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O Dom - Vidas do Árido: 1x06

Série de Vitor Zucolotti
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O DOM - VIDAS DO ÁRIDO



NO QUINTO EPISÓDIO

 

DOMÊNICO

Acho que o seu silêncio responde a minha pergunta.

 

ALICE

Eu não sei se tenho fé. Eu estou há espera de um milagre já faz um tempo.

 

DOMÊNICO

Então eu posso lhe ajudar.

***

MARINALVA

Sou uma mulher casada, todo mundo sabe disso, e sabe também que eu nunca trai meu esposo. Sempre fui uma esposa honesta e dedicada. Sempre consegui conduzir as atividades de casa e conciliar com a igreja. Sou uma serva do senhor atuante, sempre disposta...

 

EMERENCIANO (interrompe)

Eu sei! Diga logo o seu pecado! Não tenho todo o tempo do mundo, Marinalva.

 

MARINALVA

Eu, ultimamente, estou tendo um desejo incontrolável de acabar com a vida do meu marido. (Marinalva se segura, mas explode em choro) Eu não aguento mais! Eu estou a ponto de matar o Figueira, Padre! Me ajude!

***

FIGUEIRA LEVA DORINHA ATÉ O LOCAL. NÃO HÁ PORTAS, MAS UMA PAREDE CONSEGUE CRIAR UM ABRIGO QUE NINGUÉM QUE PASSA OS VEJA.

 

FIGUEIRA

Ajoelha de novo!

 

DORINHA AJOELHA.

 

FIGUEIRA (olhando para baixo, nos olhos de Dorinha)

Então faça comigo o que você faz com ele! Me chupe! E direitinho. Porque eu sei que você consegue. Com aquele preto conseguiu...

 

DORINHA, AJOELHADA DE FRENTE PARA FIGUEIRA, ESTÁ CHORANDO. ELA LEVA A MÃO ATÉ A BRAGUILHA DA CALÇA DO HOMEM. ANTES DISSO, COMEÇA A CHORAR COMPULSIVAMENTE. FIGUEIRA LHE DÁ UM TAPA NA CARA.

 

FIGUEIRA

Faz o que eu to mandando e sem chorar, sua imunda! Ou todos vão saber que você é uma puta!

***

DOMÊNICO

Eu posso te ajudar com isso.

 

ALICE

Como?

 

DOMÊNICO LEVA A MÃO ATÉ O ROSTO DE ALICE E LHE DÁ UM BEIJO. ELA RETRIBUI MAS, DEPOIS PARECE DESPERTAR E INTERROMPE O BEIJO.

 

ALICE

Não! Não isso...

 

DOMÊNICO

Eu posso lhe ajudar! Eu posso te ajudar a ter um filho, mas você precisa me deixar entrar. Precisamos fazer amor. Depois do sexo, eu lhe garanto: você vai conseguir o teu milagre. Você vai conseguir o seu filho.



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CENA 1 / CASA DE DOMÊNICO – SALA DOS MILAGRES / INT. NOITE


ALICE

Não! Eu sou casada, eu amo meu marido...

 

DOMÊNICO

Eu posso lhe dar o que você quer. Escute bem: eu posso lhe dar um filho!

 

ALICE

Mas...

 

DOMÊNICO (tocando a barriga de Alice)

Eu preciso lhe tocar. O milagre só acontece quando eu toco...

 

ALICE (se desvencilhando)

Mas é algo íntimo. É algo que envolve muito mais...

 

DOMÊNICO

Deixe eu tentar. Tente se desligar! Não pense em nada. Só pense no seu filho. Ele vai chegar...

 

ALICE SUSPIRA, VIRA-SE PARA DOMÊNICO. ACENA A CABEÇA POSITIVAMENTE. DOMÊNICO SE APROXIMA. BEIJA A TESTA DE ALICE. EM SEGUIDA AS PALPEBRAS DOS OLHOS. A BOCA.

 

ALICE (olhando ao redor)

Aqui? Alguém pode aparecer.

