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Dead Land - 1x02: Testemunha

Série de Rafael Oliveira
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DEAD LAND
     
 

 

FADE IN:

FLASH-FORWARD. EXT. MATA - NOITE.

Acompanhamos as botas de uma pessoa, pisando sobre folhas secas, meio a um lugar escuro.

CORTA RÁPIDO PARA:

Em OUTRO PONTO da mata, há uma fogueira.

DOIS CAPANGAS em pé, por ali.

Um HOMEM robusto está estirado num poste, preso com uma corda, chorando.

A pessoa, que antes andava pela mata, surge, de costas, na escuridão, portando uma arma. Este é Nolan, descoberto pela luz do fogo, apontando o objeto para o homem. Sem hesitar, pressiona o gatilho duas vezes, acertando-o em cheio.

O sangue escorre pelo poste.

Não muito distante dali, atrás de uma árvore, Cody assiste a tudo. CLOSE-UP nele.

FADE TO BLACK.

LEGENDA - Um dia antes.

FADE IN:

CENA 1 - INT. CLÍNICA/CORREDOR - DIA.

ABRE nas rodinhas de uma maca, deslizando sobre o piso branco.

CORTA PARA o ambiente, lotado de doentes, todos sobre macas, expostos.

Há uma MULHER, uma morena alta, cabelos presos, jaleco branco, anotando ago numa planilha. Lori se aproxima, correndo.

LORI: A situação só piora, Megan, parada cardíaca em dois. Os enfermeiros do exército conseguiram reanimar, mas a situação só piora. As injeções estão acabando.

MEGAN: Não vamos desistir. Vou autorizar a aplicação das últimas dez injeções. Como está o Bruce?

LORI: Por enquanto, bem, mas essas pessoas...

Ela observa ao redor.

MEGAN: Não pensava em recorrer a isso, mas venha comigo.

Elas saem correndo.

Um HOMEM, coberto por um lençol, sobre a maca próxima, fecha os olhos e abre a boca, deixando sangue escorrer dela. Uma SENHORA, 60 e poucos anos, se aproxima e segura em uma de suas mãos.

SENHORA (CHOROSA): Querido, aguente firme.

PLANO GERAL do corredor.

CENA 2 - INT. CLÍNICA/SUBTERRÂNEO - DIA.

Megan e Lori descem as escadas. A primeira, porta uma lanterna e vai na frente, iluminando o extenso e grande lugar.

LORI: O que fazemos aqui, Megan?

MEGAN: Estamos num surto de meningite, Lori, precisamos de injeções e medicamentos, caso contrário, todas essas pessoas vão correr mais risco de vida. Tenho quase certeza que o estoque ainda os guarda.

LORI: Não param de chegar pessoas. Pior, muitos acham estar com a doença e acabam vindo para a clínica. Os que não estão, acabam pegando... Parece que o pedido do exército para ficarem nas casas, não adiantou.

MEGAN: Trabalhei cinco anos aqui na clínica. Conheço tudo, por isso me ofereci para ajudar no surto.

Há uma porta, a alguns metros. Elas se aproximam.

MEGAN: Chegamos, vamos entrar.

LORI: Por que não falou antes, sobre o estoque, Megan?

MEGAN: Eu precisava ter certeza que o que tínhamos não iria resolver nada. Esse estoque está reservado. Pode salvar vidas, não vou desperdiça-lo.

Ela abre a porta e vê várias pilhas de medicamentos.

MEGAN: Ainda está aqui! Venha, me dê uma ajuda.

Ela pega duas caixas e coloca pro lado de fora. Lori a ajuda a fazer o transporte de outras quatro.

MEGAN: Apenas as de lacre azul.

LORI: Tudo bem. (PAUSA) Só você sabe desse estoque?

MEGAN: Se está se referindo aos militares, sim. Mas, se refere-se aos mortos... Eu e o meu antigo companheiro trouxemos os medicamentos pra cá, assim que o caos começou. Ele morreu, restou a mim guardá-lo, embora nunca viesse até aqui e acreditasse que já o haviam descoberto.

Ambas encaram seis caixas, no chão.

LORI: Essas caixas são o suficiente?

MEGAN: Sim. Vamos logo.

Megan bate a porta, tranca. Ela prende a lanterna entre o rosto e o ombro. Cada uma pega três caixas e se dirigem as escadas de entrada.

CENA 3 - INT. CLÍNICA/CORREDOR - DIA.

Um MILITAR caminha, outros ajudam com o tratamento dos pacientes ao redor. Megan se aproxima do que caminha, faz reverência.

MILITAR (ESTENDE A MÃO): Chefe do controle de saúde, posto quatro.

Ela o cumprimenta.

MILITAR: Vejo que está tudo praticamente no controle, Srta. Campbell.

MEGAN: Como pode ver, a maioria já está medicada, mas isso não significa que estancamos o surto.

MILITAR: Quantos, os óbitos?

MEGAN: Infelizmente, doze. Todos entregues a sua tropa.

MILITAR: Gostaria de ter acesso à lista.

MEGAN: Vou entregar a você. (PAUSA) E quanto às outras clínicas?

MILITAR: Poucos óbitos. Dois infectados com a raiva.

MEGAN: Infectados?

MILITAR: Já demos conta disso. (PAUSA) Estou de saída e à disposição.

Ele se vira e dá alguns passos; quando olha para trás e torna a encarar Megan.

MILITAR: Havia me esquecido... Há quanto tempo você trabalha na multiplicação de medicamentos?

Ele a encara.

MILITAR: Tenha uma boa noite, Srta. Campbell.

CLOSE nos olhos de Megan.

FADE OUT.

 
     
     
     
     

1x02 - TESTEMUNHA
 
     
 

FADE IN:

CENA 4 - INT. CLÍNICA/QUARTO - DIA.

Lori, grudada nas mãos de Bruce. Este, de olhos fechados, recebe soro pela veia.

Ao lado, outra cama, com outro doente.

Lori encara o amigo; derrama uma lágrima, a seca e olha para o corredor, onde vê Megan, olhos esbugalhados, aflita, a ENTRAR ali.

MEGAN: Lori, precisamos retirar essas pessoas daqui!

Lori se aproxima, surpresa; caminha em direção ao corredor.

LORI: O que houve de tão grave? Você me parece nervosa.

MEGAN: Você sabe, você sabe que apenas os Bats estocam medicamentos, suprimentos em geral e sabe que o exército bane isso a toda população.

LORI: Sim. Quem o faz é considerado aliado a eles.

MEGAN: Pois bem, acho que tudo foi descoberto. (PAUSA; SUSSURRA) O esconderijo, no subterrâneo!

