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Flor-de-Cera: Capítulo 07

Novela de Carlos Mota
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CENAS DO CAPÍTULO ANTERIOR:

– O que ganhou com tudo isso? – machucada por dentro, verte-se em lágrimas.
– PRAZER! – profere, olhando-a com fervor.
Sobe as escadarias como se nada tivesse acontecido. Em prantos, Catharine arrasta-se sobre o piso frio. Chama Ernestina, mas sua voz, esmorecida, não chega à criada. Chama de novo, dessa vez, com as últimas forças que lhe restam.
– ER-NES-TIII-Naaaa – desfalece.
Ao ouvir seu nome, a empregada se desfaz da rotina do lar e corre auxiliá-la. Quando adentra a sala de jantar, encontra a patroa caída num canto, desacordada, com sangue escorrendo pelo rosto. Abalada, berra por socorro. 




FLOR-DE-CERA - CAPÍTULO 07




George ouve os gritos da empregada e, como se nada tivesse acontecendo, despe-se e entra no chuveiro. Um sorriso amarelo toma-lhe a face. Ao terminar o banho, veste-se com um pijama de seda e deita na cama, de onde confessa:
– Falta pouco!
– Ernestina, o que está acon... – assombra-se o motorista, ao adentrar a sala de jantar e encontrar Catharine desmaiada.
– Venha, Joaquim! Ajude-me, por favor! – pede, apavorada.
– Dona Catharine... mas... mas... O que aconteceu?
– Vamos, homem! Venha! Depois conversamos... Pegue-a no colo e traga-a para... – depara-se com uma realidade assustadora: para onde levá-la? Se George a ignorou, mesmo numa situação como aquela, deveria levá-la para o quarto do casal?
– Ela está sangrando, Ernestina! Aonde devo levá-la? – os papéis se invertem, agora quem exige uma atitude imediata é o motorista. – Fale, mulher!
A criada permanece inerte, olhando as  escadarias,  quando  uma súbita vertigem a faz apoiar-se à mesa do centro e a fechar os olhos. A imagem de Alana lhe surge como trovão. Assustada, reabre- os, correndo-os ao redor como se quisesse encontrar algo. O coração bombeia o sangue acelerado, enquanto todos os cantos da sala são submetidos a uma análise minuciosa. A vertigem cessa quando avista, a alguns passos, o reluzir de um objeto. Toma fôlego e se inclina para pegá-lo. É o pingente retorcido com parte do colar. Um arrepio lhe corre a espinha! Não estava acreditando no que via, parecia coisa de novela, aliás, se alguém contasse, nem ela mesma acreditaria. Aquilo que estava na palma de sua mão era o colar da menina.
– Use o colar que Alana lhe deu. Acha que aquele demônio perceberá? Ele só se importa com o vestido, porque, para ele, acima de tudo está o dinheiro. Não compra a felicidade, mas pode destruí-la sem pena – relembra Ernestina.
Joaquim não entende a criada que, à primeira vista, parece imersa em um transe.
– Então ele foi capaz de uma estupidez dessas? E a culpa foi minha! – confessa, apertando o pingente contra o peito. – Mas ele me paga! Venha, Joaquim, traga Dona Catharine para o meu quarto.
– Para o seu quarto? E o quarto dela?
– FAÇA O QUE ESTOU MANDANDO! – determina.
Então cumpre a ordem sem entender o porquê. A mulher é  posta na cama, enquanto a criada pega algumas gazes para limpar o ferimento.
– Quem fez isso, Ernestina? Por acaso ela caíra da escada?
– NÃO! – monossilaba a mulher.
– Eu pensei que ela tivesse caído...
– Você ainda não entendeu, Joaquim? – entrecorta-o. – Foi aquela peste que fez isso.
– De quem está falando? Do senhor George?
– E há outra peste nessa casa? Hum! Isso não ficará assim! – repete, dando as costas a Joaquim.
O sangramento não estanca; por não aparentar profundidade, causa estranheza nos empregados, que se afligem.
– O ferimento não para de sangrar... Meu Deus! Será que ela vai morrer?
A pergunta cai como bomba no coração da empregada, que se contrai pelo remorso.
– O que vamos fazer, Ernestina? Não seria melhor levá-la para o hospital? Fale, mulher, está me deixando agoniado!
Joaquim não se aguenta de dor. À sua frente, a deusa de todos os seus mais íntimos desejos fenece. Nunca esteve tão perto dela e agora que tem a oportunidade, é para assistir a sua perda. Que destino injusto é esse que lhe prega peça de tanto mau gosto?
– Segure esse algodão enquanto ligo para o doutor Rubens... Vá, vá! Ô bicho lento!
Joaquim não é lento como diz a empregada, simplesmente é cortês. Gesto que muitas pessoas já não cultivam mais. Enquanto comprime a ferida, ele observa a mulher que lhe havia despertado  para os sonhos novamente. Aqueles lábios carnudos, ainda que roxos, pareciam chamá-lo. Como resistir àquela tentação?! Fechando os olhos, arfa com dificuldade.
No íntimo, sente-se culpado por tais pensamentos, afinal, o momento é de crise; mas desde quando amar alguém com a alma é algum crime? Os valores estão subvertidos, porque crime é o que fizeram com ela.
Espancar é crime e deveria ser hediondo, para que ninguém mais o cometesse; entretanto, quem se presta a esse tipo de barbárie é ovacionado por parte da sociedade tradicional, porque se a mulher apanha, certamente fizera algo de muito errado ao marido. Quanta idiotice! Se ouvissem mais o amor e o pregassem como pregam essas bobagens, o mundo seria outro, talvez melhor.
– “Não há disfarce capaz de ocultar o amor quando ele existe, nem de simulá-lo quando já não existe”, como disse o brilhante Rochefoucauld¹, certa vez – sussurra a empregada, à espreita.
– EU TE AMO, Dona Catharine! – confessa à mulher, ainda desacordada. – E não deixarei que façam isso de novo com a senhora. Não deixarei! Prometo por tudo o que há de mais sagrado nesse mundo – limpa as lágrimas. – Se lhe tocarem outra vez, serei capaz de qualquer coisa, até de... MATAR!
Ernestina os deixa a sós e senta à mesinha da cozinha, muito comovida. Que espécie de amor era aquele? Real, surreal, platônico..? Não sabia definir, mas que era divino, ah, isso era!
O médico chega à mansão e é assistido por George, da janela do quarto.
– O que houve com Catharine, Ernestina? Que mal lhe acometeu? – exige o doutor.
Ernestina apenas o vê com serenidade e antes que ele se aventure a uma outra pergunta, responde:
– Uma coisa horrível!
– E o que foi?
– Veja com seus próprios olhos...
Ela indica o quarto. Ele empurra a porta e vê Joaquim beijando a mulher, com uma parte da roupa manchada pelo sangue.
– Mas o que é isso? – cobra, alterado, o médico. – O que pensa estar fazendo, meu rapaz?
– SENHOR??? – surpreende-se o motorista, ao avistar George à sombra do doutor Rubens Arraia. 
__________________________

