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O Lado Oculto da Lua: Capítulo 15

Novela de Luiz Gustavo
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O LADO OCULTO DA LUA - CAPÍTULO 15

FLORESTA

A INCERTEZA TOMOU CONTA DOS PENSAMENTOS DE RAFAEL. Ele não se sentia forte o suficiente para encarar aquela criatura. Seu coração se debatia em desespero, desejando Luna de volta em seus braços. Não queria parecer covarde; queria morrer lutando pela vida da amada. Em um impulso, Rafael trancou Bob em um dos quartos, não queria perder seu velho amigo. Carregou a arma e, quando finalmente colocou os pés para fora de casa, sentiu a lua cheia iluminando sua pele, como se mostrasse o caminho para sua verdadeira lua, sua Luna.

A temperatura caía gradativamente quando Rafael passou pelo primeiro arvoredo, sentindo um incômodo inquietante, como se estivesse sendo vigiado por milhares de olhos. A floresta não era um lugar comum para um ser humano normal. Ele tentou se agarrar a algumas memórias de infância, de quando o pai o levava para um parque de diversão na feira de agosto, próximo a sua casa. Mas isso não era suficiente; o canto da coruja atravessava sua concepção, arrastando-o para uma área de horror que invadia sua benevolência.

A luz da lua refletia escassamente nos gigantescos pés de jequitibá, deixando metros abaixo apenas o negrume e o silêncio. Rafael continuava a caminhar entre as folhas úmidas, observando uma cobra gigantesca rastejando pelo solo, em busca de alimento. Ele parou por alguns minutos, tempo suficiente para aquele animal não notá-lo.

Enquanto esperava, sua mente foi invadida por pensamentos sombrios e perturbadores. O som dos galhos quebrando sob seus pés parecia um grito agonizante, e o vento que soprava através das árvores sussurrava palavras de aviso e ameaça. Rafael podia sentir a presença maligna do Homem de Olhos Vermelhos, como uma sombra persistente que o seguia de perto.

Cada passo que dava na floresta parecia levá-lo mais fundo em um pesadelo. As árvores, altas e imponentes, pareciam fechar-se ao seu redor, como se quisessem aprisioná-lo em um abraço mortal. O ar estava denso e carregado, e cada respiração era uma luta contra a opressão invisível que pesava sobre ele.

Rafael continuava a avançar, os olhos varrendo a escuridão em busca de qualquer sinal de Luna. A ideia de encontrá-la em perigo, ou pior, já nas garras daquela criatura, o impulsionava para frente, apesar do medo que ameaçava paralisá-lo. Ele sabia que não podia falhar. A vida de Luna dependia dele, e ele estava disposto a enfrentar qualquer horror para trazê-la de volta em segurança.

De repente, um movimento rápido à sua direita chamou sua atenção. Rafael virou-se abruptamente, a arma em punho, pronto para enfrentar qualquer coisa. Mas não havia nada ali. Apenas a escuridão e o som distante de algo se movendo através da floresta. Ele respirou fundo, tentando manter a calma, e continuou a caminhar.

— Onde está você, meu amor? — perguntou Rafael, sozinho.

“Eu estou aqui, eu estou perto querido, por favor, me ajude!” O timbre feminino de Luna invadiu os pensamentos de Rafael, como se estivesse à sua frente, assim como o cheiro de seu perfume. Com uma força brutal, Rafael tomou coragem e correu em direção a um clarão que cintilava no fundo da floresta, próximo a um rio. A visão começava a ficar menos distorcida e ele pôde enxergar a esposa deitada no pavimento, sendo encarada pelo maldito Homem de Olhos Vermelhos. Ele sacou a arma, mas antes de dar o primeiro tiro, escorregou em um tronco de jequitibá, caindo no chão. O tiro atravessou uma das árvores, e ele pôde escutar um grito de dor ecoando por toda a floresta.

Rafael se levantou, o medo desaparecendo de sua mente, e avançou, disparando os últimos tiros em direção à criatura, que sumiu novamente. Ele enxergou Luna deitada; ela ainda respirava com dificuldade e tremia de frio. Rafael a acolheu em seus braços, lágrimas caindo por seu rosto e chegando até o corpo da mulher. Ele implorou em pensamentos, deixando a irá extravasar pelos lábios enquanto gritava o nome dela em prantos.

— Não me abandone, meu amor! Não me abandone! — disse Rafael, segurando a mulher.

Com dificuldade, ele a envolveu e a colocou no colo, numa luta intensa para sair daquela maldita floresta. Aquele era o pior dia, o pior momento de sua vida; cada segundo estava gravado em suas memórias, matando-o de dor. Luna murmurava algumas palavras inaudíveis; ela não estava bem.

