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Boletim Virtual 13x05: Entrevista com Guilhardo Almeida

Boletim Virtual 13x05
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NA EDIÇÃO DE HOJE DO BOLETIM VIRTUAL:

- A escrita apareceu na minha vida como um lugar de sobrevivência, diz Guilhardo Almeida no Diário do Autor
- No Entrelinhas, "Mulheres que escrevem e brilham"
- As últimas notícias no Giro Virtual com Ritinha.



  BOLETIM VIRTUAL - 13x05
 (DOMINGO, 5 DE ABRIL DE 2026)

 


FIQUE POR DENTRO DAS ÚLTIMAS NOTÍCIAS DO MV - por RITINHA

RITINHA: Oieee, meus amores! Tudo certo ou só na pose maravilhosa mesmo? A titia chegou trazendo resumão do MV cheio de fofoca, emoção e aquele surto leve que a gente ama.

Chega mais, senta aqui do ladinho e vem comentar tudooo, que hoje o babado tá servido com glitter e tudo!




RENOVADO

Betty, a WebTV bateu o martelo e o Web Show está oficialmente renovado para uma nova temporada. O talk show retorna ainda neste semestre, mas sem Marcos Vinicius no comando. O apresentador não vai conseguir seguir no projeto, e o programa terá um novo nome à frente. Novidades em breve.



EVENTOS

Gigi, pode anotar: a Comic Con Virtual e o Troféu Mundo Virtual já estão garantidíssimos na programação 2026 da WebTV. Os preparativos começam este mês e, menina, em breve vem coisa nova por aí, bem naquele nível de babado que a gente gosta.



VOLTOU

Segura o forninho, Giovana: a Widcyber celebrou 9 anos no início de fevereiro e já chegou anunciando o retorno. Desde 9 de fevereiro, a gata tá com programação fixa durante a semana, servindo conteúdo!

E o público teve voz: votou e escolheu os títulos que estão brilhando nas reprises do “Vale a Pena Ler de Novo”.

No dia 23 de março estreou “O Toque que Atravessa a Alma”, a nova novela da casa escrita por Ramona Candy.



EQUIPE

O Boletim Virtual vai ganhar reforços na nova temporada. A WebTV liberou o caixa e realizou novas contratações. A negociação foi intermediada pelo boss Gabo Olsen, e o trio Luciana Fernandes, Shay Luna e Failon Teixeira chega à 14ª temporada, com estreia agendada para maio.

RENOVANDO O VISU

Menina, a Ranable Webs e a OnTV deram aquele tapa no visu!



Ainda tão rolando uns ajustes no novo site, mas já dá pra espiar cada detalhe e se jogar no conteúdo. Arrasaram demais!



E AGORA?

Depois do lançamento do novo site, por enquanto a Ranable Webs não voltou com as atualizações. Já a ONTV surpreendeu o MV ontem, dia 4 de abril, ao anunciar, em sua rede social, o fim de seu ciclo após nove anos, celebrando sua trajetória. Menina, passada estou, o novo site estreou recentemente!


BATE-REBATE

• A terceira temporada de Em Segredo entrou na reta final. A substituta já foi escolhida. Anúncio na próxima edição do Boletim Virtual.
• O icônico Melqui Rodrigues estreou como apresentador na revista eletrônica Domingo Contigo...
•...no ar pelo fórum internacional Portal Glook, a atração teve estreia no dia 29 de março.
• Em janeiro, o Trophy Ranable apresentou mais de 30 categorias com destaque a atrações da emissora e do MV em geral.
• O Glow Literário liberou o resultado no dia 18 de fevereiro. Foram 10 categorias...
...o evento contemplou autores nacionais e internacionais.

RITINHA: Eita, meus amores, chegamos ao fim! Beijinhos de luz, muito brilho e até já, que a titia volta logo com mais babado!



MULHERES QUE ESCREVEM E BRILHAM - por RITINHA

RITINHA: 
Oieee, meus amores lindos! Hoje a titia chegou com uma coluna toda trabalhada no glamour da escrita feminina, porque março é o Mês da Mulher, e a gente tem que celebrar aquelas que pegam a caneta e arrasam no mundo literário!

