New Stages - 3x01



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VOZ DE JOSH – Na temporada anterior de New Stages...

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BARBARA – Eu simplesmente não vou dormir sossegada se o meu filho colocar um carro na estrada e viajar durante três dias para outra cidade... São dois adolescentes!
 
MARK – Você mesma não disse que já passou da hora de pararmos de mimar o nosso filho? Que tal confiarmos nele? Nada de mal irá acontecer ao Austin e ao Josh...
 
BARBARA – Ok. (grita) Faça o que você quiser! MAS EU JURO... SE ALGO ACONTECER AO MEU FILHO... (saindo da sala)

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CARTOMANTE – ...Eu vejo o futuro, mas isso não quer dizer que tudo seja claro para mim... Eu só quero adiantar que vocês formam uma ótima dupla e, sem dúvidas, viveram ótimos momentos juntos. Talvez essas férias separem vocês.
 
AUSTIN – Josh, você não está percebendo isso? Ela está agourando o nosso namoro...
 
JOSH – (olhando concentrado para a cartomante) Espere, Austin...
 
CARTOMANTE – (complementa) ...Mas isso não quer dizer que vocês vão se separar para sempre. Tudo sairá dos trilhos, mas vocês irão continuar juntos. Porque vocês se amam. Eu vejo isso. Vocês se ligam, vocês se conectam, não importa onde estejam, vocês sempre vão se amar.
 
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CHELSEA – ...Eu não posso sair daqui sem antes estar recuperada... Muito obrigada mesmo por terem vindo até aqui, mas eu não tenho forças para fazer isso... Um dia, eu vou ficar bem, eu vou ser liberada e eu vou voltar para perto de vocês. Mas até lá, eu preciso ter certeza de que eu estou pronta. O meu psicólogo me disse que eu sou uma garota forte... Eu posso ser forte, não posso?
 
KEITH – (chorando) Você é a garota mais forte que eu já conheci em toda a minha vida...
 
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AUSTIN – (olha para Josh) Eu te amo!
 
JOSH – (sorri) Eu também te amo, Austin. Muito!
 
AUSTIN – (ri) E você pode me agradecer com um beijo...
 
Josh também ri e se esquiva um pouco do banco, se aproximando do namorado. O cinto de segurança atrapalha um pouco, mas Josh consegue beijá-lo. Austin tenta se concentrar na direção e no beijo ao mesmo tempo, mas acaba não percebendo que um caminhão vem em sua direção.
 
AUSTIN – (rindo enquanto o beija) Josh... Josh... Eu não tô tendo a visão da pis...
 
E antes de concluir o que iria dizer, Austin percebe a grande claridade que os faróis do caminhão refletem em sua direção. O garoto empurra Josh e, sem pensar duas vezes, desvia o carro para o outro lado da estrada, com o objetivo de não se chocar com o caminhão, mas sua tentativa é fracassada e o carro acaba saindo da pista e caindo em um grande barranco.
 
A câmera invade o interior do carro mostrando Josh e Austin de cabeça para baixo, protegidos pelo cinto de segurança e bastante machucados. Os dois garotos estão aparentemente desmaiados. De repente, uma grande quantidade de sangue começa a escoar da cabeça de Josh.
 
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ALEX – Você quer dizer que... (balança a cabeça negativamente) O meu filho morreu?
 
Close em Marta, que breca o carro no mesmo instante que ouve o que Alex acabara de dizer. Close na mulher, atônita.

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CENA 01. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. CORREDOR DAS SALAS DE AULA. INT. DIA.

Música (From Where You Are - Lifehouse) 

A imagem abre em alunos, apressados, andando em direção às suas salas de aula. É o primeiro dia do novo ano letivo na Universidade da Califórnia após as férias de verão. Entre os estudantes, está Josh, que ao contrário dos demais, anda em passos lentos, com olhar fixo para o que está a sua frente, mas uma foto na parede lhe chama a atenção. Enquanto os alunos continuam andando, eufóricos, sem se importarem com o que está na parede, o garoto interrompe seus passos e olha para o quadro. 

A câmera revela a foto de Austin em preto e branco em uma belíssima moldura e os seguintes dizeres: 

“Em memória, Austin Davis

Calouro da Universidade da Califórnia”

Josh deixa uma lágrima rolar sobre o seu rosto, mas logo a limpa para que ninguém perceba que está chorando. Ryan vem em sua direção. O garoto olha para Josh e, sensibilizado, decide parar ao seu lado.

RYAN – Oi, Josh... É muito bom te ver voltando para a universidade.

JOSH – (demonstrando certa frieza) É, uma hora ou outra eu teria que encarar a realidade.

