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Antologia A Magia do Natal: 2x12 - Um Natal Diferente

Conto de Carlo Lima
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Sinopse: Sob a ótica do jovem Matias, vemos a dificuldade que sua família encontra ao tentar reunir todos os familiares para celebrar o natal depois da pandemia de COVID-19 e seus desdobramentos.


2x12 - Um Natal Diferente
de Carlo Lima

Dezembro, 2020. Quem diria, 2020 finalmente chegando ao seu derradeiro fim. Um dos anos mais complexos já vivenciados pela sociedade moderna. Distanciamento, máscaras faciais, álcool em gel e muitas chamadas de vídeo para compensar a solidão. Eu, sinceramente, não sei como cheguei até aqui e ainda com a minha saúde mental intacta. O que falar da minha família, então? Foi tudo muito problemático para eles também. Ah, eu já ia esquecendo. Prazer, meu nome é Matias.

O natal desse ano tem tudo para ser diferente, ganhar uma substancial mudança. A minha irmã mais velha, Diana, tem um bebê recém-nascido e ainda tem certo receio de sair de casa, mesmo tomando todos os cuidados possíveis. Meu outro irmão, Renan, voltou de viagem da Itália ainda no começo do ano, quando o vírus se disseminava rapidamente em escala global, e acabou sendo diagnosticado com o COVID-19.

Até agora, só nos vimos por chamada de vídeo. Sinto falta de poder abraçá-lo, do contato corporal. Meus pais, seu Eduardo e dona Paula, passaram toda a quarentena trancafiados em casa. Não foram raras as vezes que eu liguei lá para casa e acabava escutando os dois discutirem seja por isso, seja por causa daquilo...

Antes do isolamento rígido, que obrigou nações do mundo inteiro a ficarem dentro de casa, na tentativa de conter o avanço do vírus, os meus pais não brigavam tanto. Creio que nunca passaram tanto tempo tendo de conviver um com o outro dentro de casa, já que os dois viviam mais pelo o trabalho. Chegou ao meu conhecimento, que eles até pensaram em se divorciar nesse período, que estavam insatisfeitos um com o outro. A quarentena estava desgastando a relação deles aos poucos ou estava permitindo que eles se conhecessem a fundo?

“Daqui, eu vi o tempo parar
Pra gente se lembrar da força que é alguém do lado
Pra gente entender que nós e o chão somos a mesma coisa
E os dias são contados pra gente viver”

Minha tia Vera, que é enfermeira em um hospital de emergência daqui de Fortaleza, era quem me relatava a correria, a angústia e o sentimento de luto dos familiares dos pacientes que tiveram suas vidas ceifadas por essa doença. Tia Vera nunca trabalhou tanto quanto nesse período. Amava a profissão, coisa que a gente sabia só de ver os olhos dela brilharem ao falar do trabalho, mesmo com todas as dificuldades impostas. Exigiram muito dela e ela tratou de dar o seu melhor para salvar vidas. É muito tocante quem arrisca sua vida para salvar a vida dos demais. Ela vai ter muita história para contar no natal, disso eu tenho certeza.

O meu avô, seu Justiniano, foi o que mais sofreu com tudo isso. Além da idade já avançada, não faz muito tempo que ele perdeu a minha vó, Maria. Para completar, ele ainda morava sozinho numa casa na zona leste da cidade. Não sabia nem como fazer uma chamada de vídeo, muito menos fazer compras do supermercado pela internet. Teve que se adaptar a esse novo tempo. Ensinei tudo a ele, pacientemente, nas nossas longas ligações tentando suprir a falta que um fazia a o outro. E eu?, eu fico escorado na janela do meu quarto que tem vista para o bairro, contanto os dias para que tudo isso passe. Saudade da faculdade, do trabalho. Eu via a vida passar pela a janela do meu quarto. Como diz a canção:

 

“Se não der, tenta ligar
A gente resume a distância
Me conta da tua janela
Me diz que o mundo não vai acabar
Me conta da tua janela
E me diz que o mundo não vai acabar”

 

Considero o fim de ano, a melhor época festiva do ano. Tem confraternizações por todos os lados, comida e é sempre bom ter de acompanhar com a família. Muitos, nessa época, preferem sair com os amigos, viajar para o outro lado do mundo e acabam esquecendo que o mais importante dessa vida pode estar pertinho da gente, ao nosso lado. O natal é a data mais importante do Ocidente. Eu não acredito muito em espírito natalino, mas vejo que é nesse tempo que aflora o lado altruísta do ser humano. O desafio desse ano é reunir toda a família e comemorar a data.

