ATENÇÃO: As imagens de artistas utilizadas no vídeo de abertura e na arte de divulgação deste capítulo possuem caráter meramente ilustrativo, sendo usadas apenas para representar os personagens e a narrativa, sem fins lucrativos ou vínculo oficial com os artistas citados.

CENA 01. PASTELARIA. INTERIOR. DIA
CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO
ANTERIOR. DANIELA, TAVINHO, ANDRÉ E SUZETE.
SUZETE:
Ainda bem que você pensou melhor e resolveu contar a
verdade para o meu filho.
DANIELA: Saiba que só estou fazendo
isso pelo Tavinho. Se dependesse de mim o Ademar nunca
ia saber da existência desse garoto.
SUZETE: Bom, o importante é que tudo será
esclarecido.
TAVINHO:
E o meu pai, tá aí?
ANDRÉ: Acho que ele tá em casa. (ri
para Tavinho) E ai, leke... Sou teu tio, mano!
ELES SE CUMPRIMENTAM COM UM TOQUE DE MÃOS ESPALMADAS.
TAVINHO:
E ai, tio!
ANDRÉ:
Tô muito feliz em saber que tenho um sobrinho. Mais um
pra família Dias.
DANIELA: Vamos acabar logo com essa enrolação e
vamos aos fatos?
TAVINHO: Calma, mãe.
SUZETE:
Sente-se, acalme-se... Coma um pastel/
DANIELA:
Não, obrigada.
SUZETE COMEÇA A AJEITAR A
MESA, AS CADEIRAS.
SUZETE: Não faça desfeita. Meu pastel é o
melhor de São Paulo.
ELA PEGA DANIELA E SENTA.
TAVINHO:
O pastel aqui é uma delicia, mãe. Eu já comi e aprovo!
SUZETE:
André, meu filho, sirva a Daniela e o Tavinho, por
favor. E depois diga a seu irmão que tem visita. Só não
diga quem é.
CLOSE EM DANIELA NÃO
GOSTANDO DE ESTAR ALI.
CENA 02. RUA DA
LAPA. EXTERIOR. DIA
TÂMIRES VAI DESCENDO A LADEIRA
E CHEGA PERTO DE FABIANE E RAFAEL.
TÂMIRES:
Não sabia que os dois eram amiguinhos.
ELES SE ASSUSTAM.
RAFAEL:
Tâmires?
TÂMIRES:
Assustou-se por que, Rafael? Por acaso tavam fazendo
algo que não posso saber?
FABIANE (com raiva): Tá louca garota? Esse cara
que chegou perto de mim pra falar coisa.
TÂMIRES:
Não venha querer me enganar que eu o vi pegar em seu
cabelo.
RAFAEL (se
fazendo): Eu?
TÂMIRES:
Você sim. Pelo que eu saiba vocês se detestam. As mães
de vocês não se bicam! Que tipo de amizade é essa?
RAFAEL:
Eu não peguei no cabelo dela.
FABIANE: Pegou sim! É!
RAFAEL FAZ UM GESTO PARA
ELA NÃO FALAR.
FABIANE: Pegou... Querendo me vender aquelas
tinturas podres lá da fábrica onde ele trabalha.
(vira-se para Rafael, mais grossa ainda) Saiba que meu
cabelo não é palha de aço pra usar aquelas porcarias. E
não me pare mais pra falar besteira, seu imbecil.
FABIANE SAI BATENDO OS
PÉS. TÂMIRES DESCONFIA.
RAFAEL:
Mina mais metida, meu... Eu só queria vender meu peixe.
TÂMIRES
(desconfiada): Vender seu peixe... Sei que tipo
de peixe!
RAFAEL:
Ah, Tâmires vai à merda. Nós não temos mais nada. Já
era, mina, acabou!
TÂMIRES:
Eu/
RAFAEL (por cima):
Vou trabalhar que eu ganho mais. Vai cuidar da tua vida,
meu... Que mina mais encrespada!
RAFAEL SAI DEIXANDO-A
SOZINHA.
TÂMIRES: Rafael! (grita) Rafael... Volta aqui,
Rafael!
ELE NÃO VOLTA. TÂMIRES
BATE O PÉ.
TÂMIRES: Você me paga!
NELA.
CENA 03.
APARTAMENTO DE DANIELA. COZINHA. INTERIOR. DIA
MARA E MARISINHA. MARA
EMPURRA MARISINHA.
MARA:
Vagabunda! Quase você me queima.
MARISINHA: Isso é pra você aprender que comigo
não se mexe. Não vá pensando que eu vou te deixar em
paz, não. Eu vou descobrir tudo a respeito dessa
história ai sua com a dona Catarina.
MARA: Ah,
é? Vai descobrir vai? E eu vou contar pra ela que você
fica aos beijos com aquele michê... Com o Everton, que
por sinal é namorado da dona Catarina.
MARISINHA:
Você não é louca.
ELA VAI PARA CIMA DE MARA. MARA PEGA A PANELA DE ÁGUA
QUENTE.
MARA: Vem
sua cadela, vem que eu te deixo toda deformada. Se
atreva a encostar sua mão porca em mim que eu acabo com
a sua vida aqui dentro.
MARISINHA VAI SAINDO.