Vamos começar com uma diva internacional que não precisa de apresentação: Agatha Christie. Gente, a rainha do mistério! Ela escreveu mais de 80 romances, inventou o detetive Hercule Poirot e a Miss Marple, e ainda assim conseguia fazer a gente virar a noite lendo. Se tem suspense e plot twist, pode ter certeza: Christie tá envolvida. A titia aqui ama e bate palma de pé!

Falando de brasilidade e poder, não dá pra deixar de citar Clarice Lispector. Minha filha, essa mulher pegava a alma e escrevia! Cada linha dela é quase um sussurro direto pro coração da gente. A profundidade da mente dela? Babado, confusão e gritaria intelectual que a gente só consegue admirar.

Outra diva nacional que merece o nosso glitter literário é Lygia Fagundes Telles. A gata explorava o psicológico humano de um jeito que deixava todo mundo de queixo caído. Contos curtos, romances intensos, personagens que parecem reais e sempre aquela pitada de emoção que faz a gente chorar e rir ao mesmo tempo. É talento puro, meus amores.

Agora, vamos de internacional de novo porque a Ritinha ama um close gringo: J.K. Rowling, sim, a mãe de Harry Potter. Além de criar um mundo mágico que marcou gerações, a diva também passou por altos e baixos antes do sucesso, mostrando que mulher que corre atrás do sonho não tem tempo ruim. E que magia, minha filha!

Não posso esquecer de outra gringa maravilhosa, a Toni Morrison, que ganhou até o Nobel de Literatura. A gata trouxe à tona histórias de resistência, identidade e luta, com uma escrita que é poesia pura. É daquelas que você lê e sente orgulho de existir mundo, sério!

E tem mais, viu? Simone de Beauvoir, Virginia Woolf, Isabel Allende, Chimamanda Ngozi Adichie… Cada uma delas é um universo de inspiração. Mulher que escreve, mulher que faz história, mulher que não deixa passar batido.

Aqui na nossa coluna, meus amores, a ideia é celebrar essas divas que pegam a caneta, escrevem sua verdade e arrasam. Cada livro, conto ou romance é um glitter no mundo, mostrando força, inteligência e aquela diva atitude que a gente ama.

Então fica a homenagem da titia aqui: mulheres que escrevem merecem close, aplausos e muito brilho. Que esse mês nos inspire a ler mais, apoiar mais e dar mais brilho a essas autoras maravilhosas.

E lembrem-se, meus amores: escrever não é só colocar palavras no papel, é colocar alma, coragem e diva power em cada linha. Então pega sua caneta, pega seu livro, e bora espalhar luz e inspiração pelo mundo!

Beijinhos de luz, meus amores, e até a próxima coluna, com mais babado literário.



A ESCRITA APARECEU NA MINHA VIDA COMO UM LUGAR DE SOBREVIVÊNCIA, diz GUILHARDO ALMEIDA

Ele iniciou sua trajetória no mundo da escrita ao se interessar pelo universo das fanfics enquanto trabalhava com marketing e publicidade. Ao descobrir a Widcyber e perceber que autores comuns compartilhavam suas histórias, despertou um antigo sonho de publicar suas próprias obras. Guilhardo Almeida produziu a novela Corrompidos, o álbum de composições Verão Cruel, a minissérie Flores & Caos e A Dinastia Perpétua. Nos bastidores, Almeida dirigiu a novela Obstinação, de Bruno R. Cova na OnTV. Seu trabalho mais recente na dramaturgia foi Busca de Berços no Estúdio Webs.

Para Guilhardo, a escrita sempre teve um papel central em sua vida, ajudando-o a superar perdas familiares e se tornando uma ferramenta de força e equilíbrio emocional. Guilhardo, seja muito bem-vindo ao Diário do Autor.