 

DOMÊNICO PEGA ALICE PELA MÃO. NO PLANO SEQUÊNCIA, SOMOS LEVADOS A UM OUTRO CÔMODO, UMA ESPÉCIE DE SALA. ELE ABRE UMA PORTA E ENTRA JUNTO COM ALICE. FECHA A PORTA. ALICE OBSERVA O ESPAÇO, DE COSTAS PARA DOMÊNICO. O CURANDEIRO TIRA AS ROUPAS. FICANDO NU. ALICE O OBSERVA.

 

DOMÊNICO

Lembre-se: eu posso lhe dar um filho...

 

DOMÊNICO VOLTA A BEIJAR ALICE, DESSA VEZ NO PESCOÇO, DESCENDO PELO CORPO DA MULHER E TIRANDO-LHE O VESTIDO. ENQUANTO ELE ‘DESCE’ A CAM FOCALIZA O ROSTO DE ALICE. NA EXPRESSÃO FACIAL UM MISTO DE DESEJO E APREENSÃO (IMAGINEM ESSA ‘EXPRESSÃO’ COMO QUISEREM CAROS LEITORES)

CORTA PARA

 

CENA 2 / CASA DE MARINALVA – SALA / INT. NOITE

 

FIGUEIRA CHEGA EM CASA. HOJE MENOS BÊBADO QUE DE COSTUME, MAS CLARO, BEBEU.  MARINALVA ESTÁ NO QUARTO.

 

MARINALVA (em off)

Chegou cedo hoje! O que aconteceu... (chegando na sala. Se depara com o marido deitado no sofá, de qualquer jeito) Eu, por um instante, imaginei que você ia chegar sóbrio, hoje.

 

FIGUEIRA

Não me atente, mulher! Eu to varado de fome. Faz um prato pra eu comer!

 

MARINALVA

Faço sim. Preciso esquentar a comida...

 

FIGUEIRA (se levanta)

Apesar que... (se aproxima da esposa. A abraça) Hoje eu posso comer outra coisa.

 

MARINALVA (se desvencilhando dos braços do marido)

Me respeite, homem! Vê se isso é linguajar pra falar comigo!

 

FIGUEIRA

Você é uma mocreia mesmo, né? To tentando fazer um esforço. Há quanto tempo que a gente não namora, hein? Depois que você teve os meninos só a força. É na base da marretada que eu consigo me aliviar...

 

MARINALVA

Você anda muito indecente!

 

FIGUEIRA

E você virou uma carola insuportável! Quando eu me casei você era diferente, lembra? A gente não podia chegar perto um do outro. Era faísca pura.

 

MARINALVA SENTA-SE NO SOFÁ, ENQUANTO ESCUTA O MARIDO FALANDO, CHEGA ESBOÇAR UNS SORRISOS, LEMBRANDO DA JUVENTUDE.

 

FIGUEIRA (permanece de pé. Observa a esposa)

A gente era fogo puro! Não havia tempo ruim. Qualquer canto era lugar pra gente se amar...

 

MARINALVA

Se amar...

 

FIGUEIRA

Cê lembra? Até por trás você deixava!

 

MARINALVA (repreende)

Figueira, as crianças estão em casa!

 

FIGUEIRA (vai para o sofá, abraçando os ombros da esposa)

Deixe as crianças! Elas estão quietas no canto delas. Vamos relembrar os velhos tempos, o que me diz, hein?

 

FIGUEIRA COMEÇA A BEIJAR O PESCOÇO DE MARINALVA, A ORELHA. A BEATA PARECE CEDER, SE DERRETER EM MEIO AOS CARINHOS DO MARIDO MAS, NUM IMPULSO, SE LEVANTA O REPELINDO.

 

MARINALVA

Pare! Que sem vergonhice! Você me bateu, Figueira! Me fez perder um dente!

 

FIGUEIRA

Você é mesmo uma seca! Diabo! Maldita hora que eu me casei com você! E ainda por cima fiz filhos. Eu deveria era te abandonar, deixar essa casa aqui e procurar alguém melhor, sabe?

 

MARINALVA

E quem iria lhe querer, hein?

 

FIGUEIRA

Qualquer moça mais jovem, mais viçosa... Que queira um homem de fibra, um homem estabelecido na vida. Sabe a Dorinha?

 

MARINALVA

O que tem Dorinha nessa história? O que ela tem com isso?

