New Stages - 3x03



3x03
 
 
 
 
 

VOZ DE JOSH – Na temporada anterior de New Stages...

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KURT – (olha para Ryan) Meu filho... O que a sua irmã está dizendo é verdade?
 
RYAN –
(embaraçado) ...Houve uma grande confusão por aqui. Eu só disse para a Liz que não estava interessado por nenhuma garota no momento. Ela provavelmente interpretou errado e achou que na verdade eu era gay... Mas eu não sou.
 
KURT –
(ainda desconfiado) Ryan, ninguém pensa que um garoto é gay só porque ele não está interessado por nenhuma garota. A Liz deve ter tido motivos maiores para dizer isso.
 
ELIZABETH –
(percebe que cometeu uma séria falha) Papai... O que o Ryan está dizendo é verdade. Eu perguntei a ele como estavam os seus romances universitários e ele me contou que não estava afim de nenhuma menina... Então, eu acabei tirando a conclusão errada de que ele era gay... (ri bastante nervosa) Olha como eu sou estúpida!

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CHELSEA –
E me deixem informada sobre tudo o que vai acontecer entre vocês nessas férias de verão...
 
KEITH –
(interrompe o abraço e limpa as lágrimas) Como assim entre a gente? Não existe nada entre eu e o Matt...
 
CHELSEA –
(limpando as lágrimas também) Porque você ainda não enxergou isso. Esse garoto é caidinho por você, Keith.
 
MATT –
Ok, eu estou começando a achar que você é realmente pirada...

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SR. GROBAN –
...Eu vou dar um tempo para você. Volte para o seu dormitório e volte a ter a vida que você tinha antes. Sem todos os problemas anteriores, claro... Me surpreenda, Chelsea. Se eu notar que você está andando na linha, você ganhará uma outra oportunidade na universidade.
 
CHELSEA –
Não se preocupa com o que os pais irão dizer?
 
SR. GROBAN –
Bom, eu tenho algum poder nesta universidade... Eles podem dizer qualquer coisa, mas eu não seria louco de perder uma boa aluna como você. Você tem boas notas, é inteligente e responsável. Você é um exemplo para a Universidade da Califórnia.
 
CHELSEA –
Eu prometo que você não irá se arrepender por ter me dado essa oportunidade.

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RYAN –
Josh, eu...
 
Close em Ryan, sem palavras. Então, inesperadamente, o garoto aproxima seus lábios aos de Josh e o beija lentamente. Por alguns instantes, Josh fica sem reação, mas quando se dá conta do ato, empurra Ryan.
 
RYAN –
Consegue entender agora? É disso que eu sinto falta... Da nossa conexão.

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CENA 01. SAN FRANCISCO. RUA QUALQUER. EXT. NOITE.

(música: Circles - Colbie Caillat)

A imagem abre em uma rua qualquer da cidade de San Francisco. Entre as pessoas que andam por ela, está Ryan. Em passos lentos, o garoto caminha por uma calçada, sem um rumo definido. Ele olha para vitrines de lojas e pessoas que se locomovem por ali, de mãos dadas com seus namorados ou conversando com amigos. A câmera se aproxima do garoto. Uma lágrima rola sobre o seu rosto. A voz de Josh começa a ecoar em seus pensamentos, deixando claro que ele ainda não se esqueceu da conversa com o ex-namorado.

VOZ DE JOSH – (ecoando) Eu passei o ano passado inteiro necessitando da sua amizade e a única coisa que você fazia era me julgar por algo que não cometi...

Ryan interrompe os seus passos. O garoto olha para os lados, sem saber mais para onde caminhar. A voz de Josh continua o perseguindo.

VOZ DE JOSH - Em nenhum momento, eu te traí, Ryan. E você sente falta da nossa conexão? Muito bem, você a rompeu por causa de uma impressão errada que você mesmo construiu...

Em sua observação, Ryan acaba avistando um bar noturno. O garoto limpa as lágrimas que rola sobre o seu rosto com uma das mãos e decide caminhar até lá. Ao se aproximar da entrada, ele respira fundo e então resolve entrar. A imagem corta rapidamente para:

CENA 02. SHOPPING CENTER DE SAN FRANCISCO. ALA DO CINEMA. INT. NOITE.

(A música tocada na cena anterior continua a ser executada nesta.)

Close em Josh saindo de uma sala de cinema, sugerindo que a sessão de filme que ele estava assistindo acabara de terminar. Algumas pessoas vêm atrás dele, tomando direções diferentes pelo shopping. O garoto caminha até a escada rolante que transporta para o andar de baixo, mas antes de chegar nela, seu celular começa a tocar.