GUILHARDO:
Muito obrigado pelo convite, Gabo! GABO: Guilhardo, como foi para você descobrir o universo das emissoras virtuais? Como foi perceber que tantos autores transformavam suas ideias em histórias completas e publicadas para o público acompanhar?

GUILHARDO: Foi algo completamente diferente. Eu já tinha ficado sabendo das fanfics e tal, tinha me interessado também. Agora, as web-novelas e web-séries chegaram em mim de uma forma surpreendente. O mais impactante foi perceber que tantos autores conseguiam transformar ideias soltas em histórias completas, com capítulos, personagens fixos e público acompanhando. Aquilo me deu uma sensação dupla: primeiro de espanto, depois de admiração. Espanto por ver que não era algo improvisado, mas pensado como produto narrativo; e admiração por entender que essas pessoas estavam fazendo, à sua maneira, o que grandes emissoras fazem: criar mundos e manter espectadores interessados. Qualquer pessoa com imaginação, disciplina e público pode construir algo duradouro. Pra mim, isso mudou a forma de enxergar criação: deixou de ser um privilégio de poucos e passou a ser um campo aberto, onde ideias realmente viram histórias vivas, acompanhadas capítulo a capítulo por quem quer acreditar nelas.

GABO: A escrita tem um papel fundamental na sua vida e acompanhou você em perdas muito difíceis, como a de seus pais e da sua irmã. De que maneira ela te ajudou emocionalmente a atravessar esse período tão delicado?

GUILHARDO: A escrita apareceu na minha vida como um lugar de sobrevivência. Quando perdi meus pais e, depois, minha irmã, eu não sabia mais como falar sobre o que estava sentindo. As pessoas perguntavam se eu estava bem, e eu não tinha resposta. Por dentro, era só silêncio e barulho ao mesmo tempo. Foi escrevendo que eu consegui existir naquele período. No início, eu não escrevia para criar histórias bonitas. Eu escrevia porque precisava respirar. Eram pedaços de lembranças, frases tortas, cenas que eu queria reviver, palavras que eu nunca consegui dizer em voz alta. No papel, eu podia ser fraco sem medo, podia chorar sem pedir desculpa, podia admitir que estava perdido. A escrita virou o único lugar onde a dor não precisava ser disfarçada. Escrever me deu algo que a vida tinha tirado: a chance de continuar. Não trouxe meus pais de volta, nem minha irmã, mas me permitiu carregá-los comigo de outro jeito. Cada texto era uma conversa que eu ainda precisava ter, cada personagem era uma forma de dizer “vocês ainda estão aqui”. A escrita não me salvou da dor, mas me impediu de afundar nela. Foi assim que eu atravessei o pior momento da minha vida: colocando o coração em palavras, mesmo quando ele estava em pedaços.

GABO: Na prática, como suas emoções influenciam o tom, o ritmo e até a personalidade dos personagens que você cria?

GUILHARDO: Na prática, minhas emoções entram na escrita sem pedir licença. Elas decidem o clima antes mesmo de eu perceber. Quando eu estou mais machucado, o tom das histórias fica mais silencioso, mais denso, com diálogos curtos e cenas que respiram tristeza. Parece que tudo anda mais devagar, como se o texto também estivesse cansado. Já quando eu estou melhor, o ritmo muda: as falas ficam mais soltas, surgem momentos de humor, os capítulos ganham mais movimento. É como se o estado emocional segurasse ou soltasse o freio da narrativa. Os personagens nascem muito desse lugar. Se eu estou vivendo insegurança, eles tendem a ser mais fechados, desconfiados, cheios de conflitos internos. Quando eu estou com raiva, aparecem figuras mais impulsivas, que falam o que pensam e quebram regras. E quando eu estou num momento de esperança, crio personagens que acreditam demais, que insistem em amar ou em lutar mesmo quando tudo parece perdido. Até a forma de descrever muda. Em dias pesados, eu reparo mais nas sombras, no silêncio, nos detalhes tristes de uma cena. Em dias leves, presto atenção na luz, nos gestos pequenos, no que tem de bonito mesmo no caos. Não é algo totalmente consciente: eu não sento e penso “agora vou escrever triste”. Simplesmente escrevo, e meu emocional escorre para dentro da história. Os meus personagens acabam sendo pedaços de mim em estados diferentes. Nenhum é exatamente quem eu sou, mas todos carregam algo do que eu estou sentindo quando eles nasceram. Por isso eles não soam iguais: cada um vem de um momento emocional diferente da minha vida. E talvez seja isso que dá verdade a eles porque, no fundo, eles não são só inventados, são sentidos.