 

FIGUEIRA

Seria uma ótima esposa. Quieta e sonsa. Com carinha de santa, acompanhando a missa... Mas deve ter um fogo daqueles. E se bobear deve liberar até atrás!

 

MARINALVA

Ela é virgem, seu tarado! Não fale isso da menina!

 

FIGUEIRA (gargalha)

Pode até ser, mas eu vou lhe dizer: aquela carinha de santa não me engana. Aquela roupa toda esconde uma mocinha cheia de curvas. Uma mulher que daria de dez a zero em você, sua beata de quinta. Eu comeria aquela sua amiguinha todinha!

 

MARINALVA (avançando pra cima de Figueira)

Não fale assim...

 

MARINALVA ANTES DE PENSAR EM DAR UM TAPA NA CARA DO MARIDO, LEVA UM. DEPOIS O MARIDO A EMPURRA DERRUBANDO A BEATA NO CHÃO.

 

FIGUEIRA (olhando a esposa no chão)

Inferno! Vá preparar meu prato que eu vou tomar banho! E nunca mais tente levantar essa sua mão pra mim, entendeu?

 

MARINALVA FICA MUDA. FIGUEIRA CUTUCA A ESPOSA COM O PÉ.

 

FIGUEIRA

Entendeu, sua peste? Me responde, praga!

 

MARINALVA

Entendi.

 

FIGUEIRA VAI PARA O BANHEIRO. MARINALVA SE LEVANTA. ENQUANTO COMEÇA A SE PREPARAR PRA BOTAR A COMIDA PARA ESQUENTAR REZA.

 

MARINALVA

Ave Maria, cheia de graça! O senhor é convosco...

CORTA PRA

 

CENA 3 / CASA DE DANIEL E ALICE – SALA / INT. NOITE

MÚSICA ON: SINAL FECHADO – CHICO BUARQUE


ALICE CHEGA EM CASA. DANIEL ESTÁ SENTADO NO SOFÁ. ELE PERCEBE A CHEGADA DA ESPOSA, MAS PREFERE FICAR EM SILÊNCIO. ELA SENTA-SE DO SEU LADO. PEGA NA MÃO DO MARIDO. PUXA-LHE A MÃO. CHUPA O DEDO INDICAR, O PROVACA. DANIEL PARECE DESPERTAR. VOLTA-SE PARA A ESPOSA A BEIJA DE FORMA TERNA. ALICE CORRESPONDE AO BEIJO DE FORMA SELVAGEM. MONTA EM CIMA DO ESPOSO E COMEÇA BEIJA-LO. TIRA A BLUSA, EM SEGUIDA O SUTIÃ.

 

DANIEL

O que você tem...

 

ALICE (botando o indicador nos lábios do marido. Pedindo silêncio)

Não fala nada! Me beija. Lambe os meus peitos! Mete em mim! (agora no ouvido do marido) Me come!

 

DANIEL, DEPOIS DO PEDIDO DEIXA A TERNURA E CARINHO DE LADO E SE TORNA SELVAGEM COMO A ESPOSA. UM SEXO FORTE. UM SEXO VIOLENTO. OS DOIS TIRAM AS ROUPAS ALI MESMO NA SALA. NUM DADO MOMENTO ALICE VIRA DE COSTAS.

 

DANIEL

O que você quer?

 

ALICE (de quatro)

Minha bunda!

 

DANIEL (nesse momento é a voz de Domênico que Alice ouve)

Tem certeza?

 

ALICE VIRA O ROSTO ASSUSTADA. NO LUGAR DO MARIDO, VÊ DOMÊNICO.

 

DOMÊNICO

Você quer mesmo por trás?

 

ALICE BALANÇA A CABEÇA, COMO QUEM QUER ESPANTAR UMA MOSCA. FECHA OS OLHOS E OS ABRE NOVAMENTE. DANIEL É QUE ESTÁ NA FRENTE DELA. ELA SORRI. OS DOIS SE BEIJAM E TRANSAM ALI MESMO, NO CHÃO DA SALA.


MUSIC OFF.

