Estações da Vida - Capítulo 01


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CAPÍTULO 01
 
     
     
     
     
 
 
 

CENA 01. MANSÃO DO PATO. EXT. DIA

MUSIC ON: (NEVER LET ME GO - ALOK, BRUNO MARTINI, ZEEBA)

PLANO GERAL de um jardim extenso, composto por flores e árvores. No centro há um chafariz jorrando água. CAM PANORÂMICA vai se aproximando da porta principal que está aberta até que entra na SALA DE ESTAR.

CAM vai detalhando o local em estado lastimável, muita bagunça, latas e garrafas de cerveja dispersas, almofadas por todo o lado, vasos quebrados, restos de cigarro, um abajur caído no chão. Próximo ao sofá um casal dorme de mau jeito no chão coberto pelo tapete. A menina (16 anos), descalça e de cabelos loiros bagunçados, usa um vestido justo azul escuro. O rapaz (17 anos) moreno, usa calça xadrez, sem camisa, em sua mão direita segura uma garrafa de cerveja.

CORTA PARA:

CENA 02. MANSÃO DO PATO. SALA DE JANTAR. INT. DIA

Na mesa, pratos, garrafas de bebidas e copos estão dispersos. Um adolescente, moreno, (15 anos), dorme na ponta da mesa. Ele está usando somente uma cueca box preta. Em seu pescoço há uma marca roxa.

CORTA PARA:

CENA 03. BANHEIRO. INT. DIA

Uma jovem (loira, 15 anos) dorme na banheira de apenas calcinha e sutiã. No chão, óculos fundo de garrafa em meio às roupas espalhadas. CAM SAI do banheiro, segue pelas escadas, alcança um corredor até atravessar a porta de um

QUARTO

onde encontra uma jovem (morena, 15 anos, altura média) dormindo numa cama de solteiro. O celular TOCA e a garota acorda no susto.

MUSIC OFF.

GAROTA: Onde é que eu to? Quem ta aí?

Ela esfrega os olhos e observa ao redor tentando reconhecer o lugar. Procura o celular pela cama, em seguida coloca a mão na cabeça.

GAROTA: Ai, minha cabeça vai explodir!

Volta a procurar o celular em cima da cama e encontra debaixo do edredom. Ela pega o celular e atende, apressada.

GAROTA: Alô? Alô? Quem é?

MULHER (V.O): Nanda, graças a Deus!!!

NANDA: Ah, mãe, é você. O que foi?

MULHER (V.O/brava): Como o que foi, garota? Estou preocupada, minha filha. Você não voltou pra casa depois da festa. Onde é que você dormiu, Fernanda?

Nanda observa o quarto para saber onde está, e com o celular no ouvido caminha pelo lugar.

MULHER (V.O/preocupada): Filha? Você tá aí?

Um porta retrato na estante de TV chama a atenção de Nanda. Nele, um jovem ao lado de uma menina. Ela sorri ao ver a foto.

NANDA (pensa alto): Caraca, eu dormi na casa do Pato.

MULHER (V.O/preocupada): Filha, está tudo bem?

NANDA: Sim, mãe. Tá tudo bem. Estou aqui ainda na casa do Pato. Esqueci de ligar pra avisar que ia dormir por aqui mesmo. Foi mal. Geral dormiu aqui.

MULHER (V.O): Poxa, filha. Na próxima vez avisa. Eu fiquei preocupada quando acordei e vi a sua cama arrumada.

NANDA: Desculpe, mãe. Prometo que não vai acontecer mais.

MULHER (V.O): Tudo bem. Que isso não se repita. Agora trate de vir pra casa. Ah! E outra coisa/

Nanda desliga o celular na cara da mãe. Ela se levanta da cama, pensativa, enquanto olha a porta do quarto.

NANDA: Onde será que ele está?

Ela corre pra fora do quarto.

CORTA PARA:

CENA 04. CORREDOR. INT. DIA

Nanda anda procurando por alguém. Ela abre uma porta, mas não obtém sucesso, fecha e segue o percurso, parando em frente à outra porta. Abre e dá de cara com uma bagunça: lençóis, calçados, bebidas e peças de roupas dispersas no chão. Na cama, um rapaz, moreno, (17 anos), dorme apenas de cueca. O edredom está espalhado pela cama. Ela se aproxima, cutucando ele.

NANDA (baixo): Pato? Tá acordado?

O edredom se mexe assustando Nanda. Uma garota loira surge debaixo dos lençóis, mas não acorda. Nanda tira lentamente o edredom de cima da garota até perceber que ela está apenas de calcinha e sutiã.

NANDA: Nossa! O Pato transou com essa vadia.

Ela se retira do quarto.

CORTA PARA:

CENA 05. SALA DE ESTAR. INT. DIA

Nanda desce a escada já avistando o casal enrolado no tapete, se aproxima dos dois, se agacha e cutuca a garota.

NANDA (baixo): Paulinha. Acorda.

Paulinha abre os olhos devagar e vê Nanda a cutucando.

PAULINHA (resmunga): Só mais cinco minutinhos, vai. Deixa eu dormir mais.

NANDA (levanta): Já é meio-dia! Não acha que ta na hora de acordar?

PAULINHA: Já to acordando, mas me responda aonde ta o resto do pessoal?

NANDA: To procurando.

PAULINHA: Amiga, faz o seguinte, termina de procurar e assim que achar você vem e me chama ok?

Nanda faz sinal negativo com a cabeça e se retira da sala. Paulinha olha para o rapaz dormindo ao seu lado e volta a deitar-se.

