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Flor-de-Cera: Capítulo 08

Novela de Carlos Mota
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CENAS DO CAPÍTULO ANTERIOR:

O médico chega à mansão e é assistido por George, da janela do quarto.
– O que houve com Catharine, Ernestina? Que mal lhe acometeu? – exige o doutor.
Ernestina apenas o vê com serenidade e antes que ele se aventure a uma outra pergunta, responde:
– Uma coisa horrível!
– E o que foi?
– Veja com seus próprios olhos...
Ela indica o quarto. Ele empurra a porta e vê Joaquim beijando a mulher, com uma parte da roupa manchada pelo sangue.
– Mas o que é isso? – cobra, alterado, o médico. – O que pensa estar fazendo, meu rapaz?
– SENHOR??? – surpreende-se o motorista, ao avistar George à sombra do doutor Rubens Arraia. 




FLOR-DE-CERA - CAPÍTULO 08




O vereador surta ao perceber a pequena proximidade entre Joaquim e a mulher.
– O QUE ESTÁ FAZENDO PERTO DE MINHA MULHER, MATUTO? ALIÁS, O QUE ELA ESTÁ FAZENDO NESSE MUQUIFO? MEU DEUS, VOCÊ A MATOU? – inquire com ira ao se atentar à mancha de sangue na roupa do criado.
– Não, se... se...
Percebendo que é a única testemunha do beijo roubado pelo motorista, o médico aproveita a ocasião para desviar o foco da conversa para o ferimento.
– Joaquim, o que aconteceu? Fale para nós! – agiganta-se com o intuito de intimidar o chofer, dessa forma, ele se perderia na explicação e o fato permaneceria em segredo. – O que dona Catharine faz num quartinho como esse?
– Ela estava caída na sala e resolvemos trazê-la para cá, doutor Rubens – responde Ernestina, adentrando ao quarto e fulminando o camarista com os olhos tomados pela cólera.
– O QUE ACONTECEU COM MINHA MULHER? POR QUE NÃO ME CHAMARAM? – finge, completamente comovido.
– Covarde! Cínico! Esse bicho está mais para o pai da mentira que para defensor dos pobres e oprimidos – confidencia-se a empregada. – Se eu pudesse, dava um tiro nesse cão.
– Nós o chamamos, senhor! – ironiza a empregada. – Mas acho que seu sono é muito profundo, porque até os defuntos do cemitério se levantaram com meus berros, menos o senhor.
– O QUE QUER DIZER COM ISSO, MUCAMA ATREVIDA? QUE A IGNOREI? – volta-se para Joaquim. – E VOCÊ, O QUE TEM A VER COM TUDO ISSO? POR QUE ESTAVA AGACHADO AO LADO DE CATHARINE?
– Estava pressionando o algodão contra o ferimento enquanto eu localizava o doutor Rubens Arraia – responde Ernestina no lugar de Joaquim, que se refugia ao lado de um guarda-roupa da era de Geisel, o ditador.
Os olhos da empregada engolem os de George, que retraído, prepara a vingança. A guerra só não explode porque doutor Rubens intervém, pedindo para que todos se mantenham afastados enquanto examina a única herdeira dos Dumont.
– É impressionante o que acontece nessa casa. Hum! Minha esposa cai da escada e, ao invés de me chamarem, preferem trazê-la para um pulgueiro fétido como este.
– Aqui não há cadelas nem cães, vereador! E se existirem, certamente, estão em qualquer outro quarto do primeiro andar – dispara a criada.
– Como assim? Caiu da escada? – desafia o motorista, encorajado pelas palavras de Ernestina. – Pode ter acontecido outra coisa.
Joaquim é espezinhado pelos olhares enraivecidos do camarista, que se mostrava aturdido com a coragem repentina do chofer.
– Boa pergunta! – diz o médico, levantando-se. – Como Vossa Excelência tem a certeza de que dona Catharine escorregara mesmo na escada? Essas marcas em seu rosto são de dedos de uma mão humana e o ferimento, pela profundidade, não me parece causado por um tombo de escada, até porque, se eu estiver correto, a sua tem uns quarenta degraus, e, uma queda nessas condições, poderia ser fatal, o que não é o caso!
– Responda ao doutor, senhor George! – provoca a empregada. – Eu não me lembro dela ter retornado aos aposentos após sua chegada. Eu a deixei na sala de jantar e me recolhi à cozinha; aliás, se ela tivesse mesmo sofrido uma queda, o senhor não perceberia? Estavam juntos, não? Tem alguma coisa estranha em toda essa história, não é, doutor Rubens?
– Quem sou eu para afirmar qualquer coisa, Ernestina! A única afirmação que posso fazer é a de que dona Catharine não sofrera uma queda tão brusca.
– Não estava com Catharine... – titubeia o vereador, tentando dissipar os olhares de dúvidas. – Precisei dar uns telefonemas para... Bem... Catharine preferiu...
