Estações da Vida - Capítulo 03


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CAPÍTULO 03
 
     
     
     
     
 
 
 

CENA 01. COLÉGIO FRAN VICENTINI. EXT. DIA

Continuação do capítulo anterior. Paulinha não acredita no que acaba de ouvir.

PAULINHA (brava): Como é que é, Nanda? Você beijou o Diego?

NANDA: Não, miga. Não surta. ELE me beijou. O DIEGO me beijou!

PAULINHA: Aquele cachorro!

Paulinha sai enfurecida.

NANDA: Paulinha, espera!

Nanda vai atrás. 

CORTA PARA:

CENA 02. COLÉGIO FRAN VICENTINI. HALL INTERNO. INT. DIA

Pato, Diego e Caio conversam por ali. Paulinha chega feito um furacão. Tempo e Nanda chega junto.

PAULINHA (a Diego/brava): Qual é o seu problema, garoto?

DIEGO: Talvez seja você!

PATO (deboche): Ooow!

PAULINHA: Seu estúpido!

Começa a bater nele, que se protege como pode. Nanda tenta acalmar Paulinha.

CAIO: Que que houve, gente?

PAULINHA: É verdade que ontem você e a Nanda, se beijaram?

DIEGO: É verdade sim, por que?

Ela para de bater nele. Caio encarando Nanda.

PAULINHA: E você ainda pergunta?

DIEGO: Claro, ué. Não to entendendo esse showzinho que você tá dando na frente de todo mundo. Qual foi? Eu nunca te prometi nada, garota. Pelo contrário. Sempre deixei bem claro que não quero compromisso com ninguém. Agora você parece que não consegue entender. Beijei, beijei a Nanda sim e gostei!

CAIO (repreende): Diego...

DIEGO: Que é, cara? Alguém precisa mandar a real pra essa grudenta. Se toca, Paulinha! Eu até curto ficar com você, sabe, mas é só isso! Não assino contrato de exclusividade com ninguém, entendeu?

E sai de perto. Pato vai atrás dele.

NANDA: Eu sinto muito, Paulinha.

PAULINHA: Me deixa.

Paulinha sai.

NANDA: Que imbecil!

CAIO: Bola fora do Diego. Não precisava disso tudo. E você também hein, não tinha nada que ter dado moral pro galinha da turma.

NANDA: Mas eu não tive culpa, Caio.

CAIO: É, eu sei. O Diego é que é um idiota mesmo.

NANDA: Eu nunca ia fazer isso com a Paulinha, sabendo o que rola entre eles.

CAIO: O que rolava né, porque depois dessa, dificilmente esses dois se entendem novamente.

NANDA: Mas isso não vai ficar assim.

CAIO: O que tá pensando em fazer?

NANDA: O Diego vai ter que desfazer isso.

O sinal TOCA.

CAIO: Mas a aula já vai começar.

NANDA: Te encontro depois.

E sai apressada, sob os olhares de reprovação de Caio.

CENA 03. COLÉGIO FRAN VICENTINI. CORREDOR. INT. DIA

Diego e Pato caminham por ali entre outros alunos.

DIEGO: Tive uma ideia maneira pra retornar as aulas em grande estilo.

PATO: Fala aí.

Diego mexe na mochila, procurando algo. Tira de dentro uma bombinha de festa junina. Pato reconhece.

PATO: Sério cara? Tu vai matar a professora com isso aí!

DIEGO: Relaxa, é só pra da uma animada naquela aula chata. Tamo junto?

Pato pensa um pouco.

PATO: Demorou!

Nanda surge no corredor, apressada.

NANDA: Diego, espera. Quero falar contigo.

Ela encara Pato.

PATO: Que foi?

NANDA: A sós!

PATO: A gente se vê depois.

Ele sai.

DIEGO: Fala aí.

NANDA: Você vai ter que desfazer esse mal-entendido.

DIEGO: Do que tá falando?

NANDA (impaciente): Do beijo, Diego, óbvio! Você sabe que as coisas não aconteceram como a Paulinha tá pensando. E agora ela tá achando que eu fui traíra.

