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Antologia Romance à Vista: 1x14 - A Garota que Finalmente Recebeu Amor

Conto de David Saches
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Sinopse: Anita, uma mulher trans, nunca foi amada do jeito que gostaria, seu corpo sempre fora visto como objeto de prazer para os homens, até que ela finalmente encontra Nathan, que a toca de outra forma.


A Garota que Finalmente Recebeu Amor
de David Saches


Anita segura na mão do seu filho, Jorge, enquanto espera o elevador chegar. Eles acabaram de chegar do supermercado. A fila do estabelecimento estava gigante, assim como sua lista de compras, porém voltaram com a sacola mais vazia do que o esperado. Com essa crise econômica e pandêmica, Anita acabou perdendo o emprego que tinha no salão de beleza. Vera, a dona do salão, falou para ela que assim que as coisas melhorassem, Anita seria contratada, sem falta.

Anita esperava até hoje.

            O elevador do prédio é antigo, assim como toda a estrutura. A escritura datava de mais de 50 anos atrás, muito antes de Anita nascer, entretanto foi o que sua mãe pôde comprar, após juntar durante vinte anos o dinheiro que recebia como faxineira. Anita não se importava em esperar, mas o Jorge estava bem impaciente nesse dia.

            — Que demora, pai! — disse, sem paciência.

            Anita sentiu seu peito afundar.

            — Já disse para você que sou sua mãe agora — ela falou, também irritada.

            Um jovem rapaz apareceu ao lado deles. Era um músico do sétimo andar que Anita tanto reclamava para as paredes. Ele passava horas no domingo tocando seu estrondoso saxofone, o que a irritava profundamente, pois aquele era o único dia que podia descansar. Hoje era sábado. Anita suspirou ao lembrar que amanhã o barulho voltaria novamente.

            — Minha mãe é a Rebeca, você é o meu pai! — Resmungou seu filho, fazendo birra.

            Anita sabia que ele não entendia o quanto aquilo lhe magoava profundamente. Toda vez que seu filho relutava em aceitá-la, seus olhos enchiam de lágrimas. Era algo tão simples, mas tão complexo ao mesmo tempo. Mas não podia chorar ali, no meio do hall de entrada, com seu filho nas mãos e outras pessoas ao redor. Engoliu o choro.

            O elevador chegou, mas Anita estava tão perdida em pensamentos que só notou quando a mão do seu filho se soltou. Desorientada, ela andou até a plataforma de metal. Ao virar-se, olha para aquele homem lindo sorrindo para ela. Anita não lembrava se alguma vez já havia visto ele. A barba está diferente, mais cheia, assim como seu estilo. O bonitão vestia uma blusa regata com estampa lisa, uma jaqueta jeans — apesar do calor —, e calça rasgada nas pernas.

            Ela nem sentiu, mas um sorriso se abriu em seu rosto. Ele também sorriu para ela. Anita escondeu o rosto olhando para baixo, com vergonha.

            Os três subiram em silêncio. Jorge fez alguns barulhos com a boca por baixo da máscara. Anita pensava em algo para fazer com as mãos, mas ficou sem ideias, parecia que qualquer movimento sairia um tanto idiota. Resolveu enfiá-las no bolso.

            Ela sentiu seu interior sorrir depois de muito tempo pintado de cinza. Ousou até se perguntar: ele está me paquerando?

            O elevador alertou que eles chegaram ao sexto andar.

            Anita caminhou até a saída quando escutou:

            — Boa tarde — disse o homem bonitão, gentilmente.

            Ela sorriu e retribuiu. Deu um aperto discreto na blusa do filho falando para ele ser educado.

            — Boa tarde — disse Jorginho sem muito interesse.

            Anitta fechou a porta do elevador e o peso da naturalidade caiu sobre os seus ombros.

            — Direto para o banho, mocinho — ordenou quando notou o filho ir correr para o quarto. Jorge resmungou e Anita fez cara feia. Aquele menino só aprendia na base da firmeza. Reclamando, Jorge entrou no banheiro.

