New Stages - 2x15



2x15
 
 
 

VOZ DE JOSH – Anteriormente em New Stages...

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AUSTIN – ...Josh, quer saber, eu não estou aqui pra fazer papel de palhaço.
 
JOSH – Austin, você que está querendo agir como um. Eu já te disse que nem estava pensando no Ryan e você insiste em não acreditar em mim. Eu não quero que o mesmo que aconteceu entre eu e o Ryan volte a acontecer com a gente.
 
AUSTIN – Eu é que não quero ficar com um cara só para substituir o antigo, Josh. Eu não sou um estepe, ok? Um estepe que você encontra em qualquer canto e o usa apenas para preencher o espaço que o outro deixou.
 
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Matt segura ainda mais forte a mão de Keith. Ele, impulsivamente, vai aproximando seu rosto ao da garota.
 
MATT – Esquece que estamos em um elevador... Apenas respire fundo... Vamos nos focar em nós... (aproximando seus lábios aos de Keith) Em nós.
 
E, sem pensar duas vezes, o garoto beija Keith calorosamente. A princípio, ela se assusta, mas após alguns instantes acaba o retribuindo.
 
...
 
KEITH – (olha para Matt) Escuta aqui, garoto, a Chelsea não pode nem sonhar com o que acabou de acontecer aqui, está me ouvindo?
 
MATT – Que bobagem!
 
KEITH – Bom, tenta a sorte... Abre a boca e eu te procuro, seja onde você estiver, e te capo! Eu te capo!

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Josh caminha lentamente pelo corredor em direção ao dormitório de Ryan. Assim que chega ao seu destino, percebe que a porta está entreaberta. O garoto decide espiar. Close em sua reação surpresa ao ver Ryan deitado em cima de Evan, o beijando calorosamente.
 
...
 
RYAN – (grita) Josh, você queria que eu fizesse o que? Te esperasse a vida toda? Continuasse sozinho com as minhas lembranças passadas enquanto você se divertia com o seu namoradinho-filho-de-diretor? Se você pode seguir com a sua vida, eu também posso seguir com a minha...
 
JOSH – (surpreso com a atitude do garoto) Ryan...
 
RYAN – (se afastando de Josh) Foi ótimo que você tenha me flagrado com o Evan, porque agora temos mais nada para esconder um do outro.
 
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CENA 01.

(música: Shake Up Christmas - Train)

É Natal em San Francisco. O episódio é iniciado com imagens dos principais pontos turísticos locais devidamente decorados para a época natalina. A cidade está repleta de luzes pisca-pisca, árvores enfeitadas e coloridas, pessoas que se movimentam apressadamente carregando sacolas de presentes, enfim, a verdadeira magia do Natal acompanhada do corre-corre tradicional de fim de ano. As imagens são exibidas até chegarmos à fachada da Universidade da Califórnia. Amanhece. Ouvimos a sineta da escola. A imagem corta rapidamente para:

CENA 02. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. CAMPUS. CORREDOR DAS SALAS DE AULAS. INT. DIA.

(Música continua.)

Chelsea e Keith checam os seus resultados das provas finais. Elas percorrem com o dedo no papel disposto no mural do corredor até encontrarem seus respectivos nomes.

(Música cessa.)

CHELSEA – (eufórica) Não acredito! Eu fui a aluna que tirou a maior nota na apresentação trimestral da aula de drama.

KEITH – (olha para Chelsea) Amiga, era de se esperar, né... Você nasceu para ser atriz!

CHELSEA – (sorri) E as suas notas, como estão?

KEITH – (demonstrando um pouco de descontentamento) É, dá para engoli-las...

CHELSEA – Bom, pelo menos eu fui bem em todas as provas finais... É um peso a menos para eu me preocupar.

KEITH – Falando em preocupações... Tem tido notícias sobre os seus pais?

CHELSEA – (começa a andar) Não, eu não tenho falado direito com eles desde o jantar de ação de graças. E também decidi que não vou mais esquentar a minha cabeça por causa deles. Meus pais nunca se preocuparam comigo. Não vejo motivo para me preocupar com eles.

KEITH – (andando ao lado da garota) Chelsea, mas são seus pais, querendo ou não, você vai estar sempre vinculada a eles... Sem falar que o Natal está chegando, você passará uma semana dividindo o mesmo teto que eles.

