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Flor-de-Cera: Capítulo 19

Novela de Carlos Mota
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CENAS DO CAPÍTULO ANTERIOR:


A porta da mansão se abre. Ernestina entra. Desolada, carrega sobre os ombros todos os pecados do mundo. Os olhos da cor do sangue confirmam, ela havia chorado o caminho todo. A caixa de pandora, aberta como está, destruirá toda a família Dumont. Mas fazer o quê?
Era o desejo de dona Franceline, a quem jurou fidelidade. Aliás, que mistérios ela guarda? Não sabe, mas imagina! E pela reação de Rubens ao ler as primeiras linhas da amante, coisas boas não eram mesmo!
Outro prato despenca da cristaleira, para o espanto da criada, que grita:
– AVE! MAIS UM? SANTO DEUS, SÓ PODE SER NOTÍC...
O telefone toca antes dela concluir o pensamento.
– Quem é? – geme de medo. – O QUE ESTÁ ME DIZENDO? QUANDO FOI ISSO? MEU DEUS, COITADO DO JOAQUIM!
– O que aconteceu com o Joaquim? – indaga Catharine, achegando-se, ao ouvir parte da conversa.
– UMA COISA HORRÍVEL, SENHORA... – não há forças para exprimir a dor que lhe devora a alma.



FLOR-DE-CERA - CAPÍTULO 19


O sol, um imenso disco amarelo-limão, procura espaço entre as nuvens cor-de-rosa, para beijar, com seus raios, a terra encharcada de Vila dos Princípios. O seu contraste de cores atrai a atenção dos moradores, causando emoção nos mais humildes e profunda admiração, se não inspiração, nos mais abastados. Há quem se arrisque a dizer que todo aquele colorido, mesclado e disposto em filetes no céu verde-amarelo, lembrava “O Semeador”, a tela do genial Vincent van Gogh¹.
Pelas frestas da janela, dois idosos, ainda de pijamas, apreciam com desvelo os montes virgens e repletos do mais profundo verdor, que circundam a cidade. O dia está nascendo, traz vida aos desesperançados, amor aos desgraçados, luz aos condenados.
Da sacada da prefeitura, Adelaide assiste àquela beleza com demasiada alegria. Há quase uma semana o sol não lhes dava o ar de sua graça; nada mais justo do que recebê-lo como se recebe um ente querido.
– O que faz em minha sala? – pergunta o prefeito, ao abrir a porta do gabinete.
– Oh, prefeito, estava apenas admirando o dia. Viu como está lindo?
– E desde quando a senhora é paga para “admirar o dia”? Faça-me o favor, dona Adelaide, pique a mula daqui – está de mau humor.
– Espere, cadê o meu saquê? Tô com a goela seca, seca.
– Vai beber a essa hora? – espanta-se.
– Era só o que me faltava, uma empregadazinha me controlar. Hum! Ainda mando a senhora embora, nem que seja o último ato administrativo de meu mandato!
– Prefeito, não quis ofendê-lo! Apenas...
– Pare de rodeios, estou com a goela seca, seca! Até parece que estou num deserto.
– Não prefere um café, um chá, talvez um cappuccino? Preocupo-me com sua saúde, porque quem bebe aos goles como o senhor, tem grandes possibilidades de contrair uma cirrose.
– E desde quando a senhora é formada em medicina? Vá logo fazer o que lhe mandei! Cirrose... Cirrose tem é sua mãe, sua intrometida! Dê-me logo o saquê! Vá! Isso é uma ordem – senta-se à cadeira giratória e dá três tapinhas na mesa. – Vá! Vá!
– Senhor... – chama a assessora.
– Trouxe meu saquê? – inquire, de costas, apreciando o movimento do comércio pela janela.
– Está aqui! – entrega-lhe a bebida. – Mas não é sobre isso que quero lhe falar... Aquele homem está aí de novo!
– Que homem? – vira o copo com gosto, estalando os dedos. – Arre égua, como é bom esse trem! Pois fale, que homem é esse?
– Aquele com nome de planta.
– Planta?! Hum! Ah, deve ser o doutor Paineiras Ken. Verdade, ele tem nome de planta! – gargalha. – Deve ter sido concebido num matagal. Há muitos por essas bandas...
