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Flor-de-Cera: Capítulo 26

Novela de Carlos Mota
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CENAS DO CAPÍTULO ANTERIOR:

– Por que ele não respondeu? Isso quer dizer que ela ainda esteja viva, só pode ser! – intriga-se Pietro, desnorteado, tentando ligar os fatos. – Ela deve estar viva! Isso! Ela está viva! Claro! Mas onde?

Sem rumo, caminha para o elevador, que se abre, trazendo Tanaka e George.

– O que está fazendo aqui, rapaz? Quem lhe autorizou a subir? – pergunta o vereador, visivelmente alterado.

– Xi! Esse sujeitinho de novo? Ninguém merece! Aff! – resmunga o prefeito. – Acho melhor reclamar com os mantenedores, o lugar anda muito mal frequentado.

Com os lábios trêmulos, o noticiarista não encontra palavras para se justificar.




FLOR-DE-CERA - CAPÍTULO 26



 

Doutor Paineiras Ken vistoria os reparos realizados pela Secretaria de Estado da Segurança Pública na delegacia de Vila dos Princípios. Todos os vidros, estilhaçados após o embate entre os manifestantes pró-vereador George Dumont e a polícia do município foram repostos, as grades das celas reforçadas, o gabinete do delegado reformado e pintado com cores neutras. Até a mesa foi trocada, assim como o computador e a impressora. Na verdade, aquilo não era um simples verniz para enganar a população, mas uma gigantesca reforma, o que em tese, impressionava pela rapidez. Há quem dissesse que o superfaturamento estaria por todos os cantos; se o Tribunal de Contas do Estado resolvesse puxar o fio do novelo, muitos poderiam parar atrás das grades! Será? E desde quando corrupção dá cadeia nas terras de Cabral? No mínimo alguns dias, para que a farsa seja encenada e a plebe mantida no cabresto.

O delegado estava eufórico, parecia criança em dia de aniversário, pronto para abrir os presentes e estrear os brinquedos.

– Isso está muito bom, Tadeu! – diz ao mestre de obras. – Muito bom! E meu gabinete então? É a sala que pedi a Deus, aliás, que eu sempre mereci, porque vou lhe dizer uma coisa, a que eu tinha antes do tumulto era de dar nojo. Aff! Para alguma coisa serviu aquele motoristazinho, o tal de Joaquim... – um sorriso malicioso contrasta com os olhares de encanto.

– E o motorista, doutor, que fim deu? – pergunta.

O celular do oficial interrompe a conversa.

– Quero minha grana já, doutor! – cobra Zelão o delegado. – Não brinque com minha paciência, ela tem limite e o senhor bem sabe o que acontece quando perco a cabeça.

– Um minuto... um minuto! Deixe-me atender o celular, Tadeu! É coisa braba, quer dizer, é o Secretário da Segurança... Sabe como é, não sabe? Gente importante como eu não tem paz nem para admirar uma obra de arte como a sua.

– Secretário da Segurança? Eita, bem dizem, este delegado é mesmo forte com o povo da política – confidencia-se o pedreiro. 

– Pois está me ameaçando, seu infeliz? – sussurra o delegado, afastando-se. – Como quer receber algo se o serviço não foi realizado como deveria? Incompetente! Era só despachar aquele motoristazinho para os quintos dos infernos, mas nem isso conseguiu fazer. Tive de limpar toda a sujeira que ficou. E agora tem a cara de pau de vir me ameaçar? Pois eu deveria é lhe dar um tiro na testa, sua besta!

– Cuidado, delegado! Quem mata um é capaz de matar outros tantos sem qualquer remorso. Olha que faço engolir cada uma dessas palavras a pé de cabra.

– Pois venha, se for homem! Calhorda. VEEENHA!!! – a saliva se acumula nos cantos da boca.

Zelão debocha.

– Tá achando graça de tudo isso, tá?

– Meia-noite, doutor! Se a grana não estiver em minhas mãos até meia-noite, o senhor acordará com formigas na boca, a sete palmos abaixo da terra. MEIA-NOITE! Nem um minuto a mais!