JOSH – (tirando o celular do bolso e atendendo a ligação) O que? (close em sua expressão confusa) Onde o Ryan está? (pausa) Bêbado? (pausa) Tudo bem, eu estou indo até aí. Só me passe o endereço. (pausa mais demorada) Certo, eu sei onde fica.

O garoto encerra a ligação e volta a colocar o celular em seu bolso.

JOSH – Era só isso que me faltava...

Josh bufa e pisa na escada rolante. O garoto é levado para o andar de baixo com uma expressão bastante preocupada. A imagem corta rapidamente para:

CENA 03. BAR NOTURNO. INT. NOITE.

(Música cessa.)

Josh entra no bar noturno, apressado. Ele caminha até um dos balconistas.

JOSH – Boa noite. Um tal de Joe me ligou. Será que você pode me dizer quem é?

JOE – (estende a mão) Prazer, meu nome é Joe.

Josh ignora o cumprimento com as mãos e saúda o balconista com um leve aceno de cabeça.

JOE – (esquiva o braço) Pelo jeito, você deve ser o Josh. Eu te liguei porque tem um carinha aqui no bar precisando da sua ajuda...

JOSH – E posso saber por que você ligou justamente para mim? Aposto que eu não era o único contato na agenda do celular dele.

JOE – Não, mas foi o Ryan que me mandou ligar para você. Ele disse que você é o melhor amigo dele...

JOSH – (ri debochadamente) Essa é ótima! (volta a ficar sério) Posso saber onde ele está?

JOE – No banheiro. (ri) Colocando tudo o que bebeu para fora. É, aquele garoto ainda não sabe virar um copo não...

JOSH – Isso não aconteceria se você não tivesse vendido bebida alcoólica para um menor de 21 anos. Está entre as leis dos Estados Unidos. Eu pensei que essa espelunca seguisse pelo menos uma delas. (saindo) Com licença.

JOE – (gritando para que Josh possa ouvir) Não venha por a culpa em mim não, carinha. Foi o seu amigo que pediu as bebidas. Se alguém coloca dinheiro no meu balcão, eu apenas o sirvo. O cliente é que manda!

Close em Josh, que dá de ombros para Joe.

CENA 04. BAR NOTURNO. BANHEIRO. INT. NOITE.

Ryan está ajoelhado em frente a uma das privadas, vomitando. Josh se aproxima dele e segura seus ombros.

JOSH – Já terminou?

RYAN – (levantando a cabeça e limpando a boca com uma das mãos) Josh, o que você está fazendo aqui?

JOSH – Não foi você que pediu para que o balconista me ligasse? Então... Estou aqui para te ajudar. Apesar de ter a plena consciência que vou me arrepender mais tarde por ter feito isso...

RYAN – Desculpa, Josh, eu não queria te dar trabalho...

JOSH – Tudo bem, Ryan. Mas acho que já está na hora de você aprender a lidar sozinho com as suas próprias responsabilidades.

RYAN – Você está certo... Você está completamente certo. Por favor, não se preocupe comigo, eu vou ficar bem.

JOSH – Eu vou continuar preocupado enquanto eu não te levar para o alojamento. Venha! (puxando um dos braços de Ryan e o ajudando a levantar) Você vem comigo para a universidade...

RYAN – (sem equilíbrio) Josh, eu já disse que você não precisa se preocupar comigo...

Josh entrelaça um dos braços de Ryan em volta de seu próprio pescoço, permitindo que o garoto se apóie nele. Com muita dificuldade, Josh vai o levando para fora do banheiro.

JOSH – Cale a boca, Ryan. Eu não estou nem um pouco a fim de aguentar o seu bafo de onça durante o caminho inteiro.

Ryan ri, ainda bêbado.

A imagem corta rapidamente para:

 
 
     
 
 
     




3x03 - NOVOS COMEÇOS
 
     

CENA 05. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. CAMPUS. ALOJAMENTO. DORMITÓRIO DE CHELSEA E KEITH. INT. NOITE.

Keith entra distraída no dormitório com alguns livros em mãos. Ela estranha ao perceber que a luz já está acesa.

KEITH – (coloca os livros em sua frente como se eles fossem um escudo de proteção) Posso saber quem está aqui? Acho bom você sair correndo do meu dormitório, porque eu fiz aulas de jiu-jítsu durante a minha infância e você não vai querer enfrentar Keith Hurly.

CHELSEA – (saindo por trás da porta com algumas roupas em mãos) Keith, está tudo ok. Sou eu, a Chelsea. Você já pode abaixar esses livros...

KEITH – (surpresa) Chelsea, o que você está fazendo aqui?! Digo, não era pra você estar no...