LORI: Oh, meu Deus!

MEGAN: Eu não tenho certeza, mas acho que pra toda essa clínica explodir, acabar, ser fuzilada, vai saber, é questão de minutos.

CLOSE-UP em Lori. Elas saem andando, apressadas.

LORI: E o que nós vamos fazer? Não podemos deixar essas pessoas morrerem. Oh, meu Deus, eles não podem fazer isso.

MEGAN: Eles acham que podem, Lori. Não temos tempo para discutir, nós precisamos levar essas pessoas para um lugar seguro.

LORI: Lugar seguro, aqui dentro?

Param de andar, se encaram.

MEGAN: O exército não sabe que os medicamentos estão aqui. Devem pretender, apenas, acabar com a clínica, já que pode ter relação com os Bats. (OLHA AO REDOR) Nossa única chance é levar essas pessoas para o subterrâneo e esperar pelo pior.

CENA 5 - INT. CLÍNICA/SUBTERRÂNEO - DIA.

Lanternas acesas em pontos estratégicos.

Os doentes, portanto cobertores nas costas, e parentes, descem as escadas lentamente, com a orientação de Lori.

PACIENTE: Mas o que está acontecendo, por que estamos vindo para cá?

LORI: É uma medida de prevenção, Senhor, quando tudo passar e estiver tudo bem, vai entender. Agora, por favor, termine de descer e se acomode em algum lugar.

Megan desce as escadas entre os doentes, se dirige a Lori.

LORI: Megan, vamos conseguir alojar todas essas pessoas dentro desse lugar?

MEGAN: Acredito que sim. A fila não está tão grande, muitos dos que tomaram duas seções de medicamentos e a doença estava em estágios iniciais, saíram da clínica. O número que tínhamos, em registro, de pacientes dentro da clínica, diminuiu. Se houver um ataque, vamos salvar a maioria.

LORI: A maioria. (PAUSA) E quanto aos medicamentos, onde os colocou?

MEGAN: Estão todos em outro esconderijo, a salvos.

LORI: Preciso ver o Bruce. Onde ele está?

MEGAN: No corredor três, junto dos doentes de maca.

CENA 6 - INT. CLÍNICA/CORREDORES - DIA.

Uma fila formada, em direção ao corredor que dá passagem ao subterrâneo.

Lori se aproxima de Bruce, deitado numa das macas, acordado.

LORI: Que bom que você acordou. Como se sente?

BRUCE: Melhor do que nunca. (FAZ MENÇÃO EM LEVANTAR) Já posso/

LORI: Não, não pode. Você ainda está muito debilitado pela meningite.

Ele recua a cama.

BRUCE: O que está havendo, Lori? (ENCARA A FILA) O que significa essa fila?

LORI: Podemos ter um ataque militar a qualquer momento.

BRUCE: Oh, não. E pra onde essas pessoas estão indo?

LORI: Para um subterrâneo, que a Megan conhece.

BRUCE: E quanto aos de maca?

LORI: Infelizmente, vão por último. Mas vai dar certo. Se houver o atentado, vamos salvar a todos.

BRUCE: Tomara que de certo. (MÃOS NA TESTA) Ainda dói um pouco.

LORI: É melhor descansar. Em breve estaremos lá em baixo, livres de riscos maiores. (TEMPO) Pode ser que tudo isso seja um equívoco e que não haja nenhum ataque. Eu volto já.

Ela SAI.

CÂMERA filma Bruce de cima - os olhos piscam lentamente, ele reluta em fechá-los, mas o faz.

FLASHBACK – Bruce vê Cody fugindo.

Bruce olha pela janela de seu apartamento e vê Cody, fugindo, à noite, com uma mala nas costas.

Ele tenta ir até ele, mas quando chega à porta, sente uma forte dor e desmaia.

FIM DO FLASHBACK.

Nesse momento, acontece grande ESTRONDO, seguido de um berreiro geral pelos arredores -- Bruce abre os olhos, se segura na maca, tenta se levantar, falhando. Uma poeira grossa e escura se espalha.

No CORREDOR 2, que dá acesso ao subterrâneo, Lori, apavorada, empurra as pessoas em direção a escada, aos berros.

De volta ao CORREDOR 3, onde Bruce está, alguns enfermeiros levam as macas. A de Bruce sobra.

Lori vem correndo.

Nesse momento, outro impacto, mais forte, faz as luzes se apagarem e Bruce cair da maca. Ele rasteja pelo chão.

Um pedaço do teto CAI e FECHA a passagem no corredor – Lori, no 2, dá um berro de susto.

LORI: Oh, meu Deus, Bruce, responda!!!

Ela o tenta achar no lugar abafado e empoeirado. Tapando o rosto com a camisa, ela apalpa o nada, perdida.

LORI (BERRA): Bruce! Bruce! Onde você está? (TOSSE FORTE) Fala comigo!!!

Megan se aproximam, com um pano amarrado na metade do rosto.

MEGAN (ALTO): Temos que descer, é perigoso ficar, Lori! Vamos descer! Venha! Vamos descer!

LORI (DECIDIDA): Eu não vou abandoná-lo, não vou!

MEGAN: Você vai morrer, se continuar aqui!

CLOSE-UP em Lori. Ela olha pros lados. Megan a puxa em direção ao CORREDOR 2.

No 3, está Bruce, caído.

BRUCE (MUITO DEBILITADO): Soco--Socorro...

CENA 7 - INT. CLÍNICA/SUBTERRÂNEO - DIA.

Todos os pacientes espalhados. Choro de criança, desespero de outros.

Lori e Megan descem as escadas. A última bate a porta e a tranca com um pedaço de ferro. Ambas retiram o que antes protegia suas faces.

LORI (DESESPERADA): O Bruce vai morrer. Abra essa porta, precisamos salvá-lo.

MEGAN: Mais um estrondo e você morre, junto dele. Estamos aqui para sobreviver. Eu não vou deixar você sair por essa porta e ser morta!

LORI (A ENCARA): Eu não vou deixá-lo lá fora. Não vou!

Ela se dirige a porta. Megan aflita. De repente, mais um ESTRONDO –- todos berram, assustados, e Lori recua. Nesse momento, ouve-se uma batida forte contra a porta. Tempo -- outra. Lori se aproxima.

LORI: Bruce...

VOZ (O.S.): Abram! Abram!

LORI (ATENTA À VOZ): Oh, meu Deus, é o Ryan! Abra essa porta. (BERRA) Agora!

Megan abre a PORTA e Ryan entra com Bruce nos braços. Lori corre até ele. Atrás, também vem Emily. Megan bate a porta, tranca.