MARISINHA:
Fica esperta, hein?
MARASINHA SAI. MARA RESPIRA ALIVIADA.
MARA: Ela
quase me queima. (pega na mão) Vagabunda!
CENA 04. ESPAÇO DE
DANÇA. CORREDOR. INTERIOR. DIA
TATIANA VAI PASSANDO.
GABRIELA PEGA-A PELO BRAÇO.
TATIANA:
O que é isso, garota? Me solta.
GABRIELA: Fica longe do Wallace. Eu sou
apaixonada por ele.
TATIANA: O problema é seu. Não tenho culpa se
ele não sente nada por uma menina sem sal que nem você.
GABRIELA:
Eu vou te mostrar quem é sem sal!
ANA BELA E PETER SURGEM NO
MOMENTO EM QUE A BRIGA IA COMEÇAR.
PETER:
Estão discutindo meninas?
ELAS PARAM.
ANA BELA: Ah, não! Nós já conversamos sobre
isso. Não quero saber de briga entre vocês duas; parem
já com essa implicância. Que saco!
TATIANA SAI DALI OLHANDO
FEIO PARA GABRIELA. GABRIELA SAI TAMBÉM.
PETER: Já
vi que essas duas aí vão dar muito trabalho.
ANA BELA:
Brigam pra disputar espaço aqui na escola de dança. Vê
se pode? Até por causa do Wallace... Um garoto aqui do
bairro.
PETER DAR RISADA.
PETER:
Mãe... A senhora tem visto a Daniela? Nunca mais a vi.
Queria reencontrá-la.
ANA BELA: Ainda não tirou a Dani da cabeça?
PETER:
Aquela mulher me marcou. Mas já esqueci sim. Queria
reencontrá-la, saber o que tá fazendo da vida.
ANA BELA: Ela tá com um shopping galeria só
de artigos femininos. Eu fui à inauguração. Cada coisa
linda, filho... Nossa! E a arquitetura? Toda em estilo
de vidro. Tudo lindo.
PETER:
Ela conseguiu realizar o sonho! Que bom!
ANA BELA:
Qualquer dia passa lá na galeria dela.
PETER:
Vou fazer isso... Relembrar os velhos tempos.
ELES SAEM.
CENA 05. SÃO
PAULO. GERAIS. EXTERIOR. DIA
SONOPLASTIA: NA ESTRADA – MARISA MONTE.
TOMADA MATUTINA DE SÃO PAULO.
CENA 06.
ESCRITÓRIO DO SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE. INTERIOR. DIA
SIVUCA E O DIRETOR. ELES
SE CUMPRIMENTAM.
DIRETOR: O velho Sivuca... Sempre em forma.
Anda treinando aquela criançada toda ainda?
SIVUCA: E
eu deixo meus moleques por nada? Tão tudo lá... Só
progredindo.
DIRETOR:
É isso aí. Vamos dar oportunidade a esses jovens para
que eles façam um esporte saudável, comecem a carreira
cedo.
SIVUCA: É
o que eu mais me empenho a fazer. Mas, você mandou me
chamar aqui?
DIRETOR:
Mandei sim. É que abrimos uma vaga para o time de
juniores aqui do clube e pensei em você.
SIVUCA: Você quer que eu indique um dos meninos
para ficar treinando aqui no time de base júnior... É
isso?
DIRETOR:
Exatamente! Sei que seus garotos são competentíssimos,
brilhantes. Já vi inúmeras partidas com eles.
SIVUCA:
Ah, obrigado! Tenho vários, mas posso ver o que fazer.
DIRETOR:
Quero o melhor, o que se destaca mais. O que você vê que
tem um futuro brilhante pela frente aqui no São Paulo,
como em qualquer outro time que ele entrar.
SIVUCA(pensa):
Bem que o Wallace merecia essa vaga, mas depois de tudo
aquilo... (fala) Vou ver isso tudo e volto aqui com o
garoto. Não se preocupe.
ELES LEVANTAM. CUMPRIMENTAM-SE.
DIRETOR:
Vou esperar.
CENA 07.
BORRACHARIA. INTERIOR. DIA
VALDSON E PEDRO.
VALDSON: Como foi o jantar?
PEDRO:
Foi ótimo. A Quitéria é uma mulher encantadora. Tô
apaixonado por ela, mano.
VALDSON: Que legal. Vocês dois combinam mesmo.
PEDRO:
Ontem o Dart apareceu por lá com a louca da mulher dele,
queria fazer barraco e tudo mais.
VALDSON:
Por que você não partiu a cara dele?
PEDRO: Eu até ia, mas o restaurante era
chique, não ia fazer baixaria, não é? (ri) Mas bem que
eu devia ter quebrado aquela cara de pandeiro na
porrada.
ELES RIEM.
CENA 08. CASA DE
D’ARTAGNAN. SUÍTE DO CASAL. INTERIOR. DIA
ELES AINDA ESTÃO DEITADOS.
MARCELA ESTÁ COM A CARA FECHADA. DART TENTA FAZER UM
CARINHO NELA, MAS ELA NÃO CORRESPONDE.
D’ARTAGNAN:
Assim não dá, Marcela. Vai ficar agora com essa cara
fechada pra mim só por causa daquele encontro com a
Quitéria ontem à noite?