CHELSEA – É aí que você se engana! Eu resolvi ter um feriado inteiramente dedicado a mim. Não vou para a casa dos meus pais e não vou me envolver nos problemas dos dois. Se eles querem continuar com essa história de divórcio, podem continuar... Eu estou fora!

KEITH – E vai passar o Natal aonde? (debocha) Não vá me dizer que vai ficar presa nesta universidade, estudando em pleno feriado...

CHELSEA – E por que não? Tenho que manter os meus bons resultados quando as aulas voltarem após o feriado. (sorri)

KEITH – Nada disso! Já que você ficará aqui na universidade, então eu vou te fazer companhia. (tira o celular do bolso) Vou ligar para os meus pais e cancelar o meu feriado com eles.

CHELSEA – Keith, você não pode fazer isso! (tira o sorriso do rosto) Eu agradeço a sua preocupação, mas os Hurly são diferentes dos Harris. Você não pode deixar os seus pais na mão...

KEITH – Os Hurly tinham programado uma viagem para este Natal. Pensando bem, vai ser até bom eu dizer que ficarei por aqui, assim meus pais podem ter um feriado a dois.

CHELSEA – Bom... Tudo pelo sossego dos seus pais! (sorri) Obrigada por estar fazendo isso por mim.

KEITH – E digo mais... Vamos fazer uma ceia de Natal para todas as pessoas que ficarem aqui na universidade. Não é possível que só a gente prefira ficar trancada em um campus ao invés de curtir o feriado em família...

Keith avista Josh vindo em direção a elas.

KEITH – Bom... Vamos fazer o nosso primeiro convite!

JOSH – (aproximando-se das garotas) Oi, meninas! Já viram seus resultados?

KEITH – Sim. (aponta para Chelsea) A Rainha do Drama aqui tirou a nota máxima em seu curso de artes cênicas...

JOSH – (olha para Chelsea) Parabéns! (sorri) Eu estou indo ver as minhas notas agora...

CHELSEA – (sorri) Boa sorte, Josh!

KEITH – Josh, você já decidiu para onde vai neste Natal?

JOSH – Provavelmente eu vou passar o feriado com a minha mãe. Não era exatamente esse o meu plano, mas é que algumas coisas aconteceram recentemente e tive que optar por outra alternativa.

KEITH – Hm... O que você acha de passar o Natal aqui com a gente? Vamos dar uma ceia exclusiva para todos os estudantes que passarem o feriado na universidade. Não quer fazer parte?

JOSH – (sorri) Até que é uma boa ideia... Mas antes de aceitar o convite, preciso falar com a dona Marta. Ela vai ficar louca quando souber que estou furando com ela.

KEITH – Enfim, qualquer coisa nos avise... Temos que permitir que o espírito natalino invada essa universidade. (olha para a Chelsea) Esse lugar frio, sombrio, repleto de alunos nerds, anti-sociais e assustadores precisa da magia do Natal.

Chelsea e Josh riem.

 
 
     
 
     


2x15 - FELIZ NATAL?
 
     

CENA 03. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. CAMPUS. ALOJAMENTO. CORREDOR DOS DORMITÓRIOS. INT. DIA.

Josh anda pelo corredor com destino ao dormitório de Austin. Chegando lá, o garoto bate na porta, mas não é atendido.

JOSH – (batendo novamente na porta) Vamos lá, Austin! Atenda! Eu te procurei pela universidade inteira, sei que está aí. Você não poderá continuar fugindo de mim pelo resto do ano...

Josh bate insistentemente na porta, porém, sem resultado.

JOSH – Bom, você que sabe! Ficarei plantado aqui até você decidir me atender. Uma hora você terá que ir ao banheiro, não é mesmo? Daí, poderá falar comigo...

Nisso, ouvimos o barulho da maçaneta sendo tocada. Josh se desencosta da porta. Austin a abre e se apoia no batente.

JOSH – Parece que meu plano funcionou...

AUSTIN – O que você está fazendo aqui, Josh? Não sei se você notou, mas eu estou tentando te dar um gelo...

