Seas - 1x02


 


TEASER


 

  1. INT. EMPIRE - CORREDOR - NOITE

    Efeitos à imagem, tornando-a opaca, impede-nos de ver a ação com perfeição, mas percebemos Regina, fadigada, correndo, desesperada. ÁUDIO abre pra respiração ofegante.

    FLASHBACK PARA:


     

  2. INT. CASA DE REGINA - SALA - DIA

    Regina, aturdida, deixa um copo d’água cair no chão.

    CORTA PARA Mauro, vassoura em mãos, ajudando a colocar os cacos de vidro na pá. Regina, trêmula. CORTE DESCONTÍNUO PARA A

    SALA

    Ele já está na frente da TV, de olho no futebol. Ela passa, em direção a cozinha - observa-o no canto do olho.

    FIM DO FLASHBACK.

    VOLTA À CENA INICIAL.

    Regina abre a primeira porta que vê e ENTRA/ É o BANHEIRO.

    Vê um espelho. Escora-se no lavabo. O suor pinga do rosto. A respiração vai se controlando. E a imagem perde os efeitos, torna-se nítida.

    Lívia, de repente, ENTRA. Encaram-se.


     

    FLASHBACK PARA:


     

  3. INT. CASA DE REGINA - SALA - DIA

    Regina abre a porta e dá com um HOMEM engravatado, de caneta e papel nas mãos.


     

    HOMEM

    (lê no papel) Senhora Regina Silveira?


     

    REGINA

    Isso, eu mesma.

    OFICIAL

    A senhora está recebendo uma carta judicial. Trata-se de uma ordem de despejo.

    (oferece o papel) Preciso que assine, por favor.

    Regina encara-o, atônita.

    REGINA (V.O.)

    A única certeza é de que precisávamos jogar tudo para o alto e começar novamente.

    FIM DO FLASHBACK. VOLTA À CENA INICIAL.

    Regina encara Lívia por alguns segundos e desmaia. Lívia corre e a pega assim que cai no chão. No olhar de Lívia, encarando o rosto de Regina...


     

    FADE OUT.

    FADE IN:


     

  4. INT. EMPIRE - ENFERMARIA - DIA

    POV DE REGINA, DEITADA - visão embaçada. Nitidez chega aos poucos e vai surgindo a figura de Lívia.

    FIM DO POV.

    Lívia de cara com Regina, no meio da sala branca, com duas macas; Regina em uma.

    REGINA

    (olha ao redor) Que lugar é esse?

    LÍVIA

    Se acalma, você tá na enfermaria. Passou mal, caiu no chão. Não se lembra?


     

    REGINA

    O navio... Eu ainda to no navio?


     

    LÍVIA

    Está. Se sente melhor?

    REGINA

    Não se faz de burra, garota. Na minha comunidade tem montes, assim, achando que vão passar as pessoas pra traz. Eu vi... Eu vi tudo.

    Naquele lugar!

    (vai se exaltando)

    Meu Deus... E você queria me impedir! E eu já to dizendo...


     

    Regina vai se levantar, mas sente alguma dor, que a faz retornar ao travesseiro, de olhos fechados e gemidos.

    LÍVIA

    Você precisa descansar. (pausa)

    Apenas descanse...

    POV DE REGINA - a imagem volta a embaçar. A figura de uma enfermeira surge repentinamente, mas logo desaparece, quando os olhos se fecham e o PRETO preenche a tela.

    CORTE DESCONTÍNUO.

    ÂNGULO ALTO compreende o rosto de Regina, sozinha, meio à enfermaria. Seus olhos abrem-se. ENTRA uma ENFERMEIRA. Regina fecha os olhos. Aquela a olha brevemente; pega um prontuário e SAI. Regina volta a abrir os olhos. Finalmente, senta-se à cama e respira fundo. Não demora e dá um pulo da cama. SAI dali, olhando pros lados.


     

  5. INT. EMPIRE - CORREDOR - NOITE

    Regina, insegura, anda apressada, com os sapatos em mãos. Os passageiros diversos, que passam com bermudas, roupas de piscina, parecem olhar fixos para ela, enquanto sorriem.

    INSERT:

    Os pés de Regina caminham, nus. VOLTA À CENA.

    É quando ela chega à frente do ELEVADOR, que está aberto. Apenas Luciano lá dentro. Ele sorri pra ela, mas ela SAI correndo. Ele estranha. A porta do elevador fecha.


     

    CORTA para Regina, que anda apressada. Parece perdida. O queixo treme; quer chorar. Ela olha pra porta de várias suítes, tentando achar seu quarto. Finalmente, para frente a uma porta, de número 9225. Retira um cartão do bolso, trêmula, passa no identificador e ENTRA no

    QUARTO

    Bate a porta e escora-se ali, com os olhos fechados. Barulho de ducha.

    FLASHBACK - REGINA DESCOBRE A HOUSE PINK

    Regina abre as portas grandes do salão e depara-se com o ambiente, cheio de homens; com algumas mulheres expostas no palco.

    DE VOLTA AOS DIAS ATUAIS.

    A porta do banheiro abre-se e Mauro sai, vestido no roupão branco. Subitamente, Regina dá alguns passos e o abraça apertado.


     

    MAURO

    Eu já estava indo atrás de você, Regina. O que aconteceu?

    REGINA

    Eu... Eu... fiquei... Fiquei a noite toda ajudando uma família... E... E aconteceram... Aconteceram algumas coisas, tive que ajudar o filho do casal, que estava passando mal. É, foi isso. Acredita?

    (pausa)

    É. Tadinho, o menino passou mal por causa do navio. Fui parar na enfermaria... Ele não queria largar da minha mão. Fiquei lá, até agora.

    MAURO

    Eu não acredito. Não, mesmo.

    Regina fecha o rosto, nervosa.

    MAURO (cont.) (sorri)

    Não acredito que casei com a mulher mais solidária desse Rio de Janeiro...

    (beija-a)

    Eu sabia que você não ia durar muito, com aquele teu discurso de

    (MAIS)

    MAURO (cont.)

    curtir a viagem. Mas e a família? Não te convidou nem pra almoçar junto? Você ajudou o filho deles!

    REGINA

    Não. Fiz pelo menino. Os pais eram mais medíocres que outra coisa. Mas e você, tá melhor?

    MAURO

    Eu to melhor. Ia até te chamar para irmos no...

    Ele vai até à escrivaninha e pega um convite.

    MAURO (cont.)

    (lê)

    Baile Havaí Seas Empire, 2016!

    REGINA

    (corta)

    Não, não, não... Acho melhor não. To com dor de cabeça, cansada. Eu queria, mesmo, ficar aqui, agarrada em você, nessa cama!

    (força um sorrido) Em, que tal?

    MAURO

    Pra quem tava animada pra conhecer o navio de cabo a rabo, isso não é nada normal. Tá tudo bem, mesmo? É a comida? Comida de gringo costuma ser ruim assim mesmo, amor. Vão pro Brasil, pegam passageiros brasileiros e fazem feijoada sem o pezinho do porco! Isso, também, é sacanagem, né?

    REGINA

    (não dá bola)

    Está tudo ótimo, Mauro, não é isso. É que eu falei tanto de você que peguei essa onda pesada. Só quero descansar um pouco. Mas se você quiser ir, pode ir.

    (sorriso sem graça) Confio totalmente em você.

    MAURO

    Não. Eu vou ficar aqui.

    Dão-se um selinho.

    REGINA

    Ótimo. Eu vou tomar uma ducha, pra refrescar.


     

    MAURO

    Vai, sim. Ah, acredita que tem filmes aqui na TV que nem estrearam no cinema ainda?

    (ri) Um luxo, Rê!


     

    Regina força um sorriso amarelo, pega algumas mudas de roupa e ENTRA no

    BANHEIRO

    Regina tira suas roupas.