            Anita, entretanto, foi à cozinha. Pensou naquele homem gentil que falou com ela. Nem se atentou aos alimentos que está limpando com álcool. Ela estava, na verdade, querendo sentir aquele frio na barriga de novo.

 

No dia seguinte, Anita levou Jorge até a sua ex-esposa, Rebeca. Ela passava uma semana com ele, assim como Anita. E como já era domingo, Rebeca já havia telefonado para confirmar.

            — Sim, ele está se arrumando. Você sabe quanto Jorge demora para acordar — brincou Anita, descontraindo o clima. Rebeca sorriu.

            As duas se conhecem há mais de dez anos, quando se conheceram na faculdade de Sociologia. Hoje Rebeca é professora da rede municipal de Recife e Anita está começando o doutorado na Universidade Federal de Pernambuco.

            — Como estão o Pedrinho e a Maria Eduarda? — Anita perguntou. São os filhos do novo casamento de Rebeca.

            — Estão bem, sim, na medida do possível. Estou tentando colocá-los para assistir aulas online enquanto produzo as minhas. Está uma loucura! — Rebeca falou sorrindo, mas Anita sentiu uma infelicidade na fala dela.

            — Você quer que eu fique com o Jorge mais uma semana? Sei que pode ser um trabalho a mais para você — Perguntou.

            — Não, não. Ele já passou quase três semanas sem vir, as crianças sentem falta dele. Eu também. E ele também me ajuda a controlá-los. — Disse ela.

            — Tá bom, então. Jorge está pronto. Estamos indo. — Desligou o telefone.

            Durante todo o caminho Jorge resmungou sobre a gritaria de Maria Eduarda dentro de casa. Falou que não suportava mais a histeria da menina e só ia por conta de Pedrinho, passavam o dia assistindo animes na televisão.

            Anita estacionou na frente do prédio luxuoso da ex-mulher. Ajudou o filho a se soltar do cinto e da cadeira elevatória e Jorge saiu correndo quando viu Pedrinho. Rebeca acenou de longe para Anita e gritou que sente saudades do abraço dela, porém com a covid-19 isso não era possível. Anita acenou de volta e voltou para seu apartamento.

            No elevador, Anita sentiu um déjà-vu se materializar.

            O mesmo deus grego do dia anterior chega por trás dela e espera o elevador em silêncio. Pode ser coisa da cabeça dela, mas que o olhar dele estava apontado para as costas delas, estava, ela sentia! Ficou nervosa só com a presença dele ali.

            Reprimindo sua loucura, Anita revirou os olhos. Convenceu a si mesma que estava delirando à procura de um homem. Riu de si pelo pensamento. Quem é que iria querer uma mulher igual à Anita, que não era mulher igual às outras. Ainda sentia o peso do mundo por compará-la às outras mulheres cis gênero. Mas no fundo admitia a si mesma que era tão mulher quanto qualquer outra.

            — O que foi? — Perguntou uma pessoa. Anita só ouviu a voz apenas uma vez, mas foi o suficiente para decorar o timbre.

            Anita virou-se para encarar o homem.

            — Não disse nada — falou, envergonhada.

            — Mas você riu. Achei que tivesse sido por minha causa ou algo assim — disse o rapaz.

            — Não, não, foi algo que lembrei mesmo.

            — Ah, certo.

            Ela voltou a encarar a porta prateada do elevador mais demorado do mundo. Durante todo o tempo ela desejou olhar para ele. Desejou mais que tudo fazer seu coração parar de denunciá-la com aqueles batimentos acelerados e estrondosos.

            Após uma súbita injeção de coragem ela se virou e perguntou:

            — Você é o cara que toca saxofone durante os domingos, não é?

            Ele sorriu.

            — Sim.

            — Ah, legal.

            — É mesmo? Porque semana passada o seu João do apartamento do oitavo andar bateu na minha porta reclamando.

            Os dois sorriram.

            — Aquele velho é ranzinza mesmo — comentou Anita.

            — Então quer dizer que você gosta? — Perguntou o rapaz.

            Anita sentiu suas bochechas ficarem rubras.