Bruce é colocado no chão. Sua testa sangra.

MEGAN (ÁGIL): Vou preparar um curativo. (P/ OS QUE ALI ESTÃO) Alguém me ajude!

CLOSE-UP em Lori, encarando Bruce; está muito emocionada, impactada.

LORI: Graças a Deus! Graças a Deus!

PLANO GERAL do subterrâneo, no CONJUNTO de estrondos.

FADE OUT.

FADE IN:

CENA 8 - INT. HIDRELÉTRICA/REFEITÓRIO. DIA.

Nas mesas, espalhadas pela sala gigante, estão sentadas várias famílias, de garfo e faca em mãos, servidos com um prato de comida. Todos encaram Nolan, em pé, discursando.

Trevor e Cody numa das mesas.

NOLAN: (...) A partir disso, firmamos a todos que a clínica, atacada pelo exército na tarde de ontem, não estava recebendo auxílios, muito menos tinha participação, de um Bat. O atentado matou três pessoas inocentes, ao que se sabe. (PAUSA) Vamos permitir que essas atrocidades aconteçam? E se fossemos nós, lá dentro? Tudo foi um mal entendido, mas poderia não ter sido. Gostaria de lembrar a todos que nosso objetivo será sempre sobreviver numa terra onde isso é um privilégio. Vamos sobreviver sem o exército. Em paz. Obrigado.

Todos ovacionam, aplaudem. Nolan abandona o posto e se senta numa mesa próxima.

CLOSE-UP na mesa dos irmãos.

CODY (SORRISO ESTAMPADO): Não acredito que estou aqui, com você, meu irmão.

TREVOR: Eu também não. Valeu a pena cada dia lá, em Nova Iorque, a passos da morte. Eu me arrisquei para esse momento estar acontecendo, Cody. Nos salvamos.

CODY: Ainda tem o meu grupo.

TREVOR: O seu grupo? De quantos são?

CODY: Quatro.

TREVOR: Líderes?

CODY: Sim, dois.

TREVOR: Nolan não gosta de líderes. Até os pais de família, aqui dentro, tem que abandonar suas funções e viver em prol da organização. Não sei se deveria chamá-los.

CODY: Eu estou desaparecido para eles. Preciso, ao menos, dar um olá.

TREVOR: Cody, não se pode sair daqui.

CODY (ESTRANHA): Como não?!

Pausa; Trevor planeja o que falar.

TREVOR: Cody, você sabe que eu estudei os Bats por um ano. Eles são uma associação em busca de destruir o exército, sem o objetivo de unir sobreviventes. Aqui, é o posto principal. Ninguém pode entrar e sair a hora que quiser. Somos dependentes. Um do outro.

CODY: Então, se eles não vierem pra cá, acabou o contato?

TREVOR: Infelizmente. Você só sairá daqui para confrontos. Mesmo assim, se treinado. Nada é a força, Cody, mas é preciso ter o bem em comum.

CODY: Está certo. Eu sempre quis estar aqui e está feito.

TREVOR: Eu trabalho no setor de tecnologia, ao lado do Nolan! Em breve, você receberá uma carta. (SORRI) Tem trabalho de sobra, aqui dentro.

CENA 9 - INT. HIDRELÉTRICA/RECEPÇÃO - DIA.

Um cartão feito de papel e fita adesiva é entregue às mãos de um homem. Nele, em letras de máquina, foi escrito o nome 'CODY', seguido, em letras menores, por 'Agente - Nível 1'.

ABRE e nos revela Nolan, entregando o cartão a Cody.

NOLAN: Não perca este cartão. Ele o configura como agente e lhe permite passagens dentro da hidrelétrica.

CODY: Claro.

NOLAN (SORRI): Seja bem vindo ao grupo ativo contra o exército.

CODY: Nem parece que estamos meio a um mundo pós-apocalipse. Você está salvando muitos, Nolan.

NOLAN: Não se engane, Cody. A vida mais cruel é a que está aqui dentro.

CODY: Por que diz isso?

NOLAN: Porque, aqui dentro, estamos mais expostos do que lá fora.

CODY: Componho o grupo de agentes para isso, trazer segurança.

NOLAN: Não. Você compõe este grupo para o objetivo, acabar com o exército, livrar as fronteiras e fazer pessoas sobreviverem.

CODY: Por que acabar com o exército, Nolan?

NOLAN: É cedo, para um Agente um. Quando você estiver lá fora, vai entender mais do que ninguém.

Ele dá as costas.

CLOSE-UP em Cody, encarando seu cartão de identificação.

CENA 10 - EXT. CLÍNICA - DIA.

A fumaça de cor amarronzada toma conta do lugar e suas imediações. A clínica está tombada. Sobraram poucas estruturas de pé.

Bruce surge e observa o lugar, acabado. Ele observa os arredores, se vira e sai dali.

FLASHBACK PARA:

CENA 11 - EXT. CLÍNICA – NOITE (FLASHBACK).

Dos restos da clínica, na escuridão da noite, uma porta se abre meio ao entulho. De lá, saem Megan, Lori, Bruce, carregado, Emily, Ryan e vários doentes, acompanhados de seus parentes. Eles se abaixam e vão se afastando.

Na  FACHADA da clínica, uma barreira de metal está montada, impedindo que curiosos vejam os resultados do ataque.

Nos FUNDOS da clínica, as vítimas saem andando, em direção a uma mata. Um guarda os ilumina com a lanterna, mas quando vai gritar, leva, de Lori, uma coronhada na cabeça. Ele cai no chão e eles continuam a andar, em silêncio.

Megan para por um instante, olha para a destruição do lugar e deixa cair uma lágrima de seus olhos.

FIM DO FLASHBACK.

CENA 12 - INT. AP DE BRUCE/SALA – DIA (DIAS ATUAIS).

Emily, Ryan, Lori e Megan estão de pé, observando Bruce, inquieto.

BRUCE: Eu fui até lá. Não há tropas, nada por ali. Parece que acreditaram que tudo foi destruído.

MEGAN: Impossível, Bruce. Há poucos corpos. Todos sabiam que ali estavam mais de vinte pessoas.

EMILY: Talvez guardassem essa informação com o intuito de passar para as pessoas que os que estavam ali, Bats que fossem, estão mortos neste momento.

MEGAN: Eles não vão aceitar. Terá outro ataque.

LORI: Não. O exército já mostrou a que veio para todos nós. Sabemos que são capazes de explodir um prédio, mesmo que no centro da área.

RYAN: Isso mataria muitas pessoas.

Tempo.

BRUCE: Desde que o Cody sumiu, naquela noite, não temos notícia.