DIEGO (sacana): Deixa eu ver, o que eu ganho se fizer o que você tá me pedindo?

NANDA: Você não tá em condições de pedir nada, garoto. Se a Paulinha tá brava comigo a culpa é sua.

DIEGO: Ai, Nanda, as vezes você é tão ingênua, sabia?

NANDA (chocada): O que?

DIEGO: Você não acha que se a Paulinha valorizasse tanto essa amizade quanto você, não teria te dado um voto de confiança? Se ela não acreditou, é porque eu acho sinceramente que ela não preza tanto essa amizade assim. Eu, no seu lugar, me agradeceria porque isso acabou servindo pra vocês repensarem essa “amizade” de vocês. Pensa um pouco nisso, guria.

Ele pisca pra ela e sai em seguida. Nanda fica ali, pensativa.

CENA 04. COLÉGIO FRAN VICENTINI. SALA DO PRIMEIRO ANO. INT. DIA

Os alunos fazem algazarra no local, Paulinha e Caio estão sentados na primeira fila de cadeiras. Pato joga bolinhas de papel nos colegas, no fundo da sala. Uma senhora de terninho com brasão do colégio e saia longa (65 anos, cabelos curtos, expressão séria) entra colocando uma pasta e um envelope amarelo em cima da mesa.

MULHER: Bom dia, pessoal.

Os alunos respondem em uníssono o cumprimento, menos Pato.

PATO (cochicha): A múmia chegou.

Os mais próximos riem. A professora encara Pato.

MULHER: Espero que tenham tido um final de semana bastante produtivo. Sobretudo você Patrício.

PATO (debochado): Ah ‘fessora’, foi muito produtivo sim. Foi ou não foi galera?

A turma concorda.

ALUNO 1: Rolou a maior festa na casa do Pato, fessora!

PROFESSORA: Mas não é desse tipo de produtividade que estou falando, Maurílio. Em todo caso, espero que estejam preparados para a surpresa que trago aqui neste envelope.

Ela mostra a todos o envelope amarelo.

CAIO: O que tem aí dentro, professora?

PROFESSORA: Resolvi começar a semana com um teste surpresa.

A turma reclama.

PAULINHA: Como assim teste surpresa, professora Vanice?

VANICE: Silêncio! Silêncio!

O barulho vai cessando.

VANICE: Exatamente, Paulinha. Andei revendo as notas da última avaliação bimestral e decidi dá mais uma chance antes de fechar a nota final. Não é ótimo?

PAULINHA: To ferrada.

PATO: Professora, isso é falta sabia?

VANICE: Falta do que menino?

PATO (deboche): Falta de amor.

A turma ri.

VANICE: Você anda muito engraçadinho não é, Patrício Lambertini? Por causa desse desaforo seu teste valerá o dobro. Mais alguém para fazer companhia ao coleguinha?

Silêncio total.

VANICE: Foi o que eu pensei.

Ela começa a entregar os testes enquanto encara Pato, que fecha a cara. Diego surge na porta da sala.

DIEGO: Ae professora, posso entrar?

VANICE: Rápido que já estou distribuindo os testes.

DIEGO: Pensando bem, acho melhor voltar outra hora.

VANICE: E ficar com nota zero na média, vale lembrar.

A turma reage, tira sarro do colega. Diego entra e vai sentar perto de Pato. Vanice continua distribuindo os papéis até que Nanda surge na porta da sala. Paulinha avista e não gosta.

NANDA (chama/sorriso amarelo): Professora...

Vanice vira-se para ela.

PAULINHA (cochicha): Eu não to acreditando nisso.

CAIO: Não tira conclusões precipitadas.

PAULINHA: Você não viu? Eles chegaram praticamente juntos!

VANICE: Algum problema por aí Paula e Caio?

CAIO: Não, professora. Tudo certo.

VANICE: E você, Fernanda?

NANDA: Será que eu ainda posso?

Faz gesto para entrar na sala. Vanice concorda com a cabeça.