 

“Sei lá, 'to com saudade de te encontrar
Me conta da tua janela
Me diz que o mundo não vai acabar
Eu fiz essa canção, amigo
Pro mundo inteiro se curar”

 

Fiz o que pude para convencer Diana a vir para a casa dos nossos pais. Foi árduo, mas consegui. Veio com meu sobrinho embalado em seus braços e ao lado de seu marido. Renan veio acompanhado da namorada e pude matar a saudade do meu irmão. Um abraço forte, carregado de emoção, daqueles que a gente só pode dar depois de anos sem ver a pessoa. Meu avô Justiniano veio acompanhado de minha tia Vera, ambos felizes de poderem nos reencontrar e partilhar suas experiências de quarentena. E meus pais provaram para si mesmos de que a fase do isolamento social serviu para que eles se conhecessem a fundo, se aceitarem do jeito que são. Foi muito bom poder reunir todos depois de um ano soturno como esse. Essa é a força que a magia do natal tem e proporciona às pessoas. Antes de bridarmos a essa data e fossemos para a ceia de natal, meu pai finalizou com o seu discurso:

 

“É muito bom e importante para nós rever cada um de vocês. Todos aqui sabem o que esse ano representou na vida de cada um. Que sirva para nos lembrar que tudo na vida é passageiro e não temos horário de partida. Muitas pessoas afora perderam seus entes queridos e hoje sentem a presença da ausência dessas pessoas numa data familiar como essa. A pandemia não é para sempre; mas provocou feridas que levarão anos a cicatrizar. Se cuidem, meus queridos. Esperem pela a vacina e não saiam por aí como se estivessem em uma colônia de férias. Não neguem o que estão vendo diante dos olhos de vocês. Milhares de vidas foram ceifadas. Pessoas que ficaram de luto precocemente e não puderam se despedir. Hoje, vamos celebrar a vida e dedicar um minuto de silêncio em respeito aos que se foram.”

 

E finalizamos com um brinde. Juntos. Depois de tanto tempo, depois de tantos acontecimentos. Momentos como esse, é que percebemos o quão a vida é frágil e cheia de incertezas. Mas seguimos na luta.

 

 

“Um brinde às pessoas que temos
Um brinde ao desejo de que você estivesse aqui, mas não está
Porque as bebidas trazem de volta todas as lembranças
De tudo que já passamos
Um brinde aos que estão aqui hoje
Um brinde para aqueles que perdemos pelo caminho
Porque as bebidas trazem de volta todas as lembranças
E as lembranças trazem, as lembranças trazem você de volta”

(Memories – Maroon 5)


 


Conto escrito por
Carlo Lima

Produção
Bruno Olsen
Cristina Ravela


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO



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Proibida a cópia ou a reprodução


 

Sinopse: Marialva, a menina sonhadora, órfã de pai, é uma humilde habitante da Favela Esperança. Essa criança de 7 anos de idade, sonha todos os dias com o Natal e o Papai Noel fabuloso perto de si. Porém, ela descortina em seus sonhos as maravilhas de um Natal longe dali, com música, festas, casas bonitas e luxuosas, com comemoração, as crianças felizes e um Papai Noel fascinante. No entanto, quando ela acorda de seus devaneios, vê então que tudo é diferente na vida real, pois no lugar em que mora, o Natal é triste, vazio, sem festas e coisas bonitas. A garota acorda cedo e vai para a escola um pouco distante de onde mora. Na volta das aulas, caminhando para casa, ela passa a imaginar sonhando o Papai Noel trabalhando nos shoppings da cidade ou andando de trenó pelo Polo Norte. Já próximo de onde mora, ela percebe que se aproxima do local um belo carrão, com um homem mascarado, louro, vistoso, trajando roupas verdes e um casquete vermelho na cabeça com uma pluma em cima. O mesmo carrega um saco cheio de coisas e possui uma cara de bondade, o qual a chama pelo nome, oferecendo-lhe um presente. Ressabiada, fica a imaginar quem seria aquele homem misterioso. Todavia, ela reflete e imagina que o mesmo deve ser o famoso Robin Hood, que viera da Inglaterra visitar os barracos da favela Esperança no Brasil. Novamente, a voz do homem se faz ouvir para que pegue o pacote com o presente que ele trouxe para si. Quando ela o apanha de suas mãos, agradece-o e sai correndo para abri-lo. Nesse momento ela desperta do sonho e ouve a voz de sua boa mãe pedindo que pegue o presente de Natal que trouxera para ela. Ao abrir o pacote parecido com o que vira no sonho, encontra nele uma caixa contendo uma linda boneca loira e uma máscara preta dentro dela. Marialva reflete que o Robin Hood deixara a sua máscara para ela brincar, talvez porque não precise usá-la mais, pois lá em seu país ele é considerado o herói nacional das crianças. Ao recobrar do seu sonho, ela deduz que o herói mascarado foi para ela como se o Papai Noel tivesse ido visitá-la na favela Esperança a fim de reacender o seu lindo sonho de Natal.


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