ATENÇÃO: As imagens de artistas utilizadas no vídeo de abertura e na arte de divulgação deste capítulo possuem caráter meramente ilustrativo, sendo usadas apenas para representar os personagens e a narrativa, sem fins lucrativos ou vínculo oficial com os artistas citados.

CENA 01. CASA DE SUZETE. SALA. INTERIOR. DIA
CONTINUAÇÃO DA ÚLTIMA CENA DO CAP. ANTERIOR. DANIELA E ADEMAR DE MÃOS DADAS. SUZETE EMOCIONADA. TAVINHO, ANDRÉ E FABIANE ALI.
NO ENTANTO, DANIELA SOLTA AS MÃOS DE ADEMAR.
ADEMAR: Não... Eu nunca vou voltar com uma cobra como ela.
DANIELA: Eu que não vou me envolver com um ogro, grosso como você.
DANIELA PEGA A BOLSA DO SOFÁ.
DANIELA: Essa conversa já foi longe demais. Eu vou embora. Tenho muito trabalho.
ADEMAR: Vai... Vai embora mesmo sua jararaca.
DANIELA: Você me respeite.
SUZETE: Vamos parar de confusão aqui na minha sala. Aqui é uma casa de família, de respeite. Que droga! Será que vai terminar em briga?
TAVINHO: Não vai terminar não vó, porque eu não vou deixar. Poxa, vocês se amam.
ADEMAR: Quem te disse isso garoto?
ANDRÉ: Ama sim que eu já vi o Ademar falar muitas vezes que não tinha esquecido a Daniela.
ADEMAR: (recrimina) André!
FABIANE: É verdade sim. Isso tudo é cena para dizer que ele é machão. Corta essa, mano, que você tá de mentira pra cima dela.
TAVINHO: E a minha mãe também ama o Ademar. Eu já a vi falar muitas vezes que teria vontade de recuperar o que deixaram no passando.
DANIELA E ADEMAR SE CALAM.
SUZETE: Agora digam que é mentira. Todos contra e a favor de vocês ao mesmo tempo. Se dêem uma chance.
ADEMAR: (baixo) Vamos lá no meu quarto.
DANIELA: Quê? Não ouvi...!
ADEMAR: Conversar no meu quarto. Tá surda?
DANIELA: Se você parar de grosseiria...
ADEMAR VAI NA FRENTE. DANIELA SEGUE ATRÁS.
TAVINHO: Vai dar tudo certo.
ANDRÉ: Ele vai me matar depois por eu ter dito aquilo.
FABIANE SENTA NO SOFÁ.
FABIANE: Mata nada. Vocês vão ver o que vai rolar naquele quarto.
CENA 02. BOATE DE PETER. EXTERIOR. DIA
PETER E ARTHUR OLHAM PARA O LOCAL QUE AINDA ESTÁ EM REFORMA. MUITOS TRABALHADORES ALI EM SEUS SERVIÇOS. VÃO CHEGANDO PEÇAS PARA A MONTAGEM DE CADA PARTE DA BOATE.
PETER: Naquela área que falei vai ficar a parte dos bares. O que você acha?
ARTHUR: Perfeito. Eu sempre concordei que o bar naquele local ficava com uma maior visibilidade da pista de dança principal. E sobre a abertura de inauguração? Já tá tudo acertado?
PETER: Vai ser uma grande festa!
GEISA E IRLANDA VEM ANDANDO EM DIREÇÃO A ELES.
GEISA: Olha lá, amiga. Aquele ali é o dono da tal boate. O Filho da Ana Bela do espaço de dança.
IRLANDA: Gente, que gato! Um pedaço de mau caminho.
GEISA: Viemos aqui para estar por dentro do que vai rolar ou pra dar em cima dele?
IRLANDA: Uma coisa puxa a outra, amiga.
GEISA: Só Jesus na causa mesmo!
ELAS SE APROXIMAM DE ARTHUR E PETER.
GEISA: Olá, queridos.
ARTHUR: Olá, senhoras.
PETER: Bom dia!
GEISA: Bom dia... Nós somos moradoras aqui do bairro e viemos aqui lhes dar as boas vindas. Sabemos que você é o dono da mega-boate que veio trazer desenvolvimento artístico e cultural aqui para o bairro.
PETER: Sou eu sim... Chamo-me Peter. Obrigado pelas palavras, senhora. Espero vocês duas aqui na inauguração.
IRLANDA: Com certeza estaremos aqui para prestigiar, ainda mais ao lado de dos belos rapazes.
ELES RIEM.
GEISA: (cutuca) para com isso. (para eles) não liga não. Mas já sabem, qualquer coisa que precisarem é só falar.
ARTHUR: Obrigado!
IRLANDA VAI SAINDO E OLHANDO PARA ELES.
ARTHUR: Sentiu a pressão?
PETER: Acho que ela gostou de você.
PETER ACHA GRAÇA. CORTE PARA ELAS.
GEISA: Mal sabem eles que nós vamos denunciar para a policia caso o som nos incomode.
IRLANDA: Eu fiquei com peninha deles. São umas gracinhas.
GEISA: Aff, depois de velha deu pra ficar com fogo pra homem novo foi?
