The Circus - 3x06



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CENA 1. ACADEMIA MISS LAVEAU. CAMPUS. EXTERIOR. DIA.

Maureen, Allegra e Ashley sentadas na beira de um chafariz, que fica a frente de um dos prédios da Academia.

ASHLEY – Fico tão feliz em saber que vocês duas fizeram as pazes. O clima estava se tornando insuportável. Sabe, estava difícil pra mim, afinal sou amiga de ambas.

MAUREEN – É, digamos que eu percebi que o motivo que brigamos nem foi tão grave assim. Estou tentando começar do zero.

ALLEGRA – (SORRI) Nós duas estamos tentando.

ASHLEY – Assim é bem melhor. (SUSPIRA, ALIVIADA) Somos uma família novamente. (PARA ALLEGRA) Vai trocar de quarto?

ALLEGRA – (CONFIRMA) Sim, volto hoje a tarde.

MAUREEN – (PENSATIVA) O campus soa tão calmo apesar de tudo.

ALLEGRA – Eu só temo por causa da Lynn. Eu quero dizer, ela me procurou para se unir e destruir a Maureen. Quando souber que fizemos as pazes, ela vai querer me destruir também.

MAUREEN – Aquela vadia não me assusta. Se o esporte preferido dela é aterrorizar as pessoas, não posso fazer nada. Você tem coisas mais perigosas pra se preocupar.

E se ouve três sons de toques de celular. As três meninas se olham e retiram seus aparelhos de dentro das bolsas.

ASHLEY – (OLHA NA TELA) Número privado.

ALLEGRA – (MOSTRA SEU CELULAR) Coincidência?

MAUREEN – (LÊ NA TELA) O ato final se aproxima... Espero que estejam preparadas.

ALLEGRA – (COMPLEMENTA) Não vão ter quem as defenda dessa vez.

Ashley arruma o cabelo e olha ao redor do campus. As estudantes da Academia caminham de um lado pro outro.

ASHLEY – (CALMA) É... Acho que é a hora de mais alguém morrer.

CENA 2. ACADEMIA MISS LAVEAU. PRÉDIO. BANHEIRO FEMININO. INTERIOR. DIA.

Trudie entra no banheiro e coloca sua bolsa em cima da pia. Ela abre a bolsa e pega um estojo de maquiagem. Bastante tranquila. Trudie retira seu batom do estojo e começa a se maquiar.

TRUDIE – (SE OLHA NO ESPELHO) Maravilhosa. (LIMPA OS CANTOS DA BOCA) Sexy sem ser vulgar.

E ela ouve um barulho de algo batendo dentro de uma das cabines. Trudie olha pelo espelho, mas não vê nada nem ninguém debaixo das portas.

TRUDIE – Deve ser o vento.

Trudie guarda o batom, põe o estojo na bolsa e se prepara para sair do banheiro, mas ouve novamente o barulho vindo de uma das cabines.

TRUDIE – (ESTRANHA) Certo, agora eu realmente fiquei assustada. (CHAMA) Tem alguém aqui além de mim?

Corta para dois pés descendo do vaso sanitário de uma das cabines. Trudie se aproxima devagar da segunda cabine e, com as mãos trêmulas, encosta na maçaneta.

TRUDIE – (SE AFASTA) Não! Idiota!  Você não está num filme de terror! Se você fizer isso, provavelmente irá morrer! É assim que realmente acontece. Se você fugir... ele pode não te matar. (PENSA) O que eu estou falando?

Trudie vai em direção a porta do sanitário, mas se vira, mordendo os lábios.

TRUDIE – (CURIOSA) Talvez valha a pena.

E Trudie vai novamente até a segunda cabine. Ela encosta e gira a maçaneta. Porém, quando abre a porta, dá um berro de horror ao encontrar o palhaço assassino aguardando por ela com uma faca de cozinha. Com o susto, ela cai no chão e tampa os olhos, mas o palhaço retira a máscara e se revela ser Lynn!

TRUDIE – (ASSUSTADA) Por favor, não me mate, eu não mereço morrer! Eu só até loira falsa!

LYNN – (SE DIVERTE) Sou eu, sua imbecil!