    CORTE DESCONTÍNUO. Suas mãos giram o registro. A água cai sobre seus cabelos.


     

    CORTA PARA FLASHBACK 01:

    FLASHBACK 01 - REGINA DESCOBRE TUDO


     

    CORTA RÁPIDO PARA uma porta no corredor, que é

    aberta. Regina aponta na frecha e passa a ouvir a conversa entre Orlando e Kênia.

    CORTA pros dois. Ele pega no cabelo dela.

    ORLANDO

    (lentamente) Você vai, sim!

    KÊNIA

    (berra; chora) Eu não vou, não!


     

    Orlando SOCA a cara dela com toda sua força, a derrubando brutalmente no chão.

    ORLANDO

    (berra; explode)

    Você vai, sim!!! Sabe por

    quê? Porque você é minha puta e sou eu que to mandando!!!


     

    CORTA PRA REGINA, perplexa. Nesse instante alguém a puxa para dentro e fecha a porta.

    FIM DO FLASHBACK 01.

    VOLTA À CENA.


     

    Regina chora muito.

    CORTA PARA FLASHBACK 02:


     

    FLASHBACK 02 - ORLANDO DÁ EM CIMA DE REGINA

    REGINA

    (injuriada)

    Eu sou casada, se o senhor não percebeu.

    ORLANDO

    (ri)

    Mas não há nada de mal nisso. Nesse navio, tem entretenimento o bastante para todos.

    (sussurra) Inclusive pra senhora.

    Ela dá um TAPA na cara de Orlando e sai, intempestiva, dali.

    FIM DO FLASHBACK 02.


     

    CORTA PARA FLASHBACK 03:

    FLASHBACK 03 - LUCIANO NO BAR


     

    Uma mulher cochicha no ouvido de Luciano. Regina intrigada.

    FIM DO FLASHBACK 03.

    VOLTA À CENA.

    Regina SAI de dentro do box, secando os cabelos, de olhos inchados. Ela encara-se no espelho meio embaçado; veste um roupão branco; pega a roupa que estava usando, sobre a privada, mete a mão dentro de um dos bolsos e tira o cartãozinho da HOUSE PINK lá de dentro.

    INSERT - CARTÃO:

    Lemos o nome de LÍVIA, LIANNA, KÊNIA, além de muitos outros, seguidos dos telefones de suas respectivas cabines e do valor do programa.

    VOLTA À CENA.

    Regina revela seus olhos de ódio ao espelho e, repentinamente, SAI da cena.


     

    FADE TO BLACK.


     


     

    FADE IN:

    FIM DO TEASER ATO I




1x02 - LUTE CONOSCO 
 

  1. EXT. EMPIRE - DIA

    O EMPIRE tem sua logomarca na lateral, centímetros a cima das águas, que são deixadas pra trás quando o navio, em alta velocidade, desfila mar à fora.


     

    ABRE pra revelar a imensidão do céu azul. Sol forte. Piscina; tobo-água; diversão geral; som alto e animação nas externas do navio. A tripulação serve, sempre com belos sorrisos nos rostos.


     

  2. INT. EMPIRE - CABINE DE MAURO E REGINA - DIA

    Num ato súbito, Regina levanta da cama, respirando fundo e soltando o ar. Mauro ao lado. Ela se levanta, olha-se no espelho.


     

    REGINA

    (sussurra)

    Tudo vai passar. Você precisa esquecer tudo isso, Regina. Isso não é um problema seu.

    Mauro acorda. Cabelos em pé, olhos cerrados, sonolento.

    MAURO

    Falando sozinha?

    (ri)

    Eu te avisei que uma hora isso aqui ia ficar chato...

    REGINA

    (vira-se pra ele) Você? Acordado?

    (ri)

    Só to pensando auto. Tem o mundo aí fora, né? Tudo do bom e do melhor... Cheio de milionários, montados no dinheiro...


     

    Ela se penteia. Ele dá um pulo da cama e se aproxima dela, beijando-a no pescoço e abraçando-a por trás.

    MAURO

    Mas não é por causa de grana que estamos aqui? Não é pra esquecê-la?

    (sorri)

    Que, que te houve, em? Tá estranha desde ontem.

    REGINA

    Não to nada. É stress. Estou prestes a ter uma enxaqueca daquelas!


     

    MAURO

    Em plena viagem?

    REGINA

    Mauro, meu amor, eu não escolho dias. Veio. Simples assim.

    MAURO

    Que saco! Mas, em, já tá na hora do almoço e a gente nem tomou café.

    Vamos? To faminto.

    REGINA

    Sabe que, que é? Eu queria pedir no quarto...

    Desvencilha-se dela.


     

    MAURO

    No quarto?

    (chateado)

    Poxa, Regina, estamos num cruzeiro, numa cidade flutuante! Ontem eu era o chato. Agora é você? A gente vai mesmo ficar dentro do quarto, comendo, vendo filmes, tendo a vida que a gente tem todos os santos finais de semana?

    REGINA

    Não, não é isso/

    MAURO

    (corta)

    Se não é isso, vamos pro restaurante, sim! E de lá vamos arrumar alguma coisa pra fazer. Olha esse lugar! Eu nunca tive a oportunidade de estar aqui. Nem você. Vamos curtir, poxa!

    Regina pensa por alguns instantes.


     

    REGINA

    Tá, tudo bem. Vamos.

    MAURO

    (comemora) Yes! Convenci!

    Ela dá um sorriso amarelo. Beijam-se.


     

  3. INT. NAVIO - RESTAURANTE - DIA

    O lugar tem aparência moderna, despojada. Mauro e Regina ENTRAM. Eles vão até uma mesa e sentam-se. PLANO DISTANTE. O garçom aproxima-se e anota o pedido. SAI. Muda para PLANO PRÓXIMO. Uma das mãos de Regina está sobre a mesa. Mauro põe a sua sobre a dela. Sorrisos.

    REGINA

    Parece até que a gente tá em lua de mel! Ganhamos na mega sena...


     

    Eles riem; Mauro ri alto, chamando atenção do redor. Ele se contém, ri baixinho.


     


     

    Pausa.

    REGINA (cont.) Ri baixo, Mauro!

    (ri)

    Pelo amor de Deus, sem vexame!


     

    MAURO

    O que você pensa, se a gente tocar aquele negócio que eu vinha falando há algum tempo com você?

    REGINA

    Do quê?

    MAURO

    De um filho. A gente não tá na melhor fase,

    (ri)

    mas ainda dá pra ter um herdeiro.

    REGINA

    Herdeiro das nossas dívidas, você quis dizer, né?

    Separam-se as mãos.


     

    MAURO

    Não, não, para. A gente vai conseguir sair dessa. Juntos. Sua mãe sempre teve certa, vai... A união da gente é o que pode fazer todas as áreas da nossa vida subirem, Rê!

    REGINA

    Lá vamos nós, começar essa conversa de novo... Uma criança, Mauro? Já é tão difícil só nós dois...

    MAURO

    É uma questão só ou são várias? Em? É que as vezes eu fico me questionando, Regina. O problema é só grana? Ou o problema é você não querer?

    Regina congela, encarando algo fora da tela.

    MAURO (cont.)

    Regina?

    REGINA

    (cínica)

    Mauro, amor, eu acabei de lembrar que deixei o documento na cabine. E... E eu queria tirar umas fotos no cassino, depois. Em, o que acha? Eu vou lá pegar. Já volto.

    Ela se levanta e SAI.

    MAURO

    Regina? Amor? Espera/

    Mauro fica a olhar pro nada, confuso.

    CORTA PRA REGINA, saindo do restaurante, sorrateira. Porém, quando abre a porta para sair, dá de cara com Lívia, saindo de dentro da porta da cozinha. Regina não hesita, impõe sua força contra a porta, abre-a e SAI, apressada. Lívia joga seu pano de prato sobre a bancada e vai atrás dela.