VANICE: Mas saibam que o atraso será levado em consideração na hora da nota.

Nanda concorda com a cabeça e vai entrando.

NANDA (resmunga): Velha coroca!

Nanda senta-se ao lado de Paulinha, que já está concentrada no teste e ignora a outra. CAM vai buscar Diego e Pato no fundo.

DIEGO: Que teste é esse, mano? Não tava sabendo de nada.

PATO: Ninguém, cara.

DIEGO: Ah, mas ela vai ter o que merece.

Eles riem, cúmplices. Vanice segue entregando as provas.

CENA 05. COLÉGIO FRAN VICENTINI. SALA DO FUNDAMENTAL. INT. DIA.

A professora (30 anos, alta, branca, cabelos pretos e de salto alto, usa o mesmo uniforme de Vanice,) escreve a matéria no quadro enquanto os alunos copiam. CAM vai buscar Lua e outra garota (15 anos, negra, cabelos estilo black, uniforme do colégio) cochichando.

GAROTA: E aí, me conta, como foi a viagem com seus pais?

LUA: Ai foi maravilhosa. Pena que o Pato emburrou e não quis ir com a gente. Poderia ter sido um fim de semana em família em Angra.

GAROTA: Ele ainda ta birra com seu pai?

LUA: Sempre né. São dois cabeças dura. Mas tenho fé que eles ainda vão se acertar.

O celular de Lua VIBRA em cima da cadeira. Ela pega o aparelho, sorri.

GAROTA: Huum que risinho é esse aí hein?

Quando Lua vai falar a professora interrompe.

PROFESSORA: Luana e Andréia, será que dá pra deixar a conversa pra hora do intervalo

As meninas se entreolham.

LUA: Claro, professora Milena.

ANDRÉIA: Desculpa, professora.

A professora retorna ao quadro.

LUA: No intervalo eu te conto tudo.

ANDRÉIA: Mal posso esperar!

E passam a fazer as anotações nos cadernos.

CENA 06. COLÉGIO FRAN VICENTINI. SALA DO PRIMEIRO ANO. INT. DIA.

A turma está silenciosa, concentrados no teste. Vanice está sentada numa cadeira, atrás de seu birô, fazendo a leitura de um livro. Tempo nela que começa a cochilar.

Paulinha cutuca Caio, mostrando sua prova, pedindo resposta. Caio deixa seu teste a mostra. Paulinha copia e agradece em seguida.

Nanda está concentrada, nada percebe.

No fundo da sala, Pato nota a professora cochilando.

PATO: Olha lá, a velha tá dormindo. Manda vê!

Diego concorda com a cabeça. Ele tira a bombinha de festa junina de dentro da mochila e um isqueiro. Acende e joga. Um garoto de óculos (15 anos, moreno) observa a tudo, Pato percebe. CAM segue a bombinha que vai rolando pelo chão até chegar perto da mesa de Vanice. Tempo e a bomba ESTOURA assustando a todos. Vanice levanta desnorteada e começa a passar mal. Alguns alunos correm pra fora da sala, tumulto.

VANICE: Socorro, alguém me ajuda!

A professora desmaia para o desespero dos alunos.

CLOSE em Pato e Diego, preocupados.

CENA 07. COLÉGIO FRAN VICENTINI. DIREÇÃO. INT. DIA

Uma mulher (45 anos, morena, cabelos longos) está concentrada mexendo em um celular, enquanto balança a cabeça com a música que escuta em seu fone no ouvido. A mulher abre o decote da blusa que veste e posiciona a câmera, faz pose. Tira a foto.

MULHER: Ai, não ficou boa.

A mulher abre mais a blusa e tira outra foto.

MULHER: Prontinho. Esses novinhos adoram um decote a mostra! E a titia está pronta pra ensinar a lição de casa.

Ela ri.

MULHER: Agora, vamos lá, é só postar no aplicativo!

Ela foca a atenção no celular quando a porta é aberta bruscamente e um homem (35 anos, barba por fazer) entra apressado. A mulher se assusta, deixando o celular cair na mesa.