JOSH – (sorri) É Natal, Austin! Época de esquecermos todos os ressentimentos passados e perdoar o próximo. (pausa) Ok, é uma época onde as pessoas são bastante falsas, mas somos nós... (olha sério para Austin) Somos eu e você. Eu preciso que você me dê uma segunda chance!

(música: All I Want For Christmas Is You - Michael Bublé)

AUSTIN – Josh, eu não posso voltar contigo só porque é Natal... O feriado vai passar, as coisas vão voltar a ser como eram antes e você vai continuar apaixonado pelo Ryan. É algo que nunca vai mudar...

JOSH – Eu não sou apaixonado pelo Ryan, Austin... O que eu preciso fazer para você entender isso?

AUSTIN – Você já fez algo para eu entender que é, Josh... Você me chamou pelo nome dele enquanto transávamos.

JOSH – Foi impulsivo. Eu não estava em um momento racional... (segura o braço de Austin) Eu nunca brincaria com os seus sentimentos. Se eu estava com você, é porque a minha intenção era a melhor possível.

AUSTIN – Josh, talvez o melhor a fazer agora seja a gente dar um tempo. Precisamos pensar sobre isso, esfriar a cabeça e ver o que é melhor para nós dois.

JOSH – Ok, mas pelo menos atenda as minhas ligações... Ou abra a porta para mim! É um gesto bastante educado. (sorri) Eu vou te dar esse tempo. Eu sei que eu errei e entendo perfeitamente a sua situação. Mas eu não vou desistir... Saiba disso!

AUSTIN – Ótimo. Conversamos depois então. (ameaça fechar a porta)

JOSH – (colocando a mão na frente) Espera! (pausa) Eu vim aqui porque eu tenho um convite para te fazer... A Chelsea e a Keith vão dar uma ceia de Natal aqui na universidade. Eu pensei que a gente pudesse passar a virada juntos.

AUSTIN – É disso que eu estou falando, Josh! Nós precisamos dar um tempo, ok? Passar o Natal juntos não vai colaborar com a nossa atual situação... Além do mais, eu já prometi para os meus pais que iria para a casa.

JOSH – (sorri) Lembra que tínhamos feito um plano de passar esse Natal juntos?

AUSTIN – Lembro... Mas as coisas estão em constante transição, Josh. Eu não quero me machucar mais do que já estou. (coloca a mão na maçaneta) Tenha um bom feriado... Aqui, ao lado dos seus amigos... A gente se fala quando as aulas voltarem.

JOSH – (tira o sorriso do rosto) Ok.

Austin ameaça fechar a porta novamente, mas Josh o barra.

JOSH – Só não esqueça de uma coisa, Austin... Eu posso ter dito o nome do Ryan naquele dia, mas ele está no passado. Você é o que importa pra mim agora... E eu te amo. Sinceramente, eu te amo!

Austin balança a cabeça positivamente e fecha a porta. Close em Josh, decepcionado.

JOSH – (para si mesmo) Tenha um bom feriado você também, Austin...

Josh anda pelo corredor em passos lentos.

CENA 04. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. CAMPUS. ALOJAMENTO. REFEITÓRIO. INT. DIA.

(Música cessa.)

Chelsea entra vestindo duas luvas de borracha nas mãos e carregando vários pratos plásticos nelas. As portas do elevador se abrem e Keith entra com várias sacolas em mãos.

KEITH – (respirando ofegante) Se eu soubesse que fazer compras na véspera de Natal fosse essa loucura, eu nem tinha colocado os pés para fora dessa universidade. (sorri) Mas comprei tudo o que precisamos...

CHELSEA – E eu já enxaguei os pratinhos na pia do banheiro...

KEITH – (olha chocada para Chelsea) Não acredito que vamos comer em pratos descartáveis, Chelsea... Eu poderia ter pegado alguns emprestados com a minha mãe.

CHELSEA – Temos que nos virar com o que temos, Keith. E o mais importante de tudo é comida. (sorri) E pelo o que parece, isso temos de sobra. Você trouxe o peru?

KEITH – Sim, mas o vendedor me disse que os melhores já haviam sido encomendados. Mas como você mesma disse, temos que nos virar com o que temos, e esse foi o frango de última hora que consegui.

CHELSEA – (pegando a sacola das mãos de Keith) Frango? (corrigindo) É peru, Keith... Peru!