IRLANDA: Passada em Cristo, amiga! Não é nada disso.
GEISA OLHA PARA A AMIGA COM IRÔNIA.
CENA 03. FÁBRICA LA VITTA. SALA DE JAMAL. INTERIOR. DIA
RENATA FAZ UMA MASSAGEM NO PATRÃO. ATENÇÃO SONOPLASTIA: OTHERWISE – MORCHEEBA. ELE ESTÁ CALADO, OLHAR FIXO.
RENATA: Não disse nada. Não falou se está gostando ou não da massagem que estou fazendo.
JAMAL: Está uma delicia.
RENATA: O que anda te infortunando?
JAMAL: Ultimamente tenho pensando muito em meu irmão Teobaldo. A maneira na qual ele acabou falecendo.
RENATA: O passado volta a te atormentar. Sempre quando devemos algo à consciência nos acusa.
JAMAL: Já mandei você parar com essas ironias. Eu não gosto disso.
RENATA: Não é ironia. É verdade!
JAMAL: Tava aqui lembrando da maneira... De como ele morreu naquela mata fechada...
A IMAGEM DISSOLVE PARA UM FLASH-BACK A SER GRAVADO.
CENA 04. FLORESTA DO EQUADOR. EXTERIOR. NOITE
TEOBALDO, JAMAL E UM GRUPO DE NATIVOS ESTÃO ANDANDO NA MATA A NOITE.
JAMAL: Tem certeza que é a noite que essa flor desabrocha, Teobaldo?
TEOBALDO: Claro que tenho, Jamal. Eu estudei muito para chegar à conclusão de que essa planta... A flor dela tem um riquíssimo valor para a pele humana. E ela só desabrocha a noite, pela manhã ela se fecha.
CORTE DESCONTINUO PARA JAMAL CONFABULANDO CONTRA TEOBALDO COM UM DOS NATIVOS.
ELES CONTINUAM A CAMINHADA.
JAMAL: (Off) Eu armei tudo com precisão para que meu irmão caísse naquela emboscada. Um nativo me informou que ali viviam animais silvestres, perigosos animais e que a chance dele sair vivo daquele lugar era pequena. E foi quando...
VEMOS UM DOS NATIVOS EMPURRAR TEOBALDO EM UMA ESPECIE DE GRUTA, DESPENHADEIRO... UM BURACO PROFUNDO.
TEOBALDO GRITA. JAMAL OBSERVA A DESCIDA DO IRMÃO.
A IMAGEM DISSOLVE PARA A CENA SEGUINTE
CENA 05. FÁBRICA LA VITTA. SALA DE JAMAL. INTERIOR. DIA
JAMAL E RENATA.
RENATA: Nossa, que crueldade.
JAMAL: Eu tinha que me vingar de alguma maneira dele. Ele desonrou a minha dignidade, ele usou de minha mulher e com ela tiveram uma filha. Eu não podia deixar isso barato.
RENATA: Nem pensou que podia estar acabando com o seu irmão?
JAMAL: Não pensei nisso na hora. Só queria acabar com ele...
RENATA: (completa) E tomar a cadeira dela na empresa. Esperto você. (beija-o) É por isso que te acho um vencedor. Soube arquitetar com cuidado um plano como esse.
JAMAL: E agora estou querendo voltar lá no Equador em busca da planta rejuvenescedora. Vou voltar com o projeto que o Teobaldo não conseguiu concluir com êxito. Eu vou revolucionar a maneira de cuidar da beleza!
EM JAMAL.
CENA 06. CASA DE SUZETE. QUARTO DE ADEMAR. INTERIOR. DIA
ADEMAR E DANIELA ESTÃO SENTADOS NA CAMA.
ADEMAR: Não adianta mais esconder, não é? Fomos pressionados por todos os lados. Até pelo nosso filho. (ri) Um filho nosso!
DANIELA: (ri tímida) é. Um menino...
ADEMAR: Daniela... Tudo que eu disse lá na sala é pura mentira.
ATENÇÃO SONOPLASTIA: PATIENCE – TAKE THAT.
ADEMAR: É difícil eu estar assumindo isso pra você, mas eu nunca deixei de te amar. Eu sempre procurei em todas as mulheres o que eu encontrava somente em você. Foi difícil pra eu ter que te deixar pra seguir uma carreira no futebol. Eu te amei tanto... Mas sua mãe impediu que nós fossemos felizes.
DANIELA: É verdade? Tudo isso é verdade?
ADEMAR: É verdade sim.
DANIELA FICA CALADA POR UM MOMENTO. ABAIXA A CABEÇA.
DANIELA: Eu até pensei que você ia desistir de tudo para que a gente pudesse viver um grande amor, eu espertei noites e dias por uma ligação sua, mas nada do que sonhava acontecia, então resolvi seguir em frente. Criei o nosso filho sozinha, procurei educá-lo da melhor maneira, para que um dia você pudesse ver que eu fui capaz de criá-lo.
ADEMAR: Eu sei o quanto você é dedicada e se empenha em tudo que faz. Eu sempre a aconselhava a seguir os seus sonhos. Pena que um de seus sonhos,q eu também foi o meu sonho, se perdeu no meio da estrada.