TRUDIE – (ABRE OS OLHOS) Lynn?

LYNN – (ERGUE A MÃO) Levanta daí.

Trudie se segura em Lynn e se levanta, ainda impressionada.

TRUDIE – O que você está fazendo? Não me diga que você é o assassino?

LYNN – (MOSTRA A MÁSCARA A ELA) Não, tonta! Eu só estava tentando te pregar uma peça.

TRUDIE – (DÁ UM PASSO PRA TRÁS) E tirou essa máscara da onde?

LYNN – Eu comprei num brechó perto daqui. Não precisa ter medo de mim. Se eu te quisesse morta, você provavelmente já estaria.

Lynn joga a máscara de palhaço dentro do lixo e arruma o cabelo no espelho.

TRUDIE – E qual a moral da história? Apenas me assustar?

LYNN – Isso foi apenas um teste do que eu estou perto de fazer com Maureen Prescott. (SORRI) Eu vou te explicar, mas fora daqui. Ande, vamos.

Lynn puxa Trudie pelo braço e elas saem do banheiro. A câmera foca em uma terceira pessoa, usando preto, saindo da terceira cabine. A pessoa se aproxima da lata de lixo e pega a máscara de palhaço. A pessoa misteriosa põe a máscara no rosto e se vira para o espelho. Close na criatura de preto com a máscara de palhaço se observando. FADE OUT.

 
 
     
 
     
   

3x06 - DEIXE ELA ENTRAR
 
     

CENA 3. APARTAMENTO DE CATHERINE. SALA. INTERIOR. DIA.

Catherine abre a porta e entra trazendo Dewey apoiado em seu ombro. Dewey caminha com dificuldade e Catherine o coloca sentado no sofá. Ainda machucado, ele se deita e põe um travesseiro atrás da cabeça.

DEWEY – Assim está bem melhor.

CATHERINE – Está tudo bem? Você está se sentindo normal?

DEWEY – Estou sim, obrigado Catherine. Obrigado por me deixar ficar na sua casa.

CATHERINE – (CONCORDA) É melhor que assim eu posso cuidar de você direitinho.

DEWEY – Eu soube sobre o Duke. Sinto muito.

CATHERINE – (BAIXA A CABEÇA) É, eu também. Ele era um ótimo profissional e amigo, apesar de ter me abandonado uma vez. Vou sentir saudades.

DEWEY – Você precisa pará-lo, e imediatamente.

CATHERINE – Como? Só se eu tiver uma bola de cristal para saber quando irá atacar. (SE SENTA) Eu estou me sentindo impotente, Dewey. Eu desconfiava demais do Duke.

DEWEY – (SURPRESO) De ele ser o palhaço?

CATHERINE – É claro, é um suspeito perfeito. Ele nunca estava perto quando os crimes aconteciam. Pra mim, ele podia ser perfeitamente o assassino. Pena que essa teoria acabou falhando.

DEWEY – Você é terrível...

CATHERINE – A policial Judy vai ficar fazendo a sua segurança aqui na porta. Eu achei melhor assim, ele já voltou pra tentar te matar no hospital, pode fazer o mesmo agora.

DEWEY – E se ela for a assassina?

CATHERINE – (SE LEVANTA) Aí, meu querido... (PAUSA) Boa sorte.

CENA 4. ACADEMIA MISS LAVEAU. PRÉDIO. CORREDOR. INTERIOR. DIA.

Lynn e Trudie caminham enquanto conversam.

LYNN – Você entendeu tudo, não Trudie? Nada por sair errado essa noite.

TRUDIE – Entendi sim, fica tranquila. Como que você teve essa ideia?

LYNN – Não sei, apenas tive. (SORRI) Mal posso esperar pra ver a cara das vadias quando isso acontecer.

TRUDIE – Você ouviu que Allegra fez as pazes com a Maureen?

LYNN – É, eu soube. Pelo visto a Allegra é uma moça de coragem, pois mexeu com a mulher errada. Uma pena, vai terminar como as outras duas.

TRUDIE - Estou tão ansiosa para esta noite.

LYNN – Também estou. Vamos nos divertir um pouco, melhorar o clima dessa universidade. Quando o sol cair, o palhaço vai surgir.