     

  4. INT. EMPIRE - CORREDOR - DIA

    INTERCUT entre Regina, na frente, e Lívia, atrás, olhando-a de relance, seguindo-a. Andam apressadas.


     

  5. EXT. EMPIRE - DIA

    Regina vai entrando no meio das pessoas. Som alto ali.

    Lívia vem atrás, tentando acompanhá-la com os olhos, aflita. Regina sobe as escadas, que levam ao

    DECK FRONTAL

    Daqui, Regina vê Lívia no meio das pessoas, que dançam e cantam.

    CORTA PRA Lívia, tentando achar Regina.

    POV DE LÍVIA - finalmente, seus olhos encontram-na no deck. Porém, Regina, repentinamente, foge de sua vista.

    SAI DO POV DE LÍVIA.

    Lívia segue em direção ao deck frontal.


     

  6. EXT. EMPIRE - DECK FRONTAL - DIA

    Regina, rápida, desce por uma escada. Ela chega à PROA do navio.

    Anda de um lado pro outro, respira fundo.

    REGINA

    O que eu faço, o que eu faço, meu Deus?


     

    Nisso, ela vê uma PORTA, pequena, com a palavra "HIDROMASSAGEM". Ela entra ali, sem pensar duas vezes.


     

  7. INT. EMPIRE. SALA DA HIDRO - DIA

    Trata-se de um lugar fechado, todo à madeira; com algumas espreguiçadeiras e vista direta para o mar. Regina entra pela única porta de acesso e anda de um lado pro outro, tentando achar saída. Quando vê que não há, dá as costas, para sair por onde entrou, mas da de cara com Lívia, encarando-a.


     

    LÍVIA

    Será que, agora, você pode parar de fugir de mim?

  8. INT. EMPIRE - CABINE DE BÚLGARO - DIA

    ABRE num whisky, sendo despejado num copo de vidro. Uma mão masculina vem de encontro ao objeto e o leva até a boca: trata-se de Búlgaro, encarando a vista do mar pela janela, bebendo.


     

    Sentando no sofá está Orlando, com um dos navios SEAS, de brinquedo, nas mãos.


     

    BÚLGARO (O.S.)

    Eu soube de uma tripulante, Orlando. Uma tripulante machucada. Ferida.


     

    ORLANDO

    Sim. Foram dois homens, tripulantes, novamente. Parece que queriam sexo, mas não tinham grana. A tripulação está confinada, capitão... Por um lado eu entendo. Instinto masculino. Entendo bem. Da mesma forma/

    BÚLGARO

    (corta)

    Eu não quero uma explicação, Orlando, muito menos invenções. Eu sei de tudo o que acontece aqui, mesmo que você imagine que não.

    ORLANDO

    Eu não entendo o que quer dizer..

    BÚLGARO

    Eu sei de tudo o que você faz. Sei que não existe nenhum tripulante louco o bastante para abusar de uma servente ou seja lá o que ela for. Sei que você revida, com êxito, a todas que não cumprem seus desejos; a todas que te deixam de ganhar uma boa quantia.

    (pausa)

    Eu sei de tudo, Orlando. (bebe mais um pouco)

    Eu só espero que os lucros estejam sendo divididos de forma correta, porque se o meu corpo amanhecer dentro desse oceano, pode ter certeza que eu terei quem me vingar.

    ORLANDO

    (ri)

    Desculpe... Desculpe o riso, capitão. Mas o senhor deve estar lendo livros além mar... O senhor sabe que está tudo sob controle com nossos investidores. Estão satisfeitos.


     

    Búlgaro larga o copo na mesa de centro e anda de um lado pro outro.


     

    BÚLGARO

    Um velho, comandando um navio de duzentas e cinquenta mil toneladas e capacidade para transportar seis mil pessoas é incrivelmente sábio. Eu... Eu, às vezes, me pergunto se sou um velho, até.

    ORLANDO

    É claro que não. É um sábio! Um sábio, que sabe que é. Eu sempre faço o que posso, capitão, inclusive priorizar a vida da equipe que transforma a vida de todas essas pessoas em felicidade. Mas basta que cumpram o que nos devem: serviços competentes.

    BÚLGARO

    Não precisa me justificar tudo, Orlando. Só queria deixar claro a minha preocupação com o meu nome. Ele sempre esteve na reta. Aos seus cuidados. E, por isso, eu gostaria de certificar que nenhum caso de acidente aconteceria novamente neste navio. Estamos de acordo?

    ORLANDO

    Sem dúvidas.

    BÚLGARO

    E limpe o terreno.

    Búlgaro vai até sua mesa e pega um papel. Entrega-o a Orlando.


     

    ORLANDO

    (lê)

    Antenor Rodrigues? Quem é?

    Búlgaro volta-se a ele.


     

    BÚLGARO

    Um amigo do peito. Vai desembarcar em Buenos Aires. Está sozinho.

    Trocaram a classe dele e acabou ficando num quarto econômico, sem vista. Quero que o mude de quarto e dê a ele o melhor serviço que possa oferecer.


     

    ORLANDO

    E isso inclui/

    BÚLGARO

    (corta)

    Isso inclui todas as vantagens do EMPIRE.


     

  9. INT. EMPIRE - SALA DA HIDRO - DIA

    CONTINUAÇÃO. No cara a cara de Regina e Lívia.

    REGINA

    (ameaça chorar)

    Pelo amor de Deus, garota, o que você quer?


     

    LÍVIA

    A senhora está fugindo de mim/

    REGINA

    (corta)

    Fala logo! Vai, to na sua frente! Pode falar!

    LÍVIA

    Sobre o que viu/

    REGINA

    (corta)

    Eu sei bem o que vi. Vi que esse lugar não passa de um navio, disfarçado para prestar um serviço imundo. Prostituição! Garota, você tem noção?


     

    LÍVIA

    A senhora não está entendendo/

    REGINA

    (corta)

    Não, não estou, mesmo! Você me salva daquele lugar, me persegue

    (MAIS)


     

    REGINA (cont.)

    por esse navio, parece querer me segurar de qualquer jeito... Você é o que deles? Em? Fala!

    LÍVIA

    (alto)

    Eu sou mais uma vítima disso tudo! (apascenta)

    Ou não percebeu, ainda, que somos forçadas? Você viu como aquele homem estava tratando a funcionária? A senhora viu, sim! Eu tava lá, vendo tudo, também. E o que ainda está fazendo, fugindo de mim? Acha que eu concordo com isso?

    (tempo)

    Todas nós cumprimos um contrato, que vai muito além de dinheiro; depende da gente, o prato de comida na nossa casa, a quilômetros daqui; se não, a vida! Não podemos cruzar os braços. E nem temos forças para lutar contra eles.

    REGINA

    (sussurra)

    Meu Deus do céu, que lugar... Que lugar é esse?

    Regina começa a chorar. Senta-se na poltrona mais próxima.

    LÍVIA

    Isso é prostituição e cárcere privado, praticamente. Olha o que eles nos impõem!!! Trabalho escravo, tudo no

    (ênfase)

    navio mais sensacional do planeta. Não é o sonho de todo macho, sem transar há um tempão?

    (lágrimas)

    Em? A senhora entende? Olha pra isso. Tudo banhado a ouro; e banhado a ouro com o dinheiro dessas pessoas, que aceitam esse esquema e apenas querem se utilizar deles, levando a gente pra cama, como simples objetos.

    Regina a olha, enojada.


     

    LÍVIA (cont.)

    Você não imagina o que eu e as meninas passamos todos os dias, tendo que ir pra cama com pessoas que nunca vimos e homens ríspidos. Somos proibidas de folgar; de desembarcar em qualquer que seja o lugar; banidas de qualquer comunicação. Nada que ponha o império em risco é aceito.