A escuridão parecia mais opressiva enquanto ele carregava Luna, sentindo o peso não apenas de seu corpo, mas também do desespero e do terror que os cercavam. As árvores ao redor pareciam se fechar, como se a floresta estivesse viva, conspirando para mantê-los presos. Rafael avançava com passos pesados, seu coração batendo como um tambor, ecoando o ritmo frenético de seu medo.

Os sons da floresta, antes tão familiares, agora se transformavam em sussurros sinistros e risos malévolos. Ele podia sentir os olhos invisíveis observando cada movimento, como se a própria escuridão estivesse zombando de sua luta. Rafael apertou Luna com mais força, determinado a protegê-la a qualquer custo. O caminho de volta parecia interminável, cada passo um desafio contra a vontade de desistir.

Finalmente, a luz da lua começou a ceder ao primeiro brilho do amanhecer. A esperança se renovava, ainda que frágil. Rafael sabia que precisava sair dali antes que o sol revelasse todas as sombras que se escondiam na floresta. Ele forçou seus passos a se moverem mais rápido, sentindo o frio gélido da madrugada cortando sua pele.

Ao emergir da floresta, Rafael viu a casa à distância. Um suspiro de alívio escapou de seus lábios, mas ele sabia que a luta estava longe de acabar. Ele escutou o barulho das sirenes dos carros da polícia e de uma ambulância. Chico, ao notar o desaparecimento do delegado, havia acordado todos os moradores do vilarejo, que agora estavam presentes no ambiente.

Rafael acelerou os passos, carregando Luna com cuidado, enquanto os sons das sirenes ficavam mais altos. Ao chegar mais perto, pôde ver as luzes piscando, iluminando a escuridão da madrugada. Os moradores do vilarejo estavam reunidos, suas expressões misturando preocupação e curiosidade.

— Delegado! — chamou Mathias, correndo em direção a Rafael. — O que aconteceu? Onde vocês estavam?

Rafael, ofegante, olhou para Mathias e depois para Luna em seus braços.

— O Homem de Olhos Vermelhos... Ele nos atacou. Luna precisa de ajuda. Agora!

Mathias sinalizou para os paramédicos, que correram com uma maca em direção ao casal. Rafael colocou Luna cuidadosamente na maca, sentindo um peso sair de seus ombros ao vê-la sendo atendida. Os paramédicos rapidamente começaram a verificar seus sinais vitais, enquanto a colocavam na ambulância.

— Precisamos levá-la para o hospital imediatamente — disse um dos paramédicos. — Ela está fraca e precisa de cuidados urgentes.

Enquanto Luna era levada para a ambulância, Mathias se voltou para Rafael.

— Esse homem... essa criatura. Precisamos fazer algo. Não podemos deixar que ele continue aterrorizando nosso vilarejo.

— Eu sei — respondeu Rafael, a voz firme apesar do cansaço. — Mas precisamos ser cuidadosos. Ele é perigoso e não podemos subestimá-lo. Ele existe Mathias, ele é real, não é uma lenda.

Chico se aproximou de Rafael, com um olhar sombrio e voz grave:

— Tome cuidado, delegado. Ela pode ser a nova hospedeira.

Rafael balançou a cabeça de maneira negativa para Chico. O que aconteceu com Lúcia, não iria se repetir com sua esposa. Ele entrou na ambulância, vendo os rostos inquietos dos moradores do vilarejo, preocupados com Luna. Rafael segurou as mãos da esposa, temendo a caça às bruxas.

Os olhos dos moradores refletiam medo e superstição, alimentados pelos mitos que cercavam o vilarejo. Rafael sabia que a comunidade era rápida em encontrar culpados e temia pelo que poderiam fazer a Luna se acreditassem que ela era a nova hospedeira.

Dentro da ambulância, o silêncio continua perturbador. Rafael olhava para o rosto pálido de Luna, sentindo-se impotente. A lembrança de Lúcia, a última vítima do Homem de Olhos Vermelhos, ainda assombrava sua mente. Lúcia havia sido acusada de bruxaria e morta pelos próprios amigos em um ato de desespero e ignorância.

— Luna, eu não vou deixar isso acontecer com você — sussurrou Rafael, apertando a mão dela. — Eu prometo.

autor
Luiz Gustavo

elenco
Luna Azevedo
Rafael Duarte
Mathias Castro
Dona Mocinha
Odete Azevedo
Cássio Vitorino
Vicente
Dr. Luiz

Admilson
Padre Miguel
Chico
Nassy Castro

participações especiais
Lúcia da Silva Pinto
Rubens Pinto
Aline Medeiros
David
Henrique

Inspirada na lenda de A Caçada Selvagem e no Lobisomem

trilha sonora
Birth - 30 Seconds to Mars

direção
Carlos Mota
 
produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


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