Seas 1x04


 


TEASER

FADE IN:


 

  1. INT. EMPIRE - CORREDOR - MADRUGADA

    Regina, séria, caminha.

    Orlando vai ao seu lado, revolto.


     

  2. INT. EMPIRE - SALA - MADRUGADA

    Regina ENTRA na sala, seguida de Orlando. Ali, uma cadeira de frente para uma televisão. Orlando faz referência àquela e Regina senta-se. Ele cata um controle-remoto de algum lugar próximo e aperta um botão. CORTA PARA Regina.

    Lágrimas.


     

                       ORLANDO

    Você não esperava por essa...

         Ela traz as mãos ao rosto. Chora muito.

                       REGINA

                    (aturdida)

           Você... Você... Minha mãe!

    Finalmente, as cenas que se passam na TV: Tonica está desfalecida, no meio da sala, cercada por DOIS HOMENS, fortes e altos.


     

                       ORLANDO

    (sussurra no ouvido dela) Viu, agora, o que você fez? O que a sua justiça causou?

                       REGINA

                    (trêmula)

           Não! Não! A minha mãe, não!

                       ORLANDO

    Uma ligação e a sua mãe morre; vai pro quinto dos infernos.

                       REGINA

    (berra) Não!!!


     

    Regina levanta e parte pra cima de Orlando, que tenta contê-la.


     

    REGINA (cont.) (raiva)

    Eu vou matar você! Seu desgraçado! Eu vou acabar com a sua raça, seu demônio! Eu vou te destruir!

    Ele joga Regina no chão. Ela grita e chora muito.

    ORLANDO

    (berra)

    Nada do que você fizer vai conseguir diminuir a sua culpa, Regina. Isso tudo é culpa sua! Você escolheu esse caminho! Você escolheu ajudar essas meninas e entrar no meu roteiro. Mas me diz, me diz: por quê? Qual o seu problema? Hein? Será que você não enxerga que eu sou muito maior que você? Será que você não vê que eu posso destruir você e a sua família de subúrbio em um estalar de dedos?

    Orlando desliga a televisão.

    ORLANDO (cont.)

    Nada disso teria acontecido se você soubesse dizer não, Regina.

    REGINA

    (sussurra)

    Você matou/ Você matou a minha mãe, seu desgraçado?!


     

    Orlando começa a rir. Regina levanta-se, na raiva, e pula em cima dele, com um BERRO raivoso. Orlando consegue driblá-la; pega-a pelos cabelos e aproxima-se de seu ouvido.

    ORLANDO

    Se você quer mesmo saber, Regina, eu não matei, não. Mas a dona Tonica tá a um passo de morrer. Tá na linha do tiro. Se você não quer que a sua mãe morra, é bom que você arranje uma boa desculpa pras suas amiguinhas. Eu quero você fora desse plano, Regina, eu quero você bem longe das minhas funcionárias, caso contrário, você vai receber um convitinho bem especial na sua cabine: convitinho pra jantar os ossos da tua mãe, que eu vou fazer questão de trazer até você. E aí,

    ORLANDO (cont.)

    Regina, eu mato você; mato o seu marido; mato todos vocês e acabo com essa palhaçada que você chama de heroísmo. Eu te destruo, Regina! É só você insistir em estar no meu caminho.


     

    Ele pressiona o pescoço dela, de modo a tirar o ar. Solta-a, então; a faz despencar no chão, debilitada.

    ORLANDO (cont.)

    Eu espero que isso tenha servido de lição, porque eu não vou pedir sua opinião e não vou te chamar pra conversar, Regina. Se, da próxima vez, eu souber que você continua nessa, eu acabo com a vida de cada pessoa que você preza.

    (pausa)

    Mas eu garanto que isso não é um desejo meu.

    (pausa)

    Está em suas mãos. Faz o que você achar melhor.


     

    Orlando SAI e bate a porta. Regina rasteja pelo chão e chora forte. Dá um berro, então, e volta a chorar.


     

  3. INT. EMPIRE - SALA DE ORLANDO - MADRUGADA

    Orlando ENTRA e observa alguém, fora do plano.

    Mauro está chorando, sentado numa poltrona. Orlando aproxima.


     

                       ORLANDO

    (sério)

    Você pode ir, Mauro. Eu já conversei o bastante com a sua esposa e ela deve estar esperando por você.

    Mauro seca as lágrimas e encara-o.

                       MAURO

    O que você fez com ela?

                       ORLANDO

    Eu?

                       (ri)

    Os papéis estão se invertendo, aqui, meu amigo... Eu só sirvo,


     

    ORLANDO (cont.)

    aqui dentro. A sua esposa foi quem se enfiou no meu caminho; contra mim e contra a imagem de inúmeras pessoas, conceituadas, que já entraram nesse navio. Ela não pode e não vai conseguir destruir a imagem do Empire dessas pessoas. Eu sinto muito.

    Mauro levanta-se.


     

    ORLANDO (cont.)

    O que tá esperando? Vá buscar sua esposa. Vocês descem em Montevidéu.

    MAURO

    Você ainda vai se arrepender de tudo isso, Orlando, mesmo que não seja pelas mãos da minha mulher e dessas mulheres. Você haverá de pagar: com Deus!

    ORLANDO

    (irritado)

    Que Deus, o quê? Some da minha sala, suburbano! Sai!


     

    Mauro vira-se e SAI. Orlando senta em sua poltrona e respira fundo. Ele abre uma gaveta e tira uma garrafa de conhaque lá de dentro. Abre e bebe no gargalo.


     

  4. INT. EMPIRE - HOUSE PINK - MADRUGADA

    De costas, Orlando anda. Sons opacos e ambiente pouco iluminado. Ele cumprimenta alguns homens; observa o serviço de algumas meninas. Nisso, Lívia passa à sua frente, de minissaia, com uma bandeja em mãos. Ele a pega pelo braço, assustando-a.


     


     

    Orlando?

    LÍVIA


     

    Orlando sorri pra ela.

    ORLANDO

    Eu gosto de ver você trabalhando, assim...


     

    Ele mira o traje sensual dela. Pega um copo cheio da bandeja.

    ORLANDO (cont.)

    Me traz fantasias...

    Uma MÚSICA ANIMADA começa. Ele ergue a taça, aos risos, e SAI andando pela House Pink. Lívia, preocupada, SAI do plano.


     

  5. INT. EMPIRE - CABINE DE LIANNA - MADRUGADA

    Kênia deitada, com vários curativos e rosto inchado. Lianna ao seu lado, acariciando seus cabelos.

    KÊNIA

    Quando eu acho que aqui dentro somos só nós, lutando todos os dias para superar o trauma que é trabalhar nesse bordel, eu descubro esses ricaços tão dispostos a apostar tudo, a dar dinheiro, tudo, por sexo.

    (passa a mão no curativo; geme)

    Ai...

                       LIANNA

    Está doendo muito, Kênia?

                       KÊNIA

    (lágrimas)

    Ele vai ter que pagar muito caro, Lianna! Eu odeio aquele homem, odeio com todas as minhas forças! Eu não ia transar com ele. Não ia! Nunca! Jamais!

                       LIANNA

    Fez bem!

    (pausa) Yo... Luciano.

    (lágrimas)

    Eu confiava nele, Kênia. Ele era meu amigo, por todos los lugares... Aquel demônio... Ele queria dineiro! Apenas dineiro! So isso, Kênia!


     

                       KÊNIA

    É, Lianna. Isso é um aviso de que a gente não pode confiar no primeiro que vê... Existe gente muito ruim nesse mundo.

         Nisso, a porta abre e Lívia ENTRA, aturdida.


     


     

                       KÊNIA (cont.)

                       Lívia?


     

                       LÍVIA

    (enérgica)

    Eu tenho certeza... Eu tenho certeza que o Orlando fez alguma coisa pra Regina!

    SONOPLASTIA - Instrumental dramático.

                       KÊNIA

    Orlando? Mas como/

                       LIANNA

    O Orlando sabe de tudo!

                       LÍVIA

    Vamos, Lianna, eu preciso ver como ela tá.