GABO: Como nasceu Corrompidos, a novela que marcou sua estreia no mundo virtual? Quais referências, inspirações ou experiências pessoais influenciaram a criação dessa história?


Corrompidos, novela que marcou a estreia de Guilhardo no mundo virtual

GUILHARDO: Corrompidos nasceu de um lugar muito visceral: da sensação de injustiça que fica atravessada na garganta quando algo é tirado de você sem explicação e sem punição. Eu não queria escrever só uma história de vilão e mocinho. Eu queria escrever sobre o que acontece depois da tragédia, quando a pessoa precisa continuar vivendo com aquilo dentro do peito. A primeira faísca veio da ideia da perda mais simples e, ao mesmo tempo, mais brutal: um cachorro morto por irresponsabilidade e crueldade. Eu escolhi um cachorro porque ele simboliza inocência, afeto puro. Quando o Dante atropela o animal e nada acontece com ele, aquilo já diz muito sobre o mundo da novela: é um lugar onde quem tem poder passa por cima dos outros. A prisão e morte da mãe do Zeca, mandada pelo Ulisses, ampliam isso para o máximo da injustiça possível. Não é só a dor, é a certeza de que foi tudo comprado, manipulado, decidido por gente que nunca vai sujar as mãos. Zeca nasceu desse sentimento: o de alguém que perde tudo de uma vez e não tem tempo de elaborar. O afastamento de dois anos foi inspirado nessa ideia de “hibernação emocional”. Ele não some só fisicamente, ele some por dentro. Volta diferente, mais duro, menos inocente. A vingança não surge como plano genial, mas como única coisa que dá sentido à vida dele naquele momento. O Andy entrou na história como um espelho do Zeca. Eu queria que eles se reconhecessem na dor um do outro. A família destruída pelo Ulisses no passado não é só um detalhe de roteiro: é o que transforma a vingança em algo coletivo, quase em missão. Mas, ao mesmo tempo, o romance entre eles não é leve. Ele nasce num terreno contaminado. Eles se apaixonam enquanto planejam destruir alguém. Isso sempre foi central pra mim: mostrar que até o amor pode nascer em meio ao ódio. Ulisses foi criado como mais do que um vilão clássico. Ele representa um tipo de poder muito real: o empresário intocável, que manda matar, corrompe polícia, compra silêncio e continua sorrindo em público. As referências vêm muito da realidade brasileira, de notícias de corrupção, de crimes que nunca são resolvidos, de figuras que todo mundo sabe que são culpadas, mas continuam soltas. Ulisses não é só um personagem, ele é um sistema. O título “Corrompidos” veio justamente daí. Não é só sobre Ulisses e Dante serem corruptos. É sobre o que a vingança faz com Zeca e Andy. Eles começam como vítimas, mas, aos poucos, passam a justificar coisas que antes jamais aceitariam. Em termos pessoais, Corrompidos carrega muito da minha relação com perda, raiva e silêncio. Eu sempre me interessei por histórias onde o trauma não vira superação rápida, mas ferida aberta. Onde o personagem não “aprende a lição” no capítulo seguinte. Eu queria escrever sobre gente quebrada tentando se manter de pé e errando muito no caminho. Foi minha estreia no mundo virtual porque eu precisava contar essa história. Não era só uma novela pra entreter, era uma forma de colocar pra fora tudo aquilo que eu sentia sobre violência, impunidade, amor torto e dor mal resolvida. Corrompidos nasceu como uma história de vingança, mas, no fundo, sempre foi uma história sobre duas pessoas tentando dar sentido à própria ruína.

