New Stages - 3x02



3x02
 
 
 
 
 

VOZ DE JOSH – Na temporada anterior de New Stages...

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JOSH – ...Chega de ficar sentado assistindo a esse circo... (para Marta) Você errou sim em ter se preocupado com a Meghan e pedido para que o papai se casasse com ela, mas ele errou mais ainda em ter te atendido e desistido de você... E, consequentemente, desistido da nossa família.
 
ALEX –
Josh...
 
JOSH –
(interrompe) Porque é isso que nós poderíamos ter sido. Uma grande família. Novamente. E você jogou a possibilidade no lixo, em troca de quê? De um casamento fracassado com uma mulher que não ama... Aliás, um casamento que nem aconteceu. E, acredite, papai, eu não tinha a menor intenção de atrapalhar... Foram simplesmente as circunstâncias da vida que quiseram assim.

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MARTA –
(se aproxima do filho) O Austin... Ele não resistiu, Josh...
 
JOSH –
...Por que eu deixei ele ir? Eu fui um péssimo namorado, mãe...
 
MARTA –
Você foi um ótimo namorado, Josh... O Austin morreu ao lado de alguém que o amava.
 
JOSH –
(chorando) Eu não poderia ter deixado ele ir...

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CHELSEA –
Surpresa por me ver?
 
JOSH –
Claro que eu estou surpreso. Eu jamais esperava te encontrar aqui. Não era pra você estar no centro psiquiátrico?
 
CHELSEA –
Eu fui dispensada hoje. Não tenho culpa se os enfermeiros não me suportavam mais...
 
JOSH –
(abraçando a garota) É muito bom te ver novamente... E o melhor ainda é saber que você seguiu firme e forte com o tratamento e está livre para a vida novamente.

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JOSH –
...Preciso levantar a cabeça e seguir em frente, por mais difícil que isso seja... Bom dia, Ryan. (saindo)
 
RYAN –
(ainda imóvel) Bom dia... (pausa) E Josh...
 
Josh para de andar e se vira.
 
RYAN –
(sorri) Você não está sozinho nessa. Acredite!

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CENA 01. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. SALÃO DE FESTAS. INT. NOITE.

(Música: Give Me Love – Ed Sheeran)

A imagem abre no salão de festas da Universidade da Califórnia. Um baile de gala está ocorrendo no local. A decoração é refinada e trabalhada em tons brancos. Os garotos vestem terno preto e as garotas, vestidos brancos. Eles tomam uma bebida borbulhante em taças e alguns casais dançam uma música romântica. De repente, Josh, muito bem trajado, sai do bar com duas taças de champanhe em mãos e se dirige até uma mesa onde um garoto está sentado. Ele está de costas, então não reconhecemos quem é.

JOSH – (se aproximando do garoto) Aqui está...

Josh entrega a taça para o garoto e se senta em frente a ele. Close apenas em Josh.

JOSH – É muito bom tê-lo de volta na universidade. Eu não sei o que seria da minha vida sem você aqui... Definitivamente, eu não quero perder você nunca mais.

VOZ MASCULINA – Você nunca irá me perder, Josh...

Então a câmera revela o dono da voz. É Austin. Ele sorri para Josh.

AUSTIN – (pegando na mão de Josh) Eu não seria capaz de deixá-lo sozinho...

JOSH – Por um momento, eu achei que você fosse embora da minha vida definitivamente.

AUSTIN – E deixá-lo livre para outros garotos? (ri) Você não sabe como eu sou ciumento...

Austin olha para os casais e depois volta a se concentrar em Josh.

AUSTIN – (colocando a taça na mesa e puxando o braço de Josh) Você me concederia a honra dessa dança?

JOSH – (ri) Austin, eu não sei dançar...

AUSTIN – Nem eu. Se for para pagar mico, então pagaremos mico juntos.

Josh ri e se levanta da cadeira onde estava sentado. Austin olha apaixonadamente para o garoto e continua o puxando para o centro do salão. Então, larga o seu braço e fica rodando em volta de Josh. O último garoto acompanha as voltas que Austin dá em torno dele. Em sua observação, percebe que todas as pessoas que estavam presentes na festa desapareceram. O garoto se assusta e volta a se focar em Austin, mas percebe que ele também não está mais ali.

Josh acredita que está delirando e então fecha os olhos, tornando a abri-los após alguns segundos. O garoto se espanta ao perceber que todas as pessoas reapareceram, menos Austin. Josh, desesperado, começa a correr pelo salão.

JOSH – (se dirigindo até um casal) Vocês viram o Austin?