LORI: Será que ele descobriu os Bats?!

RYAN: Eles recrutam a noite, em lugares distintos. Cody tinha o rádio informativo, ilegal...

MEGAN: Quem é Cody?

EMILY: Um ex-integrante do nosso grupo. Na noite que o Bruce desmaiou por causa da meningite, que você e Lori o socorreram, Bruce o viu fugindo, de malas nas costas.

BRUCE: Será que teremos que nos juntar aos Bats?

MEGAN (ESPANTO): Bats? Por que farão isso? Os Bats não são seguros. Junto deles, podemos correr riscos. O exército não perdoa. Se os achar, vai matar tudo e todos! (PAUSA) Parecem que não viveram nada da noite de ontem.

RYAN: Você não entende.

MEGAN (OLHA PROS LADOS): Eu dispenso me juntar ao grupo de vocês.

Ela se vira, vai em direção à porta. Bruce dá alguns passos, vai até ela.

BRUCE: Megan.

MEGAN (SE VIRA): Que é? Me desculpe, mas eu não me uniria a um grupo para ser uma Bat, mas para sobreviver. Vivi todos esses anos sozinha, mas é melhor estar acompanhada e ter risco de se salvar, do que fraquejar na primeira falha. Mas, dessa forma, Bruce, morrer por morrer, não me fará mudar o que fui desde a noite que esses malditos andarilhos tiraram tudo o que eu tinha.

LORI: Deixe-a ir, Bruce. Você não vai implorar, vai?

BRUCE: Ela salvou minha vida.

MEGAN: Não se sinta endividado, fiz isso durante toda a minha vida.

BRUCE: Eu não vou implorar, mas você realmente não nos entende. Os Bats tem algo que nos pertence. Cody pode ter ido para lá. É a chance de nos unirmos, pegar o que eles nos roubaram e resgatar Cody. Não somos a favor deles, Megan.

MEGAN: Eu não sei se devo ficar.

RYAN: Uma médica, junto de nós, nos garante muitas coisas. Fique.

Lori encara a tudo, apreensiva.

LORI: Você está, mesmo, tomando decisões certas, Bruce?

MEGAN: É melhor que eu vá embora, Bruce. Você não precisa mais de mim.

Megan abre a porta e vai embora. Ryan e Emily permanecem, observando a tudo.

LORI (ALTO): Por acaso você se esqueceu de que ela queria te abandonar lá, dentro daquela clínica, e se trancar no subterrâneo? Se não fosse pelo Ryan e pela Emily... (EMOCIONADA) Estaríamos no seu velório, no meio daqueles escombros.

BRUCE (INTOLERANTE): Não seja tão radical! A Megan é uma boa pessoa. Ela ajudou a todos aqueles doentes, salvou praticamente todos eles. Lori, eu sempre estive ao seu lado e você é meu braço direito. Sabe que uma médica é importante para nós. Se nos juntarmos aos Bats, será mais um para lutar conosco.

RYAN: O Bruce está certo, Lori. Pode ser o melhor para todos.

EMILY: Lori, não há motivo para impedir que ela fique conosco.

LORI (CONCORDA): Está certo. (PAUSA) Arquem com as consequências.

Lori abre a porta, sai e a bate. Todos se encaram.

CENA 13 - EXT. AP/FUNDOS - DIA.

Lori sentada nas escadas de saída, interrompendo parcialmente a passagem.

Bruce abre a porta, sai e se senta ao seu lado.

BRUCE: O que foi aquilo, lá em cima, hum?!

LORI: Discurso de alguém que sabe do que fala.

BRUCE: Tudo bem. O que você sabe, que te faz ter essa raiva da Megan?

LORI: Querer deixar uma pessoa morrer, impedindo que a outra o salve, já não é o bastante? Pior, essa pessoa é você, Bruce.

BRUCE: Ela queria proteger a todos, inclusive a você! Eu faria o mesmo.

LORI: Você não é ela, Bruce, teria seus motivos. (PAUSA) O jeito que ela fala dos Bats, aquele discurso que ela jogou nas nossas caras... Somos todos independentes, nunca lidamos com os Bats. O exército nos influencia a ter esse ódio, mas ela tem um discurso muito próprio.

BRUCE: Você está querendo me dizer que ela fez parte dos Bats e sabe demais, é isso?

LORI: Entenda como quiser.

Ela se levanta, abre a porta e adentra o prédio.

CLOSE-UP em Bruce, pensativo.

CENA 14 - INT. HIDRELÉTRICA/SALA SECRETA - DIA.

Várias armas dentro de uma caixa de papelão. A sala, um pequeno cubículo, possui um armário em seu canto direito.

Nolan toca as armas, as observa detalhadamente. A porta é aberta repentinamente e Trevor entra. Eles trocam olhares.

TREVOR: São essas, as armas que eu negociei com o Joel?

NOLAN: Gostou? (SORRI) Ótimo negócio, Trevor. (PAUSA) E o seu irmãozinho, como está hospedado?

TREVOR (O APONTA O INDICADOR): Eu quero você longe dele, ouviu? Não somos amigos, Nolan, e estamos longe de ser.

NOLAN: Fica calmo, pequeno negociante... (RISINHO) Você vai estar no lucro, junto com seu irmão. Sempre.

Trevor o encara, se vira e sai da sala.

CLOSE-UP nos olhos de Nolan, encarando a porta.

FADE TO BLACK.

FADE IN:

CENA 15 - EXT. HIDRELÉTRICA/GERADOR - DIA.

Em cima da placa de gerador, está um grupo de dez homens, inclusive Cody, atirando contra andarilhos, do outro lado da represa, em terra firme.

O INSTRUTOR, alto, robusto, 50 e poucos anos, passa por trás de Cody e vê seu tiro, que acerta em cheio um das dezenas de andarilhos.

INSTRUTOR: Ótimo tiro, Cody.

CODY: Obrigado, Sr. Hurd.

Cody sorri. Uma sirene começa a tocar.

HURD: Fim do treinamento. Dispensados para o refeitório.

Todos largam as armas e se dirigem a uma escada, que dá para a saída do gerador. Cody resta, junto de Hurd.

CODY: Sr. Hurd.

HURD: Sim.

CODY: Por que nos ensina, ao invés de estar lá fora? Vi que um helicóptero saiu hoje cedo, com missão em Nova Iorque.

HURD: Aprenda uma coisa, Cody... Aqui dentro, nem todos são listados para serem socorristas de possíveis sobreviventes. Ou, então, assassinos de andarilhos. É necessário ter sua posição. Ainda vivemos num mundo de ordens, embora, para metade da população, ela não exista mais.