CORTA PARA:

CENA 06. SALA DE JANTAR. INT. DIA

Nanda se choca ao entrar e perceber o jovem que dorme em cima da mesa, só de cueca.

NANDA: Caio!!! Mas, o que que é isso? O que que tinha na bebida dessa festa, gente?

Nanda sacode o rapaz.

NANDA: Caio, acorda!

CAIO (sonolento): O que foi, Nanda? Me deixa dormir.

NANDA: Acorda logo moleque, já passou da hora.

CAIO: Hora de que?

NANDA: De você se vestir, porque caso não tenha percebido, você tá praticamente pelado.

Caio se levanta no susto, se cobre.

CAIO (vergonha): Cadê a minha roupa?

NANDA (risada): Ta perguntando para a pessoa errada, bebê. Pelo visto a sua noite foi boa, hein?

Ele puxa a toalha da mesa derrubando a prataria que estava em cima fazendo maior barulho. Ele enrola a toalha no corpo.

CAIO: Cadê todo mundo?

E sai. Nanda vai atrás até que os dois vão para a SALA.

CAIO (nervoso): Que que aconteceu comigo? Cadê minha roupa?

NANDA: Vai ver te zoaram. Mas relaxa que você não foi o único.

Paulinha já desperta, ainda no chão.

PAULINHA: Gente, que que houve lá dentro? Que barulho foi aquele?

NANDA: Caio resolveu fazer um novo modelito com a toalha de mesa.

CAIO (bravo): Quem de vocês pegou minha roupa? Podem ir falando!

PAULINHA: Nem olha pra mim. Tava ocupada demais cuidando do dorminhoco aqui.

Percebe que o garoto que estava com ela sumiu.

PAULINHA: Ué, cadê o Diego?

DIEGO (O.S): Aqui. Pelo menos o que sobrou dele.

CAM foca Diego que está com uma bolsa de gelo na cabeça, vai indo em direção ao sofá central, onde se acomoda.

DIEGO: Caio, porque tu ta com esse pano no corpo? (percebe algo nele) E esse chupão aí no teu pescoço? Olha só o cara, passou o rodo geral na festa ontem. (pausa) To orgulhoso de você meu garoto, me fala ai, transou com quantas ontem à noite?

Caio passa a mão no pescoço.

CAIO: Eu não me lembro de nada.

A menina que estava dormindo na banheira surge na sala de calcinha e sutiã. CLOSE em seus óculos fundo de garrafa e em seu aparelho ortodôntico.

MENINA (sorrindo): Ah garanhão, você ta aí!!!

Ela corre para os braços de Caio. Nanda, Diego e Paulinha se entreolham, chocados. A menina abraça Caio.

MENINA: Menino, você é tudo de bom, você me deixou loucona demais ontem (risos). Quando vamos ter um flashback?

Diego solta uma risada.

DIEGO: Ae garanhão!!! Se deu bem hein.

E sai.

PAULINHA: To chocada com você, menino.

Caio tenta se desvencilhar da garota.

CAIO (assustado): Como é que o seu nome, minha filha?

MENINA: Ai gato ce não lembra? Poxa!!! Achei que tinha sido tão especial pra você quanto foi pra mim, depois que te encontrei lá na beira do chafariz não nos largamos mais. Foi tudo tão lindo e romântico. Nos beijamos, viemos aqui pegar bebida, fomos no banheiro e quando ficamos quase pelados você saiu para buscar mais bebidas e não voltou, aí eu peguei no sono. Eu acho.

CAIO: Eu to numa ressaca enorme, to sem nenhuma recordação de ontem à noite, será que você poderia me dizer o seu nome?

MENINA: Cristina, mas pode me chamar de Cris, ah ontem pedi seu telefone e você não me passou, será que poderia me passar agora que tá lúcido? Mais tarde eu vou ao cinema com a minha amiga, mas se quiser posso cancelar e marcarmos um programa a dois, o que acha? Ah chuchuzinho, a noite de ontem foi tão romântica para mim, quero bis.

CAIO (baixo): Preciso fazer algo para essa louca me deixar em paz. Ela praticamente abusou de minha pessoa. (a Cristina) Querida, ta na hora de você ir embora, eu preciso sair com meus amigos agora, me passa o número do seu celular que eu te ligo mais tarde e marcamos algo ok?

CRIS: Ah claro, mas deixa eu te falar algo antes [...]

Caio cobre a sua cabeça com a toalha da mesa.

CENA 07. MANSÃO DO PATO. VARANDA. EXT. DIA

Diego acaba de aparecer ali vindo da espreguiçadeira na piscina. Senta no banco, tira cigarro e isqueiro do bolso acendendo em seguida. Ele fuma, observando a vista. Paulinha aparece.

PAULINHA (reprova): Sério, Diego? Já disse mil vezes que não gosto de ver você fumando. Isso só te prejudica.

DIEGO (impaciente): Ah não vem bancar a politicamente correta comigo não, Paulinha. Me deixa, pow! Um trago de vez em quando não faz mal a ninguém.

PAULINHA: Nós dois sabemos que não é de vez em quando. E pior/

DIEGO: Qual é, garota? Vai ficar me regulando agora? Já tenho uma mãe pra isso, não preciso de outra não oh!

PAULINHA: Grosso!

Ela sai, irritada.

DIEGO: Garota chata! Fica em cima direto!

TOCA um celular. Ele retira do bolso e atende.

DIEGO: Alô. (T) Camila? (confuso) Hm... Ah! Claro que eu me lembro de você. (T) Também to com saudades. (T) Convite, é? Sei, sei. (T) Claro, gata. Se cuida.