O casal acena negativamente com a cabeça.

JOSH – Não é possível... Ele estava aqui.

Josh então caminha até outro casal.

JOSH – Vocês viram para onde o Austin foi?

GAROTO – Josh, o Austin morreu...

JOSH – Não... (irritado) Ele não morreu! Ele estava aqui! Comigo! E simplesmente desapareceu! Ele deve estar em algum lugar... Ele pode ter ido ao banheiro. Mas por que iria sem me avisar?

GAROTA – Josh, você está paranoico... O Austin não está mais entre nós.

JOSH – Ele está! E ele iria dançar comigo! Ele não pode ir embora sem a nossa dança...

Josh empurra o casal e passa entre eles. O casal olha assustado para o garoto.

Josh interrompe seus passos e fica parado no meio do local. A câmera dá uma volta de 360º em torno dele, que olha para o salão tentando avistar o seu namorado. Josh volta a fechar os olhos e a abri-los. Inesperadamente, todos os estudantes foram substituídos por várias imagens do Austin. O garoto sorri e caminha em direção a um deles.

JOSH – Austin, eu sabia que eles estavam dizendo besteira... Você não morreria... Você mesmo disse que não seria capaz de me deixar sozinho.

E quando Josh vai tocar no garoto, ele simplesmente desaparece.

JOSH – Austin? (confuso) O que está acontecendo aqui? Você disse que eu não iria te perder.

Josh olha para os lados e continua vendo garotos com a aparência do Austin por toda a parte. Então, se aproxima de mais um e a situação volta a se repetir. Quando vai tocá-lo, a imagem do rapaz desaparece. Josh caminha, angustiado, por todo o salão, tentando encostar em todos os garotos que estão ali, mas eles vão sumindo. Um a um. A visão de Josh começa a ficar embaçada e o garoto cai no chão.

JOSH – Austin? (fechando os olhos e abrindo-os freneticamente para tentar recuperar a visão) Por que você está fugindo de mim? Por quê? Essa era pra ser a nossa dança...

A câmera se afasta, mostrando Josh sozinho no salão, sentado no chão e sendo iluminado pelos vários refletores do local. Ele olha para os lados alternadamente na tentativa de encontrar Austin. A imagem corta rapidamente para:

CENA 02. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. DORMITÓRIO DE JOSH E MATT. INT. DIA.

(Música cessa num baque.)

Josh se levanta da cama em um impulso involuntário, sendo despertado pelo sonho que acabara de ter. Com a respiração ofegante, o garoto percebe que está na realidade e deixa uma lágrima rolar sobre o seu rosto. A imagem corta rapidamente para:

 
 
     
 
 
     






3x02 - QUEBRANDO MUROS
 
     

CENA 03. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. SALA DO DIRETOR GROBAN. INT. DIA.

O diretor Groban está fazendo algumas anotações em uma de suas papeletas. Alguém bate a porta.

SR. GROBAN – Entre, por favor.

A porta é aberta pela pessoa que está atrás dela. A câmera revela Chelsea, que entra no escritório em passos lentos, demonstrando estar um pouco receosa.

SR. GROBAN – (abandona a caneta com a qual está escrevendo e dá um giro em sua cadeira) Ora, ora... E não é a que a garota que tentou cometer um massacre contra os meus alunos voltou a pisar na Universidade da Califórnia?

CHELSEA – (gagueja) Senhor Groban, eu... eu...

SR. GROBAN – Tudo bem, senhorita Harris. Você não está aqui para ser julgada. Por favor, feche a porta e se sente. Nós temos muito o que conversar.

Chelsea atende ao pedido do diretor e caminha até a cadeira a frente de sua mesa, se sentando nela logo em seguida. O senhor Groban encara a garota, balançando freneticamente a caneta que segura em suas mãos.

SR. GROBAN – (quebrando o silêncio) Muito bem! Se eu não estou enganado, nós marcamos uma reunião...

CHELSEA – Sim, para conversarmos a respeito do meu futuro nesta universidade.

SR. GROBAN – Exatamente, um futuro que, por um fio, você não jogou na lata de lixo.

CHELSEA – Mil desculpas, senhor Groban, eu não estava no meu controle naquele dia...

SR. GROBAN – E este é exatamente o meu medo. Como posso te admitir de volta nesta universidade se a qualquer hora você pode sair do seu controle?

CHELSEA – Eu prometo que isso jamais se repetirá. Não foi a toa que eu aceitei ser internada em um centro psiquiátrico. O meu objetivo era me recuperar e voltar para esta universidade totalmente determinada a seguir em frente. Isto é, se o senhor me permitir...