CORTA PARA

 

CENA 4 / CASA DE TONHO E RITINHA / INT. NOITE


DOMÊNICO CHEGA A CASA DE TONHO E RITINHA. OS DOIS ESTÃO NA MESA. ELE ENTRA E SE SENTA. TONHO VAI ATÉ ELE. DE PÉ, O ABRAÇA E LHE DÁ UM BEIJO NO PESCOÇO, ELE RETRIBUI COM OUTRO NA BOCA. RITINHA OLHA CRUZANDO OS BRAÇOS E FAZENDO BEIÇO.

 

DOMÊNICO (PARA TONHO)

O que deu nela?

 

TONHO

Nada, não! Não conhece a peça?

 

DOMÊNICO

O que cê tem, hein?

 

RITINHA

O que eu tenho eu deveria lhe contar lá...

 

DOMÊNICO (LEVANTA-SE VAI ATÉ RITINHA)

Você sabe que o local é para os atendimentos. Assuntos pessoais a gente resolve aqui. De preferência li na cama.

 

DOMÊNICO DÁ UM SORRISO MALICIOSO PARA RITINHA. TONHO, MAIS UMA VEZ SE APROXIMA DE DOMÊNICO E O BEIJA NA BOCA. OLHA PRA RITINHA.

 

TONHO

Vem meu amor! Vamos pra cama...

 

RITINHA (SE EXALTA)

Vocês querem sexo? Tonho, você sabe muito bem da minha situação! Domênico, eu to muito chateada.

 

DOMÊNICO

Tá bem! Vou me sentar aqui na mesa. Sente-se por favor (Ritinha senta) E me conte: o que, cargas d´água, te aflige?

 

RITINHA

Eu to grávida, meu Dom! Nós vamos ter um bebê!

 

RITINHA SORRI, TONHO A ABRAÇA. DOMÊNICO SE LEVANTA E ABRAÇA A MOÇA. OS TRÊS SE ABRAÇAM.

 

DOMÊNICO

Fico muito feliz por vocês dois! Um filho de vocês dois. Uma família.

 

O SORRISO NO ROSTO DE RITINHA SOME. TONHO TAMBÉM MUDA O SEMBLANTE.

 

DOMÊNICO

O que houve? Por que estão com essas caras?

 

RITINHA

Eu, eu não sei de quem é o filho. A criança pode ser do Tonho, como pode ser teu também!

 

TONHO

É um filho nosso, meu Dom. É uma cria de nós três!

 

DOMÊNICO

Não. Esse filho é de vocês. Eu não tenho família e nem vou ter. Eu amo vocês, amo muito. Mas o casamento é de vocês.

 

RITINHA

Eu pensei que nós fossemos a sua família. Essa criança pode ser o elo entre nós três! Vai ser lindo!

 

DOMÊNICO

Não! Vocês não entenderam: eu não quero filhos! O filho é de vocês!

 

TONHO E RITINHA FICAM CABISBAIXO. DOMÊNICO PERCEBE A SITUAÇÃO.

 

DOMÊNICO

Eu acho melhor ir embora...

 

RITINHA

Não! Por favor, fica?

 

RITINHA VAI ATÉ DOMÊNICO E O BEIJA. ELA CHAMA TONHO E OS TRÊS COMEÇAM A SE ACARICIAR. NESSE MOMENTO A CAM FOCA NO ROSTO DE RITINHA. AO MESMO TEMPO QUE SE DERRETE PELAS CARÍCIAS DOS DOIS, A SENSAÇÃO QUE PASSA É DE, TAMBÉM, DECEPÇÃO.

CORTA PARA

 

CENA 5 / RIQUEZA / EXT. DIA E NOITE


MÚSICA ON: PROCISSÃO – GILBERTO GIL


VEMOS A NOITE PASSAR E O DIA CHEGAR. STOCK SHOTS DA LOCALIDADE SE MOVIMENTANDO. PESSOAS ANDANDO NAS RUAS. DORIANO ABRINDO O BAR E RECEBENDO FIGUEIRA E ALMEIDA. MAIS UM DIA QUE SE VAI E A NOITE CHEGA. DOMÊNICO DEIXA A CASA DOS MILAGRES E SE ENCONTRA COM TONHO E RITINHA. NA IGREJA, EMERENCIANO REZA A MISSA COM DORINHA E MARINALVA E OUTROS MORADORES.