MARCELA: Você viu o jeito que você
falou com ela? Todo derretido pra aquela
cabeleireirazinha de merda? Eu não suporto aquela
mulher, Dart. Ela é uma despeitada.
D’ARTAGNAN:
Mas a mulher que eu amo é você, mozão!
MARCELA:
Ama mesmo?
D’ARTAGNAN:
Do fundo do meu coraçãozinho apaixonado.
MARCELA:
Ai meu pituchinho, quando você fala sim eu fico toda
derretidinha!
DART VAI SE APROVEITANDO DE MARCELA.
D’ARTAGNAN:
É mesmo mozão?
MARCELA:
É!
D’ARTAGNAN:
Então vamos fazer o que não fizemos ontem. Vem cá meu
mozão gostosão!
E ELES COMEÇAM A SE AGARRAR. TEMPO E LENINHA COMEÇA A
ARRANHAR A PORTA.
D’ARTAGNAN: Ah, não... Pelo amor de meu Santo
Deus, não. Essa cadela não pode mais tentar destruir o
nosso casamento. Ela vai acabar com tudo!
MARCELA LEVANTA DA CAMA E
ABRE A PORTA. A CACHORRA PULA NO COLO DELA.
MARCELA:
É nossa filhinha, amor.
D’ARTAGNAN: Eu já falei que eu não sou pai de
cadela.
MARCELA:
E a Carolina é o quê?
DART FECHA A CARA E MARCELA DÁ RISADA, DANDO CARINHO A
LENINHA.
CENA 09. CASA DE
SUZETE. BANHEIRO. INTERIOR. DIA
ADEMAR TOMA UM BOM BANHO.
CLOSE NA ÁGUA PERCORRENDO O CORPO DELE.
ANDRÉ (off):
Mano? Mano... Você tá aí?
CORTE DECSONTINUO PARA ADEMAR SE ENXUGANDO. ANDRÉ JÁ NO
BANHEIRO.
ADEMAR: Visita pra mim? Quem é?
ANDRÉ:
Uma pessoa que você não via há muito tempo. Tenho
certeza que você vai gostar.
ANDRÉ SORRI E SAI.
ADEMAR: André! Volta aqui... Oh, meu...!
(pausa) Quem será?
EM ADEMAR.
CENA 10. SÃO
PAULO. GERAIS. EXTERIOR. DIA
SONOPLASTIA:
AS MINAS DE SAMPA – RITA LEE.
ÚLTIMO TAKE NO PRÉDIO DE
DANIELA.
CENA 11.
APARTAMENTO DE DANIELA. QUARTO DE CATARINA. INTERIOR.
DIA
CONTINUA A MÚSICA. ABRE EM
CATARINA CORRENDO PELO QUARTO, NUA. EVERTON ATRÁS DELA
SÓ DE CUECA. ELE A AGARRA E A JOGA NA CAMA.
EVERTON:
Agora você vai provar uma boa/
CATARINA: Ó... ó lá o que você vai falar. O
horário não permite.
EVERTON SOBE EM CIMA DE CATARINA E COMEÇA A BEIJÁ-LA.
TEMPO, SEU CELULAR VIBRA. ENQUANTO ELE BEIJA CATARINA VÊ
NO VISOR O NOME DE EVELYN. ELE DESLIGA E VOLTA A AGARRAR
A MULHER. CORTE DESCONTINUO PARA CATARINA ACABADA EM
CIMA DA CAMA.
CATARINA:
Você anda cada vez melhor. Seu sexo oral é tudo.
EVERTON AGORA VESTE A
ROUPA.
EVERTON: Vou te dar muito mais, tigresa safada.
ELE SOLTA UM BEIJO PRA
ELA. CATARINA SE ESFREGA NA CAMA. EVERTON SAI.
CATARINA (grita):
Mara, meu iogurte light!
CENA 12. APARTAMENTO DE DANIELA. LAVANDERIA.
INTERIOR. DIA
ABRE EM MARISINHA BEIJANDO EVERTON.
EVERTON:
Vou pegar um dinheiro hoje e a gente sai pra curtir.
MARISINHA:
Você só promete, nunca cumpre o que fala.
EVERTON:
A grana vai ser boa. Não vai ser a mixaria que essa
velha aí me dá não... fica sussa que hoje eu vou te dar
um trato, minha mina predileta.
MARISINHA BEIJA EVERTON DE NOVO. ELE VAI SAINDO, QUANDO
ELA OLHA PARA O LADO
VÊ MARA OLHANDO.
MARA: Que
pouca vergonha.
MARISINHA:
Bisbilhoteira.
MARA:
Olha quem fala.
MARISINHA:
Você não tinha nada que tá olhando o que eu faço.
MARA: Se
respeita, garota. Você que volte a me ameaçar pra eu
falar alguma coisa que eu conto tudo a dona Catarina, o
que eu vejo quando o Everton está por aqui.
EM MARISINHA.
CENA 13. TEATRO.
EXTERIOR. DIA
SONOPLASTIA: NAVE DO AMOR – BANDA
DJAVÚ.
ABRE EM UMA FILA ENORME DE HOMENS E MULHERES QUE ESTÃO
NO CONCURSO DE CALOUROS. ESTELA E DADINHO CHEGAM.