Desliga. Joga o aparelho em qualquer canto.

DIEGO: E isso porque eu achei que eu tinha passado a noite com a grudenta da Paula. Preciso controlar o álcool. (risos) Ah quer saber? Que se foda, quero mais é aproveitar a vida e nada melhor do que uma piscina pra isso.

Ele se levanta indo em direção a piscina, vai tirando a calça enquanto caminha. Para. Pega impulso e corre dando um salto dentro dela.

CENA 08. MANSÃO DO PATO. SALA DE ESTAR. INT. DIA

Caio, agora vestido, está sentado no sofá amarrando o cadarço de seu tênis. Paulinha entra.

PAULINHA: Parece que alguém achou as calças!

CAIO: Ce não vai imaginar onde tava.

PAULINHA: Nem me interessa.

CAIO (irônico): Acho que alguém aqui acordou bem-humorada.

PAULINHA: Desculpa.

CAIO: Tudo bem, mas o que rolou?

PAULINHA: Nada não. Esquece. Eu é que quero saber de você, rolou ou não com a CDF?

CAIO (desconversa): Oi? Rolou o que?

PAULINHA: Como o que, Caio?

CAIO: Ah, sei, você quer saber se rolou... Eu e a Cristina?

PAULINHA: Isso. O que ta difícil de entender na pergunta?

CAIO: Nada. Então, a memória não tá ajudando, mas... Não fiquei com ninguém não. Nem com a maluca da Cristina, você viu o que ela disse.

PAULINHA (surpresa): Sério? Cheio de garota bonita e bêbada ontem e você não quis nenhuma? Por acaso você não curte não?

CAIO: (constrangido) Tá me estranhando, Paulinha? Eu hein. Eu só fiquei com a Cris. Quer dizer, eu nem sei direito, tava com muita bebida na cabeça.

PAULINHA: Tá, né!

CAIO: Acho bom.

Os dois se entreolham por um tempo.

PAULINHA: Tá com fome?

CAIO: Muita.

CORTA PARA:

CENA 09. COZINHA. INT. DIA

O ambiente está bagunçado com latas de cerveja e comida espalhada pelo chão e a mesa. Nanda já está ali preparando um sanduíche e com um semblante sério.

NANDA (raiva): O Pato não se cansa de aumentar essa fama de pegador! Ainda mais com aquelazinha lá! Ai que raiva!

Ela retira o sanduíche do grill e coloca num prato. Enfia a faca com força no pão. Paulinha e Caio entram bem na hora.

PAULINHA: Coitado do pão. Que que ele te fez, amiga?

NANDA: Antes fosse o pão.

CAIO (sonda): Então foi alguém?

NANDA (grossa): Não foi nada, tá?  Só acordei de mau humor. Vai passar.

CAIO: Ok, então. Precisando falar, to por aqui.

NANDA: Obrigada.

PAULINHA: Em todo caso, por medida de segurança, acho melhor mantermos distância, Caio.

Nanda faz careta.

NANDA: Boba. Querem sanduíche?

CAIO: Só se for agora.

NANDA: Vão preparando aí que vou ver se o resto da galera acordou pra todo mundo comer junto.

Nanda sai. Paulinha e Caio começam a fazer mais sanduíches.

CENA 10. MANSÃO DE PATO. VARANDA. EXT. DIA.

Diego sai da piscina e caminha em direção a entrada. Ele abre a porta e dá de cara com o rapaz da CENA 04.

DIEGO: E aí, Pato? Beleza?

PATO: Fala, meu brother!

Os dois fazem o cumprimento pessoal.

DIEGO: E aí, me conta! Como foi a noite com aquela gostosinha?

PATO (entusiasmado): Nossa, cara! Nem fala! Foi incrível!

DIEGO: Rolou então?

PATO: E tu acha que eu brinco em serviço, ‘cumpadi’?

DIEGO: Que irado, mano!

PATO: Aquela “belezinha” manda muito!!!

CAM DESFOCA deles e mostra Nanda pela vidraça da porta, escutando a conversa.

DIEGO (O.S): Opa, quero pegar também.

PATO (O.S): Na hora, meu parceiro.

DIEGO (O.S): Depois tu me passa a fita.

PATO (O.S): Demorou.

Nanda sai decepcionada. CAM foca nos dois.

PATO: Vou ali tirar o carro da garagem pra deixar a donzela em casa. Já aproveito e te coloco na dela.

DIEGO: Demorou.

Pato sai e Diego fica ali, esperançoso.

CENA 11. RUA. EXT. DIA.

Um carro grande e preto com vidros fumês se aproxima da calçada de um condomínio de luxo. O automóvel estaciona.

CENA 12. CARRO. INT. DIA.

Pato no volante e a garota loira da CENA 04 no carona. Ela está visivelmente irritada.

PATO: Tá entregue.

A garota abre a porta com grosseria, mas Pato a impede de sair.

PATO: Ei, gata! Calminha aí.

GAROTA: É isso que você tem pra me dizer? “calminha aí”?

PATO: Tá brava hein.

GAROTA: E você queria que eu tivesse como depois da noite de ontem, Patrício?

PATO: Olha, gata, eu já te expliquei.

GAROTA: Me poupa das tuas explicações, tá bom? Eu já ouvi demais. To decepcionada com você.

PATO: Foi mal. Isso nunca/

GAROTA (grita): NÃO OUSE COMPLETAR ESSA FRASE!

PATO: Tá, desculpa, desculpa. Foi mal. Eu prometo que da próxima vez te compenso.

GAROTA: Não vai ter próxima vez, Pato. Você já era! 

Ela vai sair do carro. Ele a impede de novo.