CHELSEA – (complementa) Centro psiquiátrico? Acredite, nos últimos dias, todo mundo tem me perguntado isso... Mas a boa notícia é que eu já concluí o meu tratamento e fui aceita de volta na universidade.

KEITH – (jogando os livros no chão) Chelsea, isso não é uma boa notícia... É uma notícia maravilhosa! (abraça a amiga) Eu não acredito que voltarei a ser colega de quarto de Chelsea Harris. (interrompe o abraço) Mas me diga, o que você fez para te aceitarem de novo aqui?

CHELSEA – Uma boa conversa com o diretor Groban. Ele acreditou que eu estou disposta a mudar o meu comportamento e resolveu me dar uma nova oportunidade...

KEITH – E há quanto tempo você está livre? Quero dizer, por que você não me ligou avisando que sairia da internação?

CHELSEA – Porque eu decidi fazer uma surpresa para você. Não gostou?

KEITH – Adorei. Eu sempre tive a certeza de que você daria a volta por cima e voltaria para esta universidade com a cabeça erguida.

CHELSEA – (tira o sorriso do rosto) Não estou com a cabeça tão erguida assim... Eu ainda estou com medo do que os outros estudantes vão pensar quando virem que voltei para cá.

KEITH – Deixa comigo, porque se eu souber de alguém que desaprovou o seu retorno, esta pessoa terá que lidar de frente com Keith Hurly.

CHELSEA – Ah sim... Da mesma forma que lidou com o suposto invasor que você achou que estava aqui? (ri) Se defendendo com livros?

KEITH – Não duvide dos meus métodos de defesa, Chelsea. Eu fui muito bem preparada fisicamente quando eu era criança...

CHELSEA – (ainda rindo) Tudo bem... Eu não estou duvidando... Venha! Me ajude a guardar as minhas roupas neste armário. Quem diria que você teria que voltar a dividir as gavetas comigo.

KEITH – (empurra Chelsea levemente) Tudo bem, não é nenhum problema pra mim...

CHELSEA – (sorri para Keith) Eu estou feliz por estar de volta.

KEITH – Eu estou feliz por você estar de volta. Recuperada e bem mais disposta do que antes!

As duas amigas trocam sorrisos.

CENA 06. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. CAMPUS. ALOJAMENTO. DORMITÓRIO DE JOSH E MATT. INT. NOITE.

(música: Truth - Jason Reeves)

Josh abre a porta com a mão que está vaga e ajuda Ryan a entrar no dormitório.

RYAN – Josh, o que você está fazendo? O meu dormitório não é aqui...

JOSH – Para um bêbado, a sua percepção até que está bem apurada, hein? (pausa) Eu sei que esse não é o seu quarto, mas hoje você vai dormir aqui...

RYAN – E você vai dormir aonde?

JOSH – Não se preocupe comigo, Ryan. (aproxima o garoto da cama e o empurra levemente sobre ela) Apenas deite aí e tente descansar. Você está precisando...

RYAN – Josh, eu quero conversar com você...

JOSH – Eu também quero MUITO conversar com você, Ryan. Mas quando você estiver completamente sóbrio. Enquanto isso, deite e durma. Amanhã nos falaremos...

Ryan acena positivamente com a cabeça e se deita sobre a cama. O garoto se remexe um pouco, mas logo acaba adormecendo. Close em Josh, que senta ao seu lado e fica o encarando, com uma expressão preocupada. A imagem corta rapidamente para:

CENA 07.

(Música continua.)

São exibidas imagens dos principais pontos turísticos da cidade de San Francisco até chegar à fachada da Universidade da Califórnia. Amanhece.

CENA 08. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. CAMPUS. CORREDOR DAS SALAS DE AULA. INT. DIA.

(Musica cessa.)

Keith está caminhando em direção a uma das salas de aula. Matt corre até ela.

MATT – (respirando ofegante) Bom dia, Keith...

KEITH – (sorri) Bom dia, Matt. Voltando de sua corrida matinal?

MATT – Não, eu estava correndo atrás de você. Aliás, é o que eu tenho feito desde o ano letivo passado, né?

KEITH – Matt, não vamos desenterrar essa história, ok?

MATT – Não dá, Keith. Não dá mais para fazer de conta que nada existe entre a gente. Eu juro que tentei te esquecer durante as férias de verão, mas não teve um único dia em que eu não pensei em você... E, confessa, aposto que o mesmo aconteceu com você.

KEITH – (não dando o braço a torcer) Não aconteceu! Satisfeito?

MATT – Não minta para mim, Keith... Seu nariz vai crescer.

KEITH – Tá, e se eu tivesse pensado? Isso não quer dizer que eu deva correr até os seus braços e jurar amor eterno ao seu lado. Nós estamos bem desse jeito, Matt. Afastados um do outro.

