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Antologia Lendas Urbanas: E se forem reais? - 1x08: A Ruiva no Banheiro

Conto de Roque Aloisio Weschenfelder
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Sinopse: O conto de terror narra a ida de uma moça, prestes a menstruar, ao banheiro da escola em que estuda, em uma pequena cidade brasileira, onde se encontra, imaginariamente, com a loira do banheiro e passa por momentos de horror.

1x08 - A Ruiva no Banheiro
de Roque Aloisio Weschenfelder

            

Em uma pequena cidade interiorana só tinha uma escola de Ensino Médio.

Samara, uma garota de altura normal, corpo nem gorda e nem esbelta, com avantajado busto, de cabelo ruivo, que adorava romances de amor e histórias de terror, sentia uma necessidade fora do comum de ir ao banheiro. Sabia que estava por entrar na menstruação nos primeiros dias. Ela brincava que seria fácil de evitar essa coisa de sangria, pois bastava ficar grávida, mas fazer amor com quem? Samara dizia que os colegas de aula eram muito moleques e nenhum se prestaria para tal; homens de fora ou eram casados ou amigados, em rapazes solteiros estranhos não confiava. Preferia ficar virgem por enquanto, estudar e passar aqueles dias.

Ela pediu licença à professora e deu aquele sorrisinho de lado da boca para dar a entender que a pressa estava enorme.

Quando Samara estava sentada no vaso do banheiro, ouviu um ruído estranho, olhou para cima e para os lados, mas viu simplesmente nada.

Notou que ainda não vieram “os dias” e, em seguida, levantou-se para retornar à sala de aula, mas a porta do banheiro parecia estar trancada por fora. Chamou por socorro:
            — Por favor, quem trancou esta porta? Abram logo!

Nada de resposta. Chamou outra vez:

— Pelo amor de Deus, abram, quero sair daqui do banheiro!

Ouviu a risada de uma moça. Era meio gozadora, meio agourenta. Ficou assustada e gritou:

— Quem é você, sua malcriada?

— Mal-amada, nunca malcriada. Casei-me obrigada, fui obrigada a fazer sexo, morri e não fui sepultada. Preciso ser vingada, será você que vai fazer isso! — ordenava a voz horrível.

Samara gritou com todo o ar de seus pulmões:

— Socorro! Socorro!

— Pedi socorro muitas vezes e não adiantou, olha como meu indesejado marido me deixava!

— Não enxergo ninguém, como vou ver o jeito que ficou? — falou Samara.

— Você tem que me imaginar!

— Imaginar como?

— Como jovem possuída por um homem grande. Eu sou quase menina. Toda doída nas intimidades da frente e de trás!

— Qual o seu nome?

— Não tenho nome, mas sou a loira.

— Qual loira? — gritou Samara.

— Ora, sou a loira do banheiro. Nunca ouviu falar de mim? Tudo que é homem tem medo de mim. — debochou a voz.

Samara bateu forte na porta do banheiro e tentou forçá-la pra abrir enquanto gritou:  — pelo amor de Deus, abram esta porta. Quem foi que a trancou?

— Fui eu, querida ruivinha! Fechei esta porta pra sempre e, também, todos os ouvidos da gente na escola.

— Soooocoooooorroooooooooooo!

— Quanto mais você gritar, mais os ouvidos se fecharão! Olhe-me agora! — falou a voz. — Deitada no chão, olhe pro piso!

Samara baixou as vistas. O que ela viu fez que quase desmaiasse: uma loira de rosto brilhante, mas com o corpo nu e transparente, aparecendo os órgãos internos bem enegrecidos. O pavor que sentiu fê-la quase desmaiar.

Com a mão, a loira mostrou a vagina muito alargada e saindo um filete de sangue.

— Viu como fiquei de tanto ser possuída sem aceitar? — lamentou a voz.

Somente então Samara percebeu que o rosto brilhante não tinha boca.

— Sabe por que estou sem boca?

— Por quê?

— Por nada adiantar ter boca pra falar se ninguém aceita o que você diz. Eu pedia pra não ser casada com aquele homem enorme. Eu queria me casar com amor, desejava alguém jovem e carinhoso. Já sentiu o que é ninguém ouvir seus gritos por socorro? Que adianta agora a boca que você tem, o capricho com seus dentes e ser uma belíssima moça ruiva?

Samara sentia-se pairando no ar, e com um líquido a correr-lhe pelas coxas. Imaginava ter começado sua menstruação. Ficou quase louca, sentiu-se fraca, sem voz para gritar. Então viu que a loira desaparecera, mas ficara um cheiro forte de corpo em decomposição no ar.

Ela se despiu e entrou para o box onde tinha um chuveiro. Abriu-o no ponto morno, mas apenas saiu uma névoa que a encobriu toda.

Ouviu novamente a horrenda voz:

— Quer lavar seu sangue? Esse sangue é que a mantém virgem, livre de alguém que a possuísse sem amor. Se não houvesse tanta maldade neste mundo, a lenda da loira do banheiro nem existiria. Você sairá daqui só no final das aulas desta manhã. Sairá se me prometer que falará que a minha lenda não é só uma lenda, porém é vestida de grande verdade, pois há muitos casamentos de fachada. Muitos homens sofrem porque há mulheres que não amam, apenas querem satisfazer o desejo do orgasmo, e muitas mulheres sofrem porque não têm alternativa a não ser de fazerem sexo para que seus maridos lhes deem o luxo com que toda fêmea deseja aparecer em público. Esses maridos não as amam. Outras sofrem porque, como eu, tiveram de se casar com homens escolhidos pelos pais. Cuidado, ruivinha, para não cair numa armadilha dessas!

— Como você fala de novo, se nem está mais aqui?

— Nunca estive neste banheiro! Sou só sua imaginação.

— Eu não intencionei lhe imaginar, como isto me acontece? — questionou Samara.

— Simplesmente porque você pensa em uma forma de encontrar alguém para fazer amor e engravidar por não gostar de ter as menstruações!

— Como poderei prometer o que você pediu para sair daqui?

— Somente se você deixar a lenda ser chamada de “a ruiva do banheiro”, poderei permitir que se abra essa porta, do contrário, só no final das aulas de hoje!

— Prometo coisa nenhuma. É tudo imaginação mesmo! — falou, bem mais calma, a ruiva no banheiro.

Samara secou o corpo, vestiu-se, saiu do WC e voltou à sala, ainda bem pálida. A professora perguntou:

— Está tudo bem com você?

— Quase — disse Samara.Menstruei. — concluiu.



Conto escrito por
Roque Aloisio Weschenfelder

CAL - Comissão de Autores Literários
Agnes Izumi Nagashima
Francisco Caetano
Gisela Lopes Peçanha
Lígia Diniz Donega
Márcio André Silva Garcia
Pedro Panhoca
Rossidê Rodrigues Machado

Produção
Bruno Olsen
Cristina Ravela


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


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