E Lynn cai na risada. Câmera acompanha os pés das duas caminhando pelo corredor do prédio.

CENA 5. APARTAMENTO DE CATHERINE. SALA. INTERIOR. NOITE.

Dewey de pé, na ponta da janela, olhando lá fora. Catherine vem da cozinha e espanta ao vê-lo ali.

CATHERINE – Dewey, o que está fazendo? (PÕE AS MÃOS NA CINTURA) O médico disse que você precisa de repouso.

DEWEY – Eu estava vendo se estava tudo tranquilo. Não sei, mas parece que tive a sensação de que algo ruim vá acontecer.

CATHERINE – Só o que me faltava, seu incidente acabou te deixando paranoico e com poderes sensitivos.

DEWEY – (SÉRIO) Eu estou falando sério.

CATHERINE – (VAI ATÉ ELE) Eu também. Por favor, descanse. Quanto o mais rápido que você se curar, melhor.

DEWEY – (IRRITADO) Ok!

Com dificuldade, ele caminha até o sofá e se senta. Catherine ajeita uma almofada nas costas dele.

CATHERINE – Confortável?

DEWEY – Jesus, você parece minha esposa.

CATHERINE – Mas eu sou, pelo menos ainda, esqueceu?

CENA 6. ACADEMIQA MISS LAVEAU. DORMITÓRIO. INTERIOR. NOITE.

Maureen e Ashley sentadas no sofá assistindo televisão. Allegra se senta ao lado delas com uma bacia de pipocas.

MAUREEN – Então Ashley, o que você baixou pra gente assistir?

ASHLEY – (SE LEVANTA) Invocação do Mal, já ouviram falar? Tim me disse que trata-se de possessões demoníacas. (VIBRA) Amo esse tipo de filme.

ALLEGRA – Ah não Ashley, terror não, por favor, custa baixar algum romance?

ASHLEY – Não curto romances, prefiro os que tem muito sangue.

MAUREEN – (FAZ CARA DE NOJO) Você nunca foi tão estranha assim Ashley. Mas, por favor, ponha logo o maldito filme. E passe a pipoca Allegra.

Ashley vai até o aparelho de DVD. Allegra dá bacia a Maureen, que enche a boca de pipocas. Ashley põe o filme e se senta ao lado das duas.

ASHLEY – Posso dar play?

Antes que alguém responda, o celular de Maureen começa a tocar.

MAUREEN – Deve ser Catherine dando notícias de Dewey, aguardem um segundo.

Maureen se levanta e pega o celular em cima da sua cama. Ela atende.

MAUREEN – Sim?

VOZ – (EM OFF) Boa noite, Maureen.

MAUREEN – (ESTRANHA) Quem é?

VOZ – (EM OFF) Não está reconhecendo minha voz? Somos amigos por tanto tempo.

Maureen olha para Allegra e Ashley sem entender.

VOZ – (EM OFF) Vamos lá Maureen, chute, tente adivinhar quem sou eu. Já brincamos disso tantas vazes. Vamos relembrar a pergunta: você quer morrer essa noite?

MAUREEN – (SE IRRITA) Olha aqui engraçadinho, se o seu objetivo é me assustar, saiba que deu errado. Não tenho medo se trotes.

VOZ – (EM OFF) Como está o filme?

MAUREEN – (SE SURPREENDE) Filme?

ASHLEY – Como ele sabe que estamos assistindo um filme?

VOZ – (EM OFF) Invocação do Mal? Me parece bom. Porém o filme que eu pretendo fazer é muito mais sangrento. E nele, você é a primeira a morrer!

MAUREEN – (FICA NERVOSA) Como sabe disso, seu filho da puta?

VOZ – (EM OFF) Por que eu estou dentro do closet.

Maureen olha para o closet, trêmula. Ashley e Allegra se levantam e se aproximam dela.

ALLEGRA – O que ele disse? (ASSUSTADA) Fala Maureen!

MAUREEN – (NO TELEFONE) É mentira, você está fazendo isso pra me assustar.

VOZ – (EM OFF) Aposte para ver. Abra a porta, Maureen, veja o que se esconde atrás delas.

E Maureen deixa o telefone cair. Ela se aproxima do closet e segura a maçaneta.