– Eu não vou lhe dar um centavo, nosso acordo não saiu do papel – resiste o delegado.

– MEIA-NOITE! – repete, com a voz transitando entre o sarcasmo e a ira. – MEIA-NOITE!

Desliga a ligação.

– Caramba! E agora, o que vou fazer? Onde vou arranjar esse dinheiro? Esse Zelão é louco e do jeito que está, é mesmo capaz de dar cabo de minha vida. Hum! É duro dever para pobre! Que gente! E tudo por culpa daquele prefeito beberrão. Mas isso não vai ficar assim, ah, não vai não, principalmente agora que eu sei que a tal esposa do vereador George não é uma Dumont. Vou acabar com toda aquela gentalha, uma a uma, e ainda vou sair por cima da carne seca, levando uns trocos. Ah se vou! – diz, esmurrando a palma da mão esquerda.

– Responda-me: quem o autorizou a subir? – inquire George, ao espantado jornalista Pietro Ferrara, no hospital.

– Não sabia que o senhor havia comprado o hospital. Que eu saiba, aqui é uma instituição de saúde aberta à população.

– À população? – debocha o prefeito. – Desde quando pobre tem dinheiro para bancar estadia em hospital de luxo? Veja, veja, isso aqui está mais com cara de SPA que de hospital. Quer enganar a quem, seu... seu...? Ô bicho atrevido! 

– Respeite-me, prefeito! Não sou de sua laia, portanto, guarde esse tratamento para seus comparsas.

– Mas eu vou quebrar a cara desse sujeitinho... Me segure, George, tô fervendo de ódio. Ai, Jesus! Preciso de um gole – vem-lhe à lembrança que a garrafa está vazia, o que o desespera. – Meu saquê! Meu saquê acabou... É o início da terceira guerra mundial! Socorro!

– Deixe de fricotes, Tanaka! – repreende o vereador, que dá um passo em direção a Pietro, após analisá-lo com veemência. – O que está fazendo aqui?

– Nada... – desconversa. – Apenas uma reportagem sobre as novas acomodações do hospital, cujos serviços de hotelaria oferecidos, podem comparar-se ao dos grandes da capital, como o Albert Einstein e o Fleury.

– O senhor é muito esperto, pelo menos se acha. Por acaso tem noção de com quem está mexendo?

– Com o nobre e honrado vereador George Dumont, homem que preza pelo povo, que ama estender a mão aos mais humildes e que, após muita insistência junto ao Governador, conseguiu um novo Posto de Saúde à cidade ou...não seria isso?

A vontade do edil era a dar uma sova no rapaz, mas desiste da pretensão, pois o jovem editor é muito bom com as palavras, de um sarcasmo penetrante, que invade a razão e a paralisa como o veneno de cobra.

– Você não vai ver logo aquela pest... digo, sua esposa? – indaga Tanaka, com um pouco de dor de cabeça.

– Sua esposa? AQUI??? – Pietro faz-se de surpreso. – Não sabia!

– Não mesmo? – dá outro passo em sua direção. – Que jornalista você que não tem acesso às informações mais elementares de nossa sociedade? – seus olhos crescem à medida que os dele se acanham. – Fale, o que faz aqui?

– Eu?!! Eu vim...

George, não mais se aguentando, o agarra pela gola da camisa exige:

– Responda-me, “vermezinho de redação”, com quem pensa estar lidando? Com um desses otários acostumados com lábia farta de adjetivos? Saiba cretino, na “escola da vida” em que você estuda, sou professor há anos.

– Doutor, solte-me, está me machucando – pede Pietro, imprensado agora contra a parede.

– O que faz aqui? – FAAALE!!!!

– Esse é dos meus – comemora Tanaka, espalmando as costas do esposo de Catharine. – Acabe com esse sujeitinho, não tenha dó, meta-lhe um soco bem dado nas fuças.

– FAAAALE!!!

O noticiarista resiste em silêncio.