DADINHO:
Ai amiga... olha o tanto de gente que tá nessa fila pra
audição.
ESTELA:
Eu sou mais eu. Estou muito confiante.
DADINHO:
Tem certeza que você vai cantar? Vai cantar tudo
certinho, com a voz afinada?
ESTELA: Eu treinei, cuidei de minha
voz... ela tá magnífica! Olha só.
ELA CANTA UM TRECHO. A VOZ ESTÁ ÓTIMA.
DADINHO:
Ainda bem, porque eu não quero ver você passar vergonha,
ninha.
A CÂMERA CORTA POR ALI
MOSTRANDO O PESSOAL CANTANDO, ESPERANDO SUA VEZ.
CENA 14. FRENTE DA
CASA DE ANA BELA. EXTERIOR. DIA
MELISSA ESTÁ ALI ESPERANDO
ALGUÉM. ESTÁ IMPACIENTE. OLHA NO RELÓGIO. ARTHUR CHEGA
DE CARRO E PARA NA FRENTE DA CASA. ELE DESCE E VAI ATÉ
ELA.
ARTHUR: Esperando alguém? Ele acabou de chegar.
MELISSA:
Esse alguém não seria você e sim meu namorado. Dá
licença.
ARTHUR VAI AO PÉ DE OUVIDO
DELA.
ARTHUR: Nem aqui em São Paulo você deixa de ser
agressiva comigo, Melissa?
MELISSA SE ARREPIA.
MELISSA:
Odeio quem fala perto de meu ouvido.
ARTHUR:
Tá esperando quem aqui parada que nem um poste?
MELISSA:
Um taxi, o Peter... tenho que ir à casa de minha amiga.
Aliás, sai daqui que você não me serve de nada.
ARTHUR:
Claro que sirvo. Posso te levar na casa de sua amiga.
MELISSA:
Não, obrigado.
ELE ABRE A PORTA PARA ELA.
ARTHUR:
Eu insisto.
MELISSA BATE A PORTA DO
CARRO, QUANDO SE VIRA CAI SOBRE ARTHUR. ELE A SEGURA.
OLHA COM DESEJO.
MELISSA: Me solta.
ARTHUR:
Antes eu preciso...
ELE VAI DESEJANDO A BOCA DELA.
SONOPLASTIA:
NO OTHER LOVE – JOHN LEGEND.
MELISSA:
Precisa… (desejando também) Precisa…
ELA O EMPURRA.
MELISSA:
Descarado. Não chega mais perto de mim, seu ridículo.
ELA SAI CORRENDO, PASSA UM
TÁXI ELA FAZ SINAL, ELE PARA E ELA ENTRA. ARTHUR RI.
ARTHUR:
Eu vou te domar, sua ferinha! Vou te levar a rédea
curta, pode apostar!
CENA 15. BOATE DE
VAVÁ. INTERIOR. DIA
VAVÁ E JULIÃO CONVERSAM.
JULIÃO:
Esse mês a boate faturou em dobro.
VAVÁ: Claro, querido. Reabrimos pra abalar
a estrutura paulistana. Tô sabendo que vão abrir uma
mega-boate aqui na cidade, estou com medo de ser
derrubado.
JULIÃO: Oxente! E tu acha que o publico gay vai
deixar de vir pra cá?
VAVÁ: Acho que não, né? Agora com o Ademar,
sendo o sucesso daqui, o pessoal vai lotar essa casa.
Ah, mas o Ademar é tudo! Graças a Deus encontrei um
homem como aquele. Além de lindo é talentoso, não sei
porque ele perdeu tanto tempo no futebol.
JULIÃO BUFA DE ÓDIO.
JULIÃO:
Vai ficar engrandecendo o cabra na minha frente, é?
VAVÁ: Já
mandei parar de ciúme bobo.
JULIÃO: Até parece que tu quer é ficar com ele,
visse? Eu fico na desconfiança.
VAVÁ: Seu
quisesse eu ficava, meu bem. Num estalar de dedos. Agora
para com isso.
VAVÁ ANDA POR ALI.
JULIÃO: Se tu continuar com esse
chamego todo pro lado daquele baitola eu juro que vou-me
embora daqui.
VAVÁ: Ah,
é? Vai embora, vai?
JULIÃO (firme): Vou!
VAVÁ: Vai pra onde? Pra debaixo da ponte? Pode ir... as
portas estão abertas! Se assunta, homem! Eu que te tirei
da lama que tu vivia lá nas Alagoas e agora tu me vem
com essa? Se quiser ir, pode ir.
VAVÁ SE AFASTA. JULIÃO
BATE NA MESA.
JULIÃO: Eu juro que vou detonar com esse
Ademar, de uma forma ou de outra eu vou detonar! Oxe,
quem ele pensa que é pra querer tomar meu lugar de macho
aqui nesse brega?
EM JULIÃO.
CENA 16. TEATRO. INTERIOR. DIA
OS JURADOS ESTÃO EM SEUS
LUGARES.
JURADO: Próxima!
ESTELA ENTRA. NERVOSA.
ESTELA: Oi, sou Estela Kaifferroiér...
JURADO:
Estela, o quê, minha filha? Como é?
ESTELA:
Estela Kaifferroiér... Meu nome artístico.
