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Feriadão WebTV: O Cachecol Azul

Conto de Karine Dias
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Sinopse: Um doce perfume embriaga a vida de Thiago, quando o belo homem ajuda a moça dos cabelos longos e cacheados,  durante uma viagem no coletivo. Esse perfume fica impregnado em suas roupas, em suas mãos e no seu coração.



O Cachecol Azul
de Karine Dias

Naquela manhã gelada, de uma cidade serrana do estado do Rio de Janeiro, conhecida como a “Suiça Brasileira”, Karol  levantou-se uns 20 minutos atrasada, após o celular despertar por várias vezes. Logo, ao sair da cama quente e envolvida em inúmeros cobertores pesados, pensou que o dia já estava perdido e que tudo já começou errado. Foi para o banheiro, ligou o chuveiro, começou desembaraçando os seus longos cabelos cacheados e pretos. Era o ritual para “acordar”. Antes mesmo de desligar o chuveiro, já puxou a toalha que estava pendurada sobre o box e, saindo na ponta dos pés, desligou aquele que é o seu maior companheiro nas horas de refletir sobre a vida. Já saiu entrelaçada no tecido felpudo, foi para o quarto e vestiu-se com a roupa, que por sorte, já havia separado na noite anterior. Calçou o velho tênis vermelho de cano longo, pegou o celular e o carregador. Em minutos, jogou tudo o que precisava na bolsa e dirigiu-se à porta. Foi surpreendida por um vento gelado no rosto... não havia reparado no mal tempo, pois não tinha dado brecha para descortinar o cômodo e olhar pela janela e, aquele elemento incomodo fez com que voltasse ao quarto. Abriu uma das portas do seu velho armário. Porta que não mexia há muito tempo! Puxou uma peça que estava pendurada em um dos seus cabides de madeira e, sem se importar com cor, estilo e combinação, enrolou-a em seu pescoço e saiu às pressas batendo a porta e dando uma volta simples na chave.
Morava perto do ponto de ônibus, por isso viu o coletivo já com sinais de partida. Atravessou a rua correndo e o motorista resolveu esperá-la. Não era o mesmo ônibus de sempre, já que estava muito atrasada e haviam passados muitos minutos do seu horário habitual. Entrou esbaforida e, sem perceber, aquela peça colorida enroscada em seu pescoço acabou enrolando na roleta ao pagar a passagem. De repente, soltou-se... parecia um anjo dando-lhe liberdade num voo até o lugar para “pousar”. Sente a mão sobre os seus ombros, vira-se e não consegue olhar nos olhos daquela pessoa. Somente agradece a gentileza e alterna o olhar entre o relógio de pulso e o celular e coloca a peça sobre os joelhos. Levanta, toca a campainha do ônibus e desce, deixando o cachecol para trás.
Ela não estava habituada usar aquela peça. O anjo recolhe o cachecol azul e sente aquele doce perfume que, ao tocá-lo ficou adormecido em suas mãos grandes, acariciando-os com os seus longos dedos.
O belo homem o embala e coloca-o em sua mochila junto à sua roupa de trabalho. Era uma segunda-feira, por isso a roupa ainda estava limpa e não ia sujar a peça da moça dos cabelos longos e cacheados. Quando chega ao serviço, dirige-se ao vestiário, abre a mochila e aquele perfume já está impregnado, embriagando-o. A hora passa e ele se troca para retornar à sua casa. Mora sozinho...
Em uma humilde e pequena residência com poucos móveis, Thiago mostra-se cada vez mais encantado com o acontecimento e o anoitecer nem é percebido. Coa um café e não esquece aquela cena no ônibus. Entre um gole e outro, pensa em reencontrar a dona do cachecol azul e, por vezes, reflete sobre guardar o novo impulso do seu coração. Há muito tempo não sentia aquilo. Parecia paixão... algo que nunca havia vivenciado.
Entre sonhos de olhos abertos e realidade, Thiago passa horas e dias programando a sua saída de casa para embarcar no mesmo coletivo e reencontrar a moça. E, assim deixará o destino lhe encaminhar sobre a devolução do cachecol azul e guardar consigo esse louco querer ou entregá-lo e deixar que o momento se encarregue de lhe trazer as palavras certas para o reencontro tão sonhado. Enquanto isso não acontece, dorme e acorda envolvido em um perfumado sonho azul.

Conto escrito por
Karine Dias

Produção
Bruno Olsen
Cristina Ravela


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


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