ESCOLHAS DA VIDA - CAPÍTULO 10


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CAPÍTULO 10 - CAPÍTULO ESPECIAL
 
     

     

 

     
 

CENA 01. CASA ARTHUR E NORMA. SALA. INT. NOITE

Continuação do capítulo anterior. Gabriel se aproxima de Fernanda e Paula, com apoio de Arthur. Elas se retraem. Norma se aproxima.

GABRIEL: - Espero que vocês tenham uma ótima noite.

NORMA: - É o desejo de todos aqui. (encara Arthur e Gabriel) Uma noite de muita paz, harmonia, celebração.

ARTHUR: - Muita celebração!

Fernanda se aproxima de Arthur, o abraça.

FERNANDA: - Que você tenha muita saúde e sensatez. Hoje e em todos os dias de sua vida.

ARTHUR: - Você falando em sensatez pra mim, parece até piada. Mas eu não consigo me chatear com você. Eu te amo muito, Nanda. Você é tudo o que eu tenho de mais precioso na vida. Nunca se esqueça disso.

FERNANDA: - Eu jamais esquecerei disso, pai.

Ela se afasta, sorri. Paula se aproxima. Arthur a encara, sério.

PAULA: - Feliz aniversário, Arthur.

Arthur segue sério, encarando Paula.

ARTHUR (seco): - Obrigado. (volta-se para Norma) Querida, tem que repor os salgados na mesa do jardim.

NORMA: - Claro (saindo)

Arthur volta-se para Paula.

ARTHUR: - Não tente forçar uma amizade. Não precisamos disso.

PAULA: - Acho que pela Nanda, a gente poderia pelo menos tentar manter uma boa relação.

ARTHUR: - É, talvez.

Gabriel se aproxima de Nanda, a pega pela mão.

GABRIEL: - Vem, Nanda, vem ver os meus pais. Estão morrendo de saudade de você.

Gabriel puxa Nanda. Paula vê e vai intervir quando Arthur, discretamente, a segura pelo braço.

ARTHUR: - Por favor, não fique igual um cão de guarda atrás da minha filha. Ela é livre.

Paula encara Arthur e observa Nanda sair com Gabriel. Nanda vira-se para Paula, faz sinal de que está tudo bem. Arthur solta Paula e se afasta. Paula sente-se sozinha. Norma retorna à sala, trazendo uma bandeja de salgados. Passa por Paula.

NORMA: - Eu fico muito feliz com você aqui, Paula. É tão difícil pra mim quanto pra você essa situação. Mas quero que se sinta bem.

PAULA: - Obrigada, Norma.

Norma sorri, graciosa, e sai. Paula fica ali, constrangida.

CORTA:

CENA 02. CASA ARTHUR E NORMA. JARDIM. EXT. NOITE.

Gabriel chega com Fernanda para Humberto e Selma.

GABRIEL: - Vejam quem chegou!

SELMA (simpática): - Nanda! Continua linda!

Selma abraça Nanda.

FERNANDA: - Você também, Selma. Sempre elegante... Humberto, como vai?

HUMBERTO: - Muito bem, Nanda. Bom ver você.

GABRIEL (lança o braço sobre Nanda): - Somos ou não somos um casal bonito?

Arthur se aproxima, trazendo um copo de bebida.

ARTHUR: - Eu faço muito gosto! (entrega para Nanda)

FERNANDA (se esquiva de Gabriel): - Talvez a pergunta não tenha sido formulada da forma correta. (pega a bebida de Arthur) O certo seria, éramos ou não um casal bonito?

ARTHUR: - Para quê pensar nisso no passado, Nanda?

GABRIEL: - É melhor pensar no futuro.

FERNANDA: - Eu prefiro pensar e viver o presente. E no meu presente, nós não somos um casal. E pelo o pouco que eu vejo do futuro, ainda não estaremos juntos lá.

Gabriel se cala.

FERNANDA: - Eu vou atrás da minha namorada. Com licença.

Fernanda se afasta.

SELMA: - Tanto você, Gabriel, quanto você, Arthur, poderiam ter ficado sem essa. Respeitem a menina.

ARTHUR: - A Nanda não sabe o que está dizendo, Selma.

HUMBERTO: - Ela me pareceu bem decidida.

GABRIEL: - Vamos ver até quando vai essa bronca dela... Essa aventura.

Arthur e Gabriel trocam olhares, cúmplices.

CENA 03. MOTEL. QUARTO. INT. NOITE.

Regina se surpreende ao ver que Alex é negro.

REGINA: - Não! Um preto, não!

ALEX: - Como é que é?! A senhora tá passando bem?

REGINA: - Não. Acho que eu não estou bem não...

Ela cai sobre a cama. Alex se aproxima, segura Regina nos braços. Os dois trocam olhares. As mãos de Alex seguram Regina firme. PLANO DETALHE dos olhares que não fogem um do outro. Ele acaricia o rosto dela, que fecha os olhos, sentindo prazer. Os rostos se aproximam aos poucos. Alex beija Regina com intensidade. Ela corresponde.

Tempo e ela empurra Alex, levantando-se rapidamente da cama.

REGINA: - Eu tenho nojo de você!

Regina pega suas coisas, apressada, e sai do quarto.

Alex fica surpreso.

ALEX: - Mas... Que mulher é essa? Louca! Deveria estar internada!

Ele leva os dedos aos lábios, pensativo.

CORTA:

CENA 04. CARRO. INT. NOITE.

Regina dirige um tanto transtornada. Segura firma a direção, respira ofegante.

REGINA: - Um preto não... Encostando em mim! Não! Nunca! Regina, isso nunca!

Faz cara de nojo.

CENA 05. AGÊNCIA R3. EXT. NOITE.

Illana sai da agência, falando ao telefone. Caminha em direção ao seu carro.

ILLANA (ao telefone): - Calma, Alex. Pega suas coisas e vai pra casa, querido. (T) Isso, simples. (T) Amanhã a gente fala melhor sobre isso, ok? (T) Tchau, boa noite. (desliga)

Illana entra no carro e vai dando ré para rua. Quando o carro dela sai, outro carro vai passando e acaba batendo em sua traseira.

ILLANA (assustada): - Droga!

Illana sai do carro, vai ver o estrago da batida.

ILLANA: - Poxa vida... (vira-se para o outro carro) Você não estava me vendo sair aqui não?!

CAM foca no rosto de Illana, que, aos poucos, vai mudando expressão, ficando surpresa. O motorista do outro carro se aproxima dela. CAM revela Lauro. Os dois ficam frente a frente.

LAURO: - Eu juro que não vi você. Cabeça longe... Desculpa.

Lauro olha a traseira do carro de Illana.

LAURO: - Não amassou muito não. Pode deixar que eu dou um jeito nisso.

ILLANA: - Você/

LAURO (interrompe): - Então foi aqui que você montou sua agência. (olha o prédio) Bonito espaço.