DANIELA: Você fala.../
ADEMAR: (por cima) Falo de nós dois. Do nosso sonho de ser feliz, de constituir uma família solida, com base no amor.
DANIELA: Será que ainda dar tempo?
ADEMAR: Você estaria disposta a isso?
DANIELA: Foi o que sempre mais quis. Naquele dia em que nos encontramos na avenida lá, naquela confusão toda... Esse sonho voltou a me rondar e vi que com você mais perto de mim, mais perto do Tavinho ele poderia se realizar.
ADEMAR: Nunca é tarde para recomeçar, para reconstruir um amor perdido no tempo. Agora temos a chance dos nos perdoar, de nos ajudar... Eu te amo tanto, Daniela. Não sei como consegui viver sem você durante esses quinze anos.
DANIELA: Eu sonhava com você todas as noites. Eu sentia o seu cheiro em minha cama... Eu te desejo como nunca desejei outro homem.
ADEMAR PEGA NA MÃO DE DANIELA.
ADEMAR: A fim de recomeçar?
DANIELA: Sim. Eu quero!
ADEMAR: Então, vamos nos unir a partir de agora e reconstruir o nosso amor. Um amor verdadeiro. E me desculpe por todas as palavras que eu te disse lá embaixo.
DANIELA: Eu é quem tenho que te pedir desculpas. Palavras da boca pra fora não tem validade. O que importa é o que está impresso no meu coração: meu amor por você!
ADEMAR PEGA NO ROSTO DE DANIELA. COLOCA A CABEÇA JUNTO A SUA.
ADEMAR: Quanto tempo eu esperei para ouvir isso, meu amor... Quanto tempo perdemos.
DANIELA: Deixa eu sentir o teu beijo, o teu cheiro...
ELES VÃO SE BEIJANDO LEVEMENTE, ATÉ QUE SE BEIJAM ARDENTE. UM BEIJO DE TIRAR O FÔLEGO.
ADEMAR: Não me perde mais não...
DANIELA: Não me abandona mais nunca nessa vida.
ADEMAR: Nunca... Nunca mais!
ELES SE BEIJAM MUITO. TEMPO. DANIELA E ADEMAR SORRIEM UM PARA O OUTRO.
CENA 07. SÃO PAULO. GERAIS. EXTERIOR. TARDE
ATENÇÃO SONOPLASTIA: STRONGER THAN ME – AMY WINEHOUSE. TOMADA GERAL DA CIDADE. ÚLTIMO TAKE NO SHOPPING GALERIA.
CENA 08. SHOPPING GALERIA. LOJA DE DANIELA. INTERIOR. TARDE
ABRE NO BRINDE DE DANIELA, TIARA, RAISSA E DELSINHO. ALEGRIA DE TODOS.
DELSINHO: Até que enfim você voltou pra aquele bofe tudo, Dani.
DANIELA: Agora eu e o Ademar estamos juntos... Dessa vez para sempre.
TIARA: Assim espero, amiga.
RAISSA: Ai, estou tão feliz por você, amiga. Graças a Deus e graças ao Tavinho que tomou a iniciativa de procurar o pai, vocês dois estão juntos outra vez.
DELSINHO: E o bofe, como tá?
DANIELA: Feliz da vida. Ah, a gente se desentendeu no começo, mas não resistimos um ao outro.
ELES SE EMPOLGAM E VIBRAM. VIVIANE ENTRA.
VIVIANE: Festinha intima e nem me convidaram.
DELSINHO: (faz cara feia) Chegou a estraga prazeres.
VIVIANE: Hum... Champanhe! Estão comemorando o quê, posso saber?
TIARA: Claro que pode querida! Estamos comemorando a felicidade da Dani. Ela e o Ademar reataram.
VIVIANE: Jura?
DANIELA: Sim, Viviane. Estamos juntos.
VIVIANE: Não dou dois meses pra ele aprontar uma e te dar um pé na bunda.
DANIELA: É uma pena, pois essa previsão não irá acontecer.
VIVIANE: Do jeito que você fala como ele é, eu não duvidaria amiga. Não é ele que é o safado, o mulherengo, o machista?
DANIELA: Aquele Ademar morreu.
VIVIANE: Eu acredito em reencarnação.
DANIELA: Você não vai me tirar do sério, nada vai estragar a minha alegria.
TIARA: Não liga pro que ela diz. É uma invejosa, despeitada, sem um homem por isso fica assim, com inveja de quem tá bem, de quem é feliz.
VIVIANE: Quem é você pra dar lição de moral em mim, Tiara? Por acaso você é feliz? Uma mulher que não sabe nem a origem, tem moral alguma para dizer alguma coisa pra mim?
DELSINHO: Eu vou dar na araca desta rasha. Cala a boca sua ridícula, pare de ser imbecil.
VIVIANE SORRI E SAI DALI. TIARA FICA MAL.
RAISSA: Não leva a sério o que ela disse, amiga.
DANIELA: É, Tica. Você não está sozinha no mundo. Você tem a gente. E tenho certeza que logo você vai saber de tudo sobre sua origem.
DANIELA ABRAÇA TIARA.
CENA 09. PASTELARIA. INTERIOR. TARDE
TÂMIRES ENTRA ALI. ANDRÉ VEM ATENDÊ-LA.