Eles se encaram.

CENA 16 - INT. HIDRELÉTRICA/REFEITÓRIO. TARDE.

Cody e Trevor na mesma mesa de cenas atrás. Todos com torrada e caneca em mãos. Conversa para todas as mesas.

Um grupo de TRÊS HOMENS se levanta e sai dali.

CODY: Para onde vão, tão rápidos?

TREVOR: Última missão do dia. Acho que vão para Danbury.

CODY: Por que essas missões?

TREVOR: Não é só aqui, em Boston, que pessoas querem se aliar aos Bats. Tornou-se uma epidemia, Cody.

CODY: Uma epidemia do bem, certo?

TREVOR: Com toda certeza.

CODY: Eu vou indo, quero treinar um pouco mais.

Cody se levanta, pega a caneca, a qual põe dentro de uma grande bacia verde, e sai do refeitório.

Trevor põe o último pedaço de torrada na boca e também se levanta, a trocar olhares com Nolan numa mesa próxima.

CENA 17 - INT. HIDRELÉTRICA/GARAGEM - DIA.

Cody, atrás de um barril, observa o movimento de vários HOMENS, próximos de um helicóptero, estacionado no meio da extensa garagem, posicionado para sair.

HOMEM #1: Cadê o restante? Vamos atrasar.

HOMEM #2: Não podemos chegar à noite, corremos o risco de sermos pegos pelos radares.

O grupo que saiu do refeitório chega à garagem. Cody se ajeita atrás do barril, agachado, certificando-se de que ninguém o vê.

Os homens #1 e #2 entram na cabine, outro homem na parte de trás e os outros dois ficam do lado de fora, a observar várias caixas, espalhadas pela garagem.

HOMEM #3 (PARA O HOMEM #4): Pegue o barril e ponha junto das caixas, dentro do helicóptero.

Cody, ágil, espera que nenhum dos dois o veja e entra no barril, o fechando por dentro.

HOMEM #4: O barril? Para que vamos levá-lo?

O homem #4 se dirige ao barril, o tomba e o leva em direção ao helicóptero, o rolando, enquanto o outro cuida das caixas.

Dentro do BARRIL, Cody está todo encolhido.

CENA 18 - EXT. OCEANO - TARDE.

O helicóptero sobrevoa o oceano em direção reta.

Dentro do HELICÓPTERO, os homens conversam com seus respectivos fones e microfones; dão risadas.

CLOSE-UP no barril, tombado, atrás dos bancos. Uma flecha nele. A entrada de ar.

CENA 19 - EXT. CAMPO DE FUTEBOL - TARDE.

Uma fila de pessoas esperam pelo helicóptero.

CÂMERA sobrevoa de cima para mostrar, escrito com tinta vermelha, no gramado, as letras "S.O.S".

O helicóptero pousa e os homens soltam, abraçando as pessoas.

No entorno do campo, as grades impedem diversos andarilhos de entrarem.

Os homens formam uma corrente e passam, um a um, as caixas, até chegar às pessoas. Por fim, o barril é entregue.

O homem #1 se aproxima de uma SENHORA, a primeira da fila.

HOMEM #1: Sou o chefe da missão. Scott.  Colocamos cobertores e travesseiros dentro das caixas. Os Bats apoiam a sobrevivência de vocês. (APERTA AS MÃOS DELA) Estamos juntos.

SENHORA (EMOCIONADA): Eu não sei como agradecer. Graças a vocês, teremos suprimentos.

SCOTT (ÁGIL): Preciso ir. Fique bem.

O restante dos homens já está de volta ao helicóptero. Scott se vira e corre até o veículo, onde entra na cabine do piloto.

As hélices giram.

Os sobreviventes dão adeus.

O helicóptero parte.

CENA 20 - INT. HELICÓPTERO - TARDE.

Cody, agora sem o barril, deitado, atrás das poltronas, em silêncio.

Seus olhos, radiantes, observam tudo.

De repente, OUVE-SE um apito contínuo, da cabine do piloto.

HOMEM #3: O que está havendo, Scott?

SCOTT (DA CABINE): Parece que a gasolina está... Oh, Deus. A gasolina está escapando.

HOMEM #5 (ASSUSTADO): Escapando?!

SCOTT: Estou perdendo o controle, estou perdendo/

CENA 21 - EXT. MATA - TARDE.

O helicóptero está a ponto de perder o controle. Inicia-se pouso forçado, no meio de uma grande área desflorestada, mas cercada por uma densa mata.

O helicóptero enfim bate em terra firme e as hélices dão um grande estouro.

Os homens saem do helicóptero, assustados.

SCOTT (MÃOS NA CABEÇA): Eu não entendo como aconteceu!

HOMEM #4: Onde estamos? E agora, como vamos sair daqui?

SCOTT: Estávamos a poucos quilômetros da hidrelétrica. Talvez consigamos ir até lá a pé e chamar ajuda para consertar o helicóptero.

Dentro do HELICÓPTERO, CLOSE-UP em Cody, assustado.

HOMEM #3: Vamos fazer isso.

HOMEM #2: Antes que escureça mais ainda. Vamos logo!

Os cinco adentram a mata. Cody sai do helicóptero e olha pros lados.

CODY: E agora, o que eu faço?

Cody olha pros lados, vai até a CABINE, vasculha o que dá e acha um binóculo. Ele sai da cabine e, com o objeto nos olhos, observa a área.

POV DE CODY - Ele vê uma leve fumaça, em um ponto distante, saindo da mata.

Sai do POV; Cody retira o objeto do rosto.

CODY (RADIANTE): Isso, achei! Fogo. Só podem ser os Bats.

Ele joga o binóculo no chão e corre na direção da fumaça.

CENA 22 - EXT. MATA - NOITE.

Cody corre pela mata a fora. A fumaça que vem do fogo já atinge seus olhos, o forçando a tapá-los.

Mais a frente, há iluminação.

Cody se aproxima e se esconde atrás de uma árvore.

Logo a sua frente, vê-se a origem do fogaréu: uma extensa fogueira. DOIS CAPANGAS em pé, por ali.

Estirado num poste, preso com uma corda, chorando, está o instrutor de Cody, HURD.

HURD (V.O.): Aprenda uma coisa, Cody... Aqui dentro, nem todos são listados para serem socorristas de possíveis sobreviventes. Ou, então, assassinos de andarilhos. É necessário ter sua posição. Ainda vivemos num mundo de ordens, embora, para metade da população, ela não exista mais.

Surge, de costas, na escuridão, portando uma arma, Nolan. Seu rosto é descoberto pela luz do fogo. Com um sorriso no rosto, ele aponta o objeto para o instrutor.