MATT – Keith, não vá me dizer que você virou uma versão de cabelos vermelhos da Chelsea... Ela me enrolou com esse papo de “não é possível” durante longos meses e eu fui obrigado a esperar. Mas desta vez, eu não vou deixar que a situação volte a se repetir. Eu não vou te esperar.

KEITH – Ótimo, não espere. Não quero que ninguém fique criando expectativas em cima de mim.

MATT – Eu disse que não vou te esperar, mas isso não quer dizer que eu vou desistir. Eu quero que você me dê uma chance agora, Keith. E eu não vou aceitar um não como resposta. A menos que você tenha argumentos convincentes...

KEITH – Eu tenho... E vários!

MATT – (encara a garota) Cite-me um.

KEITH – Bom... (pausa) Deixa eu ver aqui... (sem ter o que dizer) Eu tenho muitos argumentos, Matt. E são tantos que eu não consigo nem te dizer um.

MATT – Viu, isso prova que assim como a Chelsea, a sua intenção também é me enrolar... Hoje à noite, sairemos juntos, Keith. Este será o nosso primeiro encontro.

KEITH – MATT, EU NÃO POSSO!!

MATT – E posso saber qual é o seu medo?

KEITH – Eu tenho medo de me envolver com você. Sabe por quê? (fala seriamente) Porque eu gosto de você, Matt. Como eu nunca gostei de alguém. Eu nunca senti isso por ninguém... É sincero, é verdadeiro e me causa arrepios. Eu nunca me interessei por ninguém. Tudo não passava de sexo casual e daí apareceu você...

MATT – E por que isso te dá medo, Keith?

KEITH – Porque o amor é estúpido. O amor enfraquece as pessoas, o amor torna as pessoas ridículas. Ridiculamente ridículas. Absurdamente ridículas. Eu tenho pavor de gente apaixonada. Eu não quero ser uma garota tola apaixonada...

MATT – Quer dizer que... (pausa) Eu sou o primeiro garoto por quem você se apaixona sinceramente?

KEITH – Ótimo, fiz a minha contribuição para o aumento do seu egocentrismo...

MATT – (segura o braço de Keith) Não, não é isso... Eu só estou lisonjeado por ser a primeira pessoa a conquistar o seu coração, Keith.

KEITH – Sim, veja o trabalho porco que você fez...

MATT – E eu te asseguro que você não precisa ter medo, porque você não vai se tornar uma garota tola só por amar alguém...

KEITH – Vou me tornar o quê?

MATT – Feliz. Porque eu quero te fazer feliz. Me dê a chance deste primeiro encontro e eu prometo que você não irá se arrepender...

KEITH – (sorri convencida) Ok, Matt. Você venceu. Eu passo às oito no seu dormitório.

MATT – Eu é que deveria passar às oito no seu.

KEITH – Viu? Mais um costume ridículo das pessoas apaixonadas. Que são tão ridículas quanto o amor. Agora, se me dá licença, eu preciso ir para a minha aula...

Keith continua o seu caminho.

MATT – (ainda parado) Keith...

KEITH – (se vira para trás) O que foi, Matt?

MATT – (sorrindo) Valeu à pena ter esperado as férias de verão inteiras por você...

Close em Keith, sensibilizada com o que o garoto acabara de dizer. Porém, ela dá de ombros e continua a andar, evitando demonstrar os seus sentimentos por Matt.

CENA 09. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. BIBLIOTECA. INT. DIA.

Chelsea está sentada à uma mesa fazendo a leitura de um livro. Chad entra na biblioteca e se aproxima da garota, sentando-se na cadeira ao lado.

CHAD – Olá...

CHELSEA – (tira os olhos do livro e olha para Chad) O que... O que você está fazendo aqui?

CHAD – Eu vim ver como Chelsea Harris está.

CHELSEA – Como você soube que eu estava na biblioteca?

CHAD – Eu perguntei para a Keith.

CHELSEA – Bom, como você percebeu, eu estou ótima.

De repente, duas garotas ameaçam entrar na biblioteca, mas ao verem Chelsea no local, interrompem seus passos.

GAROTA 1 – Acho melhor não entrarmos. É capaz desta garota maluca nos prender aqui e apontar uma arma para a nossa cara...

GAROTA 2 – É mesmo. Não dá para acreditar que uma universidade de renome como esta aceita de volta alunos que ameaçam a educação interna.

As garotas saem, murmurando.

(música: Unwell - Matchbox Twenty) 

CHAD – (olha para Chelsea) Se você quiser, eu posso ir atrás delas...