MULHER: RAMIRO! QUER ME MATAR DE SUSTO CRIATURA?

RAMIRO: Só um momento, senhora diretora.

Ramiro vai até a porta, verifica se está fechada. Observa a maçaneta dourada, está manchada. Ele passa a própria blusa para limpar. A mulher revira os olhos, impaciente. Ramiro volta-se para ela.

MULHER: ISSO É MANEIRA DE ENTRAR NA DIREÇÃO?

RAMIRO: Desculpe dona Juliana, mas é que/

JULIANA: NÃO TE ESCUTO, RAPAZ, FALE MAIS ALTO.

Ramiro se aproxima dela e retira os fones do ouvido.

RAMIRO: Melhorou?

Ela se dá conta que estava com fones.

JULIANA: Agora sim te escuto.

Ramiro está de olho no celular na mesa. Juliana percebe e rapidamente alcança o aparelho, sem graça.

JULIANA: Então, qual é a bomba da vez?

RAMIRO: A bomba se chama 1º ano. Eles quase mataram a professora Vanice.

JULIANA: O que? Como assim, homem? Conta isso direito.

RAMIRO: Alguém soltou uma bombinha na sala enquanto a professora aplicava um teste e ela acabou tendo um treco.

Juliana coloca as mãos no peito.

JULIANA: Ah meu decote, digo, meu senhor, esses alunos ainda vão me matar. Vamos, Ramiro.

CENA 08 COLÉGIO FRAN VICENTINI. SALA DO PRIMEIRO ANO. INT. DIA

Vanice ainda está prostrada em sua cadeira, mas consciente. Ela se abana com um leque. Juliana e Ramiro interrogam.

JULIANA: Então, ninguém vai me dizer quem é o responsável por esse vandalismo? A pobre da professora Vanice a essa hora poderia estar no outro plano.

PATO: Até que seria legal.

Os alunos riem.

JULIANA: Ah, o senhor acha legal? E que tal, se ao invés da professora Vanice ir pra outro plano, você for conversar comigo na diretoria, Patrício Lambertini?

PATO: Eu? Mas eu não fiz nada, diretora!

JULIANA: Se não foi você, então quem foi?

E encara a turma toda. Silêncio total.

JULIANA: Estou esperando.

Pato olha disfarçadamente para Diego, que olha para o garoto de óculos, que baixa a cabeça.

JULIANA: Então quer dizer que a turma toda prefere uma suspensão?

PAULINHA: A turma toda?

JULIANA: Se não resolverem abrir a boca e contar quem são os responsáveis por essa barbaridade, a turma toda será suspensa por uma semana.

PAULINHA: Mas, isso não é justo!

NANDA: Concordo com a Paulinha.

PAULINHA: Eu não preciso que concorde comigo, só diga quem foi. Fala Nanda, foi você não foi?

NANDA (chocada): O que?

Em Nanda sem saber o que dizer.

CENA 09. CASA CAIO. SALA. INT. DIA.

Ambiente simples com sofá, mesinha de centro, etc. Heitor está sentado no sofá, analisando uns papéis na mesinha de centro, tem uma calculadora por ali. Selma (40 anos, morena, cabelos longos) entra.

SELMA: Trouxe pão quentinho da padaria. Cadê o Caio?

HEITOR: Já foi pra escola.

SELMA: Sem tomar café?

HEITOR: Dei um dinheiro pra ele, deve dá pra se virar.

SELMA: E o que você tá fazendo?

HEITOR: As contas do mês. As aulas na academia não estão sendo suficientes, perdi alguns clientes esse mês. Vai ficar um pouco apertado, mas vou dar um jeito. A gente vai ter que cortar alguns gastos.

Ela chega junto do marido.

SELMA: Tipo a graninha que você deu pro nosso filho né?

HEITOR: Ele merece. É um menino de ouro, além do mais parece que nosso garoto tá crescendo, disse que tem um encontro com uma menina, não podia deixar ele fazer feio né.

SELMA (repreende): Heitor!

HEITOR: Que foi?!