    Nada. Por acaso, já passou pela sua cabeça que isso existe? Hein?

    (pausa)

    Você vai ficar quieta? É isso, mesmo?


     

    REGINA

    (se levanta; lágrimas rolam) Chega. Eu não quero ouvir isso.Eu não posso ouvir isso. Meu Deus...

    (respira fundo)

    O que você quer de mim? Falou, falou, falou, e eu não to entendendo o porquê da perseguição. Pelo amor de Deus, eu não posso sustentar esta situação sozinha/

    LÍVIA

    (corta)

    Você pode se juntar a nós. Se junte a nós. É. Você é a única a saber disso. É por isso que eu to atrás de você, porque eu preciso da sua ajuda. Eu preciso de você ao meu lado. Ao lado de todas nós.


     

    Regina levanta-se, inquieta. Lívia, repentinamente, ajoelha-se no chão.


     

    LÍVIA (cont.) (emoção)

    Eu te imploro, Regina. Você precisa me ajudar. É a única esperança que eu tenho: a minha única esperança é você.

    Regina, espantada, dá uns passos pra trás.

    LÍVIA (cont.) (chorando)

    Te imploro...


     

    REGINA

    Não! Não! Não! Pelo amor de Deus, eu nosso posso me envolver nisso. Eu e meu marido, nós estamos num momento complicado, tentando resolver milhões de problemas, que brotaram nas nossas vidas e você me pede pra salvar essas pessoas?

    (mãos à cabeça)

    Garota, de onde eu venho não existe herói. Eu... Eu... Nunca vivi isso, nem sei o que fazer. Eu... Eu não posso/


     

    LÍVIA

    Mas eu/

    (levanta-se, segura às mãos dela)

    Eu não to pedindo muito. To pedindo só você do nosso lado. Nós só precisando de uma cúmplice. De alguém para ser testemunha! Somos pequenos aqui.

    (pausa)

    Nós só precisamos de um plano. Um plano que acabe com o Orlando, que o impeça de fazer qualquer coisa contra nós e nossas famílias, para que consigamos parar em Buenos Aires, ir à polícia mais perto e denunciar tudo. É isso que precisamos. Só assim acabaremos com todo esse sofrimento, Regina. Mas não podemos, sozinhos. São muitos, com muita grana. Podem nos colocar pra dentro desse navio à força e fazer coisas muito piores. E...

    (hesita)

    E tudo virar apenas uma suposição pras autoridades.

    REGINA

    Olha... Tá havendo um engano. É. Só pode ser isso. Eu sinto muito...

    (soluço, lágrimas) Eu/ Meu Deus!

    (respira)

    Eu nem tenho dinheiro, nem sou essas madames... Eu não posso bancar nada. Sem mim, comigo, dá no mesmo! E eu não posso arriscar essa viagem com isso.

    LÍVIA

    Pera aí... Está dizendo que vai ignorar tudo o que viu? Tudo o que eu te disse?

    (alto; séria)

    Você não pode fazer isso! Não pode!

    REGINA

    Eu nem sei o que ainda estou fazendo aqui, garota. Chega.

    Regina dá as costas.


     

    LÍVIA

    Volta aqui, volta aqui!!! Você não pode! Por favor...


     

    Mas ela SAI dali e bate a porta. Lívia dá um BERRO, raivosa, e joga-se no chão, a chorar.


     


     

    FADE IN:


     

    FIM DO ATO I ATO II

    FADE TO BLACK.


     

  10. INT. EMPIRE - CABINE MASTER - DIA

    Cama à frente, espreguiçadeiras na pequena varandinha, do lado de fora, e os objetos mais luxuosos espalhados pela suíte, que recebe Orlando e um HOMEM, 60 e poucos anos, pouco cabelo, pele clara. Entra, também, uma TRIPULANTE, deixando a mala do homem no canto. Essa sai. O homem retira o blazer, joga sobre a cama e sorri para Orlando.

    HOMEM

    Eu prefiro essa!

    ORLANDO

    (sorri)

    Com certeza, seu Antenor. A Seas pede inúmeros perdões.

    ANTENOR

    A Seas?

    (sorri)

    Meu velho amigo, Búlgaro, você quis dizer, hein?

    (bate nos ombros dele) ) O conheço há um bom tempo, meu amigo. Bom tempo!


     

    ORLANDO

    Que bom. Viajar a bordo de um navio de gente conhecida é ótimo. Bem... Vou me retirar. Espero que faça uma ótima viagem.

    ANTENOR

    Não. Espere.

    Antenor vai chegando mais perto.

    ANTENOR (cont.)

    Não tem nenhum servicinho de relaxamento por aí, não? Em?

    (ri)

    É que essa adrenalina de estar num quarto fechado me deu uma agonia...

    ORLANDO

    Serviços?

    (sorri)

    Acho que sei do que fala, senhor. (firme)

    Da bela vodka, não é?

    ANTERNOR

    Daquela vodka! Bem clarinha.

    Orlando dá um sorriso.

    ORLANDO

    Mandarei em breve. Não vai se arrepender!


     

    Orlando sorri e SAI da cabine. Antenor vai até a porta e SAI para a

    VARANDA

    Ele encara a vista, poderoso. CORTA PRA DENTRO DA CABINE

    A mala; entra objeto à dentro e para num distintivo da Polícia Federal.


     

  11. INT. EMPIRE - CORREDOR - DIA

    Orlando andando. Mais à frente, Lianna sai de um quarto, com todos seus apetrechos de limpeza. Para frente a ele.

    ORLANDO

    Recuperada da noite, Lianna? Espero que sim, porque tem servicinho novo pra você.

    Orlando retira um cartão do bolso e entrega a ela.

    ORLANDO (cont.)

    Quero o melhor serviço. É pra um cliente especial. E quero pra agora.

    E ele SAI. Lianna acompanha-o com o olhar.


     

  12. INT. EMPIRE - CABINE MASTER - DIA

    O quarto está mais escuro. Antenor está deitado sobre a cama, só de cueca. Peitoral peludo de fora.


     

    A porta é destravada. Ouve-se o apito. Entra Lianna. Antenor se levanta. Sorri para ela.

    ANTENOR

    E, então, quem é essa menininha?

    LIANNA

    Mi nome é Lianna.

    ANTENOR

    Lianna...

    (sorri; aproveitador)

    E quantos anos esse corpinho tem, hein?


     

    Ele a olha da cabeça aos pés, feito um objeto. Ela o encara, enojada.


     

    LIANNA

    Vinte e um.

    ANTENOR

    Só vinte e um?

    (sorri)

    Minha experiência fica melhor com sua timidez. Vai ser maravilhoso. Como quer começar?

    Ela não responde; olha pro chão.

    ANTENOR (cont.)

    O gato comeu sua língua?

    Antenor puxa Lianna para a


     

    SACADA

    Ele puxa-a para o mais perto da parede possível.

    LIANNA

    Aqui fora, não. Não nos deixam/

    ANTENOR

    (pede silêncio c/ os dedos) Você não pode falar nada.


     

    Antenor retira o distintivo de dentro da cueca e revela a Lianna, que se mostra surpresa.

    ANTENOR (cont.)

    Eu vim salvar todos vocês, mas eu preciso que me ajude. E a primeira coisa é ficando quieta. Eu acho que têm câmeras aqui dentro/

    LIANNA

    (sussurra) Não. Eles não põem/

    ANTENOR

    Isso é o que você acha. Não posso me submeter a isso. Eu preciso que você faça exatamente o que eu te disser, OK, Lianna? Tudo vai dar certo. Até amanhã, você tá fora desse navio, menina.

    (pausa)

    Agora, nós precisamos agir.


     

  13. INT. EMPIRE - CORREDOR - DIA

    Lianna, meio perdida, chora, enquanto corre. Um GRUPO DE PASSAGEIROS entra no corredor, rindo entre si. É o suficiente para ela se restabelecer, abaixar a cabeça e fingir a normalidade. Passa rente a eles.