CORTA PARA

 

CENA 6 / CASA DE DANIEL E ALICE – BANHEIRO / INT. DIA


ALICE CHEGA CORRENDO NO BANHEIRO. ABRE A TAMPA DA PRIVADA E VOMITA. DANIEL CHEGA PARA AJUDAR A ESPOSA.


LETREIRO INDICA: TEMPOS DEPOIS.


MUSIC OFF.

CORTA PARA

 

CENA 7 / POSTO DE SAÚDE – SALA DE ATENDIMENTO / INT. DIA


DANIEL ESTÁ COM A ESPOSA NO POSTO. INOCÊNCIA TAMBÉM ESTÁ COM ELES.

 

DANIEL (SEGURANDO O EXAME)

Tudo indica que sim, mas esse exame vai dar a certeza.

 

ALICE

E o que você está esperando pra abrir?

 

DANIEL

Eu to nervoso!

 

INOCÊNCIA (PEGANDO O RESULTADO DA MÃO DO MÉDICO)

Deixa comigo, então! Vocês dois que se segurem.

 

INOCÊNCIA ABRE O EXAME. DÁ UMA LIDA. SORRI E BALANÇA A CABEÇA EM SINAL DE POSITIVO.

 

DANIEL

Sério?

 

ALICE

É claro que é sério, meu amor!

 

DANIEL (PEGANDO O EXAME DAS MÃOS DA SECRETÁRIA. LÊ)

É isso mesmo! Nós estamos grávidos, meu amor!

 

DANIEL ABRAÇA A ESPOSA. ALICE RETRIBUI. ELES SE BEIJAM. EM SEGUIDA INOCÊNCIA OS CUMPRIMENTA.

 

ALICE

Um bebê, meu amor! O nosso filho! Nosso!

 

OS DOIS SE BEIJAM MAIS UMA VEZ.

CORTA PARA

 

CENA 8 / IGREJA / INT. DIA


MARINALVA E DORINHA ESTÃO REZANDO NA IGREJA. ELAS ENCERRAM AS ORAÇÕES E SE LEVANTAM.

 

MARINALVA

Vamos até o padre.

 

DORINHA

Eu já me vou, Marinalva...

 

MARINALVA

O que aconteceu com você, hein?

 

DORINHA

Nada! Por que?

 

MARINALVA

Você está estranha, e não é de hoje. Anda mais quieta do que o normal. O que aconteceu?

 

DORINHA

Nada! Eu devo está um pouco lesada por conta do calor...

 

MARINALVA

Lesada você já é! Vamos logo falar com o padre.

 

MARINALVA E DORINHA VÃO SEGUINDO PELA IGREJA. QUANDO RAIMUNDA PASSA POR ELAS.

MÚSICA ON: BORANDA – GAL COSTA

 

MARINALVA

Se não é a serva do Diabo! E na casa do senhor?

 

RAIMUNDA PARA. SE VIRA PARA AS DUAS MULHERES E SORRI. MARINALVA SE APROXIMA.

 

MARINALVA

Você veio buscar ajuda? Acho que você tá muito velha pra se redimir.

 

RAIMUNDA

Me redimir do que?

 

MARINALVA

De estar do lado do capeta!

 

RAIMUNDA DÁ UM TAPA NO ROSTO DE MARINALVA QUE SE APOIA EM DORINHA.

 

MARINALVA

Essa mulher me agrediu!

 

RAIMUNDA

E se vocês duas não saírem daqui agora, eu volto a bater!

 

MARINALVA

Mas...

 

RAIMUNDA

Saiam daqui!

 

DORINHA PUXA MARINALVA PELO BRAÇO, SAINDO DA IGREJA.

 

DORINHA

Vamos embora, Marinalva. Eu não quero levar tapa na cara, não.

CORTA PARA

 

CENA 9 / IGREJA – CONFESSIONÁRIO / INT. DIA

RAIMUNDA ENTRA NA CABINE DE CONFISSÃO. EMERENCIANO ABRE A PORTINHOLA.

 

EMERENCIANO

Acho que você tem que rezar pelo resto da sua vida e ainda não vai conseguir redimir de seus pecados.

 

RAIMUNDA

Eu sou filha de Deus. Deixe seus achismos de lado, comigo.

 

EMERENCIANO

O que você quer?