SR. GROBAN – Ainda tenho dúvidas quanto a isso... Você tem que entender que um tratamento psicológico não apaga o que você fez no ano passado, Chelsea.

CHELSEA – Eu estou segura disso, senhor Groban. Eu cometi um erro... Um erro muito grave, eu reconheço... Mas eu tentei consertá-lo. Eu estava no meu limite. Em uma fase muito complicada da minha vida. Mas eu procurei ajuda. Eu percebi que eu fracassei. E eu não posso continuar fracassando, você não concorda? Eu quase abri mão de tudo naquele dia.

SR. GROBAN – Chelsea, você saiu da universidade e retornou aqui com uma arma em mãos. Trancou os estudantes no refeitório e fez eles de reféns. Você espalhou o terror nesta universidade. O pior poderia ter acontecido...

CHELSEA – Mas não aconteceu.

SR. GROBAN – E você não pode me garantir que tudo isso ficou no passado. Eu tenho medo de que isso volte a ocorrer em qualquer momento...

CHELSEA – Não vai, diretor Groban. E eu nunca estive tão certa em toda a minha vida. Eu não sou louca. O tempo que eu passei naquele reformatório não foi apenas um período de recuperação. Foi um período de reflexão. Eu percebi que eu estava complicando a minha vida e que eu não queria continuar alimentando todos os meus problemas. Eu estou aqui preparada para construir uma vida nova...

SR. GROBAN – Você tem certeza que quer isso? Você apontou uma arma para os meus alunos. Eles não vão querer olhar mais para a sua cara.

CHELSEA – Tudo bem, eles vão me olhar torto no início, mas eu vou fazer de tudo para recuperar a confiança de todos...

SR. GROBAN – Os pais não vão permitir que seus filhos tenham sua vida universitária ao lado de uma garota que ameaçou a sobrevivência dos estudantes.

CHELSEA – Pelo amor de Deus, eu não matei ninguém... (se levanta da cadeira) Eu não sou uma assassina.

SR. GROBAN – Eu não quero ter problemas, Chelsea. (se levanta também da cadeira) E eu estou desconfiado de que o seu comportamento está sendo alterado neste exato momento...

CHELSEA – Senhor Groban... (coloca as mãos na mesa e encara o diretor) Fique tranquilo, pois não vou tirar uma arma do bolso e apontá-la para o seu rosto... (pausa) Eu aprendi muito com o meu erro nos últimos meses. Eu paguei por ele. E agora estou aqui te pedindo uma única chance... Uma única chance para te provar que não sou uma psicopata.

SR. GROBAN – Eu sei disso, Chelsea... Foi por isso que eu te dei uma chance para se explicar...

CHELSEA – Eu não estou sendo capaz de te convencer?

SR. GROBAN – Você está. Mas cabe a mim analisar todos os detalhes desse incidente...

CHELSEA – Você quer um tempo para pensar?

SR. GROBAN – Não. Eu vou dar um tempo para você. Volte para o seu dormitório e volte a ter a vida que você tinha antes. Sem todos os problemas anteriores, claro... Me surpreenda, Chelsea. Se eu notar que você está andando na linha, você ganhará uma outra oportunidade na universidade.

CHELSEA – Não se preocupa com o que os pais irão dizer?

SR. GROBAN – Bom, eu tenho algum poder nesta universidade... Eles podem dizer qualquer coisa, mas eu não seria louco de perder uma boa aluna como você. Você tem boas notas, é inteligente e responsável. Você é um exemplo para a Universidade da Califórnia.

CHELSEA – Eu prometo que você não irá se arrepender por ter me dado essa oportunidade.

SR. GROBAN – Eu espero... (sorri) Ah! Antes que eu me esqueça... (leva a mão até o paletó e tira um cartão de dentro dele) Eu quero que você passe a ir regularmente ao escritório da doutora Nichols. (entregando o cartão para ela) Não por achar que você é louca. Apenas porque acho que te fará bem.

CHELSEA – (pegando o cartão) Acho que posso fazer isso por você... Depois do que fez para mim. (sorri)

SR. GROBAN – Eu estou colocando a minha mão no fogo por você, Chelsea... Eu jamais daria uma segunda oportunidade para quem ameaçou o nome da universidade que comando... Você é uma exceção na qual eu estou acreditando totalmente.

CHELSEA – Obrigada, diretor Groban... Eu não vou manchar a sua credibilidade...

Chelsea sorri e estende a sua mão. O diretor Groban reconhece a atitude gentil da garota e a cumprimenta. Chelsea então se retira da sala. O diretor se senta em sua cadeira e leva a caneta que segurava até a boca, mordiscando-a, orgulhoso.