     

  14. INT. SALA DE ORLANDO - DIA

    Um HOMEM sentado de frente para diversas telas de computador. Observa cada uma, atento. Orlando entra na sala.

    ORLANDO

    E então, algum problema?


     

    HOMEM

    Revisei os de ontem, olhei os de hoje... Nenhum problema. Todos os programas devidamente feitos.

    ORLANDO

    Ótimo. Qualquer conversa a mais entre passageiro e puta ou

    vice-versa, mande me chamar.

    O homem concorda e Orlando sai. CORTA PRAS TELAS: são várias cenas, com as meninas transando com os hóspedes.

    INSERT:

    Vemos o quarto onde Lianna e Antenor estão. O PV não reconhece nenhum dos dois; apenas a cama, limpa.

    FIM DO INSERT.


     

  15. INT. EMPIRE - NAVIO - DIA

    Regina anda, nitidamente abatida. Seca as lágrimas, tenta esconder dos que passam por perto.


     

    CORTA pra Orlando, andando, calmo, fiscalizando os corredores. Vão se encontrar.


     

    VOLTA pra Regina, desatenta, rápida, dirigindo-se à escada. Nisso, ela esbarra com força em Orlando e dá uns passos de mau jeito, virando um dos pés no degrau e rolando escada à baixo. Ela cai deitada, estatelada.

    CLOSE em Orlando, surpreso.


     

  16. INT. EMPIRE - CABINE DE MAURO E REGINA - DIA

    Regina, com uma compressa de gelo nos pés, está deitada na cama. Ao seu lado, estão Orlando, Mauro e uma ENFERMEIRA.

    MAURO

    Como está se sentindo, amor?

    Regina, rosto avermelhado, encara Orlando por alguns segundos e reata a visão para Mauro.

    REGINA

    Mais ou menos. Essas coisas só acontecem comigo!


     

    MAURO

    (Ri)

    Deve ser sorte.

    REGINA

    Que sorte, né?

    ORLANDO

    (Sorri)

    Fico feliz que não tenha passado de uma queda. À qualquer momento, nossa enfermaria está disponível para você, Regina. Por favor, não hesite.


     

    REGINA

    (agressiva) Eu já disse.

    (apascenta)

    Eu já disse, senhor. Eu agradeço, mas quero ficar aqui, na nossa cabine, quietinha. Logo, logo, vai passar.


     

    ORLANDO

    Como quiser.

    MAURO

    (encara Orlando)

    Eu não sei como agradecer! (sorri)

    Olha, muito obrigado. Se fosse outro, já estaria cuidando de outra coisa e nem ligaria. Nós agradecemos, não é, Regina?

    Regina encara Orlando, que nota o incômodo dela.

    ORLANDO

    Não tem de quê. Só cumpri uma das minhas tarefas. É uma honra, sempre, fazer das nossas viagens verdadeiras realizações.

    Mauro estende a mão.


     

    MAURO

    Brigadão, mesmo!

    Eles se cumprimentam.

    ORLANDO

    De nada.

    (Encara Regina) Melhoras, Regina.

    Ele dá as costas, junto da enfermeira e SAEM. MAURO

    Agora, Regina, somos só eu e você. Você vai me explicar direitinho o que você tem. E eu quero a verdade.

    No CLOSE dela.


     

    REGINA

    Como assim, Mauro? Não to te entendendo.

    MAURO

    Não vem com essa, Regina. Você me deixou plantado naquele restaurante! Me deu uma desculpa qualquer pra quê? Em?

    Regina respira fundo.

    MAURO (cont.)

    Eu te conheço. Somos casados há um bom tempo, pra eu saber que você não tá bem e que alguma coisa tem te afligido de ontem pra hoje. Me fala. Eu quero saber.

    REGINA

    Eu já falei. Esse navio balançando... Enjoo, enxaqueca. Desculpa, se me deixa estressada!

    MAURO

    Você não me engana! Não é porque estamos num navio de primeiro mundo, um lugar que eu sempre sonhei em conhecer, que eu vou esquecer de você e vou curtir.

    Estamos juntos nessa, esqueceu? Estamos aqui, em primeiro lugar, por causa da gente!

    Ele desvia o olhar, chateado.

    REGINA

    Mauro, olha pra mim.

    Ele a encara.


     

    REGINA (cont.)

    Tá tudo bem. Eu caí. Desde quando isso tem que ter explicação? Eu torci o pé. Não falei que estava vindo no quarto? Então. Torci o pé e caí da escada.

    MAURO

    Isso eu já entendi. Mas eu não to falando disso. Eu to falando de você. Dispersa o tempo todo, não querendo nem sair da cabine. O que é? Fala!

    (tempo)

    Quer saber? Eu acho que você não confia em mim.

    REGINA

    Você sabe que eu não gosto quando você tenta inverter o jogo, Mauro. Está tudo bem, OK? Estamos em um navio, bem, curtindo a viagem que a mamãe pagou pra gente e vamos continuar bem. Em breve chegaremos em Buenos Aires, desembarcaremos, veremos todas aquelas paisagens e aí estaremos de volta ao Rio.

    Agora, vamos esquecer qualquer problema, por favor!

    MAURO

    Mas não sou eu quem quer ter problemas, Regina. Ou você curte essa viagem comigo ou vamos brigar.

    Ela pensa por alguns minutos e o encara.

    REGINA

    Tá certo. Eu... É que eu não to bem. De verdade.

    (sorri)

    Eu tava tão animada, né?

    Ele balança a cabeça, concorda.

    REGINA (cont.)

    Vou continuar como eu tava. Tá certo?

    (beija-o) Em? Eu prometo.


     

    MAURO

    (sorriso no canto da boca) Quero só ver!

    (pausa)

    Assim que essa compressa acabar, a gente podia ir no deck, né? Pegar um Sol, ouvir uma música, tomar alguma coisa... Em? O que acha?

    REGINA

    Bem devagarzinho... Pode ser.

    Ele concorda e a beija.


     

  17. EXT. EMPIRE - DIA

    Antenor e Orlando, frente a frente. Discussão iniciada.

    ORLANDO

    Meu Deus, Antenor, eu não sei como lhe pedir desculpas, como redimir o serviço mal feito...

    ANTENOR

    (exaltado)

    Serviço mal feito? Você acha mesmo que o serviço foi mal feito? O serviço não foi feito! E eu quero meu dinheiro de volta, Orlando. O mais rápido possível. Caso contrário, você sabe o que pode acontecer dentro desse navio, não sabe? Aquela vadia me mordeu!

    ORLANDO

    Antenor, pelo amor de Deus, se controla. Eu juro que eu não sabia que poderia dar nisso. Eu vou tomar as providências para que não se repita e a causadora de todo esse alarde seja punida.

    ANTENOR

    Eu acharia muito bom se você passasse a controlar suas empregadas, caso contrário, o serviço delas não vai durar muito tempo.


     

    Ele dá as costas e vai embora. Orlando encara a vista, debruçado no corrimão, visivelmente preocupado.


     

  18. INT. EMPIRE - CABINE QUALQUER - DIA

    Lianna arruma a cama da cabine; tira o lixo do banheiro; limpa a mesa de cabeceira. De repente, Orlando chega por trás e a agarra pelo pescoço.

    ORLANDO

    Escuta aqui, sua vagabunda! Se você tá pensando que vai destruir meu esquema, que vai sair por cima e me deixar no prejuízo, eu sinto te informar, mas tá perdendo seu tempo, porque se você ousar repetir o que fez hoje, eu te jogo no mar e não vai sobrar nada de você pra contar história. Ouviu bem? Porque se você não ouviu, se prepara pra mofar no fundo do mar. Vadia! É a segunda. Eu não to brincando. Eu to falando muito sério. Dá próxima, você morre. Dessa, só espere as consequências, porque elas virão!