PATO (nervoso): Espera, preciso que você me prometa uma coisa.

GAROTA: Você não tá em condições de me pedir nada.

PATO: Eu sei. Mas, por favor, não conta pra ninguém sobre isso, beleza? Não vai pegar nada bem pra mim.

GAROTA: Ah, é isso? Pode ficar tranquilo, porque essa noite eu faço questão de esquecer, ou você acha que eu vou querer que a escola toda saiba que o maior garanhão deu pra trás comigo? Não dá né. Fica feio pra mim também. Mas fique você sabendo que está em minhas mãos, então, fica esperto.

A garota sai do carro e bate a porta com força. Pato soca o volante do carro com raiva.

PATO: Droga! Droga! Droga! Seu idiota!

CENA 13. MANSÃO DO PATO. INT. DIA

MUSIC ON: (NEVER LET ME GO - ALOK, BRUNO MARTINI, ZEEBA)

Sequência de planos:

1. Diego arrumando o quarto em que Pato e a loira dormiram. Ele percebe no criado-mudo um preservativo intacto, na embalagem. Pega e fica a observar, na dúvida;

2. Paulinha e Caio na sala com sacos de lixo, vassoura, perdidos em meio a bagunça da festa;

3. Nanda passando um pano na bancada da cozinha, que já está um brinco. Ela conclui a tarefa e senta na cadeira, exausta.

NANDA: Poxa! Até que enfim!

TOCA o telefone fixo na parede e ela se assusta. Vai atender. MUSIC OFF.

NANDA: Alô?

HOMEM (V.O): Quem ta falando?

NANDA: Oi, Sr. Leonardo. Aqui quem fala é a Nanda.

LEONARDO (V.O): Nanda?

NANDA: Sim, a Fernanda. Amiga do Pato. Quer dizer, do Patrício.

LEONARDO (V.O): E o que a amiga do meu filho faz na minha casa?

NANDA: É que ele nos convidou pra ver um filme e acabamos passando a noite. Espero que o senhor não se importe.

LEONARDO (V.O): Tudo bem. Você pode chama-lo, por favor? Preciso falar com ele.

NANDA (tensa): Chamar o Patrício? É que, é que... Agora não vai da, sr. Leonardo. Ele deu uma saidinha. Foi à padaria comprar umas coisas pro café.

LEONARDO (V.O): Bom, então vou pedir que você passe o recado. Avise ao Patrício que só volto amanhã, os voos de hoje foram cancelados devido ao mau tempo.

NANDA: Pode deixar que aviso a ele sim.

LEONARDO (V.O): Obrigado.

Leonardo desliga na cara dela. Ela fica olhando pro aparelho, chateada.

NANDA: Que gentil!

Coloca o telefone no gancho e olha uma foto de Pato pregada na geladeira.

NANDA: O que não faço para livrar a sua barra, hein, Pato? Poderia muito bem te dedurar pro teu pai pra você aprender a não sair se deitando com qualquer vadia que aparece na sua frente! Sr. Leonardo ia adorar saber que você anda utilizando o conversível dele pra levar vadias pra casa. Seu ridículo!

Diego entra.

DIEGO: Tá maluca, garota? Falando sozinha!

NANDA: Você quer me matar de susto, Diego? Eu tava aqui pensando alto. Mania que tu tem de chegar de surpresa, eu hein.

E sai. Diego vai atrás. CAM segue os dois até que eles entram na SALA, onde Paulinha e Caio continuam a limpeza do lugar.

PAULINHA: Os dois folgados aí vão ficar só olhando ou vão ajudar?

NANDA: Nem vem que eu já fiz minha parte lá na cozinha.

DIEGO: Folgado mesmo é o Pato né, que se mandou e deixou a gente aqui pra arrumar a bagunça.

No momento em que Pato ENTRA, vindo da rua.

CAIO: Falando nele...

PATO: Qual é a parada, galera? Tavam falando de mim, é?

DIEGO (irônico): Enquanto leva a gatinha pra casa, os amigos ficam aqui arrumando sua sujeira né, seu folgado!

PATO: Sabe como é né. Comigo o serviço é bem feito, com direito a deixar na porta de casa. Além do mais a mãe dela não parava de ligar.

DIEGO: Ah é? Pois eu quero uma explicação.

Diego vai pegando Pato pelo braço pra longe dali. Eles cochicham.

PATO: Qual foi, cara?

DIEGO: Se a noite foi tão boa como tu disse. Como é que você explica isso aqui?

Diego tira a camisinha embalada do bolso da calça e mostra a Pato, sem que os outros percebam. Pato fica sem jeito.

DIEGO: Eu arrumei a bagunça toda lá no teu quarto e não achei nada, nenhum vestígio de camisinha usada, só essa aqui. Tu mentiu pra mim, moleque?

PATO (sério): Claro que... Claro que não, cara. Pow, a gente é amigo.

DIEGO: Então explique, porque esse pacote está fechado?

PATO (confuso): É que... olha, você sabe.

DIEGO: Sei, o que? Tu ta me enrolando, Pato. Eu te conheço rapaz, quando você faz esse rodeio e gagueja, é porque você tá em busca de uma desculpa. E pelo que eu vejo, a minha teoria não ta errada, não é?

Pato abaixa a cabeça.

DIEGO: É, Pato. Você continua aquele garoto virgem que passa a fama de pegador, mas eu quero propor uma aposta pra essa fama se tornar realidade.

Pato levanta a cabeça.

PATO: Tipo um trato?

DIEGO: É.

PATO: Fala aí.

