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O Desbravador de Identidades: Capítulo 18

Novela de Carlos Mota
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O DESBRAVADOR DE IDENTIDADES - CAPÍTULO 18

 

_ Eu...eu não sei! – resiste.

_ Como não? Você sabe tudo, é um rato, consegue até mesmo descobrir a senha do patrão e acessar seu equipamento. Você não me engana, sujeitinho à toa, por isso, abra essa boca e vomite tudo...vamos, lave a égua! É chegada a hora das revelações. Quem é esse tal de Desbravador? Vamos! – berra.

_Jacira...- engole a saliva com dificuldade.

_ Coisa boa não deve ser! Conte logo, homem!  O que tanto esconde?  Vamos!

Vira as costas para ela e se cala.

_ O que de tão podre está escondendo, criatura? Sei que você não presta, não vale uma pataca, é um vira-lata da pior espécie, capaz das maiores traquinagens para defender o patrão, algo que sempre me despertou a curiosidade, mas como não cuido da vida dos outros...

_Não? Imagine se cuidasse – comenta consigo mesmo, contrariado._Aff!

_ É bom que rasgue logo o verbo e me diga o que se passa, porque quando mais precisou quem esteve ao seu lado fui eu ou se esqueceu, criatura do esgoto?

_Do que você está falando? – volta-se para ela.

_Do dia em que dona Nathalia sofreu aquele estranho atentado. Para ela, você era o autor daquela desgraceira toda; também, como não se enganar? Você estava com as vestes cheias de sangue, além de carregar uma máscara igual ao do criminoso no banco da frente.

_ Por que fez isso comigo, Marcos? – pergunta à mulher, sangrando, no banco de trás do veículo.

_ Senhora...senhora... eu...

_Fale a verdade! Quer me ver morta, não é? E por quê?

_ Não senhora...

_ Então o que é esta máscara?– inquire, com as forças a minguarem. _ Não sei  o que lhe fiz para receber isso.

_Eu não fiz nada, senhora...- tenta se explicar. _ Acredite em mim!

_Você acabou com minha vida!

_Não! Não fui eu!

_E o que fará agora? Irá me jogar em alguma vala como uma indigente, para que eu morra sem que deixe pistas de toda sua maldade?

_Senhora, eu não fiz isso... – lágrimas correm a face daquele homem endurecido pelo tempo. _ Nada é o que parece!

Ela varia, está a ponto de perder os sentidos.

_Senhora, resista, estamos chegando. O hospital é logo ali!

_ Cadê Leonardo? Cadê ele, Marcos? Está com o rapaz, é isso? Por isso quis me matar? Quer que eu desapareça para que ele assuma o meu lugar? É isso? Sei que é o pau-mandado de meu marido, não estranharia se me matasse, porque, em algum momento, ele me contou que você foi retirado da cadeia após seus contatos com os generais, numa transação financeira sem precedentes, para que pudesse resolver tudo aquilo que o impedia de atingir seus objetivos. Em outras palavras, você abriria caminho entre os canhões da vida para que ele pudesse brilhar assim como as estrelas. Só não sei o quanto este “ato de bondade” dele lhe custará. Já pensou nisso?

O chofer limpa as lágrimas enquanto dirige o veículo.

_Você vendeu a alma para o diabo e não percebeu, não é? – pergunta, encontrando ainda alguma força em seu âmago.

_ EU QUERO SER LIVRE!!! – grita, tomado pelo desespero.

_ Eu posso libertá-lo, basta me dizer por que fez isso e a mando de quem.

Marcos se cala de novo, enquanto o banco lhe suga todo o sangue que lhe sai pelas vestimentas. Resiste à dor como quem resiste à morte, precisa ser forte, para que a mulher deixe de lado as desconfianças, o que seria praticamente impossível.

_Sei que sabe da existência do bombeiro e de seu caso com meu marido, é muito esperto, não ao ponto de disfarçar o que pensa ou sente. Vejo-o pelo retrovisor e percebo o quanto está inquieto, como se a culpa lhe descesse às costas... – tosse, comprimindo a tolha contra os ferimentos. _Eu...eu queria que...

_Que rapaz, dona? Eu não sei do que está falando! Juro!

_Jurar é pecado, Marcos! Lembre-se dis-so...

Desmaia.

_Dona Nathalia, acorde, vamos, a senhora vai morrer. Não! Não! Por favor! Acorde! – grita.

Invade o hospital como um louco. Com ela nos braços, pede ajuda, está à beira do caos. Um rastro de sangue demarca o lugar. Os médicos surgem e com eles toda a equipe. Nathalia é levada para a sala de cirurgia, para o desespero do homem, que nunca se vira tão abalado, mesmo depois de ter dado cabo de tantas outras vidas. Com ela era diferente, a mulher era de uma pureza ímpar, como se possuísse as asas dos anjos e a graça dos deuses.

_O senhor também está sangrando... Venha! – pede uma enfermeira. – Vou ajudá-lo! Venha!

Assustado, ele se afasta, teme ser preso, afinal, quem acreditaria nas palavras de um presidiário fugitivo, que vendeu sua alma, ainda que não percebesse, para que pudesse uma mais vez olhar o sol nascer ligeiro e glorioso por detrás dos muitos edifícios que arranham a face do céu.

_Meu filho, sei que dentro de você ainda há alguma bondade, senão não se importaria tanto em salvar a mulher – diz Jacira, resgatando-o da letargia.

_Você me salvou mesmo! – confirma o motorista.