RYAN – Josh, eu... (faz uma pequena pausa) Eu sei que as coisas não estavam andando bem entre a gente, mas eu preciso dizer que... (volta a pausar) Eu realmente sinto muito por tudo o que aconteceu durante as férias de verão.

JOSH – O que passou, passou. O que eu preciso fazer agora é me focar nos estudos, porque o ano letivo está só começando...

RYAN – Josh, não precisa disfarçar os seus sentimentos, eu sei que, por dentro, a morte do Austin está te matando também...

JOSH – Eu não posso desistir, certo? Eu tenho que olhar para frente e seguir com a minha vida. Se eu tivesse morrido no lugar do Austin, era isso o que eu queria que ele fizesse. Tenho certeza de que isso é o que ele também quer para mim.

RYAN – Com certeza. (sorri amigavelmente) Eu fico muito aliviado que nada de trágico tenha acontecido a você.

JOSH – Mas aconteceu, Ryan. Eu sei, eu estou aqui vivo hoje, porém, eu sinceramente preferia não estar. Tiraram um pedaço de mim e está difícil viver sem ele. Todos os dias, eu me lamento por não ter acontecido comigo o mesmo que aconteceu com o Austin, porque se eu tivesse morrido naquele dia... Eu não precisaria estar passando por isso sozinho agora.

RYAN – Josh, você não está sozinho. Você tem os seus amigos aqui na universidade, nós estamos aqui para te ajudar nesse momento. Nós dois brigamos muito no último ano, mas isso não quer dizer que eu te odeie ou algo assim...

JOSH – Vocês estão aqui comigo, mas ele não.

RYAN – Josh, você não pode falar uma besteira dessas. Você tem que agradecer por ter sobrevivido e encarar essa situação com a cabeça erguida...

JOSH – É o que eu estou tentando fazer... Eu tento isso pelo Austin. Mas não é fácil. Desde aquele dia, eu não consigo mais pregar os olhos durante a noite. E quando amanhece, eu não tenho mais forças para sair da cama e colocar os pés no chão... É como se o chão não existisse.

RYAN – Mas você está sendo capaz de pisar nele agora... Você vai perceber com o tempo, Josh, que a morte do Austin só vai te tornar uma pessoa ainda mais forte...

JOSH – A única coisa que eu sinto agora é que eu sou uma pessoa fraca e desprotegida.

RYAN – Não, onde quer que o Austin esteja, ele continua ligado a você.

JOSH – Foi exatamente o que ele disse antes de morrer... Há dois meses... Mas tem algo nisso tudo, Ryan... Eu nunca me contentei. Eu precisava do Austin aqui... E ele não está.

De repente, a sineta começa a tocar anunciando o início da primeira aula do dia.

JOSH – Bom, eu tenho que ir para a minha sala... Como eu disse, preciso levantar a cabeça e seguir em frente, por mais difícil que isso seja... Bom dia, Ryan. (saindo)

RYAN – (ainda imóvel) Bom dia... (pausa) E Josh...

Josh para de andar e se vira.

RYAN – (sorri) Você não está sozinho nessa. Acredite!

Josh acena positivamente com a cabeça em resposta a gentileza de Ryan.

A câmera volta a mostrar a foto de Austin: sorridente, feliz e ainda vivo... Há dois meses.

(Música cessa.)

O estridente barulho de um carro se chocando ao chão é ouvido e a imagem escurece. Surge a seguinte legenda:
 

CENA 02. NOVA YORK. LOCAL DO ACIDENTE. EXT. NOITE.

(Música: Crash - Sum 41) 

O carro onde Josh e Austin estavam continua capotado. Várias viaturas policiais, com as luzes rotativas acesas, estão paradas no local. Jornalistas andam pela rua interditada em busca de informações sobre o acidente. Ambulâncias chegam em alta velocidade para socorrer os dois garotos. Em poucos minutos, vemos dois paramédicos carregando um dos corpos em uma maca. Eles o colocam na carroceria do veículo. Do lado de dentro, duas paramédicas preparam a assistência para o garoto, que ainda não sabemos qual é. 

A imagem corta rapidamente para: 

CENA 03. NOVA YORK. AMBULÂNCIA. INT. NOITE.

(A música tocada na cena anterior continua a ser executada nesta.)

A câmera revela Austin, deitado na maca posta na ambulância, recebendo o devido atendimento das paramédicas. O garoto respira com dificuldade e balança a cabeça freneticamente. Uma das paramédicas insere o aparelho de respiração no garoto e a outra verifica a sua freqüência cardíaca em um eletrocardiográfico. Esta olha assustada para a colega de trabalho.

AUSTIN – (com dificuldades para falar) Eu... preciso... dele...