– Ele veio buscar este documento, vereador! – acode Stela, a residente da equipe do doutor Rubens Arraia, com o obituário de Joaquim em mãos, ao perceber que daquele desaguisado explodiria uma bomba capaz de aniquilar a um dos combatentes. – Algum problema nisso? – vira-se para Pietro e diz: – Já não disse para me esperar na recepção? São regras da casa, querido! Poxa! Posso até ser demitida se o pegarem aqui.

– Querido? – estranha o prefeito, pressionando a cabeça para ver se a dor passava. – Não venha me dizer que esse safado é seu...

– ... Isso mesmo! – interrompe-o com firmeza. – Somos noivos, como adivinhou, prefeito?

– Sem alianças? – dispara George, correndo os olhos pelas mãos de ambos.

– Nossa! Estou surpresa! Alianças? Que coisa mais antiquada, vereador! Em que século vivem? – devolve o disparo recebido à dupla.

– Ninguém mais precisa estampar uma argola de ouro no dedo para demonstrar um compromisso, como faziam nossos avôs, não é mesmo?

Ressabiado, George solta o rapaz e coça o cavanhaque enquanto analisa com cautela cada palavra pronunciada pela jovem; já Pietro, apesar da farsa arquitetada pela garota, tenta manter o nervosismo sobre controle, o que parece não ser completamente possível.

– Certamente, querida! – joga o braço sobre ombro dela. – Tudo esclarecido, podemos partir, senhores?

– Vo-vo-cê é mesmo noiva desse... desse baitola? – desacredita Tanaka. – Ele tem um jeitinho esquisito, todo “ui-ui”... Já percebeu como ele anda? Parece um daqueles bambis da Parada Gay da Capital.

– Homofobia é crime, prefeito – adverte o noticiarista.

– Homofóbico... EU? Imagine! A maioria dos meus primos é fruti... quer dizer, de bem com a vida, ops, da galera... quer dizer... bem... você entendeu!

– Então cuidado com as aparências, prefeito! Nem tudo que aparenta ser, é! Isso também se aplica ao senhor...

– O que quer dizer com isso sua... sua...

– Pode me chamar de Stela, ou se preferir , também poderá me chamar de mulher íntegra, honesta, incapaz de afanar os cofres públicos em benefício próprio.

– Que petulância é essa? – brada. – Ai que dor de cabeça...

– Quer um analgésico? – oferece a residente, procurando-o em seus bolsos.

– Prefiro um saq... ops, um comprimido basta. Melhor, agora não, comprimido faz mal para a saúde e eu sou um homem que só faz uso de produtos naturais.

– De preferência, fermentados! – Pietro não se contém e cai na risada.

– Por que está rindo, seu filhote de cruz-credo, eguinha pocotó de quinta categoria?

– Desculpe! Não tenho aqui! Me enganei – diz Stela. – Agora vamos, preciso lhe entregar o documento.

– Estou ansioso para entregá-lo – o jornalista comete uma gafe, já dentro do elevador, com as portas cerrando.

– Que mulherzinha infeliz! Deve ser mesmo noiva daquele... Hum! Viu como me tratou? Sua educação é tão rasteira como a dele. Ah, se eu pudesse, sacaria de uma arma e os mandaria visitar o diabo com passagem só de ida.

– Eles estão mentindo – sentencia George, sisudo.

– E como sabe disso?

– Ela não disse que ele havia estado aqui para buscar um documento? Pois então, a última frase dele, com as portas do elevador fechando, contraria tal afirmação.

– É verdade, agora me lembro! Hum! Preciso dar uns goles, a falta do saquê já está me corroendo a razão. – Ave! Que goela seca, seca! – pensa. – Vou dar cabo desse verme e será agora...

– Você não fará nada por enquanto, apenas observe-o de perto! Esse sujeito, como você mesmo diz, está nos armando alguma. Agora venha, vamos dar uma olhada em Catharine, estou louco para saber como ela está.

– Oh, George, é impressão minha ou você está comovi...

– ...Estou apenas fazendo meu papel de esposo sofrido!

O celular de Tanaka toca.

– Fale, Adelaide! O que você quer, minha filha?

Depois de tomar conhecimento do assunto, solta um berro.