ILLANA: - Isso não pode estar acontecendo. Depois de todos esses anos, você...

LAURO: - Qual é, Illana? Não faz tanto tempo assim.

ILLANA: - Dez anos, Lauro. Dez anos. Eu não esqueci. Aliás, eu lembro disso todas as noites antes de dormir.

LAURO: - Tem um bar aqui perto. Vamos ali. Depois eu te deixo em casa.

ILLANA: - Eu não deveria aceitar. Mas eu vou porque sabe-se lá quando eu vou ver sua cara novamente.

Os dois ficam a se olhar.

CENA 06. CASA ARTHUR E NORMA. INT. NOITE.

Fernanda e Paula conversam, sentadas no sofá.

PAULA: - Linda a casa dos seus pais.

FERNANDA: - Fui muito feliz aqui. Tive uma infância muito boa. Brincava no jardim, adorava ficar aqui no sofá olhando pra rua pela janela.

PAULA: - Uma infância de princesa. Você deveria ser muito linda quando criança, porque agora adulta já é linda demais.

FERNANDA: - Eu não me achava bonita não. Muito cabeluda, magrela, sei lá (risos)

PAULA: - Mas já com esse sorriso lindo no rosto. Isso já transmite toda sua beleza, sua pureza... Seu amor pela vida.

As duas trocam olhares, carinhosas. Nanda coloca sua mão sobre a mão de Paula. Gabriel chega de surpresa, atrapalhando. Ele traz bebida à Nanda.

PAULA: - Impossível ter um momento de paz com a minha namorada.

GABRIEL: - Engraçado que só você sente-se incomodada aqui, Paula. Será que é porque aqui não é o seu lugar?

FERNANDA: - Ei, Gabriel. Por favor!

PAULA (levanta-se): - E onde é o meu lugar, Gabriel? Fala?

Fernanda contém Paula.

FERNANDA: - O que você quer, Gabriel?

GABRIEL: - Nada não. Apenas te trouxe uma bebida.

FERNANDA (pega o copo): - Obrigada.

PAULA: - Outro copo, Nanda? Você é fraca pra bebida, acho que já deu por hoje.

GABRIEL: - Mas você é chata, hein, garota? Deixa ela beber. Hoje é aniversário do pai dela. Deixa ela ser feliz. Você sempre atrapalhando...

FERNANDA: - Gabriel, já peguei a bebida, obrigada. Agora pode ir. Sem brigas por aqui, por favor.

Ele ri, sacana, se afasta. Paula irritada.

PAULA: - Desculpa, Nanda, mas na próxima eu pego esse cara e/

FERNANDA: - Calma, meu amor. Calma.

PAULA: - Eu sabia que não era uma boa ideia ter vindo. Sabia!

FERNANDA: - Foi uma ótima ideia você ter vindo. Eu estou bem com você aqui do meu lado. E logo mais, nós vamos dar a nossa notícia. A notícia mais importante das nossas vidas. E você tinha que estar junto neste momento.

PAULA: - Você tem certeza?

FERNANDA: - Hoje é o dia, Paula.

Do lado de fora, pela janela, Arthur observa a conversa de Fernanda e Paula, porém, não consegue ouvir. Ele segura um copo de bebida na mão, bebe um pouco, quando é surpreendido por Norma.

NORMA: - Arthur! Você está aí!

ARTHUR: - E onde mais eu poderia estar?

NORMA: - Com seus convidados no jardim!... (pega o copo da mão de Arthur) E maneirando na bebida! É feio o anfitrião estar alto na frente dos convidados.

ARTHUR (pega o copo novamente): - Hoje é meu aniversário, Norma. Não me controla. (bebe)

NORMA: - Arthur... Vem, vamos cantar o “parabéns”. Tá quase tudo organizado. Vem logo.

Norma se afasta. Arthur continua a observar Paula e Fernanda, juntas.

CENA 07. CASA BIA. EXT. NOITE.

Tito em frente a porta, bate. Aguarda.

Bia abre, se surpreende ao vê-lo. Os olhos dela estão inchados, de chorar. Tito e Bia se encaram por um tempo. Ela o abraça e chora. Tito a conforta.

CORTA:

CENA 08. CASA BIA. INT. NOITE.

Bia e Tito sentados no sofá, a sós. Ela com a cabeça escorada no ombro dele. Bia fala, enquanto Tito, quieto, apenas escuta o desabafo dela.

BIA: - Foi horrível ouvir tudo aquilo que eu ouvi. Sensação pior acho que não tem. Saber que você foi só um brinquedo, só um objeto na mão de alguém. Ele saía comigo só pra transar, Tito! Me senti uma prostituta! Meus pais estavam achando que eu iria começar a namorar sério. Não só meus pais, eu também achava. Boba, que boba que fui!... Ele sabia que eu tinha me apaixonado, mas não disse nada. Paixão pra ele só por aquela tal de Amanda, Juliana, sei lá o nome da infeliz. Também não me interessa saber quem é a pobre coitada por quem ele é apaixonado. Mas poxa, ele foi um canalha! Ele é um canalha! E tomara que essa garota nunca fique com ele! Nunca! Porque um homem assim não merece mulher nenhuma!

Bia percebe Tito quieto.

BIA: - Você não vai falar nada?

TITO: - Eu achei que você quisesse apenas desabafar. Então fiquei ouvindo.

BIA: - Sim, eu quero desabafar. Mas também não quero ficar como se estivesse falando com as paredes. Desculpa, Tito. Você veio aqui de todo coração para me dar uma força e eu falando desse jeito com você.

TITO: - Tudo bem.

BIA: - Tudo bem, nada. Prometo não fazer mais isso.

Bia abraça Tito. Ele fica um tanto surpreso, aos poucos, a abraça também. Os dois ficam abraçados. Clima. Bia se afasta aos poucos, eles trocam olhares.

TITO: - Você é uma menina muito especial, Bia. Merece alguém que goste de você, de verdade.

Os dois se encaram. Tito toma coragem e beija Bia.

MUSIC ON: (O amor é ilusão – Rouge)

Ela corresponde. Tempo e Tito se afasta, troca olhares com Bia. Os dois muito constrangidos. Ele levanta-se do sofá e sai da casa, às pressas. Ela fica pensativa, um tanto surpresa com o beijo.

CENA 09. CASA MILTON. SALA DE JANTAR. INT. NOITE.

MUSIC OFF.

Todos sentados à mesa do jantar. Milton na ponta da mesa, com Verônica à direita e Carla ao seu lado. Cristóvão, Tereza e Diogo do outro lado. Todos jantam.

MILTON: - Mas Cristóvão, essa nova onda das pessoas viverem conectadas, não prejudicou os negócios da editora?

CRISTÓVÃO: - Por incrível que pareça, Milton, as pessoas ainda gostam de ler livros de forma tradicional, com o papel em mãos.

