barão do alambique. fachada. Exterior. Dia.

Tomada da frente do prédio da Barão do Alambique.

CENA 14. barão do alambique. sala de alcides. Interior. Dia.

Alcides trabalhando, tempo e pega o telefone.

Alcides — (Tel) Pede pro Gregório vir até a minha sala, por favor? (Pausa) Ainda não chegou?! Tudo bem, pede pra ele passar aqui assim que voltar.

Alcides desliga o telefone e volta a trabalhar. Tempo e o telefone toca. Alcides atende.

Alcides — (Tel) Sim? Gregório por que você tá demorando tanto?

CENA 15. rua. ambiente. Exterior. Dia.

Gregório falando de um telefone público.

Gregório — Sabe aquela história de terno? Era mentira. Eu segui a Ana Carolina.

Alcides — (Off) Você tá louco?! Por que você fez isso?!

CENA 16. barão do alambique. sala de alcides. Interior. Dia.

Alcides irritado, falando ao telefone.

Alcides — (Tel) Eu disse que era paranoia minha!

Gregório — (Off) Talvez não seja.

Alcides reage com surpresa.

Gregório — (Off) Eu vou te passar um endereço. Vem o mais rápido possível.

Na tensão de Alcides.

CENA 17. clube. saguão ambiente. sagss. Dia.

Alcides e Gregório caminham.

Alcides — Eu não to acreditando que você me convenceu a fazer isso!

Gregório — Desculpa se eu menti pra você, mas é que eu também fiquei com a pulga atrás da orelha. Culpa sua!

Alcides — O que você tem pra me mostrar?

Gregório — É melhor você ver com os seus próprios olhos.

Alcides e Gregório param na porta de uma bar/restaurante.

CENA 18. clube. bar/restaurante. Interior. Dia.

Alcides e Gregório na porta do local. Do outro lado do ambiente, em pé, na beira do balcão do bar, estão Ana Carolina e Coimbra. Eles bebem e conversam, mas não é possível ouvir suas vozes.

Alcides — A Ana Carolina e o Coimbra? O que eles tão fazendo aqui?

Alcides fica um tempo olhando os dois conversando.

Alcides — Vou lá ver o que tá acontecendo/

Alcides faz menção de ir até eles, mas paralisa ao ver Coimbra beijar Ana Carolina.

Alcides em choque, observa a cena. Tempo e ele sai do local.

CENA 19. clube. saguão. Interior. Dia.

Alcides caminha fora de si. Gregório atrás.

Alcides — Vagabunda! Ordinária! Me traindo com o meu amigo!

Gregório — Calma, Alcides!

Alcides — (Inconformado) Ela me traiu com o Coimbra, Gregório! Eu tinha tanta estima por ele e esse cretino me dá essa punhalada nas costas?!

Gregório — Eu sei que dói, mas você precisa ser forte, meu irmão.

Alcides — Forte vai precisar ser ele depois que eu encher a cara dele de porrada.

Alcides caminha rapidamente em direção ao bar/restaurante. Gregório vai atrás.

CENA 20. clube. bar/restaurante. Interior. Dia.

Alcides entra seguido de Gregório.

Alcides — Cadê aqueles dois traidores?!

Alcides olha em volta e não vê Ana Carolina e Coimbra.

Alcides — Eles não tão aqui.

Gregório — Se eles tivessem saído, teriam passado pela gente.

Alcides vai até o Barmen.

Alcides — Com licença. Tem alguma outra saída aqui?

Barmen — Tem sim. (Aponta) Aquela ali que dá direto pra área externa do clube.

Alcides — Eles saíram por ali.

Alcides sai pela porta indicada pelo Barmen. Gregório vai atrás.

CENA 21. clube. área externa/estacionamento. Exterior. Dia.

Alcides olha para os lados, até que vê Ana Carolina e Coimbra caminhando abraçados. Gregório ao seu lado.

Alcides — Ali tão eles! (Revoltado) E abraçado! (Tom) Eu vou acabar com essa palhaçada.

Gregório — Espera, Alcides. Eles tão indo pra algum lugar. Segue eles e aí sim você toma alguma atitude.

Alcides — Você tem razão. Vamos ver até onde vai essa palhaçada toda.