– O quê? O delegadozinho está sentado em minha cadeira, logo naquela que ganhei de uns compadres da Yakuza¹? Mande ele picar a mula de lá já!

– Eu já tentei, prefeito, mas ele disse que só sairá de sua sala quando o senhor chegar – diz a secretária, aflita.

– O que está acontecendo? – pergunta George, diante do pânico do amigo.

A tensão é tamanha que o prefeito o ignora.

– Que desaforado! Mande os seguranças jogá-lo à sarjeta! É cada uma! Quem ele pensa que é?

– Eles até tentaram, mas o delegado com nome de planta disse que lhes daria voz de prisão. A coisa está pegando fogo aqui, doutor!

– Que petulância! Tô indo para aí... Prepare umas duas ou três caixas de saquê, vou precisar, porque o pau vai comer! Ah, isso vai, ou não me chamo TANAKA SANTUKU!

– Que barulho é esse? – Rubens abre a porta do C.T.I. e dá de encontro com os dois protagonistas da politicalha local.

– Quem é você e por que fez aquilo por mim? – questiona o jornalista à residente, ainda no elevador.

– Digamos que eu seja seu anjo da guarda. Acredita em anjos da guarda?

Pietro emite um sorriso quase imperceptível.

– Pois eles existem!

– Digamos então que eles existam, no meu caso, qual a intenção deles me ajudarem?

– Anjos da guarda não têm respostas, apenas cumprem ordens superiores.

– Que loucura! – passa as mãos pelos fartos fios de cabelo. – Isso algum tipo de brincadeira? Eu estou meio que...

– Perdido?

– Sim!

– Percebemos!

– Como assim? Estou começando a ficar com medo.

– Venha comigo e entenderá tudo. A porta do elevador se abre.

– Que andar é esse?

– Acalme-se! Logo saberá... Venha! Temos pouco tempo! Logo o vereador e seu cão de guarda chegarão.

O salto do sapato da mulher ecoa pelo extenso e silencioso corredor.

– Que lugar é esse?

A ansiedade de Pietro o impede de ler uma pequena plaqueta, logo na entrada da ala, com os dizeres “Oncologia”.

– O lugar em que apenas os “afortunados” têm acesso; uma C.T.I. exclusiva àqueles que sofrem de um mal por vezes maior do que o que atingem os pacientes da ala em que você estava.

Param diante do quarto 1109.

– Aqui estamos. Agora entenderá o porquê de tê-lo ajudado.

A porta se abre. Catharine sobrevive com o auxílio de um respirador. Gotículas de sangue são visíveis nos trajes que veste e espantam pela coloração viva. Por um instante, é como se estivesse morta em um corpo vivo. Perplexo, o jornalista cai em uma espécie de letargia; quer uma explicação, pelo menos racional, para tudo que tem lhe acontecido nas últimas horas.

– Sua sorte foi que o vereador e o prefeito erraram o andar. Se eles tivessem vindo para cá, certamente esse momento dificilmente aconteceria.

– Moça – diz, restabelecendo-se, sou grato por tudo que fez por mim, mas até agora não entendo nada do que diz, é como se a cada palavra que proferisse, um novo enigma se lançasse ao vento. Seja objetiva, o que tudo isso significa?

– Dona Catharine Dumont está com os dias contados, sofre de uma grave enfermidade! Percebeu onde estamos? Ouviu algum gemido, qualquer barulhinho que fosse? Veja! – dá-lhe uma prancheta. – Agora entendeu?

– C.T.I. ONCOLÓGICA? – aterroriza-se. – Então...

– Não bastasse a doença letal que carrega, ela ainda sofre agressões de todos os tipos, se não como explicar essas marcas?

Mostra-lhe o colo de Catharine.

– Meu Deus! Será possível? – os olhos de Pietro parecem querer saltar à face. – Isso é obra daquele...daquele vereador?

– E de quem mais seria? Sei que é jornalista, já fui sua entrevistada na inauguração dessa ala, há alguns anos. Certamente não se lembra! Mas eu me lembrei assim que o vi. Conheço seu caráter, seu profissionalismo, sua coragem, por isso, delate à comunidade principiense o que sofre essa mulher e o tipo de homem que ela abriga debaixo de seu teto – a indignação de Stela é voraz.