     

  6. INT. EMPIRE - CORREDOR - MADRUGADA Mauro ajuda Regina a andar. CORTA PARA OUTRO PONTO DO PASSADIÇO

    Lianna e Lívia ENTRAM. Deparam-se, porém, com Mauro e Regina, pouco distantes. Ambos se encaram. Regina chora. Mauro pega o cartão de identificação e abre a porta da cabine do casal. Regina dá um último olhar para as mulheres e ENTRA. Mauro olha, também, e segue a mulher; fecha a porta.


     

    REGINA (V.O.)

    Parece o fim...

    CLOSE em Lívia e Lianna. Lívia cai no chão, derrotada. Lianna assustada. Fim da sonoplastia.


     


     

    FADE IN:


     

    FIM DO TEASER


 

 



1x04 - JOGOS DE PODER 

 

  1. ATO I

    FADE OUT.


     

  2. EXT. EMPIRE - TARDE

    O navio desfila mar à fora, debaixo do céu azul.


     

  3. INT. EMPIRE - CORREDOR - TARDE (FLASHFORWARD I)

    Aproximamo-nos cada vez mais da porta da cabine de Búlgaro.

    BÚLGARO (V.O.)

    Eu estou cortando o mal pela raiz, Orlando. Eu quero você fora desse navio! Vai descer em Montevidéu. Se vira até o Rio/

                       ORLANDO

    (V.O; grita)

    Eu ponho a boca no mundo! Vai! Me expulsa! Me expulsa e todos vão descobrir o esquema sujo, nojento, perverso, malvado, cruel, que o senhor permite dentro da sua embarcação! Prossiga, comandante! Vai! Dá suas ordens/


     

  4. INT. EMPIRE - CABINE DE BÚLGARO - TARDE (FLASHFORWARD II)

    Búlgaro e Orlando, de pé, no auge da discussão.

                       BÚLGARO

                       (alto)

    Você não jogaria a sua vida numa cadeia, seu infeliz/

                       ORLANDO

    (corta-o, exaltado)

    Se eu sair desse navio com uma mão na frente e outra atrás, tenha certeza de que a minha vida já vai ter acabado. E aí, meu caro Búlgaro, eu vou ter o enorme prazer de te ver caducar...

    (ri)

    Caducar numa cela de prisão, na frente da minha... Comendo a pior comida, no pior lugar, com as piores companhias.

    (ri)

    Você sabe o que é isso? Escola naval, conhecimento prévio, rotas marítimas... Eu te garanto que nada

                       (MAIS)

    ORLANDO (cont.)

    disso existe dentro de uma prisão, capitão. Mas a decisão, sendo você o grande astro, o grande dono do Empire, o maior navio da Terra, continua em suas mãos. Prefere que eu saia? Você escolhe. Eu saio, mas eu te levo junto. E garanto que quem vem te buscar aqui dentro é a polícia.

    Búlgaro permanece frio.

    BÚLGARO

    Você desce na primeira oportunidade, Orlando.

    CLOSE em Orlando, pasmo.

    ORLANDO

    Que os jogos comecem, então, capitão.


     

    BÚLGARO

    Eles já chegaram ao fim, Orlando. Você foi o único que não percebeu.

    No rosto irado de Orlando...


     

    LEGENDA - HORAS ANTES FADE IN:


     

    FADE OUT.


     

  5. INT. EMPIRE - CABINE DE MAURO E REGINA - DIA

    Regina sentada na cama, olhando a vista da janela. Mauro senta ao seu lado.


     

    MAURO

    Quando a gente se casou, seu pai pediu pra conversar comigo. Achei que o casamento tivesse acabado ali, confesso.

    (ri)

    Ele me disse que eu deveria andar na linha, se não você faria justiça com as próprias mãos... Me lembro como se fosse hoje. Ele mandou que eu tomasse bastante cuidado; disse que você puxou à sua mãe... Eu queria rir, mas ele falava sério.

    Regina solta um ar de riso.

    MAURO (cont.)

    Tá rindo? Me casei com você por conta e risco!

    (sorri; pausa)

    Eu... Eu sabia que, em alguma hora, teríamos problemas. Tão diferentes... Seu pai me avisou isso, também. Eu é que não dei ouvido a quase nada do que ele disse. Tava nervoso pra cerimônia...

    (pausa)

    Mas a gente só vai percebendo as coisas como os mais velhos falam, quando tudo começa a cair, né?

    Quando aquele castelo que a gente sonhou, começa a desabar... E, eu confesso, queria ter meu pai, seu pai, alguém pra voltar e me dizer o que fazer. Eu sei que esse lugar, aqui, representa muita coisa pra gente, mas eu também entendo que você se viu refém dessa história toda, que você descobriu seus piores pesadelos nesses últimos dias... Eu sei disso, Regina.

                       REGINA

    Mauro/

                       MAURO

    (corta-a)

    Entende que o que eu quero de você é que você seja quem é, porque eu não sei o que o Orlando te fez pra te deixar assim... A vontade que eu tenho é de matar aquele covarde.

    Ele te bateu, Regina. (pausa)

    Não sei se ele te ameaçou, se comprometeu minha vida... Sei lá. O que eu quero com esse testamento todo, que to te falando, é... É te dizer que, independente da sua escolha, você vai ter o meu apoio.

    Regina abraça-o.


     

    REGINA

    (lágrimas)

    Pode não parecer, mas isso é muito importante pra mim, meu amor. Nesse


     

    REGINA (cont.) momento, isso é tudo o que eu precisava ouvir de você.

    MAURO

    Eu pensei... O Orlando te fez alguma exigência, Regina?

                       REGINA

    Ele fez.

    (pausa longa)

    Ele exigiu que eu tomasse uma decisão: me separava das garotas e continuava o cruzeiro com você ou/

    Regina hesita.


     

                       MAURO

    Ou o quê?

                       REGINA

    Ou continuava com elas e perdia... E perdia você, a minha mãe, e todo mundo que estiver envolvido comigo.

    (queixo trêmulo)

    Ele mata todo mundo, Mauro!

    Regina segura nos braços de Mauro.

                       REGINA (cont.)

    Mas, não, meu amor, eu não vou fazer isso! Eu não posso fazer isso! Acima de tudo, minha família! Você, minha mãe... Não! Não, meu amor, de jeito nenhum! Eu não posso colocar a vida de outras pessoas em risco. A minha eu ponho, mas a de outros/


     

    MAURO

    (corta-a) Regina, pensa bem...

    REGINA

    (firme)

    Eu já pensei, Mauro! Não vou pôr a vida de ninguém em risco! Não! De jeito nenhum!

    MAURO

    E você vai abandonar essas meninas? Vai deixar essa covardia impune?

    Porque nem polícia a gente pode


     

    MAURO (cont.)

    acionar, Regina. Tá tudo perdido... Não tem mais pra onde correr!

                       REGINA

    Eu...

                       MAURO

    Regina, a nossa vida vai virar um inferno. Quando a gente colocar o pé pra fora do navio, vai ter gente vigiando a gente; isso se não mandarem matar!

    Regina levanta-se. Passa a mão nos cabelos, encabulada.

                       REGINA

    Eu sei! Eu sei disso! A gente tá no meio de um furacão. Não tem como sair dessa sem sermos notados. Mas tem um jeito. Um jeito que pode salvar todo mundo, amor.

                       MAURO

    Que jeito?

    Regina vira-se pra ele, enérgica.

                       REGINA

    Matar o Orlando.


     

  6. INT. EMPIRE - CORREDOR - DIA

    Um HOMEM branco, barbudo, cabelos bem curtos e dentro de um terno, caminha, levando um envelope pardo. Chega numa porta grande e ENTRA.


     

  7. INT. EMPIRE - SALA DE BÚLGARO - DIA

    O homem entrega o envelope a Búlgaro.

                       BÚLGARO

    Ótimo! Está tudo aqui, Flávio?

                       FLÁVIO

    Tá, sim.

                       BÚLGARO

    Então eu tenho outro serviço pra você.


     

                       FLÁVIO

    Do que se trata?

                       BÚLGARO

    Trata-se de um assassinato.