GABO: Quando você imagina uma história nova, o que nasce primeiro: o enredo, os personagens ou o conflito central?

GUILHARDO: Quase sempre nasce o conflito. Antes de existir personagem, nome ou cenário, existe uma pergunta me cutucando. Algo do tipo: “e se alguém fosse obrigado a viver com isso?” ou “o que acontece quando duas vontades opostas se chocam?”. É essa tensão inicial que acende a história. Depois vêm os personagens, porque eu preciso saber quem vai sentir esse conflito na pele. Não me interessa um problema abstrato, eu quero alguém que sofra com ele, que tome decisões erradas, que carregue culpa, desejo, medo. O personagem surge já machucado pelo conflito, como se tivesse sido criado dentro dele. O enredo é a última coisa a se organizar. Ele nasce como consequência: se esse personagem é assim, e se esse conflito é esse, então certas escolhas vão acontecer. Eu não penso primeiro “vou fazer uma história sobre vingança” — eu penso “vou criar alguém que perdeu tudo e não sabe mais viver sem ódio”, e o enredo vai se formando em torno disso.


GABO: Dá sua primeira trama até a mais recente, como você enxerga a sua evolução como autor? Em quais aspectos você sente que mais cresceu?

GUILHARDO: Eu vejo a evolução como algo inevitável e necessário. Em Corrompidos, eu estava muito preocupado em apresentar o meu universo: minhas ideias, minhas referências, minhas obsessões. Eu queria mostrar quem eu era como autor. Havia também um desejo forte de pertencimento, de me conectar com o mundo virtual, de entender aquele espaço e ser aceito por ele. Eu estava chegando, testando meus limites, aprendendo a dialogar com um público que eu ainda não conhecia direito. E, nesse sentido, fui acolhido. Corrompidos foi muito sobre isso: sobre entrar, ser visto, ser ouvido. Já em Busca de Berços, a relação é outra. Eu não escrevo mais para provar que posso. Eu escrevo porque sei exatamente o que estou fazendo. Hoje existe uma consciência narrativa muito maior: eu entendo melhor meus personagens, sei onde quero chegar com a história e, principalmente, sei por que estou contando aquilo. Não é mais só impulso ou necessidade de afirmação; é escolha. Se antes eu estava construindo identidade, agora eu estou exercendo autoria. Em Corrompidos, havia urgência. Em Busca de Berços, há intenção. E isso muda tudo: o ritmo, os conflitos, a forma como a dor e o afeto aparecem. Eu não abandonei quem eu era, mas aprendi a olhar para a minha escrita com mais clareza. A evolução, pra mim, não é deixar uma obra para trás — é entender que cada uma nasce do momento em que eu estava vivendo.

GABO: A crítica surge de diferentes frentes, seja de leitores, colegas autores ou pessoas próximas. Alguma crítica já mudou a sua forma de escrever ou a maneira como você enxerga suas próprias obras?

GUILHARDO: As críticas nunca mudaram de fato a minha forma de escrever. O que elas mudaram foi a minha forma de ler o momento do Mundo Virtual. Eu sempre estudei muito, sempre ensaiei bastante antes de colocar uma história no ar, então minhas escolhas nunca foram feitas no impulso. Quando uma crítica vinha, eu não a tomava como ordem de mudança, mas como termômetro: ela me ajudava a entender em que ponto o MV estava, o que estava sendo discutido, quais sensibilidades estavam em jogo naquele momento. Com o tempo, eu aprendi a diferenciar dois tipos de crítica: a que vem como reflexão e a que vem só como tentativa de diminuir. Nem toda crítica quer construir, e nem toda crítica precisa ser absorvida. Algumas realmente apontam algo necessário, mostram um limite ou uma falha de comunicação. Outras dizem mais sobre quem fala do que sobre a obra em si. Saber separar isso é parte do trabalho de ser autor dentro desse universo. O MV tem muitas nuances, muitas disputas de gosto, de estética, de discurso. E eu entendi que o mais importante não é agradar a todas essas frentes, mas saber qual delas eu quero atravessar com a minha escrita. As críticas, nesse sentido, não me mudaram — elas me ajudaram a escolher melhor meu lugar. Eu não escrevo reagindo ao que dizem de mim, eu escrevo consciente do espaço em que estou e do tipo de narrativa que eu quero sustentar dentro dele.