Sem hesitar, Nolan pressiona o gatilho duas vezes, acertando-o em cheio.

O sangue de Hurd escorre pelo poste.

Atrás da árvore, Cody assiste a tudo. CLOSE-UP nele.

ABRUPTAMENTE, IMAGEM FECHA EM PRETO.

FADE IN:

CENA 23 - EXT. ESTRADA/BARRICADA - NOITE.

Abre em uma espingarda, mirando os homens do helicóptero, chegando, correndo, à BARRICADA que dá acesso à hidrelétrica, com as mãos pro alto.

Tal proteção trata-se de uma longa placa de metal com portão, de onde, em sua superfície, dois atiradores miram para as imediações do lugar. O mesmo é iluminado por dois holofotes, presos a hastes, altas.

ATIRADOR #1: Scott? O que fazem aí fora? O helicóptero?!

SCOTT (AFOITO): O perdemos. Abra o portão. Precisamos entrar.

Um atirador balança a cabeça positivamente e desce da barricada.

Uma aglomeração de ANDARILHOS se aproxima pela rua contrária.

Os homens se amontoam em direção ao grande portão. Scott o dá algumas pancadas. Aflitos, eles olham pros lados e gritam.

HOMEM #3: Abram logo, por favor. (BERRA) Tem andarilhos e estão se aproximando.

ATIRADOR #2 (O.S.): Esperem! A maldita está emperrada!

SCOTT: Merda, merda, merda!!!

Os andarilhos se aproximam. Suas fisionomias são péssimas e vestem roupas imundas.

HOMEM #3: Não vai dar tempo. Abram a droga do portão!!!

SCOTT: Vamos ter que atirar... Vamos.

Então, eles passam a atirar nos ANDARILHOS, mas acabam os atraindo cada vez mais para eles.

O portão começa a ser aberto.

O homem #2 se aproxima, tenta dar uma coronhada na cabeça do andarilho mais próximo, mas erra e o mesmo abocanha seu pescoço, o cortando ao meio. Ele berra, mas já é tarde demais: o grupo de andarilhos já o come vivo.

SCOTT: Oh, meu Deus. Phill!!!

Não há tempo para olhar pra trás e o portão já está aberto pela metade.

Os homens ENTRAM -- Scott, impactado.

O portão é fechado pelo atirador #2. Quando está prestes a bater, um andarilho põe o braço ali e o portão o corta ao meio, lançando-o ao chão, cercado por uma poça de sangue.

FADE OUT.

FADE IN:

CENA 24 - EXT. MATA - NOITE.

O tênis de Cody se choca contra o matagal verde que ele pisa e ecoa entre as extensas árvores. Sua respiração ofegante alterna com seus batimentos acelerados.

Mais na frente, há uma placa grande, no meio da mata, com o letreiro 'ATENÇÃO'.

Cody ultrapassa o letreiro e se depara com o asfalto de uma ESTRADA, onde desemboca o matagal. Ele se dirige ao meio da pista e olha pros lados.

No chão, um corpo apodrecido.

Ele olha pros lados, encara o nada e vê uma placa, no acostamento à direita, com o informativo: "HIDRELÉTRICA HAMPTONS 3KM NORTE".

Cody olha pro céu estrelado, arregala os olhos.

CODY (V.O.): Não acredito que estou aqui, com você, meu irmão.

TREVOR (V.O.): Eu também não. Valeu a pena cada dia lá, em Nova Iorque, a passos da morte. Eu me arrisquei para esse momento estar acontecendo, Cody. Nos salvamos.

FLASHBACK – Nolan mata Hurd.

Cody, escondido atrás de uma árvore, assiste Nolan matar Hurd com dois tiros.

FIM DO FLASHBACK.

Cody segue em direção à hidrelétrica. ZOOM-IN em seus olhos: determinação.

CENA 25 - INT. HIDRELÉTRICA/SALA DE NOLAN - NOITE.

O lugar, iluminado, é simples, ordenado em uma mesa, cadeiras e um armário de madeira.

Nolan escancara a porta e entra, vasculhando os papéis que estão sobre a mesa. Não encontra o que quer e joga tudo no chão.

Trevor entra na sala e agarra Nolan pelo colarinho, o prensando contra a mesa.

TREVOR: O que você fez com ele? Hum? Diz, seu desgraçado!

NOLAN (TENTANDO SE SOLTAR): Do que você tá falando? Me solta, Trevor, está louco?

TREVOR (BERRA): Fala o que você fez com o Cody. Ele sumiu, não está em lugar nenhum. O único que poderia tê-lo visto e feito algo contra ele é você, Nolan.

Nolan se solta, dá um empurrão em Trevor.

NOLAN: Me solta, seu merda! Você pensa que pode falar desse jeito comigo? Eu não sei e nem tenho tempo para discutir sobre as pirraças de uma criança.

TREVOR (EM FÚRIA): Você não mente para mim, Nolan. Eu vou achá-lo. Mas se isso não acontecer, você vai pagar caro, muito caro, Nolan!

NOLAN: Por acaso é uma ameaça? (RI) Qual objetivo eu teria com uma criança, recém saída das fraldas? (SÉRIO) Saia daqui, Trevor, ou vai se arrepender!

TREVOR: Você não perde em esperar.

Trevor dá as costas e sai da sala, avoado.

Nolan se apoia na mesa e dá uma longa respirada. Scott ENTRA na sala.

SCOTT: Recuperamos o helicóptero, Nolan, já está na garagem.

Nolan se vira e encara Scott. Aproxima-se.

NOLAN: Você é diretor para mandar e fazer coisas certas. Se permanecer fazendo merda, eu vou te isolar desse cargo e, aqui dentro, você será um simples lixeiro em declínio. (ALTO) Eu quero esse helicóptero pronto até amanhã.

SCOTT: Nolan, não tive culpa.

NOLAN: Perder um dos nossos homens, treinado, qualificado, quase atolar meu helicóptero e quebrar uma de suas hélices, realmente, não é culpa. Eu quero tudo nos conformes, caso contrário, você vai ter, pelo menos uma vez nessa sua vida de merda, o desprazer de estar vivo. Agora saia daqui e veja se não quebra mais nada.

Scott o encara, se vira e sai da sala. Nolan, sério.

VOZ (V.O.): Todos os geradores serão desativados em instantes. Dirijam-se aos seus respectivos dormitórios. (PAUSA) Todos os geradores serão desativados em instantes. Dirijam-se aos seus respectivos dormitórios.

Depois de alguns segundos, instantaneamente, todas as luzes do ambiente, assim como a do corredor, são apagadas.