ALLEGRA – Não faça isso Maureen!

MAUREEN – (TRÊMULA) Eu preciso.

Ashley pega o celular do chão e põe no ouvido.

ASHLEY – (TELEFONE) Quem está aí?

CENA 7. ACADEMIA MISS LAVEAU. DORMITÓRIO 2. INTERIOR. NOITE.

Trudie deitada em sua cama segurando o telefone celular com uma mão. Com a outra, ela aproxima um modulador vocal de sua boca.

TRUDIE – (FALA AO TELEFONE) Abra o closet, Maureen... Abra se você tem coragem.

Trudie afasta o celular e dá risadas abafadas.

CENA 8. ACADEMIA MISS LAVEAU. DORMITÓRIO. INTERIOR. NOITE.

Maureen abre a porta do closet, mas não encontra nada lá além de roupas. Ela se vira para Ashley e Allegra e pega o celular da mão da primeira.

MAUREEN – (TELEFONE) Mentiroso.

CENA 9. ACADEMIA MISS LAVEAU. DORMITÓRIO 2. INTERIOR. NOITE.

Trudie larga o modulador e se levanta com o telefone no ouvido, possessa.

TRUDIE – (ALTO) O que?

E o palhaço salta do closet da própria Trudie, que se vira assustada, mas joga o celular na cama.

TRUDIE – (MÃOS NA CINTURA) Você está maluca Lynn? O combinado era que você estaria no outro quarto, vadia! Tire essa máscara!

Quando Trudie vai avançar na máscara do palhaço, ele ergue um facão de cozinha e atravessa o utensílio pela mão de Trudie, que dá um grito de dor e se afasta, derrubando todas as coisas.

TRUDIE – (SEGURA A MÃO) Não pode ser... (SENTE DOR) Não...

E Trudie bate com as costas na porta. O palhaço ergue o facão e vai até ela, pressionando seu pescoço. Trudie arregala os olhos, sem conseguir gritar. O palhaço perfura a barriga da garota com o facão e pressiona fundo. Trudie abre a boca, afônica, e começa a cuspir sangue. O palhaço se afasta de Trudie. Ela caminha até mais a frente do quarto e cai de costas no chão, com a faca na barriga. O palhaço se abaixa e tira a faca do corpo de Trudie.

CENA 10. ACADEMIA MISS LAVEAU. DORMITÓRIO. INTERIOR. NOITE.

Maureen, Ashley e Allegra na olhando para dentro do armário. Logo, iniciam-se diversos gritos femininos e muita conversa. As três se viram, assustadas.

ASHLEY – Aconteceu alguma coisa.

CENA 11. ACADEMIA MISS LAVEAU. DORMITÓRIOS. CORREDOR. INTERIOR. NOITE.

Maureen, Ashley e Allegra saem de seu quarto assustadas e vêem um grupo de meninas reunidas na porta do quarto da frente, chocadas.

MAUREEN – Saiam da frente.

Maureen empurra algumas delas e consegue chegar até a porta do quarto. Câmera revela o corpo de Trudie pendurado por uma corda no pescoço e ensanguentado. Maureen põe as duas mãos na boca, sem acreditar. Ashley e Allegra aparecem ao lado dela e arregalam os olhos.

ASHLEY – Merda...

CLOSE no rosto pálido e assustado de Trudie.

CENA 12. DELEGACIA DE NOVA ORLEANS. SALA DE DEPOIMENTOS. INTERIOR. NOITE.

Maureen, Ashley, Allegra e Lynn sentadas em quatro cadeiras na frente de Catherine, em pé, andando de um lado para o outro.

CATHERINE – Garotas, eu preciso que vocês me expliquem o que aconteceu essa noite.

LYNN – Não sabia que devíamos dar explicações a uma jornalista.

CATHERINE – Eu estou ajudando o xerife na investigação, ele permitiu que eu falasse com vocês. Mas vamos começar contigo, Lynn. Me conte o que aconteceu. Qual era a brincadeira que você e Trudie armaram contra a Maureen?

ASHLEY – (SUSSURRA) Isso soa tão ensino médio...

