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Flor-de-Cera: Capítulo 15

Novela de Carlos Mota
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CENAS DO CAPÍTULO ANTERIOR:


Manchas arroxeadas na perna da herdeira dos Dumont chamam- no a atenção, entretanto, ele não faz qualquer comentário.
– SEUS MINUTOS ESTÃO CONTADOS, MATUTO! – decreta o alucinado vereador, com uma pistola em mãos, retirada há pouco de um cofre da mansão.
Joaquim separa uma peça de roupa para vestir, e depois de arrumado, respira fundo, senta-se na cama, se despede daquela casa, dos deliciosos beijos da mulher que mais amou na vida. Ao retornar ao sertão, levará consigo aquele hálito ardente, aquela boca... Meu Deus! Os desejos permanecem vivos dentro dele!
– Pensando em minha MULHER, Matuto? Pois você conhecerá a mãe dela agora...
A arma dispara.




FLOR-DE-CERA - CAPÍTULO 15


Rubens entra no quarto de Joaquim, vê George baleado, põe as mãos na cabeça e pergunta completamente ensandecido:
– Por que fez isso, meu rapaz? Ninguém merece uma coisa dessas, nem mesmo esse canalha.
Com a arma em mãos, o chofer tenta se explicar:
– Não fui eu, doutor Rubens... Foi ele quem fez isso! Ele atirou em si mesmo!
– CO-CO-MO POSSO ACREDITAR NUMA COISA DESSAS? CRISTO! VOCÊ ERROU, CONFESSE! O PESO DA CULPA SERÁ MENOR.
– NÃO FUI EU... – insiste, com os olhos da cor do sangue.
George está caído, gemendo de dor, com o braço direito perfurado por uma bala; o sangue jorra assim como as lavas de um vulcão. Os portões da mansão se abrem, as sirenes da polícia soam em pânico, o delegado pula da viatura, sendo recepcionado pela empregada.
– O que aconteceu, dona?
– Ainda bem que chegaram... Eu não me aguentava mais de aflição.
– Foi a senhora que nos ligou? Onde está a vítima do suposto crime?
– Lá... – aponta para os fundos da propriedade. – O disparo veio do quarto do empregado. Acho que o vereador o matou... – sufoca-se com a agitação.
– Quem matou quem? A senhora se refere ao vereador George Dumont? Ele é o dono dessa propriedade, não é? E por que ele feriria um... um empregado?
– ELE TÁ FUGINDO, DOUTOR! PEGA! PEGA! – grita um policial ao avistar Joaquim correndo em direção ao muro.
O temporal passa, apenas uma garoa fina permanece sobre a cidade.
Rubens contém o sangramento com o lençol da cama do empregado e, pelo celular, solicita uma ambulância.
Joaquim é capturado, jogado ao chão como um animal e algemado a pontapés. Vendo-o pelas costas, Ernestina imagina que seja o vereador, mas ao se defrontar com o motorista, surta.
– VO...VOCÊ??? Meu Deus do Céu, por que fez isso com sua vida? – inquire, descontrolada.
– Ainda bem qui num fartei nu sirviçu hoji... magina eu perdê um fuzuê desse? – diz Moacir, empolgado.
– Não fui eu, Ernestina! – repete diversas vezes, sem dissuadi-la dos pensamentos ruins. – Não fui eu! Me ajude, por favor! Diga a eles quem eu sou...
– Ajuda ele, Ernestina! – pede o jardineiro. – Eu vô visitá ocê na cadeia, pode dexá... fique trunquilo! Será qui a cumida di lá é boa?
– CALE A BOCA, MOACIR! – enfurece-se com as palavras do empregado.
– Leve-o para a viatura! O criminoso será interrogado na delegacia – ordena o delegado.
– Doutor, a vítima está lá dentro, toda ensanguentada. E há uma testemunha, que se diz médica da família.
O delegado entra no quartinho, avista George e comenta consigo mesmo:
– Que tragédia! Logo com um homem tão bom como o vereador George Dumont? Isso deve ter sido a mando da oposição, pelo fato dele ter conseguido o posto de saúde para a cidade. Não querem vê-lo prefeito de Vila dos Princípios... Que coisa! –volta-se para o médico e pergunta:– O senhor viu tudo, não é?
Rubens o encara e não responde.
– O SENHOR VIU COMO TUDO ACONTECEU, DOUTOR...DOUTOR...?
–...Rubens Arraia! – completa. – Sim, senhor! Eu vi!
– O MOTORISTA É O AUTOR DO DISPARO?
Com o balançar positivo da cabeça, ele o sentencia à cadeia.
– Muito bem! Acompanhe-me até a delegacia, preciso lavrar o boletim de ocorrência.
– O que faremos com o chofer, doutor? – pergunta um subordinado.
– É flagrante! Artigo 121. – XADREZ NELE!
– De que se trata esse artigo, seu delegado? – investiga o doutor, penalizado com o destino de Joaquim.
– HOMICÍDIO! E DOLOSO¹! – sentencia o oficial.
A conversa é encerrada com a chegada da ambulância. Joaquim é posto à força no camburão. Chora, dizendo-se inocente, para a tristeza de Ernestina, que nada mais pode fazer, a não ser assisti-lo em prantos. Como acreditar em sua inocência se a testemunha é o doutor Rubens, um homem reconhecido pelo ilibado caráter?