VERÔNICA: - Eu só leio no tablet. Livro, jornais...

CARLA: - Eu também. Algumas revistas eu até gosto de ter em mãos, mas o resto é tudo pela internet. Hoje, na moda principalmente, quem dita o que tá em alta são as blogueiras. Então pra acompanhar, só estando conectada.

TEREZA: - Hoje é quase impossível ficar sem internet, viver sem ela. Mas falando dos livros, eu achei que não teríamos muitas vendas no último que escrevi. E acabou que fomos surpreendidos com um dos livros mais vendidos no ano.

DIOGO: - Não é porque você é minha mãe, mas seus livros sempre serão sucesso. Você escreve muito bem.

VERÔNICA: - Que lindo isso! Filho babão pela mãe!... Você nunca faz isso comigo, Carla. Eu fico carente, sabia?

CARLA: - Ah, mamãe, para!

MILTON: - Fica carente, e aí vai para o shopping fazer compras.

VERÔNICA: - E tem jeito melhor de curar a carência do que fazendo compras? (risos)

CRISTÓVÃO: - Eu queria ter essa disposição pra compras, shoppings... Pra vocês terem uma ideia, as minhas roupas quem compra é a Tereza.

VERÔNICA: - Jura?! Tereza, você tem ótimo gosto! Com todo respeito, mas o Cristóvão é um homem bonito, fica muito bem vestido assim.

TEREZA: - Obrigada, Verônica. (risos)

VERÔNICA: - E você, Diogo, não fica pra trás. Essa sua beleza toda, vocês capricharam quando... (para, lembra-se) Esqueci, você é adotado, né, Diogo?

CARLA: - Mãe, não precisa ficar lembrando disso.

DIOGO: - Não tem problema, não. Eu não tenho problemas nenhum com isso, com o fato de ser adotado. Meus pais nunca esconderam isso de mim.

CARLA: - Mas o nosso filho não vai ser adotado. Quero ter o prazer, a felicidade de carregar ele aqui dentro de mim.

CRISTÓVÃO: - Filhos? Esse projeto do casamento anda bem avançado pelo visto.

MILTON: - Também estou surpreso. Afinal, o Diogo ainda nem pediu a mão da minha filha.

CARLA: - Para, papai... (ri) Mas não vou esconder de vocês que já estamos vendo a data para o casamento. O mais breve possível, não é, meu amor?

VERÔNICA: - Gente, preciso ver a roupa logo, então!

Diogo sente-se um tanto desconfortável. Tereza percebe, delicadamente, coloca sua mão sobre a mão de Diogo.

CARLA: - Eu já pensei até no meu vestido. Aliás, já vi na loja, e deixei encomendado. Vai que quando eu precise, ele não esteja mais lá, não é? Então já deixei reservado para mim. Para o grande dia da minha vida. O dia em que eu vou casar com o homem mais incrível que eu já conheci.

VERÔNICA: - Quanto amor!... Diogo, você não vai falar nada, diante dessa declaração toda?! Vai logo, menino, faz o pedido!

Silêncio.

CARLA: - Então, meu amor... Não vai dizer nada?

Ele se posta de pé na mesa, a contragosto. Carla o observa, esperançosa, ansiosa. Todos observam.

DIOGO: - Bem. Eu pensei muito, nos últimos dias. E hoje mais do que nunca, eu...(hesita)

CARLA: - Fala, Diogo! Fala logo!

DIOGO: - Sinto muito em ter que dizer, mas, não vai ter casamento.

CLÍMAX.

CARLA (levanta-se): - O que? Como assim não vai ter casamento? Que história é essa, Diogo?!

DIOGO: - Eu estou terminando nosso noivado, Carla. Eu não posso ir adiante nisso. Acabou.

Carla pega a taça com vinho e joga contra Diogo, que se esquiva. A taça se estilhaça na parede.

VERÔNICA: - Calma, minha filha!

CRISTOVÃO: - Diogo, o que você está falando?

CARLA: - Isso é o que eu também quero saber. O que é que você está falando, Diogo? Como assim, acabou?! Que palhaçada é essa?!

DIOGO: - Não é palhaçada, Carla. Eu realmente não posso ir adiante nessa história com você.

TEREZA: - Meu filho, você tem certeza disso?

DIOGO: - Absoluta, mãe.

CARLA (grita): - Não! Você não pode terminar comigo! Você não vai terminar comigo!

Descontrolada, Carla grita e empurra a louça do jantar no chão. Milton a segura.

MILTON: - Carla, controle-se!

CARLA: - Você não vai terminar comigo, Diogo! Você não pode fazer isso comigo!

TEREZA (a Cristóvão): - Vamos pra casa, querido, por favor.

CRISTÓVÃO: - Vamos sim.

DIOGO: - Eu vou com vocês.

Diogo, Cristóvão e Tereza vão saindo. Milton ainda segura Carla.

CARLA (gritando): - Volta aqui! Diogo! Canalha! Volta aqui!

VERÔNICA: - Gente, eu estou pasma!

MILTON: - Você precisa é me ajudar a controlar sua filha, Verônica!

VERÔNICA: - Carla, minha querida, chega de escândalos! Você ouviu o que ele disse. Acabou.

CARLA: - Nunca!

Carla solta-se de Milton.

CARLA: - Vocês estão ouvindo o que eu estou falando? O Diogo é meu?! Nunca que ele vai me abandonar! Nunca! E eu sou capaz de qualquer coisa. Eu vou ao inferno atrás dele se for preciso, mas ele vai ser meu!

Carla sai em direção ao andar de cima, transtornada.

MILTON: - Confesso que essa atitude do Diogo me surpreendeu em cheio.

VERÔNICA: - Ele terminou com tudo na frene de todos, das famílias! Tem que ter muita coragem pra isso! A Carla vai sofrer, Milton. Ela é louca por ele. Isso foi um choque pra ela.

MILTON: - Um choque para todos né. Agora é esperar pra ver o que vai ser.

CENA 10. BAR. INT. NOITE.

Illana e Lauro conversam na mesa do bar.

ILLANA: - Então, por que você sumiu?

LAURO: - Você sabe porque eu tive que sair.

ILLANA: - Não mente pra mim de novo com essa história de família, de filho, de ex-mulher. Isso não cola.

LAURO: - Mas é essa a verdade. Eu achei que teria uma chance com a Isaura novamente.

ILLANA: - E não rolou.

LAURO: - Pois então...

ILLANA: - Você não muda, não adianta.

LAURO: - Você, pelo visto, mudou bastante nesses dez anos. A dona da agência de modelos mais badalada do Rio.

ILLANA: - Do país.

LAURO (debocha): - Oh, do país... Rica, bem sucedida... Aquele velho deixou você bem de vida.

ILLANA: - Não posso dizer que a grana que ele deixou não ajudou, porque ajudou e muito. Ainda ajuda. Mas muito do que eu tenho hoje, é graças ao meu esforço também.

