ESCOLHAS DA VIDA - CAPÍTULO 07


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CAPÍTULO 07
 
     

     

 

     
 

CENA 01. APTO FERNANDA E PAULA. QUARTO. INT. DIA.

Continuação do capítulo anterior. Paula fica surpresa com a pergunta de Fernanda.

FERNANDA: - Então, Paula? Não vai responder?

PAULA (senta-se na cama): - Você me pegou meio de surpresa, Nanda. Não esperava.

FERNANDA: - Eu sei.

Ela vira-se para a janela, olha as crianças no parquinho.

FERNANDA: - Essas crianças brincando, as mães acompanhando tudo. É tão bonito ver elas crescendo, conhecendo o mundo. Aprendendo com os pais e ensinando pra eles também como é bom viver.

PAULA: - A conversa de ontem mexeu mesmo com você.

FERNANDA (vira-se): - Mexeu. Acordei mais cedo, vi o sol nascer daqui da janela e fiquei pensando nessa possibilidade.

PAULA: - Você acha mesmo que a gente pode ter um filho?

FERNANDA: - Se a gente se ama, é possível sim.

PAULA: - Não é só amor, Nanda. Ter um filho exige muito mais.

FERNANDA: - Eu sei. É estrutura, dinheiro, cuidados.

PAULA: - A gente vai ter que pensar e muito antes de decidir por isso. Não pode ser apenas uma vontade, algo momentâneo. Filho é pra sempre.

FERNANDA: - Pode ter certeza que não é uma simples vontade. (aproxima-se de Paula) Eu vou ser mãe.

Na convicção dela.

CENA 02. PRÉDIO OSVALDO. ELEVADOR. INT. DIA.

Lisa fica chocada com o tratamento de Regina.

REGINA: - Você não ouviu ainda? Vai ficar aí parada me olhando? Vocês, empregados, devem usar o elevador de serviço. Vamos, saia logo daqui!

LISA: - Mas a senhora está muito enganada! Eu não sou empregada não!

REGINA: - Ah, não? Bom, e moradora você também não é, porque gente como você não mora em lugares assim.

LISA: - Gente como eu? O que a senhora pensa que é pra falar este tipo de coisa, hein? Só porque eu sou negra, eu não poderia ser moradora deste condomínio de luxo, é isso?

REGINA: - Você mesma já está respondendo.

LISA: - Eu não estou respondendo nada! Eu estou é perplexa com tanto preconceito!

REGINA: - Começou o discurso de vitimização, das minorias. Ai, garota, não cansa minha beleza, ok? Sai logo do elevador, que eu preciso subir pra minha casa, tomar um banho, tirar o suor do corpo e esse cheiro que já impregnou aqui no elevador.

LISA: - Mas eu não vou descer mesmo!

Lisa aperta o botão, a porta se fecha e o elevador sobe.

REGINA (resmunga): - É muita petulância.

LISA: - A senhora não tem vergonha disso tudo, não? Desse preconceito todo aí?!

REGINA: - O que você chama de preconceito, eu chamo de lei da vida. Aqui é igual uma selva, tem os predadores e as presas. E vocês nunca serão predadores. Não posso fazer nada, a vida é assim.

LISA: - A vida vai muito além desse seu preconceito nojento. E a senhora vai acabar sendo vítima da própria ignorância.

A porta do elevador se abre, em frente à porta do apto de Regina. Mariana já está na porta.

MARIANA: - Lisa! Esperei você aqui porque estranhei a demora! (vê Regina) Mãe! Que legal! Subiram as duas juntas!

Regina se surpreende.

REGINA: - Que legal?!

MARIANA: - Mãe, essa é a Lisa. Ela é modelo lá na R3 e veio aqui me dar umas dicas para eu ir bem nos próximos trabalhos. Lisa, essa é a minha mãe, Regina.

Lisa fica um tanto sem jeito, tal qual Regina.

LISA: - Desculpa, Mari, mas não vai dar para eu ficar. Eu lembrei que tenho um compromisso urgente pra comparecer. (entrega a bolsa para Mariana) Pode ficar com o material para você estudar.

MARIANA (sem entender): - Mas, Lisa, a gente combinou que/

REGINA (interrompe): - Você ouviu a menina, Mariana. Ela precisa ir embora.

Regina encara Lisa, que volta para o elevador. A porta se fecha com Regina encarando Lisa.

MARIANA: - Nossa, eu nunca vi ela assim.

REGINA: - Você precisa selecionar melhor as pessoas que convida para vir aqui em casa, Mariana.

Reginana ENTRA no apartamento. CAM e Mariana a seguem, fechando a porta.

REGINA: - Não dá pra trazer qualquer um que você acha legal. Tem que ter confiança. Você entrou nessa agência a pouco tempo e já começa a trazer essa gente pra cá sem nem ao menos conhecer direito.

MARIANA: - Mas a Lisa é uma garota super gente fina, super do bem. Não é qualquer pessoa não.

REGINA: - Mesmo assim. Eu quero mais cuidado da próxima vez. Seu pai ligou?

MARIANA: - Ligou. Disse que fez reserva para vocês no restaurante de sempre.

REGINA: - Ótimo. Hoje vamos jantar fora.