DIEGO: Você não é o Pato pegador, garanhão do pedaço?

PATO: É o que todas dizem por aí.

DIEGO: Isso é o que nós vamos ver.

PATO: Fala logo qual é o trato, zé.

DIEGO: Tu vai seduzir a primeira mina que ver pela frente. Fazer ela se apaixonar, levar pra cama e depois vai dar o pé na bunda dela. E aí? Tá dentro?

Pato pensa por um instante. Abre um sorriso sacana.

PATO: Missão dada é missão cumprida, rapá!

DIEGO: Esse é meu garoto.

PATO: Não tão fácil, moleque. Tu vai ter que se igualar a mim, hein! Quem conseguir cumprir com trato primeiro, paga uma rodada de cerveja pro outro!

DIEGO: Demorou!

Pato e Diego fazem o cumprimento deles. Em seguida, Pato sai. Nanda aproxima-se de Pato.

NANDA: Olha só, Pato, seu pai ligou.

PATO: É? O que ele queria? Encher o meu saco?

NANDA: Pediu pra avisar que só volta amanhã de manhã.

PATO: Espera, espera, espera... REPETE que eu acho que não ouvi direito.

Ela revira os olhos.

NANDA: Seu pai só chega amanhã.

Ele comemora.

PATO: Essa era a melhor notícia que eu podia receber hoje. Merece até um beijo por isso, Nandinha!

Ele agarra Nanda pelos braços e a beija na testa. Ela gosta, mas disfarça.

PATO: E pra comemorar essa notícia, vamo de festa!

NANDA (chocada): O que?

PATO: É, Nanda. O velho só chega amanhã, vamo aproveitar, vamo curtir!

DIEGO (animado): To dentro!

NANDA: Mas, Pato. A gente acabou de limpar a bagunça.

PATO: E eu agradeço imensamente, assim, vamos poder receber nossos convidados num ambiente limpo.

NANDA (tom): Seu pai chega amanhã cedo.

CAIO: É, não vai dar pra limpar tudo a tempo.

PATO: Relaxa, galera! Relaxa que o mestre Pato aqui vai dar um jeito, como sempre. Por hora, só avisem geral que mais tarde tem! Bora comprar a cerveja, Diego!

DIEGO: Partiu!

PAULINHA: Vou junto.

Pato sai arrastando Diego. Paulinha vai atrás. Nanda e Caio observam com ar de reprovação.

CENA 14. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA

Takes da cidade e sua arquitetura histórica enquanto o dia vai passando.

CENA 15. MANSÃO DE PATO. EXT. NOITE.

PLANO GERAL da fachada da mansão. Barulho e luzes de festa vindos do interior da casa.

CENA 16. MANSÃO DE PATO. SALA. INT. NOITE.

MUSIC ON: (OPEN BAR – PABLO VITTAR)

Festa rolando, muitos jovens se divertindo ao som do DJ. Clima de azaração. Alguns bebendo, comendo, fumando. Pato sobe no sofá, com uma garrafa de vodka na mão e dança freneticamente, grita. Está muito bêbado. Paulinha surge por ali, puxa ele pela camisa. Fala ao ouvido, alto.

PAULINHA: Ce viu o Diego?

PATO: Não sei dele não. Deve tá por aí, Paulinha.

PAULINHA: Deve tá é aprontando, isso sim.

PATO: Relaxa, curte a festa! A vida é bela! (grita) Liberdade pra que te quero!!!

A galera vai ao delírio.

PAULINHA: Quer saber? Foda-se o Diego!

Paulinha pega a garrafa da mão de Pato e entorna. Os dois ficam ali se divertindo.

CENA 17. MANSÃO DO PATO. QUARTO. INT. NOITE.

Caio está sentado na cama, mãos no joelho. Alguém abre a porta de repente. CAM mostra um casal que tá se pegando.

CAIO: Ow, tem gente aqui viu?

O casal não se importa, continuam os amassos. Começam a se despir indo em direção a cama. Caio se levanta pra não ser atingido.

CAIO: Ei!

O rapaz joga a menina na cama. Olha pra Caio.

RAPAZ: Sai fora daqui!

E avança na menina.

CORTA:

CENA 18. CORREDOR. INT. NOITE

Caio sai do quarto e dá de cara com Nanda.

NANDA: Caio! Tava fazendo o que no quarto do Pato?

CAIO: Tentando ficar só.

NANDA: Ce também não é muito de festa né.

Caio faz um gesto afirmativo com a cabeça.

CAIO: Mas eu achei que você fosse!

NANDA: Eu gosto mais de tá com a galera do que das baladas propriamente ditas.

CAIO: Sei como é.

NANDA: Mas, então. Vai ficar aqui a noite toda?

CAIO: Seria pedir demais?

NANDA: Nossa, Caio. Tudo bem não curtir barulho, bebida, mas tá cheio de menina bonita lá em baixo. Não se anima?

CAIO: Eu sei. Mas, é que...

NANDA (constata): Você é gay.

Põe a mão na boca, chocada. CLOSE na tensão de Caio.

CAIO: Não ow. Não é isso. É que...

NANDA: É que...?

CAIO: Eu não sou muito de sair pegando todo mundo, como o Pato e o Diego, entende?

NANDA (terna): Anw que lindo, Caio. Você é romântico! Fofo!

Aperta as bochechas dele, que fica sem jeito.

CAIO: É. Acho que é isso.

NANDA: Legal da sua parte. Aliás, a menina que te conquistar terá muita sorte.

CAIO: Que me conquistar?

NANDA: É. Caras como você precisam ser conquistados. Não são como o Diego e o Pato que ficam dando em cima de todo mundo, contando vantagem. Garotos como você são cada vez mais raros, Caio.