     

  8. INT. EMPIRE - CABINE DE MAURO E REGINA - DIA

    Continuação da cena 9.

                       MAURO

    Já que eu não te convenço a pensar melhor, como você pretende fazer isso?


     

    Regina levanta da cama, vai até a escrivaninha e pega um panfleto.


     

                       REGINA

                       (lê)

    Conheça os bastidores do navio Empire. Percurso às duas horas, no salão central.

                       MAURO

    E aí?

                       REGINA

    E aí, Mauro, que nesse percurso, a gente pode, de alguma maneira, conseguir contato com a polícia.

    Direto daqui.

                       MAURO

    Regina, claro que não/

                       REGINA

    Mauro, eu tenho um plano. Se correr tudo bem, nós não vamos precisar fazer nada, porque o capitão fará por nós. Escuta o que eu to te dizendo.


     

  9. INT. EMPIRE - RESTAURANTE - DIA

    Lívia serve um prato para um CASAL e seu FILHO, de mais ou menos 5 anos. A criança ri para Lívia, que perde o olhar no menino por uns instantes.

    LÍVIA

    (desperta) Com licença.


     

    Ela SAI. Põe a bandeja em cima de uma bancada e olha para outro GARÇOM.


     

    LÍVIA (cont.)

    Vou almoçar. Volto mais tarde.

                       GARÇOM

    Tá. Não demora, porque eu preciso de alguém para cobrir a Alice.

                       LÍVIA

    Que, que houve com ela?

                       GARÇOM

    Uma tragédia. Tá grávida.

                       LÍVIA

    (pasma) Grávida?


     

    Alguém o chama e ele SAI. Lívia, meio aérea, SAI do restaurante, ENTRA no

    CORREDOR

    Ainda aérea, caminha. Corta para o

    POV de alguém - atrás de uma pilastra, vê Lívia passar. VOLTA À CENA.

    Revelamos Flávio, encarando Lívia com um olhar sádico. Ele SAI de detrás da pilastra e segue-a.


     

  10. EXT. EMPIRE - DECK - DIA

    Lívia à frente, Flávio mais atrás.

    Ela cruza com várias pessoas. Vai na direção de um elevador. O aglomerado de passageiros confunde Flávio.

    POV DE FLÁVIO 1 - Ele perde Lívia de vista. VOLTA À CENA.

    Lívia, enfim, ENTRA no elevador. POV DE FLÁVIO 2 - Ele vê Lívia.


     

    VOLTA À CENA.

    Ele consegue desviar dos passageiros e sai correndo, em direção a ela.


     

    Antes da porta fechar, Lívia vê que ele corre em sua direção, com um olhar pavoroso.

    ELEVADOR

    Lívia, então, aperta, freneticamente, o botão para fechar a porta.


     

    LÍVIA

    Fecha, fecha, fecha!!!

    A porta fecha antes de Flávio chegar. Lívia suspira. Aperta o botão para o terceiro andar.


     

    LÍVIA (cont.) Vamos, vamos, vamos!!!


     

    A porta do elevador abre-se. O painel mostra "3". Lívia SAI no

    CORREDOR

    Rápida, olha pros lados. Não vê ninguém e anda,

    apressada. Porém, nisso, deixa cair o bóton. Quando abaixa para pegar, porém, a porta do acesso às escadas abre-se e Flávio ENTRA. Olham-se. Lívia pega o bóton e volta a correr. Flávio vai atrás dela.


     

  11. INT. EMPIRE - SAGUÃO - DIA

    Lívia corre pelo saguão. Caio vem em sua direção.

    LÍVIA

    Me tira daqui, me ajuda, por favor, Caio!!!


     

                       CAIO

    Que, que tá acontecendo, Lívia?

                       LÍVIA

    Só me tira daqui!!!

    Lívia puxa-o pelas mãos e eles saem correndo.

    Logo atrás, Flávio ENTRA. Olha para os lados. Perde Lívia de vista.


     

                           FLÁVIO

                            Droga!


     

  12. INT. EMPIRE - DEPÓSITO DA ENFERMARIA - DIA

    Várias prateleiras, cheias de remédios. Lívia senta no chão, respirando fundo. Caio respira, também. Ambos fadigados.

    LÍVIA

    (chorando)

    Quando esse inferno vai acabar, Caio? Me diz? Me dá uma luz, que seja, pelo menos! Eu não aguento mais fugir. Esse queria o quê? Me matar?


     

    CAIO

    Se acalma, Lívia. Tá tudo bem. Você tá bem.


     

    LÍVIA

    Eu to bem agora! Só agora, Caio! Porque há dois minutos, eu tava correndo que nem uma louca nesse navio. Eu quero mais é que tudo isso exploda! Eu não aguento mais passar por algo que eu não quero! Eu vou pra cama com aqueles homens, nojentos, todos os dias, Caio! Eu sofro aqui dentro, se não ficou claro pra você! Quer dizer, tá muito claro, né? Você aceita isso numa boa, pagando de cúmplice do Orlando.


     

    CAIO

    Se eu não fizer isso, Lívia, a minha vida tá perdida. Ou você acha que a única maneira de não se prostituir aqui dentro é lutar?

    Acha que lutando por seus direitos, você vai conseguir? Estamos em alto mar, Lívia! Não tem justiça, advogado, tampouco leis, aqui dentro.


     

    LÍVIA

    (chora)

    Então porque me manter aqui? Me jogassem no mar...


     

                       CAIO

    É o que eles querem, te caçando.

                       LÍVIA

    O que eles querem pouco me importa/

    Caio senta-se ao lado dela.

                       CAIO

    Para, para com esse discurso. Claro que importa. Você vive aquilo que eles querem que você viva, Lívia.

    Entende que você faz parte de um sistema. Eu posso ter te ajudado hoje, mas muito em breve eu não devo estar mais aqui.

                       LÍVIA

    Como assim, Caio? Por quê?

                       CAIO

    Eu tenho um tumor, Lívia. Um tumor que me dá meses de vida...

                       LÍVIA

    Como assim, Caio? Um tumor?

                       CAIO

    Desde criança. Fortes dores de cabeça, muito enjoo... O meu cabelo é assim, raspado, por causa da perda contínua... Eu sempre tomei fortes remédios e fiz tratamento pesado. Até que... Até que eu percebi que não adiantava. Que o tempo faria tudo. Foi aí que eu decidi embarcar.

                       LÍVIA

    E os exames?

                       CAIO

    Orlando burlou tudo, a pedido de um tio meu...


     

                       LÍVIA

    Eu não sei o que te falar.

    CAIO

    Não precisa falar nada. Falta pouco pra completar o ciclo que o médico disse. Eu tenho meses, se não dias, com certeza. Foi por isso que eu

                       (MAIS)


     

    CAIO (cont.)

    neguei me juntar a vocês, porque eu não sei se eu vou sobreviver até amanhã, Lívia.

    LÍVIA

    E por que não buscar ajuda? Pelo amor de Deus, você não pode viver assim, aceitando uma doença e deixando o tempo te matar!

    CAIO

    Porque eu não tenho família, não tenho a quem me juntar.

    (sorri)

    Eu já fiz tudo o que queria. Estar nesse navio foi uma escolha minha. E eu tenho certeza de que não me arrependi.


     

    Nisso, a porta é aberta e uma enfermeira ENTRA. Caio levanta-se, rápido.


     

                       ENFERMEIRA

    Ai, que susto!

                       CAIO

    Vamos, Lívia.

    Ele ergue as mãos e ajuda Lívia a se levantar. SAEM, rápidos. A enfermeira fica com cara de quem não entendeu nada.


     

  13. INT. EMPIRE - CORREDOR - DIA

    Caio e Lívia andando. Nisso, Regina ENTRA no corredor. Vai até Lívia e pega em sua mão.

    REGINA

    (sussurra) Vem comigo.

                       LÍVIA

    Espera, Regina! O que, que tá acontecendo?

                       REGINA

    Por favor, vem, Lívia.

    Regina vai levando Lívia.


     

                       LÍVIA

                       (p/ Caio)

    Depois a gente se fala.