PARAMÉDICA – Evite conversar agora. Você perdeu muito sangue e não pode fazer muito esforço. Vamos te levar para o hospital e tudo ficará bem... Em pouco tempo você verá o seu amigo.

AUSTIN – Mas... (engasga) Eu... preciso... ver... ele... pela... última... vez.

PARAMÉDICA – Se depender da nossa equipe, esta não será a última vez que você verá o seu amigo.

AUSTIN – Chame... ele... aqui.

PARAMÉDICA – O seu amigo está sendo atendido em outra ambulância. Tudo ficará bem com ele também. Logo, vocês poderão se ver novamente.

AUSTIN – Eu... não... posso... esperar... (segura forte a mão da paramédica, assustando-a) Dê... dê um recado... para ele... por mim. Diga ao Josh... que não importa onde eu estiver... eu sempre vou... continuar... ligado a ele!

A frequência cardíaca de Austin começa a reduzir drasticamente. A segunda paramédica demonstra um tom de desespero e tenta fazer algo em prol a ele.

AUSTIN – Diga... a... ele... Eu preciso... Eu preciso ir embora agora... Diga isso a ele... Diga isso a ele... Diga isso a...

E antes de concluir o que estava dizendo, as ondas cardíacas de Austin param de se movimentar. Uma das paramédicas tenta fazer a massagem cardíaca a fim de reanimá-lo, mas sem resultados. A paramédica que estava conversando com Austin olha para a colega de trabalho como se não houvesse mais nada o que fazer pelo garoto.

(Música cessa.)

 
 
     
 
 
     



3x01 - AUSTIN
 
     

CENA 04. NOVA YORK. LOCAL DO ACIDENTE. EXT. NOITE.

Um policial com um celular em mãos anda de um lado para o outro, aguardando informações da equipe médica. A paramédica que conversara com Austin na ambulância se aproxima do homem.

PARAMÉDICA – Eu sinto muito... O garoto que estava dirigindo o carro não resistiu e acabou morrendo...

POLICIAL – (irritado) Droga! (levanta o celular) Eu achei isso no bolso dele. Cabe a mim dar a péssima notícia para os pais... Eles estão esperando por alguma informação minha.

PARAMÉDICA – Apenas seja cuidadoso... Este é um momento delicado para a família.

POLICIAL – Acredite, eu não poderia estar fazendo tarefa pior... (aperta o botão de registros recentes no aparelho e inicia uma ligação) Alô... Eu liguei antes avisando sobre o acidente dos dois garotos e disse que retornaria com alguma notícia sobre eles... Pois bem, eu tenho uma... (pausa) Eu sinto muito em informar, mas o seu filho não resistiu...

ALEX – (do outro lado da linha) Você quer dizer que... O meu filho morreu?

POLICIAL – Eu sinto muito, senhor... O corpo do seu filho será encaminhado para o centro médico municipal de Nova York. Peço que a família se dirija ao local para fazer o reconhecimento. Mais uma vez... Eu sinto muito! (desliga o aparelho)

PARAMÉDICA – Você acabou de falar com o pai?

POLICIAL – Sim, mas antes eu tinha falado com a mãe. Encontrei o número dela na agenda do garoto e a informei sobre o ocorrido... Eles devem estar muito abalados.

PARAMÉDICA – Eu imagino, antes de morrer o garoto pediu para que eu desse um recado ao seu amigo Josh...

POLICIAL – (confuso) Josh? Mas este é o nome do garoto que acabou de morrer...

PARAMÉDICA – Não, só pode estar havendo algum engano... O amigo do garoto que acabou de morrer é que se chamava Josh. O menino acabou de me dizer o nome dele.

POLICIAL – Mas o celular que ele carregava no bolso está no nome de Josh Parker, filho de Alex e Marta Parker, para os quais telefonei. (ainda confuso) Um momento, por favor...

O policial caminha para perto de um colega de trabalho.

POLICIAL – Você pode me passar os documentos das duas vítimas, por favor?

O outro policial entrega para ele os documentos pessoais de Josh e Austin.

POLICIAL – (olhando para o documento de Josh) Então quer dizer que o garoto que morreu não se chama Josh... E sim, Austin.

PARAMÉDICA – Sim, parece que você informou a morte de um dos garotos para os pais errados.

POLICIAL – (novamente irritado) Droga! Mas o que o celular de um dos meninos estava fazendo no bolso do outro? Bom, não devemos nos preocupar com esta questão agora... Eu vou ligar novamente para os pais do Josh e dizer que tudo não passou de um engano.

PARAMÉDICA – Isso vai ser um alívio para eles...

O policial concorda com a cabeça.

A imagem corta rapidamente para:

CENA 05. NOVA YORK. RUA DESERTA. EXT. NOITE.