– ELA NÃO CAIU DA ESCADARIA! – sentencia a empregada, entrecortando-o. – Não é, Joaquim? Diga ao doutor como a encontrou?
– Ela não caiu mesmo, doutor! – responde o chofer, acompanhado pelos olhos de águia do patrão.
George pretendia desmerecê-lo, quando Ernestina, de relance, mostra-lhe o pingente com parte do colar. Ressabiado, o vereador recua e se dirige ao médico.
– É... deve ter sido um engano! Deixe-me levá-la à alcova. Oh, meu amor, o que fizeram contigo? – diz, como se comovido, com as mãos descendo delicadamente a face dela. – Como eu te amo! Venha, vou cuidar de você.
Pega-a nos braços e a conduz para os aposentos do casal, tendo à sombra os criados e, muito mais atrás, o desconfiado doutor Rubens Arraia.
No quarto permanecem apenas o médico e a paciente, que, por sinal, recobrava aos poucos a consciência.
– Impedido de entrar em meu próprio quarto! Hum! Quem esse “medicozinho” pensa que é? Por acaso o presidente da República? – esbraveja o político, enquanto toma uma dose de uísque.
– O senhor pagará por tudo o que fez a Catharine... – diz a criada, aproximando-se dele, pelas costas.
– E o que eu fiz a Catharine?
– Imagine quando seus eleitores souberem que o senhor espanca a esposa... Será um escândalo devastador! O senhor não se elegerá mais nem para faxineiro da Câmara.
Diferentemente do que ela imaginava, o vereador não se abala, abre um sorriso cínico e faz uma ameaça velada:
– Imagine se uma bala perdida atravessasse as paredes dessa casa e atingisse sua nuca...
– ...bala perdida em Vila dos Princípios? – debocha. – Não me faça rir, praga dos infernos. Melhor arranjar outra, essa não colaria.
– Será mesmo? Alguns gatunos invadiriam essa mansão em busca de pedrarias e, na troca de tiros com a polícia, uma bala mudaria o rumo e atingiria a sua cabeça – sussurra, deleitando-se com a súbita apreensão da mulher.
– Teria a coragem de chegar... a esse ponto? – pergunta a mulher, tropeçando nas palavras.
– Da mesma forma que pisei em Catharine e em seus mimos nostálgicos – sussurra-lhe aos ouvidos, sendo assistido, à distância, pelo médico.
– Vereador, posso falar a sós com o senhor por um minuto?
– Como ela está, doutor? Se algo lhe acontecer, preferirei a morte!
– Ela está melhor! Inclusive, se Ernestina puder acompanhá-la enquanto conversamos, agradeceria.
– Por mim, tudo bem! – diz a mulher, agora se voltando para George. – E para o senhor, algum problema?
– Não! Nenhum! – as palavras lhe correm os lábios como se fossem veneno de cobra.
– Ave, subirei essas escadas com cuidado, vai que eu leve um tombo também, né? – mostra de novo o pingente a George, aproveitando-se que o doutor estava de costas para ela.
– Por aqui, doutor... – o vereador lhe aponta o escritório. – Por favor!
Ao ouvir que sua musa convalescia-se, Joaquim correu para o seu quarto, deitou-se na cama, abraçou o travesseiro e sorriu. Sorriu como nunca! O medo de que o doutor o entregasse estava em segundo plano, porque o que o deixava feliz aquele momento era o beijo que dela havia arrancado. Que lábios saborosos! Se morresse agora, morreria feliz, afinal, para ele, dona Catharine era mais do que uma aspiração lasciva... Era a imagem feminina de um Deus inatingível!
– Agora estamos só nós dois, vereador! – diz o médico, fechando a porta.
– Sim! – arruma-se na cadeira, revelando nítido desconforto com as palavras do médico.
– O senhor sabe há quantos anos atendo essa família, senhor George... de quê mesmo?
– O senhor sabe, doutor Rubens, George Dumont!
– Negativo! Esse não é o seu nome de batismo, vereador; se o fosse, seus pais seriam os patriarcas dessa família e não os de Catharine Dumont.
– Onde o senhor quer chegar, doutor Rubens? Pensei que fosse me relatar o estado de minha esposa...
– E irei! – interrompe-o. – Antes, tenho uma pergunta a lhe fazer, senhor... Jorge da Silva, ou esse não é o seu verdadeiro nome?
George se cala, curioso com o desenrolar da conversa.
– Diga-me, esse não é o seu verdadeiro nome?
– Sim! – limita-se.
– Se precisa tanto da família Dumont, mais precisamente da pobre Catharine e de seu sobrenome para se alçar ao poder e vender um status que sua origem não pode lhe proporcionar, por que então se prestou a um ato tão vil como aquele?
– Eu não estou entendendo...