LYNN - (NERVOSA) Era apenas uma brincadeira, ok? É assim que eu e Trudie nos divertimos.

MAUREEN – Humilhando pessoas?

LYNN – (CONCORDA) Sim.

CATHERINE – Maureen, deixe-a falar.

LYNN – Eu... Eu e Trudie combinamos de assustar as meninas, essa é a verdade. Eu comprei uma fantasia de palhaço. E o combinado era que eu ficaria dentro do armário delas e Trudie faria a ligação do nosso quarto. Quando Maureen abrisse as portas, eu sairia de lá e ela levaria o susto. Era isso, apenas isso. Eu jamais poderia imaginar que Trudie terminaria morta.

CATHERINE – E onde você estava? O armário de Maureen estava vazio, não havia ninguém lá. O palhaço estava dentro do armário da própria Trudie, esperando para mata-la.

LYNN – Eu recebi um telefonema da minha mãe, minha avó adoeceu e precisei ir vê-la. Infelizmente não pude dizer isso a Trudie para cancelar a brincadeira.

CATHERINE – Usar a mãe como álibi é bastante previsível, Lynn. Você é uma suspeita.

LYNN – (PASMA) Como? Eu? Suspeita? Eu jamais mataria a Trudie, ela era a minha melhor amiga.

CATHERINE – Se ela fosse sua melhor amiga, você estaria chorando por ela. (PAUSA) Mas vamos seguir em frente, acho que finalmente posso falar a vocês quatro de algo que a polícia já sabe a alguns dias.

ASHLEY – Sobre a investigação?

CATHERINE – (CONCORDA) Sim. Nós sabemos a motivação do assassino. Sabemos o por que ele está matando as alunas da Academia.

ALLEGRA – E qual é?

CATHERINE – As virgens. Todas as meninas assassinadas eram virgens.

LYNN – (PENSA) Bom, pelo que eu saiba Trudie realmente era virgem.

MAUREEN – Virgens? Isso é tão psicótico Catherine. Por que nunca disse antes? Todas poderiam estar pensando em se defender.

ALLEGRA – Mas eu também fui atacada e não sou virgem. Como explica isso?

ASHLEY – Pelo que sabemos você perdeu sua virgindade com o Rex a dois dias atrás, logo, depois de ter sido atacada.

ALLEGRA – Então deixar de ser virgem te tira da lista de possíveis mortas?

ASHLEY – (SE LEVANTA) Espere um minuto. Catherine, você quer dizer que eu vou morrer primeiro que elas? (APONTA PARA AS MENINAS) Afinal, eu ainda sou virgem!

CATHERINE – (PENSA) É...

LYNN – (BAIXO) Virgens, é? Eu tive uma ideia...

CENA 13. ACADEMIA MISS LAVEAU. DORMITÓRIO. INTERIOR. NOITE.

Maureen tira algumas roupas de dentro do armário e as coloca dentro de uma mala. Na cama ao lado, Allegra terminar de fechar a sua mala. Ashley entra no dormitório.

ASHLEY – Estão prontas? O táxi está lá embaixo nos esperando.

ALLEGRA – (PÕE A MALA NO CHÃO) Sim, já vamos descer.

MAUREEN – Vocês realmente pensam que isso é necessário? Abandonar a Academia?

ASHLEY – Não podemos continuar aqui, não mais. Ele conseguiu entrar mesmo com todos aqueles policiais na fora, é muito perigoso Maureen.

ALLEGRA – E pra onde vamos?

ASHLEY – É melhor não falarmos aqui. Vocês sabem as paredes da Academia podem ter ouvidos. Agora vamos.

Lynn aparece na porta do quarto, segurando três papéis rosa amarrados com fita roxa.

LYNN – (SURPRESA) Meninas, estão indo viajar?

MAUREEN – (PEGA SUA MALA) Estamos fazendo o que você tanto quis, que é partir.

LYNN – Ótimo, fico feliz.

ASHLEY – Então se fica feliz dê licença que o táxi nos espera lá embaixo.

LYNN – Esperem, antes de ir eu queria fazer um convite a vocês. Um convite especial.

Lynn entrega os três papéis para elas, que estranham.

MAUREEN – O que é isso?