    Caio concorda.


     

  14. INT. EMPIRE - BANHEIRO - DIA

    Lívia e Regina ENTRAM. A última tranca a porta.

                       REGINA

    Desculpa o lugar, Lívia, mas é que é mais seguro aqui.

                       LÍVIA

    Tá, tá. Me conta... O que aconteceu?


     

    REGINA

    O Orlando descobriu tudo. (levanta a manga da camisa)

    E me bateu.

    Lívia pega o braço de Regina, pasma.

    LÍVIA

    Meu Deus. Até que ponto esse monstro vai, Regina?

    REGINA

    Não sei. Ele me ameaçou, ameaçou minha família. Fez de tudo pra eu me separar de vocês/

    LÍVIA

    Nossa. E você não vai fazer o que ele mandou?

    REGINA

    Eu vou lutar por todos nós, é por isso que eu te procurei, Lívia.

    Eu...

    (pega o panfleto no bolso) Eu peguei esse panfleto hoje.

    Ela entrega o panfleto e Lívia avalia.

    LÍVIA

    Tá. É padrão da companhia, um percurso pelo Empire. Mas o que tem isso?

                       REGINA

    Como assim?! Nosso plano tá todo aí, menina! Nós vamos dar um jeito de chegar ao capitão e vamos

    fazê-lo matar o Orlando.

                       LÍVIA

    Como é?

                       REGINA

    Lívia, eu sei que parece fantasia, loucura, mas confia em mim. O nosso golpe de mestre vai funcionar assim...

    E uma MÚSICA INSTRUMENTAL toma a voz de Regina.


     

    FIM DO ATO I ATO II


     

    FADE OUT.

    FADE IN:


     

  15. EXT. EMPIRE - DIA

    Principais pontos do navio movimentado, em alto mar. Vários planos destacam suas estruturas internas e externas. Um funk toca no espaço exterior e a equipe de dança faz uma apresentação. Ritmo e clima de verão.


     

  16. INT. EMPIRE - SALÃO PRINCIPAL - TARDE

    Um aglomerado de pessoas no local; burburinho. Regina vem chegando com Mauro. Juntam-se àquelas pessoas, meio acanhados.


     

                       MAURO

    Tudo pronto?

                       REGINA

    (olhando pros lados) Lívia vai esperar na torre de comando.

    (confere o relógio) Daqui a quinze minutos.

                       MAURO

    Vai dar tudo certo.

    Ficam ali, aflitos.


     

  17. INT. EMPIRE - ESPAÇO DA TRIPULAÇÃO - REFEITÓRIO - TARDE

    Lianna e Kênia lancham.

                       LIANNA

    Cómo se sente?

                       KÊNIA

    Inchada.

                       (ri)

    Como se tivesse mais alguma coisa dentro de mim...

    LIANNA

    Vá passar...

    KÊNIA

    Só assim pra ficar longe do martírio de ter que ir pra cama com aqueles trogloditas.

    Caio ENTRA e senta-se junto delas.

    CAIO

    Lívia tá com algum plano. Vocês sabem o que é?

    LIANNA

    Yo no sei...

    KÊNIA

    E você tá tão interessado em saber por que, Caio, posso saber?

    CAIO

    Pode, pode, sim, Kênia. Eu conversei com a Lívia sobre tudo. Apesar de não estar com vocês o tempo todo, quero ajudar no que eu puder.


     

    KÊNIA

    Muito me admira seu ato heroico, sabia?! Só que dessa vez ninguém cai, principalmente eu. Já tivemos o Luciano. Manda o Orlando mudar a tática.


     

                       CAIO

    Não é nada disso/

    Mas Kênia pega sua bandeja e SAI.


     

                       LIANNA

    Nós temos nuestros motivos, Caio.

    Lianna SAI atrás. Caio fica ali, pensativo.


     

  18. INT. EMPIRE - TARDE

    Uma fila extensa de passageiros - incluindo Regina e Mauro - anda pelos corredores e salas da estrutura técnica do Empire. São guiados por um GUIA, de terno.

    Entram em várias salas e são acompanhados pela tripulação.

    Eis que, distante do grupo, surge Lívia, aflita. Ela procura por Regina e Mauro no meio do grupo. Avança.


     

    ORLANDO (V.O.)

    Viu o Capitão Búlgaro?


     

  19. INT. EMPIRE - SALA DE COMANDO - TARDE

    Orlando e um COMANDANTE.

                       COMANDANTE

    Apenas no início da manhã, senhor. Não mais.

    Orlando concorda e dá as costas.


     

  20. INT. EMPIRE - TORRE DE COMANDO - TARDE

    Lívia de pé, sorrindo para os passageiros da visitação, que seguem o guia. Quando Mauro e Regina ENTRAM e avistam-na, olham cúmplices para ela.

    GUIA

    E essa é a nossa sala de comando, também conhecida como torre. Daqui saem as informações sobre o mar, informações sobre o percurso marítimo, além de uma precisa identificação da camada subaquática, que permite identificar rochas, pedras e qualquer instrumento maligno pra estrutura do Empire.

    Nisso, Regina levanta a mão.


     

                       REGINA

    Mas, vem cá, como a gente pode confiar nesse sistema todo se não tem nenhuma proteção externa? Digo: contato direto com uma cabine policial ou com a guarda costeira? Sei lá... Nunca se sabe quem o navio está carregando.

    (olha pra quem tá do lado) Hoje em dia, então, com o terrorismo à solta, né?

    As pessoas concordam.

    GUIA

    Realmente, senhora. Mas nós temos um equipamento de direto acesso. É um equipamento restrito ao comandante. Por isso, toda e qualquer situação duvidosa é comunicada a ele, que toma a melhor decisão.

                       (pausa)

    Bem, vamos continuar o percurso.

                       REGINA

    Espera aí! Eu não terminei.

                       GUIA

    Pois não, senhora.

                       MAURO

    Regina...

                       (p/ o guia)

    A minha mulher é muito desconfiada/

                       REGINA

                       (encenando; por cima)

    Sou mesma! Segurança em primeiro lugar! Anda, moço, eu quero ver essa máquina.

    GUIA

    Não, senhora, eu não tenho permissão para mostrar. Ela fica com o capitão e em segredo, já que é uma medida amplamente complexa.

    REGINA

    Não entendo! E se o capitão morre? Como ficamos?


     

    GUIA

    Senhora, nós temos controle de nossos passageiros e confiamos na dignidade de cada um. Agora, nós precisamos liberar essa sala.


     

    Regina olha pra Lívia e pisca para ela. O guia SAI da sala, acompanhado do grupo. Lívia vai atrás, junto dos outros tripulantes.


     

    GUIA (cont.) (O.S.)

    Bem, a nossa próxima visita é a cabine do comandante/


     

  21. INT. EMPIRE - CABINE DE BÚLGARO - TARDE

    O grupo, junto do guia e da tripulação, está diante da porta da cabine de Búlgaro.

    GUIA

    Peço, agora, silêncio e, por gentileza, que nenhum dos senhores e senhoras toquem nos objetos dentro dessa sala. É um lugar importante para o capitão e extremamente simbólico.

    O guia abre a porta e as pessoas vão entrando na CABINE

    Regina observa tudo, rapidamente.

    GUIA (cont.)

    Aqui, o capitão passa a maior parte de seu tempo. Coordenando as informações e com uma vista panorâmica do mar, consegue determinar suas próximas rotas e planeja os melhores jantares para os senhores. O nosso capitão, Búlgaro Damasceno, tem 79 anos e trabalha há exatos 40 anos com navios de grande porte, como o Empire. Essa é a sua cabine.

    (sorri)

    Espero que tenham gostado.

    As pessoas cochicham.


     

    MAURO

    E aí, Regina?

    REGINA

    (entre os dentes) Calma. Tá chegando a hora.


     

    Nisso, Lívia ENTRA e vai até o guia. Fala algo em seu ouvido.


     

                       GUIA

    Ok. Estamos indo.

    O guia vira-se para o grupo.

                       GUIA (cont.)

    Certo. Próxima parada... Sala de máquinas!