O carro de Marta está estacionado no meio da rua. A mulher sai chorando de dentro dele e se encosta à parte da frente do veículo. Alex também sai do automóvel e caminha para perto da mulher, com lágrimas nos olhos.

ALEX – (segurando o braço de Marta) Calma, querida...

MARTA – Como você ousa a pedir que eu fique calma, Alex?! Eu acabei de saber que o meu filho... (chorando) O meu filho... Ele está morto! Ele está morto!

ALEX – Eu sei, essa é uma notícia terrível...

MARTA – Como eu pude ter deixado o meu Josh entrar no carro com um garoto irresponsável e sem um pingo de juízo? Como eu pude ter deixado ele se envolver com aquele... (grita) EU NÃO DEVERIA TER ACEITADO A RELAÇÃO DO JOSH COM ELE!

ALEX – Querida, você não poderia se intrometer nas amizades do Josh...

MARTA – (grita) MAS NÃO ERA UMA SIMPLES AMI... (percebe antes o que iria dizer e fica em silêncio) O meu filho, Alex... O nosso filho... (se joga em cima do ex-marido) Tiraram a vida do nosso garoto...

ALEX – (também chorando) Eu não deveria ter o tirado de San Francisco...

MARTA – O único culpado dessa história sou eu. Se eu tivesse impedido que dois garotos de 19 anos saíssem em uma estrada, atravessando uma cidade em direção a outra... (sem forças) Tudo poderia ter sido evitado... Meu filho estaria vivo...

De repente, o celular que Alex segurava nas mãos começa a tocar.

ALEX – (atendendo-o rapidamente enquanto segura Marta) Alô?

Alex ouve atentamente o que o policial lhe diz. De repente, o homem esboça um sorriso em seu rosto.

ALEX – Muito obrigado... Muito obrigado por ter nos tirado esse peso das costas... Estamos indo imediatamente para o hospital vê-lo... Muito obrigado! (desliga o aparelho)

MARTA – (levantando a cabeça) O que aconteceu, Alex? (com a maquiagem bastante borrada devido ao choro) Por que você está sorrindo?

ALEX – Confundiram o outro garoto com o nosso. O nosso filho está vivo, está bem e está sendo encaminhado para o hospital. Vamos vê-lo, Marta. Nosso Josh está vivo!

MARTA – (tenta sorrir, mas ainda muito confusa) É uma boa notícia, mas como... Como isso aconteceu?

ALEX – Parece que o garoto que estava dirigindo o carro... Ele estava com o celular do nosso filho no bolso, então os policiais pensaram que ele fosse o Josh.

MARTA – Meu Deus, mas que estupidez é essa?

ALEX – Ele nos pediu desculpas pela confusão... O mais importante agora é que nada de mal aconteceu ao nosso filho.

MARTA – (limpando as lágrimas) Não com ele... Mas com alguém importante para ele... (indo para o carro) Temos que nos preparar, Alex, este pesadelo ainda não terminou. Pelo contrário, está muito longe disso acontecer... (entrando no veículo)

Close em Alex, refletindo assustado sobre o que a ex-esposa acabara de lhe dizer.

A imagem corta para:

Início de efeito flashback.

CENA 06. HOTEL. FACHADA. EXT. DIA.

Efeito flashback com Josh e Austin antes de saírem para o último dia de viagem. Josh deixa o hotel carregando duas malas nas mãos. Ele caminha em direção ao porta-malas do carro e as coloca dentro. Austin passa as mãos pelo bolso à procura de algo.

JOSH – (olhando para Austin) Perdeu alguma coisa?

AUSTIN – Droga! Acabei esquecendo de trazer o meu celular. Será que você pode me emprestar o seu? Preciso ligar para os meus pais e avisá-los que estou sem contato.

JOSH – (tirando seu celular do bolso) Aqui está. (entrega o aparelho para Austin) Passe o meu número para os seus pais. Se eles precisarem conversar com você, é só ligarem para o meu celular.

AUSTIN – (sorri para Josh) Farei isso. Obrigado.

JOSH – Enquanto você faz o telefonema, eu vou lá em cima buscar a última mala.

AUSTIN – Certo.

Josh volta a entrar no hotel. Austin disca o número desejado no celular e o leva até a orelha, aguardando a chamada ser executada. O garoto espera alguém o atender, mas sem resultado.

AUSTIN – Caixa postal... (para si mesmo) Bom, depois eu ligo para eles. (colocando o celular no bolso) O Josh não vai se importar que eu fique com o celular.

A imagem corta rapidamente para:

CENA 07. NOVA YORK. CARRO DE AUSTIN. INT. NOITE.