CHELSEA – Tudo bem, Chad. Eu tenho que me acostumar com comentários como estes. Eles vão se tornar cada vez mais frequentes... (fecha o livro) Você também não tem medo de dividir o mesmo espaço com uma garota recém-saída de um centro psiquiátrico?

CHAD – Eu deveria ter, já que naquele dia eu era a sua vítima principal... Mas, acredite, você não me assusta nem um pouco.

CHELSEA – Mil desculpas, Chad... Depois do que aconteceu, nós nunca mais tivemos a oportunidade de conversar, então eu aproveito o momento para pedir desculpas...

CHAD – Não se preocupe com isso, Chelsea. Eu até pensei em te visitar no centro psiquiátrico, mas não queria te incomodar com a minha presença.

CHELSEA – Ou você não queria se aproximar de uma garota internada em um reformatório?

CHAD – Não, nada disso. Eu só estava... Eu só estava com medo de atrapalhar o seu tratamento. Quero dizer, foi por minha causa que você foi parar lá.

CHELSEA – Não, Chad, eu tive uma visão errada sobre você. Como você já deve ter descoberto, eu fui assediada na noite de Natal e não consegui ver o rosto do canalha... Alguns dias depois, você me procurou para pedir desculpas e eu te levei para a cama. Eu não estava tendo o controle sobre os meus atos. Então, eu vi em você o rosto do estuprador... O rosto que eu não conhecia.

CHAD – E decidiu se vingar de mim achando que eu era o estuprador...

CHELSEA – Sim. O psicólogo que estava cuidando do meu tratamento disse que é normal que as vítimas de estupro enxerguem o rosto do agressor em pessoas próximas... Quando eu entrei no refeitório, fiz os alunos de reféns e apontei uma arma para você e para o Josh, eu só queria me defender... Coisa que não pude fazer naquele dia.

CHAD – Eu te entendo, Chelsea. Mas ainda assim me vejo culpado pelo o seu transtorno psicológico. Se eu não tivesse escondido de você o meu namoro com a Hilary, o seu primeiro ano na universidade não teria te afetado tanto.

CHELSEA – Você não é o único culpado desta história, Chad. Tem o divórcio dos meus pais, a descoberta de que eu não posso ter filhos, o estupro na noite de Natal... Tudo isso contribuiu para a atitude drástica que eu tomei no final do ano letivo. Tudo bem que os meios não justificam os fins, mas eu estava realmente prestes a explodir.

CHAD – Eu fico feliz que esteja de volta... E eu estou realmente disposto a me tornar o seu amigo, Chelsea.

CHELSEA – Tudo bem. Na minha atual situação, amizades são muito bem-vindas.

CHAD – (sorri) E não vou colocar nenhuma pressão em cima de você em relação ao nosso envolvimento. Eu ainda gosto muito de você, Chelsea. E não sei se um dia esses sentimentos ficarão no passado, mas eu prometo que vou te respeitar...

CHELSEA – Obrigada, Chad!

CHAD – Há quanto tempo você deixou o centro psiquiátrico?

CHELSEA – Há algumas semanas, mas eu não informei ninguém, com exceção do Josh. Ele foi o primeiro a me ver depois que eu saí do tratamento. Fui até o cemitério prestar a minha solidariedade ao Austin...

CHAD – É, eu fiquei sabendo sobre a morte do Austin...

CHELSEA – A Keith teria descoberto antes, mas ela viajou com os pais durante as férias de verão, então não tinha como me visitar no centro psiquiátrico. Enfim, eu queria fazer uma surpresa a todos quando voltasse para cá.

CHAD – Eu espero sinceramente que tudo dê certo para você este ano...

CHELSEA – Vai dar, Chad. Eu preciso provar a mim mesma que eu posso ser feliz.

CHAD – Você pode!

Os garotos trocam sorrisos.

CENA 10.

(A música tocada na cena anterior continua a ser executada nesta.)

Tomada da cidade de San Francisco com imagens dos principais pontos turísticos locais. Anoitece.

CENA 11. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. CAMPUS. ALOJAMENTO. DORMITÓRIO DE JOSH E MATT. INT. NOITE.

(música: You Give Me Something - James Morrison) 

Josh está deitado em sua cama, estudando. Vários livros estão distribuídos ao seu redor. Alguém bate a porta.

JOSH – Entra!

A porta se abre. Ryan dá os primeiros passos para dentro do dormitório, receoso.

JOSH – (fechando o livro e se levantando da cama) Ryan...

RYAN – Eu passei o dia inteiro evitando você, mas uma hora ou outra, eu teria que te encarar, então resolvi deixar de ser covarde por pelo menos uma vez na vida.