CENA 04. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. CORREDOR DOS DORMITÓRIOS. INT. DIA.

(Música: Back To Me Without You - The Band Perry)

Josh está sentado no chão do corredor, com a coluna encostada na porta de seu dormitório. Chelsea caminha até ele, preocupada.

CHELSEA – Josh, não era pra você estar em horário de aula?

JOSH – (levanta a cabeça e olha para a garota) Chelsea, não era pra você ter sido expulsa da universidade? (pausa) Não quis ser grosseiro...

CHELSEA – Tudo bem, eu também achei que seria expulsa depois do incidente com a arma... Mas o diretor Groban reconheceu o meu esforço em tentar me recuperar e aceitou me dar uma segunda chance. É... Vocês não se livraram de mim dessa vez! Chelsea Harris está de volta a Universidade da Califórnia.

JOSH – (esboça um sorriso) Parabéns, Chelsea... Eu sei que você não queria fazer mal a ninguém naquele dia.

CHELSEA – (sentando-se do lado de Josh) O importante agora é que a velha e revoltada Chelsea Harris está morta. Esta é uma nova versão minha que está sendo apresentada a você.

JOSH – Eu estou achando que a sua nova versão vai longe...

CHELSEA – O que me parece que vai longe é essa sua tristeza... Posso saber quando irá dar fim a ela?

JOSH – Não sei. É complicado. Eu não queria me sentir assim, mas eu não tenho o controle dos meus sentimentos. Já se passaram meses desde a morte do Austin, mas tudo está vivo em minha memória como se fosse ontem.

CHELSEA – Josh, eu entendo totalmente a sua situação. Você está se sentindo fraco porque acabou de perder uma pessoa importante... A velha Chelsea sentia que estava perdendo as pessoas também. O que eu posso te aconselhar sobre essa experiência é que não vale a pena se lamentar... Eu tenho certeza que o Austin não gostaria de te ver assim.

JOSH – Não estou dando conta de seguir em frente, Chelsea. É muito peso sobre as minhas costas. E respondendo a sua primeira pergunta, eu cabulei o horário de aulas... Não consigo prestar atenção em mais nada nem absorver o que me dizem.

CHELSEA – Você não pode prejudicar o seu futuro universitário, Josh... (pausa) Olha, eu tenho algo pra você. (tira um cartão do bolso da calça) O diretor Groban pediu que eu me consultasse com essa psicóloga. Ela aconselha os estudantes da universidade. Vai ser bom você desabafar com ela...

JOSH – Será que adianta continuar me lembrando de tudo o que ocorreu?

CHELSEA – Indo para o escritório dela ou permanecendo no seu dormitório, você se lembrará de qualquer forma. Pelo menos visitando a doutora Nichols, você terá alguém pra te ouvir. Alguém que aliviará um pouco esse peso...

JOSH – (pegando o cartão) Obrigado, Chelsea... Eu já me sinto bem melhor depois de ter conversado com você.

CHELSEA – (se levantando do chão) Não precisa nem agradecer. Qualquer coisa, me procura. Como eu te disse, Chelsea Harris está de volta a Universidade da Califórnia. E dessa vez, só sairá no dia da formatura.

Josh ri.

CHELSEA – Nos vemos depois! (sorri)

Chelsea sai e caminha em direção ao seu dormitório. Close em Josh, que encara o cartão entregue pela amiga.

CENA 05.

(A música tocada na cena anterior continua a ser executada nesta.)

Tomada da cidade de San Francisco com imagens dos principais pontos turísticos locais. Elas são substituídas por cenários de Nova York. Surge a seguinte legenda: 

CENA 06. CASA DE MEGHAN. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

(Música cessa.)

Meghan está sentada no sofá folheando um álbum com as fotos de seu noivado. De repente, a porta se abre e a câmera revela Alex. Ele entra no local com uma mala em mãos.

MEGHAN – (fechando o álbum, surpresa) Não! Não! Não! Me diga que eu estou sonhando! Porque eu não posso acreditar que Alex Parker, finalmente, teve coragem de voltar para a casa.

ALEX – Olá para você também, Meghan...

MEGHAN – Alex, por acaso você perdeu o seu celular? Ou você estava me ignorando? Porque eu não sei se você checou as minhas mensagens de voz, mas mil é o número mínimo que eu mandei. Inclusive, em uma delas, eu estava te xingando em árabe. Sim, porque depois de ter sido deixada no altar, eu tive muito tempo livre para me trancar dentro de casa e me ocupar com qualquer coisa que evitasse olhar para a cara das pessoas me pedindo informações sobre o meu noivo desaparecido.