KEITH – Peru, frango, galinha, é tudo da mesma família... Todos têm penas, não têm?

CHELSEA – (ri e coloca a sacola na mesa) Enquanto eu preparo as batatas assadas, por favor, vá temperando o peru. Temos que adiantá-lo logo, porque daqui a pouco cai a noite e não podemos correr o risco de servir um peru cru.

KEITH – (se aproxima da mesa e tira o peru da sacola) Ainda bem que conseguimos um forno elétrico com um dos estudantes, hein? Senão definitivamente serviríamos um frango cru...

Keith olha para o peru e fica o encarando, bastante enojada. Ela tenta aproximar suas mãos da pele do animal, mas rapidamente as afasta.

CHELSEA – (para de cortar as batatas e olha para a Keith) O que você está fazendo?

KEITH – Eu é que me pergunto o que eu estou fazendo... Olhe para esse animal, Chelsea. Eu não posso simplesmente tocá-lo.

CHELSEA – Keith, o peru está morto. Ele não vai te bicar.

KEITH – (toca no peru ainda com nojo) Eu nunca preparei um peru em toda a minha vida. Eu achei que viria para a universidade para ser conselheira residente, não uma temperadora de frangos pelados.

Keith começa a jogar o peru sobre a mesa.

KEITH – É assim que o prepara?

Chelsea balança a cabeça inconformada e coloca as batatas sobre a mesa.

CHELSEA – Ok, vamos inverter os papeis... Você cuida das batatas e eu me viro com o frango... Digo, peru! (olha feio para a Keith) Você me deixa confusa, Keith!

Keith deixa o peru sobre a mesa e caminha até o outro lado para cortar as batatas.

CHELSEA – (pega o peru) Até parece que você nunca tocou em um peru, Keith... (ri)

KEITH – (ri e olha feio para a amiga) Chelsea! (fica encarando a garota) Ao contrário de você, que parece manuseá-lo muito bem.

As amigas riem, enquanto continuam preparando o jantar.

CENA 05.

(música: A Holly Jolly Christmas - Lady Antebellum)

Tomada da cidade de San Francisco com imagens dos principais pontos turísticos locais e suas decorações natalinas.

Anoitece. A imagem corta para a fachada da Universidade da Califórnia.

CENA 06. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. CAMPUS. ALOJAMENTO. REFEITÓRIO. INT. NOITE.

(Música continua.)

Chelsea e Keith, muito bem vestidas, estão colocando as comidas que prepararam sobre a mesa. Alguns estudantes começam a chegar ao local. Entre eles, está Josh, que vai cumprimentar as duas garotas. Vemos que Ryan e Evan também chegam, conversando e trocando algumas risadas. Josh nota e se sente incomodado.

(Música cessa.)

RYAN – (se aproximando de Chelsea e Keith) Olá, meninas... (mostra Evan) Este aqui é o Evan... (olha para o garoto) Um grande amigo meu! (sorri maliciosamente para ele e depois volta a olhar para as garotas) Espero que vocês não se importem por eu tê-lo trazido.

KEITH – Claro que não, Ryan, nós estamos sediando uma ceia aqui na universidade. Todos os estudantes que resolveram ficar são muito bem-vindos. (sorri) Independente de opção sexual.

Chelsea dá um tapa leve em Keith, para alertá-la sobre o que ela falou.

RYAN – (rindo) Tudo bem, Chelsea...

EVAN – (cumprimentando Chelsea e Keith) Muito prazer em conhecê-las, meninas!

CHELSEA – O prazer é todo nosso! (sorri)

KEITH – (também bate em Ryan) Você é um garoto de bom gosto, hein? (referindo-se a Evan) Queria que um desse caísse em minha horta...

CHELSEA – (para Evan) Não ligue para o que a Keith diz... Ela não sabe segurar a sua língua.

Ryan e Evan se entreolham e riem, sem graças.

JOSH – (olhando para Ryan e Evan) Olá, Ryan. Olá, Evan. (para o segundo garoto) Muito prazer em conhecê-lo também, cara!

RYAN – (sorri) Oi, Josh. (para Evan) Esse é o Josh... Aquele cara que eu te falei!

KEITH – (sussurra para Chelsea) Aquele cara...