ANDRÉ: Vai querer alguma coisa?
TÂMIRES: Não, não. Vim só ver se a Fabiane está por aqui.
ANDRÉ: O que você quer com a minha irmã.
TÂMIRES: Eu não quero nada com ela, mas ela parece querer muita coisa com o Rafael.
ANDRÉ: Que história é essa?
TÂMIRES: A Fabiane se faz de santinha, mas é uma do pau oco. Eu a vi lá embaixo de papinho com o Rafael. Logo ela que odeia tanto ele... Sei que sua mãe não se dar bem com a dona Elvira e já proibiu de vocês se envolverem com a família ali da frente.
ANDRÉ: Para de se meter na vida de minha irmã, alias, para de se meter na vida de minha família.
TÂMIRES: Ficou nervosinho foi?
ANDRÉ: Não.
TÂMIRES: Avisa a sua irmãzinha que eu ando de olho nela. E quero-a longe do Rafael.
ANDRÉ: Pode ficar despreocupada que ela não quer nada com ele.
TÂMIRES: Acho bom, porque eu sou capaz de entregá-la para a dona Suzete e acabar com um suposto romance entre eles. Porque o Rafael é meu... Sempre foi meu!
TÂMIRES VAI SAINDO. CLOSE EM ANDRÉ.
CENA 10. SHOPPING GALERIA. SEXY SHOP. INTERIOR. TARDE
EVELYN LEVANTA DE VEZ.
EVELYN: Como é que é?
VIVIANE ALI COM ELA.
VIVIANE: A Daniela está comemorando a volta para o grande amor da vida dela. Que coisa mais brega.
EVELYN: E o que eu tenho a ver com isso sua ridícula?
VIVIANE: Nada, só estou comentando que a Daniela está feliz. Aff... Só falando mesmo... Ela e o Ademar que se ferrem. Não estou nem aí.
EVELYN: Peraí... Peraí... Você falou o nome de quem aí?
VIVIANE: Do Ademar.
EVELYN: Que Ademar é esse?
VIVIANE: O namorado de Daniela, pai do filho dela... Ademar Dias, um grande jogador de futebol!
EVELYN DESABA.
EVELYN: Desgraçada. Ela não pode se envolver com o Ademar Dias. A Daniela não tem o direito.
VIVIANE: Por quê?
EVELYN ANDA PELA SALA.
EVELYN: (agressiva) Porque ele é meu! A Daniela não tem esse direito. Onde é que ela tá? Cadê ela?
EVELYN SAI DA SALA RÁPIDO. CLOSE EM VIVIANE PREOCUPADA.
CENA 11. SHOPPING GALERIA. ESCRITÓRIO. INTERIOR. TARDE
DANIELA ESTÁ TRABALHANDO QUANDO EVELYN INVADE A SUA SALA.
DANIELA: Como você invade a minha sala dessa maneira?
EVELYN: Me diz uma coisa: Você tá namorando com o Ademar Dias?
DANIELA: Estou sim, por quê?
EVELYN: Você não deve namorar com ele. Ele é um salafrário. Ele me estuprou na Espanha. Aquele homem não vale nada.
DANIELA: O meu Ademar seria incapaz de fazer isso. E sabe de uma? Eu acho que você inventou toda essa história.
EVELYN: Inventei?
DANIELA: É... Inventou! O Ademar me contou tudo. Você é uma dessas Marias-chuteira que só vivem atrás de jogador famoso para aplicar golpe. E aplicou direitinho nela, mas saiba, querida, que dessa vez ele tem uma mulher pra defendê-lo. Eu sou a mulher de Ademar Dias e quero você longe dele.
EVELYN: Vocês não serão felizes.
DANIELA: Quem é você pra me dizer isso? É bruxa por acaso?
EVELYN: Não sou bruxa, mas eu digo que não serão, porque não irei permitir.
DANIELA: Estava louca para você mostrar as suas asinhas, louca mesmo. Agora saia de minha sala. Meu recado foi dado.
EVELYN: Você não vai me expulsar de sua sala.
DANIELA VAI ATÉ EVELYN E A PEGA PELO BRAÇO. ELA SE SOLTA.
EVELYN: Não encosta essas mãos em mim. Isso não vai ficar barato. O Ademar não vai ficar com ninguém.
DANIELA: Você é uma louca.
EVELYN: O Ademar tem um caso comigo. Ele está te enganando.
DANIELA DÁ UMA GARGALHADA.
DANIELA: Ah, é mesmo? E eu sou a Beyoncé... Quer-me ver dançar single ladies aqui?
EVELYN: é verdade, a gente se encontra sempre.
DANIELA: Chega de loucura. Suma daqui Evelyn.
ELA ABRE A PORTA PARA EVELYN SAIR. EVELYN BATE A PORTA AGRESSIVA, DANIELA SE ASSUSTA. EVELYN ESTÁ TRANSTORNADA.
EVELYN: Você não vai me enxotar desta sala como uma cachorra sarnenta. (pausa) Se afasta do Ademar. Eu estou te avisando! Escuta bem o que eu estou te falando, é pro seu bem: fica longe dele, senão eu acabo com essa sua felicidade num piscar de olhos.