O carro de Josh e Austin já está capotado. Os garotos estão de cabeça para baixo, desmaiados, apenas presos pelo cinto de segurança. A cabeça de Josh sangra. A câmera mostra as pernas de Austin. No bolso de sua calça, o celular de Josh está um pouco para fora, possibilitando que vejamos a tela. A luz do aparelho acende. Alguém está ligando. 

Na tela do celular:

Marta chamando...

Fim de efeito flashback.

CENA 08. HOSPITAL MUNICIPAL DE NOVA YORK. RECEPÇÃO. INT. NOITE.

Marta anda de um lado para o outro, a espera de informações sobre o seu filho. Alex se aproxima dela com um copo de café em mãos.

ALEX – Tome, querida, isso lhe fará bem...

MARTA – Não, eu não preciso de mais nada além do meu filho, Alex. Onde estão esses médicos que parecem adorar assistir a nossa angústia?

ALEX – Eles estão fazendo o melhor pelo Josh, Marta. Logo, virão dizer que está tudo bem com o nosso filho e que podemos levá-lo para a casa.

MARTA – Falando nisso, quem deveria ir para a casa é você... Não sei se você se lembra, mas você acabou de abandonar uma noiva no altar...

ALEX – Não, é melhor eu não ir atrás da Meghan agora, senão ela é capaz de me mandar para a guilhotina. E eu jamais seria capaz de deixar você e o nosso filho sozinhos... Não em um momento tão sensível como este.

Marta retribui a gentileza de Alex com um sorriso. Eles avistam um médico vindo em sua direção.

MÉDICO – Senhor e senhora Parker?

ALEX – Sim... O nosso filho está bem?

MÉDICO – Está tudo ótimo com o garoto. Ele não corre mais perigo de vida. Mas o Josh perdeu muito sangue depois do acidente, então ele ainda está um pouco fraco...

MARTA – Será que posso vê-lo, doutor?

MÉDICO – E eu seria capaz de recusar o pedido de uma mãe aflita? Vá em frente, senhora. O seu filho irá adorar ver um rosto familiar...

Marta ameaça sair da recepção para ver o filho, mas os gritos de uma mulher chamam a sua atenção. Alex olha assustado para a ex-esposa.

ALEX – Mas o que é isso?

Os pais de Austin, Barbara e Mark Davis, entram no local. A mulher está histérica e o marido tenta a todo custo acalmá-la.

BARBARA – (gritando e andando de um lado para o outro) ONDE ESTÁ O MEU FILHO? EU PRECISO VER O AUSTIN!

MARK – (segura o braço de Barbara) Querida, com este comportamento você acabará assustando os outros pacientes...

BARBARA – NÃO TENTE ME CONTROLAR, MARK! EU NÃO VOU DEIXAR QUE NINGUÉM TIRE O MEU FILHO DE MIM!

MARK – (olha para o doutor) Recebemos a ligação e viemos o mais rápido que pudemos...

BARBARA – Exato, doutor, nós queremos saber como o nosso filho está...

MÉDICO – Eu sinto muito, senhor e senhora Davis, mas eu pensei que já soubessem do pior...

MARK – Sim, nós já sabemos, doutor. E eu peço desculpas pelo comportamento alterado da minha esposa.

BARBARA – Realmente, nós já sabemos... Mas eu não consigo acreditar. E eu nem me dou ao luxo de acreditar, sabe por quê? Porque eu jamais deixaria que um garoto sem orientação na vida tirasse a vida do meu filho...

MARTA – (entrando na discussão) Por acaso o “garoto sem orientação” ao qual você se refere é o meu filho?

BARBARA – Então você é a mãe de Josh Parker? Escute aqui uma coisa... Se alguém deveria estar morto neste momento, este alguém é o Josh, pois foi por causa dele que esta tragédia aconteceu...

MARTA – Desculpa, eu não conheço a senhora, mas eu tenho certeza de que está completamente equivocada. O garoto que estava dirigindo o carro era o seu filho. Foi ele que colocou a própria vida e a vida do meu Josh em perigo...

ALEX – Marta, é melhor não perder o controle...

BARBARA – Desde que o seu filho apareceu na frente do Austin, a vida dele virou uma bagunça. Se este garoto não tivesse o convidado para ir até um casamento em Nova York, meu filho não teria colocado o carro na estrada e não estaria morto neste momento...

MARTA – Sim, acredite, eu usei o mesmo argumento hoje... Mas, convenhamos, Josh e Austin eram adultos. A decisão de ir para Nova York sozinhos foi tomada pelos dois. Nós não tínhamos nenhum direito de intervir...

MARK – Ela está certa, Barbara... Não adianta comprar briga... O nosso filho está morto!