LYNN – Um convite para uma festa que eu pretendo dar no celeiro da fazenda da minha família, pertinho daqui, hoje a noite.

ALLEGRA – Como consegue pensar em festa sendo que a sua amiga foi morta horas trás?

LYNN – (SORRI) Mas esse é o ponto. Não que iremos celebrar a morte da Trudie, mas depois da informação que recebemos ontem da polícia, eu decidi organizar uma festa da virgindade.

ASHLEY – (COMEÇA A RIR) Festa do que?

LYNN – Festa da virgindade. Todas as meninas da Academia foram convidadas, inclusive os rapazes da Fraternidade. O objetivo é fazer com que todas as imaculadas percam o hímen. Logo, não mais virgens, elas saem da mira do palhaço.

MAUREEN – (JOGA O CONVITE LONGE) Você é doente.

LYNN – É uma ideia adorável, e acho que vocês devem comparecer.

ASHLEY – (PENSA) Não é uma má ideia...

MAUREEN – (REPREENDE) Ash!

ASHLEY – (RÁPIDA) Gente! Talvez seja a oportunidade perfeita para que eu e Tim tenhamos nossa primeira noite, assim eu evito de ser morta.

LYNN – É isso mesmo. Pensem no assunto. Quando não restarem mais virgens, o palhaço vai sumir.

Lynn joga um beijo para elas e sai do quarto animada. Allegra se vira para as duas.

ALLEGRA – Nós iremos nessa besteira de festa?

MAUREEN – (PEGA O CONVITE DE ASHLEY) Pensando melhor...

CENA 14. NOVA ORLEANS. STOCK SHOTS. EXTERIOR. NOITE.

Noite em Nova Orleans. Plano geral dos arranha-céus da cidade.

CENA 15. APARTAMENTO DE CATHERINE. SALA. INTERIOR. NOITE.

Catherine sai de seu quarto colocando um casaco de couro. Ela caminha até a mesa de centro e pega sua bolsa. Dewey, que estava dormindo no sofá, se acorda.

DEWEY – Catherine?

CATHERINE – (RESPIRA) Boa noite.

DEWEY – (SE SENTA) Onde você vai a essa hora da noite?

CATHERINE – Descobrir a verdade.

DEWEY – (NÃO ENTENDE) Que?

CATHERINE – As meninas da Academia estão organizando uma festa para essa noite onde todas elas vão poder perder a virgindade e sair da “mira” do assassino. E eu, claro, quero estar lá.

DEWEY – Não! Você não vai! Pode ser perigoso!

CATHERINE – Mas essa é a melhor coisa, ser perigoso. Essa menina Lynn... Ela é muito esperta. Se ela não for o assassino, fez essa festa por que sabe que ele estará lá. É a oportunidade de pegá-lo.

DEWEY – Eu te imploro Catherine, ligue pro Paul, deixe isso com a polícia, mas caia o fora desse terror! Não viu o que aconteceu comigo?

CATHERINE – Tarde demais, querido, eu não vou perder essa oportunidade. E estou levando a minha câmera. Uma festa com todas as virgenzinhas da Academia? É uma verdadeira isca. O assassino estará lá para limpar o salão.

DEWEY – Catherine/...

CATHERINE – (POR CIMA) E você não saia daqui.

Catherine o beija na bochecha e sai de casa. CLOSE em Dewey, preocupado.

CENA 16. FAZENDA DE LYNN. CELEIRO. EXTERIOR. NOITE.

Sonoplastia: Custom Car Crash - Calla. O carro de Maureen estaciona na frente do celeiro, junto dos outros carros, e ela, Ashley e Allegra descem, usando vestidos curtos e rostos maquiados. As três observam o grande local, com muitas adolescentes entrando e saindo com bebidas, e caminham em direção a porta.

ASHLEY – A única coisa que eu invejo da Lynn é o dinheiro. A família é muito rica. Eu queria ter uma fazenda igual a essa.

MAUREEN – Você acha que essa fazenda é dela? É história, acredite em mim. Aquela lá faz o que pode pra se sobressair.

ALLEGRA – Eu estou com medo.

Ashley puxa o vestido de Allegra pra cima, deixando-a envergonhada.

ASHLEY – Preocupe-se com seu vestido, que está caindo.