Alcides e Gregório seguem sorrateiramente Coimbra e Ana Carolina até o estacionamento.

Coimbra abre a porta do seu carro para Ana Carolina e ela entra. Ele faz a volta e entra também.

Alcides — Meu carro não tá longe. Corre que eu quero ver aonde eles vão.

Alcides e Gregório correm para outro ponto do estacionamento.

CENA 22. motel. frente. Exterior. Dia.

Carro de Alcides parado em frente a um motel.

Corta para o interior do carro:

Alcides e Gregório. Alcides inconformado.

Alcides — Eu não consigo acreditar no que os meus olhos veem.

Gregório — Eu to muito arrependido de ter te contado tudo isso, Alcides. Olha pra você!

Alcides — Você não tem que se arrepender de nada, Gregório. Quem tem que se arrepender de algo é esses dois cretinos traidores.

Silêncio. Alcides com lágrima dos olhos.

Alcides — Onde foi que eu errei pra Ana Carolina precisar procurar outro homem?

Gregório — Não se culpa, meu irmão. O que esses dois fizeram é responsabilidade exclusivamente deles.

Alcides — O Coimbra era meu amigo! Eu ajudei nas negociações entre a Barão e a Exportadora e agora ele me faz isso? Duas traições de uma vez só.

Gregório — O que você pretende fazer agora?

Música: Instrumental suspense.

Alcides olha para o porta-luvas por um tempo até que ele o abre e tira um revólver de dentro. Gregório reage surpreso.

Gregório — Pelo amor de Deus, Alcides! O que você vai fazer com isso?!

Alcides — Vou resolver essa história.

Gregório — Pensa bem, meu irmão! Não vale a pena acabar com a sua vida por causa daqueles dois!

Alcides — (Decidido) Já pensei. Ninguém vai me impedir de fazer isso.

Com arma em punho, Alcides sai do carro. Tenso, Gregório observa Alcides entrar no motel.

CENA 23. motel. corredor. Interior. Dia.

Instrumental continua. Alcides caminha e para diante de uma porta. Tira o revolver que estava escondido na cintura, respira fundo e bate na porta.

CENA 24. motel. quarto. Interior. Dia.

Instrumental continua. Alguém abre a porta. Alcides entra e vê Coimbra sem camisa. Ana Carolina dorme na cama.

Coimbra — (Surpreso) Alcides?! O que você tá fazendo aqui?

Alcides — (Revoltado) Não acha que é eu quem deve fazer essa pergunta?

Alcides vai até Ana Carolina e a sacode com violência.

Alcides — (Grita) Acorda sua vagabunda!

Coimbra — Abaixa essa arma ou então eu vou chamar a polícia.

Alcides — To nem aí! Pode chamar quem você quiser. A polícia não vai me impedir de meter uma bala no meio da sua cara.

Ana Carolina vai acordando, desnorteada.

Ana Carolina — (Sonolenta) O que tá acontecendo?

Alcides — Tá acontecendo que eu descobri que você é uma vagabunda!

Ainda sonolenta, Ana Carolina olha para Coimbra.

Ana Carolina — (Para Coimbra) O que você tá fazendo aqui?

Coimbra — Como assim?

Alcides — (Indignado) Para de se fazer de desmemoriada, Ana! Olha só pra você! Na cama com o amante! Com o meu amigo! (Para Coimbra) E você Coimbra? Como é que você teve coragem de fazer isso comigo? Eu que sempre te ajudei, sempre estendi a mão pra você.

Coimbra encara Alcides. Ana Carolina se levanta.

Coimbra — Você tem certeza que não sabe mesmo? Você merece.

Alcides dá um soco no rosto de Coimbra, que cai no chão. Ana Carolina se assusta.

Ana Carolina — (Grita) Alcides, pelo amor de Deus, para com isso!

Alcides aponta o revólver para Coimbra que está caindo no chão. Os dois se olham.

Alcides — (Para Coimbra) Levanta que eu não vou atirar em ninguém caído no chão.

Ana Carolina — Você não vai atirar em ninguém, Alcides. Me dá essa arma, você tá nervoso.

Alcides — (Grita) É claro que eu to nervoso! Acabo de pegar a minha mulher na cama com outro e você queria o quê?! Que eu tivesse cantando um mantra?