JURADO: E
você vai cantar o quê, Estela (com dificuldade)
Kaifferroiér?
ESTELA:
Eu vou cantar Elis Regina.
JURADO: O palco é todo seu.
ELA VÊ O MICROFONE, LOGO PEGA E COMEÇA A CANTAR. ELA
DESAFINA TOTAL.
JURADO: Corta o microfone dessa louca pelo amor
de Deus. Minha filha você não canta nada... olha pra sua
voz. O que te deu na cabeça pra se inscrever neste
concurso? Nós estamos selecionando calouros, não
papagaias desafinadas. Saia já daqui.
ESTELA (Chorando):
Mas minha voz é tão linda.
JURADO:
Linda pra servir de sirene de recreio escolar. Agora
vaza!
ESTELA SAI CHORANDO.
CENA 17. TEATRO.
CORREDOR. INTERIOR. DIA
ESTELA AINDA CHORA. DADINHO CONSOLA.
ESTELA:
Eu nunca fui tão humilhada em minha vida. Ele disse que
minha voz parecia de papagaia.
DADINHO: Ô rasha, tu num disse que tava afinada
pra cantar? Tu só serve mesmo é pra passar vergonha. Oh,
amapô que gosta de pagar mico. Vambora! Vambora... Acho
melhor tu voltar pra zona lá de onde tu saiu, das
brenhas do Pará.
ESTELA CHORA MAIS AINDA. ELES VÃO.
CENA 18. SÃO
PAULO. GERAIS. EXTERIOR. DIA
TOMADA RÁPIDA.
SONOPLASTIA:
OLEADA – JULIETA VENEGAS.
CENA 19.
APARTAMENTO DE EVELYN. SALA. INTERIOR. DIA
MELISSA COM EVELYN.
EVERTON NA FRENTE DAS DUAS.
EVELYN:
Isso mesmo que você ouviu. Quero que você siga o Ademar
Dias em cada passo que ele der, à noite. Estamos
entendidos?
EVERTON:
E quanto eu vou ganhar com isso?
EVELYN: Toma aqui o cheque!
ELE OLHA O VALOR E SORRI.
EVERTON:
Mas eu vou precisar de um carro.
MELISSA:
Amiga, isso é arriscado, não é não?
EVELYN:
Calada, eu sei o que estou fazendo. Tá me achando com
cara de amadora? Eu dei um golpe naquele panaca na
Espanha, por que não posso segui-lo, aqui? Então,
Everton... você vai ficar usando um dos meus carros.
ELE COMEMORA.
EVELYN:
Agora não é pra ficar colocando vagabunda dentro dele
não. Não quero saber de sujeira comigo, senão eu acabo
com sua raça de vagabundo.
EVERTON: Pode confiar. O trabalho é de
responsa.
EVELYN PEGA A TAÇA DE
CHAMPANHE.
EVELYN: Agora desinfeta da minha sala. Ela não
é pra seu tipo.
EVERTON SAI.
EVELYN: Esse Everton é gostoso
demais, mas não dou confiança.
MELISSA:
Acho que essa sua obsessão pelo Ademar foi longe demais.
Você tem que esquecê-lo. Tanto homem aqui em São Paulo.
EVELYN:
Querida, meu caso com o Ademar vem de anos. Desde a
primeira vez que o vi no Lubras Del Sol... E eu vou até
o fim. Você me conhece bem. Quando eu quero eu vou até o
fim.
ELA BEBE O CHAMPANHE.
CENA 20. SHOPPING
GALERIA. INTERIOR. DIA
TOMADA DO SHOPPING GALERIA.
SONOPLASTIA:
ALL ABOUT OUR LOVE - FEAT. MARJORIE PHILIBERT - JOÃO
PINHEIRO.
CENA 21. SHOPPING
GALERIA. LOJA DE DANIELA. INTERIOR. DIA
DELSINHO ATENDE UMA
CLIENTE. RAISSA E TIARA ESTÃO NO CAIXA. ABRE EM DIEGO
COLOCANDO AS PEÇAS DE ROUPA NO ALTO SOB O COMANDO DE
VIVIANE.
VIVIANE: Mais rápido com isso Diego.
Até uma lesma seria mais ágil.
DIEGO: Tá pesado isso aqui, Viviane. Tenha
calma.
RAISSA SE APROXIMA.
RAISSA:
Meu namorado não é seu empregado.
VIVIANE: Não é não querida, porque eu não teria
um empregado lerdo que nem ele. Se é assim para
trabalhar, imagina na cama.
DIEGO: Epa! Na cama eu sou ótimo!
RAISSA BATE NELE.
RAISSA:
Não dê ousadia para essa jararaca.
VIVIANE: E cadê a Daniela que até agora não
chegou?
DELSINHO:
É verdade! A Dani não chegou até agora.
VIVIANE:
Ela adora chegar atrasada, e quando chega é mandando em
tudo. Dando ordens, como se fosse uma excelente patroa.
TIARA: Tá
insatisfeita, querida, procura trabalho melhor.
VIVIANE:
É o que farei. Não ficarei aqui nesse antro por muito
tempo.
RAISSA:
Sabe alguma coisa da Dani, Tiara?