BARBARA – (começa a chorar) NÃO, ELE NÃO ESTÁ MORTO! ERA PARA O AUSTIN TER FICADO EM SAN FRANCISCO. MALDITA A HORA QUE VOCÊ DEU UM CARRO PARA ESTE GAROTO... EU TE AVISEI, EU AVISEI QUE ESSE CARRO SERIA UMA ARMA NAS MÃOS DO AUSTIN E VOCÊ NÃO ME LEVOU A SÉRIO... VOCÊ DISSE QUE TUDO FICARIA BEM... EU POSSO SABER ONDE ESTÁ TUDO BEM? O MEU FILHO ESTÁ MORTO E EU NÃO CONSIGO RECONHECER ISSO... TIRARAM O MEU FILHO DE MIM! O AUSTIN MORREU... ELE MORREU! VOCÊ CONSEGUE COMPREENDER A GRAVIDADE DISSO? O NOSSO FILHO IRÁ PRA DEBAIXO DA TERRA...

MÉDICO – (para Mark) Senhor, se você quiser, nós podemos tentar acalmá-la...

BARBARA – NADA DISSO FAZ SENTIDO... MEU AUSTIN... MEU AUSTIN... MEU AUSTIN...

Mark acena positivamente com a cabeça para o médico. Este, por sua vez, se aproxima de Barbara e puxa o seu braço com muita cautela. Então, ele dá a mão para ela e a leva para longe dali, ainda aos prantos, se lamentando pela morte do seu filho.

MARK – Eu peço desculpas pelo escândalo que a Barbara aprontou... É muito difícil para uma mãe ouvir que o seu filho está morto. Vai contra o princípio natural da vida. O Josh não teve nada a ver com isso... Esses dois garotos se amavam... O amor mais sincero que já vi! Me desculpem...

Mark se retira do local, desolado. Close em Alex, surpreso com o que acabara de ouvir.

ALEX – Se amavam? Amor sincero? O que esse homem quis insinuar?

Marta então percebe que Alex ainda não sabe sobre a sexualidade de seu filho e fica assustada.

MARTA – Alex, por favor, agora não é a melhor hora para você questionar os fatos... Eles eram amigos. Grandes amigos. E isso basta!

ALEX – Marta, me responda uma coisa... E eu preciso que você seja sincera. O relacionamento entre o Josh e este garoto que morreu era apenas de amizade, certo?

MARTA – (cabisbaixa) Alex... Não sou eu quem deveria te dizer isso... Era pra eu esperar a decisão do Josh, mas eu não consigo te enganar... O nosso filho, Alex, tinha uma conexão... Digamos, amorosa... Com o Austin.

ALEX – (aumenta o tom de voz) Você quer dizer que o nosso filho é gay?!

MARTA – Por favor, Alex... Abaixe o tom de voz. Nós estamos em um hospital e aquela mulher já incomodou bastante gente por aqui. Não precisamos de mais nenhum tipo de show gratuito.

ALEX – (retirando-se do local) Eu vou acabar com esta palhaçada agora...

MARTA – (indo atrás do ex-marido) Alex, não faça isso...

A imagem corta rapidamente para:

CENA 09. HOSPITAL MUNICIPAL DE NOVA YORK. QUARTO DE JOSH. INT. NOITE.

Josh está deitado na cama de hospital com os olhos bem abertos. Seu rosto está bastante machucado devido ao acidente. Alex entra possesso. Marta vem atrás.

JOSH – Pai... Mãe... Que bom vê-los... Mas não era pra vocês estarem em uma festa de casamento agora?

ALEX – (andando de um lado para o outro) O casamento foi cancelado, Josh. E no dia mais infeliz da minha vida, além de quase me casar com uma mulher que eu não amo e quase perder o meu filho em um acidente de carro, eu descubro que ele mentiu para mim durante todos esses anos...

JOSH – (tira o sorriso do rosto) Pai, do que você está falando?

ALEX – Não se faça de desentendido, Josh... Você sabe muito bem do que eu estou falando. Ou vai negar para mim que você ia para a cama com aquele garoto?

MARTA – (grita) ALEX, VOCÊ ESTÁ SENDO CRUEL!! (olha para Josh) Desculpa, meu filho, eu tentei evitar isso, mas a verdade sempre vem à tona... O seu pai descobriu que você é...

JOSH – (interrompe) Gay!? (olha para Alex) Você está me acusando de ter escondido de você que eu sou gay? E não é que de uma hora para a outra, você passou a se interessar pela minha vida?

ALEX – Não seja injusto, Josh... Eu sempre me preocupei com você. E eu não vou admitir agora...

JOSH – (complementa) Que eu tenha escondido de você o que eu verdadeiramente sou? Que piada, pai. Todo mundo sabe que se você se preocupasse realmente com a minha vida particular, jamais teria subido ao altar com outra mulher...