EVAN – (olha para Josh) Finalmente pude te conhecer... O prazer é meu!

JOSH – Então quer dizer que o Ryan falou sobre mim para você? Espero que tenha falado bem...

Josh e Ryan se entreolham, incomodados. A imagem corta rapidamente para a entrada do refeitório. Matt entra ajeitando o seu paletó. Keith, involuntariamente, percebe a chegada do garoto, mas desvia o olhar para que ele não note que ela está o vendo.

KEITH – (em pensamento) Espero que esse garoto se controle!

CHELSEA – (começa a falar alto) Bom, acho que todos que resolveram ficar na universidade estão aqui. Então não vejo motivos para continuar atrasando o nosso jantar. Se aproximem da mesa, porque eu tenho algo a dizer! (sorri)

Todos os jovens presentes se juntam a mesa e se sentam nas cadeiras. Chelsea se aproxima da ponta e fica de pé, enquanto todos os outros já estão acomodados.

CHELSEA – Eu realmente não sou boa com discursos, mas acho que é essencial encaixar um aqui. (sorri) Não tenho muito que dizer, eu só quero agradecer a todos que deixaram de ir para suas casas e aproveitar o Natal em família e vieram aqui celebrar a ceia de Natal ao meu lado e ao lado da Keith.

Close em Keith, que sorri para a amiga.

CHELSEA – (deixa uma lágrima rolar sobre o seu rosto) Eu nunca tive uma família presente... Na verdade, meus pais sempre pensaram em negócios e status social, mas nunca pensaram em mim. Eu acredito ter vindo ao mundo acidentalmente, em meio a discussões sobre o faturamento da empresa do meu pai e qual cardápio minha mãe deveria servir em mais um de seus jantares sociais. Ao longo da minha vida, eu sempre me queixei disso. “O que eu fiz de errado para meus pais não perceberem que eu preciso estar incluída na vida deles?”. Hoje, eu vejo que, apesar de não ter tido uma família biológica perfeita, eu criei a minha própria família durante toda a minha infância e adolescência... E são muitas pessoas que surgiram de repente na minha vida e, num piscar de olhos, passaram a fazer parte dela...

Chelsea olha para Josh e sorri gentilmente. O garoto retribui.

CHELSEA – Então, eu sou muito grata a todos vocês por estarem dividindo esse momento comigo. Eu e a Keith passamos o dia preparando esse jantar para vocês. Não é grande coisa, mas tudo que está aqui foi feito com muito carinho. Queremos que se divirtam e tenham uma boa passagem de Natal. Porque o que importa na vida é isso, não é? É quem está ao nosso lado... E eu agradeço por vocês estarem ao meu lado. Por vocês serem a minha família!

Chelsea deixa outra lágrima rolar sobre o seu rosto. Todos os jovens presentes se levantam e começam a aplaudir a garota.

CHELSEA – (limpando a lágrima) Muito obrigada! (pausa) Mas agora vamos deixar esse papo emotivo de lado e ir ao que interessa: a comida! Podem começar a se servir. Bom apeti...

E antes que Chelsea conclua o que iria dizer, as luzes do refeitório se apagam. Assustados com o blecaute inesperado, os alunos da universidade se mantém em silêncio constante.

Atenção: não vemos nenhum personagem. O blecaute deixa a tela inteiramente preta.

KEITH – (voz) Ok! Não criemos pânico! Pelo o que parece, um blecaute acabou de acontecer...

MATT – (voz, irônico) Não me diga, Keith!

CHELSEA – (voz) Eu não acredito que isso foi ocorrer justo agora...

De repente, ouvimos algumas cadeiras caindo pelo local. Keith dá alguns gritos de dor, sugerindo que ela está tentando se locomover pelo refeitório.

KEITH – (voz) Eu não sei como farei isso, mas com muito custo, vou tentar ir até o dormitório buscar algumas velas... Não podemos deixar que esse bleucate interrompa a nossa ceia, não é mesmo?

Todos os jovens começam a conversar ao mesmo tempo. A imagem corta rapidamente para:

CENA 07. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. CAMPUS. ALOJAMENTO. DORMITÓRIO DE CHELSEA E KEITH. INT. NOITE.