MARIANA: - Bom, eu vou estudar então.

Mariana sai. Regina na sala, pensativa.

REGINA: - Era só o que me faltava, aquela negrinha andando aqui dentro da minha casa! Seria o fim!

CORTA:

CENA 03. PRÉDIO OSVALDO. EXT. DIA.

Lisa sai apressada do prédio, para na calçada. PLANO DETALHE de seu rosto, olhos marejados.

LISA: - Ai, que raiva! Eu deveria era ter dado uns bons tapas naquela bruxa! (respira fundo) Calma, Lisa. Muita calma nessa hora. (T) Coitada da Mari. Não deve ter noção da mãe que tem.

Lisa vai embora.

CENA 04. CASA BRUNO. QUARTO BRUNO. INT. DIA.

Bruno está no computador, quando Vini entra.

VINI: - Fala Brunão! E aí cara, sumiu ontem!

E vai se acomodando na cama.

BRUNO: - Foi mal cara, não deu pra avisar. Mas é que ou era ou não era, entendeu?

VINI: - Vai me dizer que...

Os dois se olham cúmplices.

BRUNO: - Pois é.

VINI (animado): - Ah moleque, levou a mina pra cama! Qual motel? Aquele caro lá da Barra?

BRUNO: - Tá louco? Naquele lá só quando eu for rico e isso vai demorar um pouco pra acontecer.

VINI: - E foi onde então? Aqui?

BRUNO: - Que nada. No apartamento dela.

VINI: - Rapaz... E aí?

BRUNO: - E aí o que, cabeça? Ih... Tá parecendo mulherzinha querendo saber de fofoca.

VINI: - Deixa de ser palhaço, Bruno! Fala aí, como é que foi? Deu um trato legal nela?

BRUNO: - Foi bom sim. Foi demais! Aquela mulher é uma loucura!. Mas eu senti que foi diferente.

VINI: - Como assim, diferente? (debochado) Fizeram uma posição nova?

BRUNO: - Rolou algo mais além de tesão, prazer. Teve carinho, sabe?

VINI (estranha): - Ih... Tá apaixonado já?! Recém conheceu a gata e já gamou, Brunão? Assim não dá né?

BRUNO: - Ce tá falando isso porque não entende. A Lisa é especial. Antes de ir embora, deixei um bilhete pra ela. Meu telefone, sugerindo um novo encontro. Vou investir cara. Acho que dá certo.

VINI: - Eu acho um erro tremendo se amarrar justo agora que tá cheio de mulher bonita, dando pinta por aí. Mas, se você prefere assim vai fundo. Sobra mais pra mim. (e ri)

BRUNO: - Valeu. E tu, como é que se virou na danceteria? Pegou alguém?

VINI: - Brunão! Dei uns pega numa loirinha! Nossa, avião!

BRUNO: - Jura?! Tá brincando...

VINI: - Falando sério!

BRUNO: - E qual o nome dela?

VINI: - Joana. Não, Mariana. Ou Raquel, sei lá, não lembro. O que eu lembro muito bem é que ela tinha uma comissão de frente e uma cinturinha de tirar qualquer um do sério, rapá!

Bruno ri. Vini continua contando empolgado sobre sua noite.

CENA 05. CASA DIOGO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Carla está sentada no sofá, folheando umas revistas. Diogo entra na sala.

CARLA: - Mais calmo agora?

DIOGO: - Eu sempre estive calmo.

CARLA: - Não parecia lá em cima.

DIOGO: - Acontece que muito assunto, de manhã cedo, me deixa um pouco cansado. Ninguém gosta de acordar com a cabeça cheia, não é verdade?

CARLA: - Não sabia que nosso casamento te deixava de cabeça cheia.

DIOGO: - A questão não é o nosso casamento, mas tudo que envolve os preparativos para uma festa dessas.

CARLA (impaciente): - Tá bom, tá bom. Não quero discutir com você. Toma lá o seu café e depois vamos sair.

DIOGO: - E vamos pra onde?

CARLA: - Pro shopping. Já que ontem eu não pude ir na Joquer, hoje eu quero comprar um vestido lindo e arrasar.

CENA 06. DANCETERIA JOQUER. INT. DIA.

Alguns funcionários da limpeza trabalham. Rick inspeciona tudo, ao mesmo tempo que observa atentamente para ver se ninguém o está cuidando, de olho nele. Ele se aproxima do balcão do caixa.

CORTE DESCONTÍNUO. Rick abre a caixa registradora. CAM mostra as notas de dinheiro. Rick as deseja. Ele cuida para ver se ninguém está olhando e pega algumas notas, coloca no bolso. Fecha a caixa rapidamente. Um funcionário se aproxima.

FUNCIONÁRIO: - Rick!

Ele se vira no susto.

RICK:- Porra, cara!

FUNCIONÁRIO: - Te assustei?

RICK: - Que que ce acha?

FUNCIONÁRIO: - Foi mal. É que os fornecedores de cerveja já chegaram.

RICK: - Ok. Vai atendê-los e já deixa tudo preparado na copa.

O funcionário assente se retira. Em Rick, um tanto desconfiado.

CENA 07. APTO MATHEUS. SALA. INT. DIA.