ALEX – Meghan, eu sei que eu tenho muitas satisfações para te dar, mas este não é o melhor momento... Eu estou voltando agora de San Francisco e eu preciso...

MEGHAN – (interrompe) Estava passando a lua de mel com a Marta? Eu não sei se você se lembra, Alex, mas era comigo que você estava prestes a se casar.

ALEX – Sem sarcasmos, por favor, Meghan...

MEGHAN – Esta é a melhor forma que encontrei para lidar com a situação, Alex. Como você acha que eu me senti após ser abandonada pelo homem que eu amo?

ALEX – Meghan, o meu filho sofreu um grave acidente. Ele perdeu o seu melhor amigo. E, consequentemente, nós dois brigamos. Eu não queria voltar para a casa no momento. Eu precisava de um tempo ao lado do meu filho, da minha ex-mulher. Eu precisava dar suporte a eles.

MEGHAN – E a mim? Porque, durante todo esse tempo, você não me ligou uma única vez. Alex, eu era a sua família. Eu era a sua nova família. E você me trocou pelo seu passado.

ALEX – Você está sendo egoísta, Meghan... Eu tive razões bastante convenientes para cancelar o casamento naquele dia. O meu filho estava correndo risco de vida.

MEGHAN – Mas sobreviveu. Ele sobreviveria. Você poderia ter esperado o casamento terminar para ir atrás dele. Ou então ficar ao meu lado e esperar que a Marta te comunicasse sobre o garoto pelo telefone...

ALEX – (andando de um lado para o outro) Eu não acredito no absurdo que estou ouvindo... Você queria que eu deixasse o meu filho na mão, é isso?

MEGHAN – Bom, não foi difícil pra você me deixar.

ALEX – O JOSH É O MEU FILHO! E eu não retornei agora porque estava com medo de te enfrentar. Eu estava bem ciente quando deixei aquela igreja e fui atrás do meu filho... Eu estou retornando agora, porque eu tomei uma decisão, Meghan.

MEGHAN – (começa a gargalhar) Não me diga que você vai voltar a morar com a Marta, porque isto não me surpreenderia nem um pouco. Você me abandonou no altar mesmo, não seria nem um pouco complicado me abandonar novamente.

ALEX – Bom, é isso mesmo.

Meghan engole o riso e olha espantada para Alex, concluindo que o que ela disse na brincadeira era realmente verdade.

MEGHAN – Você não pode estar fazendo isso comigo... (grita) Você não pode fazer isso comigo!

ALEX – Meghan, eu preciso estar perto do meu filho. A minha única prioridade agora é tentar reconquistar a confiança dele. O Josh está passando por momentos complicados e eu sou culpado por uma parte deles. Eu troquei o meu filho por um casamento que nunca deveria ter sido cogitado.

MEGHAN – (deixa uma lágrima rolar sobre o seu rosto) Alex, nós seríamos felizes juntos...

ALEX – Não! (grita) Nós não seríamos! Tudo era uma mentira, Meghan. Eu aceitei te propor em casamento porque você simplesmente invadiu a minha privacidade e colocou uma aliança no dedo, sem saber se ela era realmente para você.

MEGHAN – Era para a Marta?

ALEX – Poderia ser.

MEGHAN – (limpando a lágrima com uma das mãos) Então por que você levou o casamento adiante? Por que você não se rendeu aos braços da sua querida, adorada, perfeita e insuperável ex-mulher?

ALEX – Porque ela me pediu que eu me casasse com você.

MEGHAN – (começa a balançar a cabeça negativamente) Então era isso? Vocês estavam armando um plano de piedade para mim? Eu não preciso da piedade de ninguém, Alex... E você não pode me abandonar mais uma vez! Você não pode abandonar a gente!

ALEX – Eu estou abandonando a gente, Meghan...

MEGHAN – Quando eu digo a gente, não me refiro a eu e você... E sim a eu e... (coloca a mão na barriga) Ao filho que eu estou esperando.

ALEX – (engole seco) Filho?

MEGHAN – Sim. O nosso filho. Eu estou esperando um bebê há três meses, Alex. E eu não tive o pai dele ao meu lado durante boa parte desse período. (começa a chorar) É isso mesmo que você vai fazer? Nos abandonar e ir morar com a sua outra família? Bom, se o Josh aprendeu a lidar com a ausência do pai por anos, o meu filho também conseguirá...