– O que há aqui? – indaga a espavorida Catharine, achegando-se.
– O que faz aqui, senhora? Pelo amor de Deus, volte para seu quarto.
– Quem levou Joaquim? Não estou entendendo! Fale, Ernestina, o que houve? – exige.
– Levaram Joaquim, senhora!
– Quem?
– A POLÍCIA! – cala-se, cobrindo os olhos marejados com o avental.
– A senhora tem que ser forte, dona Catharine – consola o médico. – Seu esposo foi baleado.
George é levado para a ambulância.
– O que acon-acon-ACONTECEU?
– JOAQUIM TENTOU MATÁ-LO!
Catharine abaixa a cabeça e chora, não acreditando que aquela boa alma fora capaz de tal atrocidade. Parecia sublime; não o monstro que agora lhe desenham. Como pôde se enganar?
– Um furacão passou por aqui? – interroga o delegado ao vento, após vistoriar o hall de entrada. – O meliante é mesmo perigoso! Vou alertar meus homens.
Rubens está chocado, não consegue pronunciar uma palavra em defesa do acusado. E quem acreditaria? Joaquim estava mesmo com a arma apontada para o edil quando ele entrou no quarto, então, como desdizer o óbvio? Mentir e ser conivente? Isso não! Não era de seu caráter! Entregar as barbáries cometidas pelo vereador contra a esposa, na intenção de justificar o crime? E o que adiantaria? Se Catharine, a vítima, não havia prestado qualquer queixa, quem seria ele para revelar as intimidades de uma família, ainda mais como aquela, a fundadora de Vila dos Princípios? Infelizmente, ante à situação, faria como Pôncio Pilatos!
Catharine beija o marido, as portas se fecham e o veículo parte. Assim que a primeira viela é cruzada, George abre um enorme sorriso.
– Eu não disse que acabaria com essa história??? – sussurra consigo mesmo, com ar de satisfação.
– O senhor quer alguma coisa, vereador? – pergunta a enfermeira, vendo-o se mexer.
– Pensando em minha MULHER, Matuto? Pois você conhecerá a mãe dela agora... – relembra.
– Não faça isso, seu George! Estou indo embora, não é o que deseja?
– Você ama minha esposa, não é? Fale, MATUTO! Se não falar, eu atirarei e todos os seus sonhos irão para o espaço, assim como os miolos dela também...
– Não lhe faça mal, por favor! Dona Catharine não merece isso!
– Então confesse: VOCÊ A AMA? FAAALLLEE!!!!
– SIM! EU A AMO!
Os olhos do homem, exasperados, reluzem como faróis na escuridão.
– É corajoso em assumir isso, peão de sítio! O que pensa que é? GENTE? – gargalha. – Não! É um simples verme do sertão em terras fartas, não percebe? Catharine nunca o amaria e sabe por quê? Porque você é chulo, pobre, incapaz de ver as pessoas com os olhos d’alma...
– E o senhor consegue, doutor? – afronta o criado, usando-se das últimas forças do coração. – Vê além da alma? E se realmente vê, por que não percebeu que sua mulher sofre com a perda da menina? Por que não lhe ofereceu o ombro para ela chorar, enquanto Alana estava naquele quartinho de hospital, sendo devorada pelo câncer? Fale, doutor!
George aproxima a arma da cabeça do motorista e suspira bem fundo, enquanto o suor, desordenado, corre-lhe o rosto até molhar a camisa.
– Você teve alguma coisa com ela? Fale!!!
– Apenas nos beijamos... no cemitério; na verdade, EU a beijei!
– E se arrepende?
Os olhos do vereador crescem à medida que as palavras são pronunciadas.
– JAMAIS! – responde o destemido chofer, como se quisesse mesmo levar um tiro.
George dá uma gargalhada, depois se afasta devagar, arrosta-o com a empáfia de um marido traído e atira contra o próprio braço. A arma cai no chão.
– MEU DEUS! – grita o criado, aterrorizado. – Por que fez isso?
Descontrolado, saca-se do mesmo revólver e mira o vereador com a sanha de um apaixonado em ruínas. A lucidez lhe escapa das mãos e o destino se encarrega de dar um final distinto à história de cada um dos rivais.
– Por que fez isso, meu rapaz? Ninguém merece uma coisa dessas, nem mesmo esse canalha... – entra o médico no quarto, atraído pelo barulho.
– O senhor quer alguma coisa, vereador? – pergunta novamente a enfermeira, estranhando o silêncio dele. – Fale, o senhor está bem?
– Nunca estive MELHOR, querida! – responde à mulher, resgatando-se das lembranças.
Joaquim desce da viatura e é escoltado até a entrada da delegacia. Uma multidão o aguarda com pedras e porretes. Querem o couro dele, afinal, havia mexido com o quase santificado vereador George Dumont! Alguém em meio à multidão solta um berro ensurdecedor:
– VAMOS MATAR ESSE PESTE!!!
A polícia se arma com escudos para protegê-lo.
____________________