SELMA: Você acaba de me dizer que temos que cortar gastos e ao mesmo tempo diz que deu dinheiro pro Caio gastar com uma garota qualquer.

HEITOR: Deixa o garoto se divertir, sua ciumenta! Ele tá na idade de curtir a vida, aliás, eu acho até que demorou tempo demais viu.

SELMA: O Caio ainda é uma criança.

HEITOR: Uma criança de 16 anos, Selma? Para né.

SELMA: Pra mim ele sempre vai ser um bebezinho. Mas, voltando ao assunto, o que você acha de eu arranjar um trabalho? Assim posso ajudar com as despesas.

HEITOR: Nem pensar. Mulher minha não trabalha fora de casa.

SELMA: Ai, Heitor, me poupe do seu machismo.

HEITOR: Me poupe você de ouvir essas ladainhas. Não é machismo. Você merece mais, meu amor, nosso filho também. É meu dever cuidar de vocês. Eu não posso permitir que você se sacrifique por nós.

SELMA: Por que não?

HEITOR: Porque foi assim que meu pai me ensinou. Agora, vamos comer esse pão que eu tenho que ir pra academia.

Ele vai conduzindo a esposa até a mesa, contra a vontade dela.

CENA 10. COLÉGIO FRAN VICENTINI. SALA DO PRIMEIRO ANO. INT. DIA

Juliana encara Nanda, que está tensa.

JULIANA: Então, Nanda? Estou aguardando uma resposta. Foi você a responsável por essa brincadeira de mau gosto?

Nanda olha para Paulinha, incrédula. Esta, por sua vez, mantém a postura.

PAULINHA: Quem cala consente, né?

JULIANA: Nanda, me acompanhe.

Nanda olha Paulinha mais uma vez e sai. O menino de óculos faz que vai junto, Diego se aproxima sorrateiro.

DIEGO: Acho bom tu ficar de bico calado.

GREGO: Eu vi que foi vocês.

PATO: E o nerdinho vai fazer o que?

GREGO: Falar a verdade.

DIEGO: Ui, ele vai falar a verdade, Pato.

PATO (ameaça): Se tu dedurar a gente, moleque, tu tá perdido.

TOCA a sirene do intervalo. Os alunos começam a se dispersar.

PATO: Fica esperto. Vambora, Diego!

Diego dá um peteleco na cabeça do garoto e sai com Pato. CLOSE em Caio, que percebeu o clima.

CENA 11. COLÉGIO FRAN VICENTINI. DIREÇÃO. INT. DIA

Juliana está sentada em sua cadeira, atrás do birô. Nanda a sua frente, em outra cadeira.

JULIANA: Fernanda, me surpreende uma atitude dessas vindo de você. Você sempre foi uma aluna aplicada. Tira boas notas, demostra comportamento adequado, o que houve, afinal de contas?

NANDA: O que houve todo mundo sabe, estouraram uma bomba na sala de aula, mas NÃO FOI EU.

JULIANA: A aluna Paula Trindade garante que você é a responsável.

NANDA: A Paulinha tá com raiva de mim, por isso me acusou.

JULIANA: E por que você não se defendeu?

NANDA: Você já tinha me condenado com o olhar.

Juliana fica desconcertada.

JULIANA: Também não é assim, Fernanda.

NANDA: Além do mais, quando ela me acusou, eu fiquei sem reação. Eu achei que nós éramos amigas, é tudo culpa daquele idiota do Diego.

JULIANA: Mas, o que o aluno Diego Medeiros tem a ver com essa história?

NANDA (impaciente): Ai, nada, esquece.

JULIANA (repreende): Fernanda...

NANDA: Desculpa, foi mal. Mas é que rolaram umas coisas aí entre a gente.

JULIANA: Olha, eu acredito em você. O seu histórico fala por si só e sei que você seria incapaz de uma brincadeira de mau gosto como essa. Mas, se não foi você, quem pode ter sido?

CORTA PARA:

CENA 12. COLÉGIO FRAN VICENTINI. DIREÇÃO. EXT. DIA

Paulinha está com ouvido encostado na porta da sala, ouvindo tudo. Ramiro surge no começo do corredor e percebe o que acontece. Ele se aproxima lentamente de Paulinha, que não percebe.