ALEX – (fica imóvel) Meghan... Se você estiver realmente falando a verdade...

MEGHAN – Você está me acusando de ser uma mentirosa?

ALEX – Não... Não é isso... Eu abandonei você sim. Eu te deixei sozinha com as responsabilidades de um casamento arruinado... E eu estava realmente decidido a ir embora de Nova York... Mas eu não posso fazer isso com a criança.

MEGHAN – Que bom que reconhece isso.

ALEX – Mas eu também não vou me casar com você, Meghan. Eu não te amo e nunca te amei. Eu só vou estar aqui por causa desse bebê... Não vou repetir os mesmos erros que cometi com o Josh. A criança não merece isso! Agora, com licença, porque eu estou exausto.

Alex caminha em direção ao quarto com sua mala em mãos. Close em Meghan, que se joga no sofá, chorando.

MEGHAN – (passando a mão na barriga descontroladamente) De onde eu tirei essa ideia absurda? (pausa) Tudo bem, eu só preciso de um tempo para pensar... Três meses... A barriga precisa começar a crescer em algum tempo... Tudo pra manter o Alex por perto... Eu sou capaz de tudo!

Close em Meghan, decidida.

CENA 07. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. ESCRITÓRIO DA DRA. NICHOLS. INT. DIA.

Close na Dra. Nicholas. Ela segura um bloco de anotações em uma mão, uma caneta na outra e olha atentamente para quem está deitado no divã. A câmera revela quem é o seu paciente: Josh.

DRA. NICHOLS – Josh, para começarmos a nossa conversa, eu preciso entender tudo o que aconteceu com você nos últimos tempos... Digo, desde o começo. Eu preciso entender o processo. Passo a passo.

(Música: Best Laid Plans - James Blunt) 

JOSH – Bom... Eu... (O garoto olha o teto fixamente) Eu sou um garoto de San Francisco. Digo, eu vivo aqui desde os meus dez anos. E desde quando cheguei à cidade, eu nunca tive muitos amigos... Eu era um cara tímido, anti-social... Mas tudo mudou quando entrei para a San Francisco High School...

DRA. NICHOLS – (anotando no bloco de anotações) Sua escola do segundo grau...

JOSH – Isso... Lá eu comecei a conhecer amigos de verdade. E uma amiga, em especial. Chelsea Harris. Que também será sua paciente, eu acredito. Ela entrou na minha vida de repente e, quando eu percebi, já fazia parte dela. Então, eu supus que ela era o grande amor da minha vida...

DRA. NICHOLS – Mas não era...

JOSH – Nunca foi. E tive essa impressão errada mais tarde novamente. Um garoto chegou à vizinhança. O nome dele é Ryan. Em pouco tempo, eu e Ryan nos tornamos grande amigos. E ele me mostrou o meu verdadeiro “eu”. Quem eu era de verdade e quem eu sempre fui... Um garoto gay. Ok, eu estou me abrindo com você até demais.

DRA. NICHOLS – Continue, Josh... Eu estou aqui para te ajudar.

JOSH – Eu me apaixonei de verdade pelo Ryan e passei momentos maravilhosos com ele... Momentos que me fizeram pensar que ele era, agora, o verdadeiro amor da minha vida. Mas ele era uma Chelsea de calças. Nosso relacionamento acabou depois de algum tempo... Por besteira... Enfim, eu quebrei a cara.

DRA. NICHOLS – Mas a nossa história não termina por aqui, correto?

JOSH – Não... O meu namoro com o Ryan acabou porque um outro garoto surgiu em minha vida. No início, o Austin era um simples amigo, mas o Ryan o enxergava como uma ameaça. E fez com que ele se tornasse uma. Ryan era estúpido! Estúpido! Depois do fim do relacionamento, eu e o Austin nos conectamos e, dessa vez sim, eu jurei que ele seria a pessoa certa para mim... Mas veio a morte, e o roubou de mim.

DRA. NICHOLS – Josh, o que temos aqui é o mais sincero caso de perda. Em todos os momentos da sua vida, desde Chelsea a Austin, você perdeu quem amava. De formas diferentes, mas todas muito significativas. E isso não te transforma em um perdedor. Te transforma em um garoto forte, com a sensação de ser um perdedor... Mas você não é.

JOSH – E o que eu sou então?

DRA. NICHOLS – Você é um garoto que simplesmente provou intensamente uma das maiores fraquezas da vida: o amor. E isso te fortaleceu muito, Josh. Você sente que não pode seguir em frente, mas isso é um muro que você mesmo criou. E você pode quebrar esse muro. Chelsea, Ryan, Austin... Todos te ensinaram a quebrar muros.