A tela ainda está escura. Repentinamente, vemos uma chama ser acesa, iluminando o local consideravelmente. Keith está ajoelhada no chão, de frente a um criado-mudo, com uma vela em mãos. Ela se levanta ainda de costas.

KEITH – (para si mesma) Nada que não se possa resolver...

De repente, duas mãos anônimas encostam os braços da garota. Keith, assustada, começa a gritar. Uma das mãos é levada até a boca de Keith, impedindo que ela grite. A câmera revela Matt.

MATT – (sussurrando) Psiu! Ou você quer que alguém venha até aqui? (tirando a mão da boca da Keith)

KEITH – Que susto, Matt! Por um momento eu pensei que esse blecaute tivesse sido armado acidentalmente e eu estivesse sendo vítima de um sequestro.

MATT – (ri) Que bobagem! Eu vi que você veio para o dormitório e resolvi te acompanhar. O que você acha de passarmos um tempinho aqui, sozinhos, no escuro, sem ninguém para nos atrapalhar?

(música: Merry Christmas Baby - Colbie Caillat ft. Brad Paisley)

KEITH – Matt, nem ouse a repetir o que você acabou de dizer, senão eu meto essa vela na sua fuça. Não vai ser legal uma queimadura aparecer no seu rosto em plena véspera de Natal. (sorri debochadamente)

MATT – (entrelaça seus braços na cintura de Keith) Vamos, gatinha! Eu estou com saudades da sua boca. Desde aquele dia em que ficamos presos no elevador, eu não consegui parar de pensar um minuto sequer em você...

KEITH – Mas que abuso é esse? Você parece estar brincando com a sorte, Matt. E olha que quem brinca com o fogo, acaba se queimando. (aponta a vela para ele) Literalmente! Me solte agora e trate de esquecer aquele dia no elevador. Eu já te disse que a Chelsea não pode nem sonhar com o que aconteceu entre a gente...

MATT – O que a Chelsea tem a ver com isso, Keith?

KEITH – Eu já te disse sobre a história do pacto...

MATT – Escuta, Keith... Há muito tempo, eu venho tentando conquistar uma garota que faz questão de me menosprezar em toda oportunidade que surge. Agora que eu encontrei uma menina legal, engraçada e divertida como você, eu não vou desistir... Aquele beijo foi algo instintivo, mas significou muito pra mim...

Close em Keith, comovida com as palavras de Matt.

MATT – E eu quero repeti-lo.

E, sem pensar duas vezes, Matt beija Keith apaixonadamente. A câmera dá um giro de 360º nos garotos, enquanto eles se beijam, parando na porta do dormitório. Repentinamente, surge Chelsea, que acaba se deparando com a situação.

(Música cessa num baque.)

CHELSEA – (chocada) Eu posso saber o que está acontecendo aqui?

CENA 08. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. CAMPUS. ALOJAMENTO. REFEITÓRIO. INT. NOITE.

(música: Last Christmas - Taylor Swift) 

Agora, o refeitório está iluminado por algumas velas, trazidas por outros estudantes. Ryan leva uma para Josh.

RYAN – (entregando a vela para Josh) Eu fui até o meu dormitório buscar algumas... Achei que você também fosse precisar.

JOSH – (sorri) Obrigado... (pausa) Posso saber por que resolveu passar o Natal aqui na universidade?

RYAN – Sei lá, mesmo minha mãe tendo aceitado a minha opção sexual, acho que ainda estou com vergonha de olhar para a cara dela. Sem falar que pareceu uma boa oportunidade para eu ficar com Evan... As coisas estão rolando bem entre a gente.

JOSH – (sorri) Que bom! Eu fico feliz por você!

RYAN – Desculpa a curiosidade, mas e o Austin? Por que ele não está aqui? Não vá me dizer que vocês dois ainda não se acertaram?

JOSH – Ainda não, mas eu tenho esperanças que sim. Ele me pediu um tempo, eu estou respeitando o espaço dele. E ele está respeitando o meu indo passar o feriado com a família. (pausa) Decidi ficar porque não quero explicar sobre o rompimento para a minha mãe... Ainda não tô com cabeça pra isso!

RYAN – Entendi... (fica encarando o local) Será que vai demorar muito para as luzes voltarem?