Um feixe de luz invade a tela - trata-se de uma vela, dentro de um copo de vidro, nas mãos de Nolan, que se dirige à saída da sala com um olhar tenebroso. CÂMERA sobra-se a um quadro, estirado na parede, com uma foto dele, sorridente.

CENA 26 - EXT. ESTRADA/BARRICADA - NOITE.

Cody, atrás de uma árvore, a alguns metros da barricada, observa os homens, com as armas em posse, apontando em direção a quatro andarilhos, do lado de fora, vagando.

ATIRADOR #1: Tiro ao alvo. Parte... um...

Este mira em um dos andarilhos que rasteja pelo chão, frente à barricada, e explode sua cabeça.

As risadas dos atiradores ecoam pela MATA próxima, onde Cody, em passos lentos, caminha.

ATIRADOR #2: Mais uma, em?

Há outro andarilho mais a frente. Seus passos seus lentos, seus olhos vermelhos encaram os atiradores. O tiro certeiro do atirador #2 o mata e o faz cair no chão, ensanguentado. Os homens riem, enquanto recarregam as armas.

Finalmente, o atirador #1 dá mais um tiro - mais um andarilho no chão. Resta um, cambaleando. Mas uma sirene toca no fundo.

ATIRADOR #2 (AO ANDARILHO QUE RESTOU): Deixa esse bônus pro próximo turno. (RISOS; AO PARCEIRO) Não via a hora de essa maldita sirene tocar. Preciso dormir, to morto!

ATIRADOR #1: Sorte a sua. Estar morto é estar mais vivo do que nunca...

Eles riem, sacam as armas e saem da barricada.

CLOSE-UP no andarilho que sobrou. Um pedaço de madeira o acerta e ele cai no chão, morto. A madeira é jogada ao seu lado.

CÂMERA ABRE para revelar que quem o matou foi Cody, que agora anda em direção a uma árvore, próxima a barricada.

Cody se prende à árvore e a escala, devagar, se contendo e liberando toda força possível. Seu rosto, já vermelho, olha pro lado e vê que falta pouco para a extremidade da barricada.

Ele se apoia em um galho grosso e consegue se pendurar até a ponta do mesmo, enquanto prende os pés no caule da árvore. Nesse instante, Cody se vira e, encarando a barricada, retira os pés do caule, se balança no galho, prestes a arrebentar, e se joga na barricada, onde se segura.

Suas mãos estão firmes na placa de metal, no topo da barricada. Por fim, ele consegue sustentar o cotovelo e impulsionar o corpo para cima, conseguindo a ultrapassar e chegar ao outro lado.

CENA 27 - EXT. HIDRELÉTRICA/DEPÓSITO DOS BATS - NOITE.

As BATIDAS do coração, mais que acelerado.

Começam vozes no fundo, alguém se aproxima. Cody desce as escadas e chega ao chão -- vê umas caixas e se esconde atrás delas. Este lugar, próximo da hidrelétrica, é como um depósito: um amplo lugar, com diversas caixas, estoques, armas e passagens para o interior da hidrelétrica.

As vozes são de DOIS ATIRADORES do turno, rindo. Eles se aproximam e sobem as escadas por onde Cody desceu, pegando as armas e apontando para fora da barricada.

ATIRADOR #3 (O.S.): Vamos ter trabalho hoje?

ATIRADOR #4 (O.S; RISOS): Vou deixar esses malditos fazerem a festinha deles e vou dormir...

Cody se levanta no sussurro e adentra o lugar em passos lentos.

CENA 28 - EXT. BECO - NOITE.

Nolan na frente de uma camionete, de faróis ligados, iluminando umas sete pessoas, dispostas pelo beco, atentas as falas de Nolan.

NOLAN: Eu sou um Bat, sou o líder de todos eles. Meu nome é Nolan. (T) Pra onde vamos, não importa o caminho, não importa nada, apenas que servirão à paz e à justiça. Vamos lutar contra o exército. (T) Serão acomodados e logo terão de escolher uma tarefa para cumprirem diariamente. (T) Sejam bem vindos aos Bats.

Todos sorriem, se aproximam em silêncio da camionete, cumprimentam Nolan e sobem na caçamba, se acomodando, um ao lado do outro. Uma das mulheres encara Nolan.

MULHER: E quanto ao exército, não vão nos ver saindo?

NOLAN: Estará em segurança. Daqui pra frente.

A mulher sorri, agraciada, e sobe na camionete com a ajuda dele.

A fila continua a andar.

Chegam, então, correndo, adentrando o beco, no maior barulho, Bruce, Lori, Emily e Ryan - cada um com uma mochila/mala. Nolan saca a arma e os aponta. Aproxima-se.

NOLAN: Quem são vocês?

O grupo levanta as mãos.

BRUCE (ÁGIL): Queremos ir, viemos para isso. Não temos uma rádio pirata, descobrimos por conta própria que estariam recolhendo.

NOLAN: Ordens são expostas e devem ser cumpridas. Prevejo que, se não têm uma rádio, não se interessam, realmente, pelos Bats.

LORI: Nós imploramos. Deixe-nos se juntar a vocês.

RYAN: Por favor.

NOLAN (ABAIXA A ARMA): Por que os Bats?

BRUCE: Temos certeza que seremos salvos. De mortos-vivos e de inimigos.

NOLAN: E quem seria o inimigo de um grupo tão sadio?

LORI: Não/

Bruce intervém.

BRUCE: O exército, é claro.

Nisso, surge Megan, com uma mochila nas costas, apressada.

MEGAN: Desculpem-me.

BRUCE: Megan?

NOLAN: Mais uma pro grupo? (T) Rejeito.

Nolan se vira. Megan dá um passo à frente.

MEGAN: Por favor, precisa nos deixar ir.

Nolan se vira para eles, novamente, os observa. Os que já adentraram a caçamba prestam atenção.

NOLAN: E que garantia eu tenho de que pessoas sem horário, irresponsáveis e que nos fazem correr risco com todo esse movimento e barulho, serão úteis?

BRUCE: A minha garantia. Eu lhe dou minha palavra.

Nolan o observa de cima em baixo e solta uma risadinha.

NOLAN: Pois bem, entrem, se resolvam.

Bruce e seu grupo se dirigem à caçamba, sobem-na. Nolan abre a porta do carona e entra. Bruce, na ponta, fecha a porta da caçamba.

MÚSICA ON – Devil May Cry, por The Weeknd.

Os faróis são desligados e o carro parte.

PLANO GERAL do beco. O carro se distancia.

Na rua contrária, um TANQUE do exército passa, fazendo a ronda pela rua, mas a camionete já está longe.