TIARA: Ela me ligou e disse que tá lá na
pastelaria da mãe do Ademar.
DIEGO: Será que ela foi contar pra ele do
filho?
VIVIANE:
Já tava mais do que na hora. Essa de produção
independente não cola, ainda mais pra Daniela que é uma
mulher/
TIARA:
Viviane, fala menos e trabalha mais.
VIVIANE FECHA A CARA E SAI.
RAISSA:
Essa é antipática.
DELSINHO:
Não sei como vocês agüentam essa exu na casa de vocês.
Se morasse comigo eu já tinha enxotado essa cadela
vira-lata há muito tempo. Cruzes!
ELAS RIEM.
CENA 22.
CROQUETÁRIA. FRENTE. DIA
GEISA CONVERSA COM ELVIRA.
GEISA:
Aquela mulher entrou ali com aquele garoto e até agora
nada de sair.
ELVIRA:
Aquela ali é a patroa de meu filho Diego. A cadela, a
sarnenta, a ladra...Suzete! Ela tá conseguindo ludibriar
a mulher.
GEISA:
Por que você diz isso?
ELVIRA: Fiquei sabendo que ela anda
sassaricando lá pelo shopping galeria. Com certeza é
atrás de colocar uma filial dessa pastelaria falida.
GEISA:
Gente! Tô passada em Cristo com esse babado fortíssimo!
A CÂMERA DESVIA E VAI
PARA:
CENA 23. PASTELARIA. INTERIOR. DIA
DANIELA JÁ ESTÁ CANSADA DE
ESPERAR. OLHA NO RELÓGIO.
DANIELA:
Cansei! Gente, que demora é essa do Ademar? Mil horas
para tomar um banho.
SUZETE: Vamos para a sala da minha
casa. Lá é mais confortável.
WALLACE:
Pode ir dona Suzete que eu tomo conta aqui da
pastelaria.
YOLANDA CHEGA DA RUA.
SUZETE:
Yolanda, vou levar a mãe de meu neto até a sala de minha
casa. Cuida da cozinha para mim.
YOLANDA: Pode deixar por minha conta.
SUZETE VAI COM DANIELA E
TAVINHO.
YOLANDA: Será que eles se entendem hoje?
WALLACE:
Pelo que ouvi essa senhora falar... Ih, acho muito
difícil, mãe. Ela tá virada... Pode saber que vem
confusão por aí.
YOLANDA:
Deus queira que não!
CENA 24. CASA DE SUZETE. SALA. INTERIOR. DIA
SUZETE CHEGA COM DANIELA E
TAVINHO.
SUZETE: Podem se acomodar. A casa é simples,
humilde, mas é tudo de bom gosto.
DANIELA SENTA-SE COM
TAVINHO.
DANIELA: Será que a senhora não poderia
apressá-lo? É que eu ainda vou trabalhar, tenho muita
coisas para fazer.
SUZETE: Só um momento.
QUANDO ELA VAI EM DIREÇÃO A ESCADA. ADEMAR VEM DESCENDO.
ADEMAR:
Quem é a visita que o André falou que estava a minha
espera?
DANIELA LEVANTA COM
TAVINHO, ADEMAR VÊ DANIELA.
SONOPLASTIA:
E AGORA NÓS? – SORRISO MAROTO E IVETE SANGALO.
ADEMAR(surpreso):
Daniela?
DANIELA: Temos muito a conversar Ademar.
SUZETE: O
que a Daniela tem para lhe dizer é muito importante.
Presta atenção, filho. Isso que ela vai dizer vai mudar
a sua vida.
ADEMAR(desconfiado): Que história é essa, mãe?
E esse moleque...? (conhece) Ah, eu sei quem é... É o
menino que bateu aqui na porta dias atrás.
DANIELA(com vontade de chorar):
Esse menino... esse menino é o meu filho.
ADEMAR: Como assim seu filho?
DANIELA:
Não só meu. É nosso filho, Ademar! O Luís Otávio é nosso
filho! Um filho que tive há quinze anos e escondi de
você. Ele é seu filho.
ADEMAR ESTÁ CHOCADO, PASMO COM A REVELAÇÃO.
ADEMAR:
Você tá de brincadeira comigo. Esse moleque não tem
idade para seu meu... meu... meu filho?
DANIELA:
Sim... Nosso filho! Lembra que eu fugi de você, naqueles
últimos meses antes de você ir jogar no São Paulo?
Então... eu escondia de você a gravidez. Ele é teu filho
sim.
TAVINHO:
E naquele dia eu não estava à procura de escola de dança
coisa nenhuma. Eu tava te procurando, pai. E te achei!
TAVINHO SORRI PARA ADEMAR,
QUE CHORA. ELE SE APROXIMA DO FILHO. ELES SE ENCARAM,
LOGO SE ABRAÇAM. SUZETE SE EMOCIONA.
ADEMAR:
Meu filho! Eu tenho um filho mãe.
FABIENE E ANDRÉ CHEGAM. ADEMAR SORRI PARA O FILHO E
QUANDO ENCARA DANIELA FECHA A CARA. APONTA O DEDO NA
CARA DELA.
ADEMAR: Agora você, Daniela. (duro) Você não
tinha o direito de esconder um filho meu.