 

RAIMUNDA

Eu acho que pequei, padre. Preciso me confessar.

 

EMERENCIANO (SEGURANDO UMA GARGALHADA)

Então fale minha filha. Duvido muito que vou me horrorizar com qualquer coisa que você diga...

 

RAIMUNDA

Há tempos atrás, quando eu era mais jovem, eu trabalhei numa fazenda. Eu era bonita, sabe? Chamava atenção. Eu trabalhava cuidando da casa, da cozinha, sabe? E nessa eu acabei encantando o dono da casa. Ele tinha uma mulher, claro. Ela tava grávida. Enquanto a esposa vivia os desejos da gravidez, dos quais eu realizei muitos na cozinha, o marido dela não se importava em passar a mão em mim quando podia. De início, eu fiquei preocupada, mas depois que me apaixonei por aquele homem, principalmente quando ele me beijou. Eu me entreguei a ele, várias vezes...

 

EMERENCIANO

O que você quer, ou melhor, do que você está falando?

 

RAIMUNDA

Da última vez que lhe encontrei você acertou: eu dormia sim com o patrão. Eu cuidava dele. Eu amava aquele homem. Mas você não sabe da outra parte da história.

 

EMERENCIANO

Você é adultera...

 

RAIMUNDA (INTERROMPE EMERENCIANO)

Eu engravidei!

 

EMERENCIANO EMUDESSE. RAIMUNDA PARECE TENTAR VER A EXPRESSÃO NO ROSTO DO PADRE.

 

RAIMUNDA

Eu engravidei e, quando a barriga começou a aparecer demais, eu tive que me afastar do serviço. A esposa do patrão tinha muitas teorias na cabeça dela. Muita gente veio me dizer que essa mulher queria acabar com o meu filho. Que iria buscá-lo aonde fosse pra matar ele. Sabe o que eu fiz? Eu dei à luz, fiquei mais cinco, seis meses com meu bebê e o deixei aos cuidados de uma prima. Meu medo era a esposa do patrão tentar algo contra o meu filho. Mas daí, pra não dar bandeira, e também para ver o patrão, por quem eu me apaixonei, eu voltei pra fazenda. Disse que a criança não tinha vingado. O bebê deles, claro, já tinha nascido. Era uma criança linda. Enquanto eu via esse menino crescer, de mês em mês eu ia procurar ver meu filho. Até que um dia a minha prima morreu. Eu não tinha onde deixar meu filho e o levei comigo. Lá na fazenda eu disse que a criança era meu afilhado, na realidade, até meu filho acreditava nisso. Sabe por que ele acreditava nisso? Porque eu tinha medo da esposa do patrão descobrir que o meu filho, na realidade, era também filho no marido dela.

 

EMERENCIANO SAÍ DO CONFESSIONÁRIO, VAI ATÉ RAIMUNDA E A TIRA DO LOCAL. A SEGURA PELOS BRAÇOS, A SACUDINDO.

 

EMERENCIANO

Que mentira é essa? Que história é essa que você ta falando?

 

RAIMUNDA

Domênico é meu filho! Eu tive um caso com teu pai e engravidei! O teu pai é pai também do homem que você diz que é um pecador. O homem que você tenta esconder que deseja, que quer ele, que quer experimentar da carne dele... Esse homem é teu irmão! Domênico é teu irmão!




autor
VITOR ZUCOLOTTI

elenco
DOMÊNICO (LÁZARO RAMOS)
RAIMUNDA (ZEZÉ MOTTA)
TONHO (TOMÁS AQUINO)
MARINALVA (CLAUDIA MISSURA)
DORINHA (BÁRBARA REIS)
PADRE EMERENCIANO (JOÃO MIGUEL)
DANIEL (EMILIANO D´AVILLA)
ALICE (ALICE BORGES)
INOCÊNCIA (LUCY RAMOS)
RITINHA (JENNIFGER NASCIMENTO)
FIGUEIRA (EDUARDO GALVÃO) 


trilha sonora
SINAL FECHADO – CHICO BUARQUE
PROCISSÃO – GILBERTO GIL
BORANDA – GAL COSTA


produção
BRUNO OLSEN
CRISTINA RAVELA


 

Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO




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