JOSH – (caminha até a porta e a fecha) Ótimo, porque nós precisamos realmente conversar, Ryan...

RYAN – Josh, eu sei que o que eu fiz na noite passada foi horrível e...

JOSH – (interrompe) Horrível? Foi inaceitável, Ryan. Como você se permite colocar uma gota de álcool na boca depois de todo o histórico com o seu pai? Será que você não consegue enfiar na sua cabeça que seu pai era um alcoólatra? Filhos podem adquirir algumas manias dos pais...

RYAN – Josh, você me viu uma vez bêbado e não falou nada...

JOSH – Porque eu pensei que aquela seria a sua primeira e a última vez, mas novamente eu te vi em estado caótico por causa da bebida... Você quer se tornar o Kurt, Ryan?

RYAN – Não, Josh, longe de mim querer herdar o vício do meu pai.

JOSH – (se aproximando de Ryan) Então você precisa me prometer que nunca mais irá beber de novo. Ou pelo menos que irá beber moderadamente.

RYAN – Eu prometo, Josh. Do fundo do meu coração, eu prometo. Eu só entrei naquele bar ontem à noite, porque eu estava atormentado com tudo o que você tinha me dito. Foi um erro. E você foi um grande amigo.

JOSH – Eu não poderia te deixar sozinho naquele banheiro imundo...

RYAN – Eu não merecia nada do que você fez por mim. Por um ano, eu duvidei da sua lealdade e te chamei de mentiroso. E depois de tudo isso, você ainda é capaz de ter piedade de mim.

JOSH – Ryan, por favor...

RYAN – (deixa uma lágrima rolar sobre o seu rosto) Muito obrigado por tudo, Josh. Por ter me trazido pra cá, por ter dado a sua cama para eu dormir, por ter cuidado de mim durante a noite inteira. Você provou ser um amigo de verdade. Amigo que eu nunca consegui ser pra você.

Josh deixa uma lágrima rolar sobre o seu rosto. Ryan se aproxima do garoto e o abraça fortemente. Ambos, sem o controle da situação, acabam aproximando seus lábios e se beijando apaixonadamente. A câmera mostra a porta. De repente, ela se abre. (Música cessa num baque.) Kurt e Elizabeth entram. Closes nos dois, assustados com o flagra.

CENA 12. RESTAURANTE. INT. NOITE.

(música: All About Us - He Is We ft. Owl City) 

A câmera explora o belíssimo e refinado restaurante, lotado de casais que jantam e conversam ao som de uma música ambiente. A câmera se aproxima da mesa onde Keith e Matt estão postos.

MATT – (sorrindo para Keith) E então, gostou do lugar em que eu te trouxe?

KEITH – Eu estou muito brava com você, Matt. Não acredito que vai gastar todo o dinheiro que seus pais te dão mensalmente só para me trazer em um restaurante luxuoso. Poderíamos ter ido a um lugar mais barato.

MATT – Não, você merece o melhor. E não se preocupe com os gastos, Keith, eu estou correndo atrás de um emprego. Em breve faço 19 anos, já está na hora de eu arranjar a minha própria renda.

KEITH – Quem diria, Matt Brooks se tornando um cara responsável...

MATT – Bom, eu estou tentando...

KEITH – Você amadureceu muito desde os nossos tempos de San Francisco High School, Matt. Você era um garoto mimado, arrogante, egoísta e veja só o que se tornou. Se eu te conhecesse hoje, eu jamais pensaria que um dia você foi aquele Matt.

MATT – As pessoas mudam, Keith. E eu estou tentando melhorar a cada dia...

KEITH – Alguma razão especial?

MATT – Não sei, mas desde que eu comecei a fazer isso, eu me sinto uma pessoa bem melhor e digna da amizade dos outros. Digna também do amor.

KEITH – Matt, não acredito que vamos falar sobre isso novamente...

MATT – É para isso que estamos aqui, Keith. Este é um primeiro encontro oficial. E eu espero que seja o primeiro encontro de muitos. Eu sei que você sempre me viu como o garoto popular da San Francisco High School, que estava sempre pegando no seu pé e no da Chelsea... Mas veja bem, você percebeu a minha mudança. Será que eu não mereço o seu crédito?

KEITH – Você merece sim, Matt. O que você não merece é se apaixonar por uma garota que não consegue levar o amor a sério...

MATT – Esta é mais uma coisa que temos em comum. Eu também era totalmente contra as pessoas apaixonadas e agora eu sou uma delas. Podemos aprender juntos do que se trata este sentimento.

KEITH – Mesmo que eu me torne uma pessoa ridícula?

MATT – Seremos ridículos juntos. Ridículos e apaixonados.