     

    E ele SAI. O grupo acompanha. Lívia SAI atrás, olhando pra Regina de relance.


     

    Regina, por sua vez, observa um artefato de cerâmica indígena. Vai até ele, enquanto acompanha o grupo, olha para os lados, vê que a maioria já saiu da sala, e taca no chão, fazendo o maior barulho e quebrando-o em pedaços.

                       MAURO

    (assustado; sussurra) Tá maluca, Regina?

    REGINA

    (finge espanto) Meu Deus! O que eu fiz?!

    O guia e o grupo voltam. O primeiro, enfurecido.

                       GUIA

    Senhora...

    (olha pros pedaços da cerâmica)

    O senhor Búlgaro não vai gostar nada disso! Ai, Santo Cristo!


     

    O guia abaixa pra pegar. Nisso, Lívia entra na sala com uma pá e um pano.


     

    LÍVIA

    Deixe que eu limpo. Prossiga com o grupo.

    O guia levanta-se.


     

    GUIA

    Tudo errado! Tudo errado!

    REGINA

    Me desculpa! Mas é com essa minha cabeça avoada, acabo esbarrando nas coisas...

    O guia encara-a, nervoso, e SAI com o grupo.

    GUIA (O.S.)

    Vamos continuar.

    Lívia cata tudo.


     

                       REGINA

                       (sussurra)

    Agora, Mauro, você segue o grupo.

                       MAURO

                Mas o que vocês vão/

                       REGINA

    Vai!!!

    Regina empurra Mauro e ele SAI. Lívia levanta, rápida, com os pedaços da cerâmica na pá e joga sobre a mesa aonde ela estava.


     

    REGINA (cont.) Isso. Fecha a porta, Lívia.

    Lívia assim faz.


     

    LÍVIA

    E agora, Regina?

    REGINA

    Vamos encontrar o tal dispositivo de segurança!

    SONOPLASTIA - "Teto de vidro", por Pitty. Vão em direção à escrivaninha.


     

  22. INT. EMPIRE - CORREDOR - TARDE Mauro acompanha o grupo, aflito. O guia coordena, à frente.


     

  23. INT. EMPIRE - CABINE DE BÚLGARO - TARDE

    SÉRIE DE PLANOS

    1. Lívia sentada, com um notebook no colo, mexendo, ágil.

    2. Regina abre as gavetas, vasculha tudo.

    3. Eis que Regina ergue, então, um pen-drive.

    4. Lívia injeta o pen-drive no notebook. CORTE. Reação desestimulada de Regina.


       

    5. Regina vai para o interior da cabine. Lívia eleva as mãos à cabeça.


       

    6. Regina no CLOSET - encara um Praia em Pourville, de Monet, na parede. Então, retira o quadro e depara-se com um cofre. Dá um sorrisinho e SAI.

      Fim da sonoplastia.

      FIM DA SÉRIE DE PLANOS. CORTE DECONTÍNUO.

      Regina e Lívia entram no CLOSET e encaram o cofre.

      REGINA

      Talvez esteja tudo e mais alguma coisa aí dentro, hein? O que você acha?


       

      LÍVIA

      Eu tenho uma ideia de qual é a senha...


       

                         REGINA

      Você sabe a senha?!

                         LÍVIA

      Eu me lembro de uma vez... De uma vez que o capitão me chamou para um serviço e... Quando eu cheguei, ele estava aqui, em cima de um banquinho...


       

      Lívia olha para os lados, vê o banquinho, posiciona-o frente ao cofre e sobe nele.


       

      LÍVIA (cont.) E, aqui, ele pôs a senha.

                         (fecha os olhos)

                         (MAIS)


       

                         LÍVIA (cont.)

      Eu só preciso me lembrar...

                         REGINA

      Então você viu a senha?

                         LÍVIA

      Eu estava na porta. Vim aqui dizer que tinha chegado. Acabei vendo.

      Mas ele não desconfiou. Eu fui pra sala, rápido.

                         REGINA

                 Então tenta... Vai que dá?

      Lívia respira fundo.


       

  24. INT. EMPIRE - CORREDOR - TARDE

    Búlgaro caminha pelo corredor de sua cabine.


     

  25. INT. EMPIRE - CABINE DE BÚLGARO - TARDE

    O cofre emite um apito e uma luz vermelha. Lívia, nervosa, encara os números.


     

    LÍVIA

    Calma, Lívia. Calma. (p/ Regina)

    São quatro dígitos. Eu sei que termina com dois, três, quatro, mas qual o primeiro dígito? Um não é, nem quatro...

    REGINA

    Pera aí... Vamos pensar. A gente tem que conseguir essa senha, Lívia.


     

                       LÍVIA

    Zero, talvez?

                       REGINA

    Tá. Vai. Tenta.

    Lívia, apreensiva, posiciona seu dedo no zero. Depois, no dois, três e, por último, no quatro. Aperta "Open". E vem o sinal vermelho, junto do apito. Lívia respira fundo, ameaça chorar.


     

    LÍVIA

    A gente não vai conseguir. Vamos sair daqui, Regina. Se o Búlgaro chega/


     

                       REGINA

    (cortando)

    Não é possível que a gente tenha chego até aqui pra nada, Lívia!

    Regina anda em círculos, eleva a mão à cabeça.

    POV DE REGINA - Ela observa os objetos no lugar, até olhar pra um Empire de brinquedo, ao lado de uma peça de roupas.

    VOLTA À CENA.

    Regina pega o brinquedo.

                       LÍVIA

    Que, que cê tá fazendo?

    POV DE REGINA - Nas janelinhas do SEAS, há os números, escritos à caneta: 8; na outra 2; 3 e, por fim, 4.

    VOLTA À CENA.

    Regina ri.


     

                       REGINA

    (vibra) Achei!

    Ela amostra o brinquedo pra Lívia.

                       LÍVIA

    Oito!

                       REGINA

    Vai, digita, rápido!

    Regina olha pra trás, como olheira.

    Lívia, enfim, vai ao cofre e digita: oito, dois, três e, por último, quatro. Aperta "Open". Um apito soa e uma luz verde surge. O cofre é aberto. Há uma arma, papéis e dinheiro lá dentro. Lívia e Regina entreolham-se.

    CORTA RÁPIDO para a SALA


     

    Búlgaro ENTRA e bate a porta. Tranca. Vê seu artefato indígena quebrado, sobre a mesa. Ele retira o quepe, joga em cima da poltrona e olha pra vista do mar. Bufa.


     

    POV DE BÚLGARO - ele vê o notebook aberto, sobre sua escrivaninha.

    VOLTA À CENA.

    Levanta as mãos, põe atrás da cabeça, rendendo-se. Uma arma é engatilhada. Logo, ele se vira, lentamente, e dá de cara com Regina e Lívia, intrêmulas. A primeira aponta uma arma pra ele, acarando-o.


     


     

    FADE IN:

    REGINA (cont.) (sorri)

    Boa tarde, capitão. (séria)

    Nós precisamos conversar.


     

    FIM DO ATO II ATO III


     

    FADE OUT.


     

  26. INT. EMPIRE - CABINE DE BÚLGARO - TARDE

    Continuação imediata da cena anterior.

                       BÚLGARO

                       (abismado)

    Mas o que é isso, dentro da minha cabine?!


     

    REGINA

    Cala a boca, capitão! O senhor deve ficar bem quietinho.

    (p/ Lívia)

    Pega o notebook, Lívia.

    Lívia vai até o notebook.

    REGINA (cont.) Agora o senhor vai dizer,

    direitinho, aonde tá o dispositivo de segurança.


     

                       BÚLGARO

    Eu não sei do que/

                       REGINA

                       (berra)

    Chega! Vocês podem enganar essas pobres coitadas, trazendo elas pra cá e forçando um sexo sujo todo santo dia, mas eu não! Eu quero o dispositivo, se não eu chamo a polícia e você só vai sair da mira dessa arma quando tiver no barco da costeira, indo pra prisão, junto do Orlando!

                       (berra)

    O dispositivo, capitão! Pra hoje!