ALEX – Não envolva a Meghan nesta história, Josh.

JOSH – Então não envolva a minha sexualidade. Se você prestasse mais atenção em mim e na minha mãe, quem sabe eu teria contado antes pra você que eu gosto de garotos... Ou melhor, eu amo outro garoto!

ALEX – Eu não entendo, Josh... Você está me afastando da sua vida por eu ter ido com outra mulher para o altar?

JOSH – Sim, é isso mesmo que eu estou fazendo. Chega de hipocrisia, pai. Você pode até ter pensado que eu fiquei feliz com essa ideia de casamento, mas a verdade é que eu nunca engoli nem a ideia nem a sua noiva fútil e individualista... Você tinha alguém que te amava em San Francisco e preferiu se casar com uma mulher de plástico.

ALEX – Eu só aceitei me casar com a Meghan porque a sua mãe insistiu para que eu fizesse isso...

JOSH – E a sua vida funciona desta maneira? Você abre mão do que tem porque as pessoas te pedem?

MARTA – (chorando) Josh, não faça isso...

JOSH – Não, mãe, chega de ficar sentado assistindo a esse circo... Você errou sim em ter se preocupado com a Meghan e pedido para que o papai se casasse com ela, mas ele errou mais ainda em ter te atendido e desistido de você... E, consequentemente, desistido da nossa família.

ALEX – Josh...

JOSH – (interrompe) Porque é isso que nós poderíamos ter sido. Uma grande família. Novamente. E você jogou a possibilidade no lixo, em troca de quê? De um casamento fracassado com uma mulher que não ama... Aliás, um casamento que nem aconteceu. E, acredite, papai, eu não tinha a menor intenção de atrapalhar... Foram simplesmente as circunstâncias da vida que quiseram assim.

ALEX – (deixa uma lágrima rolar sobre o seu rosto) Talvez... Talvez você tenha razão.

JOSH – Você não precisa se preocupar com isso, porque eu sei que tudo o que eu disse é a mais absoluta verdade. Agora se você quiser esclarecimentos, sim, eu sou gay. E não tenho nenhuma vergonha disso. Não tenho vergonha de amar o Austin... E eu mal vejo a hora de sair desta cama e abraçá-lo novamente...

(Música: Falling - The Civil Wars)

MARTA – (chorando) Josh, o Austin...

ALEX – (começa a chorar também) Depois conversamos, Marta... Isso está acabando comigo... (e sai do local)

MARTA – (se aproxima do filho) O Austin... Ele não resistiu, Josh...

Close em Josh, que se esquiva, confuso.

JOSH – (começa a rir) Mãe, pare de chorar... Eu tenho certeza de que nada de mal aconteceu com o Austin. Nada aconteceu comigo, certo? Por que aconteceria com ele? (entende a informação que a mãe quer passar e deixa uma lágrima rolar sobre o seu rosto) Por que o Austin morreria? Por que, mãe? Me diga o porquê...

MARTA – Porque a vida quis assim...

JOSH – (começa a chorar) NÃO! A VIDA NÃO TEM QUE QUERER NADA! EU MATEI O AUSTIN, MÃE! EU MATEI O AUSTIN!

MARTA – Você não matou ninguém, meu filho... Às vezes, algumas pessoas têm mais sorte que as outras...

JOSH – Não! Se eu não tivesse entrado na frente do Austin para beijá-lo, se eu tivesse ficado quieto, a gente teria chegado bem e em segurança. Foi por minha causa que ele não viu o caminhão que estava a frente e perdeu o senso da direção... FOI POR MINHA CAUSA!

MARTA – Josh, não se culpe pelo o que aconteceu...

JOSH – (chorando feito criança) Mãe, por que ele não me levou?

MARTA – (abraça Josh) Meu filho, eu não deixaria que ele te levasse pra longe de mim...

JOSH – Então por que eu deixei ele ir? Eu fui um péssimo namorado, mãe...

MARTA – Você foi um ótimo namorado, Josh... O Austin morreu ao lado de alguém que o amava.

JOSH – (chorando) Eu não poderia ter deixado ele ir...

A câmera se afasta, enquanto mãe e filho choram abraçados.

(Música cessa.)

CENA 10.

(Música: Run - Snow Patrol) 

Tomada da cidade de Nova York. As imagens locais da cidade são substituídas pelos pontos turísticos de San Francisco. Surge a seguinte legenda: 
 

CENA 11. CEMITÉRIO MUNICIPAL DE SAN FRANCISCO. EXT. DIA.

(Música continua.)