Keith sorri e apoia seus cotovelos na mesa para chegar um pouco mais perto de Matt. Então, o beija apaixonadamente.

MATT – (abrindo os olhos após o beijo) Isso é um sim?

KEITH – Isso deveria ter ficado para o fim do encontro, mas... É um “podemos tentar”.

MATT – (segurando a mão de Keith) Eu vou convertê-lo em um sim. (sorri)

Keith e Matt se olham, apaixonados.

KEITH – Viu, eu já estou ridiculamente apaixonada...

Os garotos riem.

CENA 13. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. CAMPUS. ALOJAMENTO. DORMITÓRIO DE JOSH E MATT. INT. NOITE.

(Música cessa.)

Continuação imediata da décima primeira cena deste episódio. Close em Josh e Ryan, aflitos.

RYAN – Pai? Liz? O que vocês estão fazendo aqui?

LIZ – Por favor, Ryan, nos desculpe... A gente foi até o seu dormitório e viu o bilhete na porta dizendo que você tinha vindo até aqui. Então o papai quis aproveitar a oportunidade para rever você e o seu melhor amigo.

KURT – (rindo sarcasticamente) Eu não acredito que estou vendo isso... Só pode ser uma brincadeira. Não é mesmo, Ryan? Aposto que é um ensaio para uma peça de teatro da universidade.

RYAN – Dói para você assistir a uma cena como esta, pai?

KURT – Dói? Que pergunta mais idiota é essa, Ryan? Claro que dói, eu não coloquei um filho no mundo para vê-lo beijando outro garoto.

RYAN – E eu jamais imaginei que um dia veria a minha família sendo destruída por causa do vício do meu pai em alcoolismo. (sorri ironicamente) Mas não estamos aqui para julgar, não é mesmo?

KURT – (começa a suar) Quer dizer que... Quer dizer que no dia da ação de graças passada... Quer dizer que quando a Liz soltou durante o jantar que você gostava de garotos... Não era um engano! Ou era?

RYAN – Não era, pai. E eu só não desmenti aquele dia porque eu não estava certo se você merecia saber sobre a minha vida. Nós nunca fomos próximos de verdade. Pra que eu abriria a minha vida para você?

KURT – Porque eu estou provando ser um homem melhor. Eu mereço a confiança do meu filho.

RYAN – Toda a confiança que eu tinha por você, eu joguei no lixo quando você decidiu trocar a sua própria família pela bebida. Tudo bem, eu aceitei te perdoar e fingir de conta que o passado ficou no passado. Mas como eu disse, eu só aceitei fingir... Porque decepções como esta a gente nunca esquece.

KURT – Ryan, você está fugindo completamente do assunto... Eu flagrei você beijando este garoto e exijo uma satisfação.

RYAN – Não há satisfação para ser dada aqui, pai. O que você tinha que saber já foi visto pelos seus próprios olhos. Se você não está satisfeito, se você não colocou um filho no mundo para ser homossexual, então a porta da rua é a serventia da casa.

KURT – Ryan, eu quero que você se afaste desse garoto...

Close em Josh, que assiste a conversa entre pai e filho com muita tensão.

RYAN – Quem é você para vir até a universidade onde eu estudo e exigir que eu me afaste do único garoto que eu amei na minha vida? Nem você eu amei tanto quanto eu amo o Josh...

KURT – Eu sou o seu pai e você ainda me deve um pingo de respeito...

RYAN – Pai, seu pedido foi recusado. Quando eu te pedi para abandonar a bebida, você não fez isso por mim. Eu estou te retribuindo desta forma. E diferente de você, eu não afasto as pessoas que eu amo. Quer dizer, eu agi como você no último ano. Eu afastei o Josh, mas eu estou disposto a reconquistar a amizade dele.

KURT – Eu não acredito que eu tenho um filho gay... Gay!

RYAN – Um filho gay que tem mais dignidade que você. Agora, por favor, saia do meu dormitório...

ELIZABETH – Por favor, pai, é melhor fazermos o que o Ryan está pedindo...

KURT – Eu não sei por que perdi o meu tempo vindo até aqui... Escute aqui, Ryan, não pense que eu vou engolir esta história tão facilmente.

RYAN – Espero que o senhor se engasgue com ela.

Kurt olha furioso para Ryan e deixa o quarto. Elizabeth encara Ryan.

ELIZABETH – Você foi muito duro com ele, Ryan...

RYAN – Você queria que eu agisse como, Liz? O cara entrou no dormitório do Josh e disse que não aceitaria um filho gay.

ELIZABETH – Você também tentou afastá-lo enquanto ele era um alcoólatra...

RYAN – Não, eu e minha mãe tentamos tirá-lo do vício e ele nunca nos ouviu. A gente não o afastou, ele mesmo se afastou da gente.