    Regina balança a arma, histérica. Búlgaro engole à seco, mete a mão dentro do terno. Regina ameaça com a arma.

                       BÚLGARO

    É o dispositivo. Calma! Não precisa fazer nada. Abaixa isso.

    LÍVIA

    Já abri o sistema.

    Búlgaro retira um cartão de dentro do terno e entrega a Regina. Ainda apontando pra ele, Regina entrega o cartão para Lívia, que pluga no aparelho.

                       REGINA

    Esse dispositivo vai ficar com a gente.


     

    BÚLGARO

    O que você pretende com tudo isso?

    REGINA

    Eu pretendo acabar com essa covardia que vocês chamam de lucro.

    (pausa)

    Com esse dispositivo, nós vamos estar conectados 24 horas por dia com a polícia. Se qualquer coisa acontecer, eu aciono a segurança e a polícia bate no seu navio. E aí, meu caro capitão, eu não quero ser você, porque a tripulação em peso vai cruzar os braços pra sua crueldade.

    BÚLGARO

    Tudo bem, tudo bem. Agora... abaixe essa arma. Não há motivo/

    REGINA

    Não há motivo? Você vive em que mundo? Eu to de frente pra um maníaco, que se juntou com outro covarde pra escravizar toda essa gente! Você não é humano, não, você é um animal, capitão!

    BÚLGARO

    Eu já dei o que você queria. Agora devolve a minha arma e vai embora.

    Regina dá um risinho. Olha pra Lívia.

    REGINA

    (fazendo menção a Búlgaro) Aí, Lívia... Acha que é assim...

    Regina aproxima-se de Búlgaro.

    REGINA (cont.)

    Não, capitão, ainda não. Você acha que eu sou trouxa? Não passa pela sua cabeça que eu imagine que, dando as costas, o senhor vai mandar cortar minha cabeça? Assim, no primeiro corredor que eu pisar?

    (ri)

    Eu não nasci ontem. Não sou madame, que nasceu na Zona Sul e a única coisa que sabe é reconhecer roupa de grife. Eu sou da comunidade e sei lidar muito bem com gente feito você. Agora, a partir de agora, nós temos um trato. Um pacto, melhor dizendo. Você vai fazer um servicinho pra essa tripulação, que sempre te serviu.

    (aproxima-se mais ainda) Você vai acabar com o Orlando.

    Búlgaro mostra-se receoso.

    BÚLGARO

    A gente pode resolver isso de outra maneira, menina! Basta! Para de brincar de vilã! Eu tenho dinheiro.

    Regina gargalha na cara dele.

                       REGINA

    Você ainda não entendeu, né?

    Regina impõe a arma contra Búlgaro.

                       REGINA (cont.)

    Não tem conversa! Se você não fizer o que eu quero, você vai acordar numa cela de prisão, capitão.

    (pausa)

    E é isso. Eu já decidi as próximas jogadas. Você não tem outra escolha, a não ser jogar.

    Búlgaro, hirto. CORTE DESCONTÍNUO.

    POV - um quadro, preso na parede: à frente de um navio gigante, um HOMEM fardado, sorrindo.

    VOLTA À CENA.

    Búlgaro observa seu quadro. CAMPAINHA. Búlgaro destranca e abre a porta.

    É Orlando.

    Búlgaro volta, em direção a sua mesa, enquanto aquele fecha a porta.


     

                       ORLANDO

    Passei na torre... O senhor só esteve lá pela manhã. Tá tudo bem?

    Búlgaro vira-se para ele.

                       BÚLGARO

    Me diga você. Está tudo bem?

                       ORLANDO

                       (sorri)

    Não entendi capitão/

                       BÚLGARO

    É surpreendente como você atrapalha tudo... Eu só te fiz uma pergunta.

                       ORLANDO

    Eu não sei onde quer chegar, mas está tudo sob controle, capitão. Todos os passageiros e tripulantes embarcaram, prosseguimos com nosso trajeto... Qual o problema?


     

                       BÚLGARO

    Que bom. Feliz, que está tudo bem. Eu não tenho a mesma sorte.

    Orlando senta-se num sofá. Búlgaro, em sua poltrona.

                       ORLANDO

    E o que/

                       BÚLGARO

    (corta-o)

    O maior erro dos troianos, na minha opinião, foi ter negado o maior privilégio que tiveram: lutar.

    Ficaram extremamente satisfeitos com o que tinham ganho... Acabaram surpreendidos por quem ainda estava na guerra; por quem ainda tinha fôlego pra erguer a espada.


     

    Búlgaro respira fundo e dá um sorriso. Balança a cabeça, negativamente, enquanto fita Orlando, receoso.

    BÚLGARO (cont.)

    Você acha que alguma dessas prostitutas desistiram de lutar, Orlando?


     


     

                       ORLANDO

                       Você/


     

                       BÚLGARO

    Você entregou as pontas quando virou e saiu andando, abandonando essas mulheres dentro daquele bordel!

                       (alto)

    Você não serviu nem pra uma digna administração, Orlando!

                       ORLANDO

                       (levanta-se)

    Não pode falar como quer comigo/

    Búlgaro levanta, cortando-o, e aproxima-se.

                       BÚLGARO

                       (alto)

    Dentro do meu navio, eu falo como eu quiser! Você é um merdinha; um qualquer, aqui dentro! E só isso! Eu falo como eu bem entender! Eu mando nisso tudo, Orlando, e não

                       (MAIS)


     

    BÚLGARO (cont.)

    vai ser um cafetão de meia tigela que vai deixar um cavalo no meu terreno pros inimigos se aproveitarem. Não, mesmo!

    ORLANDO

    Se você tá falando da passageira que descobriu tudo/

    BÚLGARO

    Mas é óbvio que eu estou falando dela, Orlando!

    ORLANDO

    Então saiba que eu já cuidei de tudo.

    (pausa)

    Às vezes, capitão, parece que seus informantes pegam meia informação. É por falta de pagamento?/

    BÚLGARO

    (corta-o)

    É por essa e outras motivações que todos descerão no Rio de Janeiro, Orlando. Acabou o sonho de ter uma casa com praia particular; tudo sustentado pelo trabalho alheio. Eu lutei muito por tudo isso e não vai ser você, um cafetão meia boca, que mal organiza a própria vida, que vai pôr o meu nome, o meu sobrenome, na lama, Orlando. O Empire vai ser vendido. Eu vou cessar todas as viagens. Ponto final. Acabou!

    ORLANDO

    (surpreso)

    Você... Você só pode estar brincando/


     

    BÚLGARO

    (corta-o)

    Eu não brinco em serviço, diferente de você/


     

    ORLANDO

    (alterado) Então está caducando/

                      

                       (alto)

    Olhe como fala, Orlando/

                       ORLANDO

                       (grita)

    Eu cansei! Eu cansei dessa conversa meia boca, desses ataques imbecis, de um velho gagá, que morre pela boca todos os dias, quando acorda! Eu cansei, capitão Búlgaro! Enfie esse navio aonde o senhor quiser!

    Mas não se esqueça que investimentos... Investimentos altíssimos foram feitos aqui dentro. Investimentos, esses, que podem destruir a sua vida, se forem jogados no lixo!

    (pausa; gargalhada)

    É uma comédia, o senhor, mesmo! Depois de tantos anos, morrer assim... Com mente vazia. Ai desses passageiros, que dependem do senhor, aqui dentro. Uma mente caduca não é aceita em qualquer companhia, não...

                       BÚLGARO

    Você vai sair desse navio, Orlando, junto da passageira que você expulsou. Mala nas mãos, em disparada, junto com ela! Chega!

    Você não fica nem mais um segundo no meu navio!

                       ORLANDO

    Pera aí, capitão. Deixa eu ver se entendi: você tá me expulsando de um navio que eu investi? Que eu investi pesado?

                       (pausa)

    Quem escuta, acha que você é uma das vítimas; acha que você nunca soube de nenhum sexo barato feito aqui. É uma brincadeira, que só um velho gagá, como você, poderia acreditar, mesmo!