    No olhar desesperador de Lianna.


     

    CORTA PARA FLASHBACK:


     

  19. INT. EMPIRE - CABINE MASTER - VARANDA - DIA

    Antenor sussurra com Lianna.

    ANTENOR

    Ouve bem, Lianna. Eu preciso que, depois de tudo isso que eu te falei, que você esteja preparada para amanhã. Vamos fugir e você vai comigo.


     

    LIANNA

    Mi Dios. Yo no se se posso confiar em usted/


     

    ANTENOR

    Você não tem opção. Agora, escute. Vamos ter que armar uma cena. Nós vamos entrar no quarto. Eu vou me jogar na cama e você vai sair correndo, como se tivesse me machucado, coisa do tipo. Entendeu, garota?

    Ela concorda, amedrontada.

    FIM DO FLASHBACK.

    CLOSE em Lianna, caída no chão.

    ORLANDO (V.O.)

    Eu to falando muito sério. Dá próxima, você morre. Dessa, só espere as consequências, porque elas virão!


     

  20. INT. EMPIRE - NAVIO - DIA

    Pessoas deitadas nas espreguiçadeiras, tomando Sol, sorridentes. Mauro ajuda Regina a sentar em uma das cadeiras com guarda sol.


     

    MAURO

    O Sol tá lindo, em?

    REGINA

    Tá mesmo!

    Ela passa protetor nos braços e ele olha a mulherada, com prazer. Regina dá um tapa nas costas dele.

    REGINA (cont.)

    Vai ficar olhando essas madames na minha cara?

    (bate de novo) Toma vergonha, Mauro!

    MAURO

    Acho que vou!

    (sorri)

    Se isso te trouxer ao normal...

    REGINA

    Para de papo e vamos curtir esse dia.


     

    MAURO

    É assim que se fala.

    Ela ri e eles se beijam. MONTAGEM:

    1. CORTA pra região da PISCINA, onde várias pessoas dançam, junto dos ANIMADORES.


       

    2. HOMENS sarados, bíceps à mostra; MULHERES de corpo escultural.

    3. Anoitece e o movimento abaixa. FIM DA MONTAGEM.


     

  21. INT. EMPIRE - CABINE DE REGINA E MAURO - NOITE

    Regina, trajando um vestido longo, segura um colar, finalizado com uma pedra. Ela encara Mauro, do outro lado do quarto, colocando um sapa-tênis. Está vestido numa camisa social e numa calça cor creme.

    REGINA

    Olha, Mauro. É o colar que meu pai me deu quando eu era menina...

    Bonito, não?

    Ele termina o que fazia e se aproxima, avaliando o material.

    MAURO

    (observa)

    Lindo, mesmo. Vai usar?

    REGINA

    Vou, sim.

    Ele pega o colar da mão dela, gira-a e coloca em seu pescoço. Ela ri.


     

    MAURO

    Muito tempo que não faço isso. Vamos com calma... Pera aí... Pera aí...

    (encaixa, finalmente)

    Foi!


     

    Ela vira-se, mostrando o traje pra ele.

    REGINA

    E então?

    MAURO

    (olha-a por completo) Linda!

    Ele a beija.


     


     

    Vamos?


     

    Vamos.

    Eles SAEM da cabine.

    MAURO (cont.) REGINA


     

    Um convite, grande, intitulado: "TEATRO PARA AMANTES DA ARTE

    - AS NOVE, NO SEAS EMPIRE".


     

  22. INT. EMPIRE - CORREDOR - NOITE

    Luciano entra e vê Lianna chorando. Pega em seu braço.

    LUCIANO

    Ei, menina, tudo bem?

    Ela o encara. Dá um abraço súbito. Ele a afaga, um pouco surpreso.


     

    LUCIANO (cont.)

    O que houve?

    LIANNA

    (desesperada) Desculpa, yo.../

    Ela se solta dele e encara-o, medrosa.


     

  23. INT. EMPIRE. TEATRO - NOITE

    IMAGEM ACELERADA - O teatro enche rapidamente. As pessoas, muito bem vestidas, entram e acomodam-se.

    FIM DO EFEITO.

    As luzes se apagam. A apresentação começa: BAILARINAS, fantasiadas de mulher-gato, andam pelo palco.


     

    As pessoas riem, comentam entre si; é o caso de Regina e Mauro.


     

    De repente, gaiolas se desprendem do teto e as aprisionam. O som de TEMPESTADE começa no local; as luzes intercalam para parecer uma grande tribulação.


     

    Entra um ATOR, dentro de uma capa preta. As bailarinas, tremem, dentro das gaiolas.

    Regina e Mauro, tensos, assistem ao espetáculo. Falas, em OFF, começam entre os personagens da peça. PLANO DETALHE nos olhos de Regina.

    CORTA PRO PALCO. A capa do ator é retirada e revela-se Orlando, aos risos.


     

    As gaiolas começam a se contrair, fechando-se. As bailarinas tremem, BERRAM. Parece que serão esmagadas; tudo aos olhares sádicos de Orlando.

    DE REPENTE, ZOOM-IN NO ROSTO DE REGINA.

    Ela está de pé; Mauro está ao seu lado, cochichando. A apresentação tá rolando. Tudo não passou de um pesadelo.

    MAURO

    (sussurrando) Regina, senta. O que foi?

    REGINA

    (desperta) Oi, o quê?

    Ela se senta, meio trêmula, encara-o na escuridão do local.

    MAURO

    Por que você tava em pé? Já estavam reclamando.

    REGINA

    O quê? Não sei. Ele!

    Regina olha pro palco, mas, no lugar de Orlando, vê um ator qualquer.


     

    REGINA (cont.)

    Eu to confusa, Mauro. Vamos embora. Vamos...

    (aflita)

    Por favor, vamos, Mauro. Vamos, agora!

    Mauro surpreso.


     

    FADE TO BLACK.


     


     

    FADE IN:

    FIM DO ATO II ATO III


     

  24. INT. EMPIRE - CABINE DE MAURO E REGINA - NOITE

    Mauro tira o cinto da cintura, joga pro lado, visivelmente irritado. Regina anda de um lado pro outro.


     

    MAURO

    Qual é, em, Regina? Você acha que eu sou trouxa? Poxa, estou aqui, com você, num cruzeiro, com o mundo aos nossos pés. Eu, sinceramente... Sinceramente, acho que você está com algum problema.

    (tempo)

    Que foi, em? Você não vai me falar, mesmo? Do nada, quis voltar pro quarto? Quer saber?

    (irritado/ tira a camisa e joga em cima da cama)

    Eu vou me divertir. Não vou ficar aqui, do teu lado, que nem um doido, trancado. Você mudou da água pro vinho. Por que isso? Me explica! Antes, queria andar nesse navio do começo ao fim. Agora, não quer nem sair daqui! Tá paranoica com tudo! O que foi? Eu quero entender, Regina!

    REGINA

    (corta)

    Você não vai entender, Mauro. É uma coisa minha. Dá pra me deixar um pouco em paz? Não estou te impedindo de ir pra lugar nenhum, tá certo? Vai, sai, vai se divertir, já que eu não consigo.

    MAURO

    Você não consegue? Não consegue o quê, Regina? Fala, eu quero saber!

    REGINA

    Mauro... Você não pode entender, não pode saber/

    MAURO

    Não posso saber? Como assim?

    Ela se aproxima, segura no rosto dele.

    REGINA

    Mauro, meu amor, por favor... Nesse momento... nesse momento você só precisa confiar em mim, OK?

    (lágrimas)

    Eu não sei com quem contar, o que fazer/


     

    MAURO

    (segura-a)

    Regina, para com isso. Pelo amor de Deus. Me conta o que tá havendo. Eu to aqui, do teu lado. Sou eu, teu marido!