Matheus e Roberta se preparando para fazer sua caminhada matinal. Os dois se exercitam na sala.

ROBERTA: - To pensando na gente marcar um almoço com as meninas hoje. O que acha?

MATHEUS: - Acho bom. Faz tempo que a gente não almoça juntos. Seria bom também marcar uma balada né?

ROBERTA: - Ah sim, isso sim. To precisando beijar muito na boca!

MATHEUS: - Só você? E eu?!

ROBERTA: - Mas pra você beijar na boca, não dá pra ser já Joquer né? Tem que ser numa balada gay.

Ele para o exercício. Exagera.

MUSIC ON: (Arregaçada - Banda Uó)

MATHEUS: - OH-MY-GOD! Para tudo, Beta!

ROBERTA: - O que foi, biba?

MATHEUS: - Você acendeu uma luz no fim do túnel pra mim. E eu vou precisar da sua ajuda.

ROBERTA: - Ai ai ai! O que você tá aprontando, ou melhor, querendo aprontar?

MATHEUS: - Vamos numa balada gay?

ROBERTA (para o exercício): - O quê?! Você pirou?! Matheus, o que eu, Roberta, a devoradora de homens, vou fazer numa balada gay?!

MATHEUS: - Me acompanhar, oras! (dengoso) Ai, amiga, eu to necessitado de carinho, de contato, de pele na pele! E como você bem disse, na Joquer não vou encontrar isso que eu quero.

ROBERTA: - Eu e a minha boca santa. Ai, Matheus, e eu? Como eu fico?

MATHEUS: - Fica na sua. Tá cheio de gente que vai em balada gay só pra olhar, dançar. Não precisa ficar com ninguém.

ROBERTA: - Até porque lá eu não vou mesmo ficar com ninguém.

MATHEUS: - Então, topa ir comigo?

Ela pensa um pouco.

ROBERTA: - Tá bom, eu topo. Mas tem que ser num lugar maneiro.

MATHEUS: - Pode deixar comigo! Conheço lugares ótimos!

Matheus se mostra todo empolgado, enquanto Roberta ainda não aceitou bem a ideia.

MUSIC FADE.

CENA 08. SUPERMERCADO COMPRE AKI. INT. DIA.

Paula trabalha no caixa. Seu pensamento está longe. Em off, parte da conversa das duas, de manhã.

PAULA (OFF): - A gente vai ter que pensar e muito antes de decidir por isso. Não pode ser apenas uma vontade, algo momentâneo. Filho é pra sempre.

FERNANDA (OFF): - Mas não é. Pode ter certeza que não é uma simples vontade. (aproxima-se de Paula) Eu vou ser mãe.

Paula termina de atender o cliente.

PAULA: - Ai meu Deus, o que eu faço?

Paula fica pensativa.

Corta:

CENA 09. ESCRITÓRIO DE ARQUITETURA O&K. INT. DIA.

O escritório está movimentado, pessoas conversando. Fernanda entra no local. Um breve silêncio. Fernanda se mostra firme, passando por entre as mesas, indo em direção à sua. Um pequeno burburinho toma conta do local. Fernanda passa diante da mesa de Danilo. Ela o encara. Danilo desvia o olhar. Fernanda passa, chega na sua mesa, senta. Logo em seguida, Laisla se aproxima.

LAISLA: - E aí amiga, como você tá?

FERNANDA: - Tô bem, Laisla. Tudo tranqüilo.

LAISLA: - Tem que ser forte né? Não dá pra deixar se abalar por essas coisas.

FERNANDA: - Não estou abalada. Já está tudo bem.

LAISLA: - O Danilo tá com a cara lá no chão. Deu maior vexame.

FERNANDA: - Nem me lembro mais quem é esse cara.

LAISLA: - Claro... Você tentando esquecer e eu aqui falando e/ Bem, vou deixar você trabalhar. Qualquer coisa, me chama.

FERNANDA: - Tá bom, obrigada.

Laisla se afasta. Fernanda organiza suas coisas para trabalhar.

CENA 10. SHOPPING. INT. DIA.

Carla e Diogo passeiam pelo shopping, enquanto conversam.

DIOGO: - Você nem me falou como foi o jantar com seus pais.

CARLA: - Foi bom, a mesma coisa de sempre. Mas desta vez a minha mãe trouxe umas roupas lindas pra mim.

DIOGO: - Seu Milton deve pirar com o fato dela ficar gastando tanto dinheiro.

CARLA: - Mas dinheiro é pra ser gasto, Diogo! E esse foi o trato deles quando se separaram. Meu pai ficava comigo em troca de sustentar os caprichos da minha mãe na Itália. E até foi bom eles terem pensado nisso. Não ficaria bem eu passar perrengue na Itália... Ai, falando nisso, a gente bem que poderia marcar um jantar com os nossos pais!

DIOGO: - Com nossos pais?

CARLA: - Isso! Aproveitamos que a minha mãe está por aqui e fazemos um jantar com nossos pais, todos juntos. Assim já oficializamos o pedido de casamento.

Diogo se mostra desconfortável.

CARLA: - Perfeito não?

DIOGO: - É, pode ser.

CARLA: - Vou falar com o meu pai. Ele vai adorar receber você e seus pais lá em casa.