ELIZABETH – E por que continuar o afastando? Ele está indo ao Alcoólatras Anônimos assiduamente, prometeu se tornar um pai melhor e consequentemente um homem de dignidade.

RYAN – Que homem de dignidade entra aqui e pede para que eu me distancie de quem eu amo? Você sabe por que eu não contei para ele que eu sou gay? Porque eu sabia que ele teria essa atitude. Que ele seria totalmente preconceituoso.

ELIZABETH – Ryan, você pode acabar se arrependendo depois de tudo o que disse...

RYAN – Liz, você está conhecendo uma nova versão do Kurt. Uma versão que, infelizmente, eu não tive a sorte de conhecer. Ele está sendo um bom pai para você. E me machuca saber que todo o amor que ele dedica a você, um dia ele poderia também ter dedicado a mim. Você é sortuda por enxergar este novo homem, mas eu não consigo mais.

ELIZABETH – Você poderia ter sido mais paciente, Ryan. É normal que os pais reajam desta forma ao descobrirem sobre a sexualidade dos filhos. Se você tivesse dado uma chance para ele, conversado com calma, talvez ele pudesse te entender...

RYAN – Não há mais entendimentos entre eu e o Kurt. Não há mais relacionamento de pai e filho entre nós dois. Eu juro que tentei, mas existe uma grande pedra entre nós e nenhum consegue tirá-la do meio. Desculpa, Liz, mas talvez seja melhor assim... Afastar o Kurt de vez da minha vida. Aproveite bem cada momento com ele, você é uma boa garota e merece um pai de verdade. Ou pelo menos um pai que está tentando ser... As decepções passadas impedem que eu o enxergue assim.

ELIZABETH – Tudo bem, Ryan. Me desculpa por ter o trazido até aqui sem te avisar. Se eu tivesse te ligado, avisando que viríamos, nada disso teria acontecido.

RYAN – Tem coisas que precisam acontecer.

(música: The Only Exception - Paramore)

Elizabeth se aproxima de Ryan e o abraça.

ELIZABETH – (terminando o abraço) Eu desejo tudo de bom para vocês dois... (sorri e sai)

Close em Ryan, constrangido com o que Liz acabara de dizer.

RYAN – (se virando para Josh) Me desculpa pelo beijo...

JOSH – Tudo bem. Nós fizemos isto juntos.

RYAN – E me desculpa também pelo o que você acabou de presenciar. Como a Liz disse, eu fui bastante duro com o meu pai, mas foi o melhor a fazer. Não existia relacionamento sincero entre eu e ele. E por mais que tentássemos, nunca iria existir. E sobre eu dizer que não consigo perdoá-lo pelas decepções passadas, tudo bem se você também não quiser me perdoar por todo o mal que eu te fiz.

JOSH – Sabe, Ryan, existe algo muito bonito entre a gente. Não devemos guardar no passado só por causa de tudo o que aconteceu entre nós dois no último ano. Seria um grande desperdício...

RYAN – Quer dizer que você me perdoa por eu ter sido um tolo, um covarde, um egoísta?

JOSH – Sim, hoje você aprendeu muito com o seu pai. Aprendeu a não ser como ele e a enfrentá-lo de frente. Você não foi nem um pouco covarde...

RYAN – Podemos ser amigos de novo?

JOSH – Amigos e eternos vizinhos.

Ryan sorri e se aproxima de Josh.

RYAN – Eternos vizinhos.

Os dois garotos se abraçam.

RYAN – (ainda o abraçando) Prometo que não vou te beijar dessa vez...

Os garotos riem.

A imagem escurece.

 


AUTOR
André Esteves

ELENCO

GrGraham Phillips como Josh Parker
Sterling Knight como Ryan Jordan
Victoria Justice como Chelsea Harris
Ariana Grande como Keith Hurly
Gregg Sulkin como Matt Brooks
 
ATOR CONVIDADO
Tyler Posey como Chad Fletcher
 
PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS
Liev Schreiber como Kurt Jordan
Shailene Woodley como Elizabeth Liz Lewis
 
Pequenas aparições que não constam na listagem acima (Joe, Garota 1, Garota 2, neste episódio) são interpretadas por atores contratados pela produtora.
 
TRILHA SONORA
So Small - Carrie Underwood (Tema de Abertura)
Circles - Colbie Caillat
Truth - Jason Reeves
Unwell - Matchbox Twenty
You Give Me Something - James Morrison
All About Us - He Is We ft. Owl City
The Only Exception - Paramore

PRODUÇÃO
Bruno Olsen
Cristina Ravela


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO

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Proibida a cópia ou a reprodução

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