JOSH – Parece que o zelador foi passar a ceia de Natal com a sua família... Talvez demore um pouco para a energia se estabilizar novamente.

RYAN – Bom... Enquanto isso ficamos no escuro. Iluminados pela luz das velas. (saindo) Até logo, Josh!

JOSH – (para si mesmo) Até logo, Ryan...

Close no garoto, demonstrando ainda estar bastante incomodado com a felicidade de Ryan.

CENA 09. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. CAMPUS. ALOJAMENTO. DORMITÓRIO DE CHELSEA E KEITH. INT. NOITE.

(Música cessa.)

Continuação imediata da sétima cena deste episódio. Chelsea olha atônita para Keith e Matt, que estão sem reação.

CHELSEA – Alguém pode me dizer o que está acontecendo aqui? Ou devo chamar o resto do pessoal para continuar a ceia aqui no dormitório enquanto vocês dão continuidade ao show?

KEITH – Não é nada disso que você está pensando, Chelsea...

MATT – (olha para Keith) Ah, claro, isso resolve bem a situação...

KEITH – (grita com Matt) Cala a boca, seu babaca!!! Você não acha que já fez muito estrago por aqui?

MATT – A única coisa que eu fiz foi te dar um beijo. E você parece ter gostado muito...

KEITH – Matt, muito ajuda quem não atrapalha...

MATT – Ok, então estou me retirando daqui... Qualquer coisa, me chamem!

Matt sai do dormitório.

KEITH – (gritando para que o garoto ouça) Isso mesmo, seu covarde! Fuja! É o melhor que um garoto covarde como você sabe fazer, né?

CHELSEA – Acho que o que aconteceu aqui se restringe a nós duas, Keith. (balança a cabeça negativamente) Eu não acredito que você jogou o nosso pacto no lixo...

KEITH – Chelsea, eu sei muito bem como funciona o pacto. Eu estava lá no dia em que resolvemos fechá-lo. (realça) Nada de uma se envolver com os pretendentes da outra. E pelo o que eu saiba, não existia nada entre você e o Matt...

CHELSEA – Não existia, mas poderia existir. Afinal, durante todo esse tempo, era de mim que ele gostava. Não sei se você se lembra, mas ele me mandou um buquê de flores no dia que voltamos do final de semana no hotel.

KEITH – Ele gostava de você sim, Chelsea, mas você nunca deu bola para o garoto... Pelo contrário, parecia gostar de pisar nele.

CHELSEA – O que? É isso mesmo que eu estou ouvindo? Você está defendendo o inútil do Matt?

KEITH – Viu como você o trata? (anda de um lado para o outro) Eu sempre valorizei a nossa amizade, Chelsea, mas eu nunca desrespeitei o nosso trato. O Matt nunca foi nada seu, logo você não tem o direito de estar brava comigo.

CHELSEA – De qualquer forma, ele era o MEU pretendente, Keith. E se de uma hora para a outra, eu acordasse e resolvesse dar uma chance para ele? Será que nessa ocasião eu descobriria que você está dando para ele?

KEITH – (ofendida) Chelsea, eu gostaria que você tivesse mais respeito por mim... E respeito por você. Que história é essa de acordar e resolver gostar de alguém? (aumenta o tom de voz) Desculpa, Chelsea, mas eu não consigo entender uma garota tão indecisa como você. Você fala que a sua vida é um problema, mas eu tô exausta disso, porque você mesmo torna a sua vida problemática.

CHELSEA – Você está insinuando que eu mesma que complico a minha vida? (grita) Keith, eu não tenho culpa se os meus pais resolveram se divorciar de uma hora para a outra. Eu não tenho culpa se eu tive um namorado que também, de uma hora para a outra, resolveu que gostava da mesma coisa que eu. Eu não tenho culpa se um médico me disse que eu tenho menopausa precoce e que também, de uma hora para a outra, eu me tornei infértil. Eu não tenho culpa de nada disso.

KEITH – Então que tal parar de reclamar sobre a sua vida a todo o momento e tentar vivê-la intensamente por pelo menos um minuto? Porque não é remoendo os seus problemas que você vai ser feliz, Chelsea!