Nesse instante, Rick vai saindo de uma loja de grife, com sacolas de compras. Diogo o vê.

DIOGO: - Rick!

Rick se mostra surpreso ao ver Diogo e Carla, que se aproximam.

CARLA: - Tirando o dia para compras também, Rick?

RICK: - Agora sou empresário da noite, preciso estar bem vestido.

CARLA: - Faz bem. A aparência é tudo.

DIOGO: - Quase tudo, né, gente? Quase tudo.

RICK: - Mas e vocês, namorando um pouco?

CARLA: - Namorando, falando sobre a vida e sobre o casamento.

Rick e Diogo se entreolham.

RICK: - Bom, vou indo nessa então. Não quero atrapalhar os projetos do casal... (a Diogo) Te vejo à noite na Joquer?

DIOGO: - Com certeza.

RICK: - Então até mais. Tchau!

Rick vai embora.

CARLA: - O Rick, comprando nessa loja cara aqui? Tá podendo.

DIOGO: - Ele só tá querendo estar bem apresentável na boate.

CARLA: - Então vem comigo que eu vou te levar numa loja linda que tem aqui pra você escolher uma roupa bem linda pra usar hoje. Não vai ser só o Rick que vai estar bonitão.

DIOGO: - Mas eu não preciso, estou bem com as minhas roupas.

CARLA: - Nem vem, Diogo. É um agrado meu. Vem comigo!

Carla puxa Diogo, que vai meio a contragosto.

CENA 11. CASA ELIANE. PÁTIO. EXT. DIA.

João está cortando a grama quando percebe a chegada de Lauro. Ele desliga a máquina. Lauro para no portão. Os dois se encaram. Eliane observa tudo pela janela da sala.

JOÃO: - O que foi?

LAURO: - Eu vim pegar o carro.

JOÃO: - Eu tinha pedido um tempo.

LAURO: - O pessoal lá da loja não aceitou seu tempo. Tenho ordem pra voltar lá com o carro.

JOÃO: - Pô Lauro, facilita aí pra mim. Eu to pra pegar uma grana e aí pago o que eu to devendo.

LAURO (entra no pátio, se aproxima de João): - Não, João. Já chega. Não dá mais pra esperar. Se eu não voltar lá com o carro, quem dança sou eu.

JOÃO: - Mas desta vez eu pego junto, Lauro. PÔ cara, dá um jeito lá...

Ele observa na janela. Eliane está olhando tudo, atenta.

LAURO: - Sem jogo, João. Ou me entrega a chave do carro, agora, ou eu vou ter que voltar aqui com a polícia.

João hesita um pouco, mas acaba aceitando. Ele vai até a garagem do lado da casa. Lauro o acompanha. João entrega a chave para Lauro, que entra no carro, o liga e vai embora.

João fica no meio do pátio, observando o carro que vai seguindo pela rua e logo depois segue para dentro de casa.

CORTA:

CENA 12. CASA ELIANE. SALA. INT. DIA.

João entra. Eliane por ali, expressão fechada. Tempo nos dois em silêncio até que...

JOÃO: - Eu tentei/

ELIANE: - Fracassado. Você é um fracassado.

JOÃO: - Eu vou recuperar o que é meu.

ELIANE: - Recuperar o quê, João?! Tu não tem nada pra recuperar, nunca teve. É um Zé Ninguém... Eu não sei como eu consegui fazer um filho contigo?! Eu deveria estar bêbada quando isso aconteceu.

JOÃO: - Você vive bêbada, uma alcoólatra, desequilibrada.

ELIANE: - Desequilibrada? Você acha que é fácil dar conta dessa casa, dar conta de você?!

JOÃO: - Ninguém precisa dar conta de mim! E você não consegue dar conta nem de si mesma! Nem dos seus filhos! O Tito é praticamente um estranho aqui dentro.

Tito surge sorrateiro por ali, para um instante, presencia a discussão.

JOÃO: - E ainda tem aquela outra lá, vadia revoltada... Vê se eu posso com isso, fica se esfregando com outra mulher e a mãe aqui, aplaudindo tudo.

Eliane dá um tapa na cara de João. Tito sai sem ser percebido.

ELIANE (raiva): - Lava bem essa boca imunda pra falar dos meus filhos. Você não tem direito nenhum.

JOÃO: - Quer saber? Vai pro inferno, Eliane! Você merece mesmo essa vida desgraçada!

ELIANE: - Vida desgraçada é a que você me deu quando a gente se casou. Há tempos que eu não sei o que é felicidade aqui nessa casa, nesse casamento.

JOÃO: - Não sabe porque também não se esforça pra conquistar.

ELIANE: - Ah, eu não me esforço?!

JOÃO: - Não, não se esforça! Eu passo o dia fora, pegando serviço, pra trazer comida aqui pra dentro. E quando eu volto pra casa, ela tá imunda, fedendo a cigarro e cachaça.

ELIANE: - Pegando serviço?! (ri debochada) Só se for serviço de prostituta. Ou tu pensa que eu não sei que tu vive se agarrando com essas vagabundas!

Ela parte pra cima dele, esbofeteando-o.

ELIANE: -  Pensa que eu não sei? Seu canalha!