LAURO: - Dar o golpe do baú deve exigir um esforço e tanto. Talvez pra você que já era uma prostituta, o trabalho maior foi achar o velhote certo, aquele que iria se encantar de tal forma por você... Que iria te dar o céu.

ILLANA (brava): - Você nunca mais repita isso! Até porque, não me adianta de nada ter o céu, se as estrelas todas, o sol, a lua, tudo o que brilha de fato e o deixa encantador, eu não tenho.

LAURO: - Illana, você tem um monte de grana e tá reclamando. (ri)

ILLANA: - Eu não tenho amor, Lauro.

Lauro deixa de sorrir. Illana o encara.

ILLANA: - Se você me deixar provar que eu mudei, não só por fora, pela grana... Mas que eu mudei como pessoa, você vai ver que eu sou uma nova Illana.

LAURO: - Nós já tentamos antes.

ILLANA: - Podemos tentar mais vezes, por que não?

MUSIC ON: (Amante não tem lar – Marília Mendonça)

Os dois ficam a se olhar. Lauro pega sua carteira, tira o dinheiro, deixa sobre a mesa. Levanta-se.

LAURO: - Fica pra conta e o resto você guarda pro táxi.

ILLANA: - Pensei que o combinado fosse você me levar embora.

LAURO: - Você sabia que eu não iria te levar.

ILLANA: - Você fugindo de novo.

LAURO: - É melhor pra nós, por enquanto, ficar assim, Illana.

ILLANA: - E quando eu te vejo novamente? Onde eu posso te encontrar?

LAURO: - Deixa que eu encontro você. Volta pra casa com cuidado.

Lauro sai. Illana fica a observar ele entrar no carro e sair.

ILLANA: - Por que eu perdi esse homem, meu Deus? Por quê?

Illana bebe o resto da cerveja em seu copo num único gole. Fica pensativa.

MUSIC OFF.

CENA 11. APTO OSVALDO. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Regina chega em casa transtornada. Entra e fecha aporta atrás de si, respira fundo, tenta se acalmar um pouco. Vai direto para o quarto.

CORTA:

CENA 12. APTO OSVALDO. QUARTO. INT. NOITE.

Regina entra e encontra Osvaldo dormindo. Ela deixa suas coisas na bancada e vai ao banheiro do quarto.

CORTA:

CENA 13. APTO OSVALDO. QUARTO. BANHEIRO. INT. NOITE.

Regina tira a roupa e entra para o Box. Ela liga o chuveiro, deixa a água correr sobre seu corpo. Fica por um tempo se esfregando, se lava com força, como se quisesse tirar algo impregnado em si, ao mesmo tempo em que chora (misto de raiva, nervosismo). Aos poucos, seus movimentos deixam de ser tão bruscos. Suas mãos continuam percorrendo seu corpo, de forma mais branda. Regina toca o seio, seu ventre. Sua expressão de raiva dá lugar ao prazer. PLANO DETALHE nas mãos de Regina passeando por seu corpo.

FLASHBACK

CENA 03, CAPÍTULO 10

MOTEL. QUARTO. INT. NOITE.

REGINA cai sobre a cama. Alex se aproxima, segura Regina nos braços. Os dois trocam olhares. As mãos de Alex seguram Regina firme. PLANO DETALHE dos olhares que não fogem um do outro. Ele acaricia o rosto dela, que fecha os olhos, sentindo prazer. Os rostos se aproximam aos poucos. Alex beija Regina com intensidade. Ela corresponde.

FIM DO FLASHBACK

Debaixo do chuveiro, Regina acaricia seu corpo, toca o seio novamente. CAM foca em sua mão, descendo do seio, passando pelo ventre, em direção ao seu sexo. CAM foca no rosto de Regina, expressão de prazer intenso.  Respiração ofegante, pequenos gemidos, clímax. Ela relaxa, escora-se na parede, vai descendo até ficar sentada no chão do Box, com a água correndo ainda.

CENA 14. APTO ALEX. INT. NOITE.

Alex chega ainda confuso com o que aconteceu no motel. Joga-se no sofá, pensativo. Silêncio. Ele vê o celular na mesa de centro, liga o aparelho. Em instantes, chega mensagem. Alex abre. É de Mariana. Ele sorri.

CAM mostra visor do telefone:

Mari Amor: TE AMO.

Alex digitando.

ALEX: Amo você. Muito mais. <3

Alex deixa o celular na mesa, volta para o sofá, relaxa o corpo.

CENA 15. CASA ARTHUR E NORMA. JARDIM. EXT. NOITE.

Os convidados cantam parabéns para Arthur. Ele, um pouco bêbado, sopra as velas do bolo que Norma segura em suas mãos. Todos aplaudem.

SOLANO: - E não teremos discurso do aniversariante?

ISAURA (repreende): - Papai, se ele quiser falar, ele fala.

ARTHUR: - Fez bem, Solano. Eu quero dizer algumas palavras.

HUMBERTO (irônico, sussurra com Selma): - Bêbado dando discurso é o que eu mais queria ouvir no momento.

SELMA: - Para Humberto, ele está feliz.

ARTHUR: - Eu, primeiramente quero agradecer a vocês todos que estão aqui hoje, me prestigiando. Em especial, minha mulher, Norma, que organizou tudo... (olha Nanda) E minha filha, Fernanda. Obrigado. De coração.

Todos aplaudem. Gabriel se aproxima de Arthur.

GABRIEL (cochicha): - Pelas minhas contas, a Nanda já tomou uns três copos.

ARTHUR: - Ótimo. Mais um pouco ela já fica bem mais fácil de lidar. E aí você já sabe. Deixa que da outra eu cuido.

FERNANDA (a Paula): - Vou falar.

PAULA: - Nanda, tem certeza?

FERNANDA: - Tenho sim.

Fernanda se afasta um pouco de Paula, indo até próxima de Norma e Arthur.

NORMA (meiga): - Filha? Quer um pedaço do bolo?

FERNANDA: - Depois mãe. Antes eu preciso falar com você e o papai. Na verdade, eu quero é fazer um comunicado.

GABRIEL (se aproxima): - Comunicado?

ARTHUR: - Fala, Nanda.

Fernanda vira-se para Paula. Elas trocam olhares. Paula um tanto insegura. Fernanda se mostra confiante. Ela vira-se novamente para seus pais.

NORMA: - O que você tem para nos dizer, filha?

FERNANDA: - O que eu tenho pra dizer é algo muito importante. Importante mesmo, na minha vida. E acredito que na vida de vocês também. Vocês serão avós.

Norma, Arthur e Gabriel se mostram incrédulos.

NORMA: - Como assim, filha?

FERNANDA: - Eu e a Paula vamos ter um filho. Nós vamos gerar uma criança, mãe.

Norma esboça um sorriso, ainda confusa. Arthur sério. Gabriel se afasta, vai até Paula.