Ele sorri, sem jeito. A música para de tocar. OUVE-SE um tumulto vindo do andar de baixo.

NANDA: Que barulho é esse?

CAIO: Parece briga!

Eles se entreolham e saem na pressa.

CENA 19. MANSÃO DO PATO. SALA. INT. NOITE.

Tumulto entre a galera. Paulinha está no chão tendo uma convulsão com todos a sua volta. Pato ao seu lado, desesperado.

PATO: Fala comigo, Paulinha! Vamo, garota, reage!

Nanda e Caio chegam.

NANDA: Paulinha!!!

CAIO: Afastem!!!

Caio começa a afastar as pessoas.

PATO: O que ta acontecendo com ela, Nanda?

NANDA: Ela tá tendo uma convulsão. (grita) Alguém chama uma ambulância, rápido!

CAIO: Não dá tempo, Nanda!

PATO: Eu levo ela.

NANDA: Você tá bêbado!

CAIO: Eu dirijo, mas vamo logo, galera.

Caio e Pato saem levando Paulinha, quase inconsciente. Nanda fica ali, preocupada, passa as mãos pela cabeça. Diego aparece.

DIEGO: Que que houve, Nanda?

NANDA: A Paulinha bebeu demais. Passou mal, não sei direito. O Pato e o Caio levaram ela pro hospital.

DIEGO: Droga. Vou ver se pego eles lá fora.

Diego sai apressado. Nanda senta no sofá, tentando ficar calma. A música volta a tocar como se nada tivesse acontecido. As pessoas voltam a se divertir. MUSIC OFF.

CENA 20. HOSPITAL. EXT. NOITE

O carro de Pato canta o pneu parando em frente ao hospital local.

CENA 21. HOSPITAL. RECEPÇÃO. INT. NOITE

Caio e Diego carregam Paulinha. Pato vem mais atrás, meio cambaleante.

CAIO (grita): Por favor, alguém ajuda aqui!

Alguns enfermeiros se apressam com uma maca. Colocam Paulinha em cima dela. O médico de plantão aparece. Os auxiliares levam a maca com Paulinha.

MÉDICO: O que houve?

PATO (tonto): Ela tava, ela...

DIEGO: Pato, senta ali!

E conduz o amigo às cadeiras de espera.

CAIO: Ela bebeu muito e passou mal. Que que ta acontecendo com ela, doutor?

MÉDICO: Vamos examiná-la, ao que tudo indica excedeu o nível de álcool no organismo. Faremos o possível. Contate os pais dela urgente.

O médico se retira. Caio olha pra Diego e Pato sentados nas cadeiras de espera.

CAIO: E agora?

DIEGO (a Pato): Você deu bebida pra ela, cara?

PATO: Até parece que ela não bebe.

DIEGO (bravo): Você sabe que ela é fraca.

PATO: Qual é, Diego? Tá me culpando pelo que aconteceu?

DIEGO: Se a Paulinha morrer a culpa é sua sim.

PATO: Ela bebeu porque tu deu um perdido nela, cara! Pra variar devia tá com uma vagaba qualquer por aí. Se alguém tem culpa nisso é você!

CAIO: Parem vocês dois! Isso aqui é um hospital e a Paulinha tá muito mal lá dentro. Não é hora de ficar achando culpados.

DIEGO: Tem razão.

PATO: Foi mal.

Os ânimos se acalmam.

CENA 22. MANSÃO DE PATO. SALA. INT. NOITE

Festa continua rolando. Nanda ainda sentada no sofá. TOCA a campainha. Ela vai atender, desviando das pessoas que se divertem no local. Ao abrir a porta, dá de cara com dois policiais, um homem e uma mulher.

NANDA: Ferrou.

Os policiais vão entrando na casa. O DJ percebe e Nanda faz sinal pra ele parar a música. A galera não gosta.

POLICIAL MASCULINO: Recebemos uma denúncia de que está tendo uma festa com som alto e adolescentes bebendo. E pelo visto a denúncia procede.

Na tensão de Nanda.

POLICIAL FEMININA: Onde está o responsável pela casa?

NANDA: Eles viajaram.

POLICIAL: Quer dizer então que não há um responsável por essa algazarra?

Uma garota tenta sair de fininho.

POLICIAL FEMININO: Parada aí, mocinha. Ninguém sai!

A menina para feito estátua, visivelmente assustada.

CENA 23. HOSPITAL. SALA DE ESPERA. NOITE

Diego, Caio e Pato sentados nas cadeiras de espera. TOCA um celular e Pato atende.

PATO: Fala aí, criatura.

NANDA (V.O/nervosa): Pato, você não vai acreditar.

PATO: O que houve?

NANDA (V.O): A polícia bateu aqui.

PATO (desconfiado): Bateu é? E aí?

NANDA (V.O): Eu não sei, parece que os vizinhos deduraram a gente. Se eles pedirem nossas identidades vão saber que todo mundo aqui é menor, tem bebida, tem droga, a gente tá ferrado, Pato! Vem pra cá, faz alguma coisa!

Pato segura a risada com o desespero da outra.

PATO: Isso não vai dar nada, relaxa, Nandinha.

Pato desliga e ri descontroladamente. Caio e Diego estranham a reação.

DIEGO: Tá rindo do que ô, palhaço?

Ele continua rindo.

DIEGO: Cara, tu tá muito bêbado.

Pato segura nos ombros de Diego.

PATO: A gente precisa voltar pra festa.

CAIO: E deixar a Paulinha sozinha aqui? O médico disse pra gente ligar pros pais dela.