DANIELA: Saia já daqui, sua maluca.
EVELYN SE CONTROLA E SAI DA SALA DE DANIELA.
DANIELA: Ela é uma louca... Não posso permitir que essa doente fique aqui... Que ela trabalhe junto de meus funcionários, de meus inquilinos, de meus clientes... Ela é uma ameaça a qualquer pessoa.
EM DANIELA PREOCUPADA.
CENA 12. FRENTE DA CASA DE YOLANDA. EXTERIOR. TARDE
YOLANDA ACABA DE CHEGAR COM AS COMPRAS. WALLACE AJUDA A MÃE.
YOLANDA: Quantas sacolas pesadas.
WALLACE: Eu te ajudo a colocar em casa mãe.
YOLANDA: Não é necessário. Vá dar umas voltas, depois volte para ajudar o André na pastelaria.
YOLANDA COLOCA AS COMPRAS PARA DENTRO E FECHA A PORTA. DARINHO, DAVIDSON E SUA TURMA CHEGAM ALI.
DARINHO: Tá sabendo da grande novidade, primo?
WALLACE: Não. Que novidade?
DAVIDSON: Conta pra ele, mano.
DARINHO: O Sivuca conseguiu uma vaga para um de nós do time aqui do bairro para jogar, treinar, lá no base Junior do São Paulo. Olha que maravilha. E você ficou de fora dessas só por causa de um vacilo.
WALLACE: Que bom. Mas eu vou provar que não tenho nada a ver com aquela história dos cigarros.
DARINHO: Acho muito difícil você provar. Provar algo que foi visto, que foi constatado.
WALLACE: Mas eu não coloquei aquilo ali. Colocaram, sabotaram minha mochila.
DAVIDSON: É uma pena primo, você não estar concorrendo.
DARINHO: Eu sei que essa vaga vai ser minha, porque eu sou competente e sou o melhor do time, agora que você á fora.
WALLACE: Foi pra passar em minha cara? Já passou, com licença!
WALLACE VAI SAINDO.
DARINHO: Não chora não, tá? Vai que aparece uma oportunidade, quem sabe jogar no campinho de terra batida lá do outro lado da cidade.
OS GAROTOS RIEM. WALLACE BALANÇA A CABEÇA NEGATIVAMENTE E SAI.
CENA 13. FRENTE DA CASA DE SIVUCA. EXTERIOR. TARDE
SIVUCA COLOCA SEU PASSARINHO ALI FORA E SENTA-SE. TEMPO, WALLACE CHEGA.
WALLACE: Sivuca!
SIVUCA: O que você quer aqui?
WALLACE: É verdade que você vai indicar um dos garotos do time para treinar no Junior do São Paulo?
SIVUCA: Já vi que as noticias correm rápido aqui no bairro, mas é verdade, sim por quê?
WALLACE: Porque eu queria participar do sorteio.
SIVUCA: Você ainda tem a audácia de me pedir uma coisa dessas depois daquele incidente dos cigarros?
WALLACE: Mas Sivuca, tenta entender que não tenho nada a ver com aquilo. Foi uma armação que fizeram para cima de mim. Eu não tenho culpa.
SIVUCA: Olha pra mim, garoto, veja se eu tenho cara de idiota. Todas as chances foram dadas a você, se não aproveitou, não posso fazer nada. A vaga vai pra um dos outros garotos, que permanecem firmes no time e que não usam coisas ilícitas.
WALLACE PRENDE O CHORO DE HUMILHAÇÃO.
WALLACE: Um dia você vai reconhecer que eu não tenho nada a ver com essa história.
WALLACE SAI E DEIXA SIVUCA PENSATIVO.
CENA 14. BOATE DE VAVÁ. INTERIOR. TARDE
ATENÇÃO SONOPLASTIA: NAVE DO AMOR – BANDA DJAVÚ. ALGUNS ENSAIAM NO PALCO. VAVÁ NO BAR COM ESTELA E DADINHO.
VAVÁ: Como é que tu me apronta uma dessas Estela.
ESTELA: Mas eu sei que ia conseguir.
VAVÁ: Você sempre acha que cai conseguir, mas sua voz é ruim, minha filha. Poe isso na cabeça, coisa do norte.
ESTELA: Minha voz não é ruim, nada.
VAVÁ: Aí, Jesus!
DADINHO: A coitada foi humilhada, mestre. Passou a maior vergonha; foi até chamada de papagaia.
VAVÁ: Porque quis, eu avisei... Eu avisei tanto, mas ela ama pagar mico, agora fica ai com essa cara de múmia pálida. Ai, vai tirando essa cara, vai sorrindo, porque eu não quero baixo-astral aqui não.
ESTELA: Ai, Vavá... Você nem se preocupa comigo.
VAVÁ: Eu me preocupo sim querida, por isso estou pedindo que você arranque essa cara de mosca-morta, coloque uma cara nova para não espantar os meus clientes hoje à noite.
ESTELA CHORA.
VAVÁ: Seria bem melhor se tu tivesse sendo rameira ainda coisa... Seria mais produtivo.
ESTELA: Pra aquela vida eu não volto mais.