FADE TO BLACK.

FADE IN:

CENA 29 - EXT. ESTRADA/BARRICADA - NOITE.

A camionete para frente à barricada, onde o portão se abre e o veículo adentra. O portão se fecha.

CÂMERA vai buscar o letreiro: "HIDRELÉTRICA HAMPTONS", seguido de "ABERTO À VISITAÇÃO".

MÚSICA OFF.

CENA 30 - INT. HIDRELÉTRICA/SALA - NOITE.

Nolan abre uma porta e todos os que estavam na camionete entram na sala.

Colchonetes espalhados, uma cabine de banheiro, com porta, janelas lacradas, silêncio.

BRUCE: Ficaremos aqui?

NOLAN: Sim. Nenhuma sala das imediações possui luz. A cortamos para poupar.

LORI: E por que não usam a água da hidrelétrica; a colocam para funcionar?

NOLAN: Não é um assunto seu, por enquanto. (T) Nesta sala, ficarão acomodados. Amanhã, eu os darei as regras e os apresentarei todas as salas. (T) Esta sala estará trancada para a segurança de todos. As luzes serão desligadas em trinta minutos. Tenham uma boa noite. (T) Livres de mortos-vivos.

Nolan sorri, sai da sala e a tranca por fora. As pessoas começam a se arrumar para dormir. CLOSE-UP em Bruce.

BRUCE (P/ LORI - IMITANDO NOLAN): Tenham uma boa noite. (VOLTA A VOZ) Boa noite? Trancados, aqui, nessa sala?

MEGAN: Não podemos fazer nada. Lembre-se Bruce, estamos aqui pelas armas.

Lori vira o rosto, prefere não encarar Megan.

BRUCE: Bom ter você aqui, conosco.

MEGAN: Eu pensei em tudo o que conversamos. Quando vi sua carta, de que partiriam a noite, decidi fazer o mesmo.

LORI: É ótimo que tenha vindo, Megan. Creio que já conheça o lugar... (PAUSA) Mais do que ninguém.

Lori a encara e se dirige a seu colchão. Emily já se arruma para se deitar, assim como Ryan.

Megan se afasta. Bruce observa a todos.

CENA 31 - INT. HIDRELÉTRICA/DORMITÓRIO MASC. - NOITE.

CÂMERA abre na placa: "DORMITÓRIO MASCULINO 1" e, em seguida, revela uma grande sala. Colchões espalhados pelo chão, uma janela grande, tapada por madeiras, entre outros, são os arredores de mais de vinte pessoas, que dormem espalhadas, em amplo silêncio.

Uma sombra invade o dormitório, ofegante. É Cody.

FLASHBACK – Nolan mata Hurd.

Cody, escondido atrás de uma árvore, assiste Nolan matar Hurd com dois tiros.

FIM DO FLASHBACK.

Trevor acorda no susto. Cody, agora, em sua frente.

TREVOR (SUSSURRA): Cody, onde você estava? Eu te procurei a noite inteira!(PAUSA) Oh, Deus...

CODY (IDEM; OFEGANTE): Está tudo bem comigo, Trevor, mas eu preciso sair daqui, junto de você, (T) agora.

Cody respira fundo, ainda ofegante. CLOSE-UP ALTERNADO.

CODY: Eu vi o Nolan, ele...

TREVOR: O que aquele desgraçado fez com você?

CODY: Comigo, nada, mas com o Hurt/

TREVOR (DESCONHECE): Hurt?

CODY: Meu instrutor. O Nolan... O Nolan o matou.

TREVOR: Cody, o que você está dizendo? Onde você viu isso?

CODY: Na floresta.

TREVOR: Você saiu da hidrelétrica?!

CODY: Nós precisamos sair daqui agora, Trevor, estamos correndo perigo de vida. Nós e todas essas pessoas.

TREVOR: Não podemos, Cody. Você deve estar enganado.

CODY (ATROPELANDO AS PALAVRAS): Está querendo que eu acredite no quê? Que ele tem um irmão gêmeo? Ele matou o Hurt, friamente, junto dos capangas dele, no meio da mata! Trevor, você estudou os Bats um ano, mas não estudou o Nolan. Ele não é o que parece, ele quer matar a todos.

TREVOR: Tudo bem, vamos sair daqui. (T) Vai dar tudo certo.

Trevor retira o cobertor e se levanta, calçando um chinelo, próximo ao colchão.

Cody se aproxima da porta, olha pros lados.

Trevor ainda pega alguma coisa sobre o seu colchão.

Cody certifica o corredor e o manda vir -- Trevor se aproxima, mas, quando Cody se vira para ele, leva uma coronhada na cabeça. Trevor coloca a arma na cintura e o encara, caído no chão.

TREVOR (TRÊMULO): Eu sinto muito, irmão.

CENA 32 - INT. HIDRELÉTRICA/SALA SECRETA - NOITE.

A sala escura obriga Nolan a segurar um copo de vidro, com uma vela dentro.

O lugar é uma espécie de manicômio. No meio, há uma maca. Nolan a ilumina. Sobre ela, há uma pessoa, deitada, coberta por um lençol branco.

NOLAN (SUSSURRA): Minha preciosidade...

Nolan retira o lençol e a CÂMERA revela o rosto da pessoa: trata-se de um MENINO, 11 anos aproximadamente, portador da síndrome de Down, cabelos lisos, castanhos, em sono profundo. Nolan cata um de seus braços e observa uma MORDIDA DE ANDARILHO. No entanto, diferente de outras, esta tem aparência clara, como se estivesse sarada. Nolan ajeita os braços do menino na  maca e tapa seu rosto com o lençol. Seus olhos, iluminados pela luz da vela, fitam o corpo e ele se afasta.

FADE OUT.

 
     

 

     


 

Criada e escrita por
Rafael Oliveira
 

Estrelando
Gerard Butler - Bruce Collins
Laurie Holden - Lori Blair
Woody Harrelson – Nolan
Wentworth Miller – Cody
 

Com
Andrew Scott - Scott
Britt Robertson - Emily Haven
Colin Ford - Ryan Haven
Sarah Wayne Callies - Megan Campbell
Vince Vaughn - Trevor
 

Participações especiais
Dean Norris – Militar
Max Charles – Menino
Ron Rifkin – Hurd
Atiradores, homens (os cinco), pacientes, são figuração.
 

Trilha sonora
Devil May Cry - The Weeknd
 

Dead Land é livremente inspirada no jogo “The Last Of Us”, desenvolvido pela Naughty Dog.
 

Produção
Bruno Olsen
Diogo de Castro
 

Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO



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