Vira-se para Caio e agora segura os ombros dele.

PATO: Faz isso. Aproveita e espera eles chegarem. A Paulinha vai sair dessa. Eu e o Diego ‘tamo’ indo!

CAIO: Mas vocês não estão em condições de dirigir.

DIEGO (a Caio): Deixa comigo.

Pato sai arrastando Diego pra fora do hospital. Caio pega o celular, fica olhando.

CAIO: Será que eu ligo?

CENA 24. MANSÃO DE PATO. SALA. INT. NOITE

Tensão entre os convidados com a chegada dos policiais.

NANDA: O que que vai acontecer com a gente?

Os policiais se entreolham. O cara grita.

POLICIAL: Vocês terão a melhor festa de todos os tempos!

Os dois policiais arrancam suas roupas ficando apenas de roupa íntimas. A galera vai a loucura.

NANDA (chocada): Mas o que que é isso?

CLOSE em Nanda, horrorizada com o que vê.

CENA 25. CARRO DE PATO. INT. NOITE

Pato continua rindo sob o olhar de reprovação de Diego, que dirige.

DIEGO: Qual é, Pato? Vai ficar rindo sem dizer do que?

PATO: Cara, tu precisava ver o estado da Nanda.

DIEGO: A Nanda? Que foi? Ela bebeu?

PATO: A coitada tava apavorada.

DIEGO: Então era preocupação com a Paulinha? Mas isso é motivo pra tu ta rindo?

PATO: A polícia baixou lá em casa.

DIEGO: Como é que é? To entendendo é mais nada. A polícia baixa na tua casa e tu aí, rindo. Já pensou quando teu pai chegar, moleque?

PATO: A polícia são dois streepers que contratei pra animar a festa, cara. Geral pensou que ia em cana! Tá todo mundo cagando de medo por lá.

Diego entende. Olha pro amigo e ri também.

DIEGO: Cara, tu é muito mito!

Eles fazem o cumprimento pessoal dos dois.

PATO: Agora mete o pé. Vamo logo antes que a gente perca toda a diversão.

DIEGO: Espera, espera.

PATO: Que foi? Tá com medinho de multa?

DIEGO: Só não esqueça da nossa aposta!

PATO: Tô ligado. Agora mete o pé, cara, senão a gente vai perder toda a diversão.

CORTA PARA:

CENA 26. RUA. EXT. NOITE

O carro em que Pato e Diego estão acelera.

PLANO GERAL da cena mostra o veículo a toda velocidade se aproximando de um semáforo. CAM detalha o sinal passando do sinal verde para o amarelo. O carro não reduz. Sinal fecha.

PATO: Vamos, Diego. Acelera esse carro.

CAM detalha o velocímetro do carro subindo. Pato e Diego sorriem. Ao ultrapassarem o sinal, o carro em que os dois estão COLIDE bruscamente com outro que vinha no sentido contrário.

CENA 27. HOSPITAL. SALA DE ESPERA. INT. NOITE

Caio anda de um lado para o outro. Uma mulher (38 anos), loira, cabelos longos e um homem (40 anos), loiro, cabelo curto, entram. Caio os reconhece.

CAIO: Dona Mirtes?

A mulher encara Caio, sem saber de quem se trata.

CAIO: Eu que liguei pra vocês. Sou amigo da Paulinha.

MIRTES (ríspida): Como está minha filha?

CAIO: O médico não apareceu mais pra dar notícias.

MIRTES: O que aconteceu, afinal?

CAIO: Estávamos reunidos na casa de um amigo, quando começaram a beber e ela passou dos limites.

HOMEM: Essa menina é uma inconsequente! Veja só onde as atitudes impensadas dela a levaram.

MIRTES: Não é hora nem lugar pra esse tipo de conversa, Rubens.

RUBENS: A culpa é sua, Mirtes. Isso que dá ficar alimentando os caprichos dessa delinquentezinha.

MIRTES: Olha o jeito que você fala da sua própria filha.

RUBENS: Precisamos impor mais limites a essa garota. Dessa vez foi problema com álcool, daqui a pouco vai estar envolvida com droga pesada.

Caio fica ali, constrangido. O médico se aproxima deles.

MÉDICO: Vocês são os pais de Paula Trindade?

MIRTES: Sim, doutor. Como está nossa filha?

MÉDICO: Ela chegou num estado bem crítico com um nível de álcool muito alto no corpo. Foi preciso colocá-la imediatamente no soro com adicional de glicose intravenosa.

CAIO: Dá pro senhor falar em Português?

MIRTES: Qual o real estado de saúde da Paula, doutor?

CLOSE no médico que encara Caio, Mirtes e Rubens.

CENA 28. RUA. EXT. NOITE

Sai fumaça do carro em que Pato e Diego estavam. O veículo está com a lateral amassada. A porta se abre e Diego sai de dentro. Ele dá a volta.

DIEGO: Pato? Ta tudo bem, cara?

Ele vê o amigo desacordado.

DIEGO: Pato? Acorda, cara.

Ele vira o rosto de Pato, está sangrando.

DIEGO: Merda!

Pato vai acordando.

PATO: Que que houve?

DIEGO (aliviado): Nossa! Que susto tu me deu, moleque. Ainda bem que ta vivo.

PATO (saindo do carro): Meu pai vai me matar.

MULHER (O.S): Imagina só quando a conta do meu mecânico chegar na sua casa.

Eles se viram e se deparam com uma mulher (28 anos) alta, morena com um vestido decotado.

MULHER: Que foi? Vocês avançaram o sinal, vão ter que arcar com meu prejuízo.