GABRIEL: - Que coisa é essa que a Nanda ta falando?

PAULA: - Isso só diz respeito a nós duas.

Arthur encara Fernanda.

ARTHUR (tom): - Mas isso é a coisa mais ridícula que eu já ouvi na minha vida!

Os convidados percebem o clima ficando tenso.

NORMA: - Querido, calma.

ARTHUR (grita): - Calma?! Você me pede calma, Norma?! Como é que eu posso me acalmar com a minha filha me dizendo que vai ter um filho com outra mulher?!

FERNANDA: - Isso é a coisa mais comum hoje em dia.

ARTHUR: - Cala a boca! O mais comum é mulher ter filho com homem! Homem e mulher e não essa barbaridade que vocês duas estão promovendo. Você achou mesmo que isso ia me deixar feliz, Fernanda?

FERNANDA: - Você sempre falou que se eu estivesse feliz, você também estaria. Eu estou aqui dizendo pra você a notícia mais feliz da minha vida.

ARTHUR (grita): - Pois eu preferiria a morte!

Os convidados reagem. Arthur e Fernanda ficam a se encarar. Ele se afasta um pouco.

FERNANDA (vai atrás de Arthur): - Pai, por favor/

Ela vai atrás dele que se vira e acerta um tapa no rosto de Nanda. Os convidados reagem chocados. Norma surta.

NORMA: - Não, Arthur! Agora você passou de todos os limites!

Gabriel se aproxima de Arthur, o detém.

GABRIEL (segura Arthur): - Calma, Arthur!

Arthur encarando Fernanda, sério, bravo. Fernanda com a mão no rosto, onde levou o tapa. Encara Arthur, firme. Paula se aproxima dela.

PAULA: - Vem, Nanda. Vamos embora.

Fernanda segura a mão de Paula, firme e sai com a namorada.

ARTHUR (grita): - Você vai se arrepender disso tudo, Fernanda! Essa vida não é pra você!

NORMA (grita): - Cala a boca, Arthur! Já chega!

Artur percebe as pessoas ainda ali.

ARTUR: E vocês, o que querem mais? Acabou festa, pra fora todo mundo! Rua!

Os convidados vão saindo, Gabriel vai no meio. Norma está possessa, cai de joelhos no jardim, chora.

Silêncio.

Arthur observa Norma chorando, ajoelhada, no jardim. Ele se aproxima dela, oferece ajuda para ela levantar. Norma empurra sua mão, se esquiva.

NORMA: - Sai! Não encosta em mim.

ARTHUR: - Vem, levanta.

NORMA (se afasta): - Sai, Arthur! (grita) Sai!

ARTHUR: - Eu só quero ajudar você.

NORMA: - Você, ao invés de ajudar, só causa tristeza, desunião, brigas... Eu estou cansada.

ARTHUR: - Você queria que eu reagisse como? Com uma salva de palmas em agradecimento pela ótima notícia?

NORMA: - Com amor, Arthur! Amor! A Nanda é nossa filha. Ela só precisa do nosso amor. Seja qual for a circunstância.

Levanta-se.

NORMA: - Sabe o que eu queria de volta? O marido amoroso, atencioso, menos egoísta, menos preconceituoso. Eu quero de volta a minha família feliz, as manhãs alegres aqui de casa, a paz. (firme) Eu quero paz, Arthur! A paz que fugiu das minhas mãos, que saiu daqui de casa desde que você passou a não respeitar mais aquilo que não diz respeito à sua vida! (exausta) Eu quero paz.

Ela se afasta, cansada, para dentro de casa. Arthur fica sozinho no jardim. Num rompante, empurra a mesa onde está o bolo, copos, doces. Tudo cai pelo chão, no gramado. Ele puxa os enfeites da decoração, arrancando da parede, da árvore, gritando. Ele puxa com força os enfeites, que perde o equilíbrio e cai no chão. Arthur fica caído no meio do gramado. E chora, contido. PLANO GERAL, Arthur caído no gramado, vai se afastando aos poucos.

CENA 16. RIO DE JANEIRO. EXT.

TAKES GERAIS da cidade ao amanhecer. Mostra os prédios da cidade, vista aérea. O Cristo Redentor, a Guanabara.

CENA 17. CASA DIOGO. SALA DE JANTAR. INT. DIA.

Cícero e Tereza tomam café.

CÍCERO: - Você sabia?

TEREZA: - Do quê?

CÍCERO: - Da atitude do Diogo, em terminar o noivado com a Carla.

TEREZA: - Não, eu não sabia. Mas confesso que isso não me deixou surpresa. Eu já estava sentindo que o Diogo não estava feliz nesse relacionamento. Vai ver foi melhor assim.

CÍCERO: - A Carla é apaixonada por ele.

TEREZA: - Mas ele não estava mais apaixonado por ela. E numa relação onde apenas um se doa, não há como ir pra frente.

Diogo entra, senta-se à mesa com os pais.

DIOGO: - Bom dia.

TEREZA: - Bom dia, meu filho. Dormiu bem?

DIOGO: - Dormi sim, mãe. Parece que eu tirei um peso das costas. É estranho falar isso, mas foi essa a sensação que eu tive.

CÍCERO: - Você sabe que eu sempre te apoiei em tudo na sua vida, Diogo, mas, me permita perguntar: por que deixar chegar a esse ponto? Você é livre para fazer suas escolhas, mas, esperar chegar num dia tão importante para a Carla, para a família dela. E para nós também, pois criamos expectativas e expectativas positivas, pelo menos da minha parte... Por quê?

DIOGO: - Não sei pai. Eu estava me sentindo sufocado, pressionado demais... Eu sei que errei, que poderia ter colocado um ponto final muito antes, mas eu vi que não daria mais pra levar.

TEREZA: - Você sabe que a Carla vai te procurar, não sabe?

DIOGO: - Sei sim. Mas eu estou decidido, mãe. Não tem volta. Eu andei pensando muito na minha vida nos últimos dias. Ando com umas sensações estranhas, coisa que nunca senti antes.

TEREZA (preocupada): - Você está com algum problema de saúde, meu filho? Pelo amor de Deus, Diogo! Não nos esconda nada!

DIOGO: - Não, calma! Eu estou bem, ta tudo certo.

CÍCERO: - Então, que sensação é essa?

DIOGO: - Sei lá. Como se algo estivesse pra acontecer, pra mudar minha vida.

Cícero e Tereza trocam olhares.

DIOGO: - Vocês devem achar que eu estou ficando louco, mas eu estou bem, ok?

TEREZA: - Ninguém aqui está achando nada, meu filho. Nós estamos do seu lado, como sempre foi.

CÍCERO: - Pode contar com a gente, sempre.

DIOGO: - Obrigado. Eu amo vocês e é por isso que eu também quero contar uma coisa, que eu mantive em segredo até agora e acho que vocês devem saber.

TEREZA: - O que foi?