João se defende dos tapas de Eliane. Ele a empurra, ela cai sobre o sofá.

JOÃO: - Eu tenho que buscar na rua o que em casa eu não tenho. Ou melhor, até tenho. Mas é uma droga.

João vai para o quarto. Eliane, no sofá, começa a chorar.

CORTA:

CENA 13. RUA. EXT. DIA.

Tito caminha pela calçada, cabisbaixo. Caminha pensativo, como se quisesse esquecer da discussão que presenciou, dos problemas que tem em casa, buscando paz, um porto seguro.

CENA 14. CASA ARTHUR E NORMA. SALA. INT. DIA.

Norma ao telefone, confirma os convidados da festa de aniversário de Arthur. Ele entra.

NORMA (ao telefone): - Que bom que vocês vêm. (T) Tá certo, obrigada! (T) Beijinhos.

Desliga o telefone.

NORMA: - Zulmira e o Chico vão vir.

ARTHUR: - Coisa boa!

NORMA: - Aham, também fiquei feliz... (olhando a lista) acho que são esses então os convidados.

ARTHUR: - Você não esqueceu de colocar o Gabriel nesta lista né?

NORMA; - Não, eu não esqueci. Mesmo a contragosto, eu coloquei ele na lista.

ARTHUR: - E os pais dele?

NORMA: - Quem? A Selma e o Humberto?

ARTHUR: - Claro, Norma! O convite é extensivo a toda família dele.

NORMA (protesta): - Ai Arthur, essa história de trazer o Gabriel e a família dele pra cá, sei não.

ARTHUR: - Ah, Norma! Por favor! O aniversário é meu, a casa é minha e eu tenho o direito de convidar quem eu quiser.

NORMA: - Mas a festa já é amanhã. Com que cara eu vou ligar pra Selma e falar pra ela do aniversário?

ARTHUR: - Deixa que depois eu ligo para o Gabriel e aviso para ele trazer os pais junto. Vou até o bar pegar umas cervejas. Volto já.

NORMA: - Tudo bem.

Arthur sai. Norma se mostra um tanto apreensiva.

CENA 15. SHOPPING. LOJA DE ROUPAS MASCULINAS. INT. DIA.

Carla está sentada no sofá, enquanto aguarda Diogo que está dentro do provador. Seu celular toca, ela atende.

CARLA: - Alô! (T) Oi Lisa! Tudo. (T) Eu to aqui no shopping, fazendo compras com o Diogo. (T) É, com o Diogo! Consegui arrastar ele pra cá (risos) E você, tá onde? (T) Hoje?! (T) ai amiga, tinha esquecido completamente! (T) Mas faz assim, me encontra lá no estúdio que daqui a pouco eu chego. Pode ser? (T) Tá bom... (T) Novidade?! Adoro.

Diogo sai do provador. Está bem vestido, bonito.

CARLA (ao telefone): E não dá pra contar agora? (pede para Diogo dar uma viradinha) Ai, Lisa! Vai me matar de curiosidade! (T)

Ela faz sinal de que Diogo está perfeito. A atendente se aproxima.

DIOGO: - Vou levar essa aqui.

Diogo volta para o provador. Carla continua ao telefone.

CARLA (ao telefone): - Tá bom amiga, te vejo daqui a pouco então. (T) Beijo!

Desliga o telefone, vai até o provador abrindo a cortina sem cerimônia. Diogo está de cueca.

DIOGO (surpreso): - Carla! Fecha isso!

CARLA: - Você ficou divino com a roupa, mas fica mais lindo assim! (risos)

Diogo também ri. Se beijam.

CARLA: - Te espero ali fora. Depois vou me encontrar com a Lisa. Ela vai fazer umas fotos e eu fiquei de ir junto pro estúdio.

DIOGO: - Tudo bem. Eu vou pra casa e também já comunico meus pais do jantar.

CARLA: - Ai que tudo!

Ela e abraça em Diogo, o beija.

DIOGO: - Carla! Estamos na loja.

CARLA: - Tá bom, tá bom. Te espero ali fora, delícia.

Carla fecha a cortina e sai.

CENA 16. SUPERMERCADO COMPRE AKI. EXT. DIA.

Paula conversa com Ivete.

PAULA: - Movimento hoje está demais.

IVETE: - Fim de ano né. Lembra ano passado? Não tinha mais carrinho para as compras, maior loucura.

PAULA: - É, loucura.

IVETE: - Posso te perguntar uma coisa, Paula?

PAULA: - Pode, claro.

IVETE: - Hoje você está tão longe...

PAULA: - Como assim?

IVETE: - Cabeça, pensamento... Aconteceu alguma coisa?

PAULA: - Não, Ivete, não aconteceu nada não.

IVETE: - Tem certeza?

PAULA: - Tenho sim. Não tem nada não.

IVETE: - Que chato isso né? Pareço uma mãe. Mãe que fica perguntando essas coisas pros filhos né? Com certeza eu vou ser assim ou mais com os meus filhos. Sabe, às vezes eu fico pensando se eu vou ser uma boa mãe. Acho que sim Mas eu vou ser muito coruja, muito babona e super protetora. E você?

PAULA: - Eu o quê?

IVETE: - Vai ser uma boa mãe?