1.Homicídio doloso é aquele que tem “dolo”, ou seja, intenção de matar.



autor
Carlos Mota

A novela "Flor-de-Cera" é remake de "Venusa Dumont - da memória à ressurreição" de Carlos Mota
 
elenco
Grazi Massafera como Catharine Dumont
Thiago Lacerda como George Dumont
Ricardo Pereira como Joaquim
Elisa Lucinda como Ernestina
Carlos Takeshi como Tanaka Santuku
Miwa Yanagizawa como Houba Santuku
Jesus Luz como Pietro Ferrara
Lucinha Lins como Franceline Legrand Dumont
Lima Duarte como Dilermando Dumont
Herson Capri como Doutor Rubens Arraia
Tonico Pereira como Moacir
Werner Schünemann como Paineiras Ken
Rosi Campos como Adelaide
Humberto Martins como Alberto Médici
Cauã Reymond como Ricardo
César Troncoso como Zé dos Cobres
Ilva Niño como Josefa
Selton Mello como Zelão
Matheus Nachtergaele como Meia-noite
Caio Blat como Delegado de Vila Bonita
Caio Castro como Leandro
Alexandre Borges como Doutor Jaime
Caroline Dallarosa como Carmem
Fernanda Nobre como Stela

participação especial
Stênio Garcia como Doutor Lúcio
Drica Moraes como Desirê
Marco Nanini como Chico Santinho

atores convidados
Ary Fontoura como Doutor Tobias
Alexandre Nero como Júlio Avanzo
Elizangêla como Maria

a criança
Valentina Silva como Alana

trilha sonora
Lágrimas da Mãe do Mundo - Sagrado Coração da Terra (abertura)


desenhos
Andrea Mota

produção
Bruno Olsen
Cristina Ravela

Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO



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