MAUREEN – Você não deve temer, Allegra, essa é a nossa chance. A nossa única chance de descobrir quem ele é.

ALLEGRA – E você acha que ele estará aqui? No meio da festa?

MAUREEN – Provavelmente.

ALLEGRA – É muito arriscado. Trata-se de uma pessoa perigosa, o que acha que vamos fazer se encontrarmos? Simplesmente tirar-lhe a máscara e ligar pra polícia?

MAUREEN – Parece que precisamos de um plano...

ASHLEY – Precisamos? Vocês precisam. Eu não vou embarcar com vocês nessa viagem atrás de um maluco mascarado. Eu vim para perder a virgindade e é isso que farei.

MAUREEN – Eu esperava que você realmente dissesse isso.

ASHLEY – (OLHA NO RELÓGIO) Bom, eu tenho que ir. Tim está me esperando num quarto lá em cima. Me desejem sorte! E gente se vê mais tarde, espero não terminar a noite morta.

Ashley dá risada e entra no celeiro. Allegra e Maureen se olham, sem ter o que dizer.

MAUREEN – Vamos dar uma volta por aí, checar como andam as coisas.

Allegra concorda e elas saem caminhando pelas meninas que estão do lado de fora.

CENA 17. FAZENDA DE LYNN. CELEIRO. SEGUNDO ANDAR. INTERIOR. NOITE.

P.V. de uma pessoa posicionando uma câmera em cima de uma pilha de feno. Câmera mostra que a pessoa é Catherine. Catherine liga a câmera e se afasta, tensa. Ela está numa área acima do celeiro, com caixas fechadas e feno. Catherine observa a movimentação da festa do lado de cima.

CATHERINE – Perfeito. Se esse cara atacar, eu vou saber.

Catherine olha pros lados e sai do local por uma porta.

CENA 18. FAZENDA DE LYNN. CELEIRO. INTERIOR. NOITE.

Sonoplastia: Hades - SonicC. Maureen e Allegra entram na festa. Um DJ agita o público num pequeno púlpito no centro do celeiro. Maureen e Allegra caminham pelas meninas e rapazes e chegam até um balcão, servem dois copos com alguma bebida. Maureen faz sinal para Allegra e elas ficam observando ao redor, para ver se não encontram alguma coisa. Maureen vê Rex mais longe, dançando com duas meninas, e também acompanhado de Mickey. Rex vê Maureen e fica paralisado.

REX – (PARA AS MENINAS) Dá licença.

Rex se afasta e vai caminhando até Maureen, mas Mickey o impede, segurando-o pelo braço.

MICKEY – Não faça isso.

REX – Me solta Mick, eu preciso conversar com ela. Não posso continuar desse jeito.

MICKEY – Não é o momento Rex, você vai fazer besteira. Dá um tempo pra ela.

CLOSE em Rex.

CENA 19. FAZENDA DE LYNN. CELEIRO. FRENTE. EXTERIOR. NOITE,

Câmera foca no carro de Catherine estacionado afastado do celeiro, perto de uma árvore. Corta para dentro do veículo. Catherine está sentada no banco do motorista, vendo as imagens das câmeras que instalou no celeiro por um painel.

CATHERINE – Me sinto como se fosse alguma Pantera. Eu adorava aquele filme, gostaria de ter escrito. (PENSA) Será que algum dia escreverei algum filme? Nem é uma má ideia... (FAZ UMA VOZ GROSSA) Massacre em Endless Town, baseado no livro de Catherine Mayer-Riley. (PAUSA) Não, somente Mayer. Será que a Courteney Cox aceitaria viver o meu papel? Eu digo, tem que ser uma artista bastante famosa e talentosa, afinal é um papel bastante dramático e com diversas nuances.

Catherine boceja e encosta a cabeça no apoio do banco.

CATHERINE – O Massacre na Academia. Eu já preciso começar a escrever isso. O público deve estar tremendo pela continuação do meu livro.

Catherine passa os olhos no painel e vê três de suas câmeras ligadas, porém com a imagem escura.

CATHERINE – (ESTRANHA) Mas que merda é essa...