VAVÁ: É menos humilhante do quê passar vergonha com essa voz de sirene de ambulância. Ai, meu mega-hair!
ELE GIRA E SAI DALI.
ESTELA: Ninguém me entende, ninguém sabe olhar meus talentos com olhos artísticos.
DADINHO: Oh, Jesus, dá-me paciência. Olhos artísticos? Levante a mão pro céu por não terem te entregado pro IBAMA.
ESTELA: Por quê?
DADINHO: Você com essa voz, amapô, poderiam te confundir com uma gralha em extinção! Sou dessas querida, pronto, falei.
EM ESTELA, PASMA.
CENA 15. GIBI
A IMAGEM DA CENA ANTERIOR VIRA HQ. PASSAM AS FOLHAS DO GIBI. A IMAGEM SEGUINTE É A DE SÃO PAULO NOTURNA EM HQ.
A IMAGEM VAI FICANDO AO NORMAL.
CENA 16. SÃO PAULO. GERAIS. EXTERIOR. NOITE
MÚSICA VINDA DA CENA 15 AINDA NESTA. TOMADA NOTURNA DE SÃO PAULO.
CENA 17. RESTAURANTE. VARANDA. EXTERIOR. NOITE
ADEMAR E DANIELA SENTAM-SE EM UMA MESA NO AMBIENTE EXTERNO DE UM RESTAURANTE.
DANIELA: Que lugar lindo. Não conhecia.
ADEMAR: A comida aqui é maravilhosa. Você vai gostar meu amor.
ELES SE BEIJAM. INSERIR EFEITO: FOTOGRAFIA.
CENA 18. CARRO DO OUTRO LADO DA RUA DO RESTAURANTE. EXTERIOR. NOITE
EVERTON ACABA DE FOTOGRAFAR DANIELA E ADEMAR.
EVERTON: Esse é tal Ademar da Daniela... A Evelyn precisa saber disso.
ELE DISCA PARA A VILÃ.
CENA 19. CARRO DO OUTRO LADO DA RUA DO RESTAURANTE. EXTERIOR. NOITE
CONTINUAÇÃO DA CENA ANTERIOR. EVERTON AO CELULAR COM EVELYN.
EVERTON: Alô? Evelyn?... Eu estou aqui, como você pediu, seguindo o Ademar Dias e você não vai acreditar: ele e a Daniela estão aos beijos em um restaurante.
CENA 20. MANSÃO DE JAMAL. SALA. INTERIOR. NOITE
EVELYN ANDA IRRITADISSIMA COM O CELULAR AO OUVIDO.
EVELYN: Siga todos os passos desses dois. Não perca eles de vista um só segundo. Isso é muito importante pra mim, entendeu? Eu exijo que você me dê informações a todo minuto...
JAMAL VEM CHEGANDO NA SALA.
EVELYN: Eu vou desligar agora, mas me mantenha informada.
EVELYN DESLIGA O TELEFONE. RESPIRA FUNDO.
JAMAL: Está nervosa, minha sobrinha querida.
EVELYN SORRI, PARA FINGIR QUE NADA ACONTECEU.
EVELYN: Não, tio...
JAMAL SENTA-SE, ELA TAMBÉM.
JAMAL: Então... A que devo a honra de recebê-la em minha humilde mansão.
EVELYN: Eu vim saber da documentação do meu patrimônio. Quero saber de tudo que o meu pai deixou para mim.
EM JAMAL, TENSO.
CENA 21. CASA DE ANA BELA. SALA. INTERIOR. NOITE
ANA BELA FAZ CARINHO NA CABEÇA DA FILHA.
TATIANA: Como era o tio Teobaldo mãe?
ANA BELA: Era um grande homem. Um homem de caráter, respeitoso, sempre presente na vida de cada um... Ele era um ótimo conselheiro.
TATIANA: O papai sempre fala que ele era um traíra.
ANA BELA: Seu pai que é um maluco, um louco. Até hoje acha que a minha filha, a que está desaparecida, é filha do Teobaldo. (pausa) Não dê ouvidos ao que seu pai diz sobre seu tio. Ele sim, era uma ótima pessoa.
TATIANA: Estranho o jeito que ele morreu.
ANA BELA: Mais estranho ainda e não encontrarem o corpo dele. Até hoje ninguém achou o corpo do Teobaldo. O pobre nem pôde ter um velório, um enterro digno.
MELISSA: (off) Você não liga mais pra mim, Peter.
ANA BELA: Tão brigando.
ARTHUR CHEGA.
TATIANA: Essa Melissa é uma mimada, insuportável.
ARTHUR: O que tá acontecendo?
ANA BELA: Ela e o Peter...
PETER: (off) Você não está sendo verdadeira.
ARTHUR: Se acostumem. É assim sempre.
TATIANA: Se eu fosse o Peter já tinha dado um pé na bunda há muito tempo.
ANA BELA E ARTHUR RIEM. ELE ENCARA O QUARTO DE PETER.
CENA 22. CASA DE ANA BELA. QUARTO DE PETER. INTERIOR. NOITE
PETER E MELISSA DISCUTEM.
MELISSA: Depois que você veio para essa cidade poluída, você esqueceu que tem uma namorada. Só vive pra aquela boate.