GABO: Existe algum autor, de dentro ou fora do MV, que te inspirou diretamente ao longo da sua jornada?

GUILHARDO: Sim, existem autores que me acompanharam de forma muito direta ao longo da minha formação. Fora do MV, eu sempre me senti muito influenciado por escritores que sabem contar histórias de forma envolvente e com personagens fortes. Sidney Sheldon me ensinou muito sobre ritmo e virada de trama, sobre como prender o leitor e construir narrativas cheias de tensão. José de Alencar me marcou pela forma de criar universos e personagens que parecem maiores do que a própria história, além de um cuidado com o drama e com os sentimentos. Já Jane Austen me influenciou na maneira de trabalhar as relações humanas, os diálogos e os conflitos que não são só externos, mas também sociais e emocionais. Dentro do MV, eu me inspiro principalmente em autores que não têm medo de sair do lugar comum. Gosto muito de quem ousa, de quem foge do óbvio e não repete fórmulas só porque elas funcionam. Nesse sentido, Weslley Vitoritti e Marcos Vinícius sempre me chamaram atenção. São autores que arriscam mais, que experimentam outros caminhos narrativos e que mostram que o MV também pode ser espaço de invenção, e não só de repetição. Essas influências se misturam no que eu escrevo: de um lado, a preocupação com trama e emoção; do outro, a vontade de não contar sempre a mesma história do mesmo jeito. É nesse encontro entre tradição e ousadia que eu acabo construindo a minha própria voz como autor.


GABO: Há algum tema que você ainda não explorou, mas que tem muita vontade de abordar em uma obra futura?

GUILHARDO: Sim, existem dois territórios que ainda não explorei como gostaria, mas que me atraem muito: a comédia e a ficção científica. A comédia me interessa porque é um desafio completamente diferente do que eu costumo fazer. Eu venho muito do drama, da dor, dos conflitos intensos, então trabalhar o riso seria quase uma inversão de chave. Não no sentido de fazer algo vazio, mas de tentar encontrar humor nos absurdos da vida, nas contradições dos personagens, no cotidiano. Eu tenho curiosidade de ver como minha escrita, que normalmente é mais densa, se comportaria num registro mais leve e irônico. Já a ficção científica me chama pela liberdade. Ela permite falar de temas muito humanos poder, memória, identidade, amor, desigualdade, usando outros mundos, outras regras, outros tempos. Eu ainda não tive a chance de construir um universo assim, com tecnologia, futuros possíveis ou realidades alternativas, mas é algo que me provoca muito. Acho que seria uma forma de expandir meu repertório sem abandonar aquilo que sempre me interessou: pessoas em conflito. Talvez o mais instigante seja justamente unir essas duas coisas em algum momento: usar a ficção científica para criar situações estranhas e, ao mesmo tempo, tratá-las com humor. Seria uma maneira nova de olhar para o mundo sem deixar de falar sobre ele.


GABO: Como foi o preparo do álbum de composições de Verão Cruel? Como você encarou esse desafio?


GUILHARDO: O álbum de composições de Verão Cruel nasceu diretamente da relação de Breno e Fred, em Corrompidos. Eu não pensei nele como um projeto separado da novela, mas como uma forma de aprofundar aquilo que já existia entre os dois. Breno era namorado de Ana quando se apaixonou por Fred, o melhor amigo dela, e esse triângulo afetivo sempre me pareceu cheio de camadas: culpa, desejo, lealdade, medo e descoberta. A música surgiu como o espaço onde tudo isso podia respirar. O preparo foi muito mais emocional do que técnico. Eu precisei revisitar essa história com outro olhar, menos narrativo e mais sensível. Em vez de pensar em cenas, eu pensava em sentimentos: o momento em que Breno percebe que ama Fred, o peso da traição, a intensidade do encontro entre eles, a urgência de viver algo que não podia ser simples. Cada composição partia de um desses estados emocionais.