     

    REGINA

    (tapa a boca dele)

    Não, não, não... Eu não posso. Eu juro que eu não posso. Não se trata de vontade, Mauro. Eu não posso te contar o que tá havendo. Eu só preciso que você confie em mim.

    MAURO

    Confiar em você? Sem entender nada? Como eu/


     

    REGINA

    (aflita; lágrimas)

    Não fala nada. O nosso casamento. Em? O nosso casamento! Um acreditou no outro, um guiou o outro.

    (sorri)

    Eu acredito no nosso amor, Mauro. Sempre acreditei. Tivemos muitos problemas, mas estamos aqui, não estamos? Tentando retomar - mais uma vez! E você não imagina o que eu to passando de ontem pra hoje, Mauro...


     

    MAURO

    E por que você não conta? Regina, você tá pedindo confiança, mas deveria ser eu, quem deveria te pedir isso. Eu sou teu marido, me casei com você!

    REGINA

    Por favor, Mauro... Não é questão disso. Eu não posso contar. Tem uma coisa só minha, algo só meu, que tem me afligido muito, mas eu não posso contar pra ninguém. Apenas na hora certa. Não, agora! Não pra você, nesse momento. Eu só quero que você aproveite isso aqui, meu amor... Por favor, acredita em mim...

    SONOPLASTIA - "The Last Day", por Moby and Skylar Grey.


     

    Ele a segura pelos braços.

    MAURO

    Eu não quero fazer isso, mas eu vou fazer.

    (pausa)

    Eu vou aceitar essa história maluca, Regina. Saiba você que eu ainda não estou satisfeito e que to me sentindo traído. Traído por...

    Por você não me contar. Eu não deveria fazer isso e você sabe muito bem, mas eu confio em você e estamos aqui por causa disso. Eu não to entendendo nada, eu não imagino do que você ta falando, desse segredo maluco... Mas eu vou confiar em você. E eu espero estar fazendo a coisa certa.

    Regina se afaga no peito dele.

    REGINA

    (balança a cabeça positivamente)

    Você tá certo. Isso vai acabar. Eu te amo, Mauro. Eu te amo muito.

    Ela se agarra nele e eles se beijam. Se beijam com força. SÉRIE DE PLANOS:

    1. Mauro e Regina deitam-se, nus, na cama.

    2. NA CABINE DE LUCIANO, ele digita freneticamente em seu

      Ipad.

    3. NA HOUSE PINK, Orlando, olhar sedutor, observa o corpo de Lívia se mexer, rebolando para vários HOMENS.

    4. O dinheiro vai entrando no CASSINO.

    5. Kênia limpando o chão da COZINHA, imundo.

    6. Caio animando a BOATE.

    7. O SOL nasce, belíssimo. FIM DA SÉRIE DE PLANOS.


 

30

INT. EMPIRE - CABINE DE MAURO E REGINA - DIA


 


 

Os olhos de Regina abrem-se e ela encara o nada. Mauro do seu lado, dormindo. Ela se levanta e vai ao


 


 

BANHEIRO


 


 

Olha-se no espelho. Sua figura descansada, mas recém-acordada, recebe um CLOSE.


 


 

FLASHBACK - Regina relembra Lívia, ajoelhada no chão, suplicando por ajuda.


 


 

VOLTA À CENA.


 


 

Ela abre o registro, leva o rosto, fecha e volta a encarar-se.


 


 

FIM DA SONOPLASTIA.


 

31

INT. EMPIRE. CABINE DE ORLANDO - DIA


 


 

ABRE em várias NOTAS DE DÓLARES, nas mãos de Orlando, com sorriso no rosto, contando-as. Restam duas.

um


 

ORLANDO

Cinco mil e noventa... (pega a última nota)

Cinco mil e cem!

Ele junta as notas e ri à toa. Cata uma mala de debaixo da cama, joga em cima da cama, abre-a, retira várias peças de roupa; o fundo falso. CLOSE em várias notas de dólares, em bolos, espalhados pelo fundo falso. Ele pega as que estava contando e guarda-as ali. Põe o fundo falso; as roupas e fecha a mala. Joga pra debaixo da cama.


 

CORTA pra porta, abrindo. Orlando vira-se, vê de quem se trata e dá um sorriso.

POV DE ALGUÉM - A pessoa encara Orlando.

ORLANDO (cont.)

Veio atender o melhor dos passageiros, em sua folga? Eu quero o serviço perfeito, hein?

FIM DO POV.

Lívia, em trajes curtos, a encará-lo, com olhos marejados.


 

ORLANDO (cont.)

Não vai chegar perto? Bem que me falaram pra te experimentar antes. Perdi tempo, né? Vamos, vem, chega mais perto...


 

As pernas dela vão se aproximando. Como um animal, Orlando agacha, olha-a nos olhos e rasga sua saia.

ORLANDO (cont.)

Assim é melhor.

Ele a pega de jeito e a puxa para si. Ele cheira o pescoço dela, sedento.

CORTA PARA a paisagem, pela varanda.


 

  1. EXT. EMPIRE - POPA - DIA

    ABRE nas espumas do navio, enquanto ele navega.

    CORTA pro rosto de Regina, observando a água. O vento bate contra o rosto e eriça os cabelos dela.

    Lívia surge por trás.

    LÍVIA

    Bom dia.

    REGINA

    (não reconhece) O dia está lindo, não?

    Quando vira-se para a pessoa, descobre ser Lívia.

    LÍVIA

    Eu te segui até aqui. Precisamos conversar.


     

    REGINA

    Você, de novo? O meu marido está vindo pra cá, não dá. Escuta, você não pode me seguir! Estamos num cruzeiro, não num presídio! Eu tenho meus direitos. Direitos de ir e vir. E você não pode me seguir, garota!


     

    LÍVIA

    Eu tava pensando como ficaria sua consciência...


     

    REGINA

    Do que você tá falando?

    LÍVIA

    Tava pensando como ficaria sua consciência, sabendo que eu acabei de sair de um cliente...

    (pausa)

    Clientes que pagam mais, Regina, não se restringem à House Pink, aquele ambiente bonito, que você presenciou. Fico imaginando como deve ser dar as costas pro assassino, tendo a oportunidade de entregá-lo pra polícia; dar as costas pro pedófilo. Você não sente nada? Você não cogita nos ajudar?

    Por acaso você já imaginou que ninguém nunca teve a sorte de ter um passageiro flagrando tudo e ter a esperança de ter, nele, a oportunidade de sair desse inferno por mãos limpas, sem escapar, sem correr riscos? Como você consegue abandonar essa causa e seguir com seu passeio, Regina? Não soa egoísta?


     

    REGINA

    Eu não consigo, garota! Você não entende? Por mais que você me ache a pessoa mais terrível, por não ter optado destruir toda essa droga que vocês vivem, eu to sofrendo. Eu não tomei minha decisão ainda/

    LÍVIA

    (corta)

    E o que você tá esperando? O que você tá esperando para me dizer que prefere não se meter nisso? Porque se você me der as costas mais uma vez, se você terminar essa viajem da melhor forma possível e, simplesmente, nos abandonar aqui, a culpa também será sua. E você vai matar uma pessoa, porque todos os dias alguém luta pela vida aqui dentro, Regina. Todos os dias, alguém ainda encontra um sentido pra tá aqui dentro, se servindo, como um prato de carne, a esses trogloditas. Pode ter certeza


     

    LÍVIA (cont.) disso. Agora... Eu tenho que aceitar que você não vai fazer nada, né?


     

    REGINA

    (corta)

    Para! Para de jogar na minha cara! O meu marido nem imagina tudo isso. Eu to sozinha nessa.

    Lívia segura às mãos dela.