PETER: Você está sendo ingrata. Eu sempre estou do seu lado.
MELISSA: Mentira. Só vive mandando eu sair com a Evelyn ou com a Marcela... Parece que eu sou um encosto em sua vida. E ai pra se livrar manda eu sair com minhas amigas. Poxa, cara: nem pra ir no cinema, no shopping, você tem tempo. Eu fiquei te esperando pra pegar um carona e quem queria me dar foi o Arthur, seu amigo insuportável. Nem pra isso você está presente.
PETER: Desculpa meu amor.
ELE CHEGA PERTO DELA.
MELISSA: Você está cada dia mais distante de mim.
PETER: Eu falei pra você que aqui em São Paulo eu teria muito trabalho. Tá faltando pouco tempo para a abertura da mega-boate e tenho que acelerar o processo de reforma, de montagem... Tudo está sob os meus cuidados. Queria que você me entendesse.
MELISSA: Tudo bem. Eu saio sozinha.
MELISSA PEGA A BOLSA E SAI DO QUARTO. ELE VAI ATRÁS.
PETER: Melissa... Amor...
CENA 23. CASA DE ANA BELA. SALA. INTERIOR. NOITE
MELISSA VEM DO QUARTO. PETER ATRÁS. ANA BELA E TATIANA NO SOFÁ. ARTHUR EM PÉ.
MELISSA: Eu vou sair sozinha. Não precisa vir atrás de mim.
ANA BELA: Brigando mais uma vez?
MELISSA: Seu filho que não tem tempo pra mim.
TATIANA: O meu irmão tá lotado de trabalho, Melissa. Você não entende?
MELISSA: Não, eu não entendo. Que saco!
ELA VAI SAIR E SE BATE COM ARTHUR.
MELISSA: Sai da minha frente você também.
ARTHUR: Com licença ainda se usa.
ELA SAI E BATE A PORTA. PETER SENTA NO SOFÁ.
PETER: Eu sei que ando cheio de trabalhos, que estou um pouco ausente... Poxa, mas ela não me entende.
ANA BELA: Toma conta de tua namorada, senão vai perder pra outro.
A CÂMERA FECHA NA EXPRESSÃO DE ARTHUR. CLOSE EM TATIANA.
TATIANA: Não sei como você agüenta essa chata!
ELE SORRI E BAGUNÇA O CABELO DA IRMÃ. CLOSE EM ARTHUR, SEMPRE POR FORA.
CENA 24. MANSÃO DE JAMAL. SALA. INTERIOR. NOITE
JAMAL ENTREGA ALGUNS DOCUMENTOS PARA EVELYN.
JAMAL: Então, são esse ai. Todos assinados por você.
EVELYN: Só o senhor para me deixar segura de tudo que eu tenho direito tio. Obrigado por cuidar do que é meu.
JAMAL: Estou aqui para dar continuidade ao trabalho de meu irmão.
EVELYN LEVANTA.
EVELYN: Agora tenho que ir embora. Boa noite... Qualquer coisa me liga.
JAMAL: O mesmo eu te digo.
EVELYN ABRAÇA JAMAL.
EVELYN: O senhor é um pai para mim.
EVELYN BEIJA ELE E SAI. JAMAL CORRE PARA O TELEFONE.
JAMAL: (ao tel.) Alô... Renata... Pegue toda a documentação que o Teobaldo deixou... Sim, sua lesma. É... Toda a documentação. Como que documentação sua mentecapta. Esconda tudo. E se a Evelyn pedir algo diga que a documentação ficou comigo, que eu me resolvo aqui. Não, não... Não aconteceu nada. Só faça o que eu mandei.
ELE DESLIGA O TELEFONE. CLOSE NELE.
CENA 25. SALÃO DE QUITÉRIA. INTERIOR. NOITE
QUITÉRIA TERMINA DE GUARDAR OS ESMALTES E VAI FECHAR O SALÃO QUANDO PEDRO ENTRA SEM QUE ELA VEJA E LHE DÁ UM BEIJO NO PESCOÇO. ATENÇÃO SONOPLASTIA: TELEGRAMA – ZECA BALEIRO.
QUITÉRIA: (sorriso) Você?
PEDRO ABRAÇA QUITÉRIA E OS DOIS SE BEIJAM.
PEDRO: Eu estava com saudades de você e resolvi dar uma passada aqui no salão.
QUITÉRIA: Eu tava mesmo pensando em você.
PEDRO: Olha, que coisa boa. Então é transmissão de pensamento, porque também estava pensando em você... Sempre, sempre...
ELES SE BEIJAM MAIS UMA VEZ.
QUITÉRIA: Eu queria te pedir desculpas por causa do Dart lá no restaurante.
PEDRO: Sem problemas.
QUITÉRIA: É que eu fui grossa, deselegante, num ambiente tão fino como aquele. Me desculpa.
PEDRO: Boba. Me desculpa você, por eu não ter partido a cara daquele babaca ali mesmo.
ELES RIEM E SE BEIJAM.
CENA 26. FRENTE DA CASA DE VALDSON. EXTERIOR. NOITE
EDNEUZA SAI PARA TRABALHAR. ELA FALA COM ALGUNS VIZINHOS E VAI CAMINHANDO. TEMPO, VALDSON SAI DE CASA E SEGUE A MULHER.