DIOGO: - Há um tempo, eu fui até uma clínica de reprodução assistida, especializada em inseminação artificial. Eu fiz uma doação de material genético. Eu fiz isso para ajudar outras famílias que, assim como vocês, não conseguiram ter filhos. Sei que existem muitos casais que não conseguem gerar filhos de forma natural e procuram esses recursos para realizar o sonho de formar uma família. Eu, que fui abençoado por ter vocês no meu caminho, me senti na obrigação de ajudar de alguma forma.

Tereza, emocionada, levanta-se e se aproxima de Diogo, abraçando-o com carinho.

TEREZA: - Você não tem obrigação nenhuma. Mas esse seu gesto e sua intenção são de uma grandiosidade sem tamanho. Eu e seu pai temos muito orgulho do homem que você se tornou.

CÍCERO: - Nós amamos você, Diogo. É um gesto nobre pensar nos outros, dessa forma.

TEREZA: - Esse meu filho é um ser de luz!

Tereza abraça Diogo, tenra.

CENA 18. CASA CARLA. QUARTO. INT. DIA.

Verônica entra, discreta. Tudo escuro. Carla ainda na cama. Verônica vai para a janela, abre a cortina. A luz do sol clareia o local. Verônica se aproxima de Carla.

VERÔNICA (carinhosa): - Filha... Acorda, meu amor.

CARLA (seca): - Não quero.

VERÔNICA: - Mas você precisa acordar. Tá um dia lindo lá fora e/

CARLA (interrompe): - De nada adianta estar um dia lindo lá fora se a minha vida aqui dentro está uma droga! (senta-se na cama) O Diogo me abandonou, mãe.

VERÔNICA: - Calma, filha. Ele falou sem pensar. Talvez ele/

CARLA: - Sem pensar?! Ele disse com todas as letras que não vai ter mais noivado! Você tem noção do que é isso?! Eu fui largada! Nunca na vida eu imaginei passar por tamanha humilhação!

VERÔNICA: - O Diogo pegou todo mundo de surpresa. Nem o Cícero e a Tereza estavam esperando isso.

CARLA: - Não seja tão ingênua, dona Verônica. Cícero talvez não sabia disso. Mas a Tereza... Aquela lá não me engana. Paga de centrada, mas no fundo mesmo, é uma falsa, sonsa, controladora! Fica manipulando o Diogo como se ele fosse um fantoche.

VERÔNICA: - Carla! A Tereza jamais faria isso!

CARLA: - Faria sim! Ela nunca foi com a minha cara. Velha! Ah, mas se o Diogo pensa que vai se livrar de mim, ele está muito enganado, mãe.

VERÔNICA: - O que você está pensando em fazer?

CARLA (firme): - Eu vou lutar pelo Diogo. Ele vai ser meu!

CENA 19. CASA ELIANE. QUARTO. INT. DIA.

Eliane e João na cama. Ela dormindo. Ele deitado ao lado dela, aos poucos desperta. Vira para o lado, observa Eliane dormindo, sua silhueta coberta com o lençol. João se aproxima de Eliane, encosta seu corpo no dela, acaricia seu corpo. Eliane aos poucos vai despertando com as carícias de João.

ELIANE: - João... O que foi?

JOÃO: - Acordei e vi você assim, me deu uma vontade de ter você, sabia?

E beija o pescoço dela.

ELIANE (com prazer): - Ah, que delícia!

JOÃO (safado): - Você gosta, não é? De fazer amor de manhã.

ELIANE: - Adoro... Há tanto tempo que a gente não faz isso.

Os dois se beijam calorosamente, aos amassos. Eliane tira a camisola que veste, deixando seu seio à mostra para João, que os beija com tesão.

Os dois se agarram. João deita sobre Eliane, que o recebe, cercando-o com suas pernas. Eles ficam a se beijar freneticamente. Tempo e João diminui o ritmo até que os dois param de se beijar. Sérios. Encaram-se. João desvia o olhar, sai de cima de Eliane, deita-se ao lado dela. Eliane se cobre. Silêncio.

JOÃO: - Eu juro que eu queria.

ELIANE: - Ultimamente você anda jurando demais e fazendo de menos, João.

JOÃO: - Eu não sei o que está acontecendo comigo.

ELIANE: - Mas eu sei. (o encara) Você gasta toda sua energia com essas vagabundas na rua e aqui dentro de casa não consegue transar com a sua mulher!

JOÃO: - Não é verdade!

ELIANE (levanta-se da cama, saindo): - Eu nem lembro a última vez que a gente transou realmente. Nem que fosse 5 minutos!

Eliane coloca um vestido. João na cama, pensativo.

ELIANE: - É tudo assim, contadinho, mirradinho. Que merda!

JOÃO: - É muita pressão, poxa! Eu estou com uma porrada de coisas pra resolver! Isso pesa, sabia?

ELIANE: - Mas eu garanto que com as vagabundas não pesa nada!... Ah não ser que você tome um remedinho pra ajudar.

JOÃO (ofendido): - Eu não tomo nada!

ELIANE: - Então você anda gastando dinheiro a toa com essas prostitutas aí. Você é um broxa, João.

Eliane sai do quarto, fumaçando. João fica pensativo, um tanto entristecido.

CENA 20. ESCRITÓRIO HUMBERTO. INT. DIA.

Humberto sentado à mesa, em sua cadeira. Analisa alguns documentos. Em sua frente, Osvaldo sentado numa poltrona, observando-o.

HUMBERTO: - É, está tudo aqui.

OSVALDO: - Até parece que você não me conhece, Humberto.

HUMBERTO: - Eu gosto de conferir tudo, Osvaldo. Cada detalhe. Afinal, o que estamos fazendo aqui envolve coisas fora da lei.

OSVALDO: - A lei é nossa amiga. Nunca estará contra nós mesmo que a gente faça alguma coisa pelas suas costas. (risos)

HUMBERTO: - Você sempre tão confiante.

OSVALDO: - Se você não for um homem confiante nos negócios, você é engolido pelos concorrentes. Fraqueza e negócios, não combinam.

Humberto começa a assinar os papéis. Entrega para Osvaldo.

OSVALDO: - Prontinho.

HUMBERTO: - Em quanto tempo eu tenho uma resposta positiva?

OSVALDO: - Em breve. Em poucos dias ou até mesmo nessa semana. Logo logo a sua empresa estará em franca expansão pelo Rio. E com todas as licenças autorizadas.

HUMBERTO: - Assim espero, Osvaldo.

OSVALDO: - Agora que você já assinou. Podemos tratar da minha parte, não?

HUMBERTO: - Amanhã mesmo está na sua conta. Não se preocupe porque eu sou um homem de palavra, você sabe.

OSVALDO: - Claro que sei. Por isso que eu gosto de fazer negócio com você.

Os dois se olham, cúmplices.

CENA 21. AGÊNCIA R3. HALL. INT. DIA.