_ Marcos me machucou, Jacira! Foi ele que invadiu o quarto de Ricardo e me causou tanta dor - confessa a mulher, no leito do hospital, após retornar da cirurgia que lhe salvara a vida, com as lágrimas a escorrem pela face.- Denuncie-o à polícia! É um monstro! – agora recorda a empregada.

_Não diga isso, senhora!

_Eu o vi com as costas tomadas pelo sangue...E a máscara no carro! Eu o vi!

_Tenha calma! A senhora acabou de voltar da operação, se ficar muito agitada, poderá piorar.

_Eu me sinto suja, Jacira! O que fizeram comigo, minha amiga? Eu devo ser uma pedra no caminho de muita gente...

_Não diga isso! Nós a amamos!

_Nós? Nós quem?

_Todos nós!

_Fala por você e Ricardo, não por Leonardo, que deveria estar aqui ao meu lado, como fazem aqueles que escolhem dividir a vida com outra pessoa.

Jacira segura o choro.

_Onde ele está?

_Não sei, senhora! Sumiu há algumas horas.

_Deve estar a me trair de novo, por isso sinto meu coração doer tanto, como se estacas o perfurassem.

_Não fique assim!

_Chame a polícia, quero este motorista atrás das grades, de onde jamais deveria ter saído.

_A senhora já me contou a história deste infeliz, mas desta vez ele não fez nada; aliás, fez! Foi ele quem a salvou!

_Não entendo...

_Às vezes somos enganadas por aquilo que acreditamos, mesmo que não represente a verdade. Marcos não fez isso!

_ E como pode ter tanta razão, Jacira?

_ Quando entrei no quarto e vi a senhora caída no chão, o criminoso tentou me atacar, como não conseguiu, correu para o moleque, mas só não o feriu porque virei uma onça, daquelas bem brabas, e entrei na frente dele, me esquecendo completamente de que ele estava armado. Se me acertasse aquele golpe, eu não estaria mais aqui. Quando fui para revidar o ataque, a senhora me segurou pelo tornozelo e pediu que eu o deixasse ir, senão ele acabaria ferindo o moleque. Não pensei duas vezes, afastei-me, enquanto o ser abriu a janela e pulou, deixando um rastro de sangue pelo caminho. Mesmo com o pequeno chorando, dei uma olhada para fora, quando avistei Marcos numa luta corporal com o sujeito, que lhe desferiu muitas tesouradas nas costas, após derrubá-lo. Seria outro crime, não fosse seu Luís, o jardineiro, se aproximar com uma vassoura nas mãos, gritando por socorro. Acuado, o bicho pulou o muro e se foi. Ajudado pelo velho, Marcos se levantou, suportou a dor que lhe corroía e foi ao nosso encontro.

_ E a máscara? Era igual à do criminoso!

_ Isso eu não sei, dona! Mas que ele não fez o que a senhora diz, não fez! E palavra de Jacira é porreta, né, Suzicreide?

_Você me salvou – confirma o motorista, chamando-a à realidade.

_Sim! Apesar de não saber o que aquela máscara fazia no seu carro e de onde havia surgido.

_Ela estava lá há algum tempo, Jacira! – limita-se.

_ E quem a colocou?  - cobra, com os olhos faiscando.

_O mesmo homem que criou a pasta com o nome que lhe causara tanto assombro.

_O QUE ESTÁ DIZENDO???

_Seu Leonardo é pior do que imaginamos, mulher – revela-se em partes.

_Não me diga que...

_Ele não mandou matar dona Nathalia, se é isso que quer saber.

_Então...? Para que era aquela máscara, meu filho? A quem deveria acertar?

_Cometi muitos erros e já não ouso mais me arrepender, porque sei, a mim, depois da morte, não restará outro lugar senão o campo de concentração das almas errantes.

_O QUE VOCÊ FEZ??? ESTÁ ME ASSUSTANDO!!!

Ele não responde.

_Você... -arrisca-...matou o bombeiro? Aliás, pensou ter matado, é isso mesmo??? Conte-me tudo, vamos!

O homem respira fundo, abaixa a cabeça e limpa uma lágrima que lhe desce solitária pela face.

_Você tentou matar aquele rapaz? – insiste a empregada- . _ E por que, meu Deus do céu?

_ PORQUE O DESBRAVADOR DE IDENTIDADES ORDENARA – responde, descontrolando-se.

_ DESBRAVADOR DE IDENTIDADES? DO QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO, CRIADO? – interroga-o, assombrado, o filho de Leonardo, ao entrar no quartinho e  ouvir parte da conversa.

Leonardo e Gabriel, ainda conectados de alguma forma, emergem do sono da morte ao mesmo tempo, para a surpresa dos médicos.

Encerra com a música: (Call me When You're Sober - Evanescence)



autor
Carlos Mota

elenco
Ricardo Tozzi como Ricardo Médici
Carmo Dalla Vecchia como Leonardo Médici
Guilhermina Guinle como Nathalia Médici
Solange Couto como Jacira
Charlize Theron como Márcia Médici
Vladimir Brichta como Marcos
Camila Queiroz como Anna Ferrara
Sílvia Pfeifer como Lícia Ferrara
Gabriel Braga Nunes como Giacomo Ferrara
Matheus Costa como Benício Ferrara
Christyano Augusto como Gabriel 
Cissa Guimarães como Mãe do Gabriel
Cacá Amaral como Jarbas
Tonico Pereira como Jardineiro Luís

1ª Fase:
Fiuk como Ricardo Médici

trilha sonora
Bring Me To Life - Evanescence (abertura)
Call me When You're Sober - Evanescence

com ilustrações de
Andrea Mota
Daniel Ubirajara


produção
Bruno Olsen
Cristina Ravela

Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


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