CHELSEA – Quer saber? (grita) Eu acho que já ouvi o suficiente aqui. E o que eu não esperava ouvir da boca da minha melhor amiga. Você e o Matt se merecem e ainda bem que estão juntos, porque pelo menos eu afasto os dois da minha vida e fico longe de toda essa trairagem. (ameaça sair)

KEITH – Onde você vai, Chelsea?

CHELSEA – (grita) SUMIR!

Chelsea sai, possessa. Close em Keith, que respira ofegante. Ela deixa uma lágrima rolar sobre o seu rosto, decepcionada por ter brigado com a melhor amiga.

CENA 10.

Chelsea anda sozinha pelas ruas de San Francisco, sem rumo, desolada e chorando. Sua maquiagem está bastante borrada e suas roupas estão encharcadas de suor. Apesar das ruas estarem bastante iluminadas com as luzes de Natal, não há muito movimento.

Inesperadamente, um homem vestindo um capuz na cabeça sai atrás de uma moita e aborda Chelsea, a segurando bruscamente pelos braços. Chelsea, sem saber o que fazer, começa a gritar desesperadamente, mas o homem logo tapa sua boca com uma das mãos, enquanto segura seus braços com a outra. Chelsea tenta mordê-lo, mas o homem consegue levá-la relutante para algum destino, o qual ainda não sabemos.

CENA 11. CASEBRE. INT. NOITE.

O homem entra no casebre e acende as luzes. Chelsea ainda está sob sua posse. A garota tenta escapar, mas ele fecha a porta depressa e guarda as chaves no bolso.

O homem empurra Chelsea bruscamente em direção a cama. Ela se esquiva, mas ele se senta sobre o seu corpo e, com as mãos, prende os braços de Chelsea contra a cama.

CHELSEA – (chorando) O que você está fazendo?

HOMEM – (ainda de capuz) O Papai Noel chegou mais cedo para você esse ano. Eu vou te dar um presente que você nunca mais esquecerá... Vai se lembrar dele pelo resto de sua vida!

CHELSEA – (tentando se soltar) Quem é você? Saia de cima de mim, seu porco imundo!

HOMEM – Não sem antes fazer o serviço completo. Nunca ouviu a sua mãe dizer: “não fale com os estranhos?”. Pois bem, aprenda uma lição, garota: não saia à noite desacompanhada, você pode encontrar estranhos no meio da rua.

O homem gargalha e começa a beijar Chelsea agressivamente. A garota chora desesperada, gritando com toda a força possível, mas logo sua voz começa a falhar. Sem forças, ela vai se rendendo a brutalidade do homem, que rasga suas roupas e, impiedosamente, estupra Chelsea.

A imagem escurece.

A imagem volta clarear.

Lentamente, a câmera revela a cama, onde Chelsea adormece tranquilamente. Sua maquiagem borrada marca todo o sofrimento pelo qual a garota passou. A câmera se levanta um pouco e percebemos que o homem abotoa a calça. Ele está sem o capuz, mas não conseguimos ver o seu rosto. De costas, ele veste rapidamente a camisa e caminha até a porta, abrindo-a com a chave que estava em seu bolso.

Antes de sair, ele olha para a garota, mas a câmera se abaixa, impedindo novamente que vejamos o seu rosto.

HOMEM – Boa noite, bela adormecida! (ri) Feliz Natal!

O homem sai e fecha a porta. A câmera volta em Chelsea, que acabara de protagonizar o pior Natal de sua vida.

A imagem escurece.

 


AUTOR
André Esteves

ELENCO

Graham Phillips como Josh Parker
Sterling Knight como Ryan Jordan
Jean-Luc Bilodeau como Austin Davis
Victoria Justice como Chelsea Harris
Ariana Grande como Keith Hurly
Gregg Sulkin como Matt Brooks

ATOR CONVIDADO
Graham Rogers como Evan McGrath
 
Pequenas aparições que não constam na listagem acima (Homem, neste episódio) são interpretadas por atores contratados pela produtora.

TRILHA SONORA
So Small - Carrie Underwood
Shake Up Christmas - Train
All I Want For Christmas Is You - Michael Bublé
A Holly Jolly Christmas - Lady Antebellum
Merry Christmas Baby - Colbie Caillat ft. Brad Paisley
Last Christmas - Taylor Swift

PRODUÇÃO
Bruno Olsen
Diogo de Castro


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


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