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As Aventuras de Ed Ronaldo (O Detetive Soberbo): Capítulo 04

Minissérie de Max Rocha
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AS AVENTURAS DE ED RONALDO (O DETETIVE SOBERBO) - CAPÍTULO 04




DIANA HELENA (o caso do caderno roubado)


“Signo de ar... que mistério envolve o seu caminhar?”
Jorge Vercillo

   


Imagem de Ed Zilch por Pixabay

 

— Boa noite! Queria pedir um temaki Philadelphia... quanto tempo? Troco pra cinquenta por favor... ah! Não esquece a máscara do motoboy! 

A libriana Diana Helena era uma mulher organizada. Do alto de seus 25 anos, se formou em biomedicina, e trabalhava em Belo Horizonte, como consultora em empresa de biotecnologia. De sua família de ascendência inglesa havia herdado os cabelos ruivos, bem como a pele clara e sardenta. Não era muito de se fazer notar, devido ao tipo mignon, mas os grandes olhos caramelados eram vívidos e sinceros. Uma beleza mediana, talvez. Sua comunidade batista em BH a considerava uma mulher da ciência, mas com fortes raízes cristãs, e profundamente senhora de si, a não ser quando...

O tema de Princesa Leia, tocando no seu Moto G8 Power Lite, invadiu o ambiente do pequeno ap que habitava. 

— De novo Ed? Tô cansada, dei plantão... o quê? De jeito nenhum! Primeiro foram os equipamentos, depois a multa... a passagem pro Recife! Assim não é possível! Bicicleta... pra quê? Sei... te amo também mas assim... pera aí Ed... lógico que entendo, mas... putz... tá bom, tá bom... mas é a última vez ok? Fui clara? 

Desde que Ed Ronaldo iniciou sua carreira, resolvendo os casos dos ET's sequestradores de pets, das bonecas decapitadas, e também o das caixas misteriosas em Pernambuco, a conta bancária de Diana havia sofrido severas baixas. A questão é que, apesar de sempre meticulosa em seus planejamentos, não sabia impor limites ao amor de sua vida.

Conhecera Ed no ensino médio, no Colégio Estadual Central. Aquele rapaz magricela, alto, e com um nariz um pouco saliente, lhe pareceu a princípio um pouco arrogante, sempre com opiniões e colocações empertigadas a respeito de qualquer assunto. Até hoje Diana não o perdoava por ter abandonado os estudos, e voltado para sua cidade natal, Pedra do Monte, a cerca de 140 km da capital. 

— Diana, esta escola não está à altura de minhas capacidades. A partir de hoje me proclamo autodidata! Quanto à você, não peço que me siga, afinal nem todos podem se abster do sistema. Cada ser humano é ímpar!

Como ele podia ser tão seguro de si? Tão, tão... cabeça dura! Viveria de quê? — A mente de nossa biomédica se exasperava — ao mesmo tempo que se recordava da primeira vez em que o conheceu, na sala 107, quando entrou em pânico, ao se dar conta que seu caderno de couro preto Cicero 256 folhas, contendo todas as poesias de seus últimos 5 anos, havia desaparecido! 

— Todas elas!!! Sonetos, indrisos, tautogramas, trovas, haikais, aldravias, tuuuudoooo! Ai meu Deus, e agora!!?? Não salvei nada no PC! Tinha esperança que algum editor publicasse! Que meeeeeerdaaaa! Se eu pego esse... 

Ajoelhou-se no chão e disparou a chorar, sendo consolada pelos colegas de classe. Sua maquiagem discreta havia se transformado em borrões, sob as pálpebras inchadas pelo pranto. 

— Acho que sei como resolver seu problema, minha cara! 

Ao olhar para cima, deu de cara com aquele menino esquisito, sempre observador e calculista, que se sentava no fundo da classe. 

— Como é que você pode me ajudar, se nem te conheço direito? Por acaso você sabe quem... foi você? — Se deu conta então que gritava, e agia estupidamente — Ed Ronaldo apenas sorriu; decerto que foi um sorriso meio cínico, desviado para o lado.

— Apenas perdi minha inocência Diana. Todos sabem do ciúme que você tem por este caderno. Parece que seus segredos todos estão lá... não dou 1 dia ou 2 até você receber um contato. Espere e verá! 

Mais tarde, ao cair da noite, já um pouco mais refeita do trauma, nossa heroína ficou a remoer sobre o que aquele rapazinho tinha lhe dito. Como era empinadinho! Mas a verdade é que havia ficado impressionada... a vibração da Princesa Leia em 5 acordes a despertou; leu a mensagem recém-chegada: 

— "Oía aí malandrage: quero 300 pila e um ingresso pro show do Emicida tá sabeno? Se deixá atrás do bebedoro da cantina, de manhã seu caderno aparece; num gostei daquelas linha isquisita não... parece cunversa de lôco... sô mais as letra do Marcelo D2... fui."

— Mas que safado! Preciso aprender a ser mais discreta... outro SMS? Juro que... 

Leu com surpresa: "os homens distinguem-se pelo que fazem; as mulheres pelo que levam os homens a fazer"; de seu amigo e admirador Ed Ronaldo — um elogio, ou havia um tom machista naquela frase?  — não soube responder... apaixonou-se de imediato!

Em meio ao burburinho de recordações, enquanto atacava o temaki regado a suco de uva integral Peterlongo, Diana folheava o caderno antigo de couro preto. O dia de trabalho fora pesado, ainda mais naquele ambiente carregado, cheio de álcool gel e máscaras N-95. Sempre que se sentia assim, extenuada, fugia para as páginas de seu velho caderno e viajava nos versos de sua própria autoria; até hoje tinha raiva por ter cedido à chantagem do meliante, mas como ficar sem seus poemas? Quem sabe um dia uma antologia? Um concurso literário? Nunca deixava de sonhar!

O enlevo de uma sonolência crescente sucedeu o lanche, e a fez cochilar no sofá... sonhou com príncipes, versos e trovas, luzes poéticas, estranhos seres românticos... um êxtase! Um som estridente em meio às luzes... num crescendo... mais próximo... de onde?

Acordou no chão, assustada, tateando meio às cegas — diabo, cadê este celular? 

— Diana, Diana, já resolvi aqui... pesquisei bastante no Mercado Livre: a Cannondale F-SI Carbon 4 é a bike à altura de minhas necessidades...

Encerra com a música: (Cargueiro- The Fever).
Realizado por THE FEVER / Escrito por CÉSAR AUGUSTO TAVARES FROES

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Obs 1) Obra fictícia, com personagens fictícios, baseada na notícia "Cantora busca cadernos com anotações que foram roubados", publicada no Extra Notícias, em 15/12/15 05:00.

Obs 2) Inspirada nas histórias de detetives, onde aqui rendo homenagem a Drummond, Conan Doyle, Chris Carter, Rubem Fonseca e Luis Fernando Verissimo.


autor
Max Rocha

elenco
Johnny Massaro como Ed Ronaldo
Anya Taylor-Joy como Diana Helena
Rafael Losso como Uatson
Thiago Martins como Kadu
Marco Ricca como Inspetor Pena
Cãozinho Bilau
Cacatua Baretta

trilha sonora
Extrem Ways - Moby (abertura)
Cargueiro - The Fever (Realizado por THE FEVER / Escrito por CÉSAR AUGUSTO TAVARES FROES)

direção
Carlos Mota

produção
Bruno Olsen
Cristina Ravela

Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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