PAULA: - Não sei...

IVETE: - Mas pensa em ter filhos pelo menos? Eu quero ter no mínimo dois. Um casal.

PAULA: - Eu ainda não pensei nisso.

IVETE: - Mas é bom pensar, aproveitar que é jovem e tem pique pra cuidar de criança.

Um funcionário se aproxima, faz sinal para Ivete.

IVETE: - Acabou meu horário de folga. Vou lá.

PAULA: - Bom serviço.

Ivete sai. Paula fica pensativa.

CENA 17. BAR. INT. DIA.

Arthur chega no bar. Vai direto ao balcão. Solano está no local, sentado em uma mesa.

ARTHUR (ao atendente): - Essas quatro aí (entrega a sacola com garrafas. Vê Solano sentado) Como vai, Solano?

SOLANO: - Tudo bem, Arthur, e você? Preparado para ficar mais velho?

ARTHUR: - Mais velho não, Solano. Experiente...

SOLANO: - Tá certo. Mas da velhice ninguém escapa.

ARTHUR (aproxima-se): - Por que diz isso? Chateado por envelhecer?

SOLANO: - Não, imagina. Não tenho vergonha nenhuma dos meus cabelos brancos. Estou é nostálgico, só isso. Fico feliz em ver a energia que esses jovens, como o Bruno, meu neto, têm hoje. Não sei se eu faria um terço do que eles fazem hoje, lá na minha época.

ARTHUR: - Esses jovens de hoje são cada vez mais modernos. Já nascem num outro tempo.

SOLANO: - Falando nisso, como vai a Nanda? Nunca mais a vi.

ARTHUR (muda expressão): - Está bem.

E levanta-se, vai até o balcão pegar as cervejas.

SOLANO: - Dê lembranças minhas à ela. Admiro muito sua filha.

ARTHUR: - Obrigado, Solano. Até mais ver!

Arthur sai.

CENA 18. ESTÚDIO FOTOGRÁFICO. INT. DIA.

Carla e Lisa conversam enquanto aguardam o cenário ficar pronto para as fotos.

LISA: - Que bom que você veio comigo! Eu tava ansiosa por esse ensaio. E também passei por uma hoje que nossa, eu prefiro até esquecer.

CARLA: - O que aconteceu?

LISA: - Uma situação muito chata, com a mãe de uma modelo nova lá na agência. Mas eu não quero falar disso não. Quero falar dessas fotos, que serão importantes pra mim.

CARLA: - Tudo bem, como você quiser. Pelo visto vai ser uma seção muito bonita. Mas não fica me enrolando. Pode falar aí, a novidade que você disse que tem pra me contar.

LISA: - A curiosidade matou um gato, sabia?

CARLA: - E eu vou matar você se não me contar! Fala logo, Lisa!

LISA: - Tá bom, tá bom. Tá preparada?

CARLA (ansiosa): - Tô!!

LISA: - Eu to namorando.

CARLA (surpresa/histérica): - Não me diz isso!

Carla ri/se empolga, Lisa pede para ela rir mais baixo, se conter. Lisa está animada também.

CARLA: - Como assim, namorando?!

LISA: - Acho que é namorando.

CARLA: - Tá, mas quem é o bofe? Eu conheço? É das rodinhas? Zona Sul? Barra?

LISA: - Não, nada disso. Na verdade, não sei onde mora. Só sei que o nome dele é Bruno e ele é super fofo!

CARLA: - Ai, já tá apaixonada!

O fotógrafo chega no estúdio.

FOTÓGRAFO: - Vamos começar, Lisa?

LISA: - Vamos sim.

CARLA: - Vai lá e depois me fala tudo sobre esse Bruno! Quero saber todos os detalhes, de tudo!

Lisa vai tirar as fotos, enquanto Carla acompanha o ensaio.

CENA 19. JOQUER. EXT. DIA.

Bruno passa em frente ao estabelecimento. Aos poucos, vai parando, caminhando mais devagar, observando a placa na porta. CAM foca nela onde está escrito: “ESTAMOS CONTRATANDO”. Bruno entra.

CENA 20. ESTÚDIO FOTOGRÁFICO. INT. DIA.

O fotógrafo mostra as fotos para Lisa e Carla no computador. As duas se mostram satisfeitas com o resultado. Lisa está animada.

FOTÓGRAFO: - Bom, vou deixar vocês olhando aí, daqui a pouco eu volto.

LISA: - Obrigada!

O fotógrafo se afasta.

LISA (animada): - Ai Carla, você viu?! Ficaram lindas as fotos!

CARLA: - Eu vi. Foi um ensaio muito bom amiga. Tem tudo pra bombar.

LISA: - Tomara!

CARLA: - Agora pode contar pra mim tudo sobre esse seu novo alvo amoroso. Vamos, pode falar! É Bruno o nome dele, né?

LISA: - Isso mesmo. Ai Carla, ele é todo carinhoso, um cara muito legal, gente fina mesmo.

CARLA: - Tá, ele é da onde? Barra, Ipanema, Leblon, Urca?

LISA: - Não sei.