GABO: Como você define sua experiência na DNA TV? Como foi a sua passagem pela emissora?

GUILHARDO: Minha experiência na DNA TV foi, acima de tudo, um período de teste e aprendizado. Eu entrei atuando como diretor para experimentar essa área e entender melhor como funcionava o outro lado da produção. No início foi empolgante, porque existia a sensação de estar construindo algo novo, de participar de um projeto que ainda estava se formando. Com o tempo, porém, a experiência acabou deixando a desejar muito mais por causa da dinâmica da equipe. Em especial, a convivência com Miguel Rodrigues evidenciou dificuldades de organização, de divisão de responsabilidades e de visão coletiva sobre o que a emissora deveria ser. Faltava uma identidade clara para a DNA TV, e isso se refletia diretamente no andamento dos projetos. Chegou um momento em que eu sentia que estava carregando coisas demais sozinho. Responsabilidades que precisavam ser compartilhadas acabavam concentradas em mim, o que gerou desgaste. O problema não era errar, mas a falta de amadurecimento do projeto como equipe: faltava compreender que uma emissora, mesmo virtual, precisa de compromisso, constância e direção. Minha passagem pela DNA TV foi importante porque me ensinou, na prática, o que eu não gostaria de repetir em outros espaços. Foi uma experiência que trouxe aprendizado, mas também deixou claro que sem identidade e responsabilidade coletiva, nenhum projeto consegue se sustentar por muito tempo.


GABO: Ao dirigir Obstinação, você teve contato direto com o texto de outra forma. De que maneira sua experiência como escritor influenciou esse processo de direção, e como esse olhar de diretor passou a transformar sua forma de escrever depois disso?


GUILHARDO: Dirigir Obstinação foi a primeira vez que eu me vi obrigado a sair totalmente do lugar de “dono da história” e entrar no lugar de quem precisa servir ao texto de outro. E isso mudou muita coisa em mim. Como escritor, eu sempre pensei muito em intenção, em subtexto, em emoção escondida nas falas. Ao dirigir, essa bagagem me ajudou a enxergar o texto além da superfície: eu não lia só o que estava escrito, eu lia o que o autor queria dizer. Minha experiência como escritor também me deixou mais sensível aos personagens. Eu não os tratava só como peças de uma engrenagem narrativa, mas como pessoas com conflitos internos. A direção virou quase um exercício de interpretação emocional do texto. Depois disso, o caminho inverso também aconteceu: o diretor passou a morar dentro do escritor. Quando voltei a escrever, eu já não pensava só em palavras, mas em encenação. Passei a imaginar mais claramente o tempo das cenas, as pausas, os silêncios, o impacto de cada revelação. Comecei a escrever diálogos mais enxutos, cenas mais visuais e situações que pudessem ser sentidas, não só lidas. Dirigir Obstinação me ensinou que escrever não é só criar uma história, é criar algo que possa ser vivido por outras pessoas. E isso me deu mais responsabilidade como autor. Depois dessa experiência, minha escrita ficou menos impulsiva e mais consciente: eu passei a pensar não só no que eu queria dizer, mas em como aquilo seria recebido, encenado e sentido. Foi um ponto de virada, porque ali eu deixei de ser só escritor de histórias e passei a ser alguém que pensa a narrativa como experiência.


GABO: Entre novela, álbum de composições, minissérie e direção, em qual desses formatos você sente que mais se encontrou como artista? O que torna esse segmento especialmente significativo para você?