1. Cínico, ácido, humorista, pessimista, filósofo, o duque francês La Rochefoucauld foi sobretudo um dos maiores frasistas do século XVII de que se tem notícia. Muitas delas (ele as apelidou de máximas) repetimos até hoje sem o devido crédito.




autor
Carlos Mota

A novela "Flor-de-Cera" é remake de "Venusa Dumont - da memória à ressurreição" de Carlos Mota
 
elenco
Grazi Massafera como Catharine Dumont
Thiago Lacerda como George Dumont
Ricardo Pereira como Joaquim
Elisa Lucinda como Ernestina
Carlos Takeshi como Tanaka Santuku
Miwa Yanagizawa como Houba Santuku
Jesus Luz como Pietro Ferrara
Lucinha Lins como Franceline Legrand Dumont
Lima Duarte como Dilermando Dumont
Herson Capri como Doutor Rubens Arraia
Tonico Pereira como Moacir
Werner Schünemann como Paineiras Ken
Rosi Campos como Adelaide
Humberto Martins como Alberto Médici
Cauã Reymond como Ricardo
César Troncoso como Zé dos Cobres
Ilva Niño como Josefa
Selton Mello como Zelão
Matheus Nachtergaele como Meia-noite
Caio Blat como Delegado de Vila Bonita
Caio Castro como Leandro
Alexandre Borges como Doutor Jaime
Caroline Dallarosa como Carmem
Fernanda Nobre como Stela

participação especial
Stênio Garcia como Doutor Lúcio
Drica Moraes como Desirê
Marco Nanini como Chico Santinho

atores convidados
Ary Fontoura como Doutor Tobias
Alexandre Nero como Júlio Avanzo
Elizangêla como Maria

a criança
Valentina Silva como Alana

trilha sonora
Lágrimas da Mãe do Mundo - Sagrado Coração da Terra (abertura)


desenhos
Andrea Mota

produção
Bruno Olsen
Cristina Ravela

Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO



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