CARLA: - Como não sabe, Lisa? Fica com o cara sem nem saber de onde ele é? Vai que ele é um maníaco, um traficante dessas favelas aí da Zona Norte? Um estelionatário/

LISA: - Ai, credo, Carla! Não, para com isso! O Bruno é super do bem, gente da paz.

CARLA: - É que você às vezes é tão ingênua. Tenho medo que se decepcione com os homens.

LISA: - Não se preocupa, porque pelo o que eu pude ver, com o Bruno eu não vou me decepcionar não. (riso)

CARLA: - Ih, essa sua carinha... Fala, Lisa, o que foi?

LISA: - Ah, deixa pra lá.

CARLA: - Ah não, fala!

Lisa esconde o rosto, tímida. Carla deduz.

CARLA: - Não vai me dizer que você e esse Bruno já...!

LISA: - Já!

CARLA (surpresa): - Tô chocada!

LISA: - E foi ma-ra-vi-lho-so!

CARLA: - Ai me conta! Conta tudo, nos mínimos detalhes!

As duas seguem conversando, animadas, fora do áudio.

CENA 21. RIO DE JANEIRO. EXT.

MUSIC ON: (Give me love - Nego Joe)

TAKES gerais do Rio de Janeiro. Mostra o pôr-do-sol na praia para em seguida vermos a cidade anoitecendo.

CENA 22. RESTAURANTE. INT. NOITE.

MUSIC FADE.

PLANO GERAL do ambiente sofisticado. Em uma das mesas, Illana e Alex jantam.

ALEX: - Eu não sei nem me comportar aqui.

ILLANA: - Sabe sim. Você não é um ignorante completo em boas maneiras.

ALEX: - Confesso que você está me ajudando bastante.

ILLANA: - Eu sei lapidar diamantes.

ALEX: - Mas você disse que a gente vinha jantar porque tinha uma proposta para me fazer.

ILLANA: - Ah, claro. Pois bem, como eu falei, esse trabalho de modelo nem sempre rende o quanto precisa render. Às vezes não surge trabalho ou é preciso fazer um extra para ganhar uma grana a mais.

ALEX: - Sim...

ILLANA: - E eu tenho o caminho para essa grana extra.

ALEX: - Tem, é? E qual é?

ILLANA: - Você já ouviu falar em book azul?

CLOSEP-UP nele. CORTE DESCONTÍNUO. Osvaldo e Regina estão no mesmo restaurante sentados à uma mesa.

REGINA: - Bom que o Humberto procurou você para negócios. Até foi coincidência. A Selma também me procurou para fazer projeto arquitetônico da área de lazer do quintal deles.

OSVALDO: - O Humberto é um bom estrategista. Ele sabe bem o que quer. Eu já fiz outros serviços para ele, tive êxito. E o melhor, ele paga muito bem.

REGINA: - E isso é ótimo! Mais dinheiro. A gente precisa de um up na nossa vida... Estive pensando até em a gente se mudar. Sei lá, para um condomínio melhor.

OSVALDO: - Mas eu gosto tanto daquele nosso ali. Perto de tudo.

REGINA: - Mas já não está a mesma coisa, Osvaldo. Hoje mesmo, tive uma situação muito desagradável com uma moça, que depois descobri ser modelo também, lá na agência onde a Mariana está.

OSVALDO: - O que aconteceu?

REGINA: - Garota petulante. Cheia da razão. Coitada, eu até entendo que gente como ela, pobre e de cor, não esteja acostumada a frequentar lugares de bom gosto como é onde moramos. Mas é preciso ter o mínimo de decência. A moça não sabia se portar, nem na vestimenta, em nada.

OSVALDO: - Mas ela destratou você? Eu ainda não entendi o que aconteceu, Regina.

REGINA: - Ela quis subir no elevador social cheia de sacolas, contendo sei lá o quê. Eu avisei educadamente para ela que ali não era o local adequado. Que para isso, tem o elevador de serviço. E ela simplesmente me disse poucas e boas. Eu fiquei chocada, mas não respondi, porque a gente não deve deixar o nível da discussão no mesmo patamar daquele que não tem razão das coisas. A minha sorte foi que quando ela chegou no nosso apartamento, ficou constrangida de ter me destratado porque não sabia que eu era a mãe da Mariana. Ela virou as costas e foi embora. E eu agradeci a Deus por livrar nosso lar de uma pessoa tão desequilibrada.

OSVALDO: - Mas a Mariana precisa escolher melhor as amizades. Ainda mais nesse meio cheio de glamour. Tem muita gente que tá ali só por interesse, por ganância.

REGINA: - Eu falei isso pra ela. Essa moça que apareceu lá hoje é um exemplo disso. Por isso eu digo, Osvaldo, que a gente precisa mudar de lá. Se pessoas como ela, de cor e menos favorecidas, começam a frequentar o prédio, aquilo lá  vai virar o inferno!

OSVALDO: - Você fala como se fosse o fim do mundo (risos)

REGINA: - E de fato é! Eu não quero nem pensar... Mas já passou. Vamos falar de coisas boas, dos seus negócios e do dinheiro que vai entrar pra gente. O Humberto abriu para você o que ele queria?

OSVALDO: - Ele ficou de me mandar um material para analisar.

Osvaldo e Regina seguem conversando.

CORTA PARA a mesa de Illana e Alex, que a encara perplexo.