RAMIRO: Posso saber o que a mocinha faz aí?

Paulinha se assusta. CLOSE na expressão da garota.

CENA 13. COLÉGIO FRAN VICENTINI. REFEITÓRIO. INT. DIA.

O ambiente é uma grande sala com cozinha e mesões espalhados pela extensão do local, típico de escola particular. Alguns alunos estão por ali fazendo sua refeição, um deles é Grego, visivelmente isolado dos demais ocupa uma mesa sozinho. Ele abre a lancheira, pega o sanduíche natural, se prepara pra comer. Caio surge por trás do garoto, senta do lado. Grego e olha, estranhando.

CAIO: Oi.

GREGO: Já levei uma prensa dos seus amigos, não precisa se preocupar que não vou contar pra ninguém que foram eles os responsáveis pela bomba na sala.

CAIO: Eu vi o climão entre vocês na sala.

GREGO: Pois bem.

Grego volta a comer. Caio permanece ali. Grego põe o sanduíche de volta na lancheira.

GREGO: Deseja mais alguma coisa?

CAIO: Você não?

GREGO: Como assim?

CAIO: Você viu quem fez a brincadeira na sala. Pode contar a verdade, a Nanda foi acusada injustamente.

GREGO: Tá querendo que eu dedure seus amigos?

CAIO: To querendo que você faça justiça.

GREGO: Acho melhor não me meter nessa história.

CAIO: Você vai deixar a Nanda ser suspensa?

GREGO: Mesmo que eu falasse, não tenho como provar.

CAIO: Mas você viu.

GREGO: E te contei. Agora você também pode ir lá e fazer justiça.

CAIO: Mas é um cagão mesmo né! Por isso ninguém te respeita nessa escola. Não basta ser inteligente, Grego, é preciso saber o que fazer com ela!

Caio sai, irritado. Grego fica ali, sentido. CAM vai buscar Lua e Andreia, sentadas a outra mesa. Lua está com o celular nas mãos e lê em volta alta:

LUA (lendo): “Lua, cadê você? To com saudades. Dá notícias, gatinha! Não esquece o que a gente combinou. Beijos.”

ANDREIA: Gente, que babado.

LUA (sorrindo): Sim. Ele me adicionou, começamos a conversar e desde então não paramos mais. Ele não é, fofo?

ANDREIA: Deixa eu ver a foto.

Lua entrega o celular a amiga.

ANDREIA: Parece mais velho.

LUA: Ele tem 16.

ANDREIA: Seus pais sabem?

LUA: Na verdade não. Mas eu vou contar, claro, não agora, mas vou.

ANDREIA: E o que vocês combinaram?

LUA: Ai, amiga. Nem te conto!

ANDREIA: Fala logo!!!

LUA: Eu combinei que quando voltasse pra casa mandaria uma foto pra ele.

ANDREIA: Como assim uma foto?

Lua cochicha no ouvido de Andreia, que se impressiona enquanto ouve. As duas ficam rindo da situação.

CENA 14. COLÉGIO FRAN VICENTINI. ÁREA DE CONVIVÊNCIA. EXT. DIA.

O ambiente é extenso e a céu aberto, com bancos, jardins, piscina, megaestrutura. Vários alunos transitam por ali, divertem-se aproveitando o horário de intervalo. Diego e Pato estão numa lanchonete comendo. Caio chega.

PATO: E aí, Caioba!

DIEGO: Senta com a gente.

CAIO: Eu sei que foram vocês dois.

PATO: Ta falando do que, cara?

CAIO: Da bomba que quase matou a professora Vanice.

DIEGO: Ih tá maluco!

CAIO: Eu falei com o Grego e ele soltou. Ces tem noção que a Nanda tá se ferrando enquanto vocês dois tão aqui fazendo de conta que nada aconteceu?

PATO: Culpa da amiguinha dela ué.