DIEGO: Por você eu arco qualquer ‘prejú’, belezinha.

PATO (a Diego): E com que dinheiro, posso saber?

MULHER: A mim não interessa como, e sim quando. Ou preferem que eu ligue pro departamento de trânsito? Quantos anos vocês têm?

PATO: Não, não precisa se preocupar. Eu vou pagar o conserto do seu carro, tá tranquilo. Não precisa ligar pra ninguém.

MULHER: Foi o que eu pensei. Me dá seu celular.

Pato procura nos bolsos.

DIEGO: Não prefere o meu, não?

A mulher revira os olhos. Pato entrega o aparelho a ela. Diego cochicha no ouvido do outro.

DIEGO: Se liga: é ela.

PATO: O que?

DIEGO: A garota que tu vai ter que levar pra cama.

PATO: Que? Essa gostosa nunca vai me dá condição.

DIEGO: Se vira, moleque. Ou é isso, ou todo mundo vai saber o ‘virjão’ que tu é.

Pato respira fundo.

 
     

CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO:

     
 

CENA. RUA. EXT. NOITE

MULHER: Aqui! (devolve o celular) E eu acho bom você realmente me ligar. Meu namorado é policial.

DIEGO (ri): Ce tá ferrado!

Ela vai voltando pro carro.

PATO: Ei!

Ela se vira.

PATO: Não tá afim de uma festa?

MULHER: Festa?

PATO: É. Tá rolando uma na minha mansão, bebidinha, música boa, gente bonita. Pra desfazer a má impressão, sem maldade.

...

CENA. MANSÃO DE PATO. SALA DE ESTAR. INT. NOITE

NANDA: Pato! Até que enfim vocês apareceram, como é que tá a Paulinha? (percebe Amanda) Quem é essa pu... Essa garota?

PATO: Essa aqui é a Amanda.

Elas trocam um sorriso falso.

NANDA: E a Paulinha?

PATO: A gente deixou ela lá com o Caio.

NANDA: Mas ela tá bem?

DIEGO: Vai ficar tudo bem, Nanda. Quando a gente saiu de lá o Caio tava ligando pros pais dela.

NANDA (mais tranquila): Menos mal. Gente, e o que são esses policias?

Pato ri.

PATO: Gostou, Nanda? Surpresas do papai aqui. Pelo visto geral curtiu, olha isso!

CAM mostra os convidados assediando os streepers.

NANDA: Eu vou ligar pro Caio.

Nanda vai indo em direção a porta.

DIEGO: Vou pegar uma cerveja.

PATO: Vou junto. Quer também, Amanda?

AMANDA: Claro.

Os dois se afastam. Amanda fica ali dançando, atenta a casa.

AMANDA: Hoje é meu dia de sorte. O patinho vai cair nas garras da raposa vermelha. (ri)

CAM vai buscar Pato e Diego num canto da casa.

DIEGO: Que risinho maroto é esse, cara?

PATO: Já sei quem tu vai traçar.

DIEGO: Vê lá hein.

PATO: A Nanda.

DIEGO: O que?

 
     

NÃO PERCA NESTE SÁBADO O 2º CAPÍTULO DE ESTAÇÕES DA VIDA

     
 

CENA. MANSÃO DO PATO. SALA. INT. NOITE

Pato e Amanda dançam de maneira sensual. Nanda ENTRA e observa. Não gosta. Diego chega junto.

DIEGO: E aí, Nandinha? Bora dançar?

Nanda encara Pato e Amanda. Olha pra Diego.

NANDA: Claro, vamo dançar!

Ela puxa Diego pra perto de onde estão Pato e Amanda. Os dois casais ficam ali se curtindo.

AMANDA: Até que você dança bem.

PATO: Espera só até você provar do meu beijo.

Pato agarra Amanda e lhe dá um beijo caloroso.

 
     

 

     

autores
GABO OLSEN
DIOGO DE CASTRO


colaboração
IGOR FEIJÃO

elenco
NICOLAS PRATTES como PATO
ALICE WEGMANN como NANDA
JOSÉ VICTOR PIRES como DIEGO
LETÍCIA NAVAS como PAULINHA
JOÃO VITHOR OLIVEIRA como CAIO
LARISSA MANOELA como LUA
ERIBERTO LEÃO como LEONARDO
TALITA CASTRO como KÁTIA
JUAN ALBA como HEITOR
CAROLINA FERRAZ como SELMA
ÂNGELA LEAL como NANÁ
JANDIR FERRARI como MARCELO
ÂNGELA DIP como ESTELA
DALTON VIGH como RUBENS
LUCIANA VENDRAMINI como MIRTES
FILIPE BRAGANÇA como GREGO
LUCAS COTRIM como DJ
RAISSA CHADDAD como LARISSA
NICHOLAS TORRES como RICARDO
HESLAINE VIEIRA como ANDRÉIA
GABRIEL SANTANA como ISMAEL
CARLA FIORONI como JULIANA
MARCELLO AIROLDI como ARNALDO
VERA ZIMMERMANN como LÚCIA
SANDRA PÊRA como VANICE
WAGNER SANTISTEBAN como ALFREDO
MARISOL RIBEIRO como MILENA
JIDDÚ PINHEIRO como RAMIRO


trilha sonora
SIPPIN' ON SUNSHINE - AVRIL LAVIGNE (ABERTURA)
NEVER LET ME GO - ALOK, BRUNO MARTINI, ZEEBA
OPEN BAR - PABLO VITTAR


produção

CRISTINA RAVELA


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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Proibida a cópia ou a reprodução
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