ILLANA: - Então, o que acha?

ALEX: - Prostituição!

ILLANA: - Fala baixo, por favor!

ALEX: - Escuta aqui, Illana. Eu vim para o Rio com um único objetivo. Ser modelo foi um acaso. Mas eu não pretendo vender meu corpo por sexo.

ILLANA: - Pensa bem no quanto isso pode te ajudar a ter condições de atingir esse tão sonhado objetivo que você tem. Duvido que não precise de grana pra isso.

Alex fica pensativo.

ILLANA: - Aliás, que objetivo é esse que você não me contou ainda?

ALEX: - É coisa minha. Deixa pra lá.

ILLANA: - Achei que fôssemos amigos.

ALEX: - E somos, só que agora você me deu um nó na cabeça com essa história toda.

ILLANA: - Eu tenho uma carta de clientes confiáveis. Mulheres ricas, poderosas, que pagam e muito bem. Tem homens também, se você quiser.

ALEX: - Oow ou eu não quero nada, tá ok? Eu quero é pensar.

ILLANA: - É um jeito mais rápido e fácil, Alex. Tudo sigiloso. Dinheiro fácil. E de forma prazerosa (ri). A escolha é sua, meu querido. Mas pensa bem, porque pode ser a escolha da sua vida.

Alex encara Illana, na dúvida.

CENA 23. RUA. EXT. NOITE.

Tito está sentado na calçada. Bia vai passando pelo local e ao avistá-lo, sorri. Senta-se ao lado dele. Tito se mostra surpreso.

BIA: - Posso fazer companhia?

TITO: - Claro!

Silêncio. Tito disfarça. Bia arruma os cabelos, deixa sua bolsa no chão. Os dois não se olham.

BIA: - Fazendo o quê sozinho aqui?

TITO; - Pensando.

BIA: - No quê?

TITO: - Em várias coisas. Principalmente na minha vida.

BIA; - Tito, posso te fazer uma pergunta, se você não se importar?

TITO: - Pode.

BIA: - Você nunca gostou de alguém?

Nele, surpreso com a pergunta.

TITO (tenso): - Eu...

BIA: - Porque eu acho que estou gostando de alguém.

Ele passa a encará-la, esperançoso.

TITO: - É sério?

BIA (vira-se para ele): - Sim. Eu saí com um cara outro dia, o Gabriel.

Em Tito, seu semblante feliz se desfaz.

BIA: - Ele é mais velho, mas isso não foi problema nenhum. Ele é um cara legal, bonito, inteligente. Família rica, mas dinheiro nunca foi o fator principal pra se gostar de alguém.

TITO: - Hum.

BIA: - E ele me chamou pra ir no aniversário de um amigo dele. A gente não tá namorando ainda, mas eu vou mesmo assim. Vou como amiga mesmo, porque acho que vai ser assim que ele vai me apresentar. O que você acha, Tito?

TITO: - Você deve fazer o que achar melhor.

BIA; - Então você acha que eu devo ir?

Silêncio.

TITO: - Eu preciso entrar agora. A gente se fala depois.

BIA: - Tudo bem.

Os dois se levantam, se olham. Bia sorri. Tito retribui, um tanto sem graça, e se afasta.

CENA 24. ESCRITÓRIO DE ARQUITETURA O&K. INT. NOITE.

Fernanda observa fotos de bebês no computador. Walter se aproxima. Ela fecha as fotos.

WALTER: - Fernanda, passa aqui na minha sala.

FERNANDA: - Tudo bem.

Walter se afasta. Fernanda suspira, levanta-se. Segue Walter.

CORTA:

CENA 25. ESCRITÓRIO DE ARQUITETURA O & K. SALA WALTER. INT. NOITE.

Walter entra, aguarda Fernanda que entra logo em seguida.

WALTER: - Senta.

Fernanda senta-se. Walter idem. Ele está com expressão um pouco fechada. Fernanda percebe.

FERNANDA: - Aconteceu alguma coisa, Walter? Parece tenso.

WALTER: - Aconteceu sim. Eu nem sei como dizer isso.

FERNANDA: - Foi alguma coisa que eu fiz aqui no escritório? Se foi, eu fiz sem perceber, porque/

WALTER: - Não foi exatamente aqui. Não foi diretamente você/

FERNANDA: - Calma, Walter. Explica isso direito.

WALTER: - Lembra do Brian, o meu amigo inglês?

FERNANDA: - Lembro, claro.

WALTER: - Então... Ele desistiu da sua participação na nossa parceria e pediu para que eu escolhesse outra pessoa para ocupar o seu lugar.

FERNANDA (triste): - Mas por quê? O que eu fiz de errado?

WALTER: - Infelizmente, aquele incidente na festa.

FERNANDA: - Mas a culpa não foi minha! O Danilo que armou aquele escândalo todo! Você viu, Walter!

WALTER: - Eu sei, Nanda. Eu sei. E pra falar a verdade, não foi exatamente o escândalo que o Danilo fez.

FERNANDA (angustiada): - Foi o que então, meu Deus?!

WALTER: - Pesou também o fato de você manter um relacionamento com outra mulher.

CLOSE-UP em Fernanda, chocada.

 
     
     
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