– Prefeito, que feio! – repreende-o, envergonhada.
– Feio é filho de rato que nasce pelado no meio do mato.
– Mas ele pode ouvir.
– E daí? Que ouça! Quem manda nessa cidade sou eu, portanto, falo o quiser; aliás, aproveitando, o que a senhora fez no cabelo?
– O senhor gostou?– anima-se. – Fiz uma escova.
– Ficou parecendo um tamanduá de bigode! – escracha. – Não tem vergonha de sair à rua com esse topete? Se eu fosse a senhora – Deus me livre guarde, dava uma boa rastelada nessa juba. De espantalho, já basta minha sogra... Ave! A bicha é feia pra burro – gargalha. – Hum! Mas deixemos de história, peça ao doutor Planta, quer dizer, Paineiras, entrar.
Após cumprimentá-lo, Tanaka encosta a porta.
– Deu certo o plano B? O motorista já bateu com as botas?
– Ainda não posso lhe confirmar, mas tudo estava bem encaminhado, aliás, precisei molhar a mão do Zelão, um antigo apadrinhado meu, para que Joaquim fosse posto na pior cela da delegacia. O problema é que o delegado de lá é um desses caxias, contenta-se com o salário do Estado e pode ter quebrado nosso esquema. De qualquer forma, receberei ainda hoje uma ligação para saber como andam as coisas.
– É bom não falhar novamente, delegado, porque minha paciência está por um fio... O senhor não está se empenhando muito como eu gostaria!
– Faço tudo o que está ao meu alcance!
– É POUCO! FAÇA O IMPOSSÍVEL, SE PRECISAR! – diz, com veemência.
– Sabe, até agora eu não entendo o que se passa... Por que querem tanto a cabeça daquele coitado? Acho que deveriam se preocupar era com o doutor Rubens, ele sim é perigoso.
– O senhor se esqueceu de quem dá as ordens aqui, doutor Plan... Paineiras? Parece o Lula, é cheio de dar palpites! E sabe onde vão parar os palpiteiros? A sete palmos abaixo da terra.
– O senhor está me ameaçando? – desafia.
– Entenda como quiser! Uma coisa eu lhe digo, se não der um jeito logo naquele sujeito, a Corregedoria da Polícia receberá aquele DVD, lembra-se? Imagine o Secretário da Segurança Pública com a mulher dele no quarto assistindo a um vídeo em que um de seus delegados do interior mantém relacionamento sexual com uma garotinha de doze anos. O escândalo varrerá o Estado, cairá na boca do Jornal Nacional e o senhor acabará também no xilindró, porque, só para lembrá-lo, pedofilia é crime, e na cadeia é sentença de MORTE... Temo só em pensar no que a bandidaiada fará com o senhor! – espezinha.
– O senhor não tem o direito de falar assim comigo, prefeito!
– Nem o senhor de sair à caça de menininhas para saciar o desejo de homem, por sinal, irracional, DELEGADO!
– Certo! – morde o lábio inferior com ódio. – Até o final da tarde lhe servirei a bandeja com a cabeça daquele criado.
Uma cantoria religiosa interrompe a conversa dos dois, atraindo-os à sacada.
– O que é isso? Nunca vi tanto pobre na vida! Ave! Dá até arrepio! – diz Tanaka.
– Prefeito, prefeito, o povo está furioso! – agita-se Adelaide, entrando no gabinete. – O senhor precisa fazer alguma coisa!
– E por que deveria? Ave! Quero que essa pobretada se exploda, como diria o deputado Justo Veríssimo² – famoso personagem de Chico Anysio –, e bem longe de mim! Só em vê-los, me dá urticária.
– Senhor – diz a assessora –, escutei na rádio agora, a mulher de um líder comunitário da periferia, grávida de seis meses, morreu soterrada no desabamento de um dos morros da região.
– E eu com isso? Se para cada pobre que morrer resolverem fazer uma passeata, tô lascado!
– Senhor – repreende-o com o olhar –, o homem perdeu a mulher, entende?
– Tá, tá, mande lá uns santinhos meus para confortá-lo.