CENA 20. FAZENDA DE LYNN. CELEIRO. QUARTO. INTERIOR. NOITE.

Câmera abre em pés masculinos em cima de uma cama. Corta para Tim apenas de cuecas, deitado na cama, de olhos vendados. Ashley entra pela porta apenas de camisola, esfregando as mãos no corpo.

ASHLEY – Você está pronto, bebezão? Pronto para desbravar a minha grutinha do amor?

TIM – (ANSIOSO) Deita aqui do meu lado, deita, vem aqui que eu quero te mostrar uma coisa.

Ashley fica de quatro sobre a cama e vai se arrastando até em cima de Tim, ficando sentada em cima dele.

ASHLEY – E o que você quer me mostrar? Hum?

Tim surpreende Ashley e a empurra contra a cama subindo em cima dela. Ashley dá risadas e tira a fenda do rosto dele.

TIM – (SAFADO) A minha ferramenta!

ASHLEY – (DÁ RISADA) A sua ferramenta?

Ashley afasta Tim e se senta na cama, dando muita risada.

ASHLEY - Tim será que dava para ter continuado a minha brincadeira? “Mostrar a ferramenta”? Assim fica difícil perder a virgindade.

TIM – (ALISA O CABELO DELA) Por que se encucar dessa forma, hum meu amor? Você sempre me disse que queria transar pela primeira vez quando se sentisse pronta.

ASHLEY – Eu tenho muito medo de morrer Tim. Com esse cara matando as virgens, eu fiquei desesperada. E confio em você. Eu estou pronta agora.

TIM – Então o que acha de continuarmos nossa pequena brincadeira?

ASHLEY – Você promete ser delicado comigo?

TIM – (NO OUVIDO DELA) O mais delicado possível.

Tim começa a beijar o pescoço de Ashley. Ela fecha os olhos e morde os lábios, sentindo prazer. Ele segue beijando o rosto dela e toca-lhe os lábios. Tim e Ashley se deitam na cama e ele fica sobre ela, beijando-a.

CENA 21. FAZENDA DE LYNN. CELEIRO. FRENTE. EXTERIOR. NOITE.

O carro de Dewey estaciona próximo a festa. O ex-policial desce e caminha com dificuldade, procurando alguém. Dewey olha em volta e vê o carro de Catherine estacionado perto. Ele caminha até o carro, mas o encontra vazio, com os vidros abertos.

DEWEY – Merda!

Dewey vê o painel com as imagens câmeras e uma delas, que estava apagada, é religada e filma o rosto de Catherine. Close em Dewey surpreso.

CENA 22. FAZENDA DE LYNN. CELEIRO. SEGUNDO ANDAR. INTERIOR. NOITE.

Catherine posiciona a câmera em cima de uma caixa e se certifica de que ela está realmente ligada.

CATHERINE – Pronto... Assim é melhor.

Câmera mostra em segundo plano o palhaço assassino saindo detrás de uma pilha de feno e andando devagar até Catherine, de costas pra ele, segurando um facão.

CENA 23. FAZENDA DE LYNN. CELEIRO. FRENTE. EXTERIOR. NOITE.

Dewey observando as câmeras de dentro do carro de Catherine. Ele vê que o palhaço está se aproximando dela pelas costas e entra em desespero.

DEWEY – (NERVOSO) Meu Deus...

Dewey tenta pegar o celular do bolso, mas treme as mãos e deixa ele cair no chão. O palhaço se aproxima cada vez mais de Catherine.

DEWEY – (GRITA) Catherine! Atrás de você!

Dewey puxa uma arma da cintura, verifica as balas e sai correndo, mesmo com dificuldade, até a festa.

CENA 24. FAZENDA DE LYNN. CELEIRO. SEGUNDO ANDAR. INTERIOR. NOITE.

Catherine termina de posicionar a câmera e dá dois passos para trás. Em câmera lenta, o palhaço coloca sua mão no ombro de Catherine. Close no rosto surpreso de Catherine. A Ação volta ao normal.

CATHERINE – Maureen?

Catherine se vira e vê o palhaço assassino segurando um facão contra ela. Catherine dá um grito de horror e o palhaço avança com a faca. FADE OUT. SOBEM OS CRÉDITOS.

 

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