DIEGO: É. Foi a chata da Paulinha que dedurou a Nanda, a gente não tem nada a ver com isso.

CAIO: Cara, a Nanda é nossa amiga! Pato! Ela... (hesita)

PATO: Quê? Fala, cara.

CAIO: Esquece. Vocês precisam contar a verdade pra diretora. A Nanda tá na direção sendo acusada injustamente por algo que vocês sabem que ela não fez.

PATO: Qual é, Caio! Tu tá dando crédito praquele CDF e não pra nós que somos teus brothers?

CAIO: O Grego não mentiria sobre isso. Além do mais eu vi vocês ameaçando ele na sala de aula.

DIEGO: Você está do nosso lado, ou do Grego, afinal?

CAIO: Estou do lado da verdade. A Nanda é nossa amiga, poxa! Pelo menos eu achei que era né, mas quer saber o que eu acho? Se vocês valorizassem isso, não deixariam uma amiga levar a culpa por algo que não fez.

Pato e Diego se entreolham.

PATO: Acho que ele tá certo. A Nanda vai ser suspensa se a gente não abrir a boca.

DIEGO: E tem a parada da aposta.

CAIO (desconfiado): Que aposta?

DIEGO: Coisa nossa, esquece. (a Pato) Se a gente deixar ela levar essa culpa...

PATO: Aí meu amigo, pode esquecer qualquer chance com a Nanda.

Diego assente com a cabeça.

CAIO: E aí? O que me dizem?

Caio espera a resposta. Em Pato e Diego, decidindo.

CENA 15. COLÉGIO FRAN VICENTINI. REFEITÓRIO. INT. DIA.

Lua chega segurando uma bandeja com comida e senta ao lado de Andreia.

LUA: Não vai comer?

ANDREIA: O Ricardo pediu pra esperar.

LUA: Falando nele...

Andreia abre um sorriso ao ver Ricardo (15 anos, moreno, cabelo curto), que se aproxima e dá um selinho na menina.

RICARDO: Oi, Lua.

LUA: Desculpa, não deu pra esperar. (come)

RICARDO: Tudo bem. Vamos, amor?

ANDREIA: Vamos.

Ricardo e Andreia vão pegar a fila da merenda.

CENA 16. COLÉGIO FRAN VICENTINI. DIREÇÃO. INT. DIA.

Juliana e Nanda seguem conversando.

JULIANA: Então, estamos entendidas? Conto com a sua discrição para juntas descobrirmos os responsáveis por/

A fala é interrompida quando a porta se abre grosseiramente e por ela entram Pato, Diego, Caio, Paulinha e Ramiro.

CAIO: Não será preciso, diretora. Aqui estão os responsáveis pela brincadeira.

A diretora põe a mão no peito, chocada.

JULIANA: Caaaio, você?

Todo mundo revira os olhos.

CAIO: Não, diretora. Não fui eu.

DIEGO: Eu e Pato somos os culpados. (encara Nanda)

NANDA: Até que enfim vocês apareceram!

PAULINHA: Foram vocês?

DIEGO: O que você acha?

JULIANA: Se é assim, Nanda, desculpe o transtorno, pode se retirar. Quanto a você, Paulinha, pense muito bem antes de acusar alguém sem provas.

RAMIRO: E de ouvir a conversa dos outros atrás da porta.

JULIANA: Como é que é?

RAMIRO: Eu flagrei a aluna/

PAULINHA (por cima): Eu já aprendi a lição, diretora. Posso ir também?

Juliana olha para Nanda, que concorda. Paulinha não gosta.

JULIANA: Podem ir, as duas.

Paulinha sai imediatamente.

NANDA: Obrigada, diretora. Boa sorte, meninos.

JULIANA: Você também, Caio, obrigada pela ajuda.

Caio e Nanda saem juntos.

JULIANA: Ramiro, entre em contato com os responsáveis pelo Patrício e pelo Diego. Diga que a conversa vai ser longa e exijo a presença dos dois.

RAMIRO: Ok, mais alguma coisa?

JULIANA: Não.