                       BÚLGARO

    Eu estou cortando o mal pela raiz, Orlando. Eu quero você fora desse navio! Vai descer em Montevidéu. Se vira até o Rio/

    ORLANDO

    (grita)

    Eu ponho a boca no mundo! Vai! Me expulsa! Me expulsa e todos vão descobrir o esquema sujo, nojento, perverso, malvado, cruel, que o senhor permite dentro da sua embarcação! Prossiga, comandante! Vai! Dá suas ordens/

    BÚLGARO

    (alto)

    Você não jogaria a sua vida numa cadeia, seu infeliz/

    ORLANDO

    (corta-o, exaltado)

    Se eu sair desse navio com uma mão na frente e outra atrás, tenha certeza de que a minha vida já vai ter acabado. E aí, meu caro Búlgaro, eu vou ter o enorme prazer de te ver caducar...

    (ri)

    Caducar numa cela de prisão, na frente da minha... Comendo a pior comida, no pior lugar, com as piores companhias.

    (ri)

    Você sabe o que é isso? Escola naval, conhecimento prévio, rotas marítimas... Eu te garanto que nada disso existe dentro de uma prisão, capitão. Mas a decisão, sendo você o grande astro, o grande dono do Empire, o maior navio da Terra, continua em suas mãos. Prefere que eu saia? Você escolhe. Eu saio, mas eu te levo junto. E garanto que quem vem te buscar aqui dentro é a polícia.

    Búlgaro permanece frio.

    BÚLGARO

    Você desce na primeira oportunidade, Orlando.

    CLOSE em Orlando, pasmo.

    ORLANDO

    Que os jogos comecem, então, capitão.


     

    BÚLGARO

    Já chegaram ao fim, Orlando. Você foi o único que não percebeu.

    Orlando SAI e bate a porta com tudo. Búlgaro respira fundo.

    BÚLGARO (cont.)

    (alto) Ele já foi.


     

    Nisso, ENTRAM, do interior da cabine, Lívia e Regina. A última tem uma arma e aponta para Búlgaro; a outra, carrega um notebook em mãos.


     

    REGINA

    Bela encenação, capitão Búlgaro! Acho até que tá na profissão errada...


     

    BÚLGARO

    (raivoso)

    Fala logo o que você quer! Anda! Chega dessa brincadeira! Eu cansei!

    REGINA

    (por cima)

    Mas eu não. Agora eu quero que você chame um de seus capangas.

    BÚLGARO

    Capangas? Você tá achando que isso aqui é o quê? Uma favela carioca?

    REGINA

    Eu to achando que essa é a casa dessa organização criminosa, imunda, nojenta! E to achando certo. Anda, chama um segurança, qualquer coisa. Eu quero que você mate o Orlando.

    BÚLGARO

    (pasmo) O quê?


     

                       REGINA

    Matar o Orlando! Tá surdo? Não vem criar história, porque você mata essas meninas todos os dias, destruindo os sonhos, as vontades delas. Anda. Eu quero assistir o Orlando boiar no mar.

                       (pondera)

                       (MAIS)

    REGINA (cont.) Ainda hoje!

    BÚLGARO

    Vocês estão loucas. Eu não posso fazer isso!

    REGINA

    Realmente, não pode, mas, na sua situação, eu não me negaria.

    (pausa)

    E tem outra, eu quero ver a minha mãe, os familiares de todas essas meninas livres. Você vai mandar o Orlando expulsar todos os vigias, todas os olheiros, tudo. Eu quero cada um desses tripulantes livres, capitão.


     

    BÚLGARO

    Você acha que é assim, né? Aponta uma arma pra mim e tudo se resolve...

    (ri)

    Você é muito inocente, mulher.

    REGINA

    Pra sua informação, me chamo Regina. E, mais que isso, eu não sou burra, capitão. Eu garanto que sou muito esperta. Principalmente quando mechem com quem eu gosto. A minha mãe está inclusa nessa sujeita. Então, pra ficarmos só nós, você vai obrigar o Orlando a limpar isso tudo.

    BÚLGARO

    E quando estiver resolvido? Em? Você vai virar as costas, descer no primeiro porto e viver sua vida?

    (ri)

    Ou vai parar no primeiro posto policial? Não, não, não... Não precisa responder. A gente já sabe a resposta.

    Lívia aperta o botão ENTER, no notebook.

    LÍVIA

    Foi. As quatro pessoas receberam uma cópia da mensagem e, se algo acontecer, estarão prontas para enviar à polícia, Regina.


     

                       REGINA

    Ótimo, Lívia.

                       (p/ Búlgaro)

    Tá curioso pro seu futuro? (ri)

    Eu deixo você fugir. Pode ser? Eu te dou essa chance. Vai pra bem longe; some! Agora, eu não vou pegar uma cerveja e cruzar meus braços com essa situação. (pausa) Bem, chega! Pegue seu rádio e chame seus capangas. Eu quero ter certeza de que tudo estará resolvido. E se algo acontecer, a polícia recebe uma mensagem, porque, não sei se deu pra escutar, existem cópias da delação que nós preparamos. Um texto um tanto grande, para mostrar ao mundo todo o que é o navio Empire. Agora, vamos ao nosso, capitão. O tempo tá passando...

    Búlgaro encara-a e saca seu rádio do bolso.

    BÚLGARO

                       (via rádio)

    Chamem Flávio e Rodrigo na minha cabine. Pra já!

    Búlgaro guarda o rádio.

                       BÚLGARO (cont.)

    Satisfeita?

                       REGINA

    Ainda não, capitão.


     

  27. INT. EMPIRE - TARDE

    O Sol termina de se pôr e o navio navega.


     

  28. INT. EMPIRE - CABINE DE MAURO E REGINA - NOITE

    Mauro grudado em seu celular.

                       MAURO

    Regina, você não me atende! Não me atende!

    Nisso, alguém bate freneticamente na porta.


     

    Mauro vai à porta. Abre e dá com Kênia e Lianna, que ENTRAM no quarto, rápidas.


     

    KÊNIA

    Mauro, ajuda a gente! O Orlando não pode nem sonhar que a gente veio aqui!


     

                       MAURO

    Que, que aconteceu?

                       LIANNA

    Donde está Regina?

                       MAURO

    Ela... Ela tá com a Lívia, num plano.


     

                       KÊNIA

    Como assim? Num plano? Que plano? A Lívia não disse nada.

                       MAURO

    Elas também não quiseram me contar. Mas é com o capitão. Regina aproveitou o percurso no Empire para entrar na cabine do capitão.

    Elas... Elas devem estar lá.

                       KÊNIA

    Com o capitão?!

                       LIANNA

    Dios... E se ele...

                       KÊNIA

    Não fala besteira, Lia! E agora, Mauro?


     

    MAURO

    Eu to fazendo o que a Regina me pediu: to esperando. Mas e vocês? O que aconteceu?

    LIANNA

    Orlando está caçando Lívia... Nos só não sabemos porquê.

    KÊNIA

    Eu sei. Ele quer algo da Lívia ou... Assustar ela ou... Ameaçar ela...

                       MAURO

                       (por cima; tom)

    Ou matar! Porque é isso que aquele monstro serve! Destruir a vida das pessoas! Que ódio!

                       LIANNA

    Falar, falar, no vai solucionar. Nos precisamos agir.


     

    Eis que o celular de Mauro começa a apitar. Ele aperta algo na tecla e olha pras meninas.

                       MAURO

    Olhem isso!

    E entrega o celular pra Kênia, que lê algo, junto de Lianna. Elas olham pra Mauro.

    MAURO (cont.)

    É uma... Uma delação, um texto contando tudo!

                       LIANNA

    No creo...

    Kênia sorri, esperançosa.


     

  29. INT. EMPIRE - CABINE DE ORLANDO - NOITE

    SONOPLASTIA - "Highway to Hell", por AC/DC.

    Orlando bebe whisky direto da garrafa, ouvindo música no fone de ouvido. Está só de cueca e dança; pula em cima da cama; pisa sobre os travesseiros, até fazê-los abrir... A espuma sai lá de dentro e vaza colchão à fora. Orlando ri muito, até que tira os fones de ouvido - nesse instante, a sonoplastia muda para o fone e ouvimos o som de longe.