DANIELA:
Eu sei/
ADEMAR (raiva):
Você não vale nada. Você não presta... sua... sua
maldita!
DANIELA CHORA E ABAIXA A
CABEÇA. NA TENSÃO.
CENA 25. FÁBRICA LA VITTA. EXTERIOR. DIA
TOMADA DE LOCALIZAÇÃO.
CENA 26. FÁBRICA
LA VITTA. LOCAL DE ENTRADA. INTERIOR. DIA
RAFAEL COLOCA A ROUPA DE
TRABALHO. RENATA CHEGA POR TRÁS DELE.
RENATA:
Como sempre, chegando atrasado. Eu já falei mais de mil
vezes para você andar na linha. O seu encarregado já
chegou e você me chega agora?
RAFAEL: Renata... Renatinha... Você não sabe o
que me aconteceu. O que me aconteceu, não. Minha mãe!
RENATA: A
velha desculpa da mãe doente.
RAFAEL: Como você sabe que a minha tá doente?
RENATA:
Eu sei que é mentira, de vagabundo, que não gosta de
trabalhar. Dessa vez passa, mas na próxima já sabe:
entrego pro Jamal e você vai pro olho da rua.
RAFAEL:
Valeu, gatona!
ELE DÁ UM BEIJO NELA E
CORRE PARA O SERVIÇO.
CENA 27. FÁBRICA
LA VITTA. PRODUÇÃO. INTERIOR. DIA
CLIPE DA PRODUÇÃO DE
CREMES, DE ESMALTES, DE PRODUTOS DE BELEZA EM GERAL.
RAFAEL E PEDRO ANOTAM ALGUMAS COISAS. UMA MÚSICA POR
CIMA NA CENA.
CENA 28. LAPA. EXTERIOR. DIA
TOMADA DA LAPA. CORTE PARA
BRENO E CAROLINA SE BEIJANDO EM FRENTE A UMA CASA.
QUITÉRIA ALI.
QUITÉRIA: Que casa linda, filha. Vocês fizeram
uma ótima escolha.
CAROLINA: Foi o meu amor que escolheu.
BRENO:
Você merece o melhor. (para Quitéria) Gostou mesmo da
casinha, sogra?
QUITÉIRA:
É uma belezura! Por dentro e por fora. Agora basta se
casar e vir morar aqui.
BRENO: Escolhi aqui no bairro mesmo pra gente
ficar perto da família.
CAROLINA: Não quero me separar da senhora,
mãe. Ainda mais agora que tem um gavião rodando o salão
de beleza da dona Quitéria.
BRENO E CAROLINA SORRIEM.
BRENO:
Dona Quitéria tá abalando corações... corações, não... o
coração do Pedrão.
QUITÉRIA: Para com isso menino, que eu fico
toda sem jeito.
BRENO: Mas é bom, é bom... pelo
menos se livrou daquele encosto, com todo respeito,
Carol, que é o seu pai. O Dart é um atraso de vida.
QUITÉRIA:
Nem me fale, Breno. Até hoje aquela criatura das trevas
não me passou a escritura da casa e do salão de beleza.
Não sei mais o que fazer com aquele homem. E de vez
enquanto aparece por aqui dando em cima de mim vê se
pode?
CAROLINA:
Vamos esquecer o papai e pensar em nosso casamento,
amor.
QUITÉRIA:
A Carolzinha tem razão, falar daquele homem aqui pode
trazer maus fluidos pra casa nova. Isola!
ELES RIEM.
CENA 29. SÃO
PAULO. GERAIS. EXTERIOR. DIA
TOMADA RÁPIDA.
SONOPLASTIA:
MEU SANGUE FERVE POR VOCÊ – PATRÍCIA COELHO.
CENA 30. SHOPPING
GALERIA. INTERIOR. DIA
MÚSICA DA CENA ANTERIOR. DIEGO ESTÁ NA PORTARIA. O CARRO
DE EVELYN PARA, ELA SAI BEM CHIQUE. UMA ROUPA SENSUAL
PARA TRABALHAR. ELA VAI ENTRANDO, SEM DAR IMPORTÂNCIA
PARA NINGUÉM. SEMPRE SUPERIOR, ALTIVA. PASSA POR
VIVIANE, TIARA E RAISSA. ELAS OLHAM PARA EVELYN. RAISSA
E TIARA SE ENTREOLHAM ACHANDO AQUILO RIDICULO. VIVIANE
PARECE ADMIRAR A OUTRA. EVELYN PARA DE FRENTE AO SEXY
SHOP E FAZ SINAL PARA DIEGO ABRIR A LOJA. ELE FAZ O QUE
ELA ORDENOU.
VIVIANE: Ela arrasa.
DELSINHO:
Tenho que concordar: a bicha tem um poder
baforentíssimo!
EVELYN ENTRA NA LOJA.
CENA 31. SHOPPING
GALERIA. SEXY SHOP. INTERIOR. DIA
EVELYN SENTA-SE EM SUA
CADEIRA. COLOCA A CANETA NA BOCA, BEM SENSUAL.
EVELYN:
Ademar! Ademar... estamos cada vez mais próximos!
VIVIANE ENTRA NO LOCAL.
VIVIANE:
Sua loja está um espetáculo.
EVELYN: Loja é aquilo que a Daniela tem... aqui
é outro nível.