            — Talvez — mentiu. Ele deu uma olhada para ela como se dissesse “fale a verdade” e ela respondeu — Ok, tem domingo que eu estou muito cansada e só quero dormir o dia inteiro, mas assim que me deito aquele saxofone começa a gritar. Parece até que você adivinha.

            — Sabia! — Brincou ele, sorrindo. — Depois dessa eu vou até parar de tocar.

            — Não! Você é muito bom, toca muito bem, me incomoda, mas é só às vezes, não tem problema. É bom que nem preciso ligar a rádio, arrumo a casa enquanto escuto você tocar.

            Anita mordeu o lábio.

            Sentia-se como uma adolescente que sempre desejou ser, mesmo reprimindo o desejo por homens desde pequena. Aquela coisa demoníaca que era um tabu enorme na sua adolescência foi deixada de lado por muito tempo. Mas nos dias atuais ela sentia que havia uma liberdade maior, podia ser quem sempre quis, mesmo com os paus e pedras que a sociedade lhe atirava.

            — O elevador quebrou — avisou o porteiro assim que acordou do seu cochilo. — Vocês vão ter que subir de escada.

            — Agora que ele avisa — resmungou Anita para si mesma, mas escutou um riso vindo de trás.

            Eles vão até a entrada da escada e o rapaz falou.

            — Primeiro as damas.

            Anita sentiu-se lisonjeada. Nunca nenhum homem foi gentil com ela, sempre a buscaram por seu corpo ou para algumas noites de prazer, mas na intenção de ser amigável, educado, romântico? Nunca. Por nunca ter sentido esse tipo de amor, Anita se tornou mais frágil e inocente, o medo seria ficar inocente ao ponto de viver uma ilusão.

            Eles subiram em silêncio, apenas o barulho das pisadas no chão ecoou pelas paredes. A escada estava escura e úmida. Anita estava nervosa. Não sabia se andava mais rápido ou mais devagar, se devia falar alguma coisa ou permanecer calada. Aquela situação era tão nova que ela se tornou um bebê que estava aprendendo a andar.

            — Então, é aqui que eu fico — disse ela assim que chegaram ao sexto andar. — Bom dia para você.

            — Para você também. Vou ter cuidado em deixar o volume mais baixo hoje — brincou e sumiu para o seu andar.

            Anita fechou a porta querendo mais, querendo conhecer quem era aquele homem lindo que — talvez, mas um talvez que era quase certeza — gostasse dela de uma forma diferente, como os personagens das novelas gostam uns dos outros.

            Ela tomou banho e depois foi preparar uma comida rápida. Entretanto, quando foi pegar as verduras na geladeira, escutou sua campainha tocar.

            — Tem um pouco de açúcar? — Perguntou o rapaz.

            Anita soube, naquele momento, que o talvez havia se tornado uma certeza.

            — Eu não vou te convidar para entrar se é o que você está pensando — respondeu ela.

            — Por quê?

            — Eu nem sei seu nome, como posso convidar um estranho para a minha casa?

            Ele sorriu.

            — Bom, me chamo Nathan — disse levantando as mãos — e pode procurar alguma arma que garanto que não vai encontrar — brincou.

            Anita que sorriu dessa vez.

            — Em qual apartamento do sétimo andar você mora? Posso levar lá daqui a pouco.

            — No 702.

            — Ok.

            Anita fechou a porta e respirou fundo. Nunca havia levado nenhum homem para sua casa por conta do Jorge, não gostava de misturar as coisas ou que seu filho a flagrasse com alguém. Antes essa situação parecia tão idealista que Anita nunca se preocupou, mas agora podia tocar e todo seu medo veio à tona.

            Com medo de parecer mesquinha, pegou um saco de açúcar que havia comprado a mais e o colocou na sacola. Antes de sair, olhou seu estado no espelho. Aparentava estar bem, saudável, nem exagerada nem simples demais, estava como se esperava de uma pessoa que vivia aquela pandemia em casa.

            Subiu.

            Bateu três vezes na porta de Nathan e logo ele gritou alertando que estava a caminho.