Ana Carolina — Não aconteceu nada disso que você tá pensando. Eu nem sei como/

Alcides — (Corta/Rude) Cala a boca, sua vagabunda!

Ana Carolina — Não fala assim comigo!

Alcides — Falo sim! É isso que você é: uma vagabunda, uma rameira que me apunhalou pelas costas.

Ana Carolina com lagrima nos olhos.

Ana Carolina — Acredita em mim, meu amor. Eu nunca ia te enganar. Eu te amo, amo o Marcelo. (Para Coimbra) Fala pra ele que não aconteceu nada entre a gente.

Coimbra — Ela tá falando a verdade.

Alcides ri enquanto chora. Revólver ainda em punho.

Alcides — Claro que não aconteceu nada. Vocês só tavam tomando o chá das cinco no motel. (Mostra o revólver) Tão com medinho da arma? Como ela apontando pra cara de vocês, é fácil mudar de versão.

Ana Carolina — Ninguém tá mudando nada, Alcides. Eu nunca ia fazer isso com você! Acredita em mim! Eu te amo!

Alcides — Ama? É dessa forma que você demonstra o seu amor?

Alcides enxuga as lágrimas.

Alcides — Você me feriu de morte, Ana. Agora é a minha vez. (Para Coimbra) Você: aqui na frente.

Coimbra fica na frente de Alcides.

Coimbra — O que você vai fazer?

Alcides — (Para Ana Carolina) E você na frente dele.

Ana Carolina fica em frente à Coimbra.

Alcides — Honra se lava com sangue e eu vou lavar a minha com uma bala só.

Alcides aponta a arma para Ana Carolina e Coimbra. Ele engatilha o revólver. Tensão.

Ana Carolina — (Chora) Não faz isso, você vai acabar com a sua vida.

Alcides — (Chora) A minha vida acabou no momento em que eu entrei nesse quarto.

Closes alternados na tensão de Coimbra e Ana Carolina e em Alcides apontando o revólver.

CENA 25. motel. frente. Exterior. Dia.

Instrumental continua. Carro de Alcides estacionado em frente ao motel.

Corta para o interior do carro:

Gregório aflito.

Gregório — Que demora.

Alcides entra.

Gregório — E aí? O que aconteceu?

Alcides — Vamos embora daqui.

Alcides liga o carro e arranca.

CENA 26. bar. ambiente. Interior. Dia.

Alcides e Gregório bebendo. Conversa já iniciada.

Gregório — (Surpreso) Não?

Alcides — Não, Gregório. Estavam os dois ali na minha frente, mas eu não tive coragem de apertar o gatilho.

Gregório — Você se arrepende de não ter feito isso?

Alcides — Não sei. Pode me chamar de covarde, de corno manso, do que você quiser. Mas eu não tive coragem de matar eles.

Alcides bebe um pouco.

Gregório — E agora? Você vai expulsar a Ana Carolina de casa, não vai?

Alcides — Não sei, eu ainda to meio perdido com tudo o que aconteceu.

Gregório — Depois de tudo o que ela fez com você, ela tem que sair da sua casa!

Alcides — Eu não matei ela, Gregório, porque eu quero que ela sofra em vida. (Com muito ódio) Que sofra tanto ou mais do que eu sofri. Eu vou fazer ela vegetar, definhar. A Ana Carolina vai sofrer tanto que vai passar o resto da vida desejando que eu tivesse matado ela com aquele tiro.

Gregório — Me diz o que você pretende fazer.

Alcides dá outro gole na sua bebida e dá um sorriso para Gregório. Em Alcides com muito ódio.

CENA 27. rio de janeiro. ambiente. Exterior. Noite.

Stock-shot da cidade no início dos anos 90. Pouco movimento na cidade e muito vento nas ruas. Último take é o da frente da casa de Ana Carolina.

CENA 28. casa de ana carolina. sala. Interior. Noite.

Ana Carolina dorme no sofá. Alcides entra da rua, em silêncio. Olha para Ana Carolina com desprezo e sobe as escadas.

CENA 29. casa de ana carolina. quarto de marcelo. Interior. Noite.

Quarto com decoração infantil, vários brinquedos fazem parte da decoração.

Marcelo (5 anos) dorme. As portas do armário estão abertas e dentro dele está praticamente vazio. Alcides termina de colocar algumas roupas de Marcelo em uma mala e sai do quarto carregando ela.