JOSH – A morte do Austin bagunçou muito a minha vida, doutora... Não sei se sou capaz de fazer de conta que isso é só imaginação da minha cabeça.

DRA. NICHOLS – Mas é. Eu acredito em você, Josh. Acredito que você é um garoto forte. Eu quero que você se levante desse divã agora, saia dessa sala e pense que tudo o que aconteceu até hoje só serviu para te fortalecer. Os seus pensamentos vão continuar bagunçando a sua vida por muito tempo ainda, mas cabe a você continuar alimentando-os ou dar um novo começo para sua vida.

JOSH – (se levantando do divã e olhando para a doutora) Eu já tentei, doutora... Eu já tentei dizer pra mim mesmo que vou seguir em frente, mas eu não consigo.

DRA. NICHOLS – Josh, desculpa, mas eu não posso te garantir que você realmente tentou. Analisando seu histórico escolar, você foi a poucas aulas durante esse ano letivo, não participou das atividades extras e passa boa parte do seu tempo no dormitório, concluo eu. Você acha que isso é realmente tentar?

Close em Josh, pensativo.

CENA 08. UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA. CORREDOR DE DORMITÓRIOS. INT. NOITE.

(Música cessa.)

Josh anda pelo corredor com destino ao seu dormitório. Ryan vem em sua direção.

RYAN – Olá, Josh... Eu estava indo mesmo ao seu dormitório. Eu queria saber se você topa ir ao cinema comigo.

JOSH – (revira os olhos) Ryan...

RYAN – O que? Eu estou fazendo apenas um convite... (se aproxima um pouco mais do garoto) Na verdade, isso é tudo uma desculpa para eu conseguir o que acabei de demonstrar aqui... Me aproximar de você! Ou melhor, me reaproximar.

JOSH – E por que você está tentando isso? Por acaso, é porque o Austin saiu do seu caminho?

RYAN – Não, Josh... É porque eu sinto que você precisa de amigos agora. Amigos que estejam ao seu lado e te distraiam de pensamentos indesejados.

JOSH – Ah, muito bem! Você acha que só agora que eu estou em um momento sensível da minha vida, eu preciso de amigos? Acho que você precisa reavaliar melhor os seus conceitos, Ryan. Porque eu passei o ano passado inteiro necessitando da sua amizade e a única coisa que você fazia era me julgar por algo que não cometi.

RYAN – Josh, eu...

Close em Ryan, sem palavras. Então, inesperadamente, o garoto aproxima seus lábios aos de Josh e o beija lentamente. Por alguns instantes, Josh fica sem reação, mas quando se dá conta do ato, empurra Ryan.

RYAN – Consegue entender agora? É disso que eu sinto falta... Da nossa conexão.

JOSH – Consegue entender agora? Foi exatamente isso que o Austin fez no dia da formatura. Me surpreendeu com um beijo e eu não soube como reagir... Em nenhum momento, eu te traí, Ryan. E você sente falta da nossa conexão? Muito bem, você a rompeu por causa de uma impressão errada que você mesmo construiu...

RYAN – Josh, eu sei que eu fui um grande tolo nos últimos tempos, mas quando eu te dispensei da minha vida, é porque eu estava cego de ciúmes pelo Austin. Eu sentia que ele ia roubar você de mim a qualquer momento. E foi o que aconteceu.

JOSH – Porque você deixou. Você não acreditou em mim, Ryan. Você não acreditou na minha palavra e me fez passar por mentiroso durante UM ANO. Um ano me fazendo sentir culpado por um beijo que eu não correspondi. E sabe o mais engraçado de tudo isso? É porque você era o culpado por tudo... Você foi o culpado por tudo desde o início!

RYAN – O que você quer dizer com isso, Josh?

JOSH – Você só está reconhecendo o quão foi tolo depois da morte do Austin. Se você tivesse reconhecido isso durante as férias de verão daquele ano, eu não teria transado com o Austin e eu não teria me envolvido com ele.

RYAN – Você se arrepende por ter ficado com o Austin?

(Música: Distance – Christina Perri ft. Jason Mraz)

JOSH – (deixa uma lágrima rolar em seu rosto) Não, eu não me arrependo de nenhum momento que passei com o Austin. Mas eu poderia ter evitado cada um deles. (começa a chorar) Se eu não tivesse saído com o Austin em Nova York, ele não teria vindo para San Francisco por minha causa e consequentemente eu não teria o matado.

RYAN – Ele morreu feliz, Josh... Ele tinha você.