O cortejo caminha para frente da prefeitura. Liderando-o, está Zé dos Cobres, que segura a primeira alça do caixão roxo, feito de papelão, amparado por milhares de cidadãos principienses, muitos deles desabrigados pela enchente do Rio Feio. Parte dos presentes canta hinos religiosos, enquanto os mais alvoroçados pedem justiça.
Os comerciantes baixam as portas com a aproximação da passeata, temem saques e agressões de toda natureza.
– Eles estão com os ânimos exaltados – observa a assessora. – E não é para menos, muitos perderam os únicos bens que tinham, alguns, como o tal líder, a própria família. O senhor tem que ajudá-los.
– Ajudá-los? Isso é trabalho para o delegado. Prenda todos, inclusive a defunta! Onde já se viu uma arruaça dessas e em minha cidade? NUNCA!
– Como posso detê-los? São milhares! Meus homens jamais dariam conta, aliás, esqueceu-se de que a delegacia está em reforma? Quem deve pará-los é o senhor! – revolta-se. – Para que servem os traquejos da política? Tenha certeza, são para lhe garantir a glória em momentos de turbulência como esse.
– Mas... mas é um covarde mesmo! Hum! Tudo eu! Pois me dê a garrafa de saquê!
– O senhor vai beber de novo? – surpreende-se a funcionária. – E numa hora dessas?
– Como é xucra, dona Adelaide! Vou distribui-la aos pobres! Por bebida, essa gente só falta vender os filhos – diz, retornando ao gabinete.
– Melhor, busque todas as garrafas que estão no estoque, enquanto dou uma retocada na maquiagem...
Abre a gaveta, retira uma cebola das grandes, corta-a com um canivete e a esfrega sobre os olhos.
– O que está fazendo, seu Tanaka? – espanta-se o delegado.
– Chorando... Estou abalado com toda a desgraça que se abatera sobre a bela Vila dos Princípios. Coitada da mulher do...do...como se chama o indivíduo?
– Zé, pelo que ouvi.
– Snif! Coitada da mulher do Mané...
– ...Zé... Zé dos Cobres – corrige-o, Adelaide, com seis garrafas da bebida nos braços.
– Que seja – continua. – Coitadinho do Zé... Sniff! Estou tão triste pela perda de sua mulher. Sniff! Sniff!
O delegado e a assessora surpreendem-se com a improvisação do prefeito que, a julgar por suas últimas palavras e pelo tom de voz, não havia como negar, aparentava mesmo comoção com a morte da desconhecida.
Quando o cortejo para diante da sacada, Tanaka os recebe com acenos, dizendo:
– POVO DE VILA DOS PRINCÍPIOS, SOFRO COM VOCÊS A MORTE DA ESPOSA DO SENHOR MANÉ, DIGO, ZÉ... ZÉ DAS CABRAS, COBRES – corrige-se, graças a Adelaide.
– É REALMENTE UMA TRAGÉDIA PARA NOSSA CIDADE. SNIFF! MAS O QUE SE PODE FAZER? CONTRA A VONTADE DE DEUS NINGUÉM PODE!
– Toda essa desgraça é culpa do senhor. Prometeu-nos, durante a campanha eleitoral, reforçar as encostas dos morros, mas a promessa não saiu do papel, como tantas outras. Agora estou sem casa, sem mulher, sem meu filho... Perdi tudo! – desabafa, aos berros, o pobre Zé.
– Principiense, eu tentei, tentei de tudo para que o Governador liberasse o dinheiro para aquela obra, mas não foi possível, a crise mundial impediu qualquer investimento do Estado. Sniff! Estou tão triste quanto você! Sniff!
– Não queremos sua pena, apenas que cumpra o que prometeu. Veja, mais da metade desse povo está sem casa e o que fará para amenizar a dor deles? Também colocará a culpa na tal crise?
– Que dor estou sentindo com tudo isso... – vira-se para Adelaide – ... De onde surgiu esse cabra? O vocabulário dele não é de gente chula!
– É um líder comunitário – cochicha a funcionária, dono de um ferro velho, daí o apelido de Zé dos Cobres!
– Pois seu Zé dos Cobres – mira o popular, eu PROMETO, todos terão novas casas em breve, muito breve, nem que eu tenha de falar pessoalmente com o Presidente da República.
O povo aplaude, iludido por outra mentira.