– Como quer que eu faça isso? Sou apenas um simples jornalista. Sim, honesto, mas apenas um simples jornalista.

– Você precisa nos ajudar...

– “Nos ajudar”? A quem se refere? Há outra pessoa por trás de você, não há? Não é possível nutrir tanto apreço por essa mulher sem que ao menos tenha lhe conhecido de alguma forma.

Stela perde a cor.

– Quem está com você? Por favor, me fale!

O interrogatório de Pietro é interrompido por um gemido de Catharine.

– O homem que a espanca é o mesmo que ocupa uma cadeira legislativa e se apregoa o defensor dos fracos e oprimidos. Blasfêmia! Ele não pode se eleger prefeito, imagine se o for? Como vereador, muitas dores ignorou. Como prefeito, fartar-se-á apenas das benesses emanadas dos cofres públicos, relegando os mais humildes ao esquecimento e à dor eterna, onde jaz sua filha e em breve sua esposa – desabafa a residente.

– Moça... moça... – ele tenta contê-la, mas é em vão.

– Catharine sofreu diante de Alana, a filha, também nesse corredor, há algum tempo. Enquanto o esposo buscava apoio político, ela chorava diante do corpo frágil da filha, sob olhares de todos, pedindo a Deus que salvasse sua menina. E quando Alana parecia perder o vigor, eis que ela surgia, com uma força deveras maior, que a elevava à condição de uma semideusa, como se isso fosse possível. Era comovente! Não havia quem não se penalizasse! Aliás, havia! O vereador não sentia nada ao visitar a filha, era como se ela nada fosse dele... Imagine o ser mais frio que já tenha entrevistado e multiplique-o por milhões de vezes, este era George Dumont – a ira de Stela é descomunal. – Assistíamos indignados aquilo...

– Moça... moça... – pega-a pelos braços – pare! PARE! Aonde quer chegar com tudo isso?

– À JUSTIÇA! – responde doutor Rubens, ao abrir a porta, para a surpresa de Pietro.

Encerra com a música: (Nocturne - Chopin)

__________________

1. Yakuza é uma famosa e tradicional máfia japonesa, conhecida internacionalmente por seus crimes violentos e por seu rigoroso código de postura e honra.



autor
Carlos Mota

A novela "Flor-de-Cera" é remake de "Venusa Dumont - da memória à ressurreição" de Carlos Mota
 
elenco
Grazi Massafera como Catharine Dumont
Thiago Lacerda como George Dumont
Ricardo Pereira como Joaquim
Elisa Lucinda como Ernestina
Carlos Takeshi como Tanaka Santuku
Miwa Yanagizawa como Houba Santuku
Jesus Luz como Pietro Ferrara
Lucinha Lins como Franceline Legrand Dumont
Lima Duarte como Dilermando Dumont
Herson Capri como Doutor Rubens Arraia
Tonico Pereira como Moacir
Werner Schünemann como Paineiras Ken
Rosi Campos como Adelaide
Humberto Martins como Alberto Médici
Cauã Reymond como Ricardo
César Troncoso como Zé dos Cobres
Ilva Niño como Josefa
Selton Mello como Zelão
Matheus Nachtergaele como Meia-noite
Caio Blat como Delegado de Vila Bonita
Caio Castro como Leandro
Alexandre Borges como Doutor Jaime
Caroline Dallarosa como Carmem
Fernanda Nobre como Stela

participação especial
Stênio Garcia como Doutor Lúcio
Drica Moraes como Desirê
Marco Nanini como Chico Santinho

atores convidados
Ary Fontoura como Doutor Tobias
Alexandre Nero como Júlio Avanzo
Elizangêla como Maria

a criança
Valentina Silva como Alana

trilha sonora
Lágrimas da Mãe do Mundo - Sagrado Coração da Terra (abertura)
Nocturne - Chopin


desenhos
Andrea Mota

produção
Bruno Olsen
Cristina Ravela

Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO



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