    LÍVIA

    Você não tá! Todos nós, que sofremos todos os dias, estamos do teu lado. E você não pode nos abandonar. Não pode! Não é justo. Você não pode ser tão fria, ao ponto de se deitar, dormir, e esquecer tudo, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

    (pausa)

    Quando eu te vi lá, naquele lugar, quando eu olhei pra você e vi que se espantou com tudo aquilo, eu tinha certeza que a nossa salvação estava ali. Estava em você, Regina!

    REGINA

    Você, definitivamente, não entende a minha situação. Eu não sou mais uma magnata, que tá aqui pela milésima vez. Eu também tenho o que salvar: o meu casamento, a minha família... tudo o que eu construí a duras penas está em jogo, garota.

    LÍVIA

    A nossa vida tá em jogo, Regina. Você é a única chance de conseguirmos sair dessa. Se você desistir de tudo o que já passou pela sua cabeça; de todas as vontades de denunciar esse plano, porque eu tenho certeza que você pensou nisso, a gente perde a grande oportunidade.

    REGINA

    Eu sei, eu sei que a culpa vai ser toda minha, mas eu não posso.

    (lágrimas)


     

    REGINA (cont.) Eu não posso. Mesmo.

    Regina dá alguns passos pra trás. CORTA pra Lívia, que se aproxima dela.

    LÍVIA

    (lágrimas)

    Não é isso que eu vejo nos seus olhos. Não é isso. Eu confio e eu sei que eu posso contar com sua ajuda, Regina.

    REGINA

    Eu sinto muito/

    LÍVIA

    Eu preciso que pense! Pense! Pense, por favor! Assim que as pessoas começarem a desembarcar, às três horas, em Buenos Aires, eu vou estar na proa do navio, Regina.

    Você disse que não tomou sua decisão ainda. Se você não estiver lá, eu vou entender que você não se importa com nenhum de nós, e também vou saber que nosso papel aqui só é um: servir a todos, com o máximo de satisfação. Mas se você estiver, eu vou entender como um sim, como uma confirmação de que você está ao nosso lado, Regina. Eu tenho certeza que você já tomou uma posição, Regina.

    (pausa)

    Eu espero te ver lá.

    Lívia olha nos olhos dela e SAI. CLOSE em Regina, tensa.

    VOZ (V.O.)

    Senhores passageiros, em minutos chegamos a Buenos Aires. Buen día, buen viaje y ser feliz!

  2. EXT. EMPIRE - DIA

    Principais pontos do navio: cassino, bar, piscina, corredores, todos muito movimentados.


     

  3. INT. EMPIRE - CABINE DE COMANDO - DIA

    Búlgaro avista o PORTO DE BUENOS AIRES. Sorri.


     

  4. INT. EMPIRE - SALÃO QUALQUER - DIA

    Acontece uma festa de temática UVA. As pessoas provam vinhos etc., tudo ao som de um bom tango. ENTRAM Mauro e Regina, sentando-se à mesa mais próxima e pegando uma taça; bebendo o vinho, sorridentes. As danças típicas de tripulantes no local. As pessoas riem.

    CORTA PARA um relógio, que marca duas e meia. CORTA PARA Mauro e Regina.

    MAURO

    E então, não vai mesmo desembarcar?

    REGINA

    Acho melhor não. Quero curtir um pouco mais o navio.

    MAURO

    Estou sentindo você um pouco melhor. Estou certo?

    REGINA

    (sorri) Acho que sim...


     

  5. INT. EMPIRE - ESPAÇO DA TRIPULAÇÃO - DIA

    Lianna anda com Lívia pelo corredor.

    LIANNA

    (animada)

    Entonces é a nossa salvaçon, essa mujer!


     

    LÍVIA

    O problema é que ela não quer se juntar a nós; não quer ser mais uma testemunha. Apesar de não ter grana, é claro que ela pode nos ajudar!


     

    (CONTINUA)


     

    LIANNA

    E você não acha que ela vai estlagar tudo, entregando tudo pro Orlando e acabando com nossa esperança?


     

    LÍVIA

    Eu não sei, Lianna. Mas é a primeira vez que temos essa chance e eu vou lutar por ela. Não to aqui pra me entregar pra esse bando de homens, sujos, sedentos por sexo, por mulheres.


     

    CORTA pra Kênia, em outro corredor, ouvindo tudo. VOLTA em Lívia.


     

    LÍVIA (cont.) Você tá conosco, não tá?

    LIANNA

    Sim!

    (sorri)

    O que eu mare quero é sair daqui. No aguento mais. E a policía tem que prender todos. Um por um.

    CLOSE em Lívia.


     

    LÍVIA

    Vai dar certo. Tem que dar certo! (olha o relógio)

    Falta pouco. Falta pouco para sabermos se ela estará realmente conosco.

    SONOPLASTIA - "Stole the Show", por Parson James.

    Lianna sorri e vai até um bebedouro, próximo. Lívia retira um terço de dentro do bolso e o tem para si, pressionando-o contra o peito.


     


     

    FADE IN:


     

    FIM DO ATO III ATO IV

    FADE TO BLACK.


     

  6. INT. EMPIRE - CABINE DE LUCIANO - BANHEIRO - DIA

    CLOSE numa navalha, perfurando o pulso. CORTA PRA Luciano, com raiva, cortando-se.

    INSERT CHÃO - Luciano tomba, desmaiado. O sangue sai do pulso. A navalha cai do outro lado. Seu RELÓGIO de pulso marca: são duas horas e cinquenta minutos. OUVE-SE o apito da porta, sendo aberta.

    VOLTA À CENA.

    Lianna ENTRA no banheiro e encara o corpo dele, surpresa.


     

  7. INT. EMPIRE - SALÃO QUALQUER - DIA

    Regina sozinha na mesa. Ela levanta-se e SAI dali.

    Um RELÓGIO marca duas horas e cinquenta e cinco minutos.


     

  8. INT. EMPIRE - CORREDOR - DIA

    Lianna anda pelo corredor, com um carrinho, cheio de toalhas e equipamentos. Antenor vem ao contrário. Quando passa, estica a mão e entrega um bilhete a Lianna, que olha ao redor, não vê ninguém e abre o bilhete.


     

    ANTENOR (V.O.)

    Vamos à noite.

    CLOSE dela.


     

  9. INT. EMPIRE - CORREDOR - DIA

    Dedos femininos pressionam o botão do elevador. A porta abre e Regina ENTRA.

    Ela, da cabeça aos pés.


     

  10. EXT. EMPIRE - PROA - DIA

    Lívia chega e apoia-se no corrimão de segurança. Ela encara o mar, confiante. Seu RELÓGIO de pulso marca três horas.


     

  11. EXT. EMPIRE - DIA

    Várias pessoas desembarcam do navio, rumo à visita à cidade de Buenos Aires.


     

  12. EXT. EMPIRE - PROA - DIA

    Caio observa Lívia de longe.


     

  13. INT. EMPIRE - CORREDOR - DIA

    A porta do elevador abre-se e Regina sai.


     

  14. INT. EMPIRE - CABINE DE MAURO E REGINA - DIA

    Regina sentada sobre a cama, chorando. Levanta-se e pega o colar que usou cenas antes.


     

  15. EXT. EMPIRE - PROA - DIA

Lívia olha no relógio, que marca três horas e onze minutos. Ela deixa um lágrima cair. Eleva as mãos à cabeça, sem reação. Vira-se, então, mas dá de cara com Regina.

Encaram-se. Regina aproxima-se, cara a cara com Lívia. O mar ao fundo. Ela retira o colar.

REGINA

É a prova de que você pode confiar em mim.

(pausa)

Eu to aqui. Eu vim me juntar a você, Lívia.

E oferece o colar para Lívia.


 

FADE TO BLACK.

SONOPLASTIA TERMINA COM OS CRÉDITOS.




 Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
 
 
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