– Se há algo de que mais amo nessa vida, são VOCÊS, caros principienses. E para provar que o meu amor é sincero, descerei para dar um abraço de solidariedade em cada um... – retira-se da sacada. – Venham, venham, tragam as garrafas... – pede ao delegado e à assessora.
– Esse sujeitinho verá com quantos cobres se faz a política. Enxerido! Desce as escadarias e ao encontrar os primeiros moradores, faz questão de abraçá-los e de lhes servir uma dose de saquê.
– Tome uma aí, meu filho! É de graça! Vai ajudar a abrir o apetite... ops, quer dizer, suportar a dor.
– Olhem, o prefeito está chorando! Comoveu-se com nossa tragédia! – grita uma mulher em meio à multidão.
– É o pai dos POBRES! – diz um ancião, comparando-o a Getúlio Vargas.
– Principienses – sobe em um caixote improvisado –, para mostrar que não sou só mais um prefeito que passou por essa cidade...
– PARE COM ISSO! – exige Zé, transtornado com toda aquela encenação. – O SENHOR OS ESTÁ ENGANANDO COMO DAS OUTRAS VEZES. COMO PODE? ISSO CHEIRA A MAU CARATISMO! NÃO LHE DÓI A CONSCIÊNCIA?
Tanaka arregala os olhos e tenta se defender, mas o líder da plebe o interrompe com vigor.
– E AS ENCHENTES QUE TAMBÉM PROMETEU COMBATER? A MAIORIA – aponta para seus seguidores – PERDEU SUAS CASAS PORQUE O SENHOR NÃO DESASSOREOU O RIO FEIO, COMO HAVIA PROMETIDO! E AGORA, PREFEITO?
Todos se calam. O silêncio é sepulcral.
– Encontramos o homem ideal para duelar de igual com o vereador George Dumont nas eleições desse ano! – conversam duas figuras, do outro lado da rua, à porta de um botequim. – A oposição agora terá candidato à altura!
– O que está pensando em fazer? – pergunta Maria, vendo doutor Rubens a rigor, com as malas prontas em cima da cama.
– Uma viagem, Maria! – diz, sob os efeitos da ressaca.
– De repente? Mas para onde? Quantos dias passará fora?
– Ainda não sei, o que quero mesmo é deixar essa cidade, esse país; talvez eu vá para a Europa, Ásia ou quem sabe Oceania... O que não quero é ver o sol nascer novamente aqui! – diz, tentando dar o nó na gravata.
– E seus pacientes, como ficarão? O que lhes direi?
– Invente uma desculpa qualquer, não tenho cabeça para pensar nisso agora – impaciente, retira a gravata.
– Venha cá – pede a criada –, deixe-me ajeitá-lo! O senhor está muito estranho, nem se parece com aquele homem feliz de antigamente.
– Eu nunca fui feliz, Maria! – declara. – Apenas encenava! É diferente!
– Pois encenava bem! Até acreditei! – confessa. – Essa sua viagem repentina nada tem a ver com a visita de Ernestina ou tem?
O homem se afasta até a janela, de onde é possível ver a prefeitura.
– O que está havendo lá? – desconversa. – O que são aquelas pessoas? Por que estão em frente à prefeitura?
– Bem, não sei ao certo, mas parece que estão revoltadas com a morte da mulher de um líder da periferia.
– E o que a prefeitura tem a ver com isso?
– A mulher estava grávida e morreu soterrada durante o desabamento de um morro; algo que o prefeito prometeu alicerçar enquanto candidato.
– É, a mentira tem voo curto! Espero que depois dessa tragédia, Tanaka respeite o povo que o elegeu.
O celular toca. Maria o pega de cima da cama, dizendo:
– É dona Catharine Dumont! Vai atendê-la?
– Catharine? – arrepia-se. – Não, não, deixe tocar...
– Doutor, é dona Catharine Dumont, esposa do vereador... O senhor NUNCA lhe negou atendimento, o que há?
– CRISTO! SERÁ QUE UM HOMEM NÃO TEM O DIREITO DE TOMAR AS DECISÕES QUE MAIS O AGRADEM? – descontrola-se. – QUERO PODER ERRAR COMO TODO MUNDO, CANSEI DE SER CERTINHO! ENTENDA!
O telefone fixo toca em seguida. Maria o fita com curiosidade.
– E agora, o que faço, senhor? Deve ser ela.
Rubens corre as mãos pelos cabelos encharcados de suor.