VIVIANE: Adoro esse seu jeito. A
senhora é uma diva.
EVELYN:
Senhora tá no céu minha filha. E eu sei que tudo que tem
meu dedo é um luxo, e sei bem que sou diva! E divas tem
mais o que fazer ao invés de dar papo para subalterna.
VIVIANE DESLUMBRADA COM
AQUELE LUGAR, COM O JEITO DE EVELYN.
VIVIANE:
Vamos nos dar muito bem.
EVELYN SUSPIRA, NÃO GOSTANDO DA SITUAÇÃO, DO JEITO
BAJULADOR DE VIVIANE.
CENA 32. CAMPINHO
DA LAPA. EXTERIOR. DIA
SIVUCA REUNE OS GAROTOS DO TIME, ENTRE ELES DAVIDSON E
DARINHO.
DARINHO: Qual é o motivo de nos reunir aqui,
Sivuca?
SIVUCA:
Tenho uma novidade pra vocês. Eu fui chamado lá no SPFC,
e o diretor me deu uma oportunidade de escolher entre
vocês, o melhor.
OS GAROTOS SE AGITAM. BURBURINHO.
DARINHO:
Isso quer dizer que/
DAVIDSON: Deixa ele falar.
SIVUCA: Isso quer dizer que um de vocês vai
ser escolhido para entrar na equipe futebol júnior do
SPFC, com chances de se destacar profissionalmente a
nível nacional!
DARINHO E DAVIDSON VIBRAM ASSIM COMO OS OUTROS GAROTOS.
DARINHO: Eu tenho que passar isso na cara do
tapado do Wallace.
DAVIDSON: O mané vai morrer.
ELES CONFABULAM.
CENA 33. CASA DE
SUZETE. SALA. INTERIOR. DIA
DANIELA SENTADA DE FRENTE PARA ADEMAR. ELE COM MUITA
RAIVA.
DANIELA: E a história toda é essa que você
acabou de ouvir.
SUZETE:
Ela falou tudo meu filho.
ADEMAR OLHA BEM PARA CARA DELA, LEVANTA, SUSPIRA.
RESPIRA FUNDO.
ADEMAR: Depois de tudo que vivemos você me faz
uma palhaçada dessas. Esconder o meu filho, me privar de
dar uma educação para ele. Você não merece o meu perdão,
Daniela.
DANIELA
LEVANTA.
DANIELA: Eu não estou aqui para te pedir
perdão, Ademar. Fiz isso pelo meu filho. De tanto ele
insistir eu resolvi te contar a verdade. Mas isso não
vai mudar em nada. Ele já é um garoto criado, educado
por mim, e bem educado. Não vai precisar de você pra
nada!
TAVINHO:
Não é bem assim.
ADEMAR:
Você é ridícula.
DANIELA:
Ridículo é você. Não merecia nem estar falando comigo,
não merecia nem saber que teve um filho. Você nunca quis
ter filhos, me dizia isso sempre... Era capaz de mandar
eu abordar o Tavinho.
ADEMAR: Eu nunca chegaria a esse
ponto.
SUZETE:
Aborto é um pecado mortal.
DANIELA: Pecado esse que o seu
filho, com certeza, me induziria a cometer. Mas eu nunca
teria coragem de tirar uma vida de dentro de mim. Eu
sempre sonhei em ser mãe, eu dizia isso pra você... (ri,
lembrando) Quantos planos, quantos conversas... (dura)
Mas você sempre contra! Você me decepcionou tanto,
tanto... que o meu amor por você foi se apagando.
ADEMAR: Graças a Deus que o meu também se
apagou. Hoje em dia você pra mim não passa de uma
qualquer. Ó... Não é nada! Não representa nada. Só é a
mãe de meu filho.
TAVINHO (Grita):
Chega! Chega de tantas mentiras, de discutir o que é
mentira!
TODOS CALADOS.
ANDRÉ (Baixo para
Fabiane): O menino tem sangue quente.
FABIANE (baixo):
Ô... Com os pais que tem!
TAVINHO: Tudo isso é da boca pra fora. Eu
sei que vocês dois ainda se amam. Vamos acabar com essa
mentira, arranquem o orgulho de dentro de vocês.
DANIELA:
Eu não amo esse homem.
ADEMAR: Quem não te ama sou eu.
TAVINHO SEGURA A MÃO DE
ADEMAR E COM A OUTRA MÃO SEGURA A DE DANIELA. ELE
APROXIMA OS PAIS.
TAVINHO: Fala na cara um do outro que não
se amam... Vamos lá, digam!
ELES ENGOLEM SECO. UM OLHANDO PARA O OUTRO. TEMPO,
NÃO FALAM NADA.
TAVINHO: Não falam por quê? Porque se amam!
Nunca se esqueceram. E agora tem a oportunidade nas mãos
de se resolverem, de formarem uma família!
TAVINHO JUNTA AS MÃOS DOS
PAIS. CLOSE EM ADEMAR E DANIELA SE OLHANDO.
EFEITO:
A IMAGEM DE ADEMAR E DANIELA SE TRANSFORMA EM IMAGEM DE
HQ.
“Os créditos sobem ao som de: Quantas vidas você tem – Paulinho Moska.”

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