            — Pelo jeito que falou pensei que viria mais tarde — respondeu ele enrolado na toalha, mostrando o abdômen sarado. Ele estava todo molhado, o que piorava mais ainda a situação.

            Anita ficou vermelha.

            — Mas pode entrar, vou só terminar meu banho que faço um café para nós. Sinta-se em casa.

            Ela maneou a cabeça, ainda sentindo a língua paralisada assim como todo seu corpo. Nathan voltou ao banho e Anita não conseguiu se sentir em casa, permaneceu em pé com medo de fazer qualquer coisa errada na casa daquele estranho conhecido.

            Ela reparou nos móveis, na harmonização do apartamento, feito todo em estilo retrô, a mesa com cadeiras hiper coloridas, os quadros de famosos saxofonistas em preto e branco nas paredes, assim como uns que ela nunca havia visto antes, apenas os eletrônicos que destoavam por seus designs modernos. Havia um enorme instrumento dourado pendurado nas paredes.

            — Pelo visto gostou do saxofone — comentou Nathan, aparecendo por trás dela de surpresa.

            Anita pulou de susto.

            — Avise antes! — Disse, colocando a mão no peito. Sentiu que havia sido pega no flagra! Mas não fazia nada demais, não tinha com o que se preocupar. — Aqui o açúcar.

            — Obrigado. E desculpe pelo susto.

            Ele já estava vestido, porém permanecia molhado, com os cabelos lisos espetados para todos os lugares.

            — Aceita um café? — Ofereceu.

            — Sim.

            Nathan virou-se para a cafeteira elétrica, colocou uma cápsula rosa e depois apertou um botão. Sem demoras, o café escorreu para uma xícara preta com letras coloridas na parte da frente. Colocou o açúcar em um pote delicado de vidro com um enfeite de borboleta em cima. Quando os cafés ficaram prontos, ele posicionou a bandeja na mesa com cuidado.

            — Tudo pronto, você gosta de quantas colheres de açúcar? — Perguntou ele tão naturalmente que Anita ficou sem graça. Não estava acostumada a ser servida.

            Anita respondeu e ele finalizou. Depois pegou alguns pães de queijo e colocou para esquentar.

            — Aqui está muito quente — disse Nathan abanando a blusa. — Prefere ficar na varanda?

            — Tudo bem — respondeu Anita.

            Tudo ficou pronto, finalmente, e eles sentaram-se nas cadeiras da varanda. Na mesinha que separava os dois ficaram os aperitivos. Começaram a degustar.

            — Não vai tocar hoje? — Perguntou Anita.

            — Você quer me ver tocar, pode admitir.

            Ela cai na risada.

            — Talvez não — disse enquanto buscava outro pão de queijo. — Talvez sim.

            — Você é uma mulher bastante difícil, não é? — Brincou ele.

            Anita se sentiu tão feminina por ter se alguém falar com ela como mulher de maneira tão espontânea que seus olhos marejaram. Principalmente por alguém em que ela estava plantando uma semente de afeto.

            — Eu adoraria te ouvir tocar — respondeu ela, olhando nos olhos dele.

            Como se estivesse esperando ela pedir, Nathan pulou da cadeira para buscar seu saxofone. Desajeitado, trouxe o suporte esquelético da partitura, algumas folhas desenhadas e o instrumento ainda no estojo.

            Assim que seus lábios tocaram suavemente o instrumento, um som gritante saiu de dentro. Anita arregala os olhos após o choque de ouvir tão de perto aquele som conhecido, mas rapidamente relaxa e curte a apresentação.

            Em alguns momentos, Nathan pisca para ela sorrindo.

            Ela ficou parada, escutando aquele homem tocar só para ela.

            Momentos depois, quando Nathan precisa recuperar o fôlego, ele pergunta:

            — O que achou?

            — Lindo! Adorei. Você toca muito bem. Onde aprendeu?

            — Sozinho.

            Anita arregalou os olhos.

            — Não pode ser. Nunca foi a um conservatório de música ou escola de artes?

            Ele faz que não com a cabeça.

            — Nossa, estou impressionada.