Marcelo continua dormindo. Tempo e Alcides entra novamente, se aproxima de Marcelo e o pega no colo. Sonolento, Marcelo faz sinal que vai acordar, mas Alcides acaricia o filho, fazendo que ele volte a dormir. Alcides sai do quarto com Marcelo.

CENA 30. casa de ana carolina. sala. Interior. Noite.

Alcides desce as escadas com Marcelo dormindo em seu colo. Ele passa por Ana Carolina dormindo no sofá, abre a porta da rua e fica ali, parado por um tempo observando Ana Carolina. Alcides segura as lágrimas e sai para a rua. A porta é fechada. Ficamos em Ana Carolina dormindo. Da rua, escutamos o barulho do carro sendo ligado.

CENA 31. estrada de terra. ambiente. Exterior. Dia.

Abre na visão aérea do carro de Alcides andando por uma estrada de terra.

Corta para o interior do carro:

Alcides dirige. Marcelo no banco de trás está acordando.

Alcides — Dormiu bem filhão?

Marcelo olha para os lados.

Marcelo — Pra onde a gente tá indo pai?

Alcides — A gente tá indo fazer uma longa viagem.

Marcelo — E a mãe não vem?

Alcides — Não. Essa vai ser uma viagem só nossa.

Fecha em Alcides sorrindo e olhando para Marcelo, através do espelho retrovisor.

Fusão para: 
 

___________________ FIM DOS FLASHBACKS ___________________

 

CENA 32. hotel. quarto. Interior. Dia.

Marcelo e Milena escutam perplexos, Bianca e Gregório.

Gregório — Ela devia tá tão exausta que nem viu quando o Alcides saiu com você, Marcelo. No dia seguinte, pela manhã, a Ana Carolina me ligou desesperada, dizendo que você e o meu irmão tinham sumido. Ela falou que não tinha motivos pra ele fazer isso, mas eu sabia que era mentira.

Marcelo — (Incrédulo) Isso não pode ser verdade, ela não fez isso.

Gregório — Eu sei que é difícil de aceitar, mas é a verdade.

Marcelo — Vocês já mentiram tantas vezes. Quem me garante que vocês estão falando a verdade agora? Eu não acredito em vocês.

Bianca — Ninguém tá pedindo pra vocês acreditarem na gente, mas se você quer que essa história seja confirmada Marcelo, vai falar com a Luísa. Ela vai te confirmar tudo o que eu disse.

Milena — Meu pai não era essa canalha que seduz mulher casada como você descreveu.

Bianca — O Coimbra não era nenhum santo, Milena.

Marcelo — (Para Bianca) Eu vou agora mesmo falar com a Luísa.

Bianca — Vai, Marcelo. Ela vai te confirmar que o Alcides sumiu com você pra se vingar da sua mãe.

Marcelo — (Para Milena) Vamos embora, eu não aguento ficar mais um minuto aqui.

Milena — Vamos.

Marcelo e Milena saem. Bianca e Gregório se olham. Ele sorri e a acaricia.

Bianca — Acho que agora eles vão esquecer essa história. (Tom) Me saí bem?

Gregório — Maravilhosamente bem.

Bianca sorri e os dois se beijam.

CENA 33. rio de janeiro. ambiente. Exterior. dia.

Música: Alejate de Mí – Camila.

Stock-shot de ruas e avenidas do Bairro das Laranjeiras. Último take é o da fachada do prédio de Luísa.

CENA 34. ap de luísa. sala. Interior. Dia.

Música continua em volume baixo. Luísa entra da rua e vê Marcelo.

Luísa — Marcelo? Desculpa, mas nós tínhamos combinado algo?

Marcelo — (Levanta) Não, mas como eu precisava muito falar contigo, o Wagner saiu e me deixou ficar aqui.

Luísa — O que de tão urgente você tem pra falar comigo?

Marcelo — A Bianca e o Gregório nos contaram uma história sobre os meus pais e o pai da Milena. Ela falou que você pode confirmar tudo. (Pausa) Por favor, me diz que tudo o que ela falou é mentira.

Em Luísa sem saber o que responder. Fade Out.

Música de encerramento: [Alejate de Mí – Camila].

   

 

     



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