Alex e Mari namoram na entrada da agência. Os dois trocam beijos e carícias, apaixonados.

MARIANA: - Eu não posso ficar muito tempo longe de você!

ALEX: - Eu também não posso, meu amor. (beija Mari) E sabe que eu estava pensando aqui... O que você acha de ir lá pro meu apartamento hoje?

MARIANA (surpresa): - Hoje?

ALEX: - É... Hoje à noite. Pra gente curtir juntos. O que acha?

MARIANA: - Eu acho maravilhoso! Eu quero muito passar a noite com você.

Os dois se beijam.

ALEX: - Fechado.

MARIANA: - Mas eu vou precisar dar uma desculpa lá em casa. Não vou poder dizer que vou dormir fora de casa e não falar onde.

ALEX: - Inventa que vai ficar na casa de uma amiga, alguma menina aqui da agência.

MARIANA: - Pode deixar que eu vou pensar em algo sim. Ai, que tudo! Já estou mega empolgada!

Beijam-se novamente. Ao fundo, surge Illana, como se estivesse procurando alguém. Vê Alex, se aproxima.

ILLANA: - Alex.

Alex e Mari se surpreendem.

MARIANA: - Oi, Illana!

ALEX: - Oi, Illana. O que foi?

ILLANA: - Desculpa atrapalhar o namoro dos pombinhos, mas eu preciso tratar de negócios com você.

ALEX: - Claro.

ILLANA: - Te espero lá na minha sala. Agora. (saindo)

MARIANA: - Ih, o que será que ela tem?

ALEX: - Deve ser estresse do trabalho, sei lá. Bom, vou logo antes que ela se irrite.

Os dois trocam mais uns beijos. Alex sai, apressado. Mariana fica pensativa, riso bobo no rosto, encantada.

CORTA:

CENA 22. AGÊNCIA R3. SALA ILLANA. INT. DIA.

Alex encara Illana. Ela sentada em sua cadeira. Ele de pé, próximo da mesa. Expressão de surpresa no rosto dele.

ALEX: - Ela quer me ver novamente?

ILLANA: - Eu juro que tentei descobrir o que você fez pra essa mulher, porque a voz dela no telefone estava estranha, parecia um tanto confusa. Mas me pediu que você a encontrasse de novo.

ALEX: - Ela praticamente fugiu de mim, me negou... Porque eu era negro. E agora... Eu não estou entendendo.

ILLANA: - Nem eu, meu querido. Só que o seguinte. Ela vai pagar o dobro.

ALEX: - Eu não vou. Eu nem posso ir hoje. Eu marquei com a Mari e a gente vai/

ILLANA (interrompe/levanta-se): - Ah, você vai. Você vai porque dinheiro assim não se nega, Alex. Você e a Mari terão zilhões de dias para fazer o que quiserem. Mas oportunidades como essa, é uma na vida e outra na morte. E olhe lá. Eu já confirmei. Mesmo motel, mesmo quarto, tudo ok.

Alex caminha de um lado a outro.

ILLANA: - Pensa nas contas que você tem pra pagar, na vida que você precisa manter aqui no Rio...

ALEX: - Que se danem as contas, que se dane a vida, a estrutura, tudo! Eu não sei se eu tenho estômago pra tudo isso de novo, Illana.

ILLANA: - Você é forte. Tem sim. E eu sei que vai fazer tudo direitinho. E depois vai me agradecer. Eu sei disso.

ALEX: - De onde você tira tanta certeza?

ILLANA: - Porque eu sei que as pessoas gostam de dinheiro, Alex. Não só gostam, elas precisam. E você ta tendo uma oportunidade que muitos gostariam de ter. Dinheiro fácil e rápido.

Alex pensativo. Ele vai saindo da sala.

ILLANA: - Mesmo horário, hein!

ALEX: - Não se preocupa. Não vou me atrasar.

Alex sai da sala.

ILLANA: - Ai, Alex... Eu te ajudo e você me ajuda. Assim que vai ser.

CENA 23. APTO PAULA E FERNANDA. INT. DIA.

Fernanda e Paula, Matheus e Roberta, sentados na sala. Matheus e Roberta ansiosos. Fernanda e Paula sentadas lado a lado, sorriso no rosto.

MATHEUS: - Falem logo, suas bruxas! Ai, não tem graça ficar matando a gente de curiosidade!

ROBERTA: - Já estou com vontade de beber! Pra aliviar a tensão!

FERNANDA (risos): - Calma, gente! Acreditem. A notícia é boa.

PAULA: - A notícia é maravilhosa!

MATHEUS: - Então fala!

Fernanda e Paula trocam olhares.

FERNANDA: - A Paula e eu vamos ser mamães.

Matheus e Roberta ficam surpresos. Silêncio na sala. De repente, Matheus e Roberta gritam, vibram, surpreendendo Fernanda e Paula.

ROBERTA: - Gente, meu coração vai sair pela boca! Que notícia maravilhosa é essa?!

MATHEUS (emocionado/feliz): - Eu, titio, gente!...

PAULA: - Sabia que vocês iam gostar! Nós estamos tão felizes!

ROBERTA: - Mas como a gente não iria gostar disso? Meninas, é um passo grandioso na história de vocês, na vida... Vocês estão formando uma família. Tem amor maior que isso?

Fernanda e Paula se beijam, apaixonadas.

MATHEUS: - E quando chega o baby?

FERNANDA: - Se tudo der certo, e eu sei que vai dar, daqui a nove meses.

ROBERTA: - Bem que eu li que esse processo de adoção leva um tempinho mesmo.

PAULA: - Nós não vamos adotar. A gente vai fazer inseminação artificial.

FERNANDA: - Nosso filho vai sair daqui (coloca a mão sobre a barriga).

Matheus e Roberta, emocionados, se abraçam a Fernanda e Paula.

MATHEUS: - Vocês merecem toda a felicidade do mundo!

FERNANDA: - A gente queria falar pra vocês, porque vocês são nossos melhores amigos e precisam saber desse momento importante na nossa vida.

ROBERTA: - Saibam que, no que vocês precisarem, nós estaremos aqui, do lado de vocês.

PAULA: - Hoje mesmo a gente vai fazer a escolha do material para a inseminação. Analisar o perfil do doador, enfim.

MATHEUS: - Escolham um boy baphônico, hein! Quero essa criança mais linda que o príncipe George!

Eles riem.

MATHEUS: - Brincadeiras à parte, eu quero essa criança feliz e saudável, com essas mamães lindas e esses titios babões em volta.

ROBERTA: - Acho que a família não será só de vocês duas. Será nossa também!

FERNANDA: - A nossa família!

Eles comemoram, felizes.

CENA 24. DANCETERIA JOQUER. INT. DIA.

Diogo conversa com Rick.

RICK (surpreso): - Terminou tudo?! Tudo mesmo?

Diogo concorda.