    Orlando saca seu celular e põe no ouvido.

    ORLANDO

    Achou que eu não ia ligar? (risos)

    A casa caiu!

    (pausa)

    Como ’o quê’? Manda alguém me buscar! Eu vou morrer, se você não vier.

    (pausa; ri)

    Eu vou esperar..., parceiro.

    Orlando olha pra vista da janela e desliga a ligação.


     

    ORLANDO (cont.)

    Você não vai me vencer, Búlgaro Damasceno. Jamais.

    Ele ri e volta com os fones pro ouvido.


     

  30. INT. EMPIRE - SALA DE ORLANDO - NOITE

    É a sala já mostrada, de várias TVs ligadas, exibindo as imagens de câmeras. Dentre essas imagens, temos Tonica. Búlgaro, Regina, Lívia, um TRIPULANTE e Flávio ali. Flávio termina de digitar algo num computador.

    FLÁVIO

    Senhor, suspendemos todo o serviço de proteção do sistema. Os atiradores já foram dispensados.

    BÚLGARO

    Ótimo. (p/ Regina) E então? (pausa)

    Você tem as provas. Pode olhar as iamgens, as famílias estão vivendo seu dia a dia. Não tem ninguém por perto. Nenhum atirador, nada.

    Regina encara a imagem de Tonica, dormindo.

    REGINA

    Ótimo desempenho. Agora casse Orlando, prenda-o e me chame.

    BÚLGARO

                  (p/ o tripulante)

    Mande chamar Orlando. Na minha sala em meia hora.


     

    Regina SAI, junto de Lívia. Antes de sair, Búlgaro lança um olhar pra Flávio, que balança a cabeça, afirmativo.


     

  31. INT. EMPIRE - CORREDOR - NOITE

    Búlgaro, Regina, Lívia e Flávio caminham - nessa ordem. Todos sérios.

    INSERT 1- a arma de Búlgaro, na cintura de Regina. VOLTA À CENA.

    INSERT 2 - Flávio retira um canivete do bolso e o contém nas mãos.


     

    VOLTA À CENA.

    Ele olha para Lívia, disfarçadamente. O rádio de Búlgaro toca.

                       BÚLGARO

                       (via rádio)

               Aqui.

    TRIPULANTE (V.O.)

    Senhor, temos um problema.

    Param no meio do corredor. Regina atenta.

    Flávio, com o canivete empunhado, está pronto pro ataque.

    TRIPULANTE (cont.) (V.O.)

    Senhor, rápido, o diretor Orlando está abandonando o navio!!!

    REGINA

    (rápida) O quê?


     


     

    FADE IN:


     

    FIM DO ATO III ATO IV

    FADE OUT.


     

  32. EXT. EMPIRE - NOITE

    SONOPLASTIA - "Highway to Hell", por AC/DC.

    Refletores ligados acompanham Orlando, em cima de um dos corrimãos de segurança, de boia no pescoço, pronto pra se jogar.

    Uma LANCHA espera-o lá em baixo.

    Eis que Orlando, Flávio, Lívia e Regina chegam ali. Os passageiros acompanham, surpresos.

    Orlando começa a rir e vira-se para os quatro.


     

    ORLANDO

    Adeus, seu Búlgaro! (gargalhada)

    Você não esperava por esse Royal Flush, né? Então fica com sua trinca, porque o jogo é meu!

    Orlando ri.

    CÂMERA abre para um PLANO GERAL do navio. Orlando se joga do navio em movimento e cai no

    MAR

    O motorista da lancha ergue um remo. Assim que Orlando ergue da água, agarra no remo e sobe na lancha.

    EMPIRE

    Búlgaro, Flávio, Lívia e Regina apontam na sacada, olhando Orlando, lá em baixo. Orlando gargalha pra Búlgaro e a lancha parte.


     

    Lianna, Kênia e Mauro apontam num deck próximo e veem Lívia e Regina.

    LANCHA

    Orlando sentado, com um champanhe em mãos. Ergue o vidro, por fim, vitorioso, assistindo o navio ficar para trás.

    ORLANDO (cont.)

    A mim!


     

  33. EXT. EMPIRE - NOITE

    Búlgaro, Regina, Lívia e Flávio.

    BÚLGARO

    Deu tudo errado. Parabéns, Regina. O seu jogo acabou.

    Búlgaro vira-se e SAI, fulo. Os tripulantes observam.

    Passageiros cochicham.

    Regina encara o mar, séria, perdida. Lívia a abraça por trás.


     

    LÍVIA

    Calma, Regina. A gente vai conseguir colocar o Búlgaro contra a parede.


     

    REGINA

    (absorta)

    O meu plano era... Era contando com a morte do Orlando, Lívia...

    LÍVIA

    Vai dar tudo certo, calma. Por favor. A gente não pode desistir. Não, agora.

    Nisso, Mauro, Kênia e Lianna chegam.

    MAURO

    (afoito) Regina, tá tudo bem?

    Regina fita Mauro e abraça-o, ligeira.

    KÊNIA

    Você nem avisou nada, Lívia. O que aconteceu? O Orlando... Por que ele fugiu?


     

    LÍVIA

    Eu também queria saber, Kênia.

    A música aumenta de acordo com um PLANO GERAL.


     

    FADE IN:


     

  34. EXT. PORTO - DIA

    A lancha atracada. O som dos pássaros.


     

    FADE OUT.


     

  35. INT. LANCHA - QUARTO - DIA

    Orlando acorda, ainda sonolento.

    Está na parte de cima da beliche, no canto do pequeno cômodo, que também tem um banheiro e uma escrivaninha.

    Ele dá um pulo da beliche.

    POV DE ORLANDO - sobre a escrivaninha, vê uma carta.


     

    VOLTA À CENA.

    Ele abre a carta e lê. Termina, devolve para a mesinha e ergue o olhar. Dá um sorriso, então, e SAI.


     

  36. EXT. PORTO - LANCHA - DIA

Orlando sobe as escadas e olha pro céu azul.

VOZ MASCULINA (O.S.)

Pensei que você não fosse acordar...


 

Orlando vira-se para trás e dá com Luciano, tomando um milk-shake, sentado numa cadeira.

                   ORLANDO

       Você?

                   LUCIANO

Te ver dormindo naquela cama foi provocador, confesso...

(ri)

Quase pulei pra junto de você.

Luciano suga as últimas gotas do milk-shake pelo canudo e chupa o objeto, olhando pra Orlando.

ORLANDO

O que você tá fazendo aqui? Quem me tirou do navio não é da laia do Búlgaro ou da companhia SEAS/

LUCIANO

(corta-o) Eu mudei de time.

(ri)

Digo, depois que você e a SEAS me passaram pra trás, me dando notas falsas, digamos que eu migrei pro outro lado.

FLASHBACK - A GRANA.


 

LIANNA (V.O.)

Eu não vim te roubar, eu juro! Eu só tava do lado de fora, e eu ouvi você berrando.../


 

Uma mão masculina pressiona o aparelho, desligando-o. É Orlando. CLOSE nele, enfurecido com o que ouvira.

DESFOCA pra atrás dele, aonde Luciano organiza bolos de dólares numa maleta. Para. Dá um sorriso.

DE VOLTA AOS DIAS ATUAIS.

ORLANDO

Luciano, não era pra ter acontecido daquela forma/

LUCIANO

(corta-o)

Tudo bem, tudo bem... Sem ressentimentos. Nós precisamos de você ao nosso lado.

(pausa)

Você ainda tem muito o que saber, Orlando.


 

ORLANDO

Seja o que for, eu só quero destruir a companhia e aquele maldito capitão.

LUCIANO

Então você está do lado certo. (pausa)

Estou te esperando no carro. Se arrume. Você vai conhecer quem quer acabar com a festa do

(tom)

comandante do maior navio do mundo!

Luciano ri, põe o copo de milk-shake em cima de uma bancada e deixa a lancha.


 

Orlando observa-o sair e fica a pensar por alguns instantes. SAI, então, repentino.


 

FADE TO BLACK.



 Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
 
 
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