            — Aprendi durante a quarentena. Fiquei um bom tempo ocioso até que disse a mim mesmo para aproveitar como posso esse momento.

            Anita terminou seu café.

            — Pretende continuar?

            — Só se os vizinhos não reclamarem — gozou.

            Como os salgados haviam acabado, assim como o café, Anita sentiu que aquela breve visita podia ser encerrada naquele momento. Por isso, levantou-se para colocar a bandeja na pia e lavar a louça suja.

            — Não precisa, pode deixar que eu lavo — disse Nathan quando viu ligar a torneira.

            — Tudo bem por mim, sou eu quem lavo os pratos em casa mesmo.

            — Mas aqui você é minha visita, não precisa — insistiu ele, aproximando-se dela.

            O corpo de Anita foi de 36 a 100 graus no mesmo instante. Seu coração começou a bater freneticamente. Ela queria aquela aproximação, mas estava tão enferrujada que ficou com vergonha de errar alguma coisa. Decidiu se afastar.

            Porém ele segurou sua mão.

            — Ei, não vai agora, não — pediu.

            — Eu… eu preciso ir, o Jorge vai chegar… — começou a criar uma mentira.

            — Não pode ficar só mais um pouco?

            Anita olhou para o chão.

            Por mais que desejasse aquele momento, precisava deixar o mais claro possível para que não houvesse surpresa depois, na hora agá. Já aconteceu várias vezes e ela havia sido destruída demais por uma vida. Era sempre pior deixar para depois.

            — Nathan… eu preciso te contar uma coisa — disse baixinho odiando o fato de o mundo não aceitá-la como é. Tudo que mais queria era ficar com ele como as mulheres das novelas ficam com seus pretendentes. Anita engoliu em seco e disse a si mesma para parar de ver tanta novela.

            — Eu já sei, Anita. E tudo bem, não me importo — revelou ele, o que fez Anita arregalar os olhos.

            Como se alguém tirasse o véu pesado em cima dela, ela sentiu a liberdade de seu corpo para avançar para o dele. Estava muito mais relaxada. Porém ainda sim precisava seguir sua moral. Vários homens disseram para ela que gostavam do jeito que ela era, mas só por uma noite, só pelo fast-foda.

            — Eu não sou mulher de ficar uma noite só. Entendo que existem mulheres assim, mas eu não sou, sabe? — Disse olhando no fundo dos olhos dele. — Mesmo com um homem como você me dando chance, eu prefiro ficar sozinha, do que acabar vazia depois.

            — Anita, calma — falou Nathan como se ela fosse louca. — Não estou te pedindo nada. Só queria ficar perto de você. Só isso.

            Anita paralisou. A barreira que havia criado enrijeceu sua pele, agora ela era um enorme castelo que protegia uma garotinha miúda, pequena o suficiente para sair por um buraco, mas por medo ao desconhecido, permanecia no interior.

            Nathan a puxou para um abraço, e de primeira ela permaneceu incrédula, dura, mas amoleceu ao toque quente dele. Ela também o envolve com seus braços realizando um antigo desejo de se sentir desejada. A emoção é tamanha que seus olhos ficam marejados.

            Anita soltou o abraço para agradecê-lo, mas ele a interrompe.

            — Posso te beijar? — Perguntou com doçura e verdade.

            Por um momento ela fica pensando. Pensando coisas que nem são estruturalmente pensamentos, mas sua mente permaneceu em ativa. Imaginou uma câmera filmando os dois, enquadrando os rostos de cada um naquele momento. Ele é o príncipe lindo e ela a protagonista que sempre quis ser.

            — Pode — respondeu e fechou os olhos.


Conto escrito por
David Saches

CAL - Comissão de Autores Literários
Agnes Izumi Nagashima
Eliane Rodrigues
Francisco Caetano 
Gisela Lopes Peçanha
Lígia Diniz Donega
Márcio André Silva Garcia
Paulo Luís Ferreira
Pedro Panhoca
Rossidê Rodrigues Machado

Produção
Bruno Olsen
Cristina Ravela


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO

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