RICK: - Cara, eu sabia que você estava um tanto cansado dessa história de noivado, casamento e tal... Mas não pensei que você tivesse coragem de terminar com a Carla.

DIOGO: - De início nem eu acreditava. Mas eu fiz, Rick. Eu precisava mesmo. Eu quero me dedicar à minha vida agora, à Joquer. Aliás, você trouxe o relatório financeiro que eu tinha pedido?

Rick se retrai.

RICK: - Trouxe, claro. Eu vou buscar. Deixei lá em cima, no escritório.

Rick sai. Diogo sozinho no salão. Ele escuta passos de salto alto no piso, se aproximando. Carla surge.

DIOGO: - Carla?

CARLA: - Se você pensa que vai me abandonar, você está muito enganado, Diogo.

Neste instante, Rick volta trazendo os relatórios. Vê Diogo e Carla.

RICK: - Oi, Carla.

Carla não responde. Olhar fixo em Diogo.

DIOGO: - Como você está?

CARLA: - Você marca comigo um jantar para reunir as famílias, para oficializar o pedido de casamento. Aí do nada, você termina tudo comigo, me diz simplesmente que acabou, depois todos esses anos juntos, vai embora da minha casa sem me dar ao menos uma única explicação... E ainda me pergunta como eu estou? (grita) Como você acha que eu estou, Diogo?!

RICK: - Acho melhor a gente resolver esse lance de relatórios numa outra hora. Vou deixar vocês a sós.

Rick sai.

CARLA: - Eu quero acreditar, Diogo, que você está tendo um pequeno surto. Uma crise psicológica, sei lá e que está agindo estranho assim por causa disso. Porque não entra na minha cabeça essa sua atitude idiota.

DIOGO: - Minha decisão de terminar não é uma atitude idiota, Carla.

CARLA: - Então me fala, Diogo! O que foi que aconteceu pra você querer isso?!

DIOGO: - Eu cansei, Carla. Simplesmente cansei. E acabei vendo que nós queremos coisas diferentes para as nossas vidas. Não daria certo.

CARLA: - Estava dando certo até aqui!

Silêncio.

CARLA: - Você tem outra, não é?

DIOGO: - O quê?

CARLA: - É isso! Claro! Só pode ser isso!

DIOGO: - Do que você está falando?!

CARLA: - Você está com aquela outra, não está?

DIOGO: - Carla, eu não sei nem quem é essa outra que você está falando. Por favor...

CARLA: - Claro que sabe! Foi aqui mesmo que eu flagrei vocês dois!

Diogo percebe que Carla fala de Fernanda.

CARLA: - Fala, Diogo! Você está envolvido com aquela vadia, não está?

Os dois ficam a se encarar.

DIOGO: - Eu não tenho nada pra te falar, Carla. Acho que quem está surtando aqui é você.

CARLA: - Eu sei que é ela. Foi ela que fez sua cabeça. Eu vou descobrir, Diogo. E você, escuta bem o que estou falando. Você vai voltar pra mim. Eu sou a mulher perfeita pra você. Essa vagabunda não vai ter vez! Não vai!

Carla vai embora. Diogo fica ali, chocado com o show dela.

Corta:

CENA 25. AGÊNCIA R3. INT. DIA.

Lisa sentada no sofá, quando Mariana se aproxima com um copo de suco.

MARIANA: - Oi Lisa! Que bom que eu te encontrei aqui!

LISA: - Oi, Mari! E aí, como está?

MARIANA: - Tudo bem! Amiga, preciso de um favorzão seu.

LISA: - Claro, pode falar o que é. Antes, que suco é esse aí? Parece bom.

MARIANA: - Suco de manga. Natural. Peguei na cantina.

Lisa sente-se enjoada. Rapidamente se levanta do sofá, com a mão na boca e corre rumo adentro. Mariana estranha, deixa o suco no chão e vai atrás da amiga.

CENA 26. AGENCIA R3. BANHEIRO. INT. DIA.

Lisa sai do privado, lava o rosto na pia, em frente ao espelho. Mariana está ao seu lado.

LISA: - Nossa, Mari... Não sei o que me deu. Senti um embrulho no estômago. Pior que ontem também tive essa mesma sensação, de enjoo.

MARIANA: - Isso é estranho, amiga. Você já procurou um médico?

LISA: - Não.

MARIANA: - Lisa, desculpa perguntar, mas, você já menstruou?

LISA: - Esse mês ainda não. Já era até pra ter descido.

Lisa fica pensativa, um tanto apreensiva.

MARIANA: - Lisa, menstruação atrasada, enjoo... Amiga, será que você não está grávida?!

LISA (chocada): - Eu? Grávida?! Não! Isso não pode acontecer!

Lisa se mostra preocupada.

Corta:

CENA 27. CLÍNICA BERTOLINI. INT. DIA.

Fernanda e Paula escolhem o perfil do doador, observando fichas com dados deles. Olívia as auxilia.

PAULA: - Isso é meio estranho. Parece que eu estou escolhendo um produto no supermercado.

FERNANDA: - Tenho que concordar.

OLÍVIA: - Mas é assim memso, meninas... Aí nessas fichas tem todas as características dos doadores. Estilo de vida, tipo sanguíneo, cor dos cabelos, dos olhos, pele.

PAULA: - Só não tem os nomes.

OLÍVIA: - Claro que não, Paula (risos) Os doadores são anônimos. Apenas nós da clínica temos acesso aos dados pessoais deles.

FERNANDA: - E como vamos saber qual o doador?

OLÍVIA: - Pelo número do cadastro. Tem ali em cima na ficha.

Fernanda e Paula continuam olhando.

PAULA: - Eu gostei desse aqui.

FERNANDA: - Qual o número?

PAULA: - 175. (entrega ficha para Fernanda)

Fernanda vê a ficha.

OLÍVIA: - E você Nanda, o que acha?

FERNANDA: - Gostei também. Acho que pode ser esse mesmo.

PAULA: - Sério, Nanda? Pode ser esse mesmo, o 175?

FERNANDA: - Pode sim, meu amor. Pode ser o 175.

Olívia recolhe a ficha do doador 175.

OLÍVIA: - Agora, meninas, é só agendar o dia da inseminação. Acho que o doutor Túlio está na sala dele. Já podemos ir pra lá marcar tudo.

FERNANDA: - Vamos! Eu já estou ansiosa!

OLÍVIA: - Eu vou guardar aqui essas fichas, mas vocês já podem ir indo pra lá. Eu chego num minuto.

PAULA: - Tá certo.

Paula e Fernanda saem abraçadas. Olívia organiza as fichas. Pega a ficha do doador 175 e senta-se em sua mesa. Ela abre o sistema, digita o código. CAM foca na tela do computador de Olívia.

CÓDIGO DO DOADOR: 175

NOME: DIOGO TROIANI.

 
     
     
REALIZAÇÃO


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