JOSH – Mas ele poderia ter vivido por muitos anos... Muitos anos... Ele poderia ter sido feliz sem mim e por um tempo maior. (limpando as lágrimas) Você tem uma parcela grande de culpa nisso.

RYAN – Josh, você quer ouvir a verdade? Eu estava errado sim. Eu te entreguei de bandeja para o Austin porque eu estava inseguro... Eu preferi sair do seu caminho do que ver ele entrando no meu para te tirar de mim... Eu fui hipócrita. Eu fui insensato. Eu fui um covarde...

JOSH – E você confessou isso tarde demais. Eu acabei de ter uma conversa muito esclarecedora agora e descobri que eu sou responsável pela minha felicidade. Eu me culpei durante todo esse tempo por erros que não cometi sozinho. Chega de me culpar. Está na hora de culpar os outros também. Eu não vou carregar esse peso sozinho, Ryan. Eu reconheço minha culpa em todos eles sim, mas eu cansei de ser testado sozinho. Eu estou quebrando muros, Ryan.

RYAN – (deixa uma lágrima rolar sobre o seu rosto) Eu só espero que um dia você possa me perdoar...

JOSH – No momento, eu não consigo. Você esperou a tragédia toda acontecer para vir me procurar. Não sei se estou agindo corretamente. Mas chega de agir corretamente, não é mesmo? Não estou me tornando uma pessoa fria, vazia, nada disso... Eu só preciso seguir em frente e me preocupar com o que está a favor de mim. O seu egoísmo nunca esteve.

Josh continua a caminhar.

RYAN – (com os olhos marejados) Josh, aonde você vai?

JOSH – (limpando as lágrimas) Já que você sugeriu... Eu vou ao cinema. Sozinho.

Josh sai. Close em Ryan, que deixa as lágrimas escorrerem pelo seu rosto. A câmera se afasta, mostrando um garoto imóvel, enquanto o outro anda em caminhos lentos, porém, decididos. A narração de Josh começa a ser ouvida.

JOSH – (em off) Como eu contei, eu nunca me esquecerei de nenhum momento que passei com o Austin, mas eu não me sinto hipócrita em dizer que o meu desejo era não ter me envolvido com ele. O Austin poderia ter vivido muito mais sem mim. Tudo bem, você pode reconhecer que ele não teria sido feliz como foi sem a minha presença. Mas quem garante? Quem garante que uma pessoa nasceu para ser o grande amor da sua vida? Eu tive três e nenhum deles realmente era. Ninguém nasceu para ninguém. Isso é uma grande bobagem de mentes apaixonadas. Eu já estive apaixonado e sei como é pensar assim. Relacionamentos existem a toda hora, a todo momento... Alguns duram semanas, meses... Outros duram a vida inteira, mas isso não quer dizer que foram almas gêmeas juntadas pelo destino. Veja bem, você está parado em um metrô, voltando para a casa e se depara com uma pessoa que te faz sorrir mentalmente. Você olha para ela durante o caminho inteiro e cogita a possibilidade de se aproximar, mas o medo te impede... O metrô para, você sai de dentro dele e perde a oportunidade de chegar perto daquela pessoa... Você nunca mais a vê... Bom, este poderia ter sido o amor da sua vida, certo? E a oportunidade escapuliu de suas mãos. O que eu aprendi ao longo de três relacionamentos é que pessoas especiais existem em toda parte. Nenhuma está designada a ser o seu eterno amor. Elas entram na sua vida, conquistam um espaço nela e também a deixam a qualquer momento. Existem pessoas. E pessoas têm um dom especial: elas te ensinam a fortalecer.

A imagem escurece.

 


AUTOR
André Esteves

ELENCO

Graham Phillips como Josh Parker
Sterling Knight como Ryan Jordan
Victoria Justice como Chelsea Harris
 
ATORES CONVIDADOS
Jean-Luc Bilodeau como Austin Davis
Joshua Jackson como Alex Parker
Erika Christensen como Meghan Kimble
 
PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS
Peter Gallagher como Sr. Groban
Zoe Saldana como Dra. Nichols
 
Pequenas aparições que não constam na listagem acima (Garoto e Garota, neste episódio) são interpretadas por atores contratados pela produtora.
 
TRILHA SONORA
So Small – Carrie Underwood (Tema de Abertura)
Give Me Love – Ed Sheeran
Back To Me Without You - The Band Perry
Best Laid Plans - James Blunt
Distance – Christina Perri ft. Jason Mraz

PRODUÇÃO
Bruno Olsen
Cristina Ravela


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO

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Proibida a cópia ou a reprodução

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