Prefeito Tanaka Santuku faz novas promessas ao povo sofrido de Vila dos Princípios, para a revolta de Zé dos Cobres...

– Joaquim foi esfaqueado! – diz o delegado de Vila Bonita a Ernestina.
– Mas... mas como isso aconteceu? Por que lhe fizeram isso? Ele é um homem tão bom! – os olhos se enchem de lágrimas. – E como ele está, doutor? Morreu?
– Venha comigo, dona, vou abrir uma exceção, porque esse não o horário de visitas... Venha! Venha!
Ela é conduzida à enfermaria, no final do corredor. Sobre uma maca está o motorista, com um corte no abdômen. Levado ao hospital, o sangramento fora contido com oito pontos, mas como não havia leitos públicos disponíveis, retornou à delegacia, onde agora respira com dificuldades, enrolado num cobertor embolorado.
– O que a-acon-con-teceu com você, bom amigo? – aproxima-se, enternecida. Ao tocá-lo, percebe que a temperatura dele excede à normalidade. – Está com febre, doutor! – desespera-se. – Ele morrerá se não retornar com urgência ao hospital.
– Não há vagas para os inocentes, quanto mais para os homicidas.
– Mas...mas ele é inocente! – enraivece a criada com o comentário preconceituoso do oficial.
– Até que provem o contrário! – revida.
– Ernestina? É você mesma? Não acredito! – atrai a atenção da mulher. – Veio me tirar desse lugar? Veio? – tosse. – Por que não ouvi minha mãe? Quero sair daqui e correr para o colo dela.
– Ele está queimando em febre, o senhor tem de fazer algo, delegado?
– Já lhe disse, dona, não há vagas nos hospitais.
– Então ele deve morrer? É o que está me dizendo? Por que é acusado de um crime, não tem direito a um tratamento digno como todos os outros? Negligência também é crime!
– Olhe, dona, se me desacatar novamente, dar-lhe-ei voz de prisão! – ameaça.
– A verdade dói, delegado! Dói mais do que uma facada! E assim como todos os outros que exortam o preconceito, o senhor está enganado. Esse homem tem caráter e amigos como eu, que jamais lhe faltarão! Posso lhe assegurar, ele não morrerá aqui!
Saca-se do celular e comunica à patroa os acontecimentos.
– A senhora tem de salvá-lo! Que não venha vê-lo, mas abandoná-lo seria desumano. Por favor, por mim, por nossa história, estenda-lhe as mãos, dona Catharine!
– Ernestina, acalme-se! Estou tentando falar com o Rubens para que ele faça uma visita a Joaquim, mas não sei o que acontece, ele não atende nem o celular, nem o telefone fixo.
A criada sente o peso do remorso.
– Está aí, Ernestina? – indaga, percebendo um silêncio repentino.
– Fale!
– Sim, estou senhora!
– Verei o que posso fazer! Aguarde!
Desliga o telefone e senta-se numa cadeira.
– Eu jamais a deixarei sozinha nesse velório, dona Catharine! Sei o quanto sofre com a morte de Alana, mas seja forte, nada acontece por acaso... – relembra a mulher.
– O que será de mim, Joaquim? Estou só nesse mundo, sem amigos...
– Sem amigos não, eu estarei sempre do seu lado.
– E eu também! – diz, abandonando as lembranças. – Não vou lhe faltar num momento como esse, como também não me faltou quando mais precisei. Seria injusto de minha parte! Que se danem George e todos os outros... Uma vida depende de mim!
Grita por Moacir.
– Venha comigo! Precisamos resolver um problema.
– Dê-me aqui essa porcaria! – resmunga Rubens, bastante impaciente, vendo o celular tocar novamente.
– Não irá mesmo atender a ligação? – insiste Maria. Contrariado, responde à empregada:
– Já disse que não! Agora me ajude com as malas, o avião para São Paulo partirá dentro de alguns minutos.
– O senhor está sendo negligente! Como pode deixar à deriva uma de suas mais antigas pacientes? Decepciona-me tanto!
Os dois discutem.
– Se não quer me ajudar com a bagagem, tudo bem, mas quando eu voltar, teremos uma boa conversa – diz ele.
Abre a porta e quase grita de espanto. À sua frente está Catharine.