– Não?! – corta-lhe o médico, com a surpresa estampada à face. – Faz  mais de quarenta anos que presto serviços a essa família e é a primeira vez que sou chamado para atender a uma vítima de espancamento – no íntimo, Rubens sabia que isso não era verdade. – Ou Catharine não foi espancada pelo senhor?




autor
Carlos Mota

A novela "Flor-de-Cera" é remake de "Venusa Dumont - da memória à ressurreição" de Carlos Mota
 
elenco
Grazi Massafera como Catharine Dumont
Thiago Lacerda como George Dumont
Ricardo Pereira como Joaquim
Elisa Lucinda como Ernestina
Carlos Takeshi como Tanaka Santuku
Miwa Yanagizawa como Houba Santuku
Jesus Luz como Pietro Ferrara
Lucinha Lins como Franceline Legrand Dumont
Lima Duarte como Dilermando Dumont
Herson Capri como Doutor Rubens Arraia
Tonico Pereira como Moacir
Werner Schünemann como Paineiras Ken
Rosi Campos como Adelaide
Humberto Martins como Alberto Médici
Cauã Reymond como Ricardo
César Troncoso como Zé dos Cobres
Ilva Niño como Josefa
Selton Mello como Zelão
Matheus Nachtergaele como Meia-noite
Caio Blat como Delegado de Vila Bonita
Caio Castro como Leandro
Alexandre Borges como Doutor Jaime
Caroline Dallarosa como Carmem
Fernanda Nobre como Stela

participação especial
Stênio Garcia como Doutor Lúcio
Drica Moraes como Desirê
Marco Nanini como Chico Santinho

atores convidados
Ary Fontoura como Doutor Tobias
Alexandre Nero como Júlio Avanzo
Elizangêla como Maria

a criança
Valentina Silva como Alana

trilha sonora
Lágrimas da Mãe do Mundo - Sagrado Coração da Terra (abertura)


desenhos
Andrea Mota

produção
Bruno Olsen
Cristina Ravela

Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO



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