Ramiro sai. Juliana encara Pato e Diego

PATO (debochado): Diretora que olhar tenebroso. Estou com medinho.

JULINA: Poupe-me de suas ironias, Patrício. Sentem-se.

Eles obedecem.

JULIANA: Agora somos só nós três.

CLOSE em Diego, mais tenso que Pato.

CENA 17. SEVEN NIGHT. EXT. DIA.

CAM mostra a entrada da lanchonete. Detalhe para o letreiro grande em neon azul e vermelho com o nome do estabelecimento. Há uma van super chamativa estacionada em frente.

CORTA:

CENA 18. SEVEN NIGHT. INT. DIA.

Movimentação comum a uma lanchonete. Alguns clientes comendo, garçons atendendo, carregando bandejas. No balcão principal Marcelo e Estela.

ESTELA: Celo, que acha da gente fazer uma surpresinha pra nossa filhota hoje?

CELO: No que ta pensando?

ESTELA: Buscá-la na escola na van! Pra ela não ter que vir de ônibus.

CELO: Boa ideia, meu amor. Ela vai amar!

CENA 19. COLÉGIO FRAN VICENTINI. DIREÇÃO. INT. DIA.

Juliana frente a frente com Pato e Diego.

JULIANA: Que atitude deplorável, meninos. Vocês acham que estão no jardim de infância?

PATO: Vai me dizer que você era uma santa no primeiro ano!

JULIANA (séria): Com quem você pensa que está falando, garoto?

PATO: Qual é, diretora. Você sabe que eu sou louco pra ser expulso dessa escola. Não suporto esse lugar, as regras bizarras, as ordens, tudo aqui é uma droga.

JULIANA: Eu exijo que você diminua o tom para falar comigo. Além da suspensão, você vai assinar uma advertência pelo comportamento.

PATO: Porque você não me expulsa de uma vez?

DIEGO: Qual é, Pato, se controla.

PATO: Não começa Diego. Alguém precisa dizer umas verdades aqui.

Juliana se levanta.

JULIANA: Já chega. Pato retire-se da minha sala imediatamente. Você só volta aqui na presença do seu pai.

PATO: Isso se ele vier né. Aquele lá só tem tempo pra amante e a maldita empresa.

JULIANA (constrangida): Retire-se, por favor.

PATO: Saio com o maior prazer.

Pato se encaminha para a saída e quando abre a porta dá de cara com Leonardo. CLOSE nele.

LEONARDO: Posso saber o que está acontecendo aqui?

 
     

 

     

autores
GABO OLSEN
DIOGO DE CASTRO


colaboração
IGOR FEIJÃO

elenco
NICOLAS PRATTES como PATO
ALICE WEGMANN como NANDA
JOSÉ VICTOR PIRES como DIEGO
LETÍCIA NAVAS como PAULINHA
JOÃO VITHOR OLIVEIRA como CAIO
LARISSA MANOELA como LUA
ERIBERTO LEÃO como LEONARDO
TALITA CASTRO como KÁTIA
JUAN ALBA como HEITOR
CAROLINA FERRAZ como SELMA
ÂNGELA LEAL como NANÁ
JANDIR FERRARI como MARCELO
ÂNGELA DIP como ESTELA
DALTON VIGH como RUBENS
LUCIANA VENDRAMINI como MIRTES
FILIPE BRAGANÇA como GREGO
LUCAS COTRIM como DJ
RAISSA CHADDAD como LARISSA
NICHOLAS TORRES como RICARDO
HESLAINE VIEIRA como ANDRÉIA
GABRIEL SANTANA como ISMAEL
CARLA FIORONI como JULIANA
MARCELLO AIROLDI como ARNALDO
VERA ZIMMERMANN como LÚCIA
SANDRA PÊRA como VANICE
WAGNER SANTISTEBAN como ALFREDO
MARISOL RIBEIRO como MILENA
JIDDÚ PINHEIRO como RAMIRO


trilha sonora
SIPPIN' ON SUNSHINE - AVRIL LAVIGNE (ABERTURA)

produção

CRISTINA RAVELA


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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