Encerra com a música (Dio Dei Buoni - Agnaldo Rayol).

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1. Um dos maiores mestres da história da arte de todos os tempos, o holandês Vincent Willem van Gogh estabeleceu as bases da pintura do século XX. Mais ousado do que os impressionistas, chegou a expressar seus sentimentos por meio de uma representação totalmente subjetiva da realidade. De difícil classificação, cronologicamente sua obra pode ser considerada pós-impressionista.



autor
Carlos Mota

A novela "Flor-de-Cera" é remake de "Venusa Dumont - da memória à ressurreição" de Carlos Mota
 
elenco
Grazi Massafera como Catharine Dumont
Thiago Lacerda como George Dumont
Ricardo Pereira como Joaquim
Elisa Lucinda como Ernestina
Carlos Takeshi como Tanaka Santuku
Miwa Yanagizawa como Houba Santuku
Jesus Luz como Pietro Ferrara
Lucinha Lins como Franceline Legrand Dumont
Lima Duarte como Dilermando Dumont
Herson Capri como Doutor Rubens Arraia
Tonico Pereira como Moacir
Werner Schünemann como Paineiras Ken
Rosi Campos como Adelaide
Humberto Martins como Alberto Médici
Cauã Reymond como Ricardo
César Troncoso como Zé dos Cobres
Ilva Niño como Josefa
Selton Mello como Zelão
Matheus Nachtergaele como Meia-noite
Caio Blat como Delegado de Vila Bonita
Caio Castro como Leandro
Alexandre Borges como Doutor Jaime
Caroline Dallarosa como Carmem
Fernanda Nobre como Stela

participação especial
Stênio Garcia como Doutor Lúcio
Drica Moraes como Desirê
Marco Nanini como Chico Santinho

atores convidados
Ary Fontoura como Doutor Tobias
Alexandre Nero como Júlio Avanzo
Elizangêla como Maria

a criança
Valentina Silva como Alana

trilha sonora
Lágrimas da Mãe do Mundo - Sagrado Coração da Terra (abertura)
Dio Dei Buoni - Agnaldo Rayol

desenhos
Andrea Mota

produção
Bruno Olsen
Cristina Ravela

Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO



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