EDNEUZA OLHA PARA TRÁS E VÊ O MARIDO.
EDNEUZA: O que faz aqui meu amor?
VALDSON: Resolvi que vou te levar para o trabalho pra nenhum engraçadinho mexer com minha mulher e confundi-la com uma piriguete.
EDNEUZA ENGOLE SECO.
CENA 27. RESTAURANTE. VARANDA. EXTERIOR. NOITE
ADEMAR ACABA DE BEIJAR DANIELA.
DANIELA: Seu beijo é tão gostoso.
ADEMAR SORRI.
ADEMAR: Agora que já jantamos eu preciso contar um segredo a você.
DANIELA: um segredo?
ADEMAR: Sim. Estamos juntos para o que der e vier e... Eu preciso contar a você, já que agora voltamos a ser um casal.
DANIELA: Fala logo... Tá me deixando curiosa.
ADEMAR SE PREPARA PARA FALAR. RESPIRA FUNDO. CLOSE NELE.
CENA 28. CROQUETÁRIA. INTERIOR. NOITE
ELVIRA SERVE CROQUETE PARA RAISSA E DIEGO.
ELVIRA: Acabaram de sair do forno.
RAFAEL CHEGA.
RAFAEL: Oba... Vou comer com minha cunhadinha preferida.
DIEGO: Senta aí mano.
ELVIRA: Eu sei que você ama os meus croquetes, Raissa... E esses eu fiz especialmente para você: é de camarão. Do que você gosta,
RAISSA COME.
RAISSA: A senhora é um anjo dona Suzete.
TÂMIRES ENTRA.
TÂMIRES: Família reunida numa noite tão bonita...
ELVIRA: Tâmires querida, entra... Venha comer com a gente.
RAFAEL SE SENTE INCOMODADO COM A PRESENÇA DELA.
RAFAEL: Eu vou pro computador jogar alguma coisa.
TÂMIRES: Vai sair porque eu cheguei, Rafa? Fica, meu bem... Tá pensando que eu vou contar o que eu vi pra dona Elvira?
ELA ABRAÇA ELVIRA.
ELVIRA: O que é que você viu?
RAFAEL FICA TENSO. TÂMIRES SORRI, IRÔNICA.
CENA 29. APARTAMENTO DE DANIELA. SALA. INTERIOR. NOITE
CATARINA ESTÁ DEITADA COM PEPINOS NO ROSTO. TAVINHO COM ELA, LENDO ALGUM LIVRO.
CATARINA: Cadê a diaba da sua mãe que não chegou. Só vive enfurnada naquele shopping forreca.
TAVINHO: Ela saiu com o meu pai.
CATARINA SE ASSUSTA.
CATARINA: Ela saiu com quem, menino?
TAVINHO: Com o Ademar... O meu pai. Tá sabendo não? Eles voltaram! Tão namorando.
NO CHOQUE DE CATARINA.
CENA 30. RESTAURANTE. VARANDA. EXTERIOR. NOITE
CONTINUAÇÃO DA CENA 27. DANIELA E ADEMAR.
DANIELA: Vai me contar ou não esse tal segredo?
ELE SOA FRIO. PEGA UM GUARDANAPO E ENXUGA A TESTA.
DANIELA: Estou começando a ficar preocupada. Você tá doente?
ADEMAR: Não é nada disso. É outra coisa. (pausa) Bom, vamos começar do começo... Depois que eu cheguei da Espanha todas as portas aqui do Brasil se fecharam para mim e ninguém quis me dar emprego. (pausa) Foi então que eu resolvi procurar... E encontrei uma nova modalidade de trabalho, bem diferente de tudo que eu já fiz... E ninguém de minha família sabe que estou nesse ramo, me entende?
DANIELA: Mais ou menos. E qual é o segredo? É isso?
ADEMAR: Mais ou menos. O segredo envolve o meu tipo de trabalho atualmente.
DANIELA: Não me diga que você tá traficando/
ADEMAR: Não. Tá maluca? Não... Deus me livre! É que ninguém me entenderia se eu contasse com que tipo de serviço estou trabalhando. Todo mundo ia fazer gozação de mim, iam me zoar... Eu fico preocupado. Você é minha namorada, e eu tenho o dever de ao menos compartilhar com você o que eu estou vivendo.
DANIELA: Pode confiar em mim. Me diz...
ADEMAR: Eu estou trabalhando em uma boate LGBT.
DANIELA: É isso? (ri) Besteira, meu amor... O Tavinho me contou que você tava fazendo serviço de segurança e/
ADEMAR: (por cima) Eu trabalho de transformista nessa boate LGBT. Eu sou uma drag queen, Dani.
CLOSE EM ADEMAR COM MEDO DA REAÇÃO DELA. DANIELA ESTÁ ESTÁTICA, COM OS OLHOS ARREGALHADOS.
EFEITO: A IMAGEM DE ADEMAR E DANIELA SE TRANSFORMA EM IMAGEM DE HQ.
“Os créditos sobem ao som de: I Will Survive – Gloria Gaynor”

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