GUILHARDO: Sem dúvida, foi na novela que eu mais me encontrei como artista. É nesse formato que eu sinto que consigo reunir tudo o que sou: a construção de personagens, o desenvolvimento emocional ao longo do tempo e a possibilidade de acompanhar uma história crescer capítulo a capítulo junto do público. A novela me dá espaço para errar, aprofundar, corrigir rotas e deixar os personagens amadurecerem junto comigo. O que torna esse segmento especialmente significativo pra mim é o tempo. Diferente de um projeto mais curto, a novela permite que o drama se construa aos poucos, que as relações ganhem camadas e que o espectador crie vínculo real com aqueles personagens. Eu gosto dessa sensação de convivência: de passar meses dentro do mesmo universo, entendendo melhor quem são aquelas pessoas e o que elas carregam. Além disso, a novela é onde eu consigo misturar melhor emoção e narrativa. É ali que eu posso trabalhar o cotidiano, os conflitos grandes e pequenos, o amor, a perda, a culpa e a esperança sem precisar condensar tudo em poucas cenas. Ela se parece muito com a própria vida: longa, irregular, cheia de desvios.


GABO: Quem é Guilhardo fora do mundo virtual?


GUILHARDO: Fora do mundo virtual, Guilhardo é alguém muito mais silencioso do que as histórias que escreve. É uma pessoa que observa mais do que fala, que repara nos detalhes, nos gestos pequenos, nas mudanças de humor de quem está por perto. Enquanto no MV eu me exponho por meio de personagens e tramas, na vida real eu sou mais contido, mais cuidadoso com o que mostro. Sou alguém marcado por perdas, mas também por uma necessidade grande de continuar criando apesar delas. No dia a dia, Guilhardo é alguém que convive com saudade, mas que tenta transformar isso em sensibilidade. Eu carrego muito do que vivi para a escrita, mas pessoalmente prefiro existir de forma mais simples: gosto de rotina, de conversas tranquilas, de estar perto de quem confio. Se no mundo virtual eu sou autor, diretor, criador de universos, fora dele eu sou alguém que tenta entender o próprio lugar no mundo. Alguém que ainda está se construindo, aprendendo a lidar com o passado e imaginando futuros possíveis. A diferença é que, no MV, eu me expresso em histórias; fora dele, eu me expresso em silêncio, em afeto e em resistência diária. No fundo, Guilhardo é o mesmo nos dois lugares. Só muda a forma de falar. No virtual, eu falo em capítulos. Na vida, eu falo em gestos.

GABO: Chegou o momento do nosso bate-bola. Preparado?

GUILHARDO: Vamos nessa, Gabo!

BATE-BOLA:


CORROMPIDOS: Essencial
OBSTINAÇÃO: Aprendizado 

BUSCA DE BERÇO: Consciência 

CRÍTICA: Termômetro
LER: Necessário
ESCREVER: Viver
MUNDO VIRTUAL: Disputa

BLOQUEIO CRIATIVO: Indesejável 

FRASE: Ela aprendeu cedo que o mundo não perdoa os ingênuos e que, para sobreviver, às vezes é preciso jogar o mesmo jogo sujo dos que querem te destruir.
GUILHARDO POR GUILHARDO: Alguém que transforma o silêncio em história

GABO: Guilhardo, obrigado pela participação aqui no Diário do Autor. Fica o espaço para as considerações finais.

GUILHARDO: Eu que agradeço o convite e o espaço. Poder falar sobre meu processo, minhas histórias e minha trajetória é sempre uma forma de revisitar quem eu fui e entender melhor quem eu sou hoje como autor. O Mundo Virtual é um lugar de troca, de confronto de ideias e, principalmente, de criação, e eu me sinto parte disso. Escrever, pra mim, nunca foi só entretenimento. Sempre foi um jeito de existir, de atravessar perdas, dúvidas e mudanças. Cada obra marca um momento da minha vida e da minha consciência como narrador. Se algo do que eu escrevo encontra eco em alguém do outro lado da tela, então já valeu a pena. Espero continuar errando, aprendendo e contando histórias que não sejam só mais do mesmo, mas que carreguem verdade. Obrigado a quem lê, a quem critica, a quem acompanha e a quem ainda vai chegar. No fim, tudo isso só faz sentido porque existe alguém disposto a escutar.

GABO: Obrigado, Guilhardo. O BV termina aqui. Abraço virtual e até a próxima.

 

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