Josh, agora sem as marcas do acidente no rosto, está vestindo um terno preto e segura um buquê de rosas vermelhas nas mãos. Ele se ajoelha no campo verdejante e observa a lápide de Austin. A câmera mostra a foto do garoto e o seu nome embaixo.

Josh deixa uma lágrima rolar sobre o seu rosto e coloca o buquê de rosas abaixo da lápide do namorado. Ele limpa a lágrima que deixara cair com uma das mãos e sorri.

JOSH – Não importa onde você estiver, eu sempre vou continuar ligado a você... (sorri) Foi isso que você pediu para que a enfermeira me dissesse, certo? Pois bem, ela me disse... (tira o sorriso do rosto) Eu te amo, Austin... E eu vou te amar por toda a vida...

De repente, uma voz feminina desperta a atenção de Josh.

VOZ FEMININA – Está tudo bem com você?

JOSH – (sem virar o rosto) Chelsea?!

Josh se levanta num impulso e se surpreende ao ver Chelsea, usando um lindo vestido preto, salto alto, cabelos esvoaçando ao vento e com uma aparência muito saudável.

CHELSEA – Surpresa por me ver?

JOSH – Claro que eu estou surpreso. Eu jamais esperava te encontrar aqui. Não era pra você estar no centro psiquiátrico?

CHELSEA – Eu fui dispensada hoje. Não tenho culpa se os enfermeiros não me suportavam mais...

JOSH – (abraçando a garota) É muito bom te ver novamente... E o melhor ainda é saber que você seguiu firme e forte com o tratamento e está livre para a vida novamente.

CHELSEA – Obrigada, Josh. (interrompe o abraço e coloca as mãos nos ombros do amigo) Eu juro que não queria te reencontrar em um lugar como esse, mas eu não poderia deixar de prestar a minha solidariedade... Quando eu soube, foi um verdadeiro choque... Mas eu te garanto uma coisa: pessoas vão, mas as boas memórias sempre permanecem.

JOSH – (sensibilizado) Obrigado, Chelsea. Do fundo do meu coração, muito obrigado.

CHELSEA – Esta não é a melhor ocasião, mas será que podemos sair para tomar um sorvete e colocar o papo em dia?

JOSH – Bom, você acabou de sair de um centro psiquiátrico, eu tenho medo de recusar um convite seu...

CHELSEA – (leva na esportiva) Josh, eu não sou mais louca. Bem... Talvez tenham restado alguns sintomas...

Josh ri e dá a mão para Chelsea. Os dois garotos saem juntos, de mãos dadas, conversando. A câmera se afasta, mostrando eles caminhando pelo vasto campo verdejante do cemitério municipal. Em seguida, volta a destacar a lápide de Austin. A narração de Josh começa a ser ouvida...

JOSH – (em off) Algumas notas que merecem ser registradas: Após a morte do filho, os pais de Austin resolveram se mudar para uma pequena cidade no interior do Alabama. Senhor Davis, depois de anos, decidiu deixar o seu cargo de diretor na San Francisco High School à disposição e dedicar-se às atividades rurais. A senhora Davis fez o mesmo. Antes de irem embora, eu a procurei para conversar, mas ela não quis me dar ouvidos... Ainda acha que eu sou culpado pela morte do Austin. No fundo, no fundo, eu também me sinto culpado às vezes... Com a morte do Austin, muita coisa vai mudar na minha vida e eu preciso estar preparado para enfrentar essas mudanças. Não vai ser fácil, mas eu não posso desistir. Aprendi com alguém que pessoas vêm e vão na nossa vida, algumas fazem cada momento ao seu lado valer a pena e depois vão embora, mas o que importa é que as boas lembranças sempre vão permanecer... E nada, ninguém, nem o tempo é capaz de apagar. Austin Davis me proporcionou muitas das quais eu jamais vou esquecer.

A imagem escurece.

 


AUTOR
André Esteves

ELENCO

Graham Phillips como Josh Parker
Sterling Knight como Ryan Jordan
Victoria Justice como Chelsea Harris
Rose McGowan como Marta Benton

ATORES CONVIDADOS
Jean-Luc Bilodeau como Austin Davis
Joshua Jackson como Alex Parker
 
PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS
Alec Baldwin como Mark Davis
Sela Ward como Barbara Davis
 
Aparições que não constam na listagem acima (Paramédica, Policial e Médico, neste episódio) são interpretadas por atores contratados pela produtora.
 
TRILHA SONORA
So Small - Carrie Underwood (Tema de Abertura)
From Where You Are - Lifehouse
Crash - Sum 41
Falling - The Civil Wars
Run - Snow Patrol

PRODUÇÃO
Bruno Olsen
Diogo de Castro


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO

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Proibida a cópia ou a reprodução

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